Bom, aqui mais um capítulo dessa fic pra vocês. Primeiramente os agradecimentos:
Claire-Starsword: Muito obrigada mesmo pelas reviews! Aqui está o capítulo da Lev maior da fic até agora! Me diverti muito escrevendo-o e também tem um drama mesclado com descontração. Eu vou escrevendo e quando eu acho que está muito sério, eu coloco uma coisa meio WTF, pra dar uma quebrada no clima, porque a vida é meio assim, né? Fiquei felicíssima que você gostou da Lis e da Cana! Tenho um respeito muito grande pela Lisanna e a Cana eu comecei a observar com outros olhos graças à Anny-chan (beijo Anny) e como acho que são personagens mais densas, merecem algo bem feito ou pelo menos bem pensado. A Juvia pra mim, é caso de internação! Claro que ela é muito engraçada no anime e no mangá, sem falar que a imaginação dela é fértil demais, só que eu acho que ela é bem capaz de fazer uma dessas, caso tenha a possibilidade. A Cana já bateu nela por você! Não se preocupe! Em relação ao triângulo, também concordo com você que elas não sejam rivais, só que a relação delas, pelo POV da Lis não é das melhores, mas não por uma possível disputa...bom, você verá mais pra frente! Stay Tuned!
ishidaneji777: Nossa! Você me mandou 3 reviews! Muito muito muuuuuuuuuito obrigada! O prólogo é meio triste mesmo! Eu meio que me inspirei em Soul Eater, que fala meio morbidamente assim...mas era pra chamar a atenção pra profissão da Lis! Cana é uma mulher que não tem muitas amarras, ela resolve namorar o funkeiro e namora...quando não quer mais.. chuta ele..e assim vai...é um espetáculo essa mulher! Lisanna tem paciência mesmo! É uma garota muito fofa! Tem seus momentos..e terá alguns por aqui, mas ela é fantástica! As profissões foram mesmo pensadas assim! E foi muito legal que deu certo, porque são comuns e encaixou bem! Agradeço demais por achar que eu escrevo bem, espero corresponder às expectativas. Eu quero continuar a fic sim! Estou aprendendo muito com ela! De verdade. Faz falta umas NaLis no fandom. Porque por mais que o povo de NaLu deteste, NaLi é cannon, né? Tava lá no mangá explícito! E por que não trabalhar e se divertir com eles? Tem tanto personagem legal, profundo e divertido...vamos ver o que acontece! E claro que Lis-chan é apaixonante...e então..faremos jus à volta dela!
Taisho Anny: Anny-chan! Que bom que você gostou! Espero que você continue acompanhando, viu? Porque a Cana e o Laxus são pra você! Vou querer consultoria gratis! (Pra quem não sabe, Anny-chan aqui é uma das melhores escritoras de Laxanna que tem, recomendo todas as fics dela)! Vamos ver se a narrativa agrada, né? Porque escrevê-la é bem divertido! E eu aprecio que você gosta do meu jeito de escrever! É uma honra sem precedentes! Pelamor de Deus, não fala que vai morrer, tá doida? E perfeição? Vixi..estamos longe demais! Beijão!
Levy estava quase indo ao karaokê, pra distrair, só que achou melhor não fazer isso. Se bem que ir pra onde ela morava também não era a melhor opção quando precisava de muita concentração para uma atividade atípica. Sua cabeça estava quase pedindo para receber marteladas, de tanta dor. Passou o dia todo fora do jornal e quando chegou lá para simplesmente ajeitar os últimos detalhes, viu aquele pedido cretino.
Quando já estava exausta de reclamar, relembrou-se como foi seu dia, isso antes de abrir a porta para entrar em casa.
Ela tinha ido ao memorial do Dragneel Senior, viu sua ex-colega de faculdade Lucy, consolando o namorado, se bem que ela ficou muito em dúvida se era o namorado mesmo, já que eles pareciam mais irmãos do que outra coisa, viu que eles não pareciam tão romanticamente ligados e até pensou em contar pra Lisanna, contudo conteve-se. A amiga não precisava de um golpe assim, né?
