Lisanna não sabia mais o que fazer. Não sabia mesmo como reagir, já que ao mesmo tempo em que repudiava completamente as ações de Natsu, ficava fascinada pelo fato dele desejá-la daquela maneira. Sentiu-se enojada por ter gostado daqueles toques e de toda aquela fantasia, mas ao mesmo tempo sentiu-se orgulhosa por ter reagido. Nunca achou que faria nenhuma das coisas. Nunca achava que realmente recusaria Natsu ou ainda se deixaria levar com aquela facilidade. Ainda mais achando que estava doente. Será que era um sinal que ela tinha finalmente superado o garoto e tinha virado um clichê de novela? Ou será que não tinha superado ainda e mesmo assim cairia no clichê? Superou. Ela superou Natsu, já que ele deixou de ser o príncipe encantado e agora ela o vê do jeito que ele é. Um homem cheio de falhas e hesitações, cheio de medos, receios e tormentos. E não o superou, dado o fato que ela quer permanecer com ele mesmo assim. Então, ela era um clichê e isso não tinha problema algum. Só que agora precisava pensar, pensar mesmo no que faria, se é que faria alguma coisa. Passou os últimos anos pensando em lembranças longínquas e agora tinha umas bem atuais, era uma definição de vantagem no dicionário Strauss. Será que não era o momento de criar mais lembranças ou fechar aquela ponte para sempre? A garota não sabia. Era tudo tão complicado, e engraçado, se levar em consideração que as coisas mudaram de paradigma em um espaço tão curto de tempo. Há menos de uma semana, ela nem sabia como Natsu estava e ainda estava em luto por eles, depois Dragneel Senior morreu e tudo isso começou a acontecer. Até a irmã dela estava por aqui. Aquilo de apenas um segundo ser necessário pra mudar toda uma vida não poderia ser mais real, não? Como estava com os pés muito feridos, ela chegou em uma pracinha que fica perto da casa dela e sentou no balanço. Lembrou-se de quando eles eram crianças e as coisas eram mais fáceis, dos tempos do começo do namoro deles, todas as inseguranças, as lágrimas, todas as risadas e as alegrias. Eram mesmo boas lembranças. Mesmo que ficasse tudo pra trás, caso Natsu não viesse atrás dela novamente, ainda teriam boas coisas. E era isso que tinha que levar, o que foi bom. Não podia deixar de agradecer por isso e ter a certeza que o relacionamento com Natsu e principalmente a maneira como ele terminou foram responsáveis pelo que ela era hoje, o sofrimento que causou e como isso a impulsionou a se retrair e a se soltar. Como as meninas apareceram no caminho dela e como as dores, mesmo permanecendo, a ajudaram a crescer. Aquele sentimento de derrota finalmente tinha passado. Mesmo se Lucy retornasse, mesmo que ela ficasse sozinha ou ainda se relacionasse com outra pessoa, era estabelecido que Natsu era a pessoa mais importante da vida dela, pelo menos no campo amoroso. Se bem que ela achava que ele não a encontraria, não depois do chute que deu em suas partes, não depois de tudo o que falou e até se sentia mais aliviada assim, porque não estava em condições de decidir. Aquela situação de ser largada e esquecida tinha se tornado confortável até, porque ela tinha consciência plena de seus sentimentos, nunca duvidou deles por nenhum segundo, mas não achava que tinha que fazer mais nada, entretanto, uma decisão seria tomada e que a tiraria dessa zona de conforto mórbido. Será que ela estava preparada pra tal? Será que estava preparada para fechar completamente essa porta ou não? Será que tinha mesmo que tomar alguma atitude? Ou era só esperar toda aquela confusão passar? Lisanna achou melhor esperar e começar a se balançar no brinquedo no qual estava sentada e nem percebeu