Capítulo IV

Surpresa Adocicada


Eu soltei os braços de Lene, e - ao contrário do que se esperava - ela enlaçou o meu pescoço, trazendo-me para mais perto dela ainda. Merlin como era bom! Não era a mesma coisa que ficar com outra garota. Era diferente. Era a minha Len que estava nos meus braços. Segurei seu cabelo com jeito e pedi permissão para aprofundar o beijo, que ela concedeu imediatamente, segurando minha nuca com a mão direita. Mas por algum motivo o beijo não durou nem um minuto. Marlene me empurrou de leve para trás, colocando as duas mãos em meu peito, impedindo que eu me aproximasse de novo. Olhei-a sem entender. Porque ela tinha parado? Eu podia sentir seu coração disparado e sua respiração ofegante, do mesmo jeito que a minha. Ela ficou me olhando por algum tempo, sem fazer menção de se mexer, ou me tirar de cima. Eu dava tudo para saber o que ela estava pensando. - Estou atrapalhando alguma coisa? – Eu tinha levado um susto, mas o de Len foi BEM maior, tanto que ela até se engasgou. Então, o meu plano de ignorar quem quer que fosse e fechar as cortinas do dossel foi por água abaixo, por que eu tive que me levantar e ajudar ela a respirar.

- Estava. – respondi, virando para ver quem era o futuro cadáver, ignorando o "Não, não está." que Lene tinha dito. Porque se meu olhar pudesse matar, com certeza essa criatura estaria morta.

- Ahm.. – Era o inútil do Rabicho. Merlin, como eu queria voar no pescoço dele e estrangulá-lo até que seus olhos saltassem para fora! – Só vou pegar uma roupa e já saio. – ele comentou mais vermelho que um tomate maduro, só de toalha. Talvez eu estivesse exagerando e tudo mais, até porque nós não estávamos mais nos beijando, mas estávamos ali, juntos, de um jeito diferente do que costumávamos ficar.

- Melhor pegar depois. – aconselhei, sabendo que ele ia entender a indireta.

- Pedro, pode nos dar dois minutos? – Lene pediu, tentando parecer casual, e olhando para o lado oposto de onde ele estava, já que Pedro estava vestindo nada mais que uma toalhinha branca. É claro que ela estava sem jeito, o que é bem raro. E obviamente o meu amigo não pensou duas vezes e correu de volta para o banheiro.

- Só dois? - reclamei, sentando na cama. Em outras ocasiões eu tentaria contornar a situação, mas eu conhecia a Marlene muito bem para saber que não iria funcionar só pela expressão em seu rosto.

- Eu realmente não posso te provocar, Six. – ela comentou, sentando ao meu lado e bagunçando meu cabelo. Provocado? Tinha é me intimado! E o que tinha acontecido ali, depois do beijo?

- E você não sabe brincar com fogo. – retruquei, com o meu melhor sorriso maroto. Já estava conformado que não iria mais beijá-la – não hoje pelo menos. Mas Marlene não perdia por esperar...

Lene me olhou com aquela sua cara de "você sabe muito bem que eu sei", mas não disse nada a respeito. Ficamos em silêncio, olhando para outras coisas no dormitório. Ela fez menção de falar algo umas duas vezes, mas pareceu desistir e isso me incomodou muito, já que Marlene nunca ficava sem saber o que dizer. Olhei para seu rosto para tentar saber se ela estava brava ou qualquer coisa, mas ela estava indecifrável. Não que ela fosse óbvia, mas normalmente eu a conhecia bem o suficiente para saber o que a expressão no rosto dela queria dizer. – Sirius... – ela começou, voltando a olhar para mim.

- Desculpa, Len. – eu a interrompi. Não sabia se era um "desculpa" que eu deveria dizer, mas eu não consegui pensar mais nada. Mas a verdade era que a ultima coisa que eu queria era pedir desculpas. Desculpa é para quando você faz alguma coisa errada, e eu não tinha feito nada de errado. Beijá-la não podia ser errado, especialmente se era tão bom...

Ela não me respondeu, e isso me deixou um tanto preocupado. Ainda mais depois que ela levantou e deu uma volta no dormitório em silêncio, indo parar na minha cama. – Lembra dessa foto? – perguntou, pegando o porta-retrato branco que tinha na minha mesinha de cabeceira. É claro que eu me lembrava.

