Estava claro que a situação estava no vermelho: Voldemort estava à solta, o Ministério se recusava a crer ou tomar qualquer atitude em relação aquilo e de quebra agora estavam interferindo no único local onde os alunos podiam praticar mágica banindo exatamente esse ato. O clima dentre os participantes da reunião não poderia ser mais deprimente quando todos se acomodaram em seus lugares naquele ambiente fechado e fedorento, porém pareciam pessoas completamente diferentes ao saírem do pub: o discurso de Harry juntamente com as palavras de Hermione havia motivado e instigado os outros de tal forma que havia um ar determinado nos olhos de cada um, mesmo que Zacarias Smith o tivesse de má vontade.
-Uau! Quero dizer, uau! – ofegou Hermione pela quinta vez desde que haviam saído do repulsivo pub com uma cabeça de Javali como enfeite.
-Quantas vezes mais você vai precisar ficar surpresa? – perguntou Harry, confidencialmente guardando o próprio choque para si: não imaginou que tantos fossem aparecer ou sequer que a reunião teria algum efeito.
O grupo aos poucos se dispersou conforme os alunos seguiam até Hogsmead tentando compensar o tempo gasto no Cabeça de Javali. Os gêmeos se despediram de Lino e seguiram rumo ao castelo juntamente com sua irmã, Rony, Harry e Hermione. George aflito pelo que ele julgava ser a necessidade de avaliar logo a loja no Beco Diagonal, porém acompanhando o grupo pelo bem estar da ansiedade de Fred.
- Certo, agora precisamos de um local: vou fazer uma lista de feitiços que você pode passar para os outros, nada muito complexo, vamos começar com o básico porque algumas pessoas...
-Mione, você pode parar para respirar? – Rony olhava para a garota de forma horrorizada – Céus, eu estou ficando sem folego. Como você consegue pegar todas essas matérias e ainda ter cabeça para isso?
-Porque sua mente tem a amplitude de uma colher de chá enquanto eu passo todas as noites estudando. – jogando as mechas de cabelo para traz, voltou-se para Gina com um olhar ansioso – Será que eu posso falar com você?
-Na verdade, eu marquei de me encontrar com Miguel daqui a pouco. – ignorou o olhar cético que recebeu de seus três irmãos como se fossem crianças sendo mal criadas – Oh, o que foi? Por acaso ninguém pareceu ficar irritado quando Fred estava se agarrando com Angelina depois do Baile do ano passado, ou George saindo escondido a noite no último verão para encontrar a atendendo de uma loja do vilarejo lá perto de casa e Rony...Bom, a maior aventura amorosa de Rony foi trocando um beijo com a Tia Muriel, mas todos rimos disso, não fomos tirar satisfação com a irmã de papai.
Àquela altura as orelhas dos outros Weasleys já estavam mais vermelhas que seus cabelos. Lançando um último olhar satisfeito para os irmãos, Gina se afastou em direção à rua principal de Hogsmead e sumiu entre as pessoas.
-Não foi um beijo. – grunhiu Rony quando finalmente alcançaram a ponte de madeira.
-Ora, Roniquinho, era Natal, Tia Muriel sempre bebeu demais... – começou Fred.
-...e você estava um "rapaz tão lindo!" – completou George afinando a voz. Aquilo bastou para fazer Rony ranger os dentes e apertar o passo, deixando o quarteto para traz.
"Ótimo", pensou Fred, "Agora só preciso me livrar de Harry e..."
-Hermione, será que eu, hm, poderia dar uma palavrinha com você? – perguntou Harry lançando um olhar receoso para os gêmeos.
-Claro, mas temos dever de Feitiços, como você deve lembrar. Podemos conversar enquanto escrevemos a redação do Prof. Flitwick. – e o rapaz sentiu o estomago afundar em sua barriga: estava sentenciado a uma tarde inteira preso à Hermione em uma biblioteca tendo a garota exigindo perfeição nos seus trinta centímetros de pergaminho.
O dia seria longo.
-Ora, não faça essa cara, mais tarde talvez possamos passar na cabana de Hagrid e brincar com Pelúcios. – e pela primeira vez Hermione pareceu genuinamente feliz com a ideia de ir até o terreno.