que estava sendo observada. Natsu, o nosso herói às avessas estava ali. Tendo exatamente o mesmo dilema mental. Entretanto, ele não queria interromper, não queria realmente estragar tudo outra vez e claro, tinham muitas coisas que ele realmente gostaria de perguntar. Milhares de questões estavam voando pela cabeça dele, até mesmo a palavra casamento. Porque Lisanna era a mulher da vida dele, disso, ele já tinha consciência, mas e essa Lisanna? Será que essa mulher que ele viu jantando com outra pessoa, que está balançando ali é a mesma que ele ama? Provavelmente não. Mas e ele? Ele é o mesmo? Ele é o mesmo de antes? A morte do avô mexeu muito com ele em todos os sentidos, tanto que ele nem está lutando contra a tristeza, tanto que se permitiu chorar e entristecer por todas as coisas que já tinha feito. Também teve a ligação de Mirajane. Ele deveria fazer alguma coisa e tinha a total consciência de que se não o fizesse agora, perderia totalmente a oportunidade de re-conhecer essa mulher. Então, Natsu saiu da moita onde estava escondido e foi até ela com passos firmes como gelatina, mas aquilo precisava ser feito. Ele se aproximou e a albina levantou o cenho e antes que ela pudesse começar a falar, Natsu começou. "Eu não sei quem você é mais. Droga, isso tá tudo errado, não era isso que eu quero dizer, ah sim, eu sei quem você, mas não mais. Merda! Ok, vou começar de novo." Lisanna o olhava como se o tivesse visto pela primeira vez e desde que essa estória começou, estava se questionando se realmente gostava desse rapaz e não de uma ideal, só que achou esse bem mais divertido e sincero, então sorriu e o incentivou silenciosamente a continuar. Natsu respirou fundo e começou: " Meu nome é Natsu Dragneel, sou bombeiro por sorte e vocação, sou especialista em fugir dos problemas e criar ainda maiores. Sou uma criança que está virando homem e percebeu que isso tudo é muito difícil pra se encarar sozinho. Sou péssimo pra terminar namoros! Uma pessoa que não sabe o momento certo pra nada, mas eu sou um bom amigo, sou divertido pra se ter por perto, eu leio periodicamente e eu amo você. Amo você agora! Antes eu não amava. Eu amava o que você fazia por mim e depois de me afastar de você e de ver você em sonhos ou ainda longe de mim, por estar com outra pessoa e ver você nela, eu realmente posso dizer que eu amo você. Mesmo você tendo me chutado nas partes, com toda a razão, mesmo você não me querendo mais, eu amo você e é bom dizer isso em voz alta sem esperar nada em troca. Ser adulto é isso, não? É fazer o necessário, dane-se o resultado." E baixou o cenho. Tinha um outro balanço ao lado do de Lisanna e Natsu se sentou ali. Os dois ficaram por alguns momentos em silêncio, somente sentindo o cheiro um do outro e Lisanna sabia exatamente o que fazer. Levantou-se e colocou na frente do homem, iniciando sua fala. "Meu nome é Lisanna Strauss, sou obituária do jornal de Magnólia, por vocação. Nada de sorte por aqui. Sou especialista em chorar pelo leite derramado há muito tempo atrás, não consigo deixar pra lá e não consigo esquecer. Tenho a tendência a me culpar por coisas que realmente não são minha culpa e chorar e lembrar coisas que aconteceram há tempos atrás. Faço comparações impossíveis e sou boa em ser deixada em péssimos momentos, me culpando por isso. Tiro a inspiração para escrever da tristeza que eu sinto e dessa culpa que não me abandona. Sou ótima em procrastinar e descobri recentemente que posso fazer estragos em pênis. Leio muito e eu amo você. Eu sabia quem você era desde sempre e acompanhei as suas mudanças e não pude deixar de amar você. Eu não tenho a menor