Nós dois estávamos com neve até o cabelo e não conseguíamos parar de rir, eu girava rápido, segurando-a em meu colo e depois tropeçava e levava os dois ao chão, caindo na neve fofa, fazendo vários floquinhos brancos voarem para os lados. - Era véspera de Natal e você tinha cismado que queria correr na neve, duvidando que eu conseguisse te pegar. – lembrei com uma leve risada, indo até ela e olhando para a foto. Remus que tinha tirado, sem nós sabermos.

- Mas você conseguiu e me derrubou no chão como bônus. – ela completou, rindo. Sua risada era linda. – Acho que nunca fiquei tão cheia de neve que nem aquele dia.

- Não acho que seja possível. – comentei maroto. Lembro que até no meu ouvido tinha neve, e quando sentamos na lareira da Sala Comunal por um tempo, tivemos que trocar de roupa de tão molhada que ela estava. Mas eu não entendo o que a foto tem a haver com a "iminente conversa".

E Lene pareceu entender o meu olhar confuso, porque ela sentou na cama, cruzando as pernas e fazendo um sinal para me sentar na frente dela, o que eu fiz. – Si.. – fez uma pausa, colocando uma mecha chocolate atrás da orelha. – Você sabe que apesar de querer agarrar qualquer rabo de saia que apareça na sua frente, você é o meu melhor e mais querido amigo não sabe?

- Eu não te agarrei. – protestei, como uma criança que comeu a sobremesa antes do jantar e foi descoberta. Embora ela não tenha se incluido no "rabo de saia" eu entendi o recado. Mas ela não era qualquer uma - nunca foi. – Foi só uma brincadeira. – eu me arrependi de dizer isso assim que eu disse.

- Tudo bem, não importa. – ela respondeu impaciente, embora parecesse que não queria dizer exatamente isso. Eu abri a boca para retrucar, mas Len me impediu. – Só não faça novamente. – ela disse em um tom calmo e me olhando de um jeito que dizia "Mesmo que a culpa não tenha sido exclusivamente sua." O que era verdade porque em algum momento ela tinha correspondido, mesmo que por trinta segundos. Ela levantou da cama e beijou meu rosto. – Estão me esperando para ajudar na decoração.

- Até mais tarde então. – fiz um aceno com a mão, e ela fez o mesmo indo até a porta. De alguma forma essa conversa tinha sido meio confusa.

- Ah, Si.. – ela parou na porta, olhando para trás. – Não conte para ninguém, ok?

- Não ia. – dei uma piscadela, vendo Marlene sumir da porta e me jogando na cama. Eu nunca ia contar para ninguém, mas eu sei que ela só tinha dito aquilo por causa do namoradinho enrustido e veado. Opa... peraí! – Corno! – falei alto e ri. Willian Corno! Ai como a vida era boa!

- Posso sair agora? – Rabicho perguntou, com a cabeça na porta, procurando se Marlene ainda estava no quarto.

Fiz um aceno com a mão para que saísse. – Só vire essa bunda peluda para outro lado. – resmunguei, entre risadas, Pedro odiava quando eu e James falávamos isso, mas era bem engraçado ver a cara dele. Voltei minha atenção para o teto do dossel, tinha que colocar algumas fotos ali.

- Pensei que Marlene estivesse namorando. – ele comentou, assim que terminou de se vestir. Se fosse outra pessoa, eu poderia entender uma pergunta oculta na frase, mas como era Pedro – felizmente – ele provavelmente estava jogando conversa fora.

- E está. – confirmei a contragosto, fazendo um biquinho – muito sexy, diga-se de passagem – para o teto.

- E daqui a pouco o Pads desafia o concorrente para um duelo. – James disse assim que entrou no dormitório, aparentemente ouvindo parte da conversa. Concorrente não. Corno!

- Até tu, Justus? – fiz uma encenação dramática, lembrando da história que o professor de Estudo dos trouxas contou, colocando a mão no coração e voltando a me jogar na cama, fingindo-me de morto.

- O filho adotivo de Júlio César era Brutus e não Justus, Pad. – Remo se uniu ao complô contra minha digníssima pessoa. Eu não sou tão nerds que nem ele a ponto de lembrar do nome de algum personagem histórico, só lembrei da historia porque achei a dramatização engraçada.

