-É estranho – disse Fred, examinando a sala com a testa enrugada – Uma vez nos escondemos do Filch aqui, lembra, George? Mas era só um armário de vassouras.

Do chão ao teto o lugar estava repleto de espelhos. Haviam prateleiras e prateleiras recheadas com livros sobre feitiços e em um canto mais reservado, uma estante com objetos detectores de magia e bruxos das trevas.

A Sala Precisa parecia ser o espaço ideal: quando todos se acomodaram no centro do ambiente com suas respectivas almofadas, Harry ficou nervosamente de pé diante de sua turma: tinha uma severa dificuldade com discursos. George sentiu uma cutucada em seu ombro e virou-se a tempo de ver Fred indicando com a cabeça o lugar onde Luna havia se acomodado.

O rapaz fez um sinal de irritação para o irmão, revirou os olhos e fingiu prestar atenção no que Harry dizia, porém vez ou outra não podia se impedir de visualizar a garota a algumas almofadas de distância. Acomodada entre Gina. E Neville.

Jurou pela sua vassoura que iria explodir a cabeça do garoto na primeira oportunidade! Que atrevimento. Ficar ali, próximo a sua irmã e da amiga de sua irmã. Um bom irmão mais velho impediria aquilo, iria em defesa das duas.

- O.k. – disse Harry, a boca um pouco mais seca do que o normal ao sentir todos os olhares nele. – Acho que todos deveriam se dividir em pares para praticar.

Fred sequer precisou virar-se para o lado ou trocar um olhar com o irmão: era natural que ficassem juntos. Escolhendo um ponto distante da sala, ficaram um de frente para o outro, cada qual rangendo os dentes enquanto as garotas com quem queriam estar duelando praticavam com outros rapazes. Para a felicidade de George, Neville havia sobrado e agora praticava com Harry.

-Você deveria falar com ela. – implicou Fred, um sorriso cruel em seus lábios.

-Falar com quem?

-Com a Di-Lua. – a varinha saltou de sua mão com um pouco mais de violência do que das vezes anteriores. Estava atingindo um nervo.

-Não fale assim de Luna. E por que eu falaria com ela?

-Ora, dizer o que sente. Não é isso que você vem dizendo para mim no último ano? "Vá falar com ela."?

-Eu não sinto nada por ela, exceto uma possível amizade. – tentou mostrar-se mais indiferente do que realmente sentia, porém o custo disso foi uma distração, o que o fez falhar com o feitiço.

-Tenho certeza que sim. Por que não admite logo?

-Pare de brincadeira uma vez na vida, Frederico. – o nome completo era um aviso formal de que os limites estavam sendo ultrapassados.

-Ela me pareceu muito feliz conversando com Neville.

-Eu estou avisando...!

-Mamãe ia adorar uma nora com rabanetes pendurados nas orelhas...

-Eu disse: CHEGA!

A raiva expandiu-se no peito de George e foi canalizada pela sua varinha. O sentimento explodiu na forma de um feitiço, arremessando Fred para traz, derrubando livros da estante próxima e rachando os espelhos diante do rapaz. Não era a primeira nem a última vez que uma varinha expressaria o coração de seu escolhido, George apenas ficou surpreso, assim como o restante dos presentes, com a dimensão de seus sentimentos.

-Me desculpem. – pediu, fingindo lançar um olhar assombrado para a própria varinha. O restante da turma riu, supondo que tudo aquilo não passava de uma brincadeira.

Essa era a vantagem de ser quem era: quando não queria dar explicações, quando realmente cometia um erro ou causava um acidente grave ou se machucava pra valer e não estava no clima para receber atenção e olhares piedosos, ria de tudo, colocava um tom dramático exagerado em seu rosto e completava a cena com uma piscadela: era a receita para todos e qualquer um acreditar que, ora, era apenas mais uma peça pregada pelos gêmeos.

Todos, exceto Fred.

Estendendo a mão para o irmão se levantar, pode ver em seus olhos o susto que aquilo havia causado em Fred. Pediram desculpas um ao outro sem jeito e voltaram a praticar, George sugerindo pegarem um pouco no pé de Zacarias Smith para descontrair o clima.

Ao fim da aula, juntaram-se a Lino e caminharam em meio a sussurros e risos até o Salão Comunal.

