POV REGINA
Assim que terminamos de almoçar fomos para a sala de cinema com os ingressos já em mãos. Andávamos de mãos dadas, de forma que, de fato, as pessoas olhavam como se fossemos namoradas, não irmãs.
Nos sentamos em nossas poltronas marcadas ao fundo e me larguei ali, me sentia esgotada.
Fechei os olhos e me arrepiei com o gelado do ar condicionado e não consegui conter o gemido baixo de prazer ao sentir a mão da minha pequena irmã se enroscar em meus cabelos, iniciando um cafuné tão delicioso que me levou para um estado de coma, praticamente, que nem notei quando o filme estava para começar e gritei ao acordar com o susto do estouro de som para exibição da sala XD que era nova no shopping.
Ouvi aquela risada e revirei os olhos, olhando para uma Emma que, não só estava se divertindo, mas se contorcia em gargalhadas pelo acontecido e eu não consegui não me contagiar pela risada dela e acabei por rir junto, completamente encantada com a beleza daqueles olhos e lábios quando ela sorria.
Abracei-a forte após erguer o braço da cadeira e beijei seus cabelos enquanto parava para ver o filme, mas não consegui evitar de me encantar com as duas irmãs pequenas brincando na neve.
-Awn! Olha que fofinhas...
-Para de ser gay, Gina.
-Vai se foder, Emma! Depois reclama que eu sou chata... Você vai ver.
-Cala a boca!
-Me obrigue!
Nos olhamos por alguns segundos, eu confesso que queria que ela me beijasse, mas sabia que ela não faria isso. Ou talvez fosse dada a proximidade na qual nos encontrávamos.
-Shiu aê!
-Calem a boca!
Eu ri, como se fosse culpa dela e mostrei a lígnua só para tirá-la do sério e ela me retribuiu com um tapa em minha coxa, apertando-a em seguida. Eu, claro, tentei não gemer e me controlar, já sentindo aquele calor. O dia estava particularmente difícil no quesito "não desejar comer a minha irmã" hoje.
Voltei a abraça-la, encaixando nossos corpos e ela me abraçou, deitando em meu peito. Usei a mão que rodeava seu corpo para começar a acaricia-la, arranhando de forma suave seus ombros.
-Gina... Ela gosta da irmã dela...
-Sim, e a irmã dela gosta dela também... Ela só não pode...
-Não, besta! Eu quis dizer que a irmã dela quer ficar com ela, tipo, gosta gosta dela... E eu estou falando da Elsa.
-Cara, cala a boca! Você está bêbada, só pode.
-Gina, olha... Ela tá com ciúmes e por isso não quer deixar eles se casarem...
-Ela é a Rainha, não é obrigada...
-Não é, mas não quer deixar por ciúmes.
-Não é ciúmes, Emma, cala a boca.
-Claro que é... olha isso, cara! Fechem os portões? Vai esconder a irmãzinha só pra ela...
-Emma, pelo amor de Deus, é um desenho... Para crianças. Sem lesbianismo, e mesmo que pudesse haver algo do tipo, elas são irmãs! Jamais aconteceria!
-E...? Qual o problema? Elas se amam!
-Tá... tá...
-Sério, é óbvio! E... Nós somos irmãs também!
-E daí?
-Como assim "E daí?" Regina? A gente se pega...
-A gente se beijou... Uma vez... E eu achei que você já tivesse esquecido.
-Esquecer? Nunca... E...
Por sorte estávamos no fundo, bem no canto, longe da civilização, quando ela me puxou para um beijo. Um beijo lento, carinhoso e apaixonante, mesmo que ela não soubesse dosar, que ela usasse ora língua demais, ora língua de menos, eu me sentia uma boba, como eu havia sentindo falta disso.
Eu poderia, sim, e talvez até devesse tê-la negado, ter negado aquele beijo, mas não é segredo o quanto eu havia desejado aquilo, desejado ela, desejado que ela me desejasse também. Não é segredo quantas vezes eu revivi aquele primeiro beijo em minha mente, quantas vezes eu tentei fingir não ver os sinais que ela me dava de que me queria também.
Se eu não tivesse travado feito uma adolescente em sua primeira vez, eu provavelmente não teria entendido. Meus pensamentos estavam tão confusos, gritando para serem ouvidos, mas era tanta coisa, tantos sentimentos, tantas ideias que a única coisa na qual eu realmente consegui focar foi: Ela me amava como eu a amava.
Emma me amava e não só como sua irmã, ela me amava como sua namorada, como sua outra metade. E ela me queria, me desejava. E eu não poderia continuar negando esses sentimentos depois disso.
-Eu te amo, Emm. Eu realmente te amo.
-Eu te amo mais, Gina.
E nossos lábios voltaram a se encontrar com aquele desejo, aquela vontade, tinha até esquecido do filme ou que estava em público, minhas mãos tocaram as coxas dela de forma possessiva e eu pude ouvir o gemido baixinho escapar de seus lábios, assim como pude sentir suas unhas cravarem em minha nuca. Puxei-a para o meu colo e tornei o beijo mais intenso, eu estava um pouco fora de mim, mas estava atenta aos sons ao redor, tão atenta que acabei rindo ao ouvir a voz do já conhecido Fábio Porchat e olhei para uma Emma que me olhava com cara de WTF? Então olhamos para a tela e, não só nós duas, mas todos começaram a rir com Olaf.
Rimos tanto, que por sorte, ninguém ali percebia meus dedos subindo lentamente até o centro de Emma, com exceção dela que me olhou como se implorasse para que eu continuasse.
E eu, como uma boa irmã continuei subindo os dedos, de forma bem lenta, prestando mais atenção nela e no que eu fazia com ela do que o filme.
-Olha, Gina... Olha...
-Não estou vendo nada demais...
Mas a verdade é que eu comecei a ver algo demais, sim. Era exatamente como nós no começo, ela se aproximando e eu a afastando. E depois Elsa fora má e machucara a irmã, sem notar o dano causado a ela e Emma me abraçou forte, com lágrimas nos olhos.
-Ela não pode morrer, Gina.
-Eu não vou deixar, Emm...
-Não deixe.
-E argh... Não deixe que ela fique com esse babaca também... Ele é tosco, Gina. Eu não quero terminar com nenhum babaca assim...
-Não é a sua história, sabe? Elas nem namoram...
-Nem nós namoramos...
-Ainda não, mas eu estava pensando...
-Nós somos irmãs, lembra?
-E daí?
-Mamãe te mataria...
-Ela não precisa saber...
-Ela não precisa... Isso é verdade... Mas eu não quero que você corra risco de vida.
-Eu não vou. Eu prometo.
-Você está mesmo fazendo o que eu acho que você está fazendo?
-O que eu estou fazendo?
-Me pedindo em namoro?
-Mas eu posso ir...
-CALEM A BOCA PELO AMOR DE DEUS.
