The War of Angels and Demons.
" Nunca fale com estranhos minha querida filha e meu querido filho... E também nunca falem com pessoas da internet, elas podem te sequestrar, te iludir e podem até te matar..."
- Mães, sendo sua super-protetora desde sempre.
ATO I
5. Nunca fale com Estranhos.
Depois de várias semanas após o ocorrido e Beatriz ainda com o braço enfaixado, conseguiu raciocinar algumas pistas sobre seu encontro com os sadomasoquistas góticos que nem saíram da escola, como diz a Srta. Dreamers.
Rachel ficou mais criativa e mais atenta aos seus desenhos. Ela pensava em como seria Cabeça de Prego na forma humana, ou como seria a casa em que ela iria morar, mas o aperto no coração por não poder mais conviver com seus amigos, então ela fez um desenho dela, Beatriz e de Dean, Rachel colocou os seus nomes, para que ela se lembrasse.
Beatriz ficou achando estranho o comportamento de Rachel nessas últimas semanas, então pensava a respeito disso, mas as únicas palavras que restavam em sua mente eram, " Ela pareceu estar se despedindo de todos do Orfanato"...
Beatriz preocupada com Rachel, foi até o quarto de Dean que estava lendo uma revista em quadrinho da Marvel, ela entrou sem bater e Dean num pulo se levantou e deixou cair a revista no chão, depois levantou as mãos. Dean achava que Beatriz era como um policial.
- Olha... eu... Não fiz nada! Eu só tava lendo minhas revistas em quadrinhos, assistindo desenhos animados na televisão! Eu juro! - Beatriz entrou ouvindo todas as confissões e foi se sentando na cama, ela depois de ouvir tudo o que Dean confessou, arregalou uma sobrancelha e disse.
- Ah... O.K. Eu não vim te bater, eu vim por... - Dean sentiu-se aliviado e disse antes de Beatriz terminar de falar.
- Ah... Ufa! Meu Deus! Eu achei que não fosse sobreviver... - Beatriz formou a sua expressão de raiva e tédio.
- Eu ainda não terminei de falar... - Disse Beatriz batendo um de seus pé no chão.
- Ah claro pode terminar... - Dean fez um sorriso de assustado.
- Bom... Eu vim falar aqui da Rachel e... - Dean interrompeu novamente Beatriz...
- Olha eu não encostei um dedo nela, eu só gostei dos seios dela... E só isso! Eu não fico olhando nem nada! Se ela e vocês duas tem um caso... Eu... vocês duas tem mesmo um caso? - Isso foi a gota d'água para que Beatriz explodisse e dissesse.
- É o seguinte! Se você não me deixar falar eu juro que te esmago! - Dean se escondeu atrás da cama - E eu e ela não temos nenhum caso! Ouviu bem? - Dean assentiu com a cabeça aterrorizado - Olha, ela tá agindo de forma estranha com todos, ela tá mudada! Parece que ela... sei lá... vai nos deixar... Então... Eu pensei que você pudesse falar com ela a respeito... Mas sem dar verde pra ela ouviu?
- Pera ai. Quer que eu fale com ela sobre o jeito dela sem deixar transmitir que é sobre isso a conversa? - Perguntou Dean confuso e começou a se levantar e tentando ficar protegido enquanto andava entre os objetos para poder se proteger.
- Sim! E você é a única chance, ela não fala nada comigo... Mas eu sei que ela está escondendo alguma coisa... - Beatriz ficou preocupada.
- Mas vocês duas são tão boas amigas, ou melhores amigas... Vocês são chicletes, não desgrudam nem a pau! E por quê ela esconderia algo de você... - Dean ficou um tanto curioso mas não quis demonstrar isso para Beatriz que não podia mais falar sobre isso se não iria contar para Dean sobre... os cenobitas - Beatriz... o que foi que aconteceu com a Rachel... no dia em que eu e ela saímos...? Bom... Por quê ela ficou toda fria, você surgiu do além com esse machucado horrível no braço... E... Cara, não dá pra ignorar isso...