- Então você é o Brutus Segundo. – revirei os olhos, indo até o armário e alcançando uma toalha. – Vou tomar banho, que eu ganho mais da vida. – resmunguei, enquanto ignorava o Moony perguntar alguma coisa sobre a Marlene. Assim que entrei debaixo do chuveiro, fiquei feliz em constar que ninguém tinha me seguido para um interrogatório. Merlin! Qual era o problema deles ultimamente?


Assim que entrei na Sala dos Monitores fiquei com o queixo no chão. Com a decoração a sala tinha ficado uma boate perfeita – melhor até. Alguns globos de luz flutuavam, dando ao lugar uma iluminação ideal, não havia mais móveis no meio da sala, só alguns sofás no canto e mesas para as bebidas e afins. Alguns focos de luz coloridos nas paredes e, bem no meio, uma "pista" improvisada, meio brilhante, meio neon. Um pouco mais à frente tinha uma bancada de madeira, onde alguns veteranos se arrumavam para tocar. Hoje promete! Ah, se promete! – Hey, Pontas! – chamei o moreno de óculos e cabelo bagunçado. Apesar de estar me torrando a paciência ultimamente, era praticamente meu irmão, se bem que irmãos fazem isso, não fazem?

- Voltou o bom humor? – James cutucou, dando um sorriso maroto. – Temos que pegar as comidas, daqui a pouco isso vai ferver, meu amigo! – E ele tinha razão! Praticamente toda a Grifinória tinha sido convidada e mais alguns alunos das outras casas. Tudo à surdina – é claro – por que se me perguntassem, eu não estava sabendo de n-a-d-a!

- Será que é hoje que você vai aumentar o seu recorde de foras? – perguntei, dando o troco, indicando a ruiva, que tanto perturbava meu amigo, com o olhar. – Ou vai finalmente conseguir? – dei aquele meu sorrisinho malicioso. Por mais que eu tirasse sarro da situação trágica de James, eu torcia por ele. No fundo achava que eles formavam um belo casal. Eu e Marlene já tínhamos nos indicados a padrinho e madrinha de honra. E falando em Lene, ela ia querer pegar as comidas junto, provavelmente. Já que tenho certeza que depois iria reclamar dizendo que não soubemos trazer o certo. E também porque eu tinha uma surpresinha para ela.

- Há Há. – ele forçou uma risada e meu deu um tapa na cabeça, que eu esquivei por pouco. Violento ele, não? – Vamos de uma vez? – perguntou impaciente, dando umas duas olhadas rápidas para a ruiva.

- A Marlene quer ir junto, agüenta aí. – disse procurando uma morena com os olhos, e não demorei a achá-la. Andei até ela e a puxei pela mão até onde James estava, sem escutar seus protestos.– Vamos? – perguntei com o meu melhor sorriso, no que Tiago balançou a cabeça, divertido. Felizmente o Willian Corno não estava com ela, o que me fez pensar, ela não disse que ele a estava a esperando?

- Posso ao menos saber onde estamos indo? – ela perguntou, assim que dobramos o corredor. Eu ainda não tinha soltado sua mão, e Tiago ia à frente com o a capa da invisibilidade na mochila mágica, sem fundo. Não era tarde, então podíamos andar nos corredores, mas não ia ser nada bom se nos pegassem com montes e montes de comida.

- Resolvi te trazer junto, para depois não reclamar que nos esquecemos de trazer algum "doce". – respondi, sorrindo maroto, ao vê-la abrir a boca para falar, mas fechando segundos depois. Ela sabia que eu tinha razão.

Após fazer coceguinha na pêra, entrando na passagem que levava à cozinha e sermos prontamente atendidos por elfos eufóricos por nos servir, tirei uma lista do bolso com alguns quitutes indispensáveis: bolos, tortas, mouses, salgados, torrados. Não tinha preferência pelo sabor, já que tudo ali era delicioso, mas era bom anotar para não se esquecer de nada. – Mais alguma coisa? – perguntei, assim que terminei a minha lista genérica, olhando para Marlene, que até então estava fiscalizando o que era colocado na mala que o Tiago carregava.