Os gêmeos mal puderam acreditar quando os dois se despediram e seguiram em frente em passadas largas, os deixando a sós no meio da passagem. Fred observou a garota se afastar, os cabelos ondulados em um movimento suave em suas costas enquanto ela ia lado a lado com Harry. O bichinho do ciúmes protestou em seu peito.
-Bom trabalho. – disse George, apoiando os braços na mureta.
-O que quer dizer?
-Oh, me perdoe, é você que vejo ali, se afastando com a garota dos sonhos, pronto para passar uma tarde produtiva e interessante junto a ela, criando laços e aumentando suas chances. – e apontou para o casal agora já bem distante – Eu fico feliz vendo você ali, cheio de atitude, ao lado de Hermione, e não sendo um perdedor do meu lado no meio da via.
-Cala a boca, George. – puxando o irmão pelo braço, Fred fechou a cara e não disse mais nada.
-Só estou dizendo que faz um ano, Fredie, um ano! Um ano ouvindo suspiros, um ano escutando choramingos, um ano tentando não enlouquecer com esse seu amor platônico. E, por Merlin, não sei como não aparatei sua cabeça para a privada quando Hermione chegou na Sede da Ordem e você quase explodiu de ansiedade. Como? Como você não tentou se aproximar dela, puxar um assunto, mostrar que não é só um rosto bonito durante todo aquele tempo onde ela tinha apenas a companhia da nossa irmãzinha e de nosso irmão mala?
-George...
-Deixe-me terminar! E aqui estamos: ela já viu você pelado, sobreviveu ao seu pior, não fez um alarde quando você me agarrou e ainda assim aceitou sair com você! Francamente, se você não tomar logo uma atitude, pode ser que eu queira entrar na jogada...
-George...
-...acho que tem muita gente concordando que ela se tornou extremamente atraente nesses últimos dois anos. Pelos céus, leve a garota para assistir um jogo de Quadribol, para comprar alguma coisa na Zonko's, ver a Casa do Grito, mas tome uma maldita atit...
-Sua namorada.
-O que? – George despertou dos próprios pensamentos quando finalmente deixaram o assoalho de madeira da ponte para traz e voltavam a pisar no gramado coberto de neve.
Haviam grupos de alunos aglomerados por todo terreno: as quatro cores oficiais das casas podendo ser vistas em todo lugar, quase todas de forma homogênea com exceção do verde da Sonserina, que se acumulava em seus próprios grupos. Esquecendo-se de desmentir as palavras proferidas pelo irmão, George esticou o pescoço já alto tentando ver a cabeleira em tom loiro quase claro em meio a multidão porque sabia exatamente a quem Fred se referia.
Continuou a procurar quando sentiu um leve puxão na barra do casaco a sua esquerda. Olhou para baixo e encontrou o rosto sonhador de Luna parcialmente encoberto por um cachecol.
-Olá, George Weasley. – saudou ela em seu costumeiro tom sonhador, então virou a cabeça lentamente para Fred como se acabasse de notar que ele estava ali. O avaliou demoradamente, o fazendo se sentir como uma peça de museu: o que tanto a garota fitava nele? – Suponho que você seja Fred Weasley. – disse Luna finalmente parecendo feliz por ter chegado a aquela conclusão
Os gêmeos trocaram um olhar demorado até George explodir em gargalhadas, se curvando sobre o estomago enquanto seu irmão não sabia se deveria estar assustado ou entretido.
-Bom, suponho que não se possa confundir esse meu belo rosto por ai. – disse Fred por fim, a voz um pouco nervosa: ela levou todo aquele tempo para concluir que ele era o gêmeo de George?
E Luna ficou em silencio, ainda o encarando com aqueles olhos cinzentos que sempre pareciam distantes. Devagar, começou a rir até ter lagrimas nos olhos e nenhum ar nos pulmões. Naquele instante Fred jurou que gostaria de estar em qualquer outro lugar, menos na "conversa" mais estranha da sua vida. Olhou para George procurando ajuda, mas ele simplesmente fez um movimento com a cabeça como se dissesse "Essa é a Luna".
-Sua...sua piada! – riu ela, procurando apoio em algum lugar– É porque vocês são gêmeos!
-E isso explica porque você está na Corvinal...! – George enfiou um punhado de neve na boca do irmão de forma tão brusca que o fez engasgar.
-Não liga pra ele. – agora que a risada havia cessado, Luna tinha o rosto vermelho.