As reuniões da AD funcionavam como uma válvula de escape para os alunos: sem estarem certos por ser pelo clima amigável, se devido pelo ciclo de amizades já estabelecidos pelas pessoas ou pelo simples fato de poderem a voltar a praticar magia livremente, mesmo que por tão pouco tempo. A princípio Fred, George e Lino não sabiam exatamente o que esperar das aulas: o que calouros teriam para ensinar para eles que já não soubessem? Mas acabaram por descobrir que havia muito a se aprender com Harry e mais ainda com Hermione.

Fred não poderia estar mais extasiado. Cada segundo naquela sala era um presente tão grande que as vezes se via na obrigação de agradecer a Harry por tudo aquilo estar acontecendo. Queria pedir por ajuda em cada feitiço, mesmo os mais simples, simplesmente para te-la por perto, uma vez que Harry e Hermione revezavam na hora de avaliar o trabalho feito pelos outros.

Contudo não era idiota a ponto de se sabotar. Começou a usar George como termômetro para que não começasse a deixar muito claro para o restante da turma que suas intenções ali não eram apenas aprender feitiços. Se não conhecesse o irmão, porém, acharia que ele estava distraído com outra coisa assim como ele. Desde o incidente na primeira aula, ambos não haviam mais tocado no assunto "Luna" e Fred simplesmente aceitou que aquela era uma ideia absurda e George tinha algo mais em mente do que uma garota.

././././././././.

Já passava da meia noite, e a cama não poderia estar mais revirada. O sono, o sossego, a paz simplesmente não chegavam até George Weasley. Olhou para a cama ao lado, onde Fred dormia, e o invejou por estar emerso em sonhos, muito provavelmente recheados com a presença de Hermione. Sentou-se na cama e abraçou os joelhos: o que estava havendo? Havia tomado uma solução indicada por Madame Pomfrey para ajuda-lo a dormir, porém há três noites estava tentando o medicamento e a três noites ainda se via frustrado, começando a considerar uma poção do Morto Vivo. Por Merlin, quando fora a última vez que conseguira dormir direito? O dormitório então lhe pareceu subitamente abafado e barulhento então, o mais silenciosamente possível, George calçou seus sapatos e desceu a escada até o Salão Comunal.

Ficou surpreso ao ver que ainda havia alguém no sofá, porém sorriu ao se deparar com uma Hermione rodeada de livros, pergaminhos e um cesto cheios de galões.

-Uma moeda por seus pensamentos, Granger. – saudou ele, e riu quando a viu saltar diante o som de sua voz.

-Ah, boa noite, George. Você me assustou. – esfregando os olhos, a garota soltou um longo bocejo antes de prosseguir – Não consegue dormir?

-É, tenho andado de cabeça cheia. – viu a garota fazer menção de tirar algumas coisas de cima do sofá a fim de liberar espaço para ele e fez um gesto com a mão, indicando que se acomodaria no chão.

-E o que tanto agitaria os pensamentos de George Weasley para deixa-lo com insônia? – riu ela – Não podem ser notas...

-Você me conhece tão bem, Mione. – e mais uma vez ele se permitiu um sorriso: Fred havia escolhido bem. Aquela garota tinha o talento de uma mãe para deixa-lo mais tranquilo. – O que está fazendo? Se estiver fabricando moedas falsas, já deixo o aviso que Bill as vezes nos conta sobre homens flagrados pelos anões tentando empurrar ouro falso para eles e, bom, acho que seus delicados ouvidos não devem presenciar o terrível destino desses sujeitos.

-Não seja bobo, estou tentando arranjar um jeito para marcarmos a reunião. – e lançou um olhar receoso ao redor, como se alguém mais pudesse ouvi-los – acho que descobri uma maneira!

-Claro que descobriu, Mione, você é incrível, não há nada que não consiga. – riu ele, especialmente quando a viu corar.

A garota não quis admitir, mas o comentário de George lhe soou melhor do que o comum. Então viu aquele rosto maroto murchar lentamente e depois tornar-se pensativo. Colocando o livro em seu colo de lado, escorregou do sofá para o chão e se acomodou diante do rapaz, as costas apoiadas nas almofadas.

-Tem algo de errado, George? – o rapaz fez as juntas dos dedos estalarem em um ato nervoso.

