O cheiro de bebida certamente vinha de Fred. Oh, o magnífico fedor de um bêbado pela manhã. As vezes George achava que merecia algo melhor do que aquilo, quer dizer: ele era o cara que fora agraciado com sua beleza magnífica, então o mínimo que Fred podia fazer era andar imaculado e cheiroso por todas Hogwarts se passando por ele. Não era óbvio? Mas não, ele tinha que ter criado essa relação especial com a bebida onde um não conseguia viver sem o outro. Pesadelo. Mas George sabia que o mundo não estava preparado para dois dele, então aceitava as falhas do irmão com toda a humildade que não tinha.
Lino observava o Weasley que ainda babava de encontro ao travesseiro estarrecido: como havia conseguido dormir com um sujeito nu no dormitório masculino era um mistério, mas aquela visão havia agilizado todos os outros rapazes na hora de se arrumarem e descerem para o café da manhã.
-Ele costuma ser tão gracioso pela manha? – quando sentiu o estomago dar um cambalhota dentro da barriga, Lino se viu desesperado para desviar os olhos da visão.
-Vamos agradecer por ele estar dormindo de bruços. – George alcançou a varinha do irmão sobre o criado mudo ao lado da cama e o cutucou nas costelas. – Ei, cara de Lua, hora de acordar!
-Essa não é a cara dele...
-Tem razão. O rosto de Fred parece ter sido esculpido pelos anjos. – e com mais uma cutucada perversa, o gêmeo bêbado resmungou qualquer coisa, se mexeu e tornou a ficar imóvel – Fred Weasley, se eu tiver que cutuca-lo mais uma vez, vou fincar essa maldita varinha no seu traseiro! Sua bunda vai parecer um buraco de golfe! Agora levanta!
Lino deu as costas para os gêmeos. Não queria ver aquilo: o fato de não ter nada no estomago não significava que não podia vomitar. Por um minuto só houve silencio, então Fred resmungou e lentamente apoiou o corpo nos braços e virou-se para o teto.
-Por Merlin, cubra isso! – George apontou com a própria varinha para o travesseiro onde Fred estivera babando a noite inteira e ele flutuou direto para o meio das pernas do irmão.
Fred olhou ao redor: olhos sonolentos, o corpo balançava e tentava manter o equilíbrio enquanto sua cabeça parecia explodir. Só então olhou para baixo e se viu nu no meio do dormitório masculino.
-Por que estou com meus trajes de nascimento? – procurou em volta da cama e nada.
George e Lino trocaram um olhar confuso porque, de fato, ninguém ali sabia o paradeiro das roupas de Fred.
-Não vai usar seu uniforme hoje. – George foi até sua mala.
-E eu vou usar as roupa de quem?! – ele parecia exasperado.
-Nossa, tem razão, onde, em toda Hogwarts, acharemos alguém que seja o seu numero? – ele ficou encarando o irmão até esse perceber o que queria dizer.
-Ah, porque somos gêmeos!
-Sim, mas diferente de gêmeos idênticos, um nasceu com um cérebro em perfeito funcionamento, enquanto o outro está pelado na própria cama. – George arremessou um bolo de vestes, que era seu uniforme reserva – agora se vista!
George e Lino resolveram que era melhor esperar no Salão Comunal em parte por não estarem dispostos a ver Fred se vestir, mas também pra tentarem desvendar o misterioso paradeiro das roupas dele, uma tarefa que não foi cumprida, afinal os dois estiveram quase tão bêbados quanto Fred. Então quando o segundo Weasley se juntou a eles, a pergunta permaneceu sem resposta enquanto seguiam para o salão principal.
Hermione tentava engolir o café da manhã o mais rápido que podia, numa afobação tamanha que até Rony havia parado de comer para ver a garota em um raro momento onde não estava se comportando como uma dama.
-Hum, Mione? – Harry a cutucou no braço a fim de tirar a atenção dela do prato – Está tudo bem?