- Até agora não vi nada com chocolate, morango, amora ou maracujá entrar na mochila. – ela se virou para mim, cruzando os braços e fazendo um "biquinho" involuntário com a boca. Sabe aquela frase que falamos para pessoas frescas que não querem se molhar? Algo do tipo "É feito de açúcar por acaso?" Pois é. Lene ERA feita de açúcar. Ou melhor, de chocolate com amora, morango e/ou maracujá. Não necessariamente só esses tipos de doces, ela era bem versátil quanto a isso, mas tinha certa obsessão quanto a esses ingredientes em particular. Fico imaginando um seriado policial trouxa, daqueles que vimos na casa da Evans. No caso a Marlene seria a Serial Killer dos ingredientes açucarados, que nunca tinham uma chance de escapar.

- É por isso que eu te trouxe. – dei uma piscadela, envolvendo sua cintura com o meu braço esquerdo. Ela me olhou sem entender. Melhor eu explicar melhor. – Tenho uma surpresa. – informei, esperando a reação dela. Lene era uma das únicas pessoas em que se dava prazer fazer uma surpresa. Seus olhos mudavam de cor, para um verde-água, suas bochechas ficavam rosadas de entusiasmo, seu sorriso parecia mágico, juntava as mãos de uma forma que a deixava dengosa e se você deixasse-a muito curiosa, ela dava pequenos pulinhos; mas não podia passar do limites, se não poderia a irritar consideravelmente.

- E o que é? – perguntou, olhando para cada canto da cozinha, como se a resposta estivesse ali, depois para James, que deu uma risada e continuou a guardar as coisas na mochila, e por fim, para mim.

- Tiny. – uma elfa de olhos lilás parou minha frente dizendo "Tiny pode ajudar?". – Lembra aquelas coisas que eu pedi à você? – perguntei, frisando "aquelas coisas". Depois de um "Sim, sim, Tiny Lembra." A elfa sumiu e apareceu com um pacote nas mãos; tinha mandado embrulhar. Peguei o pacote e agradeci.

- Eu não ganho uma surpresa também Pad? – James perguntou, em tom de deboche, fingindo estar com ciúmes.

- Talvez se usasse saias, tivesse uma boa comissão de frente, não tivesse nada no meio das pernas – não que você tenha agora – e... AI! Poxa Pontas, estava só brincando! – me desculpei, rindo junto com ele, depois de desviar de uma tortinha assassina.

- Não está esquecendo-se de nada? – Lene acenou para nós, sem tirar os olhos do pacote que eu tinha nas mãos.

Dei um sorriso de canto e coloquei o embrulho atrás de mim, me aproximando mais dela. – Quero um beijo antes. – exigi. Sirius Black sempre tinha segundas, terceiras, quartas... intenções. A história de não beijar mais Marlene hoje poderia ser revista. Mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa ela pisou no meu pé e pegou o pacote, que eu quase tinha derrubado no chão. – Está louca? – perguntei, pulando com um pé só, mordendo a boca de dor, e tentando ignorar o ataque de riso do James.

- Boa, Lene! – Potter fez o favor de acrescentar. Grande amigo ele, isso sim! – Ah Pad, admita que por essa você não esperava. – e voltou a rir. Claro que eu não esperava! Mas não vou dizer que fiquei surpreso, até por que não esperava que ela realmente aceitasse a minha proposta e me desse um beijo.

Ela abriu o pacote e encarou o conteúdo com os lábios entreabertos, com uma mistura de sorriso e deslumbramento. Mesmo estando bravo com a pisada no pé eu tive que sorrir com a reação dela. – Pedi pra inventarem novas receitas com os seus favoritos. – informei, colocando o pé no chão. Até que a pisada não tinha sido tão forte assim.

Lene pegou um pouco da cobertura de um dos doces com o dedo e levou até a boca, dando um suspiro. Pelo jeito tinha agradado. – Six! – ela exclamou, depois de fechar o pacote e colocar em um bolso à parte que tinha na mochila do Pontas, e murmurar um "Cuidado", bem ameaçador. – Obrigada! – disse com um sorriso de orelha a orelha, se jogando em cima de mim para um abraço.

- Depois eu que sou o bobo. – Tiago comentou, balançando a cabeça. Eu revirei os olhos em resposta e a tirei do chão antes de nos soltarmos. E só pra constar. Ninguém ficava mais bobo que o Prongs ali, quando estava perto da Evans. – Vamos? – perguntou, com a mochila nas mãos.