ideia como vamos lidar com isso, se vamos reatar, se vamos simplesmente nos amar à distância. Se ficaremos com outras pessoas porque o nosso amor, por mais que seja real, passou do tempo. Você sabe o que fazer Natsu?" Lisanna terminou sem fôlego. Natsu realmente não esperava todas aquelas questões. Claro, quando ela disse que o amava, achou que o dilema estava praticamente resolvido. Eles se amam e devem ficar juntos, mas será que deveriam mesmo? Será que o tempo deles não tinha passado? Era hora de deixar pra lá e deixar ela ser feliz com quem quisesse? Um trovão ressoou, um som de metal foi ouvido, uma corrente bem gelada passou por ele e foi como se cada amigo estivesse dando um conselho. "O tempo é agora e você não vai perdê-lo mais." Mesmo que ela não quisesse, estava decidido desde o momento em que ele começou essa procura, mesmo que ele perdesse novamente, e ele iria perder mais cedo ou mais tarde, não podia deixar de tentar. "Eu sei, dessa vez eu sei o que fazer."Levantou-se, parou diante dela, a puxou pra cima e a beijou. Era muito mais agradável beijar quando a outra pessoa estava consciente do que estava acontecendo e não se considerando com uma lesão cerebral. Natsu anotaria essa no caderno. A beijava como se a vida dele dependesse disso, as mãos percorriam o corpo dela como se cada espaço daquela pele contivesse o segredo da felicidade eterna. Natsu sorriu ao pensar que aquilo era mesmo verdade. Ficou contente quando percebeu as mãos dela fazendo um caminho semelhante e quando ouviu a respiração entrecortada. "Espero que eu esteja agradando." Natsu não era aquilo que se podia chamar de amante egoísta, mas esse pensamento nunca tinha lhe passado pela cabeça, não dessa forma tão singela. E esse fato de estar abnegado neste momento, desencadeou uma reação primitiva nele, que assustou e encantou a mulher. Ele a tinha levantado no colo, sem deixar de beijá-la. Só que se afastou, já que ele não podia fazer aquilo ali, não podia fazer amor com ela em um parque infantil. Quando Lisanna disse que tinha uma árvore estrategicamente posicionada ali, ele percebeu que amaria essa mulher até o fim da vida. "Você tem certeza disso Lis? Eu não sei se é bom fazer isso aqui fora." "Certeza eu não tenho nem do meu nome, mas eu te quero Natsu aqui e agora." Foi o que ele precisava ouvir. Tomou os lábios da jovem com voracidade e a levantou, colocando as pernas dela em volta de sua cintura. Continuou a beijá-la e sentiu os dedos dela percorrendo seu abdome, chegando aos botões. O shorts dela estava caído e a camisa dele, que ela estava usando, estava aberta. Lisanna queria mais da pele de Natsu, queria senti-lo mais, então, o abraçou forte. Os dedos da mulher agarram os ombros dele com força, quando ele começou a brincar com o centro de calor dela, as mãos de Natsu apresentavam uma habilidade nunca vista e ele gemeu quando a sentiu tão úmida. Ela queria ser possuída por aqueles dedos mágicos, tanto que seus quadris faziam movimentos ritmados de vai-vem em direção aos dedos de Natsu, deixando ambos loucos de desejo. Os olhos da mulher se turvaram e foi a hora dela fazer parte da brincadeira. Pegou a ereção pulsante com firmeza e ao mesmo tempo, suavidade, arrancando um gemido gutural do homem, os fluídos começavam a se misturar e os gemidos a aumentar. Ambos estavam suados e Natsu, não aguentando mais, a penetrou de uma vez. Lisanna gritou, de dor e de desejo. Fazia tempo que não transava e essa era a primeira vez em anos que estava fazendo amor. Porque era aquilo, não? Fazer amor. Ela estava fazendo amor com o homem da vida dela, pra quem ela tinha acabado de se declarar