Cana acordou se sentindo completamente satisfeita, com o corpo pesado, mas satisfeita, entretanto, depois de uns dois segundos, lembrou-se do pedido de casamento mais tosco da história e tentou se enterrar nos lençóis que não tinham esse tom perturbador de roxo quando ela chegou ali. Mexeu-se um pouco e se sentiu abraçada por algo que parecia uma tora em vez de braços, e uma respiração quente no pescoço e ficou encaixada e bem confortável até. Só que a vida urgia e ela precisava trabalhar, ou pelo menos, seria a desculpa perfeita para o que estava a ponto de fazer. Começou a se arrastar devagarinho e se desvencilhar daqueles braços fortes, entretanto, em cada tentativa, ela ficava mais e mais presa. "Você me pede em casamento e quer sair assim? Sem nem me dar tchau? Que tipo de marido você é, Alberona?" Laxus disse divertido. A morena não sabia como reagir, engasgou de maneiras diversas e simplesmente assentiu. "Preciso trabalhar." Ela tinha inúmeras coisas pra dizer, mas apenas conseguiu articular essas duas palavras, o que a elevava ao posto de pior mulher/marido do mundo ou seria de pior lua-de-mel de todos os tempos? Cana não sabia. "Ah sim, eu entendo. Vamos tomar café?" Laxus perguntou. "Não precisa Laxus...eu como no caminho..." "Cana, eu entendo que você está assustada. Eu também estou, mas isso não significa que eu vou deixar a minha mulher ir trabalhar sem café da manhã." "Não precisa levar isso de casamento a sério Laxus. Foi tudo no calor do momento. Pode ficar sossegado." "Então você é dessas que pede e depois retira o pedido? Que espécie de ser humano que coloca tantas esperanças e depois retira assim? Estou ultrajado!" "Mas do que você está falando, Laxus?! Eu só preciso de cafeína pra ir trabalhar." "Não. Pelo que eu entendo de leis trabalhistas, e não é pouco, quando as pessoas se casam, elas tem pelo menos 5 dias de licença e não importa a cerimônia." "Laxus, você não pode acreditar que um pedido de casamento feito no início de uma transa pode valer como vínculo conjugal. Sério! Podemos fazer outra coisa se você quiser, mas isso realmente não coloca você como meu marido e não me dá direitos e deveres como esposa." "E se fosse um pedido normal? Tradicional? Você acha que valeria?" "Ah, provavelmente, mas só depois da cerimonia e não somente por pedir. Onde está o café? Eu preciso trabalhar." Gajeel e Levy estavam entrando na cozinha quando viram aquela montanha de músculos se ajoelhar e começar uma melodia que lembrava muito a música que ela e Cana tinham cantado, mas com um final um pouco diferente. " Ah, eu te amo e eu quero me casar com você." O neo-casal ficou calado esperando a resposta de Cana que em um rompante de raiva pegou a panela mais próxima e bateu com força na cabeça de Laxus, gritando impropérios e ressaltando a idiotice dele em caçoar do pedido dela que foi tão espontâneo ….o que os fez iniciar uma discussão homérica e quando Gajeel e Levy perceberam, Laxus e Cana estavam praticamente nus sobre a mesa. O casal que se encontrava completamente vestido virou as costas e seguiram rumo à sala. Como os gemidos e urros estavam constrangedores demais, Gajeel chamou Levy para tomar café em uma padaria perto da casa deles, o que foi aceito com muito gosto. Chegando na padaria, instaurou-se mais um silêncio constrangedor, contudo, Levy estava com um humor excelente e começou a conversar. "Será que eles se entendem dessa vez?" "Espero que sim, porque Laxus esperançoso já é um saco, imagine Laxus sem esperança alguma? Espero que ela perceba que ele tá mesmo pedindo ela em casamento." "Mas pelos gritos, ela pediu ele em casamento antes, né?" "Sim...pediu, só que eu não ouvi isso." "Nem eu." "Bom Levy, você quer dar um passeio no sábado? Sem Laxus e Cana pra atrapalhar?" Gajeel falou rapidamente. "Claro. Onde você quer ir?" "Bom, a gente sempre pode ir para o karaokê ou sei lá, você escolhe." "Ah, tem um sebo onde eu queria ir, mas eu acho que não abre no sábado. Já sei. Tem uma praça perto da minha casa, sempre quis ir lá. Parece um local bem pra casais. Ops, é cedo demais pra falar a palavra com 'c'." Levy se embananou. "Eu acho que é cedo pra falar aquela coisa com 'n', mas eu não me importo em ser aquela coisa com 'c'. De jeito nenhum." Gajeel replicou todo contente. "Eu também não." Enquanto os dois estavam tomando o café na maior tranquilidade, Gray e Natsu aparecem seminus, com chupões pelo corpo e com um olhar completamente satisfeito. Gajeel não sabia se cobria os olhos de Levy, brigava com os