CAPITULO VII

Ela


Sem pensar duas vezes eu corri até Marlene e a empurrei contra a parede, cobrindo-a indiretamente com a capa da invisibilidade. Eu a assustei – obvio -, mas não tive opção. – Sh.. – sussurrei, pedindo que ela fizesse silêncio. Eu deveria ter verificado o Mapa do Maroto antes de fazer qualquer coisa, mas agora não adiantava em nada.

A luz se aproximava cada vez mais e agora era possível escutar vozes. E não parecia ser do zelador ou de algum dos professores. – Quantos mais conseguirmos alistar, mais o Lord vai ficar satisfeito conosco. – uma das vozes disse. Era difícil ver quem era, pois não podia mexer a cabeça sem anunciar a presença da Lene.

- Consegue ver? – perguntei à ela, em um tom quase que inaudível. Seja lá sobre o que fosse que estavam conversando, boa coisa que não era. Marlene negou com a cabeça.

- Não seja tolo! – a outra voz exclamou, parecendo irritada. Agora estavam do nosso lado. Podia até escutar a respiração deles atrás de mim. Me aproximei mais da Marlene, colando mais ainda nossos corpos. – Não é qualquer um que pode ser um de nós. – Eu fiquei intrigado. O que eles eram afinal? – Além do mais, nosso objetivo aqui é outro, e você, mais que todos, sabe disso. Aliás, não vi você com ela hoje. Sabe que tem que ficar bem perto dela, ainda mais agora que ela está usando o cristal. – à medida que se afastavam as vozes ficavam mais distantes. - Não a perca de vista! Ela é o nosso prêmio, é bom não deixá-la escapar antes da hora! Você sabe que... – e as vozes se perderam no corredor.

Meu coração estava acelerado, mas podia sentir as batidas do coração da Lene em meu peito e ela estava quase tendo um ataque cardíaco. - Acho que já foram. – disse após alguns minutos, me afastando um pouco, deixando-a respirar melhor. Tirei a capa e olhei para o fim do corredor. Eles já tinham ido.

- Sirius! – Marlene exclamou, parecendo um pouco assustada.

- Elas já foram Len, pode ficar tranqüila. – assegurei, colocando uma mexa chocolate atrás de sua orelha. Ela olhou para os lados, seus olhos bem abertos e assustados. – Me desculpe.

- Tudo culpa sua, você sabe né?! – ela acusou, cruzando os braços. Tinha me esquecido que roubei um selinho. – Merlin, Sirius! Você não tem jeito! – exclamou, voltando a andar pelo corredor. E eu logo a segui.

- Lene, poxa, eu tenho que aproveitar as oportunidades, não é?! – dei uma piscadela. – E você sabe que eu só tenho o seu jeito então... – gesticulei, acrescentando um pouco de malícia em minha voz.

- Mas afinal, quem eram aqueles? Eu não consegui ver quem era, estavam com capuz na cabeça. – Marlene comentou pensativa, voltando ao assunto e me ignorando completamente. – Uma das vozes me pareceu bem familiar.

- Eu também achei. Mas o sobre o que eles estavam falando? – perguntei, com um pressentimento muito ruim sobre aquilo.

Marlene balançou os ombros, confusa. – Não faço idéia, mas sei que tem mulher no meio. – respondeu, pensativa. – Si.. Será que eles estavam falando desse tal... – ela deixou a frase no ar, eu sabia de quem ela estava falando. Eram cada vez mais freqüentes os ataques a trouxas e nascidos trouxas. O Lord das Trevas.

- Creio que sim, Len. – concordei, tentando absorver qualquer informação útil da conversa que tínhamos escutado, depois iria conversar sobre minhas teorias com Pontas. Decidi mudar de assunto, Marlene parecia intrigada e no momento tínhamos coisas mais divertidas para fazer. – Vai me dizer qual é o seu plano agora? – perguntei, enquanto a envolvia na capa da invisibilidade novamente, era melhor não arriscar.

- Bom.. – ela gesticulou. – Quando eu tiver certeza eu conto. – ela deu uma piscadela.

- Porque não estou surpreso? – indaguei, rindo dela e de mim.

