Primeiramente...a justificativa! Esse capítulo está enorme, sim! Ele é o maior da fic e é sobre uma das personagens principais e ele está assim porque foi feito em homenagem a semana Laxana e também pra Anny-chan..considere um dos presentes de aniversário. Bom, eu aprendi a gostar da Cana e a vê-la como um ser humano além da camada da bebedeira graças a Anny-chan e tbm toda a ideia dessa fic surgiu em conversas com ela. Ah, sobre a semana Laxana: é uma semana onde fãs de Fairy tail, mais precisamente do Ship LaxusXCana fazem trabalhos para homenageá-los. Fiz a minha parte em inglês e essa é minha parte em português do dia de hoje que fala de crianças. Tem um pouquinho da CAna criança por aqui. Espero que gostem! Anny-chan, esse é pra você!
Recados! *-*
Claire-Starsword: Eu fico muito feliz mesmo que você gostou da desculpa não mágica que eu inventei. Achei mais plausível assim. Fico muito satisfeita com as suas reviews! Ah sim, Juvia se sente culpada! Ela sabe que não é certo..e também sabe que isso a deixa mais próxima daquilo que ela não quer ser, que é normal. Lisanna aceita as desculpas, ela é um anjo de candura...uma fofa e também...ela não gosta de perder tempo com ressentimentos...logo logo você vai saber o motivo. Estou louca pra chegar o encontro desses dois...louca mesmo! Estou desenhando na minha cabeça e vai ficar no mínimo engraçado...continue acompanhando, sim?
Ishidaneji777: Vou ler sua fic de Sting e Minerva com certeza! Na verdade, a Juvia fazia os outros pensarem que ela era normal...e depois do abandono ela simplesmente se libertou...foi mais ou menos isso! Os reencontros serão interessantes...pelo menos eu acho que serão! Agradece a sua namorada por mim, viu?Obrigada.
Anny-chan...chegou sua diva magnânima! Muito obrigada por todo o apoio mesmo e esse capítulo é pra você..espero que goste!
O despertador de Cana tocava "For those about to rock", ou seja, a fase funkeira tinha passado. Na verdade, a fase não passou de uns poucos beijos trocados com um cara ridículo, cujo objetivo de vida era ser o próximo Mr. Catra. Claro que ele não era esperto como o original, portanto não funcionaria.
As pessoas realmente não pensam na construção das coisas, só no produto final. E por causa desse produto final, muitas delas nem se divertem no processo. Bom, Cana era diferente. Adorava os processos e detestava finais, mais precisamente o produto final. Sério. Se ela os pudesse evitar, evitaria. Isso podia ser visto no tanto de livros que ela começou, mas nunca terminou. Tentou ter um deslumbre olhando para a última página, somente para uma satisfação efêmera, mas não fazia todo o percurso das páginas, contudo, lia um mesmo capítulo no mínimo 5 vezes, em um ritmo incontrolável.
Protelou a faculdade até onde pôde! Mesmo quando tinha passado nas matérias, continuava frequentando as aulas. Esse processo a mantinha viva! Simples assim. Quem pode culpá-la? Existem frases e mais frases que exaltam a importância do movimento! E como as coisas se movimentam quando tudo termina? Impossível!
Claro, claro! O que começa termina. Nem mesmo a bela, audaz e instigante Cana Alberona tem poder suficiente para quebrar um dos fundamentos universais, certo? O que não significa que ela não poderia ao menos tentar.
O que a assustava era o vazio deixado pelo fim. Era algo insuportável, detestável, intáctil e ela ficaria à deriva, sempre ficaria à deriva. Obviamente, existiam finais inevitáveis, não? Como o final da adolescência e o final da vida, ou ainda o final da família. Cana vem de uma família desestruturada, o que a fez um ser humano muito subjetivo e observador. Seu pai era um ser humano ausente e sua mãe era presente em sua própria dor, o que não deixava de ser uma ausência, contudo, não era precisamente um final, era uma pausa e com pausas ela sabia lidar.
Sua vida era cercada de pausas, algumas duravam dias, outras, anos, outras meses ou apenas segundos, mas eram pausas, vírgulas depositadas com descaso na existência de Cana Alberona, mas que eram tão vitais quando oxigênio ou álcool.
A relação com álcool era uma constante na vida da bela, tanto que trabalhava com isso. O primeiro gole não foi propriamente bebido por ela, mas sim através de sua mãe. A senhora Alberona Clive estava na bancada da cozinha, quando pegou uma garrafa índigo e depositou seu líquido anis em um copo de requeijão. Depois do primeiro gole, Cana viu a mãe sorrir, o que ela não fazia há tempos, nem em relação a ela. Foi quando ela decidiu que conheceria a fundo esse líquido mágico que extraía sorrisos até de quem não podia mais sorrir.
