Juvia estava ressonando nos braços de Gray que parecia exausto. A coisa toda foi incrível. Foi tudo como ela sonhou, mas a verdade a atingiu como uma rocha. Ele transou porque ela pagou a ele. Ele não se sentia atraído. Provavelmente era um garoto de programa mesmo, mas como se preveniu, não estava preocupada com doenças.
Contudo, não podia deixar de pensar como olhou profundamente nos olhos dele e se perdeu ali, era como se a peça que ela sempre esteve procurando estivesse exatamente ali e agora ela não podia se deixar sobrecarregar por esses sentimentos confusos. Ela tinha feito o que quis, mas e agora? O que restava? O que era realmente Gray Fullbuster? Ele era um homem excêntrico ou apenas um homem? Será que ela iria querer saber a resposta dessa pergunta? Será que ele iria permitir que ela soubesse? Não sabia.
Deteve-se por mais um pouco e ficou ali pensando e pensando, só que quis realmente tomar um banho. Livrar daquela coisa que ficou normal demais para o gosto dela. Antes a coisa era unilateral, ela podia controlar, fantasiar ou até mesmo cortar, mas agora, era real. Ele tinha estado dentro dela, ele a possuiu e ela o possuiu também, aquilo tinha que ter algum significado. Precisava ficar submersa, mas como a piscina estava fechada, teria que tomar um banho mesmo.
Quando ela saiu de seus braços, Gray também notou aquela ausência e então acordou. Não era um sonho. Ele tinha realmente transado com uma desconhecida. Sem falar que gostou. Ficou contrariado quando ouviu o chuveiro, parecia que ela queria se limpar dele, se livrar da marca que ele tinha deixado, isso o deixou triste, mas não se deixaria abalar. Levantou-se, vestiu-se parcialmente e começou a passear pela sala.
As coisas eram completamente zoneadas, como que podia aquilo? Mas era aconchegante. Havia mesmo muito amor ali, algo dizia que elas se davam bem. Continuou perambulando até se deparar com um retrato. Haviam 5 mulheres ali e Juvia estava entre elas. Estavam felizes, meio maquiadas, rindo com alguns retalhos voando. Pelo fundo, a foto tinha sido tirada na sala onde ele estava. Ele pensou que como ela tinha ido se lavar, que nunca mais ligaria para ele, só que ele não sairia dessa sem nada, sem pestanejar, enfiou o porta retrato dentro da bolsa e voltou para o sofá quando ouviu o chuveiro desligar.
Juvia, enquanto estava no chuveiro pensou em muitas coisas, pensou no quanto cresceu desde que saiu da casa de sua mãe, nas coisas que teve que suportar e em todas as amarras morais que teve que desatar enquanto se fazia o ser que era. Em tudo, ela era podada, até mesmo na casa, porque as meninas não a entendiam tanto, apesar de ser o mais próximo de apoio que ela já tinha recebido. Pensou então, porque diabos não estava aproveitando com o homem que tinha despertado tudo isso. Fechou o chuveiro com pressa, se enrolou mais ou menos na toalha e foi até o homem que estava dormindo no sofá. Ela não reparou que a foto tinha sumido, tudo o que ela podia ver era ele. Ficou sentada observando ele dormir, ou melhor, fingir que dormia. Ficou ali por pelo menos uns 30 minutos porque ele realmente tinha dormido, mas acordou com a moça o observando.
"Ah, Gray. Eu já tinha te visto antes e me senti atraída logo de cara. Desculpe, caso você não tenha gostado ou ainda eu tenha parecido muito atirada, só que um homem como você, ou pelo menos como eu lhe vejo, não me daria uma segunda chance. Eu só quis saber como era."
O moreno ficou estático. Ruborizou violentamente e tentou dar uma resposta decente. Claro que o silêncio dele foi visto como um assentir de ideias e a moça já ia se levantando quando ele a segurou pelo pulso.
"Você foi a primeira mulher que disse que era atraída por mim. E que me tratou como um ser humano desde que eu estou nisso. Antes que pergunte, não. Não sou garoto de programa e eu nem penso em cobrar nada de você. Fizemos isso consensualmente e eu estou louco pra fazer outra vez."
Juvia só estendeu a mão e levou-o para o quarto.
"Mira-nee, isso não vai dar certo! Eu nunca usei essas coisas! Eu tinha comprado um vestido espetacular pra isso! Por que você fez eu trocar? Eu detesto vermelho! Você sabe disso. Estou parecendo uma depravada! Deus do céu! Vou tirar isso agora!" Lisanna falou
"Você tira e eu conto pro Elfman que você falou mal da estátua que ele mandou pra sua casa." Mira falou docemente.
"Estátua?" Levy perguntou
"Lisanna, o que você fez com a estátua?"