Caminhamos pelo corredor, dessa vez tomei o cuidado de cobrir cada centímetro de nós dois. – Sirius Black, se você não parar com essa mão boba eu juro que você não vai poder ter mais filhos! – Lene me ameaçou, aproveitando para lançar seu olhar mortal para o meu lado.

Levantei minha mão livre, já que a outra estava confortavelmente na cintura dela. – Nem vem Lene, eu só estou garantindo que a capa cubra nós dois. – me justifico. Na verdade, admito que tenha me aproveitado da situação e checado as curvas perigosas da morena ao meu lado, mas o que ela queria? Estávamos invisíveis, debaixo de um pano, grudados um no outro. Impossível não me aproveitar.

- Eu não vou discutir com você, cachorro.

- Hey! – protestei, mas sabia que ela estava dando um sorrisinho.

- Chegamos! – ela disse ao pararmos na frente da biblioteca. Já devia ter imaginado que a excursão envolveria uma parada na sessão secreta. – Vem logo! – ela me puxa para dentro da biblioteca e fecha a porta atrás de mim. Tiro a capa da invisibilidade e a dobro no meu braço.

- Para onde, madame? – pergunto, olhando para os lados, só para ter certeza de que estamos mesmo sozinhos.

- Só me seguir. – Marlene dá uma piscadela e corre para a sessão reservada. Rindo eu a sigo.

Len já está com a varinha acesa e concentrada procurando por alguma coisa, que eu ainda não sei. Sento em uma brecha das prateleiras e espero. – O que exatamente estamos procurando?

- Estamos? – ela para, se vira para mim e coloca a mão na cintura.

- Eu não posso ajudar se você não me falar o que eu tenho que procurar.

- Aguenta aí, garanhão. – diz depois de dar um tapinha amigável no meu rosto. Cruzo os braços resignado. Eu já nem sei que fase eu estou mais, talvez na barganha ou na aceitação, pra mim tanto faz, o que eu quero é resolver isso e esfregar na cara de todo mundo. Ah, e esganar aquela louca. – ACHEI! – ela gritou feliz, me dando um susto.

- Sh! – peço silêncio, desesperadamente olhando para os lados. – Está louca? Vão nos pegar! – pontuo o obvio.

- Claro que não. – me empurra e coloca um livro de capa de couro verde do meu lado. – A sessão reservada tem feitiços envolta. – Essa eu não sabia. Ahm, mas isso é muito interessante, muito mesmo. Inclino um pouco, já com um sorriso maroto. – Nem vem pro meu lado, papai.

Olho pra ela emburrado. – Não precisava pegar pesado.

- Temos uma missão importante. Me ajuda aqui. - Dou um pulo de onde estava sentado e coloco os pés no chão, parando ao lado dela. Já tinha aberto o livro, que para variar estava coberto de poeira. Segurei a varinha que ela tinha me passado, para poder iluminar o livro enquanto ela o folheava.

Tento ler algumas passagens para saber mais ou menos o que ela estava procurando. - Bebês podem manifestar-se magicamente no útero? Mas que porra é essa? – puxo o livro mais para perto.

- Sirius, foco. – me recrimina, voltando a folhear o livro. Esse livro não deve ser muito recomendado. – Estamos na sessão reservada, esqueceu? – ela questiona, lendo meus pensamentos.

- Não esqueci, mas tem coisas tensas aqui. – aponto.

– Acho que achei. – ela diz incerta.

- Acha? – se ela não sabe, imagine eu então. – Me deixa ver. – Marlene se afasta e pega de volta a varinha.

- Leia aqui. – aponta para um quadro no canto direito da página.

- Ao revelar a paternidade de um feto deve-se... . – paro a frase no meio, minha boca aberta de espanto. – LENE! – exclamo. – Você é um gênio não compreendido! – a seguro pela cintura e giro. Eu estava salvo! Salvo!

- Ok. Ok. Sou demais. – ela confirma rindo. – Mas agora me desce. – Faço que o que ela me pede e volto minha atenção para o livro. A informação continua no verso, até com alguns desenhos e posições estranhas.

- Isso parece complicado.