Ela tinha 7 anos. Também via como ele transformava seu estoico pai em alguém mais afável, mais merecedor de amor.
Ela tinha 8 anos. Aquilo tinha o poder de revelar pessoas, quem sabe elas não precisassem terminar? Quem sabe o tal final não precisasse chegar? Todas aquelas questões permaneceram em pausa na cabeça dela.
Quando a adolescência chegou, foi quando o contato começou, só que não havia bebida glamourosa ainda, eram aquelas bebidas com aromatizante de qualquer coisa e uma mistura grotesca de álcool 70. Aquilo não extraía sorrisos, nem dela e nem da sua mãe, que teve que buscá-la em um pronto socorro qualquer porque a filha de 15 anos estava em coma alcoólico. Coma era um estado que atraía Cana, porque não era o fim, a pessoa estava morta e não estava, era indefinido sim, mórbido sim, mas não totalmente morto, não? Aquilo era próprio dela, um estado perfeito para uma pessoa imperfeita.
Não! Cana não tinha tendências suicidas. Ela era uma adolescente, uma pessoa rodeada de melancolia sim! Teve uma família ausente e distante sim, mas fim da vida era algo que ela não admitiria. Porque ela tinha a solução, o eterno movimento temperado com álcool. Aquela era a solução para todos os problemas. Nunca gostou daquela frase: "parei pra pensar", detestava! Só parava pra dormir, sabendo que a mente não descansa nunca, que o subconsciente sai pra dançar e isso já era o suficiente para que ela dormisse bem.
Só que as pessoas crescem, os ciclos acabam e começam e assim, a senhorita Alberona foi obrigada a sair da adolescência, escolher uma carreira. Sair da cidade dela e ir para Magnólia. Pra que? Pra simplesmente se movimentar. Ela adoraria ficar na cidade dela, só que a mãe não estava mais lá.
O álcool a levou, pelo menos foi isso que o médico disse. "Senhorita, infelizmente o álcool levou a vida de sua mãe. A cirrose dela é severa e acentuada por uma condição genética que degenera o fígado." Ao ver os olhos duros de Cana, ele diz a frase que mudará a vida dela por completo.
Ela tinha 18 anos. "Só que com você, é completamente o oposto. Seu fígado possui a condição genética inversa de sua mãe! Pode-se dizer que é praticamente indestrutível. Os exames que fizeram comprovaram que essa condição estava latente e foi despertada por uma possível ingestão exagerada de bebida alcoólica de péssima qualidade."
Os olhos dela ganharam um novo brilho, talvez um melancólico, mas uma centelha que não se via ali há um bom tempo.
Depois do enterro da mãe, Gildarts perguntou como ela estava e ela disse que estava vazia. Não estava triste, muito menos feliz. Nada de alegria ou ainda infelicidade. Ela estava vazia, aquele estado que ela sempre temeu e ficava preenchendo com excesso de drama, problemas imaginários e reais. Cana esvaziou-se e se viu finita, acabada, terminada.
O ciclo dela acabou! Ela tinha acabado. Só que ela teria um final diferente. Mesmo que desejasse, não morreria da mesma forma que a sua mãe, elas tinham ao menos fígados opostos, não? Que tragicomédia. Algo tão diminuto quanto um gene podia determinar o curso da vida e da morte das pessoas? Da pessoa de Cana? Da pessoa da sua mãe? Sua cabeça rodava e rodava e ela não conseguia pensar. Não sabia de nada que podia preenchê-la naquele momento.
E quando Guildarts perguntou o que podia fazer por ela, sem pestanejar disse: "Quero beber! Sei que você sabe o que é bom! Se tem algo que pode fazer por mim, é me ensinar a beber bem. E tirar um sustento disso. Quero ser uma profissional ébria, etílica, o nome que quiser. Não sei bem o que você faz da vida, mas eu quero o mesmo." (N.A: Gildarts Clive era um enólogo famosíssimo e suas inúmeras viagens fizeram com que o casamento com Cornélia Alberona, ex-Clive, desgastasse. A bebida que Cana viu sua mãe bebendo pela primeira vez, foi feita por Gildarts)
"Você tem certeza?"
"Nunca tive algo tão próximo de certeza na minha vida!"
"Então, vamos começar."
E assim foi! Gildarts, em um rompante de presença, ensinou a Cana tudo o que ela precisava e não precisava saber sobre a profissão, mesmo antes de entrar na faculdade, ela já tinha pleno conhecimento das ciências enológicas e só por ser filha de Clive, já tinha emprego garantido em qualquer lugar que precisassem de enólogas ou sommeliers, coisa que ela ainda não era. Faltava-lhe o tal certificado.
Foi atrás e assim foi pra Magnólia, o expoente cultural daquele país louco que era Fiore. Magnólia tinha elementos de um universo paralelo, ou de um país paralelo chamado Edolas ou ainda Brasil, não se lembrava bem das aulas de geografia, só sabia que Magnólia era uma mistura eterna e agitada, não parava nunca! Ou seja, o lugar perfeito pra Cana.