O fato deles terem sido vistos por ela, não significava em hipótese alguma que ela tinha sido vista. Levy foi espiar...ela não era obcecada como Juvia, Deus que a livre, mas também tinha seus momentos stalker, principalmente quando estavam relacionados àquela república de loucos do outro lado da cidade, que todos pareciam conhecer, exceto Lisanna e Juvia. Juvia, por motivos óbvios e Lisanna, por puro senso de preservação. Ah, não podia dizer que Cana realmente conhecia a república e seus moradores, na verdade nem sabia onde Laxus, o assustador, morava. Chega de divagação!
O real motivo que fez com que Levy fosse ao memorial foi simples, até mesmo pitoresco. Gajeel Redfox! O cara era colega do Natsu, que era neto daquele senhor e ela queria vê-lo. Na verdade, Levy nunca foi de se deixar levar por paixões arrebatadoras. Quem a conhece, sabe muito bem a aversão que tem a relacionamentos. Presenciou toda a depressão de Lisanna, a loucura de Juvia e a indefinição patológica de Cana. Ninguém que vivia em um ambiente como aquele, entraria em um relacionamento de livre e espontânea vontade. A não ser com amizades. As garotas poderiam ser desfuncionais, contudo, eram excelentes companheiras. Sempre que Levy precisou, elas estavam ali...só que não podia em hipótese alguma pedir para que elas as acompanhassem ao memorial.
Ouviu Lisanna escrever os obituários. Sim, ouviu. Porque Lisanna tem um método de trabalho incomum. Ela canta seus obituários. Canta certas frases, certas palavras, mas em uma ordem desconexa, mas ela vai cantando...e uma frase que foi constante na cantoria foi: "Não posso ver o Natsu e a Lucy, mas farei o melhor obituário da minha carreira." É...com isso ela percebeu o quão Lis estava mal...essa frase não é nem de longe o melhor que ela podia fazer, o que fez que soterrasse a ideia de pedir que a acompanhasse. Levy soube que Gray também morava com Gajeel, uma informação que nem Juvia possuía, algo incomum para uma perseguidora profissional. Claro que em nome da preservação do memorial de Dragneel Senior, da moral, dos bons costumes e ainda de todos os anos que ela tinha pra morar em Magnólia, ela também achou melhor não chamar Juvia pra ir junto.
Podia muito bem chamar Cana, só que sabia que Laxus também morava com Natsu, ou melhor, Natsu morava com ele. Laxus era conhecido por seu comportamento assustador, contudo, era incrivelmente companheiro e tinha uma relação estonteantemente passional e nociva com Cana. Era um ioiô e já que a bela Alberona começou a namorar um funkeiro, Deus sabe o que aconteceria caso ela viesse também.
Ah, Levy não queria dar uma de Juvia, mas também não queria deixar a oportunidade de ver Gajeel fora do karaokê escapar, mesmo que fosse em um momento tão inapropriado.
E assim ela foi. Como uma boa anônima, vestiu sua roupa preta, uma echarpe preta prendendo os cabelos e óculos negros gigantes. Como era uma mulher pequenina, perdeu-se naquele mar negro. Uma das poucas vezes que viu uma vantagem em sua compleição.
Misturando-se na multidão, conseguiu chegar bem perto dos protagonistas daquele evento, chamou de evento, porque todos estavam realmente muito elegantes e também por causa da importância do "homenageado."
Natsu estava próximo ao monumento, estava entorpecido de dor. Parecia que ele tinha chegado em um outro nível de sofrimento. Inerte, era como se o Levy quase sorriu, quem sabe ele saberia o que fez a sua amiga passar? Só que ela respeitou o momento.
