POV EMMA
Eu sei que a Gina chegaria mais tarde da escola hoje por que é sexta feira, mas não tinha problema pra mim. Mamãe quis sair com o papai para resolver alguns assuntos e eu não quis ir junto, eu queria ver a minha irmã, eu queria ficar com ela o dia todinho.
Gina nunca foi muito minha amiga, nem me deu tanta atenção por mais que eu tentasse fazer com que ela me notasse, mas agora é diferente. Eu sinto que ela gosta de mim de verdade e eu me sinto tão bem quando estamos juntas, quando ela me abraça e me aperta para que eu durma mais pertinho dela.
Eu tenho me sentido muito ansiosa pra chegar em casa da escola, e hoje não foi nem um pouco diferente. Eu tinha deixado uma cartinha sobre a mesinha que fica do lado da cama dela e me escondi no guarda roupa, podendo ver pela fresta da chave quase que o quarto todo.
Ela demorou um pouco para chegar, mas não tinha problema, não mesmo. Fiquei brincando no celular enquanto ela não chegava, mas desliguei assim que ouvi o barulho da porta abrir.
-Cora? Emma? Neal?
Ninguém respondeu, já que eu estava sozinha em casa. Levei as mãos aos meus lábios e vi a porta ser aberta, realmente ansiosa por aquilo, ansiosa por vê-la. Eu queria tanto fazer uma surpresa para ela que eu jamais esperaria por aquilo, eu jamais esperaria vê-la entrar no quarto aos beijos com aquela garota. Ruby se não me engano. Eu me lembrava dela por suas mechas de cabelo quase cerejas, eu me lembro de ter ficado encantada da primeira vez que ela foi em casa. Ela disse que ela era amiga dela e depois elas dormiram juntas.
Eu não entendo muito bem disso, mas eu tenho a leve impressão de que a Gina não deveria estar tirando a blusa dela e beijando o corpo daquela garota... Que também resolveu tirar a camiseta dela...
Meus olhos começaram a arder, embora eu quisesse sair correndo dali, eu sabia que eu estava errada e não devia, não podia abrir aquela porta e embora eu tenha tentado fechar os olhos para não enxergar aquilo, elas faziam barulhos com a boca e se chamavam pelo nome e até mesmo se xingavam.
Eu me senti realmente mal com aquilo, principalmente quando a Gina colocou a boca entre as pernas da moça, que arranhou muito forte suas costas, deixando-a bem marcada. As lágrimas escorriam de uma forma tão dolorida... Eu me sentia traída... Como se a Regina tivesse mentido pra mim. Ela tinha que ser minha irmã e não... Fazer aquelas coisas com aquelazinha.
Aquela cena foi tão horrível e dolorida que eu simplesmente adormeci ali dentro depois de tanto chorar. Minha cabeça parecia bem mais pesada que o normal e meu coração parecia ter sido arrancado do meu peito, como naquele seriado que as vezes eu via para acompanhar a mana. Eu não posso acreditar que ela tenha feito isso comigo.
POV REGINA
Claro que aquela loucura toda de estar desejando a minha irmã(e eu me recuso a repetir que estou apaixonada por ela, isso é impossível, imoral, irracional...) precisava ter fim, então eu combinei de estudar para a prova de Geometria com Ruby, que eu realmente não sei por qual motivo não é minha namorada ainda, já que estamos nesse chove não molha desde que ela entrou pra escola, há dois anos atrás.
Ruby é, definitivamente, o tipo de garota por quem eu me apaixonaria. Ela é extremamente meiga e feminina na maior parte do tempo, mas se mostrou ser uma cadela na cama... E isso era realmente fantástico.
Cheguei em casa e como o carro não estava na garagem, eu muito provavelmente teria a casa para mim e assim, poderia aproveitá-la a vontade.
-Cora? Emma? Neal?
Ninguém respondeu e aquilo pareceu interessante, olhei ao redor e o silêncio realmente dominava o local e eu e Ruby começamos a nos beijar enquanto íamos para o quarto. Empurrei a porta com o pé e já caímos na cama. Meus dedos eram ágeis e logo eu terminei de tirar sua camiseta, descendo os lábios para seus seios e arrancando seu sutiã. Ela não se fizera de rogada e já me ajudou a tirar a camiseta do colégio.
Encaixei minha coxa entre suas pernas e apertei firme sua cintura, forçando-a em mim.
-Você é tão vadia, Regina!
-E você é mesmo uma cachorra.
Tornamos a nos beijar enquanto terminávamos de nos despir e tão logo eu consegui me livrar de sua calcinha eu abri bem suas coxas e caí de boca em seu sexo, usando a língua para massagear seu nervo enrijecido. Ela estava tão molhada que meus dedos entraram fáceis e como resposta ela arranhara forte minhas costas, provavelmente me deixando marcada.
Eu não ligava, na verdade, Ruby sabia: eu amava. E ela fazia do jeito que eu gostava – arranhava, puxava meus cabelos, dava alguns tapinhas. Até acabar gozando pra mim, tremendo sob meus dedos e lábios. Fechando as coxas para que eu parasse um pouco, já que ela precisaria de ar.