Apesar de adorar provocações, George não estava tão certo sobre se podia e o quanto podia brincar com Luna: Gina havia dito o quanto ela era perturbada pelos outros, a lista de apelidos atribuídos a garota não parecia ter fim, e embora Luna não demonstrasse, ele tinha certeza que para todos havia um limite de tolerância.
-Não tem problema. Eu gostaria de saber se você quer ir comprar mais cravo-de-gnomo comigo. Seu irmão pode ir também.
George a fitou por um segundo: a primeira vez a havia acompanhado por precisar falar com Gina, agora seria uma decisão deliberada de dever. Mas o que realmente o impressionava era a naturalidade com que Luna estava fazendo o convite. Olhou para todo o caminho de volta a Hogsmead e franziu o cenho:
-Não está perto da hora que deveríamos estar no castelo? – esperou que não soasse como uma desculpa qualquer, na verdade, não se importaria em caminhar até a floricultura.
-Está? Eu não sei, meu relógio sumiu no último final de semana. Ou guardei em algum lugar e zonzóbulos bagunçaram minha cabeça, me fazendo esquecer. – aquele comentário lhe pareceu tão normal quanto algo dito displicentemente durante o chá – Acho que ficará para a próxima então.
-Eu acho que sim. – respondeu George em um sussurro. Lançou um olhar pesado para o irmão, que revirou os olhos enquanto sorria.
-Bom, vou indo para nosso Salão Comunal, vendo a papelada da Loja. Nos vemos mais tarde. – e voltando-se para Luna da forma mais receosa e alegre que pode, acrescentou – Foi um prazer conhece-la.
Com um ar satisfeito, George observou seu irmão gêmeo se afastar tentando não rir dos olhares lançados pelas garotas da escola: o que viam nele? Sentiu algo quente em sua mão e lançou as sobrancelhas para o meio da testa tamanha a surpresa que fora ver Luna segurar seus dedos com s próprios.
-Eu fico feliz que vocês tenham feito as pazes. – e no momento seguinte a mão de George estava vazia, parecendo se pendurar no final de seu braço toscamente. Ele ainda não podia acreditar no que Luna acabara de fazer.
-C-Como você...?
-Quando nos encontramos na Floresta Proibida, você estava sozinho, e parecia infeliz. Estava com uma cara parecida com a de papai logo depois de mamãe morrer. – e com um sorriso infeliz, Luna pôs-se a caminhar – Ali, você parecia se sentir... incompleto. Na hora eu não pude entender porque, mas agora eu vejo que você e seu irmão estão sempre juntos.
-Desde o nascimento. – comentou George, e a garota riu.
Por um momento, ele se permitiu aprecia-la: Luna era simples, sem jogos arquitetônicos para se fazer de charmosa, sem falsa postura para se tornar mais atrativa, sem flertes distraídos ou segundas intenções nas palavras. Fazia muito, muito tempo desde a última garota com aquela inocência que havia lhe sido apresentadoa sendo seu nome Hermione Granger. Quando entraram na adolescência, ele e Fred não puderam mais ignorar o olhar interessado que recebiam ao chegarem em Hogwarts; por algum motivo, gêmeos pareciam ser um tipo de artigo luxuoso por ali. Sabiam, Parvarti e Padma haviam confidenciado o mesmo tipo de pensamento com eles anos antes. Quando começaram a jogar como batedores, a situação tomou tamanha proporção que começaram a se aproveitar, fazendo charme displicente e até mesmo induzindo algumas garotas a fazerem favores em troca de um fiapo de expectativa: deveres de casa, colas durante prova, até mesmo na hora de surrupiar comida.
E ali estava Luna, sem oferecer nem exigir nada mais do que amizade e sua sincera natureza. Mesmo quando havia segurado sua mão, George apenas sentiu gentileza da parte dela, nenhuma insinuação.
-Luna? – estavam dentro da propriedade, agora. Se perguntou o que os outros diriam se o vissem entrando em Hogwarts acompanhado da garota.
-Sim. – respondeu ela com aquela voz distante, parecendo sempre que estava com os pensamentos bem, bem longes dali sempre que não conversavam.
-Você disse pra minha irmã que andamos...saindo juntos?
Ela parou onde estava no mesmo instante, os olhos vidrados nele e o cenho levemente franzido. A visão o fez morder o canto da bochecha para não rir.
