P.O.V EMMA

Aquele dia com a Gina foi maravilhoso, ela era tão legal e realmente resolveu todo o nosso trabalho praticamente sozinha, vamos super bem, eu tenho certeza.

Ela estava tão carinhosa e realmente, depois daquele "incidente" tudo parecia melhor, tudo parecia mais legal e ela parecia estar realmente querendo se redimir comigo, mas daí a mamãe falou que eu não poderia dormir com ela e sei lá, eu não queria dormir com mais ninguém, mas ela não precisava ter falado aquelas coisas, sei lá, eu poderia ter falado com ela e ela iria me ouvir, mas agora já era tarde.

Regina parecia estar quase chorando e aquilo me partiu o coração, eu quis chorar também e abraça-la, mas Charlie me puxou pelo braço pra entrar no nosso quarto e se sentou na cama, começando a falar várias coisas que eu nem me dei ao trabalho de ouvir...

-Quem toma banho primeiro?

-Não podemos tomar juntas?

-Blérgh! Já somos grandinhas pra isso, não, Charlie? Pode ir primeiro, sei lá...

-Aff, qual o problema?

-Eu não... gosto de ficar pelada na frente dos outros, sei lá...

-Eu não sou os outros, Emma...

-As outras, tanto faz... Não gosto.

-Ah, tá, tá... vou tomar banho então...

Peguei uma toalha limpa e dei para ela, sorrindo de forma fofa, ainda que incomodada com esse desejo dela se banhar comigo, eu só me banho com a Gina e olhe lá, só porque ela é minha irmã e o banho é mais gostoso com ela... Se não...

-Toma a toalha, o banheiro você já sabe.

-Sim...

Fiz um sinal com a mão para que ela fosse e me deitei ali, olhando para o teto e suspirando baixinho, já tinha visto que a minha noite seria um caos, eu estava irritada e brava e chateada e ansiosa, por que eu queria logo a noite de amanhã para dormir com a Gina e ficar com ela numa boa, não queria ela triste, nem chateada.

Eu acho que devo ter me perdido nos meus pensamentos sobre a minha irmã e aquele sorriso que ela tinha e algumas coisas que ela me fazia sentir eventualmente, eu simplesmente amava estar com ela, ninguém me fazia mais bem do que ela, ninguém me fazia mais feliz.

-Emma? Emmaa!

-Eu, hum... Por que você...?

-Eu não tenho roupas...

-Certo... A toalha, Charlotte... Meu irmão pode aparecer...

-Eu tranquei a porta.

-Mas... Pra que? E se a Gina quiser entrar?

-Ela não vai, ué...

-É o quarto dela, pelo amor de deus!

Abria porta e coloquei a toalha sobre seu corpo, não que eu tivesse algo com nudez, eu não tinha, mas o corpo dela estava me incomodando e eu precisava que ele parasse de me incomodar.

Peguei uma calcinha uma camiseta e um shortinho e deixei sobre a cama, pegando um pijama comprido pra mim e logo saí correndo para tomar o meu banho

-Emm...?

Simplesmente ignorei, não estava afim de ouvir, ela queria alguma coisa que eu não estava disposta a dar, ela estava me irritando a tarde toda querendo se aparecer e dando respostinhas grosseiras pra Gina e eu não tinha gostado, ela não merecia respeito, não merecia nada. Eu estava brava com ela, se quer saber, por que ela era a culpada de não ter quem me abraçasse à noite, quem cuidasse de mim.

Meu banho também não foi tão divertido ou gostoso, eu talvez nem saiba me lavar direito mais, pelo menos os cabelos eu deixo pra Gina lavar amanhã e daí, bem, ela lava direitinho e eu me aproveito da situação para ela fazer carinho em mim, já que ela faz tão gostoso.

Não me demorei ali, era sem graça tomar banho sozinha, sei lá... Então me vesti e chamei Charlie para jantarmos, ela ficava colocando a mão na minha perna e no meu ombro toda hora e aquilo tava ficando chato. Eu me desencostava eventualmente, mas não sei se ela notou.

Então fomos deitar, eu me deitei do lado em que a Gina deitava e aproveitei o cheirinho dela no travesseiro, sorri meio boba, me sentindo mais confortável com um pedaço dela pra mim.

-Posso apagar a luz, Emm?

-Sim, apague, por favor...

-OK.

E ela apagou mesmo, e demorou um pouco para deitar e eu não me importei muito. Então ela se aproximou de mim, ficou bem perto mesmo e eu fiquei quieta, me fingindo de morta, até sentir a mão dela envolver o meu corpo, aquilo foi ruim, estranho.

-Eu não sou um ursinho, Charlotte, por favor...

-Eu sei... Por isso estou te abraçando Emma...

-Não faça isso, sério.

Me virei de encontro a ela, como se eu pudesse olhá-la e quando coloquei a mão em seu corpo percebi que ela estava nua, tudo o que eu tinha a intenção de dizer simplesmente morreu em minha boca.

Minha boca a qual ela simplesmente resolveu beijar. Não sei por que diabos de motivo, eu só sei que consegui empurrá-la a tempo de evitar que ela colocasse e a língua, o que seria definitivamente nojento.

-Que porra é essa?

-Eu... Emma... Nós...

-Não... Você está louca? Na cama da minha irmã?

-E daí? Vai me dizer que ela não faz essas coisas também?

-Eu espero que não! Mas e se fizer, foda-se, é a cama dela, o quarto dela...

-Ah, Emma... Só um beijinho...