- Se fosse fácil não teria graça. – diverte-se, virando a folha e abaixando-se para ler mais alguma coisa. Pois é, se fosse fácil não ia ser verdade, porque aparentemente tudo estava conspirando contra a minha pessoa. Ok, voltei para a fase da negação.

- Porque temos que fazer um feitiço, depois ferver uma água, depois fazer outro feitiço, e beber a água e depois..

- Não é só ferver uma água. – Lene me interrompe. – é deixá-la exatos 21 minutos fervendo e depois fazer um feitiço nesta água, depois de colocá-la em uma jarra de estanho com cabo de ouro por 1 hora, dividir o conteúdo em dois copos altos de cristal e fazer você e a sua amiguinha beberem a água ao mesmo tempo, enquanto ficam a 45º para o leste e com 1 centímetro da barriga dela e você, enquanto eu circulo vocês por um feitiço de luz.

- E daí, o que acontece?

- Não sei.

- Como assim não sabe?!

- Não sabendo, aqui não diz nada sobre o que acontece depois, só que isso vai dizer a paternidade do bebê e... não sei, Si.

- Mas tem que ter alguma coisa dizendo o que faz. – me aproximo do livro e viro várias páginas, para frente e para trás.

- Não tem, já procurei. Talvez seja algo tão obvio que não precise de informações. – diz esperançosa.

- É o que temos para hoje. Então, vamos tentar.


Chegamos sem maiores problemas na sala comunal da Grifinória e Marlene correu para o dormitório feminino, depois de dar um bocejo de quase 5 minutos. Fiz o mesmo, mas antes de ir para minha aconchegante cama devolvi a capa da invisibilidade para o James. – Padfoot? – ele murmurou sonolento. Juro que eu tinha tentado fazer o menos barulho possível. – O que você estava fazendo?

- Procurando soluções drásticas, meu amigo. – respondi em tom misterioso. James fez um gesto estranho com a mão esquerda e logo voltou a dormir. Fui para o meu dossel, imaginando que iria dormir tão logo encostasse a cabeça no travesseiro, mas me enganei. O sono não vinha, meus olhos estavam abertos e eu não parava de me mexer na cama.

Meu sono, ou a tentativa de um, tinha sido perturbado por meus pensamentos. E não é sobre o problema barrigudo que eu estou falando, mas sobre a conversa estranha que eu e a Lene tínhamos escutado no corredor. Escutei um barulho de cobertas e logo Remus estava do lado da minha cama, com os braços cruzados, seguido por um James sonolento, coçando o olho. – Pode ir falando, Pads. – demandou Remus, em tom baixo.

- É sobre você ser pai? – James chutou, subindo na minha cama e chutando as minhas pernas no caminho, para mais espaço.

Exclamei uma reclamação pela folga e pelo comentário do assunto proibido. – Não, não é. E eu já disse mil vezes que eu não vou ser pai.

- Nós sabemos disso, mas até provar que a menina é realmente louca teremos uma dor de cabeça. – Remus pontuou, ainda de pé.

- Se não é isso o que está te preocupando, pode nos dizer por que está se revirando na cama que nem um louco para que possamos todos dormir? – Prongs sempre compreensivo.

Soltei um suspiro e contei para eles o que tinha acontecido. – Foi tudo muito estranho e sinistro ao mesmo tempo.

- Lord das Trevas? Será que eles estavam falando...

- Sim. – confirmei, junto com Remus, que acenava com a cabeça. – O que achei esquisito foi eles mencionarem ela toda a hora.

- Não apenas isso. – Remus comentou, com a mão no queixo. – Não acham peculiar que esses caras tenham andado pelo corredor, bem depois da hora, sem nenhuma preocupação em serem pegos?

- Tem razão, Moony! – concordei, me levantando. – Mas porque? Nós temos a capa e o mapa, mas mesmo assim tomamos sempre cuidado para não sermos pegos, e eles?

- Se eles forem monitores não precisam de uma desculpa por serem pegos fora de suas casas, eles podem fazer rondas. – sugeriu James. Ele estava certo, só podia ser isso.

- Era dois homens? – James pediu confirmação. Acenei com a cabeça. – Quem será essa mulher de que eles estavam falando?