- Espera. – Malene fez um sinal com a mão, no que nós dois nos olhamos. O que ela queria? – Empresta a mochila um pouquinho, James? – perguntou esticando a mão, no que ele a entregou. E quando ela abriu o bolsinho em que tinha colocado seu pacote eu entendi o que ela queria: ir comendo um dos doces.

Assim que escolheu uma tortinha, com um enfeite de morango e limão, ela guardou o pacote novamente e entregou a mochila ao Tiago, que aproveitou para cobri-la com a capa da invisibilidade. – Agora podemos ir, né? – perguntei a ela, sorrindo de canto.

No caminho de volta era impossível não sorrir a cada suspiro que ela dava. – Querem um pedaço? – Lene perguntou, com uma cara sem graça, por não ter oferecido antes. Tiago fez que não, mas eu não recusei. Depois de tantos humms eu queria saber como era. E Merlin! Como era boa aquela tortinha! Doce, mas azedinha e no final ficava um gosto suave de alguma fruta, só não sabia dizer qual. Eu tinha acertado na encomenda.

- E a Lily? – James perguntou, olhando para a morena. E a julgar pelo olhar ansioso dele, estava querendo perguntar isso desde que saímos da Sala dos Monitores.

Marlene deu mais uma mordida na tortinha e sorriu para ele. – Ainda acho que eu e o Sirius vamos ser os padrinhos do casamento de vocês. – Apesar das apostas contra, eu e ela nunca duvidamos do óbvio. – E acredito que se você pedir com delicadeza e muita paciência, pode dançar várias músicas com ela na festa, hoje.

- Dançar! Sério? – ele parecia que tinha levado um choque pelo pulo que ele deu, mas a julgar pelo super hiper mega sorriso não tinha sido nada parecido com um choque. Lene confirmou com a cabeça, rindo da reação dele. Ela costumava dizer que tinha alguns tipos de amor que ela acreditava e até certo ponto invejava, e o do James pela Lily era um desses casos.

**flashback**

Apesar do vento frio, eu e Len estávamos sentados na beirada da janela da Torre Leste sem casacos ou blusas. Ela estava sentada no meio de minhas pernas, encostada no meu peito, com a cabeça apoiada no meu ombro, olhando para cima, enquanto eu a enlaçava pela cintura, mantendo-nos aquecidos. – Apesar de a Lils ser minha melhor amiga, tive dó do James hoje de manhã. – a morena comentou, depois de algum tempo em silêncio. Era bom ficar assim, sem fazer nada, junto com ela.

- Acho que todos que viram tiveram dó, Len. – salientei. Prongs tinha acordado decidido a conquistar "o amor da minha vida", palavras dele, e com isso em mente pegou uma caixa de bombons e um buquê de flores silvestres, que ele tinha colhido da floresta proibida – e até eu tive que admitir que nunca tinha visto flores tão bonitas e exóticas -, colocou sua melhor roupa e abordou a ruiva, que conversava com Lene, Alice e Dorcas, perto do lago. Ele se ajoelhou no meio de todos e sorriu para ela, dando a impressão de que não tinha mais ninguém envolta deles, só os dois. E ao invés de pedi-la para sair ou fazer uma declaração patética ele disse simplesmente: Sou seu, de corpo e alma. Eu fiquei perplexo. Todos que estavam assistindo tiveram a mesma reação que a minha. E meu amigo ficou lá, ajoelhado, com um buque e uma caixa de bombons na mão, esperando pelo menos um grito, alguma coisa. Ninguém em um raio de 5 metros se atrevia a respirar alto. Meu impulso era de arrancar meu amigo daquele transe e jogar a preciosa ruivinha dele no lago! Mas a Evans não disse nada, absolutamente nada! Simplesmente se levantou e saiu caminhando na direção do castelo, desviando dele sem ao menos olhá-lo! Merlin, como eu tive vontade de correr atrás dela e pegá-la pelos cabelos, mas Lene foi mais rápida. A morena fez um aceno para as amigas seguirem a ruiva e foi até o Tiago, pegando as coisas da mão dele e o ajudando a levantar. E eu não sei o que ela disse pra ele, mas ele não pareceu se importar com a reação da Evans, pelo contrário.

- Eu briguei com a Lily por isso. – confessou, dando um longo suspiro, e eu a apertei mais nos meus braços. Elas nunca tinham brigado. – Às vezes eu tenho vontade de chacoalhá-la ou levá-la numa adivinha, para colocar naquela cabeça ruiva que ela vai sim se casar com o James. Ela diz o nome dele de noite, pelo amor de Merlin!