-Certamente que não. Apenas pedi para que ela agradecesse mais uma vez por ter ido conosco a floricultura. Foi bastante agradável.
George se permitiu sorrir: como, por um segundo, achou que a garota pudesse tecer um comentário errôneo daqueles? Mas nada o impediu de soltar um suspiro de alivio.
-Minha irmã tende a exagerar as vezes. – riu, enquanto dava os ombros.
Era aquilo: a chamaria para sair. Sim, aquele tipo de pensamento lhe pareceu muito sensato, se não correto. Ora, no primeiro momento em que vira Luna, a achou a criatura mais estranha e improvável da escola, mas agora que sabia que podiam manter uma conversa agradável e divertida, sua maior preocupação desapareceu com uma lufada de esperança.
-Oh, eu entendo. Deveria ouvi-la dizer sobre como eu e Neville Longbottom fomos feitos um para o outro. – Ela sacudiu a cabeça em sinal de reprovação.
Porém George ignorou o ato: a imagem de Luna e Neville as voltas invadiu sua cabeça de uma forma tão imediata que o assustou. Estava errado ter aquele nível de ciúmes por alguém que acabara de conhecer e sequer tinha uma formação certa de que tipo de sentimento sentia. Mais importante, sua confiança em chamar Luna para sair foi chutada pra longe com aquele último comentário, e agora parecia um idiota a encarando em silencio no meio do pátio principal da escola.
-Você está bem? – perguntou Luna, preocupada com a súbita mudança de comportamento do rapaz.
-Ah, sim, eu preciso me encontrar com Fred, tenho que acertar algumas coisas sobre a Loja. – queria sair dali, por os pensamentos em ordem, precisava pensar.
-Loja? – contudo George já havia acenado com um olhar desconcertado no rosto e marchou em passadas largas para dentro de Hogwarts.
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Quando finalmente se acomodaram em uma mesa da biblioteca, Harry tinha os braços doendo de tanto carregar pilhas de livros por entre as estantes conforme Hermione selecionava mais e mais volumes como possíveis consultas para o trabalho de Feitiços. Vendo que o amigo provavelmente largaria todo o material no chão se ela escolhesse mais um livro sequer, a garota o guiou para sua costumeira mesa entre estantes, a janela iluminando agradavelmente o ambiente.
-Harry?
-Sim? – ele fitou sua letra exasperado: sem tirar os olhos do próprio dever, Hermione já havia apontado cinco erros no primeiro parágrafo de sua redação. Harry se recusou a crer que agora havia uma única virgula fora do lugar.
-Sobre o que você queria falar?
-Hm, como estão as coisas entre você e Fred?
Ele notou que a garota tornou a molhar a ponta de sua pena desnecessariamente, provavelmente para dar-lhe tempo para pensar em uma resposta.
-Bem, eu suponho.
-Só achei que, bom, ele não tirou os olhos de você por um segundo durante a reunião, então... – recebeu o olhar perplexo da amiga e sacudiu a cabeça – Esqueça, você não quer falar sobre isso.
-Ele me chamou para sair.
Harry deixou um xingamento escapar quando sua pena escorregou pelo pergaminho e borrou metade do papel. Aplicando o removedor de tinta, quase sorriu quando viu Hermione corar diante da confissão.
-E o que você disse?
-Eu não tive exatamente uma escolha – murmurou ela lembrando-se da situação. – Mas falei com Gina e, certo, acredito que não vai ser algo muito ruim.
-Hm... – concluiu ele com sorriso voltado para o pergaminho que não passou desapercebido pela garota.
-O que?
-Nada.
Ela tentou por algum tempo arrancar mais algumas palavras do rapaz, porém Harry manteve a cabeça abaixada em uma determinada vontade de concluir seu trabalho.
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Quando finalmente se acomodou no Salão Principal com a papelada do prédio no Beco Diagonal, Fred teve o feliz sucesso em não pensar em Hermione e Harry sozinhos a tarde inteira.
E conseguiu por cinco minutos.
Depois a imagem de ambos trocando olhares e toques mais insinuantes ficou atacando sua mente de forma irritante. Quase agradeceu a Lino quando o rapaz se juntou a ele na mesa.
-E ai? E a garota? – perguntou ele colocando uma saca da Zonko's ao lado da cadeira.