dois pela indecência ou se terminava de tomar seu café. Quando tinha chegado a um veredicto, e esse era dar um beijo nos lábios de Levy, Cana Alberona entra como um furacão, pega Levy pelo braço e as duas vão embora correndo. "Mas que merda é essa? Levy!" Gajeel se levanta pra ir atrás de sua pequena, quando uma mão grande o segura. O dono da padaria achou que ele ia sair sem pagar e o agarra com muita força, arrancando urros do moreno de cabelos compridos e risadas de seus amigos que não deixaram de ser advertidos por seus trajes sumários. Depois que todo mundo pagou a conta, levaram um sermão homérico sobre a moral e os bons costumes, sem falar na necessidade do uso de roupas, pagaram a conta, com 20% de acréscimo para arcar com possíveis danos mentais que a discussão e a nudez pudessem acarretar aos clientes, caminharam com a vergonha sobre os ombros e foram como o cão arrependido para casa. Quando entraram, ouviram uma voz cantando "Happy Day" e essa voz veio acompanhada de um corpo gigantesco que estava completamente nu e a casa cheirando a sexo. Natsu e Gray sorriram, enquanto Gajeel só grunhia. Claro que a cena de um Dreyar muito pelado não foi recebida muito bem pelos seus colegas, mas a atmosfera parecia tão insana que todos simplesmente o cumprimentaram e foram dormir. Enquanto os garotos dormiam o sono dos campeões, as meninas se encontraram em casa, pra finalmente conversarem sobre tudo o que tinha acontecido, entretanto, elas não conseguiam falar nada. Cana e Levy trocavam olhares cúmplices, enquanto Lisanna ficava com um olhar lânguido admirando a paisagem, ostentando várias marcas pelo corpo, assim como Juvia que parecia imensamente exausta, mas feliz. Não vendo nenhuma solução, Cana solta a seguinte frase: "Vamos falar da orgia que aconteceu ontem à noite?" "O QUÊ?" As três gritaram em uníssono. "A orgia que aconteceu. Todo mundo aqui transou ontem, ou eu estou mentindo?" "Está! Eu não transei com ninguém, mas eu fui muito beijada em todos os lugares possíveis." Levy respondeu. "Oral é sexo também. Transou e pronto." "Mas...mas..." Levy tentou questionar. "É e pronto." Cana disse resoluta. "Uma orgia tem que ser com todo mundo junto, Cana-san. Eu estava no apartamento com o Gray-sama. Lisanna chegou como se estivesse passado a noite na relva e vocês duas saíram juntas. Então se tem alguém que pode ter participado de orgias, esse alguém é você e a Levy. "Opa, relva? Como assim Lisanna?" Cana replicou em uma tentativa vã de desviar o assunto. "Bom, Juvia acertou, mas só tinha eu e mais uma pessoa lá, o que não é o seu caso e o da Levy. O que aconteceu? Conta pra gente." "Eu e a Levy fomos no karaokê, cantamos Magal, o Laxus apareceu, o Gajeel também. Fomos pra casa deles. Parece que eu sou uma carta poderosa porque o Gajeel me pediu pra falar pro Laxus dirigir e ele fez o que eu disse. Nos dividimos em casais e eu pedi o Laxus em casamento. Depois disso..." "CASAMENTO?COMO ASSIM? CASAMENTO! TEREMOS CASAMENTO AQUI! TEREMOS QUE PLANEJAR TUDO." As garotas começaram a se animar e correr de um lado para o outro. "Gente, fiquem calmas, não é assim e também...só planeja casamento depois que todo mundo contar o que aconteceu. Por favor. Uma garota precisa de detalhes. Quem começa?" Cana desafiou-as. "Ok, Juvia começa. Gray-sama chegou e ele parecia envergonhado. E depois começamos a dançar e nos acabamos de fazer amor. Sério. Fizemos amor a noite toda. O cara aguenta muito! Estou acabada. Depois conversamos e ele se mostrou incrivelmente interessado no meu trabalho e sobre tudo o que eu fazia, mas eu não sei se ele vai ligar ou vem aqui. Não combinamos. Ah, outra coisa. Ele não cobrou. Pra falar a verdade, ele quase me pagou, sério. Eu fiz comidas azuis pra ele e ele quase chorou. Ele não é o que eu imaginava no começo, foi muito melhor." Juvia termina o relato com os olhos brilhando. Levy sorri e parabeniza Juvia pela experiência bem-sucedida e se desculpa por ter caçoado das intenções da amiga. Como Juvia não é a pessoa mais serena do mundo, diz que desculpa, mas somente se a pequena descrever com detalhes o que aconteceu com ela e Gajeel, ocasionando um afogamento ocasional. Levy tossia como se não tivesse amanhã, completamente rubra e com os olhos lacrimejantes. "Juvia, não consigo descrever os detalhes porque realmente não parece que eu estava ali, o que eu experimentei foi uma experiência extracorpórea, desde o momento do karaokê até a casa deles. Cantamos juntos no karaokê aquela música que tínhamos ensaiado. Ele