Essa ultima frase me fez rir e soltar um espantado "O QUÊ?", no que Marlene tampou a boca com as mãos e olhou para mim, como que implorando para eu não perguntar mais nada. – Ah, vamos lá, Len. – pedi. - Pode ir me contando essa história. E se explicando porque não me disse antes. – olhei-a de canto de olho, enquanto ela mordia os lábios, contrariada. Amava quando ela fazia isso, dava vontade de... Enfim, voltando ao James e a Evans.

- Começou no final do ano passado. E eu não contei porque... – ela gesticulou. – Oras, por que eu não tenho que te contar tudo. – ela me mostrou a língua, no que eu ri. Realmente, ela não tinha que me contar tudo, mas contava. Assim como eu contava para ela. Tinha coisas que nem James sabia, só ela.

- Mas o que exatamente começou no ano passado? – perguntei, sorrindo de canto. Claro que eu queria saber de todos os detalhes! Quando a paixão platônica do meu amigo, que só dá foras nele, diz o nome dele enquanto dorme, eu preciso saber de tudo.

- Bom, a primeira vez eu estava terminando a tarefa de Transfiguração e escutei um "Adoraria, Potter". Assustei-me, pensando que tinha alguém estranho no dormitório, mas daí escutei um "Potter" novamente e então percebi que era a Lily falando, enquanto dormia. Não é todo dia, mas é bem comum. – concluiu, voltando a olhar para cima, de um jeito que desse para ver as montanhas que cercavam Hogwarts.

- Então a Evans sonha com o meu amigo.. – murmurei, tentando formular um plano brilhante, mesmo sabendo que Lene já tinha tentado algo parecido. O ruim é que não dava para falar para a Evans que ela chamava pelo Prongs nos sonhos, já que iria negar tudo, porque obviamente ela não sabia. Mas pelo menos isso era um bom sinal, de que ela pelo menos pensava dele, mesmo que só nos sonhos.

- Será que eu falo dormindo também? - Acho que todo mundo já falou dormindo, não falou? Se bem que quando ela dormia comigo nunca dizia nada. Tudo bem que foram raras vezes, mas já é um parâmetro, não é?

- Se fala, tenho certeza de que chama por mim. – sorri maroto, convencido de que obviamente ela chamaria meu nome.

- Só se for seguido de um "seu cachorro pulguento"! – disse, morrendo de rir. Há há há. Muito engraçado.

- Quando você finalmente virar uma animaga, eu vou inventar mil e uma piadas com o seu animal. – resmunguei. Eu não era um cachorro pulguento! Ok, talvez um pouco, mas na Floresta Proibida tinha de tudo e eu não tinha culpa. E no final das contas eu tomava banho, oras bolas!

Marlene se virou, para mim, e beijou meu rosto. – Eu só estou brincando. – se "desculpou", bagunçando meu cabelo. – Você sabe que eu te acho um cachorro lindo, mesmo sendo grande daquele jeito. – Ah, agora estamos falando a minha língua. – Na forma aminimaga, claro. – Len salientou, sorrindo marota. Mas eu sei que ela me acha lindo, como Sirius. – Mas você sabe que sempre te achei um cachorro. – sorriu triunfante. Bom, isso era bem verdade. Ela foi a primeira e me chamar de cachorro, cachorrão, pra ser mais exato, mas a história desse apelido fica pra outra hora.

- Podemos voltar para o James e a Evans? – perguntei, fazendo bico. Meu ego é grande, fazer o queê?

- Você só a chama de Evans porque ela não dá bola pro seu amigo, não é?

- Também. – respondi. – Mas eu não converso com ela pra chamá-la de Lily, ou derivados, fica meio estranho. – O que não era mentira. E chamá-la de ruiva ia pegar mal para o meu lado, além de poderem entender mal e o James tentar me sufocar com um travesseiro. Lene balançou a cabeça, divertida, e voltou a encostar-se no meu ombro. A vista era realmente de tirar o fôlego. Mas a minha vontade não era de ficar só olhando, era de pegar uma vassoura e ir até lá.