-Se tornando uma verdadeira dor de cabeça. – grunhiu Fred enquanto largava os papeis sobre a mesa: durante algumas conversas com seu irmão, ambos haviam concordado em futuramente chamar Lino para se tornar um sócio da Loja.
-Ruim assim, é? – ele ofereceu uma saca de minhocas de açúcar para o amigo – O que? Tem outro cara na jogada?
-Não que eu saiba. Provavelmente sim, ela chama bastante atenção. – o que era muito perigoso, pelo ponto de vista de Fred.
-Bom, então acho melhor você agir logo: não sei se percebeu, mas não vamos estar aqui por muito mais tempo: logo, logo vem a formatura, os caras estão querendo aproveitar e o número de garotas que valem a pena por aqui está em um número preocupantemente baixo. – mastigando uma minhoca azul, Lino continuou – Você é batedor do time da Grifinória, um bom batedor, é alto, tem senso de humor, ...
-Lino, se continuar assim, vou acabar levando você para jantar. – brincou Fred, o que lhe custou um olhar cético como resposta.
-Só estou dizendo: se Fred Weasley não consegue uma garota, então o resto de nós está perdido. Bom, o resto menos eu: posso me garantir.
-Claro que pode. – disse o rapaz, recostando-se na cadeira.
-Falo sério: a posição de comentarista me dá status; isso e a minha bela aparência. E você e o George tem essa coisa ai de gêmeos que as garotas adoram. Vai entender. – Lino sabia bem pelo que os irmãos passavam: as vezes, quando não estava na companhia dos dois, houve comentários e até insinuações obscenas sobre o relacionamento de seus amigos. – Quem é a nossa felizarda?
-Isso eu não vou dizer. – e deu um sorriso satisfeito – Já tem muita gente sabendo.
-O que? Além de George, quem mais?
-Essa é a lista: George. E já é o suficiente. Do jeito que meu belo irmão é incapaz de guardar um segredo, eu não ficaria surpreso se até os retratos no gabinete de Dumbledore já estivessem informados sobre minha situação.
-Sou seu melhor amigo! - esbravejou Lino, porém sem sucesso – Dou uma figurinha rara da minha coleção de cards dos bruxos famosos!
-Não.
-Digo a Mulher Gorda que ela engordou!
-Agora você quer ficar trancado do lado de fora do Salão Comunal para sempre?
-Canto um serenata para o Barão Vermelho! Envio flores para Snape! Vou anunciar no próximo jogo que você está apaixonado e incapaz de se declarar para a garota!
-Sabe, já é a segunda vez que você nos ameaça com esse seu microfone: talvez eu devesse dar uma palavrinha com a Mcgonagall sobre tira-lo de você. – Fred tornou a pegar os papeis da Loja quando o punho de Lino desceu sobre o tampo da mesa.
-Então eu quero fazer uma aposta.
Fred arqueou as sobrancelhas em direção ao amigo: finalmente uma proposta interessante.
-Muito bem, estou ouvindo.
-Eu aposto que consigo invadir o escritório da Umbridge e me livrar daqueles malditos gatos de porcelana que ela pendura nas paredes. – disse ele, com um ar triunfante.
-Muito fácil. Até Rony conseguiria fazer algo assim. – Fred quase rangeu os dentes quando tornou a pensar em Hermione – Eu aposto que você não consegue colocar um Pelúcio dentro daquela sala.
-O que?! Eu posso matar o pobre coitado! Imagine, colocar um ser adorável desses cara a cara com a megera velha!
-É pegar ou largar. – Fred estendeu a mão por sobre a mesa em direção ao amigo.
Por um segundo, Lino olhou para aqueles dedos de forma hesitante e amaldiçoou sua curiosidade.
-E o que vamos apostar?
-Bom, já que você mencionou mais cedo, vamos falar de novo sobre sua coleção de cards: vou ficar com tudo.
-Seu filho de uma!
-SHH! – Parvarti, sentada ao lado de Lila Brown na outra mesa, lançou um olhar mortal por sobre o ombro em direção a Lino antes de voltar a estudar.
-Eu levei dez anos para juntar essa coleção! – sussurrou Jordan, da forma mais violenta que conseguia naquele tom de voz.
-E eu vou levar, o que, uma semana para te-la. – riu Fred: ah, ele certamente iria recuar, estava tudo contra o rapaz.