-Cara, você tá pelada... Eu... –Bufei, irritada e me levantei dali. –Eu não posso ficar aqui, sei lá... Dorme bem, Charlie.

Gina então segurou no meu braço e eu me soltei, batendo o pé. Fui até a cozinha, precisava me acalmar, não queria que a Gina ficasse brava com ela e se ferrasse de novo com a mamãe, então assim que me senti melhor fui até o quarto do Neal.

Ela fazia umas caretas meio doloridas, como se estivesse sofrendo e começou a chorar, daí eu fiquei meio assustada, então resolvi acordá-la.

-Gina?

Regina me olhou assustada, eu também estava assustada, claro.

–Emma, meu amor... o que houve?

–Eu... estou com medo, Gina... E... Com saudade... Não consegui dormir...

–Oh, vem aqui...

Sorri pra ela e me deitei em seus braços, a cama era pequena então tivemos de ficar bem coladas e eu achava aquilo bem legal, não tinha colo mais gostoso que o dela.

–Eu te amo tanto, Gina... Eu nunca mais quero dormir com ninguém que não seja você... Eu... Devia ter falado pra mamãe que eu não queria, não devia ter deixado ela brigar com você, me desculpa...

Não me segurei, acabei chorando, desabando em silencio. Uma mistura de nervosismo com tristeza mesmo, o dia tinha sido legal mas a noite fora péssima, a noite fora horrível e eu não me sentia feliz, me sentia em paz agora nos braços da minha irmã, mas ainda mão me sentia exatamente feliz.

Gina fez um carinho tão gostoso enquanto nos olhávamos nos olhos, era estranho como eu podia enxergá-la no escuro, como se nunca pudesse perdê-la de vista e a sensação era bastante reconfortante, eu não vou negar.

Respirei fundo e pude sentí-la mais próxima, pude sentir nossos corpos encaixados e os lábios dela nos meus.

Meu coração disparou, a verdade é que eu nunca beijei ninguém antes, embora Charlotte tivesse tentado há poucos minutos atrás e eu estivesse confiante de que não queria beijar ninguém, eu senti uma necessidade absurda de beijá-la, meu estomago parecia me puxar pra frente, meu corpo parecia formigar e eu não pude negar, apenas segui o que ela fazia.

Senti pequenos beijos, selinhos e fui correspondendo à todos na medida do possível, os lábios dela eram tão macios e tinham um gostinho tão bom que eu não podia negar.

Levei minhas mãos ao seu rosto, eu precisava dela ali, tinha medo de que ela fosse embora, era bobo, eu sei, eu sabia que ela não iria, mas eu precisava de mais daquilo, era como se eu tivesse esperado muito tempo por seus beijos, por seu carinho.

Ela pegou em minha cintura e eu sabia, de alguma forma, que eu era dela. Eu me sentia dela. Por mais estranho que isso soasse, ela me pegava como se eu não tivesse escolha e lá no fundo, eu sabia que não tinha.

Eu queria ser dela.

E de tanto querer, eu simplesmente forcei mais meu corpo, me encaixando melhor nela, me encaixando melhor nela varias vezes, já que meu corpo adorava o movimento, adorava aquela pressão, eu parecia querer derreter de tão gostoso que era e não podia parar de me movimentar contra sua coxa.

Eu me sentia molhada, como no chuveiro. E eu queria que ela tocasse ali de novo, ah, como eu queria que ela fizesse comigo como fez com Ruby naquele dia... Eu... Não... Eu queria mais, eu era muito mais que aquela putinha, não?

Sentir suas mãos subindo por baixo da minha camiseta foi simplesmente mágico, senti meu corpo se arrepiar todinho, até mesmo onde não tinha pelos, tipo... Sei lá, na sola do pé.

Minha respiração foi ficando mais forte e meu coração parecia pular do peito enquanto suas mãos chegavam mais perto deles. Até ouvir o porco do meu irmão roncando e ela soltar de mim como se estivesse fazendo algo de errado.

Digo, não era lá muito certo, eu sei... Mas... Era tão gostoso que não podia ser tão errado, não é?

Aquele selinho leve e gostosinho com gosto de quero mais me fez ver que aquilo não podia ser tão errado assim.

-Eu te amo tanto, Emm...

A voz dela estava tão gostosa que eu senti meu coração bater em lugares estranhos, em lugares estranhamente gostosos. Eu nunca havia me sentindo assim, boba e quente, pegando fogo. Eu nunca me senti pertencendo à ninguém, o que meus pais sempre demonstraram odiar, já que eu sempre desobedecia as regras, mas eu me sentia dela e sentia que ela era minha também... E não como minha irmã, apenas... Sei lá... É estranho, me julguem... Eu sentia que ela era minha, como... Minha namorada.

–Eu te amo também, Gina... Mais do que tem estrelas no universo.

–E eu te amo mais que o infinito.

–Eu amo mais...

–Tá. Calem a boca agora que eu quero dormir.

Sorri e apertei ela em meus braços, eu queria tanto sentir mais e mais que ao deitar a cabeça entre seus seios, eu não resisti e beijei ali, senti que ela me apertou de volta e se arrepiou com meu beijo, mas acho que o babaca realmente estragou tudo e bem... Eu vou ter que me aproveitar dela mais vezes até conseguir o que eu quero... Não que eu ache que ela não queira também... Mas depois de tudo o que já vivemos, se ela demorou tanto para me dar um beijo... Eu não posso sofrer ao pensar o quanto ela não vai demorar pra me mostrar que eu sou muito mais importante que aquela vadia de cabelo vermelho.

Ah... Mas ela vai.