– Six.. – a ouvi murmurar, sem se mexer. Nós tínhamos fechados os olhos já fazia um tempo, era bom ficar daquele jeito, embora minhas costas já estivessem começando a ficar geladas. – Eu acho que acredito no amor. – Eu abri os olhos e a encarei. Hã? – Não todos os tipos, mas só alguns. – A voz dela era suave, quase que como se estivesse me contando um segredo. E por isso eu me endireitei na coluna e segurei seu queixo, fazendo-a olhar para mim e abrir os olhos. – Olha o James. – ela apontou. – É impossível não notar como ele olha para a Lily, como se ela fosse a razão da vida dele, como que sem ela não conseguiria viver, como se um simples sorriso fizesse ele ganhar o dia, ou até ouvir ela gritar o nome dele, mesmo que brava. – Ela suspirou. Eu já tinha notado o jeito que o Prongs olhava para a ruiva mal-humorada, mas não tinha parado para pensar em como era esse jeito. Len tinha razão, não era só um amor platônico que ele sentia pela Evans, era muito, muito mais. – É ruim admitir isso, mas acho que tenho um pouco de inveja. Parece ser uma sensação incrível, e arrisco dizer rara, mas ao mesmo tempo não. É como se você entregasse a sua felicidade nas mãos de uma só pessoa.

Eu sorri. – Bom, sempre ouvi dizer que o amor é uma grande aventura.

- Não invejo essa aventura a ponto de querer entrar nela. – ela comentou, parecendo contrariada. Nós tínhamos um lema parecido, algo como "Pego, mas não me apego". Ela, como eu, não gostava de depender de alguém, de precisar de uma pessoa ao lado para sentir-se bem. Eu tinha a Lene, e ela tinha a mim; não precisávamos de mais ninguém, então o certo era se divertir e aproveitar a vida. – Mas acredito que exista amor no final das contas.

- Então, está admitindo que me ama? – sorri convencido.

Marlene olhou para mim desconfiada. Ela já tinha dito que me amava e eu também já tinha falado que a amava, mas o sentido de "amor" era sempre variado, não sei explicar. – Não que nem o James ama a Lily. – ela brincou, voltando a bagunçar meu cabelo.

Não sei por que esperava ouvir outra coisa. Talvez a idéia de ter alguém me olhando como se fosse conquistar o mundo, ou ser responsável pela felicidade de alguém, saber que aquele sorriso era por sua causa fosse realmente boa. Mas vamos parar com a melação, por favor! Eu disse: talvez! – Sei que é bem mais. – afirmei, beijando-a no rosto.

E, felizmente, Marlene não parecia com vontade de contrariar, se limitando a balançar a cabeça e rir. – Você me ama mais. – disse com aquele seu tom característico, de quem dá um ponto final na discussão. E como eu também não estava com vontade de contrariar, mordi sua bochecha e voltei a encostar-me na parede. – Babão. – ela reclamou, fazendo 'biquinho', no que eu contive uma risada, sabia que ela ia dizer isso.

**fim do flashback**

Assim que colocamos os quitutes na mesa, com toalha branca, já que a que estava com uma toalha vermelha – que era a maior – já estava destinada às bebidas, nós voltamos para a torre da Grifinória. Tínhamos nos atrasado bastante. – Como eu já estou pronto, vou só deixar isso aos seus cuidados Pad. – disse me entregando a mochila, que eu sabia conter a capa da invisibilidade. Eu ia precisar, já que estava quase no "horário de recolher". Fiz um aceno com a cabeça e nos despedimos dele no Quadro da Mulher Gorda.

- Nos vemos na festa. – acenei para Marlene, que subia as escadas para o dormitório feminino. Ela, como eu, não ligava de chegar atrasada. Ou melhor, ela gostava de chegar atrasada. Algo a haver com "ter uma grande entrada", "atrair olhares", mas que para mim era algo mais para: gosto de demorar me arrumando mesmo. Mas em todo caso eu normalmente chegava atrasado também, então não tinha moral alguma para reclamar.