Beatriz pensou bem e o clima ficou tenso. Ela disse tentando desviar o assunto.
- E que que isso importa? O que importa é a Rachel! Você precisa falar com ela...! Imedia... - Alguém bateu na porta, era a Madame Lily, chamando Beatriz.
- Beatriz! Venha já aqui embaixo! Mas vou avisar, isso pode ser chocante pra você... - A Madame Lily pareceu descer as escadas e Beatriz ficou pálida e Dean disse.
- Vou com você... - Dean e Beatriz apressados.
Eles desceram os andares de escadas que haviam no orfanato até chegar na sala de visitas. Havia o que parece ser um soldado, com cabelos castanhos e olhos azuis. Rachel estava lá e sua aparência não estava muito feliz.
- Rachel... - Sussurrou Beatriz que ficou confusa, Dean ficou ao lado de Rachel e ficou imaginando a ideia de não poder mais vê-la.
- Esse é... - Rachel engoliu a seco, mas tentou apresentar o homem desconhecido a Beatriz, ele foi mais rápido e respondeu primeiro.
- Sou Elliot Spencer. Capitão Elliot Spencer, a seu dispor. - Beatriz o encarou de cima a baixo e finalmente concluiu que...
- Não... Por quê ela... - Elliot ficou sem entender e quase ficou sentimental. Rachel já sabia que ele não era capitão nenhum.
- Beatriz... É... - Beatriz protestou.
- Olha cara... Quer dizer, Capitão Elliot Spencer, nós somos como... - Ela olhou para Dean... - Nós somos como irmãos... Entende. Jamais nos separamos.
- Apesar de eu nem saber o que ela está dizendo. É verdade. E a mamãe disse não fale com estranhos, mas assim não teríamos amigos.
Elliot encarou os três e ficou de forma pensativa, até que decidiu.
- Se a minha princesa vai ficar feliz com vocês dois ao lado dela. Adoto os três. - Os três sorriram mas, Rachel já sabia que aquele sorriso de Elliot era falso e já sabia que Elliot não era quem ele realmente apresentava ser.
- Bom... Pelo menos me livrei desses pirra... Dessas adoráveis crianças... - Madame Lily ficou agradecida - Bom... o senhor só vai ter que assinar alguns papéis, mas vou logo avisando que Dean Woodland, tem um irmão mais velho, chamado Logan. - Elliot deu uma leve olhada para Rachel que fez sinal de negação e perguntou ao Dean.
- Se o seu irmão não vier, tem algum problema, sr. Woodland? - Dean fez um sinal de negação, mas em sua mente veio o dia em que seu irmão disse que o abandonaria. - Ótimo.
Beatriz estranhou a atitude de Elliot em relação aos sentimentos de Dean. Ela agarrou o braço de Rachel e de Dean, Spencer percebeu que Beatriz havia um ferimento no braço e sorriu após isso e perguntou.
- O que aconteceu com seu braço...? - Perguntou Elliot de braços cruzados, esperando Madame Lily pegar a papelada.
- Um presente. Um presente que eu vou devolver na mesma medida... - Rachel encarou Beatriz e fez alguns sinais com o olho.
- Ahh... Pelo jeito que foi enfaixado foi profundo o corte... - Beatriz estranhou ele saber o tipo do ferimento e ousou perguntar.
- Como sabe que foi um corte...? - Uma tensão preencheu o ar, até mesmo, a Madame Lily parou de prestar atenção no que estava fazendo para ouvir e Elliot deu uma desculpa.
- Bom... eu... sou do exército e eu já cuidei de ferimentos do tipo... Por experiência, sei que isso é um corte e foi feito por uma lâmina bem afiada, poderia ter pego em outro lugar... e... bom... depois falamos disso não é...? - Elliot foi se aproximando de Beatriz a cada vez que falava, Beatriz não engoliu a desculpa e olhou para Rachel que ficou pasma.
