CAPITULO VI
Sirius Junior
Eu não queria acompanhar a McGonnagal. Qualquer coisa que ela tivesse para me falar ou brigar podia esperar. Eu acabei de saber que vou ser pai, porra! Dá para me dar um tempo para pensar? Ou pelo menos entender como isso foi acontecer? – Pode ser depois, professora? – perguntei com a maior cautela, ignorando o turbilhão que estava formando-se.
James olhou para ela e depois para mim. Ele também parecia estar em choque. – Não, não pode, Sr. Black. O senhor é solicitado na sala do diretor. – a velha respondeu, parecendo mais brava ainda. – E imediatamente! – eu não tinha opção. Dei uma ultima olhada para o Tiago, que parecia bem aflito e segui a professora, tentando ignorar a notícia que tinha acabado de ouvir, deixando-a para mais tarde. Caminhamos em silêncio, até porque eu não tinha nada para falar à ditadora, e quando chegamos à porta do diretor ela parou, virando de frente para mim. – Tinha esperanças em você, Sr. Black. – ela disse, balançando a cabeça em desaprovação. Nossa, se aquilo que você tinha era esperança, não quero saber como é o contrário. – O Sr. deveria ter vergonha de olhar-se no espelho. – continuou, me deixando estático. Ela podia falar assim? Quem ela pensa que é afinal? – Torrões de açúcar. – pronunciou a senha, finalmente, fazendo uma escada no formato de fênix aparecer.
Sem olhar para trás eu subi as escadas e em meio minuto já estava dentro da sala do diretor. Tudo estava silencioso. Senti um frio na barriga, mas aqueles que parecem prever que algo ruim estava para acontecer. – Pediu para me chamar, diretor? – chamei, parado em frente à mesa dele, esperando algum movimento, já que sua cadeira estava virada para trás, me impedindo de ver alguma coisa.
- Certamente, Sr. Black. – Dumbledore confirmou, virando a cadeira de frente para mim. – Sente-se. – pediu, esticando o braço, mostrando uma das cadeiras de frente a ele. Engoli seco e sentei. Não conseguia decifrar a expressão que estava por detrás daqueles óculos meia lua. – Já deve imaginar porque lhe chamei aqui. – sugeriu, juntando as mãos em cima do colo, como velhos sábios costumam fazer.
Olhei ao redor e tentei me lembrar de alguma coisa, mas não achei nada. Até pensei que fosse sobre a festa, mas se fosse isso eu não estaria ali sozinho. – Não. – respondi, sincero e um tanto confuso.
- Ah. – ele exclamou, parecendo entender tudo. – Eu vejo. – murmurou para si mesmo. Fiquei esperando Dumbledore dizer mais alguma coisa, mas ele ficou pensativo por algum tempo, sem tirar os olhos de mim, o que me incomodava um pouco. – A Srta. Pole esteve aqui mais cedo, a pedido da Madame Pomfrey. – voltou a falar.
Olhei para o diretor, ainda sem entender. E daí que ela, seja lá quem for, veio aqui antes! O que eu tinha haver com isso? – Era para me lembrar de alguma coisa? – perguntei, começando a achar que daqui a pouco essa conversa seria parecida com uma de loucos.
- A Srta. Pole, cujo primeiro nome é Grace, está no 6º ano, e pertence à casa Corvinal. – informou. Talvez ele soubesse do meu problema em decorar nomes. É, certamente ele sabia.
E tinham duas Grace do 6º ano na Corvinal, se bem que só uma eu peguei. Era essa a louca que queria ter um filho meu e... – MEU MERLIN! – gritei, dando um pulo da cadeira. Era só ligar os pontos! Grace louca + James mais louco ainda dizendo que eu ia ser pai. – Vocês só podem estar loucos! – exclamei, em voz alta.
- Posso supor que o Sr. saiba porque mandei chamar-lhe agora. – concluiu o diretor.