-Não se preocupe, você já tem muita coisa na cabeça. – quase saltou ao sentir os dedos dela tocarem sua mão. O gesto o fez se lembrar de mechas loiras prateadas, o que resultou em uma careta de dor.

-Não diga uma coisa dessas, minha cabeça sempre tem um espaço especial reservado para ajudar as pessoas – tentou um sorriso animador, porém George continuou com aquela expressão aflita - Sabe, você claramente não está bem. Acredite em mim, falar sobre o problema pode ajudar e muito, mesmo que eu só possa dar meus ouvidos ou um ombro amigo.

Aquilo era inacreditável: ali estava Hermione, cuja relação com George era praticamente formada por ela ser amiga de Rony e Gina, oferecendo ajuda sobre algo muito pessoal, mesmo provavelmente estando extremamente cansada de todo aquele trabalho e estudos. Afastou a mão da dela e suspirou: precisava conversar sobre aquilo com alguém e Fred já havia se mostrado uma opção não muito boa, uma vez que seu irmão já tinha os próprios problemas amorosos.

-Eu acho, bom, não acho, para ser sincero, Fred diz que eu estou com uma queda terrível por essa garota... – sabia que estava com as bochechas coradas. Pelos céus, como aquilo era embaraçoso! Não era a toa que seu irmão ficasse envergonhado todo momento onde Hermione estava em cena.

-Oh, eu entendo: e você gosta dessa garota? – ela era só sorrisos: quem diria? George Weasley apaixonado.

-Hermione, eu não durmo, eu não como, eu não consigo ficar sossegado por cinco minutos sem sentir meu estomago dançar alegremente dentro de mim. Eu não consigo ler um livro, fazer um dever de casa - nem mesmo esses poucos que tento concluir -, levo horas para organizar um pensamento e ainda mais tempo para colocar no papel. Sequer consigo organizar os documentos da minha Loja, muito menos pensar em novos produtos – no fim de tudo, estava ainda mais corado e arquejando – Eu não sei se gosto dessa garota, mas certamente ela não gosta de mim! Olha pelo que estou passando!

Àquela altura, Hermione tinhas ambas as mãos pressionando a boca enquanto tentava conter uma risada. George lhe deu um peteleco irritado no joelho, reclinando-se para traz e aguardando que ela voltasse ao normal.

-Me desculpe, me desculpe. Você nunca... gostou de alguém antes?

-Sim, mas o processo era menos sádico! – disse ele, exasperado.

-Acho que a primeira vez que você se apaixona.

Ela tinha razão: George não se lembrava de sentir uma estupida alegria e uma horrível depressão crescendo e diminuindo em seu corpo a cada segundo, ambas revezando dentro de si. Tudo lhe parecia tão óbvio agora.

-Você não quer saber quem é? – só agora havia se dado conta que nenhum nome fora mencionado em qualquer ponto da conversa.

-Você quer me contar quem é?

-Bom, eu não sei, suponho que as garotas gostem desse tipo de detalhe.

-Gostam, mas se você não falou nada até agora, imagino que não se sinta muito confortável para me contar isso, não é? Me parece que você ainda precisa pensar mais a fundo no assunto, entender o que está acontecendo.

George deixou escapar um sorriso: agora ela estava lhe dando espaço e respeitando seus pensamentos? Quanta inocência. Precisou fazer uma brincadeira:

-E se eu disser o seu nome? Hermione Granger, aquela que não me deixa dormir. Talvez tenha sido por isso que desci até aqui: para me declarar. – o olhar que ele recebeu em retorno foi impagável. Os olhos da garota quase saltaram para fora até ela se dar conta de que aquilo se tratava de uma brincadeira.

-Você é terrível, George Weasley.

-Já fui chamado de coisas piores.

-Tenho certeza que sim. Agora, de volta a essa garota...

-Algum conselho para esse rapaz desesperado? – brincou, secretamente desejando que ela levasse a sério o pedido.

-Hm... É difícil dizer se eu não sei de que garota se trata. Não estou preocupada com nomes, mas como ela é? – quando viu mais uma vez George ficar embaraçado, procurou tornar o processo mais fácil – Deixe-me ver, a julgar pelo seu jeito, deve ter um incrível senso de humor – riu quando o viu sorrir – e provavelmente muita paciência. Vejamos... acho que deve se tratar de alguém mas delicada? Não sei, talvez uma garota com um espirito mais selvagem, mas isso me parece mais coisa de Fred.