O problema é que ela não prestava e quando eu parei para deixa-la respirar, ela me prendeu com as pernas e fora descendo os lábios pelo meu corpo também, indo até meu sexo, usando a língua de uma forma tão gostosa que eu nem demorei muito para explodir de tesão para ela e por ela.
Sorri e acariciei seus cabelos, virando para olhá-la um pouco e não vou negar o susto que tomei ao ver aqueles cabelos louros entre meus dedos. Respirei fundo ao fechar os olhos e olhei novamente. Ela me olhou sorrindo e beijou meu corpo todo, até alcançar meus lábios e me beijar de forma mais calma, deitando-se sobre mim.
-Você é deliciosa, querida.
-Eu tive uma boa professora, Rê.
Ela piscou para mim e ficamos deitadas, trocando carícias até cochilarmos ali.
-Por Deus, Regina! –Disse Cora, com a porta aberta. Olhando para mim com certo nojo, mesmo sabendo que ela não poderia fazer muita coisa, já que ela não era nada minha. –Você está dividindo o quarto com a sua irmã... E se ela volta pra casa e te vê desse jeito? O que você ia dizer a ela?
-Eu...
Claro que aquelas palavras pegaram fundo em mim e eu assenti, começando a me vestir com pressa e dando as roupas de Ruby para que ela as vestisse também.
-Você a viu?
-Emma? Eu... Ela não saiu com você?
-Não... Ela disse que ia ficar com você hoje... Eu não entendo esse estado abobado que essa menina anda... Até parece que você se importa com ela.
-Cala a boca. Claro que eu me importo... EU... Onde ela está?
-Rê... Olha...
Ruby então apontou para aquele cartão que estava escrito "Para a melhor irmã do mundo" e meu coração de repente parou de bater por alguns segundos. Eu abri o envelope e tirei uma folha dobrada em quatro, desdobrando-a com cuidado para ver um desenho de palito com uma loura de cabelos compridos andando de mãos dadas com uma morena de cabelos curtos, nós duas. Havia um coração com nossos nomes em cima das cabeças das meninas e atrás do desenho algumas palavras, que apenas fizeram meu coração doer ainda mais.
"Gina,
Obrigada por ser minha irmã, a minha melhor irmã de todo o mundo. Eu queria ser bem grande, que nem você e daí eu poderia ficar sempre do seu lado. Já estou com saudades.
Te amo muito, muito mesmo, mais que o universo.
Emma."
-Cadê a sua irmã, Regina? –Os olhos de Cora estavam soltando fogo, de tanto ódio que carregavam. Eu estava em choque e apenas balbuciei algumas palavras desconexas até para mim. –Tentem ligar para ela, eu vou sair com o carro e procura-la. Me avisem qualquer coisa, pelo amor de Deus. Se essa menina sumir e for culpa sua... Eu...
-Se isso acontecer, Cora... Pode deixar que eu mesma termino com a minha vida.
Ruby apertou meu braço, como que me dando uma bronca, mas eu não estava nem aí, a verdade é que se Emma sumisse, se ela tivesse ido embora e, se por algum acaso, fosse minha culpa, eu jamais me perdoaria. Eu jamais me perdoaria se tivesse machucado a minha irmã, a minha pequena e doce Emma.
Corri até o telefone, minhas mãos tremiam tanto que fora difícil encontrar os números corretos para discar.
-Discagem incorreta, favor acres...
-MERDA!
Bati com raiva na porta e vi Ruby tirar o telefone e o celular de minha mão, discando o número e esperando que tocasse.
Meu coração acelerou e meus olhos se arregalaram ao ouvir as batidinhas do toque de Emma. Meus ouvidos buscaram o som e eu olhei pro armário. O misto de desespero, de raiva de mim mesma e de alívio foi a pior mistura de sentimentos que eu já sentira. Se ela estava ali, deve ter visto o que eu fiz com Ruby, se ela visse o que eu fiz com Ruby...
-Emma... Emma..
Abri a porta do guarda-roupas e ela olhava para o celular assustada, sem entender o que tinha acontecido. Seus olhos vermelhos definitivamente me mostravam que ela tinha chorado antes de dormir e sua cara de nojo foi como uma facada em meu peito. Cora tinha razão, eu era uma péssima irmã.
-Awn Emma... Eu... Me perdoa... me perdoa, maninha... por favor...
-Eu te odeio. Eu te odeio mais do que... Qualquer coisa... Eu nunca mais quero olhar pra sua cara, Regina. Por conta dessa.. Dessa... Sua... Como foi que você disse? Cachorra... Eu tive que ficar presa nessa porcaria de armário... Com fome... Com frio... Vendo tudo... Eu te odeio.
Então ela se levantou dali, andando com passos pesados, como se ela quisesse afundar o chão ou algo do tipo. Ouvi uma porta se bater e Ruby me abraçou, sem entender o que estava acontecendo, sem entender aquele ciúmes todo. Eu entendia, eu entendia por que eu me sentia assim, é o que você sente quando ama uma pessoa, você a quer pra si e não aceita vê-la com outra pessoa, ao menos não na cama. Era como quando eu vi meu pai com Cora pela primeira vez. Eu me senti assim, por que eu odiava Cora. Eu senti nojo... Eu só... Não acredito que fiz Emma passar pela mesma coisa. Eu não acredito que eu estraguei tudo, não com ela, não com a minha pequena.