- Espera, Dumbledore! Se é o que eu estou pensando, não só é mentira, mas como é loucura! – disse, exasperado. A ficha tinha caído agora, e de uma só vez. Eu? Pai? Desde quando? E ainda mais com a Grace! Eu nem tinha dormido com ela!
- Não me pareceu, hoje mais cedo. – contrariou o diretor, ainda calmo, e parecendo ignorar a minha explosão.
- Ok. – sentei novamente. – Só para esclarecer. Do que estamos falando?
- Da Srta. Pole e o Sr. – esclareceu. – Mais precisamente da responsabilidade que os dois irão assumir daqui para frente.
Eu pisquei algumas vezes, realmente incrédulo. Responsabilidade? Que responsabilidade! – Diretor. – comecei, tentando manter a calma. – Tenho certeza que houve algum engano aqui. – informei. – Chamaram o "futuro papai" errado. – afirmei.
- Entendo que esteja em choque, Sr. Black, pela notícia. – Dumbledore disse, na mesma calma de sempre. - Porém, receio ter que tomar algumas medidas. – fez uma pausa. Que raios de medidas? Só se for um aborto! - Temos que informar os pais da Sr. Pole e os do Sr.
Se ele achava que eu estava em choque antes, iria achar que agora eu tinha entrado em coma. Avisar. Meus. Pais. ELE SÓ PODERIA ESTAR LOUCO! Não só matavam a garota e o suposto bebê como também me matariam! – Na... – gesticulei, ao acaso, sem completar a palavra. Eu estava completamente ferrado. Eles não iam querer saber se eu realmente era o pai da infeliz criança ou não. Ou melhor, será que ninguém quer saber? – Espera um pouco diretor. – pedi, fazendo um gesto com a mão. – Posso saber como chegaram à brilhante conclusão de que eu sou o pai de seja lá o que a Grace está esperando? – perguntei, com uma pitada de ironia. Não ia sair dessa sem lutar. – Melhor ainda. – acrescentei. – Se ela realmente está grávida? – conclui, cruzando os braços e fazendo uma pose digna de Sherlock Holmes, aquele detetive trouxa.
Dumbledore ficou em silêncio por alguns minutos, parecendo meditar, ou apenas esperando minha ira se amenizar. – A Srta. Pole estava muito desorientada e abalada para que a Madame Pomfrey pudesse fazer qualquer procedimento. – explicou. Isso alimentou minhas esperanças. – Entretanto. – Já disse como odeio essa palavra? – a Srta. Pole foi bem enfática ao relatar seu envolvimento. – concluiu, arqueando as sobrancelhas, como que dizendo alguma mensagem subliminar, que eu não queria entender. Porra! "Ela falou... Ela falou" Estou pouco me fodendo para o que ela falou! É mentira!
- Bom.. – murmurei, me levantando. – Quando tiverem provas ou qualquer coisa do gênero que comprove que ela está grávida.. – fiz um gesto redundante com a mão direita. – E que eu seja o pai, mesmo que isso seja tecnicamente e teoricamente impossível, me avisem. – disse, por fim, com uma ponta de irritação. – Até mais, diretor. – me despedi, sem esperar nenhuma palavra nem olhar para trás ao ir embora.
Quando cheguei ao Salão Comunal James correu para falar comigo, me puxando diretamente para o dormitório. E como eu estava querendo ignorar os cochichos e pensar um pouco, não me opus. – Até o Dumbledore já sabe do boato ridículo. – comentei, me jogando na cama e colocando um travesseiro em cima do rosto.
- Merlin! Então foi para isso que ele queria falar com você? E o que o Dumbledore disse? – perguntou, apressado. Dava para sentir os olhos dele em mim, enquanto ele andava de um lado para o outro, do mesmo modo que fazia quando nos metíamos em encrenca e tínhamos que pensar em uma saída. – Espera! "Boato ridículo"? – perguntou, repetindo o que eu tinha dito. – Então quer dizer que não é verdade? – questionou, parecendo um pouco surpreso.