-Fred? Você imagina meu irmão com alguém de "espirito selvagem". – aquilo seria interessante: Hermione projetando a imagem que ela mesma representava.

-Bom, acho que deve ser alguém parecida com ele: energética, engraçada, esperta. Para ser sincera, fiquei surpresa quando descobri que ele e Angelina não estavam mais saindo juntos: ela me pareceu ser a garota ideal para ele. – ela se interrompeu de súbito ao se dar conta de que Fred a havia chamado para sair há alguns dias.

George pôde perceber que ela finalmente havia se tocado para qual caminho estava caminhando. Temendo que Hermione chegasse a conclusão óbvia, tornou a desviar o assunto:

-Você acertou: minha garota é divertida, e devo dizer que nunca conheci alguém tão em paz com o mundo. Ela é inocente e gentil e gosta de coisas diferentes. Eu não acredito que vou dizer isso, e sei que vou parecer um idiota, mas – mordeu o lábio com a lembrança do chocolate dado por Luna – ela tem um bom coração. – riu das próprias palavras: estava ficando sensível agora? – Estou começando a falar igual a mamãe.

Foi em meio aos risos de Hermione que o som da porta do dormitório se abrindo os interrompeu. O tronco de Fred surgiu por sobre a mureta do segundo andar, os olhos semicerrados devido a claridade proporcionada pela lareira.

-George, está tudo bem? Vi você se levantando, mas demorou para subir...

-Não se preocupe, já vou voltar para cama.

-Ouvi vozes...

Do lugar onde estava, Fred não conseguia ver Hermione sentada no chão. A garota poiou os cotovelos no assento do sofá, empurrando o corpo para cima e acenando para o rapaz ainda parado ao lado do dormitório. Por estar contra a luz e os olhos do rapaz ainda não estarem acostumados a claridade vinda da lareira, tudo que ele viu foi um vulto. Desceu a escada no tempo de um bocejo parando próximo ao sofá e apertando os olhos para ver quem estava ali.

-Hermione? – quando os traços no rosto dela se tornaram claro e ele finalmente pode ver que a garota sorria, recuou de imediato – O que você está fazendo aqui? O que vocês dois...?

-Seu irmão achou ter escutado algo e desceu para ver o que estava acontecendo. Acabamos conversando um pouco. – mentiu ela supondo que George teria um bom motivo para não querer discutir sua insônia e sua confusão sentimental com Fred. Virou-se para o rapaz sentido e o viu lhe fazer um pequeno gesto de agradecimento.

Sem saber exatamente o que fazer ou o que dizer, o silencio constrangedor que se estabeleceu em seguida disse a Fred que ele havia interrompido algo. Abriu e fechou o punho, procurando algum assunto que pudesse chamar atenção de Hermione, porém viu-se sem ideias.

-Bom, acho que vou subir, nesse caso. Só vim ver se estava tudo bem. Boa noite para os dois...

-Espere, vou subir com você. – sabia que o irmão o mataria se ficasse mais um segundo ali embaixo com Hermione a sós. Conhecia bem o temperamento ciumento que Fred possuía.

-Acho que vou dormir também. Finalmente consegui resolver isso aqui – indo até o cesto, pegou duas moedas e entregou uma para cada um dos rapazes. – Parabéns, são os primeiros a receberem.

-Hermione, a conversa foi boa, mas não pretendo cobrar por minha companhia dessa vez. – disse George com uma piscadela. Sentiu a aura irada do irmão ao lado, embora ambos rissem.

-Não é dinheiro de verdade, é com isso que marcaremos a reunião, olhem – e pegando a própria moeda, ela tocou no objeto com a ponta da varinha, fazendo o número mudar.

Imediatamente as moedas de Fred e George alteraram de número de série, tornando-se mais quentes em suas mãos.

-Isso é brilhante. – disseram ao mesmo tempo.

-E vocês não acreditariam de onde tirei a ideia. Bom, vou dormir agora, tenho que distribuir todas essas amanhã. – deixou um suspiro cansado só com aquele pensamento. Pôs todo o seu material em uma pilha e a pilha em seus braços – Boa noite.

Não foi surpresa para George quando seu irmão o fitou com um ar desconfiado assim que Hermione sumiu dentro do dormitório feminino. Sabia o que estava por vir, e por estar preparado, teve a ousadia de aprontar uma com Fred.