Notou com alegria o gato nos braços de Natsu. O bichano era azulado, parecia alheio a tudo e a todos, exceto Natsu. Era como se o gato estivesse protegendo-o. O bichinho arranhava algumas madames que prestavam condolências insinceras, mas não reagia hostilmente com Gajeel, Gray, Laxus e os outros colegas do moço. O gato sabia quem era sincero ou não! A inteligência animal não tem limites. Levy conhecia a história pregressa ao felino e não pôde deixar de sorrir. Mesmo não estando ali, não estando com ele, era como se Happy, representasse Lis, sempre querendo o bem de Natsu, mesmo quando ele não a quis mais. E também viu a coroa bizarra que os Strauss mandaram. A mulher de Elfman era uma escultora de referências duvidosas e juntando o mau gosto de Mirajane, culminou em uma coroa que arrancava risos dos presentes. Nada mal! Um consolo divertido, como era de esperar dessa família espetacular.
Levy aproveitou a aproximação, para escrutinar o ambiente. Como uma jornalista profissional, não podia deixar de utilizar a situação para um treinamento de suas habilidades inatas.
Ela ficou parada na frente, observando com olhos ágeis, desvendou muitas relações e muitas pendências. Descobriu que a senhora Marvel e o senhor Dragneel formaram um casal, e que ela tinha morrido no mesmo dia, quem sabe até morreram juntos, mas nada provado.
Ouviu um casal dizer que Gray já tinha feito um show para eles e que ele sabia muito bem como dançar a macarena, recomendando-o a um outro casal que padecia de monotonia no casamento. Talvez podia pegar o telefone dele e passar pra Juvia, mas isso seria uma perseguição normal e até que apreciava aquelas manobras mirabolantes da colega. Só que pegou o cartão dele e guardou bem fundo na bolsa, ah, estava caído no chão, não custava nada.
Viu o poder que Laxus emanava, ainda que não estivesse dizendo nada. Só o fato da presença dele ali, já fazia com que todos se curvassem diante de sua magnitude. Extremamente assustador. Até mesmo Levy se sentiu atraída por aquele homem, todavia, não era uma atração supostamente romântica, era física. Ela queria estar perto dele e tomar um gole daquele poder. Vai ver era por isso que ele fascinava e entorpecia sua colega de apartamento. Aquilo sim, daria uma boa história.
Permitiu-se analisar o rosto de Gajeel no momento em que ele falava com Natsu. Pareciam irmãos, daqueles que brigam o tempo todo, mas sempre estão ali um pro outro. Observou como ele parecia nervoso, mas não com raiva. Era como se ele quisesse tirar Natsu dali e sentir a dor por ele. Era palpável aquela preocupação. Uma faceta que Levy nunca teve a oportunidade de visualizar.
Com um suspiro resignado, concluiu que estava realmente apaixonada, não era apenas uma atração descompensada.
Viu as pintinhas no rosto dele, como elas formavam um padrão inédito, era como se cada uma delas fosse um parafuso sem cabeça, que encaixava aquele rosto em um maquinário perfeito esteticamente e funcionalmente.
Percebeu a simetria psicodélica com a qual Gajeel se portava e com a qual se movia, a forma como encaixava peças para o monumento e ao mesmo tempo consolava Natsu, recebendo a aprovação de Happy. Como a respiração entrecortada pela tristeza em nome do amigo não diminuía em nada seu glamour e sua beleza. Seu cabelo negro e desgrenhado parecia brilhar como o sol em um ambiente obscurecido pelo luto. Era como se Gajeel fosse a luz daquele momento. Ficou espantada como ele dizia palavras certas nos momentos certos.
Obviamente essa descrição dos fatos foi infinitamente melhorada pelos óculos mágicos da paixão. Gajeel era um cara desengonçado, com sardas perturbadoras e o seu consolo a Natsu consistia em socos sistemáticos no rosto dele, pra ver se ele acordava.
A respiração ofegante era por causa do esforço em montar o monumento e bater em Natsu. Happy não estava tentando impedir, justamente por parecer se divertir com a sova recebida pelo dono, e o cabelo dele estava oleoso demais, falta de banho, o que causou o tal brilho.
As pessoas estavam começando a ir embora e Levy não queria ser vista, não porque Gajeel a conhecesse, nada disso, mas porque ela era conhecida da namorada de Natsu e não queria abrir precedentes. Com muita dor no coração ela se foi.
