Acordei com os raios de sol batendo diretamente sobre meus olhos, minha cabeça doía e eu olhei ao redor, apenas para constatar o que eu já sabia e não saíra da minha cabeça durante a noite toda: Emma era linda. Possivelmente a mulher mais linda que eu já conhecera e ainda assim, nem uma mulher ela era ainda...
Suspirei pesadamente admirando cada pedacinho do seu corpo branquelo. As coxas torneadinhas, os quadris não tão largos mas muito bem acompanhados pela cinturinha fina e aqueles seios juvenis. Tão bonitinhos que eu teria vontade de chorar se não tivesse me dado tanto tesão.
Forcei minhas coxas na tentativa de diminuir aquele desejo e suspirei de forma manhosa, me deitando de lado para admirá-la sem pressa alguma. Meus dedos percorreram aquele rostinho bem feito, as bochechas altas, as sobrancelhas perfeitinhas e o narizinho arrebitado de forma sutil. Parecia que fora esculpida e eu não podia negar que meu pai, Robert, era bonitão. Apesar de ser manco e tudo o mais, era um cora jeitoso e bem, eu era filha dele, não?
-Emma, como você pode ser tão lindinha hein?
Sussurrei, de forma a não querer acordá-la, ela parecia tão calma e serena, mas mesmo tentando evitar, parece que minhas carícias em sua face foram suficiente para que ela despertasse. Despertasse sorrindo como se fosse um verdadeiro anjo.
-Gina! Eu... fiz alguma coisa de errado?
-Não. Você estava dormindo tão calminha...
Notei suas bochechas ficarem levemente avermelhadas e achei aquilo fofo, me aproximando para beijá-las, mas ela assustara-se com a minha proximidade e virou o rosto de forma que meus lábios tocassem o dela por uma fração de segundos, me assustando e fazendo olhá-la com culpa. Mas ela sorrira sem se importar.
Meu coração parecia querer pular do peito e eu olhei ao redor, querendo negar aqueles pensamentos em mim. Meu pai me mataria. Depois minha madrasta. O Neal e meu pai de novo.
-Gina? – Olhei para a garota que ainda sorria pra mim, assentindo para que ela prosseguisse. – Você me ama?
E agora eu não pude conter o sorriso, apesar de ser uma péssima irmã eu sabia que eu amava, muito diferentemente do que sentia pelo idiota do nosso irmão.
-Mas é claro que eu te amo, Emm, que pergunta boba.
Ela me abraçou pelo pescoço, fortemente e ficou agarrada ao meu corpo por um longo e delicioso período. Eu me sentia feliz com Emma em mim, era um sentimento que eu nunca havia experimentado antes.
-Eu também te amo, Gina. Você é a melhor irmã do mundo.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas e a abracei fortemente contra mim também, me sentindo péssima, me sentindo um verdadeiro lixo. Sem entender como ela podia se sentir assim com relação à mim sendo que eu tenho sido a pior irmã que alguém podia querer? Eu nunca estava lá por ela, sempre que estava de babá dava um jeito de fugir de casa para aprontar alguma e deixava a pequena sob os cuidados de Neal ou até mesmo sozinha, sem me importar com as coisas.
-Não, Emm. Eu sou uma péssima irmã... Você sim, você é a melhor irmã do mundo...
-Não sou nada, Gina. Você que é... Você é a minha maninha...
Notei um certo desconforto e apenas assenti, não tinha pra que contrariá-la.
-Meninas, Neal... O café está na mesa...
-Vem, Gina, vamos comer...
Sorri pra ela, que levantara-se rapidamente da cama, buscando o pijaminha que ela vestia antes de se deitar e colocando aquelas peças de roupa com certa pressa. Emma exalava uma felicidade invejável, Emma parecia a mais graciosa de todas as criaturas do universo.
Eu me sentia envolvida e apaixonada pela atmosfera ao seu redor, me sentia uma pessoa que poderia ser melhor do que o que eu vinha sendo e isso me animava de alguma forma, me inspirava a ser melhor. Ser melhor por ela, para merecer aquele título de melhor irmã do mundo.
-Gina, vem!
Senti sua mão buscar a minha e segui para a cozinha em seu encalce.
-Bom dia meninas.
-Bom dia, mamãe!
Ela me soltou para que abraçasse a mãe e a beijasse, fazendo com que eu notasse o quão carinhosa e até mesmo carente aquela garota era, fazendo com que eu quisesse dar o meu melhor para ela, que eu quisesse torna-la uma princesa da noite para o dia, deixando que todos os seus desejos fossem satisfeitos e seus amores correspondidos, começando pelo meu, que fora marginalizado por tantos anos.
-Bom dia, Cora.