Ela entrou na faculdade um pouco mais velha, com 23 anos, precisamente, mas ela não se sentia velha, sentia-se anestesiada, era um ciclo que tinha que cumprir e encarar bravamente o final. Gildarts lhe garantiria o sustento, já que tinha a moldado para ser tão ou até mesmo melhor do que ele próprio, sem falar que era o mínimo que ela merecia.
Nessas idas e vindas, ela conheceu aquele que seria a constante. Laxus Dreyar. Veterano, bombado, loiro e letal! As lendas urbanas diziam que ele era namorado da super top model Mirajane Strauss, que tinha um irmão que era lutador...quem sabe era um namoro por interesse? Se bem que Cana duvidava que alguém com aquele olhar faria algo assim...Laxus era destemido, corajoso, um verdadeiro líder...alguém no qual ela podia afundar e se afogar e quem sabe entrar em um estado comatoso de prazer e luxúria...
Outra coisinha sobre Cana...ela é um desastre em relacionamentos. Passou ébriamente por eles, não, não bebeu em todos, mas era como se fosse outra pessoa. Ela não sentiu, foi tudo muito superficial, algo feito mais por convenção social do que por vontade própria. Ah, era mais fácil passar pelas intempéries sem ter que lidar com aquele drama "por que você está sozinha", então, Cana cercou-se de namoros tradicionais.
Contudo, Laxus Dreyar era o único que despertou alguns desejos novos nela, não somente físicos, ela iria conhecê-lo e ele seria dela...até onde pudesse...pois uma força como aquela, não fica dominada por muito tempo, certo?
Cana se viu traçando estratégias hesitadas, passos despreparados, mas encontrou-o em uma situação mais normal possível. Na academia. Sim, Cana foi aconselhada profissionalmente (entenda-se por um terapeuta) a malhar semanalmente. Se não fosse pra emagrecer ou definir, que fosse para liberar a serotonina e auxiliar no processo cognitivo e todos aqueles termos que ela já tinha esquecido.
O negócio é que ela começou a fazer musculação e alguns dos benefícios foram notados mesmo. Ela não se transformou no Einstein, mas pensar começou a ficar mais fácil, os pensamentos mais ordenados e as ideias mais limpas. Ela parecia menos triste, não que fosse completamente feliz, acreditava que a felicidade em excesso era prejudicial, só que ela tinha saído do mito de Sísifo. Estava alegre e conformada, com planos, outra coisa com a qual era não era familiarizada.
O encontro dessas duas forças deu-se da forma mais normal do mundo. Cana, com sua roupa de ginástica um pouco indiscreta fez um movimento brusco e travou no agachamento. Seria cômico se não fosse trágico.
Mas a tragédia fez com que o príncipe encantado, ou melhor, marombado viesse em seu auxílio e a trajetória mais encantadora da vida de Cana começou...
Eles se encontraram e desencontraram muitas vezes, se odiaram, se viciaram e por mais que ele e ela não quisessem mais, sempre acabavam voltando.
O que irritava Cana era que Laxus sempre sabia o que ela faria em seguida, o que ela encarou como uma espécie de monotonia da parte dele, contudo, eles não se comunicavam muito bem, né? Portanto, ela não sabia que ele adorava esse enigma chamado Alberona. Ela achava que era muito fácil, mas não...ninguém o desafiava como ela. Aqueles olhos castanhos investigativos, aquela inquisição não declarada, aquela vontade desajeitada de agradar, aqueles cabelos castanhos que carregavam mechas multicoloridas, dependendo da época...tudo aquilo compunha o caleidoscópio que Dreyar queria manter pra sempre, mas sendo a porta comunicativa que é...nunca disse nada disso pra ela..e tudo foi pras cucuias.
Mas Cana não podia deixar acabar, então se prende a migalhas de amor...uma noite aqui..outra ali..tudo pra não deixar morrer a semente de Laxus nela, o trovão que ele causa..o reverberar de sentimentos, a tempestade...ela não pode deixar aquilo se acalmar. Então permite-se uma dose mínima de Laxus...uma olhadinha aqui, uma noite acolá, porque ela não confia nela mesma o suficiente pra saber que aquele homem é completamente apaixonado por ela...e olha que tá complicado mesmo pra ela perceber, viu?
"Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! Chega de ficar pensando nessa merda! Todo dia é essa reflexão de vida, que INFERNOOOOOOOOOOOOOO! Admito que amo aquela mula! Pronto...agora cérebro, me deixa trabalhar, tá? Eu moro aqui nesse hospício e daqui a pouco é hora do banho de sol...deixa eu tomar meu banho de sol, tá legal?"
E depois..abre a porta de seu quarto para começar um novo dia...