Tirei o travesseiro do rosto e encarei meu amigo com um olhar severo. – É claro que não é verdade. – afirmei. – Eu não dormi com ela. – complementei. – Ou melhor, eu dei dois beijos, no máximo! – exclamei, voltando a colocar o travesseiro no rosto.
Prongs ficou calado por um tempo, provavelmente perplexo, para depois murmurar pequenos 'não'. Eu já tinha passado para a fase dois: a raiva. Marlene uma vez me disse que eram cinco estágios: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Na hora eu discordei, argumentando que era muito relativo e não era igual em todas as pessoas, mas ela estava certa – ou quem quer que tenha inventado ou descoberto essas fases. Era só prestar atenção nas pessoas e nas situações que era fácil identificar cada estágio. Primeiro a pessoa se isola e nega tudo, depois sai do corpo de tão brava que fica, briga com Merlin e Morgana, a raiva, daí vem a barganha, em que a pessoa fica comportada, esperando que as coisas sejam resolvidas, em seguida é a depressão e por ultimo a aceitação, que no meu caso NUNCA vai acontecer. Talvez eu fique na barganha, que é o mais garantido. – Então, como é que você pode ser o pai? – James perguntou, coçando o queixo, mania que tinha quando tentava resolver um problema cabeludo, mas o meu não era bem cabeludo, era barrigudo, isso sim.
- Por osmose! Telepatia! – exclamei, levantando os braços, impaciente. Sabia que não era culpa do Prongs, mas não dava para controlar. – Aquela louca e doente inventou alguma história e não só a retardada da Pomfrey acreditou como também Dumbledore e especialmente a ditadora da McGonnagal. – chutei o ar, bravo.
- Ah, então era por isso que ela estava tão fula da vida. – James ponderou. – Mais que o normal. – acrescentou, ao notar meu olhar. Aquela velha sempre estava brava com alguma coisa, ou na verdade nem estava e só gostava de atormentar os alunos. – Mas o que Dumbledore te disse? Te deu algum tempo?
- Na verdade eu pedi provas ou algo assim, nem lembro direito. – me joguei na cama novamente.
- Ué, então está resolvido! – James concluiu.
- Uma ova. – resmunguei. – Você tem noção da loucura da garota? – indaguei, irritado. – Além do mais, eles não vãofazernada, já que a Gracedoinferno está muito transtornada. Paraa PORRA queelaestátranstornada! E eu? Putaquepariuviu! – disse, quase engolindo as palavras.
James me conhecia muito bem para saber que insistir no assunto quando eu estava irado não era uma boa. – Calma, meu amigo, vamos resolver isso. – garantiu.
- E vamos rir depois, eu sei. – completei a frase, nem um pouco convencido. – Vou tomar um banho, nos falamos depois. – informei, indo para o chuveiro. – Ah! Se ver os marotos, diga que se não for para resolver o problema barrigudo não é nem para mencionar o assunto. – pedi, entrando no banheiro e fechando a porta atrás de mim. Merlin! O que eu ia fazer?
Na manhã seguinte, para evitar falatórios e controlar a minha vontade de estrangular aquela mentirosa filha de uma puta, eu não desci para o Salão Principal no café da manhã. A boa notícia é que só teria aula no período da tarde então poderia me jogar de uma torre até lá, se quisesse. Se bem que isso iria deixar boa parte da população feminina inconsolável e não iríamos querer isso, não é? – Six... – ouviu me chamarem. Na real eu não queria falar com ninguém e nem ver ninguém. Ainda não tinha passado para a fase da barganha, estava irado com Merlin, Morgana, todos os magos e bruxos e qualquer ser ainda. Mas a voz não pertencia a ninguém, pertencia a Marlene.
- Hum. – murmurei, sem sair da beira da janela. É, ainda estava no dormitório.
- PARABÉNS, PAPAI! – ela exclamou, abrindo os braços e rindo, acompanhados de um pulinho. A expressão do rosto dela não condizia muito com a "emoção", mas tudo bem.