e era diferente de tudo o que já tinha feito, inclusive com ele, fechou os olhos e continuou gemendo. "Natsu...ah..." Natsu estava nas nuvens. Lisanna era muito apertada, mas não imaginava que podia ser tanto. Lembrou-se do gemido dela e percebeu que tinha um sinal de dor ali. Foi um bruto mais uma vez, mas não podia parar. Aquele corpo era a resposta de tudo, cada investida contra ela, era a confirmação de que a amava, era viciado nela e não a deixaria nunca mais. O gemido dela também foi bem-vindo e os apertões no ombro confirmavam o que Natsu precisava saber. Quando ele acelerava, os apertões ficavam mais fortes e ela aparentava estar sentindo dor, quando ele mantinha um ritmo estável e penetrava mais fundo, os apertões pareciam carícias mais profundas. "Ela gosta disso. Ela gosta quando eu faço assim. Preciso manter esse ritmo e eu não vou gozar antes dela. Ela vai gozar primeiro, vai ser assim pra sempre, ou pelo menos até eu aguentar, não?" Lisanna deixou os lábios entreabertos e Natsu a beijou. "Ela gosta disso também. A língua dela está acariciando a minha. Ela está me apertando mais, quer que eu aprofunde o movimento." Aquela experiência era a mais erótica que Natsu tinha participado. Ele estava observando sua parceira, a redescobrindo e quando sentiu as paredes se fechando em torno do membro, percebeu que tudo aquilo tinha valido a pena. Era a primeira vez que Lisanna gozava antes dele. Ouviu prazerosamente quando ela urrou e as bochechas coradas, os lábios inchados e um inédito: "Wow." Sentiu-a desfalecer em seus braços e com mais três investidas, tirou o membro e gozou fora da parceira. "Eu não sei se você quer filhos comigo ainda." Essa não era a frase pra se falar depois de um momento mágico como esse, Dragneel! Como você pode ser tão besta desse jeito?" "Ah, você tem razão. Obrigada. Eu acho bom ir na farmácia, né? Pra comprar uma pílula do dia seguinte." Lisanna falou envergonhada. "Ah...você.." "Estou limpo. Eu só transo de preservativo. A única pessoa com a qual eu fiz amor sem foi você." Natsu falou mais envergonhado. "Mas eu faço um exame se você quiser, amanhã mesmo. Não tem problema algum.." Lisanna riu da meiguice, se é que alguém podia ser meigo depois dessa rodada de sexo animal. "Só me ajuda a achar o meu shorts e uma farmácia. Acredito em você. E Natsu? Uau! Muito obrigada." O ruivo só sorriu e a ajudou a se vestir. Como a camisa dele estava com ela, só teve que achar algo pra se limpar. E como nada podia estar tão estranho que não podia piorar, ele teve a presença de espírito de perguntar sobre um lencinho, pra se limpar. "Não, Natsu, mas você pode se limpar nessa camisa aqui, eu estou com a sua mesmo." E estendeu a camisa vermelha. O homem ficou com dó de estragar uma peça tão bonita e viu que estava de sapatos. O fato dele estar de sapatos o deixou muito intrigado, mas na próxima vez, ficaria completamente nu para senti-la totalmente. E também, ela estava descalça. "Lisanna, e o que isso significa?" "Eu estar com a sua camisa? Eu tomei ela de você, pra sair correndo." "E os seus sapatos?" "Eu tirei porque o salto era muito alto e eu queria sair correndo." "Não era isso. O que isso significa, isso que acabamos de fazer?" "Significa que temos que comprar uma pílula do dia seguinte e que temos a vida toda pra descobrir." "A vida toda?" "Bom, eu tava pensando nos próximos 30 anos, mas se você tem alguma objeção, podemos ver isso." "Eu sempre achei que não seríamos tão objetivos assim, sabia?" "Eu achava que não seríamos nada! Então acho que isso é lucro, né?" "Vamos achar a farmácia e comprar as pílulas. E mais preservativos." "Tudo bem.