- O que eu acho curioso é ligarem essa mulher a um cristal. - concordei com Remus. – E considerando que esse Lord não é boa companhia, me pergunto se essa menina não está com problemas.

- É o que eu estou revirando na minha cabeça. – confessei. Moony juntou-se a nós na cama e nós três nos encaramos pensativos.

- Você estava usando o mapa? – James me perguntou com expectativa.

- Não. – respondi desanimado. Se estivesse com o mapa naquela hora poderia ter visto quem era no corredor, mas ultimamente não estou tendo muita sorte. – Só dei uma olhada antes de sair.

- Não sei sobre o que eles deviam estar conversando, mas tenho certeza que não pode ser algo bom, muito pelo contrário, me cheira a encrenca.

- E daquelas que ninguém quer ficar no meio. – James completou a fala de Remus.

- Então temos que fazer alguma coisa. – resolvi, dando um soco no ar. Os dois concordam comigo, mas ninguém tinha uma ideia de como iríamos fazer isso.


Acordei, ou fui acordado, com uma super preguiça. Quase não consegui dormir a noite inteira, meu problema barrigudo e a conversa do corredor rondavam minha cabeça sem parar. Joguei as cobertas para o lado e fui para o chuveiro, quem sabe era disso que eu precisava. Não sou muito de me preocupar com as coisas, mas isso tudo poderia ficar sério demais para deixar para lá.

- Hey, eu acho que tenho uma ideia. – Moony disse, triunfante, assim que sai do banho, com a toalha enrolada na cintura.

James, que estava arrumando a gravata, se virou curioso para onde estávamos. – E qual é?

- Ideia sobre o que? – Peter perguntou à caminho do banheiro. Explicamos rapidamente o meu episódio do corretor para ele, excluindo a Lene, obviamente. – Então, qual a ideia?

- Vejam bem, nós temos quase certeza que os suspeitos...

- Suspeitos? – interrompi. – É, o apelido faz sentido. – emendei, fazendo sinal para que ele continuasse.

- Como eu ia dizendo. – me censurou. – Temos quase certeza que eles são monitores, então faremos uma lista de todos os monitores de todas as casas, dando especial atenção para os do sétimo ano.

- Depois podemos monitorar os passos de cada um com o mapa do maroto. – Prongs acrescentou.

- Sim, e depois que a lista ficar menor podemos seguir eles e ver o que estão tramando. – Isso é um plano muito promissor, pensei.


Tinha combinado de me encontrar com a Lene no corredor do quinto andar, iríamos precisar da Sala Precisa para o que tínhamos em mente, ou melhor, o que a Marlene tinha em mente, porque se fosse pela minha, teríamos um cenário completamente diferente, se é que me entendem. Antes que me perguntem que raios é a Sala Precisa, digo que não sei explicar direito, eu e os marotos descobrimos ela há algum tempo, por acaso. Em resumo é uma sala que surge quando você precisa, e dentro dela tem o que você quer, pode ser qualquer coisa. A dica é ficar andando no corredor do quinto andar, pensando no que você precisa e voilá, uma porta aparece.

- Sirius! – olhei para o lado e lá vinha a morena, com uma bolsa na mão e uma expressão séria.

- Pronta? – sorri animado, esfregando as mãos. – Não vejo a hora de acabar com o meu problema barrigudo.

Marlene olhou de canto para mim e começou a andar para trás e para frente, no que eu logo segui. Não demorou muito e uma porta logo se materializou na nossa frente. Abri a porta e deixei a Len entrar primeiro, depois a segui, fechando a porta atrás de mim. Dentro a Sala era meio exótica. No lado direito tinha uma estação para poções, com armários do lado com vários tipos de caldeirões, copos e taças, já no lado esquerdo tinha uma prateleira com vários livros e uma mesa com uma bacia de prata no meio. Bem no meio tinha um tapete grande com muitas, muitas, muitas almofadas e uma mesinha de centro com algumas caixas coloridas. E bem no cantinho lá estava, uma cama grande com um dossel, cercada por algumas velas e flores. – Sirius Black! – Marlene exclamou quando notou também a cama e o meu sorriso. – Você é impossível! – disse brava, eu podia jurar que ela tinha rosnado pra mim.