-Então?

-Então?

-Sobre o que conversaram? – seu tom de voz mal escondia a irritação.

-Bom, era algo particular, caso você não tenha percebido. – as orelhas de Fred começaram a ficar vermelhas.

-Oh, eu percebi. Ficou bem claro quando desci por aquela escada e o assunto morreu no mesmo instante. Desculpe se eu interrompi algo.

-Não se preocupe, mas quase não deu tempo de sair de cima dela. – tentou chegar aos degraus quando a mão de Fred fechou-se com força em seu braço.

-O que você disse?

-Você não viu a marca no pescoço de Mione, então? Graças a Merlin, achei que ia ficar muito na cara quando eu...Você está me machucando. – ressaltou, quando sentiu o pulso protestar de dor.

-Eu não estou achando graça. – disse Fred em um tom ríspido, os olhos arregalados pela raiva que estava crescendo em sua barriga.

-Mas pelo visto está achando que é verdade. Fred, a última pessoa que iria puxar o seu tapete sou eu. – e com um movimento brusco, se livrou do aperto do irmão – francamente, você achar que eu faria uma coisa dessas e pelas suas costas é uma ofensa.

-Com certas coisas não se brinca. – disse ele em um tom de desculpa. George apenas deu um meio sorriso e um tapinha solidário em seu ombro enquanto o guiava de volta ao dormitório.

./././././././.

A manhã do jogo alvoreceu clara e fria. Até mesmo gêmeos estavam tendo certa dificuldade em manter o ar descontraído: vestiram seus uniformes de batedores e desceram trocando poucas provocações e tentando se manter surdos aos insultos lançados pelo pessoal da Sonserina, embora o restante da escola os saudasse com palavras encorajadoras.

Quando se acomodaram na mesa da Grifinória, uma salva de palmas e gritos os recebeu, morrendo aos poucos quando eles não incitaram seus colegas a continuar. Comeram em silencio mortal, cada qual tentando lutar contra si mesmo e focar as próprias mentes no jogo. Pela expressão no rosto de Rony, quando se aproximou com Harry, ele também não estava em seu melhor animo.

-Bom jogo para vocês dois hoje! – mãos femininas tocaram os ombros de ambos enquanto Hermione lançava um sorriso animador para os gêmeos.

Fred estava perplexo com a chegada dela: não estavam se falando direito desde que a convidara para sair. Ficou ali, sem saber o que dizer, um pedaço de salsicha perigosamente pendurado em seu garfo ainda a meio caminho da boca.

-Obrigada, Mione. – recuperando-se antes do irmão, George puxou a mão da garota, onde depositou um beijo – Rony que não perece bem. O jogo de estreia é mortal, eu e Fred quase montamos nas vassouras pelo lado errado na nossa vez.

-Tenho certeza que ele vai se sair bem. – disse Gina, que havia chegado junto com Hermione – E se bem me lembro da história que Percy contou sobre o primeiro jogo de vocês, os dois realmente subiram nas vassouras pelo lado errado.

-Detalhes, detalhes... – uma pontada de aborrecimento começou a crescer dentro de George ao ver que seu irmão não havia dito nada, apenas ficara rígido, os olhos parecendo distante. Pensou em chuta-lo sobre a mesa quando viu que a mão de Hermione ainda estava sobre o ombro de Fred, embora a garota parecesse completamente focada nas palavras de Gina:

-Fred fez a mesma coisa no último verão antes de vocês entrarem para Hogwarts: Quis ver se podia pilotar a vassoura ao contrário e foi parar direto no sótão. Quase matou nosso vampiro...

Com toda a discrição possível, George fez sua bota atingir em cheio a canela do irmão, que pareceu acordar de seu transe pessoal. Por não fazer ideia do que estavam falando, finalmente levou o garfo a boca e arqueou as sobrancelhas.

-Será que posso fazer uma pergunta, minha cara irmã?

-Vou dizer um "sim" bastante preocupado.

-Será que pode pedir para sua amiga o nome da loja onde ela arranjou aquele chapéu?

Naquele instante, Luna vinha desfilando por entre as mesas com um chapéu na forma da cabeça real de um leão equilibrada sobre sua cabeça. Para muitos, aquilo era um choque, para outros, motivo de risos, porém a mesa da Grifinória lançou olhares de aprovação e até de divertimento. Aproveitando a distração dos outros, Fred tocou a mão de Hermione, o que fez o olhar da garota cair sobre ele.