Ela não respondeu. Ao invés disso lançou um olhar rápido ao redor e gelou quando viu o trio que entrava no salão. Abaixou o rosto rapidamente de volta para o prato de comida como se nada mais importasse. Tinha fé de que passariam por ela sem notá-la, nada da noite anterior seria comentada, nada, eles seguiriam reto...
-Fred, você está bem? – Harry lançou um olhar preocupado ao rapaz, que se sentou ao lado de Rony e imediatamente pescou um pedaço de bacon do prato do irmão.
-Se você acordasse nu com dor de cabeça sem nenhum fragmento de memória da noite anterior e alguém fizesse a mesma pergunta para você, o diria, Harry? – ele pegou um pedaço de pão, arrancou um pedaço fora e mordeu avidamente.
-Quem acordou nu? – Gina havia acabado de falar com Luna na mesa da Corvinal e agora se juntava ao grupo acomodando-se bem ao lado de Hermione, que mais do que nunca fitava a peça de porcelana bem na sua frente deixando os cabelos caírem sobre o rosto e criando uma cortina que cobria sua face rubra.
Lino apontou desanimadamente para Fred enquanto se servia de salsicha.
-Bom, não foi o único que teve uma noite ruim. Hermione entrou no dormitório feminino e fez tanto barulho que Dumbledore deve ter acordado no escritório! – Gina só então percebeu o quão a amiga estava violentamente corada. Presumiu que deveria ser por conta do seu comentário.
-Não, não fiz! – ela por fim guinchou quando todos os olhos estavam cravados no seu rosto.
-Fez sim! Estava na maior afobação, achamos que era um trasgo entrando no dormitório.
Aquilo era o suficiente. Hermione recolheu as coisas e saiu em uma marcha apressada por entre as mesas até a porta, o rosto agora tão vermelho quanto a bandeira da Grifinória.
-O que deu nela? – grunhiu Rony com a boca cheia de torrada.
Gina se limitou a dar os ombros e ir atrás da amiga deixando os meninos sozinhos. George observou Hermione partir com uma pontada de culpa: não fazia ideia do quão horrível ela deveria estar se sentindo e, ainda pior, não podia contar para ninguém.
-Vamos logo, nós temos aula da Cara de Sapo agora e eu não quero me atrasar. A Suzanna da Lufa-Lufa chegou dez minutos depois da aula ter começado e eu soube que ela ganhou um mês de detenção. – Lino acenou para Harry e Rony enquanto seguia os gêmeos para o Saguão Principal.
A comemoração da vitória no Quadribol parecia um fantasma temeroso diante da sombra que Umbridge projetava no humor dos alunos. O castelo parecia sombrio, embora nas aparência nada havia mudado. Alcançaram as escadas e seguiram para o andar de Defesa Contra as Artes das trevas, porém George segurou o irmão no corredor.
-Já alcançamos você, Lino – e só depois de ouvir os passos dele desaparecerem George pegou fôlego para dizer a Fred a verdade:
-Hermione estava estranha hoje de manhã porque você a prensou contra o sofá ontem a noite. – seco, direto. Em outra ocasião teria feito uma piada com aquilo, mas no momento eram os sentimentos do seu irmão que estavam na mesa: as vezes precisava levar certas coisas a sério.
Fred olhou para ele como se George tivesse acabado de dizer algo em sereiano. Então, sem aviso, o rapaz explodiu em uma gargalhada tão eufórica que os quadros mais próximos lançaram olhares de censura em direção aos irmãos.
-Me desculpe. – ele secou as lagrimas de riso que brotavam em seu rosto agora corado – mas por um segundo achei ter escutado você dizer que eu agarrei Hermione Granger.
-E agarrou. Nu. – não tinha tempo para rodeios e muito menos disposição.
A risada de Fred voltou a ecoar pelo corredor vazio, alta e viva, ele com a mão apoiada no ombro do irmão enquanto se curvava rindo ainda mais alto. Então segurou George pela gola do uniforme e o jogou com força contra a parede áspera.