- É... verdade, como eu posso ter esquecido disso... - Disse Beatriz se fingindo de sonsa. Madame Lily voltou a fazer suas coisas e trouxe rapidamente a papelada para que Elliot assinasse.
Madame Lily fez algumas perguntas para o Capitão.
- De acordo com o formulário, preciso fazer algumas perguntas ao senhor. Se importa? - Elliot olhou para as crianças sorrindo e depois voltou-se para a senhora.
- Não. - O "não" de Elliot foi tão seco que Rachel ficou arrepiada.
- O senhor é casado? - Para a surpresa de Rachel.
- Sim. O nome dela é Nikoletta. - Rachel se lembrou de outra pessoa e rangiu os dentes e fez um olhar ameaçador para Elliot.
Elliot respondeu o seu olhar com um sorriso malicioso. Madame Lily pode sentir a tensão sobre o local.
- A profissão dela senhor. - Perguntou Madame Lily mas parece que Elliot estava ocupado tirando com a cara de Rachel em silêncio - Senhor...? - Elliot voltou a prestar atenção na Madame.
- Perdão, o que? - Perguntou Elliot com cara de inocente.
- A profissão de sua mulher senhor...
- Ah... ela era freira em uma Igreja, depois ela virou médica-cirurgiã. - Rachel estranhou a profissão dela mas logo se lembrou.
- Onde vivem senhor? - Elliot olhou para todos, parece que ele estava preparando todos para uma surpresa.
- Manhattan, West Village... - Todos ficaram de queixo caído, até mesmo a Madame Lily ficou impressionada.
- West... Village...?
- Sim... - Respondeu Elliot sorrindo.
- YAY! - Dean de um pulinho.
Elliot riu junto com as duas garotas.
- Senhor está tudo correto. Crianças preparam suas coisas. - Ordenou Madame Lily.
Os três subiram imediatamente para seus devidos quartos, Beatriz aproveitou a oportunidade para falar com Rachel, assim que elas entraram no quarto, Beatriz trancou a porta, sua amiga estranhou.
Beatriz iniciou a conversa.
- Quem é aquele cara? - Beatriz colocou suas mãos em sua cintura e ficou esperando uma resposta, Rachel gelou, ela não sabia o que dizer.
- Eu não sei... Eu estava na cozinha, ele chegou e me viu e quis me adotar... - Beatriz não engoliu a desculpa, ela respondeu sem deixar passar a ironia.
- Ahhh... Claro! Por forças sobrenaturais você estava no local exato, na hora exata, e ele veio até você e te escolheu! Tipo: ó eu quero essa dai por quê ela é bonitinha e me identifiquei com ela! Para de mentir se não eu juro que pego todos os vasos deste local e ataco na cabeça dos dois! - Rachel se virou de costas e disse.
- Eu não queria contar... Ele é o Cabeça de Prego disfarçado e a Nikoletta é a Cenobita Fêmea. Eles vieram me levar pra longe daqui... - Rachel sentou-se na cama.
- Quer dizer então que fomos adotados pelos sadomasoquistas góticos que nem saíram da escola? - Beatriz sentou-se ao lado de sua amiga - Mas o Dean não sabe disso, precisamos contar pra ele sobre...
- Não. Cabeça de Prego não vai tocar em ninguém ligado a mim... A não ser que... - Rachel pensou em uma possibilidade e Beatriz temeu algo.
- A não ser que? - Beatriz preocupou-se.
- Que Cabeça de Prego fique com ciúmes, isso pode acarretar na morte de Dean... Mas eu não quero que ele morra... Apesar de só considerá-lo como amigo é... - Suspirou Rachel e Beatriz deu de ombros e disse ironicamente.
- Essa vai doer profundamente no coração dele... Sabia que os meninos morrem a cada fora que eles levam? E também não estou nem ai se ele morrer... - Beatriz continuou a arrumar suas coisas juntamente com Rachel que ficou pasma.
Elas pararam de conversar e se voltaram para poderem arrumar as suas coisas. Ambas terminaram de arrumar as malas e desceram, Dean estava esperando lá embaixo.