- É inconsciente, Len. – me justifiquei. – Não resisto a você. – dei uma piscadela com o olho direito. Ela se limitou a me olhar e caminhar em silencio até o balcão das poções. Alguém está de mau humor.

Com uma calma meio sinistra Marlene procurou alguma coisa no armário de caldeirões, alcançou um azul, despejou água dentro e colocou no fogo, que eu tinha feito. – Quando o caldeirão ficar prata é só contar 21 minutos. – Disse, me entregando uma ampulheta de cima da mesa e pegando a sua bolsa.

Acenei com a cabeça e a segui, de novo, até o meio da sala. Marlene se jogou nas almofadas e pegou uma das caixas coloridas da mesinha de centro. – Len? – ela estava meio estranha.

Ela soltou um suspiro, abriu a caixinha e tirou de lá um bombom de chocolate. Colocou ele inteiro na boca, esboçando um sorriso enquanto degustava. Esperei até que ela terminou com a caixa e alcançou outra. – Desculpe, estou irritável. – me lançou um sorrisinho.

Mas é claro. Marlene irritável, com bolsa por perto, mais muito chocolate tinham explicação. – Momento mulherzinha? – perguntei mais relaxado, cruzando os braços atrás da cabeça e me inclinando nas almofadas.

- Odeio quando você usa diminutivo. – revirou os olhos, mordendo agora uma pequena barra de chocolate branco.

- Ok, se eu usar momento mulherzão, fica melhor? – sorri maroto. – Ai! – reclamei da almofada que tinha sido lançada na minha cara.

- Pior ainda, seu cachorro. – retrucou, mas sabia que ela estava tentando esconder uma risada.

- Você me chamou do que, Srta. McKinnon? – perguntei me levantando, com os braços na cintura, tentando parecer ameaçador.

Ela deu mais uma mordida na barra de chocolate. – De cachorro pulguento? – sugeriu, com um olhar travesso. Ela sabia o que acontecia quando eu ficava nesta pose. Sem pensar duas vezes roubei o chocolate da mão dela e peguei uma almofada com a outra. Ela fingiu fazer cara de indignada quando eu revidei a almofadada que eu tinha recebido na cara.

Marlene tentou se levantar, mas eu não deixei, a única coisa que ela podia fazer era tentar se defender com as almofadas que tinha ao seu lado e é claro que eu não iria facilitar para ela. Quando ela jogou a última almofada na minha direção eu sorri triunfante, colocando todo o resto da barra de chocolate dela na boca. Agora sim a cara de indignada dela era de verdade. Quando ela ia tentar se levantar para alcançar uma almoçada perto eu joguei a que tinha na mão no braço dela, impedindo a manobra, e me atirei do seu lado, puxando o seu braço com a mão direita e com a esquerda procurando um bom lugar para fazer cócegas. – Ahá! – exclamei alegre, quando ela começou a chorar de rir.

Ela gritava e ria ao mesmo tempo e eu bobo ria junto. – Ok. Ok. Você não é um cachorro, Six. – se rendeu, finalmente.

- Ah é?! – parei com as cócegas e me aproximei dela, os dois com a respiração rápida de tanto rir. – O que eu sou então? – perguntei, com a voz rouca, agora a milímetros dos lábios dela.

- Ficou prata. – disse depois de alguns segundos em silêncio, apontando para o caldeirão, quando fiz uma expressão confusa. – Vamos, Sirius, temos um problema para resolver. – comentou divertida, enquanto me empurrava e pegava a ampulheta. Confesso que não a acompanhei imediatamente, sentei no chão e a segui apenas com o olhar.

Quando ela voltou eu já tinha devolvido as almofadas aos seus lugares e estava sentado em uma grande. – E agora? – perguntei olhando para a ampulheta que ela trazia na mão.

- Esperamos 21 minutos. – disse, puxando a folha do livro que rasgamos na sessão reservada e dando para mim.

- O feitiço que diz aqui você que vai fazer, né? – Merlin sabe que meu forte é transfiguração e defesa e não o resto.