Podia-se ver pela expressão no rosto de Lino que dentro dele havia uma batalha: por um lado, havia o risco de abrir mão de seus precioso cards. Entretanto não ia deixar aquilo sair barato, ainda poderia tirar uma boa gargalhada com aquela situação, mas o risco... A mão de Fred ainda estava estendida no ar e Lino se pegou tendo a ideia mais genial que passara pela sua cabeça naqueles últimos dias.
-Muito bem, Fred Weasley, com uma condição – e apertou a mão do amigo com veemência.
-Sim, sim, eu sei, se você conseguir, eu conto quem é...
-Você perdeu completamente o juízo debaixo dessa cabeleira ruiva? – o sorriso de Lino beirava a crueldade – Acha que vou apostar meus cards por um nome? Não, não, não, se eu ganhar essa aposta, e pode ter certeza, meu amigo, que eu vou, você vai beijar essa garota. E vai fazer na minha frente e diante de todo mundo!
Apenas o som daquelas palavras fez com que o estomago de Fred desse uma cambalhota dentro de sua barriga. Olhou para Lino como se ele houvesse acabado de proferir uma Maldição Imperdoável.
-Vá conversar com Nick, porque você perdeu a cabeça completamente, meu amigo.
-Esse é o preço da minha coleção, Fred. Você fez os termos da aposta, está com medo de perder? É isso? Devo contar essa noticia para seu irmão ou... – se erguendo e dando a volta pela mesa até estar as costas do rapaz, sussurrou em seu ouvido – anunciar no microfone durante o jogo para que sua garota especial ouça?
A mão morena de Lino deslizou até ficar em sue campo de visão: agora tinha um aspecto ameaçador e com uma garantia de um final não muito feliz. Era simples recusar, se levantar e rir da cara daquela proposta quase indecente, assumir que simplesmente aquilo não iria acontecer, porém Fred tinha um defeito grande: era orgulhoso. E sabia que não recuaria diante aqui – havia arriscado a saúde e uma expulsão de Hogwarts por mergulhar no lago a noite e andar pelado pela escola -, o que era um beijo comparado a saúde?
Exceto por aquilo envolver também Hermione Granger.
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Havia um novo tipo de estresse instalado nos alunos naquela manhã: o novo regulamento dizendo que todo tipo de clube, grupo ou time deveria passar pela avaliação e aprovação da nova Auto-Inquisitora de Hogwarts não envolvia apenas Quadribol – conforme Angelina havia esbravejado a manhã inteira na mesa da Grifinória -, mas também indicava que Umbridge sabia de algo sobre a reunião ilegal de alunos no Cabeça de Javali: não tudo, mas o suficiente. Aquilo não podia ser apenas uma coincidência.
Hermione estava quebrando a cabeça para descobrir quem poderia ser o possível delator e ao mesmo tempo organizar tudo para a primeira reunião, inclusive uma forma de entrar em contato com os membros do grupo. Enquanto ela discutia com Rony e Harry durante o café da manhã, Fred a fitava de forma infeliz.
-Seu bacon vai se afogar nessas lagrimas deprimentes que estão rolando pelo seu rosto desolado, Fredie – alertou George dando uma cotovelada leve no braço do irmão.
Voltando a atenção para seu prato intocado, o rapaz grunhiu;
-Eu não sei. Sinto que a cada dia ela se torna mais distante... – Fred deixou escapar um suspiro de lamento, o garfo espetando os ovos mexidos sem qualquer interesse.
-Isso porque ela gosta do Fred Weasley. Não de você.
As palavras de George fez com que ele ficasse ainda mais confuso e frustrado.
-O que quer dizer?
-Você não – George girou o corpo para poder ver o irmão de frente – não é mais o mesmo quando estamos com ela. Francamente, sabe como é frustrante vê-la dar oportunidades para fazermos trocadilhos ou piadas e tudo que sai de você são bochechas coradas?
Mas aquilo não parecia estar esclarecendo as coisas para Fred. George precisou de alguns minutos para vir com um bom exemplo.
-O que você acharia se Hermione começasse a agir feito burra na sua frente? Burra e mal educada? Comece com as mãos ou fosse incapaz de usar concordâncias verbais em uma frase, como as garotas da Sonserina do nosso ano?