Quando ele viu Rachel deu um leve sorriso no canto de seus lábios. Rachel apenas revirou os olhos juntamente a Beatriz. Elliot tentando se passar por bonzinho disse.
- Beatriz conte-me uma piada. - Disse Elliot sorrindo.
- Você é bonito. - Respondeu Beatriz, o sorriso desapareceu da face de Elliot e ele voltou a ser sério novamente, Dean, Rachel e a Madame Lily tentaram não rir disso.
Elliot tentou disfarçar o constrangimento dessa piada infame.
- É... Vamos... Crianças... - Rachel, Beatriz e Dean foram até o carro de Spencer.
O carro era uma uma BMW M3 conversível preta, Dean ficou fascinado pelo carro juntamente com as garotas.
- Rachel vai na frente. - Disse Elliot, Rachel sutilmente abriu a porta do carro e ficou ao lado de Elliot, Beatriz ficou de olho nos movimentos de Elliot, Dean pareceu ficar meio triste depois que o orfanato saiu de vista. Beatriz cochichou em seu ouvido.
- Ei... Tá tudo bem? - Dean olhou e deu um leve sorriso triste, Beatriz tentou não incomodá-lo.
A música do rádio era Storm de Theatre of Tragedy, Rachel já conhecia essa música, ela adorava.
- Sr. Elliot, onde o sr. já guerreou...? - Perguntou Rachel, que estava mais bonita com seus cabelos ao vento.
Elliot Spencer quando voltou-se para ela viu uma beleza extrema e ele até gaguejou para responder a pergunta.
- Na 1° Guerra Mundial... - Dean arregalou os olhos quando o Capitão que parecia um homem de 32 anos havia lutado na 1° Guerra Mundial. Elliot se calou por alguns momentos e todos ficaram em silêncio, Rachel mudou a música e ela viu que não era o rádio e sim o CD de Theatre of Tragedy, ela mudou então para a Ashes and Dreams - Boa música.
Rachel querendo conversar apenas com Elliot e Beatriz, escreveu a seguinte mensagem em seu celular.
" Bia, nocauteia o Dean ai... Pq eu preciso falar urgentemente apenas com Elliot e vc. Sei que pode fazer isso... "
Rachel entregou o celular a Beatriz que disse animada.
- Com prazer... - Ela nocauteou Dean que desmaiou dentro do carro e Beatriz disse surpreendendo Elliot - E ai? Sadomasoquista gótico que nem saiu da escola - Spencer freou com tanta força que assustou todos dentro do carro e Beatriz disse... - Maldita Inércia.
- Como você...? - Elliot encostou num local menos movimentado - Como você soube...? Mãe Dináh por acaso? - Beatriz logo equivocou-se.
- Não me faça ir ai e arrancar seu bilau! - Rachel pôs as mãos na cara e disse.
- Gente... - Os dois começaram a discutir, nem mesmo Rachel iria conseguir parar os dois. Elliot colocou mais lenha na fogueira.
- Aposto que a sua mãe deve ter sido garota de programa! - Beatriz ficou furiosa.
- Ahhhh agora ele quer falar da mamãe... Ohhhhhhh... E eu aposto que a sua mãe era tão mais tão velha que saia leite em pó das tetas dela! Você não mamava, você fumava! - Elliot e Beatriz iniciaram uma discussão.
- Gente! - Disse Rachel, ela ficou observando a discussão dos dois por um bom tempo até que ela tirou a camisa e ficou só de sutiã e disse.
- DÁ PRA VOCÊS DOIS PARARAM AGORA? - Berrou Rachel e Elliot apenas observava...
- Peitos... - Rachel deu um tapa na cara dele, Elliot defendeu-se - Eu te elogiei porra! Você tem... - Ele contornou os seios de Rachel com os dedos - peitos bonitos foi isso!
- Eu vou é te matar! Já não basta o beijo que você me deu agora... tem mais essa... - Rachel pôs a blusa novamente - Pronto as duas crianças já pararam de brigar? Agora obedeçam a tia Rachel e tudo vai ficar bem...
