Levy não sabia mesmo o que pensar. Tinham 4 homens ali na porta, parados, completamente serenos, homens bonitos até, um deles que ela tinha até trocado uns fluídos e na porta da casa dela. Delas. As amigas estavam ali em algum lugar. Aquela cena era completamente surreal e como uma cena surreal pede um comportamento surreal, a pequena cronista disse: "Entrem por favor. Sintam-se em casa." Uma reação normalíssima para a bizarrice da situação, o que pegou os 4 de surpresa. Os garotos se entreolharam e adentraram o recinto. Lisanna não acreditava em nada, estava ali. Natsu estava ali na casa dela, mas não tinha como ele saber. Porque ficaram tempo demais se beijando e conversando de menos. Beijando...beijando...e quando Lisanna começa a devanear, ouve um barulho de algo caindo e quebrando. Não foi nada além da panela de brigadeiro consolador que Juvia tinha feito pra Lisanna. A panela quebrou e o brigadeiro se espalhou pelo chão, mas nada que não pudesse ser limpo depois, isso se alguém se dignasse a limpar. Silêncio. O que restou foi um silêncio ensurdecedor. Não se sabe quanto tempo passou, se foram minutos ou segundos, mas Levy, surpreendendo a todos, foi até Gajeel e perguntou se estava tudo bem. E como eles tinham chegado ali. "Ah, o Salamander tinha um papelzinho dizendo onde a moça platinada morava. Daí viemos junto. Na verdade, viemos mesmo por causa do Laxus, achamos que ele está meio doente." Cana já se exaltou: "Doente? Como assim doente? O que aconteceu?" "Bom, ele está muito gentil. E achamos que ele está com saudades de você. Senhorita Alberona." "Ok, por que isso? E como vocês me conhecem e por que ele está com essa cara?" "A gente acha que é amor." Natsu se adiantou. " E como ele não é o único sofrendo disso, cá viemos nós ajudar nosso amigo a se resolver. Então, senhorita Alberona, pode nos ajudar?" Ninguém entendia nada. Tinha uma panela de brigadeiro quebrada no chão e ninguém queria tomar providências, tinham 4 casais e uma observadora, Kinana, que estavam completamente estáticos e um dos celulares começou a tocar a seguinte música. "Welcome to the new age, to the new age...welcome to the new age" Uma explosão de risadas foi ouvida e as oito pessoas foram se juntando em quatro casais e cada um se dirigiu a um aposento, exceto Laxus e Cana que ficaram na sala. Kinana, como a pessoa sábia que era, se retirou da casa o mais rápido possível. Com o baque da porta, os quatro casais ficaram presos em seu próprio universo paralelo. E as conversas foram mais ou menos assim: Lisanna e Natsu se encontravam fechados no quarto dela, distantes um do outro, o que deixava o ruivo completamente confuso. Mas ele não sabia o turbilhão de emoções no coração da garota, que se via mulher-menina-broto de feijão. Uma confusão sem limites. Ela respirou e conseguiu ser ouvida por ele, que a olhava como se fosse um extraterrestre, porque ela parecia hiperventilar. Mais confusa ainda. E surpreendendo até mesmo a si próprio, o homem começa a falar... "Lis...temos que acertar algumas coisas. Tudo bem pra você assim?" A garota só assentia." "Por que você está com os olhos vermelhos? Estava chorando?" Assentiu silenciosamente. "Eu fiz algo errado Lis? Você está chorando, eu não sei o que fazer eu quero você feliz e eu estou falando como se não existisse vírgulas e nem pontos finais." "Não fez nada Natsu. Eu só queria saber o que acontece entre nós, entende? Teve todo esse drama da minha parte. As minhas amigas sabem o quanto eu te amo e o quanto eu sofri e como isso me moldou. Depois nos encontramos e foram aquelas duas semanas e meia de amor resumidas em menos de 4 horas. Meu coração não está acostumado com tanta