P.O.V Regina
Eu podia ouvir os gemidos, rolava na cama meio revoltada até por fim resolver levantar e ir ver. O idiota do Neal dormia como se nada tivesse acontecendo e aquilo me deixava ainda mais puta da vida.
Fui até a porta do quarto e abri com cuidado, olhando pela fresta e esperando não ver nada daquilo, mas óbvio que eu não estava errada, óbvio que aquela vadia queria roubar a Emma de mim.
E agora ela tinha conseguido. Eu podia notar pelo meu estado de choque ao vê-la beijando o corpo da minha irmãzinha, os lábios descendo por seus seios que estavam arrepiados e a expressão de prazer que ela fazia com aquilo. Travei a mandíbula ao ver onde ela estava e que Emma já estava sem calcinha, fácil. A boca da garota caindo ali sem dó, fazendo-a estremecer e eu queria gritar, eu queria mata-la, queria voar em cima dela mas eu não conseguia me mexer, estava petrificada.
Podia sentir minhas lágrimas escorrerem e meu coração bater apertado, rápido, urgente, desesperado.
-Gina?
Abri os olhos assustada, agarrada ao travesseiro, os fones de ouvido enrolados no meu pescoço de uma forma quase suicida. Engoli em seco e olhei ao redor, meio confusa, olhando para Emma em pé ao lado da cama onde eu dormia, a qual costumava ser dela.
Um alívio tomou conta de mim ao vê-la completamente vestida com pijama composto por calça e uma blusa de mangas compridas. Aquele grilo de pelúcia que costumava ser meu apertado em seus braços, os olhos meio chorosos e levemente assustados.
-Emma, meu amor... o que houve?
-Eu... estou com medo, Gina... E... Com saudade... Não consegui dormir...
-Oh, vem aqui...
Me encolhi na cama e dei espaço para ela entrar sob os lençóis, meu coração ainda batia agitado, mas eu me sentia em paz por vê-la ali. Ela precisou de mim, ela me procurou e... Ela me escolheu. Como se eu pudesse cuidar dela, como se só eu pudesse dar a ela o que ela precisava.
-Eu te amo tanto, Gina... Eu nunca mais quero dormir com ninguém que não seja você... Eu... Devia ter falado pra mamãe que eu não queria, não devia ter deixado ela brigar com você, me desculpa...
Sua voz estava baixa e meio manhosa, eu tinha quase certeza de que ela estava chorando, por isso sequei suas lágrimas com carinho e tentei olhar em seus olhos, o que não fora tão difícil, já que eles eram o único brilho que eu podia ver devido à escuridão. Eram como duas estrelas, lindos guias do caminho que eu precisava percorrer até alcança-la.
Meus dedos desceram por sua face e tocaram levemente em seu queixo, meus lábios roçaram sem pressa em seus lábios e por mais que eu sentisse aquela explosão de sentimentos, eu precisava agir com calma, eu não podia assustá-la, espantá-la.
Então eu fechei os olhos e beijei levemente seus lábios, em um selinho calmo e lento, que ao ser correspondido fez com que eu me permitisse emendar outros pequenos beijos, beijos mais gostosos e molhados, mais íntimos.
Suas mãos percorreram meus braços até meu rosto, ela queria me achar, ela queria ter certeza de que eu estava ali e não havia sensação no mundo mais deliciosa, ela me queria também.
Deixei que minhas mãos segurassem firme em sua cintura, puxando-a para mim, firmando-a contra o meu corpo de uma forma única, chegava a ser engraçado como ela se encaixava em mim como se tivéssemos nascidos para aquilo.
O beijo tornou-se um pouco mais intenso, o leve movimento de quadris que ela fazia contra o meu corpo fez com que minhas barreiras caíssem e com isso eu pude beijá-la verdadeiramente, invadindo sua boca com a minha língua em busca da dela, mostrando como fazer, como eu queria e por sorte, ela aprendera rápido, não parecia uma criança babona como eu era no meu primeiro beijo.
Talvez não fosse o primeiro beijo dela e aquilo me deixou inquieta, apesar de tudo. Mas eu não podia fazer nada, eu não podia impedí-la de ter um passado, principalmente pelas coisas que eu fiz, como a ultima vez com Ruby.
Minhas mãos eram firmes e possessivas e invadiam lentamente a camiseta de seu pijama, eu precisava sentir a pele dela, o calor, a textura, eu precisava de tudo e ao mesmo tempo, algo me segurava, medo talvez.
Um medo que ficou bem evidente quando ouvi aquele ronco alto do porco da cama ao lado, e interrompi o beijo assustada, suspirei ainda de olhos fechados e dei um selinho leve naqueles lábios doces da minha pequena irmã.
-Eu te amo tanto, Emm...
A voz saiu baixinha, rouca, carregada de tesão e amor de uma forma surpreendente. Eu nunca havia me sentindo assim, apaixonada e em chamas, eu nunca me senti tão entregue à alguém, devota de corpo e alma.
-Eu te amo também, Gina... Mais do que tem estrelas no universo.
-E eu te amo mais que o infinito.
-Eu amo mais...
-Tá. Calem a boca agora que eu quero dormir.
Aquela voz irritante fez com que Emma sorrisse e me abraçasse apertado, deitando em meu peito e se encaixando confortavelmente entre eles, como se fossem um travesseiro ou algo do tipo.
Eu teria reclamado se fosse qualquer outra pessoa, mas parecia tão certo, parecia tão dela que fazia com que eu me sentisse completa. Meu coração batia feliz, tão feliz que doía.
Apertei um pouco aquele corpo em mim e senti um leve beijo entre meus seios, e claro, que eu fiquei arrepiada, mas eu não estava ligando para isso também, Neal estava ali e eu não podia jogar tudo por agua abaixo, não agora que eu consegui um beijo, um delicioso beijo do meu amorzinho.
Não agora que eu me senti tão amada por ela, que eu poderia morrer. Como aquele momento em que você se sente realmente parte de algo que valha a pena, de algo concreto, pelo qual você estava destinado desde o momento de sua concepção.
Era moralmente errado e talvez eu fosse pro inferno por sentir aquilo, por tocá-la e deseja-la daquela forma, por amá-la com todo o meu ser e fazer de tudo por ela, para que ela fosse feliz ao meu lado.
Mas não importava, simplesmente, nada mais importava.
Eu a amo, eu a desejo e ela é tudo para mim.
Eu morreria por ela.
Eu mataria por ela.