-Acha isso engraçado? – não havia mais nenhum traço de riso em seu rosto, apenas pânico e raiva – Está querendo se divertir as minhas custas, é isso?
-Não. E nós dois sabemos que se fosse esse o caso, eu seria um pouco mais irônico. – e encarou o irmão de volta até ele aceitara verdade.
E com a mesma espontaneidade que Fred havia começado a gargalhar, de súbito agora toda a cor parecia ter abandonado seu rosto. Ficou ali, pálido, em completo choque enquanto as palavras pronunciadas pelo seu gêmeo ecoavam dentro de sua cabeça.
-Não...Por Merlin. Eu não...– ele cobriu os olhos com a mão direita tremula, o fôlego lhe fugindo a todo instante. – Eu não a beijei...beijei?
-Não. – ouviu o suspiro de alivio do irmão. – Você errou o destino.
-O que? – na voz dele havia exasperação, mas tão fraca...
-Eu fui agraciado com seus doces lábios de mel. – disse ele em um tom áspero. Porém observou o estado em que Fred se encontrava e decidiu que a bronca podia esperar um pouco.
Duas meninas da Corvinal entraram no corredor naquele instante soltando risinhos até notarem os gêmeos. A principio lançaram olhares preocupados em direção a Fred, mas George devolveu-lhes um sorriso tranquilizador e assim elas seguiram em frente.
-George? – ele afastou a mão dos olhos vermelhos, porém sem sinal de lágrimas – Eu a machuquei?
Só a deixou com algumas traumas, quis dizer, contudo não se atreveu a pronunciar tais palavras.
-Não. Eu levei você pra cima. – murmurou, com medo que a mentira aparecesse em sua voz.
Só então Fred soltou o irmão e arrastou os pés para dentro da sala em um silencio mortal, se alojando na carteira atrás de Lino e enterrando o rosto nas mãos enquanto ruminava a novidade. George resolveu que era melhor dar-lhe tempo, depois seria mais detalhistas, por hora iria se limitar a discutir com Lino em um tom animado, mas nada acima de um sussurro, sobre novas ideias para o Kit Mata Aulas.
Umbridge não tardou a aparecer, trajando mais um de seus horrorosos casaquinhos rosas em saltos tão pavorosos quanto. Lançou aquele sorriso irritante para os alunos enquanto dava as mesmas instruções sobre a aula que dera no primeiro dia.
Enquanto isso, alguns andares abaixo, Harry e Rony seguiram para a Aula de Poções. Encontraram Hermione em uma conversa agitada com Gina, que se despediu e subiu as escadas. Harry ainda achava que o comportamento da amiga estava estranho: ela parecia perturbada. Quando resolveu perguntar o que estava acontecendo viram um amontoado de alunos na porta da sala de Poções e um burburinho agitado. Os três correram até o grupo, acotovelando e empurrando para ver o que estava causando tanto alvoroço até que as falas se transformavam em risadas conforme avançava.
Quando conseguiram ficar na frente da multidão, Rony murmurou baixo para os dois amigos:
-Acho que agora sabemos onde estão as roupas de Fred.
Ali, sentado na cadeira de Snape como se fosse um professor aguardando por sua classe, o esqueleto de Dragão da sala de Defesa Contra as Artes jazia sentado, a cabeça com orbitas vazias olhando para os alunos enquanto trajava o mesmo uniforme que eles e mantinha entre as mandíbulas afiadas uma cueca.
N.A.: Olááá e finalmente estamos de volta u.u Viva a magiaaaa ****** ¬(ºuº¬ )
Bom, tenho planos, e muitos, sobre como isso vai continuar e espero voltar agora a publicar com a mesma frequencia que antes u.u Porque são um casal fofo, assim como George e...a depois eu conto...
Bom, agradeço muito àqueles que ainda leem e mantiveram suas esperanças depositadas em mim u.u Voces são demais
E para os novos leitores, sejam bem vindos, sweeties, e saibam que estou aberta a sugestões, criticas e os raros e ocasionais elogios XD
UM grande abraço =)