Olhei-a incrédulo. Lene não tinha notado a minha cara? A minha idade? Ou qualquer outra coisa obvia? Mas ao olhar para ela eu não me contive e ri junto com ela. Ou melhor, ri da minha iminente desgraça. – Eu só não te xingo porque eu sei que você é excelente em azarações. – comentei, depois de rir um pouco. Estendi a mão para ela, segurando-a e puxando-a para sentar-se ao meu lado.
- Pelo menos um dos futuros papais parece radiante. – Marlene cruzou os braços e analisou melhor a minha feição, que com a chegada dela tinha ficado bem melhor. Eu tinha certeza de que a louca estava feliz com o golpe.
- Acha que eu que sou o pai também? – perguntei, me sentindo estranhamente traído.
Len inclinou a cabeça um pouco e deu um suspiro. – Sirius, não precisa ser muito gênio para fazer essa dedução. Você saiu com a menina e depois de um tempo ela aparece grávida. É só juntar um mais um que vai dar em um bebê.
- Bom, então essa genialidade está furada.
- Por?
- Eu saí com ela sim, mas o máximo que aconteceu foi um ou dois beijos. Nada mais. – afirmei.
- E antes? – voltou a insistir.
- E antes nada. Eu saí com ela uma vez só. Também, depois que ela disse que queria um filho meu, eu nunca mais nem passei perto dela. – lembrei da pérola que a louca tinha dito, durante o 'encontro'.
- Tudo bem, que não seja com ela. – fez um movimento com as mãos, como que afastando uma fumaça. – Mas você saí com todas as garotas do mundo! – pontuou. – E até onde eu sei você pode ser pai de várias crianças por aí e nem sabe. – impressão minha ou ela estava um pouquinho irritada?
- Eu tenho absoluta certeza que não sou pai de ninguém, Len. – retruquei.
- Ah, é? – desafiou. – Então nega que você dorme com Morgana e o mundo? – perguntou, fazendo bico. Alguém pode me explicar como a conversa chegou a esse ponto? E o que isso tinha haver com o problema barrigudo?
- Não com Morgana e o mundo, apenas uma parte dele. – dei um sorrisinho malicioso, mas logo me arrependi. O olhar de Marlene parecia bravo e magoado ao mesmo tempo, mas eu não tinha feito nada, tinha?
- Bom, Sirius, o mundo é bem grande, e uma parte dele é bastante coisa. – disse, voltando a cruzar os braços e desviando o olhar do meu.
Ficamos em silêncio por um tempo. Ela olhando para a janela e eu desviando os olhos de segundo em segundo para tentar captar alguma reação. - Merlin, porque você está assim? – exclamei, sem paciência. – Está defendendo aquela mentirosa filha da puta? – perguntei, começando a ficar bravo com Merlin, Morgana e todos os magos novamente.
Ela virou o rosto para minha, cerrando os olhos daquele jeito característico dela. – Ainda na fase dois?
Cobri o rosto com os mãos, dando um longo suspiro. – Está difícil passar para a barganha. –Levantei o rosto e encarei-a novamente. – Mas ainda não respondeu minha pergunta de porque você está assim. – demandei.
- Eu não estou de jeito nenhum. – disse, provavelmente tentando não parecer brava. Mas ela estava, conhecia a minha Len.
- Está sim. – insisti, olhando-a de canto, de modo que ela não poderia desviar do assunto novamente. – Desde quando você se importa com quem eu saio ou deixo de sair? – perguntei, em um tom não muito simpático.
- Não me importo. – ela disse, olhando para frente e cruzando os braços. Ela se importava. Bom, eu também me importava com quem ela saia. Melhor dizendo: me importava com qualquer marmanjo que chegasse a um metro dela.
- Len..
- É que você não só sai com todo mundo, você dorme com qualquer par de saias!
- Qualquer homem faz isso!
- Nunca te classifiquei como qualquer homem. – ela disse, dando uma rápida olhada na minha direção. De alguma forma, ouvir aquilo me fez bem.
Me arrependi por ter dito "qualquer homem". Não era bem assim. – Bom, eu não sou qualquer homem.