- Quer dizer que devo te chamar de Tia? - Perguntou Beatriz, Rachel respondeu mostrando o dedo do meio.
Elliot não se meteu e apenas disse.
- Olha... Não era pra mim ter adotado vocês três! Além do mais ainda tem esse veado ai... - Apontou para Dean.
Beatriz olhou Dean e ela respondeu.
- Concordo. Rachel e ele tem sido um casal fofo... - Beatriz viu se Elliot soltava uma faísca de ciúmes e isso ocorreu.
- Como é? - Ele encarou Rachel que ficou sem palavras e disse, fingindo-se de inocente.
- Nós... não somos um casal... - Ela cruzou os braços e isso foi o suficiente.
- Não existe a palavra nós entre ele e você. Apenas existe você e ele. E você prefere uma mulher do que eu? - Confessou Elliot. - Sim eu sou o Cabeça de Prego disfarçado! Satisfeita!? - Cabeça de Prego se descabelou inteiro.
- Isso já sabíamos. - Disse Rachel e Cabeça de Prego perdeu a paciência, pôs a mão no volante e dirigiu novamente.
No restante do caminho os três permaneceram em silêncio, Dean ainda estava supostamente desmaiado e Beatriz ficava olhando as paisagens ao redor e Rachel apenas se afundava em pensamentos.
O que devo fazer? pensou Rachel em dúvida. Ela não sabia se abriria a caixa ou aguardaria por algo que a fizesse realmente abrir, porém, ela ainda fica na questão de abandonar seus amigos.
Ela também se pergunta por Cabeça de Prego, será que ele realmente sentia algo por ela ou só estava fingindo? Essas perguntas viam a tona em sua mente.
Eles já estavam chegando quando Rachel viu que o trânsito iria demorar, ela fez a seguinte pergunta.
- Por que será que estamos parados? - Elliot virou-se e respondeu-a.
- Talvez por quê algum retardado mental ou suposto fugitivo de um manicômio tenha pegado um carro e provavelmente tenha dirigido por esta rua em direção à outro imbecil com problemas mentais e ter causado uma alegria aos nossos corações e isso tudo significa que eu não me importo pelo que está acontecendo. - Rachel ficou boquiaberta e Beatriz como sempre suas ironias vinham primeiro do que a razão.
- Se um dia uma pessoa superar essa sua estupidez a ponto disso eu bato palmas. - Elliot olhou para trás para encarar Beatriz...
- Escuta aqui pirralha se você falar mais alguma coisa vou pregar essa sua língua! - Beatriz revirou os olhos e respondeu.
- Que vai deixar mais uma das suas marcas registradas...? - Elliot virou-se para o volante tentando não se equivocar.
Rachel estava gastando os créditos de seu celular para navegar na internet e descobrir ainda mais sobre os cenobitas. Ela entrou em um blog chamado Mundo Tentacular.
Ela viu que os cenobitas eram seres demoníacos que habitavam outra dimensão, a dimensão composta por Leviathan, seu suposto pai. E que eles seriam sumonados somente se ela abrisse a configuração do Lamento, mas cada movimento seu poderia formar uma configuração diferente, sumonando outros cenobitas.
Ela aprendeu que os cenobitas eram antigas pessoas que na maioria das vezes não se recordavam das memórias humanas, e um pensamento veio a sua cabeça Mas se Cabeça de Prego não podia se lembrar da forma humana, como ele está aqui como Capitão Elliot Spencer...? pensou Rachel assustada, ela encarou parcialmente Elliot que dirigia.
Rachel leu que alguns cenobitas podem seduzir, persuadir o individuo que abriu a caixa e, de fato levando-o o humano a fazer uma barganha. Contudo, o individuo estaria condenado ao inferno para sempre, arrastando outras almas consigo. Rachel olhou para Beatriz e Dean.