-Será que podemos conversar?

Ela assentiu, sendo guiada para perto da entrada do Salão Principal. Felizmente, passaram desapercebidos agora que quase todos os pares de olhos no lugar estavam fixos em Luna. Fred fitou a garota e se perguntou se estava tão corado quanto ela.

-Eu só queria agradecer pelo que você disse para George na noite em que ficaram conversando. Ele tem andado bastante abatido e parece ter melhorado de humor depois que vocês conversaram. Conseguiu até passar a noite inteira roncando. – riu, parecendo menos nervoso do que realmente estava.

-Ora, não foi nada. Mas vocês precisam conversar, acho que ninguém na escola quer reviver o período de briga de vocês dois. – mordendo o lábio, Hermione fez força para manter os olhos fixos nos de Fred: por que ele ficava tão bem com o uniforme de batedor? – E, por favor, massacrem a Sonserina hoje. Estou achando que eles vão aprontar uma daquelas.

-Não se preocupe, não estou em posição de marcar gols, mas prometo derrubar um jogador deles só pra você. – ambos riram, embora Fred não tivesse ideia de onde havia tirado coragem para dizer aquilo. Provavelmente essa era sua bravura que o levara para a Grifinória – Escute, eu na verdade gostaria de saber, bom, está tudo bem entre nós?

-Não deveria estar?

-Veja, eu – como queria fazer algo para se esclarecer melhor: tocar em uma mecha de seu cabelo que caia próxima ao seu rosto, segurar seu queixo, acariciar seu braço – sei que não tenho andado agindo normalmente. – o olhar que recebeu em reposta apenas confirmou sua teoria – e eu sei que não falei de data alguma desde que a convidei para sair – agora Hermione havia corado -, e sei que você deve estar morrendo de ansiedade para sair com Fred Weasley, o melhor aluno e batedor de Quadribol que essa escola já viu, mas com as reuniões, e seus N.O.M.s, seria melhor esperar pelas férias.

-Oh, eu entendo, eu só... – por que estavam tendo aquela conversar na presença de toda escola? Podia notar alguns alunos lançando olhares curiosos e quis aparatar para longe. – podemos continuar essa conversa em outro lugar? Sem ter uma centena de testemunhas conosco, talvez. E me pareceu que você ainda precisava terminar o seu café da manhã.

-Claro, claro. – naquele instante, Luna tocou seu chapéu com a varinha, o fazer rugir alto o suficiente para o som ser ouvido da Floresta Proibida. As cabeças se voltaram para a garota e Fred tomou aquilo como oportunidade, puxando Hermione pela mão e a apertando entre seus braços. – Escute – murmurou – eu ainda não esqueci da besteira que fiz e agora posso me desculpar de uma forma melhor. Eu realmente lamento por tê-la assustado naquela noite. – e depositou o beijo mais discreto que pôde no topo da cabeça da garota.

Hermione só teve tempo para retribuir com um abraço rápido, mas constatou o cheiro que vinha da roupa de Fred, sinal de que havia sido lavada recentemente. O rapaz a afastou com gentileza ao ver que o interesse pelo chapéu de Luna começara a diminuir. Lançando uma piscadela para a garota, voltou para seu lugar e terminou seu prato.

Quando os alunos começaram a se movimentar em direção ao campo, Hermione acompanhou Harry e Rony em absoluto silencio: ainda podia sentir o frio na barriga quando Fred a havia abraçado. Achou que o cheiro da roupa dele agora estava impregnado nela. Por que? Estivera realmente evitando ele nas últimas semanas pelo simples fato de estar assustada: tinha que admitir para si que sempre tivera um fraco por Rony, mas a relação de ambos não parecia se desenvolver em absoluto; e nunca realmente fora amiga dos gêmeos, para ser honesta, naquele ano em particular haviam se aproximado bastante, o que não queria dizer que ela havia deixado de lançar um olhar mais curioso para os dois.

O que levava a outra pergunta: Por que Fred? Uma coisa era ter sentado durante a noite juntamente com George e conversado sobre outra garota, até ali não havia nada de estranho, porém se lembrava de sentir uma certa ansiedade ao ouvir que Fred e Angelina haviam rompido. E ambos os gêmeos eram incorrigíveis, mas...