- Sim, Sr. Sirus Black. – lançou um sorrisinho para mim e pegou outra caixa da mesinha. Agora que toda a brincadeira tinha acabado o tempo parecia não passar, Marlene comia um bombom, dois, três e nada de passarem os minutos. Deitei as costas nas almofadas e cobri o rosto com os braços. Essa é a única carta na manga que temos, e se não der certo não tenho dúvida de que a McGonagall vai mandar um aviso aos meus pais e, depois disso eu não queria nem saber o que iria acontecer. Senti Marlene se aproximar de mim e depois puxar o braço do meu rosto. – Você sabe que não vamos deixar nada dar errado, não sabe?

Eu forcei um sorriso e puxei uma mexa de cabelo dela. – Sei. – concordei. Sabia que ela estava se referindo a tudo, inclusive a possíveis consequências. Lene devolveu meu braço para o meu rosto e se afastou. Devo ter pegado no sono por algum tempo porque quando me sentei Lene estava enrolada com as almofadas, dormindo, e em cima da mesinha tinha uma jarra com cabo de ouro, dois copos altos de cristal e uma ampulheta que indicava que já tinha passado uma hora. Peguei a folha rasgada com as instruções e fiquei um pouco apreensivo, só faltava colocar o líquido nos copos e fazer com que eu e a louca bebêssemos.

Fui até a minha Len e não tive coragem de acordá-la. Ela parecia cansada, exausta na verdade, não tinha notado isso antes. Mas mesmo assim linda, sempre linda. Pensei em colocá-la na cama nos fundos da sala, mas pela expressão calma ela estava confortável ali. Me entretive com a estante de livros, e fiquei surpreso em ver alguns sobre quadribol, animagos e receitas de doces. Esse de receitas com chocolate e frutas a Lene iria amar. – Sirius? – escutei ela me chamar.

Sorri. – Ao seu dispor. – me inclinei, fazendo uma reverência.

Ela riu e se levantou, pegando a ampulheta. – Acho que estamos prontos.


Olá meu leitores queridos!

Devem ter notados que não atualizo a fic há alguns anos, e peço milhões de desculpas por isso. Prometo me empenhar para terminá-la e já adianto que tenho milhões de ideias.

Tinha esquecido esta história quando recebi algumas reviews e mensagens pessoais sobre ela. Confesso que isso me deixou muito animada e me deu saudades do meu casal favorito. Por isso, estamos de volta! E devo agradecer a todos você por isso, os que apenas leem, os que comentam, os que torcem, os que adoram. Sempre dizem que os leitores é que fazem o escritor, a história, e eles estão certos. Obrigada de coração!

Espero que gostem deste capítulo, me diverti e suspirei escrevendo ele. O próximo está quase pronto e até o final do mês estará no ar.

Mas antes de me despedir, alguns recados especiais:

Luiza: Postei! E fiquei feliz com o seu comentário, que bom que está gostando. E adorei saber que a fic é quase igual a doce para Marlene! haha

Belaa: Voltamos com muito suspense e chocolate agora! =D Posso adiantar que o fim ainda está longe, mas até lá serão muitos altos e baixos para o casal.

Marina: Minha culpa, confesso, mas voltamos! Obrigada e também amo o casal S2!

Juli M. Black: Tem muita coisa para acontecer ainda. A Marlene até poderia dar uma chance para ele, também acho, mas a questão é, ele quer uma chance para o que?! Haha. E sobre a sua pergunta, posso dizer que você pegou uma das pontas do suspense.

Giu-mckinnonblack: Que bom que gostou da fic. Sim, ainda bem, mas será que o feitiço que els acharam vai dar mesmo certo? Haha. Dessa fez fui mais boazinha.

Deny Weasley: Demorou um pouquinho só, mas que bom eu gostou! =)

Liverpaul (Nina): Segure este pensamento para situações futuras! Hahaha. A seção reservada tem muitas histórias para contar!

Chanel Black: Adorei os OMG do capítulo haha! Que bom que está gostando e obrigada. Esses dois são a minha diversão, senti saudades de escrever com eles. Desculpas pela demora, mas agora me comprometi a terminá-la.

Ps: Ao reler a fic resolvi arrumar o primeiro capítulo, achei meio curto, então em breve irei reescrevê-lo, com alguns flashbacks novos (como a história do apelido 'Six'). Mas aviso a todos ;D