Chegando no jornal, bem de mansinho, ela vai na sua mesa e vê o seguinte pedido:
"Oi Levy, eu percebi que você saiu mais cedo pra resolver uns probleminhas, mas como eu sei que você sempre volta e que nunca leva o celular, deixei esse bilhetinho aqui. Você como a melhor cronista do jornal, recebeu uma encomenda. A família Marvel pediu para você fazer uma crônica falando de morte, mas de uma maneira diferente. Claro que como é uma encomenda, você receberá por isso, só que você tem uma semana pra fazer e tem que ser meio grande. Claro que você consegue, né? Beijo...ah..vou tentar não contar pra Lisanna que você foi no memorial, ok? Tudo dependerá da crônica sair no tempo desejado. Fried Justine – chefe e cabeleireiro absoluto."
Aquilo desencadeou uma reação destrutiva na cronista! Como assim? Crônica encomendada? Que porcaria era aquela? Desordenou todos os pensamentos, como se tivesse frente a um maremoto. Não conseguia filtrar as ideias e começava a sentir a enxaqueca chegar. Ela era sistemática, como os movimentos de um ferreiro ao modelar o aço. Pronto! Ela tinha que fazer uma associação, né? Não bastava a overdose de Gajeel no dia, tinha que pensar mais nele e ferrar com todo o seu controle mental.
Abriu a porta e entrou em casa! Deparou-se com uma Juvia desacordada, mas com uma casa extremamente limpa! Saldo positivo, já que a faxina era dela e estava protelando ao máximo. Dirigiu-se ao seu quarto para pensar. Claro que não conseguiria fazer isso encomendado. O que aquele editor de procedência duvidosa pensava?
O grande embuste era o tal do encomendar uma crônica. Que tipo de pessoa acha que é possível encomendar uma coisa dessas? Crônicas são obras de arte! Tudo bem que dá pra encomendar obras de arte, mas isso não está certo!
Como alguém se achava no direito de limitar sua inspiração através de um tema definido? Delimitar sobre o que tinha que escrever? Levy se considerava uma artista das letras, e verdade seja dita, era mesmo! Havia a impressão que suas palavras iriam sair voando do papel, que eram sólidas. Se ela escrevia "fogo" as pessoas achavam que o papel iria queimar. Suas palavras criavam, revolucionavam. Aquilo era além da caneta, das palavras digitadas. Aquilo era vida! Vivo e livre! Ninguém nunca ousou determinar o que ela escrevia! Era uma afronta à deusa da criação, uma ignomínia!
Ainda mais aquele tema! Morte! Queriam que ela escrevesse uma crônica sobre a morte! Em um primeiro momento, não parecia um desafio homérico, levando em consideração o gabarito dela, mas tinha um detalhe: Levy abominava a morte. Claro que não era uma louca que achava que era imortal, sabe que tudo o que é vivo morre e todos os outros postulados no ínterim!
Mas, para ela, a morte não criava, não acrescia. Deixava um buraco que nenhuma palavra, nem mesmo as dela seriam capazes de preencher. A força transformadora da morte era o limitador de Levy! Sua reação foi começar um movimento de incentivo à vida e uma pequena comoção ao medo da morte! Cada crônica que escrevia era um ato de repúdio ao ocaso da existência! Secretamente, Levy criava um culto de exercício pleno da vida e teria que escrever sobre morte? Isso iria totalmente contra os princípios dela.
Contudo, a curiosidade jornalística falou mais alto e ela decidiu tentar! Só que pediria ajuda à Lisanna, a pessoa mais mórbida que Levy conhecia...porém, com a casa naquele silêncio...era uma oportunidade e tanto de dormir, certo?
Foi até a cozinha, viu o arsenal de vinhos que tinha, pensou na crônica, pensou em Gajeel, abriu a garrafa, colocou seu conteúdo em um copo de plástico e se dirigiu ao seu quarto, passando por Juvia que ainda continuava desacordada, mas se lembrou de jogar o cartão que pegou no cerimonial de Dragneel Senior...ah, elas estavam precisando de um pouco de vida por aqui, né?