Ela soltou um suspiro e virou-se de frente para mim. Não consegui decifrar a expressão de seus olhos. – Como é dormir com alguém que você não tem o mínimo de carinho ou no mínimo admiração? Ou talvez nem lembra o nome? Como é passar uma noite que no final das contas não foi marcante, não faria muita diferença de ter acontecido? – perguntou, sem dar sinais de querer realmente uma resposta. Poderia dizer que é bom. Oras, eu sou um conquistador, o que ela quer? – É a conquista que faz tudo valer à pena? O desejo saciado? A novidade? A adrenalina?
- O que você quer que eu te diga, Marlene? – indaguei, sem saber o que fazer. De alguma forma eu não gostei de todas aquelas perguntas, especialmente das respostas não ditas.
- Não sei. – admitiu.
- Sexo é bom? - Sabia que ela ainda era virgem e que achava que para "dormir" com alguém era preciso muito mais que desejo. Tinha que ter carinho, cumplicidade. Talvez Marlene fosse romântica e não sabia. – É maravilhoso! – respondi a minha pergunta. Eu concordava com ela. Mas sabia separar as coisas. Puxei-a para mais perto de mim. – Mas é diferente de fazer amor.
- Não, não é.
- Para mim é. Eu sei separar as coisas. – disse. Meu tom de voz era mais calmo agora. – Não vou mentir que já levei algumas garotas para cama, mas na maioria das vezes só fica nos amassos ou talvez algo mais intenso. Nunca disse que dormia com todas, só que beijava todas. E essas todas não são muitas, apesar de parecer assim. – Marlene relaxou os ombros e apoiou a cabeça em mim. Eu sorri. – Não sei por que o assunto foi parar aqui, mas... – fiz uma pausa. – Talvez eu também ache que precise de um pouco a mais para levar alguém para cama. – admiti. – Só não conta isso para ninguém. Vai acabar com a minha reputação! – ri.
Ela riu junto comigo. Ficamos um tempo em silêncio e eu estava prestes a pegar no sono quando senti Lene se mexer e ficar de frente para mim. – Acho que fiz uma cena. – afirmou, com uma cara meio encabulada, meio divertida.
- Talvez. – soltei uma gargalhada demorada. Espere um pouco! Impressão minha ou essa cena de agora pouco tinha sido de puro ciúmes? Será? Não, não podia ser. Provavelmente era a famosa TPM que as meninas tanto falam, se bem que a Lene nunca pareceu ter uma dessas.
- É que... – ela fez uma pausa, parecendo contrariada.
- É que? – perguntei ansioso.
- É que... os doces que você me deu já acabaram e eu estou com fome. – ela fez uma cara de bebê sem chupeta. Tudo bem, vou fingir que acredito que é isso.
- Não seja por isso! – levantei em um pulo, e a peguei no colo. Ato que fez a Lene dar um básico gritinho de susto. – Vamos à caça de um doce para a senhorita! – rimos juntos. Próxima parada? Cozinha!
A tarde passou mais rápido do que eu imaginava. É claro que eu tive que usar de todo meu autocontrole para ignorar as conversinhas e fofocas paralelas, incluindo os olhares reprovadores da ditadora. Depois do jantar eu e os marotos jogamos um pouco de Snap Explosivo, e felizmente o James tinha passado o recado de que se não fosse para achar uma solução, não era para mencionar nada que lembrasse bebês, filhos e barrigas. Mas nem precisavam mencionar, minha cabeça parecia uma engenhoca que tentava funcionar, mas sempre tinha algum contratempo. Como eu ia provar que eu não ia ser pai e – muito menos – tinha levado a louca para cama? Bom, isso era bem possível depois que o pimpolho nascesse, mas até lá já teriam arrancado meus órgãos. – Vou pegar uma bomba de chocolate, alguém quer? – perguntei, me levantando. Já era bem tarde e meu estomago pedia comida. E as bombas da Dedosdemel que tinham no meu Malão pareciam me chamar.