Lançou um olhar por sobre o ombro e viu os dois e Lino em uma conversa animada: Certo, estivera meio aflita quando viu que Fred não estabelecera nenhuma data para sair, e o convite em si a deixara sorrindo o resto do dia feito uma idiota. E também havia Harry e Gina, ambos a par da situação, mas parecendo saber mais do que demonstravam.

Sacudiu a cabeça e focou-se em Rony: no momento, ele precisava dela.

Mais atrás, Fred, George e Lino discutiam sobre os possíveis resultados do jogo quando o chapéu maciço em forma de cabeça de leão passou pelo trio. Antes que George pudesse impedir, seu irmão encheu os pulmões de ar e gritou:

-Luna! – fingiu retomar a conversa com Lino quando a garota se voltou para eles, deixando o olhar dela e de George se encontrarem.

-Ah, olá! – saudou ela em um tom menos vago do que o de costume.

-Oi, Luna. Hm, chapéu legal. – sem saber o que dizer, entrou em desespero ao vê-la reduzir a passada para ficar ao lado deles.

-Obrigada. Vou torcer pela Grifinória hoje. - disse, como se aquilo já não fosse óbvio. – Um bom jogo para vocês, George Weasley. E por que o seu irmão me chamou?

-Ele só está sendo um idi...Espere! Você também sabe diferenciar as nossas vozes?

-Sim. Ele também é batedor? Vocês podem marcar pontos? – ela pareceu ignorar a expressão surpresa no rosto de George.

-Ah, sim, mas só rebatemos balaços. O máximo que podemos fazer além de proteger os outros da nossa equipe e derrubar alguém do time adversário. – viu os olhos dela brilharem com interesse e não resistiu – Quer que eu derrube alguém para você? – acrescentou, com uma piscadela.

-Oh, você faria isso? – ela deu pequenos saltinhos de alegria, o que quase fez com seu chapéu caísse.

-Apenas diga o nome do jogador. – brincou ele, sem tempo para receber uma resposta, pois haviam alcançado o campo e precisava ir para o vestiário.

Colocando as peças de proteção, Fred lançou um longo olhar o irmão e riu.

-O que? – perguntou George.

-Nada, as vezes me assusto em como somos parecidos.


N.A.: EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE lulululululululululululululu...u.u MAIS UM CAPITULO! E em tempo recorde 3 Sim, porque sei que fui uma megera cruel feito a Umbridge e parei de publicar isso aqui ao ponto de se perderem as esperanças que a fanfic continuaria, mas...u.u Tento ser justa e compensar pelas minhas falhas. Sim, eu amo todos vocês.

1 - Quero agradecer a senhorita Nally por estar gostando tanto da história e, sim, eu também estou amando George e Luna de uma forma estranhamente feliz. Sempre gostei de Fred/Hermione e pensei quando comecei a escrever "Ai, ai, vai ser um saco quando não estiver focando nos dois", mas a gente da um jeito de deixar tudo divertido e interessante ;)

2 - Vamos falar sobre o próximo capítulo: Finalmente tomei vergonha na cara e comecei a escrever com o livro do HP aberto do meu lado como referencia temporal (minha mesa é um caos), e eu queria escrever 30 mil pequenos momentos antes Hermione/Fred e George/Luna, mas pelo andar da carruagem não vai dar tempo (até porque eu acredito que muitos de vocês já estão de saco cheio d enrola enrola e nada acontece, mas entendam que eu amo esses pequenos desenrolares e flertes.). Então eu dou a minha palavra que no próximo capitulo coisas acontecerão u.u Moderadamente.

3 - Maaaaaaaaaaaaaaaiiiis uma vez falando que eu estou com meu primeiro livro de uma série aqui, prontinho para ser publicado, e queria muito um site onde pudesse posta-lo. Se souberem de algum site, por favor, me passem um link u.u Nada me faria mais feliz. Além de ver voces felizes com o andar da fanfic, é claro.

4 - Como sempre, estou aberta a críticas, sugestões ou comentários sobre a história. Um abraço ai pro pessoal do Brasil, Argentina, Nova Zelandia e China (vocês aparecem no meu gráfico aqui de visitantes 3 Se eu esqueci de alguem de outro pais, peço desculpas, e um grande abraço tambem =D)