"Doei pra casa de horrores do parque." Falou resignada
Mirajane explodiu em risadas! Realmente a cunhada fazia umas estátuas horrorosas, não tinha como ficar com aquelas coisas. Sério, ninguém conseguiria dormir caso tivesse que morar com uma daquelas estátuas, mas chantagem era chantagem. Mirajane queria que a irmã se desse bem no encontro, mesmo que não fosse com Natsu.
"Tudo bem, mas deixa eu colocar um shorts então. Eu uso a blusa vermelha, mas esse vestido me faz me sentir uma prostituta! Me deixa fazer isso."
"Só se você for de bota 7/8! Daí a gente faz um lance bem sensual e você fica gatíssima."
"Mira, eu não ando de salto. Você sabe disso. Sem falar que você tinha que estar arrumando a Kinana que é quem vai encontrar com o namorado e a Levy que vai no karaokê ver o Gajeel. Eu só vou sair com amigos, não vou seduzir ninguém. Vamos parar com isso."
"Farei as duas as mulheres mais lindas de Magnólia, mas eu quero você a mais linda do universo. Culpe-me por ser uma boa irmã. Eu tenho 3 estátuas do Elfman no meu apartamento."
"Onde está a bota?"
Enquanto Lisanna e Mirajane estavam nesse conflito, Freed estava arrumando os cabelos de Kinana e perguntando todos os detalhes. Era como se fossem amigos de longa data. Foi quando ele reparou em Cana ali.
"Olá Cana, como vai?"
"Ah, oi Freed, né? Tudo tranquilo e você?"
"É um prazer vê-la. E como estão as coisas com Laxus?!"
"Ah, não estão."
"Poxa, ele gosta tanto de você. Pelo menos é o que ele sempre me falava antes de nos afastarmos."
"Mas e porquê isso?"
"As pessoas seguem caminhos diferentes, não? Quando a Mirajane foi embora, eu realmente fui com ela. Fiquei reflexivo, introspectivo, fiquei um tempão sem falar com ninguém. Só trabalhava, cortei a amizade com todos, precisava ficar só e curtir a dor."
" E você e a Mira?"
"Voltamos."
"Fácil assim?"
"Não tem dificuldade quando realmente se deseja alguma coisa, você não acha?"
"Não acho."
"Mas um dia vai concordar. Vamos, é a sua vez, deixa eu arrumar o seu cabelo."
"Não precisa, eu nem trouxe roupa, imagine. Arrume a Levy."
"A Levy vai ser por último, relaxe. Não vou te machucar. Não tenha medo."
"Eu não tenho medo de nada."
"Veremos."
Freed foi arrumar a Alberona que realmente estava com medo dele fazer algo com o cabelo dela. Cabelo que ela adorava, que a lembrava de sua mãe, que significava o que ela era, sem falar que adorava quando Laxus puxava aquele cabelo. Ele elogiava, acariciava, cheirava. Mas que merda. Até no cabeleireiro tinha que se lembrar daquela montanha de músculos. Tudo bem, iria resolver aquilo, mas por agora, iria aproveitar. Quando foi a última vez que foi ao cabeleireiro? Fazia eras. Hora de relaxar.
Freed trançava e passava cremes e mais cremes, ajeitou a mistura em Cana e foi tratar de Kinana.
Enquanto isso Levy quase arrancava os cabelos.
"Levy, fique calma. Não puxe muito, se não, não terei com o que trabalhar. Mirajane disse que iria lhe emprestar uma roupa."
"Sua namorada é quase o dobro do meu tamanho." Levy explodiu. "Como ela vai ter uma roupa que sirva em mim? A gente tá atrasado. Vai dar merda e ele não vai."
"Levy, primeiro, Mirajane é uma supermodelo, não faça essa cara, mas ela tem roupas de todos os tamanhos e segundo, ele disse que ia. Se ele falou que ia e não for, já sabe que ele não é confiável, ou qualquer coisa, faz que nem a sua amiga Juvia, vai atrás do cara. Vou deixar você maravilhosa, ou por um acaso você duvida de mim?"
"Duvido."
"Observe."
Freed estava escovando o cabelo de Cana quando Lisanna saiu da suíte de Mira. Estava sexy, selvagem. Com uma camisa vermelha, batom vermelho, sombra suave e botas 7/8! Estava pra matar! O vestido que Lisanna tinha comprado, Mirajane customizou para Levy e estava infinitamente melhor do que a roupa que as meninas tinham feito, não que a roupa anterior não estivesse boa, mas Mirajane era do meio, sabia como fazer.