- Não, valeu, Pads. – James respondeu, sem se mexer do sofá, enquanto Remus apenas meneava com a cabeça, sem perder a concentração na leitura.
- Rabicho? – perguntei. Ele provavelmente não ia querer, estava empanturrado de biscoitos.
- Vou deixar para mais tarde. Estou tão cheio que se fosse mulher poderia jurar que estava grávido! – ele riu, batendo as mãos na barriga, fazendo um som parecido com o de tambor.
Fechei a cara no mesmo instante. Qual parte de não mencionar nada que lembrasse o caso barrigudo aquela anta não entendeu? – Vou subir. – disse irritado, deixando-os para trás, sem me preocupar em ouvir o que eles diziam. Por algum motivo toda minha fome sumiu e minha cabeça começou a trabalhar que nem louca novamente. Entrei no dormitório, me joguei na cama e fechei o dossel. Poder-se-ia dizer que eu estava em alfa, já que os marotos entraram, fizeram uma zona, dormiram e eu nem me mexi. E eles também não abriram o dossel para ver se eu estava vivo, eles me conheciam bem o suficiente para saber que fazer isso era pedir para morrer. Já devia ser bem tarde e eu não conseguia dormir, só sabia me mexer na cama de um lado para o outro. E em meio a uma dessas viradas notei um pedaço de pergaminho tentando entrar no dossel. O que poderia ser?
Peguei o papel, que estava dobrado muito "bonitinho" para não ser nada e o abri. Sorri no mesmo momento, notando a letra. Era um bilhete da Marlene. "Acordado?" Corri atrás de uma pena e quase derrubei o dormitório para pegar minha mochila; sorte que os marotos dormem feito pedra. Molhei-a em um tinteiro e escrevi: "Agora que já me acordou..." É claro que eu não estava dormindo, só estava me fazendo de difícil. E também porque eu queria ver o que ela ia responder. Fui até a janela, que estava entreaberta, e soprei o bilhete com a varinha, murmurando - Marlene McKinnon. - Voltei para a cama e não demorou muito até outro bilhete aparecer, desdobrei-o. "Sem sono né?". Ela tirou sarro. É, ela me conhecia bem demais. Suspeito que Lene só tenha perguntado se eu estava acordado por mera cordialidade. "Com vontade de assaltar a cozinha?" Perguntei, tentando adivinhar. "Bom, isso sempre." Eu ainda acho que ela daria uma excelente Serial Killer de doces indefesos. "Mas não é isso, eu acho que sei como resolver o problema 'Sirius Junior'. Me encontre nas escadas em cinco minutos, com os 'ajudantes'". Merlin! Fiquei em pé em um pulo e corri para o Malão do Prongs, pegando a capa da invisibilidade e o Mapa do Maroto – era o que Marlene chamava de "ajudantes". Não precisava perguntar se podia pegar emprestado ou não, já que o que é de um maroto era de todos - exceto mulheres, é claro.
Como só estava com a calça do pijama, vesti uma regata branca e desci as escadas, levando a capa e o mapa comigo. – Len! – sussurrei para o escuro, tentando enxergar alguma coisa. – Len! – tentei novamente, mas nada. Talvez eu tivesse me aprontado rápido de mais. Desci as escadas do dormitório e esperei na ponta do dormitório feminino. Sabia que se tentasse subir a escada iria fazer um escândalo – só não me pergunte como eu descobri isso.
- Presente! – ela brincou, levantando a mão, como fazíamos na sala de aula, enquanto descia as escadas. Eu sei que já tinha visto ela de pijama, mas ela estava diferente. O robe de seda preto que ela estava usando deixava-a linda e marcava perfeitamente suas curvas.
- Vamos, minha Dama da Noite? – perguntei, oferecendo o braço. Marlene riu em resposta, provavelmente pela parte do "Dama da Noite", e aceitou meu braço. Saímos da Grifinória encobertos pela capa da invisibilidade, segurando o riso quando a Mulher Gorda do Quadro tentava descobrir quem era. – Eu não sabia que a certinha da Jeckins escapulia na calada da noite. – comentei, quando já estávamos no quarto andar.