também ensaiou e ficou bem legal. As pessoas nos aplaudiram em vez de nos bombardear com legumes podres e nos beijamos nos bastidores. Tão lindo. Sem falar que ele me carregou o tempo todo. Finalmente uma vantagem em ser minúscula dessa maneira. Na questão sexual, eu não sei dizer bem, eu acho que eu devo ter feito algo errado, mas no final saiu tudo bem, espero eu." "Sem nenhum detalhe?" Juvia perguntou. "Quando minhas memórias voltarem ao normal, escreverei sobre isso com todos os detalhes que puderem ser publicados." Levy prometeu divertida. "Bom, agora é a vez da Lisanna que está com vários chupões também e se for com quem eu estou pensando...ui ui ui..." Cana cantarolou. A albina ainda estava pensando em tudo o que aconteceu, nos amores, nas consequências, nos carinhos, se ela queria Natsu ou não ou ainda se ele a queria. Era muito pra assimilar e o corpo dela simplesmente não conseguia abraçar esses sentimentos. Ela tinha medo, muito medo do que aconteceu. Medo porque seu sentimento por Natsu não diminuiu em nada, seu corpo respondeu a ele da mesma maneira e medo dele a machucar de novo. Ela viveria com medo pra sempre e estava preparada pra isso. "Lisanna, tá tudo bem?" Cana perguntou. "Ah, sim. Eu só estou assimilando. Tudo. No restaurante, Natsu me pegou, me jogou no fundo do caminhão, mesmo eu achando que estava com câncer cerebral, sim eu achei porque a Lizzie do Grey's Anatomy também começou a ver coisas e eu achei que comigo seria assim também, nos beijamos no caminhão, começamos a tirar as roupas um do outro, fomos flagrados, eu fiquei muito brava, bati nele, com direito a chute nas partes e tudo, roubei a camisa dele, porque a minha tinha virado um trapo, deixei meu sapato no restaurante, fui na manifestação, caminhei com todo mundo e o meu pé ficou um lixo. Até vi a ativista convidada junto com o meu acompanhante no encontro e fiquei feliz. Cheguei em um parque e fiquei balançando um pouco. Natsu apareceu, nos declaramos, não prometemos ficar juntos, transamos muito, nos desculpamos um com o outro e transamos mais. Acho que em cada local daquele parque que tinha um arbusto, nos amamos ou transamos loucamente, não sei. Eu sei que eu estou com medo. Porque sempre ser a largada, a derrotada ou até mesmo a solitária é ruim, mas é muito confortável. Não sei se eu vou conseguir." Lisanna terminou em um fôlego só. "Espera, quer dizer que você não sabe se voltaram ou não?" Levy assustou-se "Voltamos, mas naquela coisa de um dia de cada vez. Porque a gente não sabe o que quer um do outro, eu não sei nem se eu vou vê-lo hoje. Eu tenho marcas dele por todo o meu corpo, mas nenhuma diz o telefone dele, eu não sei onde ele mora, ele não sabe onde eu moro. Quem me garante que tudo isso não é um sonho muito cruel e que eu não vá acordar chorando e vá trabalhar e diagrame a notícia que ele vai se casar com a Lucy, porque eu só não a escreveria porque eu escrevo de mortos e não de vivos!" Lisanna se desespera. Ao ver a amiga tão trêmula, as três se juntam em um abraço em grupo e se mantém em silêncio, sendo possível ouvir somente o choro copioso de Lisanna, que evocava uma agonia diferente em todas elas. Elas estavam felizes, aquilo era certo. Todas tinham ficado com aqueles que desejavam, não tinha outra maneira, mas aquilo era pra se pensar. Cana começou a pensar que mesmo que Laxus ela tivessem se entendido, que não tinha nada tão certo, o mesmo pensamento passava pela cabeça de Levy e de Juvia, mas não podiam verbalizar porque nenhuma delas tinha chegado a esse nível de desespero e agonia. Qualquer comentário pareceria egoísta no momento. Juvia levantou contente e foi fazer o café, enquanto Cana e Levy acalmavam Lisanna. Cana dizia que a Lucy tinha mesmo ido pra Tailândia enquanto a cronista somente acariciava os cabelos da amiga que ainda não tinha levantado o cenho. A porta abriu subitamente revelando uma Kinana muito satisfeita, mas que desfez o sorriso no momento em que viu Lisanna chorando. "O que aconteceu?" "Insegurança" Levy respondeu baixinho. "Ah sim. Bom, vocês estão aí, é hora de providenciar os doces." Kinana nem perguntou, pois sabia que a insegurança era relacionada a Natsu que provavelmente tinha encontrado a amiga. Se tinha insegurança, era porque algo tinha acontecido e se tinha uma coisa que Kinana sabia era que nada resistia a um bom chocolate. Foi ajudar Juvia a fazer o café. Depois de uns 5 minutos ouviram a porta bater e Levy foi atender. "Gajeel, Laxus, Natsu, Gray? O que estão fazendo aqui?"