Estavam prontas. O coração de Levy ia explodir. Ela estava com uma roupa feita por Mirajane Strauss, seu patrão tinha sido cabeleireiro dela e ela estava espetacular. Ela tinha que escrever sobre isso. A primeira coisa que faria quando chegassem em casa seria escrever sobre todos aqueles tratamentos e como o problema de beleza da mulher é mais complicado do que parece. Ela não era a mesma naquele espelho, com toda aquela arrumação. Ela não era a cronista, era uma mulher desesperada, empolgada. Uma mulher que estava vivendo algo além da sua imaginação. Era o momento de experimentar coisas novas. Ela cantaria como nunca e flertaria como nunca. Cana a ajudaria nesse aspecto.
Freed levou as garotas ao seu destino, primeiro Kinana e Lisanna ao restaurante e Cana e Levy ao karaokê. Depois ultrapassou o limite de velocidade para chegar logo ao hotel e ficar com a amada.
No restaurante, os homens já estavam esperando as moças, elas se atrasaram elegantemente, os 15 minutos de tolerância, o suficiente para que Midnight já ficasse sabendo da manifestação e que sua ex-namorada iria estar lá. Ela mandou umas mensagens para ele também. A passeata iria passar por ali, mas antes ele aproveitaria a companhia da belíssima Lisanna Strauss. Aquela visão era muito para se ignorar. Chegaram e se sentaram. Kinana na frente de Cobra e Lisanna na frente de Midnight que parecia estoico demais para se iniciar uma conversa.
Depois de 10 minutos, ela estava totalmente arrebatada; ele era um homem inteligentíssimo, sem falar nas tendências de maquiagem que ele seguia e as músicas. Tantas bandas boas. Fazia tempo que ela não conversava com um homem assim, na verdade, tinha conversado com Gajeel, mas aquilo não contava. Ele era de Levy. Só que aquele papo estava ótimo.
Midnight também não estava indiferente àquela situação. Ele era um homem solteiro, saudável, ela era linda e interessantíssima. Caso Angel não aparecesse, ele iria tentar levar aquela platinada para a cama, com certeza. Iria e queria seduzi-la. Por que não?
O primeiro grande ato em Magnólia reuniu mais gente do que se podia imaginar. Até mesmo o líder da oposição Jellal e sua esposa Erza estavam na passeata. Os clamores eram de liberdade de expressão, contra a corrupção e contra a represão. Haviam boatos de desvio de verbas, Mirajane era citada, alguns gastos dos conselheiros começaram a aparecer. Alguns julgamentos errados, alguns gastos, favores desnecessários, tudo aquilo começou a sobrecarregar os moradores de Magnólia e Angel, que era ativista, voltou para a cidade justamente para coordenar o ato.
Natsu não estava sabendo de nada, só sabia que foi convocado para acompanhar a passeata. No fundo, sabia que os manifestantes tinham razão, eles tinham todo o direito e se fossem bem-sucedidos, todos seriam beneficiados. Claro que ele não esperava encontrar a ex-namorada que ele ainda amava conversando com um cara esquisitíssimo no restaurante. Nada podia prever que ela estaria ainda mais linda e conversando com esse desqualificado. Apareceu um vândalo, sabe-se Deus de onde e Natsu agradeceu honestamente por aquilo. Não pensou duas vezes depois que a confusão estava armava. Ligou a mangueira.
Direcionou um pouco em direção ao responsável pela confusão, que já tinha sido contido pelos próprios manifestantes, contudo seu maior foco foi dentro do restaurante. Qualquer coisa diria que teve a impressão que o homem tinha entrado lá. Ele como era um protetor da lei e da ordem, fez o que estava ao seu alcance, sem falar que era só água. O suficiente para manter aquele idiota longe da garota. Lisanna estava totalmente ensopada. Ele tinha feito questão de encharcá-la e aquilo teve o efeito contrário. Ela ficou ainda mais sexy. O acompanhante dela parecia querer devorá-la. Maldição.
Lisanna estava totalmente envolvida pela conversa de Midnight. Nem tinha prestado muita atenção aos gritos de 'fora ladrão" e outras coisas quando foi simplesmente atingida por uma cachoeira. Aquilo não estava certo, parecia uma mangueira dos bombeiros e por que ela estava sob a água?
Ela estava se afogando, foi arremessada pra longe mas logo tinha sido amparada, mas não por seu acompanhante. Não por seu irmão, nem pelo papa, mas por Natsu. Natsu Dragneel estava ajudando-a se levantar. Aquilo não era real. Era um sonho. Finalmente ela estava com câncer no cérebro. Lembrando daquela personagem do Grey's Anatomy. Aquilo era câncer no cérebro. Não era o seu ex a levando dali, sem falar que ele tirou a camisa do uniforme para cobrí-la. Não! Aquilo era uma ilusão.