- Acho que tem muita coisa que nós não sabemos nesse Castelo. – Lene pontuou, me fazendo virar a esquerda com ela.
- E hey! Não gostei de "Sirius Junior". – disse, fingindo estar emburrado.
- Admita, é engraçado.
- Não quando o seu nome vem antes do Junior. – esclareci.
- Ah, vai! É sim. – ela insistiu. – Siriuzinho! Olha que nome fofo. – ela riu.
- Marlenezinha, que tal?
- Marlene Junior não funciona muito bem. – Marlene pontuou, ainda rindo, provavelmente das caras que eu estava fazendo.
- Nada de Sirius Junior. – disse. – Se for fazer referencia use: problema barrigudo.
- Que irônico, não?
- Para onde estamos indo afinal? – perguntei, querendo mudar de assunto.
- Área Restrita.
- Uh! – exclamei
- Eu sei, você adora coisas proibidas, né? – ela riu.
- Não mais que você. – brinquei, roubando um selinho dela e saindo correndo, levando a capa comigo.
- Sirius Black! Melhor correr muito se quiser permanecer vivo! – Len brigou, mas dava para notar que os cantos de seus lábios escondiam um sorriso.
Corri um pouco e parei. Olhei para trás e segurei uma risada. Marlene estava andando, de braços cruzados, por não ter me alcançado e não conseguir me enxergar. – Ganhei? – provoquei, sabendo que não deveria me ariscar.
Mas a resposta dela ficou presa na garganta. Escutamos um barulho vindo do corredor, e uma luz vinda na nossa direção. Marlene estava longe, não tinha tempo para cobri-la com a capa também, não sem sermos vistos. Escutamos mais um barulho, de algo quebrando. – Six.. – ela me chamou, em um sussurro. Tinha que fazer alguma coisa.
N/B: Não acredito q vc teve coragem de acabar o cap assim! Que maldade!
Dei mtas risadas no inicio do cap imaginando a cara do Six! xD
Adorei o cap como sempre! E ansiosa pelo próximo!
bjus
Olá queridas(os)! Gostaram?
Deu a dica em uns capítulos atrás que tinha uma garota que queria um filho dele, lembram? Mas o Sirius não vai ser pai não – pelo menos por enquanto, vai que a moda pega, né? Então podem ficar tranqüilas que não teremos Sirius Junior por aí não. Mas isso ainda vai dar um pouco de trabalho, posso garantir.
Nesse cap O William (namorado da Marlene) não aparece, mas no próximo vamos ter uma pequena fight! Preparem-se.
Ah, e uma dica: nada é colocado no capítulo por acaso.
Mais uma vez quero agradecer pelas reviews! :D
Achei que teve menos que os outros, mas vamos ver nesse né? Hehehe
Às queridas minha leitoras:
Lya: Minha querida Beta! Obrigada mais uma vez! Xoxo.
Chanel Black: Agora está mais calma? Hahaha. Sirius vai ser pai, mas não agora. Ah, e que bom que você está gostando. Tentei postar mais rápido dessa vez, se bem que tive probleminhas com o computador, então o próximo acho que sai em menos tempo. Hehe. Xoxo.
Just Gabi: Bem vinda! Eu me divirto bastante escrevendo também, principalmente tentando imaginar as caras do Sirius. Compartilhados do mesmo casal preferido então! Espero que continue lendo e gostando! Obrigada pelos elogios. Xoxo.
Nina Rickman: Melhorou a situação? Hahaha. Eu não ia deixar nosso Six ter filho de outra, never! Hahaha. Xoxo.
Aneenha-Black: O vale que ele deu vai ser MUITO bem utilizado, aguarde! Hahaha. Que bom que amou do capítulo! O que achou desse? Feliz pelo Sirius não ser o pai? Hahaha. Xoxo.
Até a próxima.
Beijos, Mary.
