POV EMMA
O toque do celular fez com que eu acordasse assustada, como se tivesse algo de errado. Aquilo parecia um sonho, um sonho ruim. Um sonho onde a minha irmã estava com outra mulher na cama em que ela costumava dividir comigo. Na nossa cama.
–Emma... Emma...
A porta então se abriu e eu virei o olhar para Regina. Eu estava brava e com aquela cara de choro, mas não podia mostrar que aquilo havia mexido comigo. Eu não queria mostrar fraqueza, ainda mais quando vi aquela vadia ao seu lado. E sim, vadia. Ruby era uma vadia. Me levantei dali e comecei a sair do quarto, não queria ficar no mesmo ambiente que elas duas.
–Awn Emma... Eu... Me perdoa... Me perdoa, maninha... Por favor...
Regina tocou meu ombro, me querendo fazer ficar e eu engoli a raiva, eu engoli tudo de ruim que tinha dentro de mim para apenas olhar nos olhos dela e sorrir, cuspindo tudo o que eu sentia naquele momento, mesmo que nem tudo fosse verdade.
–Eu te odeio. Eu te odeio mais do que... Qualquer coisa... Eu nunca mais quero olhar pra sua cara, Regina. Por conta dessa.. Dessa... Sua... Como foi que você disse? Cachorra... Eu tive que ficar presa nessa porcaria de armário... Com fome... Com frio... Vendo tudo... Eu te odeio.
Dito aquilo, saí do quarto, batendo o pé como uma criança mimada que não ganhou a bicicleta rosa que havia pedido no natal. Passei na cozinha, pegando um pacote de bolacha e andei até o quintal. Havia uma grande e forte macieira lá fora, onde eu costumava me esconder do mundo, já que nem mesmo Neal tinha coragem de subir ali em cima.
Coloquei meus fones e coloquei o celular no bolso da calça, segurando o pacote de bolacha entre os dentes para subir na árvore até o mais alto possível, até onde ela ainda me aguentasse.
Eu juro que tentei não chorar, não derramar nenhuma lágrima, mas eu nunca havia sentido uma tristeza tão forte, nem mesmo quando Lola, uma cachorrinha que eu tinha, morreu atropelada ao tentar ir atrás de mim no parquinho.
Cerca de três músicas depois eu vi a tal da vadia saindo pela porta de casa, gesticulava e abria o bocão como se estivesse discutindo com alguém, tomara que seja com a Gina. Bem feito... Pras duas.
Regina ficou ali na porta, olhando Ruby ir embora e cruzar a esquina, então passou a olhar pra mim, que olhava pra ela. Fingi não notar aquilo, mas era impossível. Eu me sentia tão fraca, tão boba perto dela que era simplesmente impossível não nota-la. Seus lábios se movimentaram e eu não ouvi, é pra isso que bons fones de ouvido servem, não? Pra te isolar do mundo.
Movimentei minha cabeça, para que ela entendesse que eu estava ouvindo música e que eu só queria saber daquilo e desviei o olhar, olhando para os meus pés por algum tempo. Tempo esse que eu devo ter brisado, já que eu me assustei com aquela mão firme em minha coxa e quase caí de susto, mas ela estava ali, me olhando, me segurando.
Meu coração batia forte, realmente forte. Minha boca pareceu ficar seca e ela tocou meu rosto com carinho, eu me arrepiei toda com aquele toque. Ela tinha uma pele tão macia que eu podia morrer com o carinho que ela me fazia quando eu fingia que dormia. Nunca entendi por que o carinho dela ficava mais gostoso quando eu estava de olhos fechados.
Sua mão percorreu meu rosto e tirou meus fones com cuidado, claro que por que eu havia deixado que ela tirasse.
-Emm... Eu sei que nada do que eu disser vai fazer com que você me perdoe, eu errei, eu não devia tê-la trazido pra cá... Mas eu... –Ela suspirou e sorriu, seus olhos cheios de água me partiram o coração de uma forma gostosa, quase que vitoriosa. –Eu te amo, Emm. Eu não sou a melhor irmã do mundo, estou longe de ser uma irmã tão boa quanto você merece, mas eu te amo. Eu faria qualquer coisa por você.
-Hum... Você veio até aqui...
-Sim! Viu? Eu subi aqui... Eu mandei a Ruby embora... A mamãe vai me matar quando souber do que aconteceu...
-Eu... Ela... Bem... –Suspirei, mordiscando o inferior, toda errada. –Eu não vou contar, se você não contar... Só... Me promete que nunca mais vai trazer aquela...
Retorci a cara, fazendo uma careta que fez com que Regina sorrisse entre algumas lágrimas e assentiu.
-Não vou, Emm, prometo.
-Mas isso não significa que eu te perdoo. Você me traiu. Eu ainda estou brava.
-Sim! Você tem toda a razão. Amigas?
Vi seu dedinho esticado no maior estilo "pink promise" e eu neguei, roubando um selinho demorado de seus lábios, me esquecendo por alguns segundos onde ela havia colocado a boca. Era estranho, mas eu realmente gostava de sentir os lábios dela sobre os meus, não é como se eu fosse lésbica nem nada, mas ela era minha irmã e isso devia ser completamente normal. Me separei ao lembrar daquilo e fiz uma careta, esfregando os lábios.
-Arghhh! Eca... Eca...
-O que foi agora?
-Você... Eww!
-Eu o que, Emma?
Ela me olhava sorrindo, como se aquilo fosse engraçado ou fofo, mas a verdade é que eu não achei o gosto tão ruim, esperava que fosse só o gosto de seus lábios ou eu vou ser obrigada a vomitar pelo resto de meus dias.
-Você colocou a boca... Na... Er... Nela...
-Ahh! Emma, vamos lá...
-Shiu! ECA!
-Okay! Vamos escovar os dentes então?
Assenti, olhando-a com um pequeno sorriso nos lábios e saí correndo dali, descendo da árvore com facilidade. Sim, eu era melhor naquilo que muito menino, eu era muito mais menino que a maioria dos meninos que eu conhecia, mas quem se importa, não é?
-A ultima a chegar é mulher do padre...
Ri e saí correndo, eu já estava no chão, então obviamente, chegaria primeiro.
-Ah! Sério? Eu vou te pegar, Emma! Você me paga!