A ideia era tão absurda que Fred sequer conseguiu imaginar a cena. Mas fez uma expressão de nojo diante da frase do irmão: a última coisa que chamaria sua atenção era alguém com o comportamento de Pancy Parkson.
-Horrível, não é? – o rapaz subitamente fechou a cara com a chegada de Neville a mesa. Antigamente George até simpatizava pelo rapaz, sabia que era um sujeito com muitos problemas, especialmente pela fatalidade que ocorrera com seus pais, mas agora tudo estava esquecido e via apenas um sujeito que era algo perigosamente próximo a Luna.
-Vocês por acaso não viram meu lembrol, viram? Tinha certeza que o havia posto na minha mala, mas hoje de manhã...
-Neville, você tem saído com Luna? – as palavras escorregaram pela boca de George antes que ele pudesse se impedir. Fingiu pressionar os lábios com o polegar enquanto tentava se recompor e parecer o mais natural possível, o que era um trabalho árduo quando Neville, Fred e todos ao redor dos três o fitavam com um ar surpreso.
-N-Não. Não! Somos amigos! Ela gosta de plantas, então as vezes empresto alguns livros de herbologia... – a voz dele pareceu diminuir, assim como ele, diante dos olhos estreitados de George – Acabo de me lembrar que talvez meu lembrol esteja na minha mala, provavelmente não procurei direito. Até mais tarde, hm, Fred. – e saiu em um passo apreçado enquanto lançava olhares nervosos em direção a George.
-O que raios foi isso?! – arfou Fred, sem acreditar no que acabara de acontecer.
-O que? Eu só fiz uma pergunta! – com um movimento rápido, George se pôs de pé e saiu do Salão Principal com muitos olhares ainda o seguindo e o próprio irmão no seu encalço.
-Sim, mas seu rosto parecia dizer "Você tem esfaqueado minha mãe?" – Fred o prensou contra uma coluna, o cenho franzido e a cabeça confusa – O que está havendo?
Por um segundo, e durou apenas isso, Fred achou que seu irmão iria chorar: a última vez que o vira com aquela expressão perdida e infeliz fora momentos antes de Harry doar dinheiro para abrirem a Loja, quando fizeram a conta com suas economias e descobriram que não tinham o valor nem próximo ao que precisavam.
-Eu não sei, eu... – esperou um grupo de primo anistas da sonserina passar para soltar um suspiro – eu não tenho dormido bem, meu cérebro parece estar tentando abrir um buraco pelo meu crânio com uma marreta, eu estou sempre com fome, mas sem apetite e do que você está RINDO?! – Fred precisou se desvencilhar das mãos do irmão que tentaram agarra-lhe o pescoço.
-Seu idiota, você está apaixonado. – e caiu na gargalhada bem ali enquanto os dedos de George tapavam sua boca em um ato desesperado.
-Não diga uma besteira dessas! – grunhiu, dessa vez o atirando na parede – Eu não poderia...! Quero dizer, por que eu estaria...?
-Ohohoho, isso vai ser ótimo!
-Calado, Fred.
E com um tapinha solidário no ombro do irmão, Fred Weasley sorriu:
-Bem vindo ao meu pesadelo, Georgie.
N.A.: Senhores e senhoritas, estou de volta u.u Estou de volta com novas motivações, com novos capítulos, com novas ideias! Estou de volta de ouvidos abertos e pedido de desculpas nesses meus lábios porque eu sei que levo uma ETERNIDADE para postar coisas aqui. e por isso sou muito, muito grata a vocês, que não desistem de mim jamais u.u Eu não mereço leitores tão bons!
E senhorita :
.167: Muito, muito obrigada pela review, infelizmente não consegui mandar uma resposta direta pra você, mas ver aquilo na minha cauxunha de e-mail certamente me animou para postar esse capitulo. Obrigada mesmo =)
E MUITO IMPORTANTE AGORA:
Eu tenho livros feitos por mim aqui, mas não quero mandar pra editoras, eu preferia publicar an internet primeiro pra ter um feedback =) Alguem poderia sugerir sites onde eu possa fazer isso, eu seria muito, muito, muito grata =D
Bom, é isso. Mais uma vez, desculpem pela demora, obrigada por acompanharem a história. Como sempre, estou aberta a criticas e sugestões.
Aquele abraço!