Tomei meu banho sem presa, escolhi a roupa "de caça" com cuidado, penteei meus cabelos e depois os baguncei, borrifei um pouco daquele perfume que Marlene gostava e depois de um tempo estava me olhando no espelho, satisfeito com o que eu via. Merlin, eu realmente era um pedaço de mau caminho. "E bota mau nisso", murmurei, descendo as escadas, com um sorriso maroto. Sabia que Lene ainda não tinha saído e estava longe de estar pronta, então aproveitei que a Sala Comunal estava vazia e me estiquei na poltrona. Não que eu quisesse ir com ela ou coisa assim, mas ela não tinha como ir sozinha até a Sala dos monitores, a não ser que fosse invisível ou muito sortuda, então – como sou um gentleman – resolvi esperar para compartilhar a capa da invisibilidade do James e o fiel mapa do Maroto - uma combinação infalível, tenho que dizer. Mas a espera valeu à pena. Quando escutei passos na escada, ela provavelmente estava usando saltos altos, me levantei e fui até a beira da escada, mas a idéia de fazer uma piadinha ou uma reverencia exagerada foi completamente apagada quando a vi. Ela estava deslumbrante! Claro que ela sempre fora linda e tudo mais, mas era tinha exagerada dessa vez. Estava bem mais arrumada que o de costume e o sorriso que tinha nos lábios era simplesmente hipnotizador, ainda mais com a boca colorida em vermelho vivo. E seus olhos então! Merlin, quando ela me olhou pensei que fosse perder o ar. Seus olhos pareciam dizer que essa noite tudo era possível. E eu não tive relutância em acreditar. – Imagino que estejamos atrasados. – ela disse, assim que desceu o ultimo degrau, me olhando.

Eu me recompus e acenei com a cabeça. – Que outro jeito faríamos uma entrada triunfal? – comentei, no que ela deu uma leve risada. Ela tinha uma parte do cabelo preso, com algumas mechas caindo em seu rosto e pescoço, dava vontade de segurá-los com força de um jeito excitante. Estava usando um vestido preto, não muito curto, mais ainda sim muito tentador, que destacava mais ainda seus olhos e suas perigosas curvas. – Len, você está de tirar o fôlego, sabia? – perguntei, dando meu braço e revelando meu melhor sorriso galanteador. Não estava dizendo mentiras.

- Obrigada, Six. – sorriu sincera. – Essa era a intenção. – acrescentou com uma piscadela. Poderia até dizer que ela sempre era de tirar o fôlego, mas acho que não é muito necessário. Peguei a capa da Invisibilidade e joguei sobre nós, não antes de checar se estávamos realmente sozinhos.

Assim que atravessamos o Quadro da Mulher Gorda e dobramos o primeiro corredor à direita eu alcancei o Mapa do Maroto. – Juro solenemente não fazer nada de bom! – murmurei, enquanto o mapa ganhava linhas e palavras.

- Todos já estão na festa. – Lene disse, depois de analisar o mapa. Isso era extremamente bom.

- Então vamos nos apressar, senhorita. - disse a ultima palavra em tom distinto, mas abri um largo sorriso depois. A festa tinha tudo para ser inesquecível! Se é que me entende...


Olá queridas(os) leitoras(os)!

Antes de agradecer as reviews – que eu adorei por sinal – quero desejar um inesquecível ano novo!

Agradecimento especial - Tati: Minha beta querida! Obrigada! Além de revisar tudo você ainda me escuta e acha minhas idéias sem sentido boas! Haha! Ah, e melhoras! Xoxo.

Clarys Black: Meu Deus! Sério? Que honra! Prometo que vou tentar estar à altura! E que bom que está amando, me divirto muito escrevendo ela. Espero que gosto desse capítulo! A festa vai ser no próximo capítulo, e prometo que não demoro! Obrigada pelo carinho. Xoxo.

Raquel: O "chupão" foi um momento muito constrangedor para a Len, posso garantir. Haha. Ah... Sirius é o Sirius. Mas não fique amuada não, prometo que virão muitos momentos desses. Obrigada pela review! Xoxo.

Deny Weasley: Que bom que está gostando. E acho que não demorei não, mas o próximo acho que vai sair mais rápido. Xoxo.

Tati C. Hopkins e Nina Rickman: Hahahaha. Aí está o capítulo 4! Espero que goste! Eu amo os dois, de um jeito acho que formam o casal perfeito. Obrigada pelo carinho Nina. Xoxo.

Aneenha-Black: Bem Vinda à fic! E que bom que está adorando! Gosto muito do casal também. Espero que goste desse capítulo e que continue como leitora! Xoxo.


Espero que tenham gostado do capítulo. Quero opiniões, porque vocês ajudam bastante a formar essa fic e a me fazer ter idéias.

Até a próxima!

Mary.