"Meu Deus, esse despertador da Cana é horrendo! Tudo bem que ela sempre muda o toque de acordo com o namorado, mas esse está demais!

Por favor, ela precisa voltar com o Laxus mais uma vez! Porque de todos os que já vieram aqui, certeza que ele é o melhorzinho...porque esse de agora? Mr. Catra? Ai meu Deus! Tudo bem, tudo bem!

Sem reclamar Lisanna! Tá bom, né? Parecendo uma velha ranzinza resmungando logo cedo! Cana está muito melhor porque ela namora e você fica comparando todos com aquela anta do seu amor de infância! Infância! Tem quase 30 anos e fica aí nesse mimimi! E vamos e convenhamos que você deveria comprar o seu próprio despertador! Urgentemente. Já que você levanta essa bandeira da independência, seja autossuficiente para acordar sozinha. Mentira! Independência é um mito e eu quero ficar na minha cama até a minha mãe me chamar para tomar café."

O despertador silencia, seguido de um som que parece algo quebrando, logo após escuta-se um gemido de um homem que parece ter sido implacavelmente chutado nas partes íntimas e terminando essa sinfonia bizarra, o baque surdo da porta. Provavelmente Cana deve ter terminado com essa imitação de funkeiro! Lisanna reza pra Laxus voltar, quem sabe ele empresta finalmente aquele cd do Led Zeppelin que ela tanto pediu?

A garota se arrastou pelo quarto, tropeçando nos livros, nos mangás e nas canetas espalhadas pelo chão, chegando à porta sem nenhuma fratura aparente! Algo que não acontecia há pelo menos umas duas semanas, já que ela era desastrada, acabava sempre indo trabalhar com algum hematoma. Abriu-se uma sindicância pra saber se ela estava se relacionando com algum homem violento ou ainda tinha ingressado em alguma arte marcial, mas a singela garota simplesmente disse que caía demais.

Abriu a porta do quarto e deu de cara com o caos instalado em sua sala de estar. Muitas garrafas de vodka jogadas pelo chão, uns bonequinhos que só tinham cabeça e eram parecidos com aquele personagem do Mundo de Jack, bom ela não se lembrava direito do filme. E mais uns livros de crônicas. Aquela sala era a prova cabal de quem vivia ali. Tinham coisas de cada uma delas. As garrafas de Cana, os bonecos de Juvia, os livros de Levy e os dela. Era um combinado, como se aquela sala fosse a representação da amizade delas e de como elas eram perante si mesmas. Ou seja, tinham vários problemas.

Aquilo fazia com que Lisanna se sentisse viva, com sangue correndo nas veias, já que seu trabalho era intimamente ligado com a morte.