indefinição. Porque era tudo definido. Eu tinha você, eu era sua namorada, depois não era mais. E eu sei que esse sentimento parece muito precoce da minha parte, mesmo depois de eu ter dito que não era pra gente apressar nada, sabe? Eu não sei o que pensar, nem se eu devo pensar. Me desculpe." "Liz, por que a gente não pode viver um dia de cada vez? Porque eu não quero te perder, não quero fazer você sofrer, mas se tivermos toda essa expectativa, não vai dar certo, porque eu sou o melhor do mundo em ferrar com tudo o que é importante pra mim. E eu não quero perder isso. Eu estou confuso, muito confuso em como proceder, mas não com meus sentimentos. Eu te amo, e não amo pouco. Amo muito, mais do que eu deveria até, pra não te sufocar e eu não sei lidar comigo te amando. Entende?!" "Você me ama mesmo. Me parece bem certo disso Natsu. Então, vem aqui. Fica aqui comigo agora. Pode ser?" Natsu sentou-se ao lado de sua musa e depois disso não viu mais nada. No outro aposento, Gray e Juvia estavam se entreolhando muito constrangidos. Nem parecia o mesmo casal que testou todas as posições do Kama Sutra no dia anterior. "Ah, oi Juvia. Tudo bem? Como passou a noite?" Gray perguntou constrangido. Juvia, que não tinha entendido, disse que tinha passado a noite muito bem porque ele estava com ela. "Juvia, o que você espera de mim? O que você acha que podemos fazer em relação ao que fizemos ontem à noite?" "Eu realmente só esperaria uma repetição. Mas não tenho aspirações românticas, eu acho. Porque eu tinha uma ideia de você. Tinha essa impressão, sabe? Essa cisma que eu te conhecia porque eu lhe observava. Mas existem muitos detalhes que passam desapercebidos e eu queria ter a oportunidade de conhecer estes detalhes, mas assim, se não puder, eu não vou morrer. Eu acho. Não se preocupe, eu não espero nada relacionado a namoro, casamento e afins. Eu sei bem qual é o meu lugar na fila do pão. Gray-san." "Como?" "Olha, eu não sei o que esperar, o que fazer, então pra que fazer e esperar alguma coisa? Vamos vivendo a vida que segue. Eu matei a minha curiosidade e muito bem matada...eu acho que não precisamos viver com expectativas. Não nos conhecemos. Eu fiz contato com você e te contratei pra um serviço e talvez isso faça com que você pense que o meu interesse não era genuíno. Conversamos sobre amenidades e não sobre o que nos ligou. Talvez isso faça você repensar ou não. Eu não espero nada. Por que você não senta aqui e a gente continua aquele uno de onde paramos?!" Gray não conseguiu articular nada para rebater o que ela disse e sentou-se à frente para continuar o jogo. Gajeel e Levy estavam em um quarto que parecia uma biblioteca, fato que não passou despercebido pelo moço. "Você dorme em uma biblioteca?" "Praticamente." "É o que inspira você a escrever?" "As crônicas? Também. Me ajudam no estilo de escrita, novas palavras, sim. Me ajudam sim. Me inspiram sim. Mas viver me inspira a escrever melhor, ou mais. Eu acho." "Eu acho o seu trabalho fantástico. Sou mesmo seu fã. Eu guardo as suas crônicas faz tempo. Corto todas e guardo em uma pasta pra reler. Eu sempre quis te escrever alguma coisa, sabe? Mas não imaginava você tão acessível assim. Tão próxima, tão fácil de tocar." E estende a mão para tocar o cabelo dela. Levy não consegue pensar em nada pra responder a frase dele, mas o afagar é muito bem-vindo. E ela sorri. Percebe que está com o maxilar doendo de tanto sorrir e vê uma mão muito parecida com a dela ir em direção ao rosto dele e os lábios se unirem em um beijo apaixonado. Na sala...temos o nosso casal principal. E eles estão calados demais pra quem está a ponto de mudar a própria vida e dos demais.