A garota viu um parágrafo que chamou a sua atenção, a parte em que falava do homem cuja alcunha seria "A ferida que nunca sara" . Ela leu que este homem era composto por pregos cravados exatamente em seu crânio e que seu álibi para a tortura era lendário, seus meios de tortura eram correntes dotadas de ganchos serrilhados... Seu coração disparou quando leu que ele seria o Líder Cenobita do Exército de Infernal.
Ela leu que este cenobita haveria se apaixonado pela filha de Leviathan, que seria a Princesa Demoníaca, Alatáriël, mas o cenobita preferiu manter essa paixão em segredo.
A Princesa Infernal, supostamente seria aquela que o havia moldado a esta forma horrenda e não seu pai Leviathan. Alatáriël era uma cenobita no final das contas, mas seus poderes eram limitados e por isso, o Cenobita se tornou Líder de todos os outros, por conter algumas frações de seus poderes.
A aparência de Alatáriël, pelo que leu Rachel, era semelhante a de Cabeça de Prego, sua cabeça revestida com pregos cravados no crânio, por causa de sua pele ser muito clara, Alatáriël tem nas pálpebras dos olhos, um tom azulado-roxo e seus lábios da mesma forma.
A roupa de Alatáriël era de um roupão branco fechado por uma longa fita vermelha, dando semelhança as vestes japonesas. Rachel ficou horrorizada quando leu que o álibi de tortura de Alatáriël seria duas vezes maior que de Cabeça de Prego.
Rachel pensou em seu passado, um passado diferente de que ela havia contado para Beatriz... Um passado sombrio. Ela pensou que isso poderia ter algo em comum com o que sofreu na infância.
A personalidade de Rachel estava começando a mudar, ela pensara em se vingar de todos... Mas logo esses pensamentos sumiram de sua cabeça.
Quando ela finalmente prestou atenção na realidade, viu que já haviam chegado a nova casa. Ela desligou seu celular e um pouco de seu pânico saiu de sua mente.
Quem estava a espera na porta era Sra. Nikoletta, que por outro lado seria a Cenobita Fêmea. Rachel não saiu do carro com uma expressão muito alegre, por fim, Dean acordou e Beatriz apressou-o para sair do carro.
Elliot pôs o braço em torno de Rachel e sorriu para Nikoletta que retribuiu abrindo a porta com um olhar de vitória.
A casa parecia mais um local assombrado, isso foi indiferente para Beatriz, Rachel e Dean, que já estava desconfiando de algo.
Elliot mostrou os quartos de cada um, deixou o de Rachel por último que era o mais bonito de todos os outros, apesar de apenas ter mais móveis e ser um pouquinho mais aconchegante.
A casa em si, não era tão grande e nem tão pequena. Rachel ficou sozinha e se estressou após que Cabeça de Prego saiu.
Ela começou a dizer em voz alta.
- Ahhh meu deus... Eu prefiro morrer ao virar essa porcaria pálida que mais parece um morto abulante do que outra coisa... Que droga! - Ela olhou para os lados pegou o seu colar que havia recebido na Igreja e disse - Demônios eu manjo dos paranauês religiosos!
Ela se protegeu atrás da cama esperando para que algo acontecesse, mas nada aconteceu.
Ela ficou aliviada e começou a desfazer as malas. Guardou algumas roupas e algumas outras coisas essenciais. Enquanto ela arrumava as suas coisas, pensava em como conseguir fugir daquela casa sem deixar vestígios, mas alguém bateu na porta e isso a tirou de seus pensamentos.
Era Cabeça de Prego em sua forma humana, ele carregava uma rosa branca e estava bem vestido igual a um cavalheiro. Ele sorria e Rachel apenas exibia a sua tristeza.
- Não chore criança... Uma mulher tão formidável como você não merece chorar... Não merece sofrer, não desse jeito... - Rachel deu alguns passos para trás mas Cabeça de Prego a seguiu - Por quê foge?
Rachel respondeu-o com uma pergunta retórica.
- Por quê mente? Por quê não conta pra mim quem você é realmente? - Cabeça de Prego deu uma leve risada.
- Você sabe quem eu sou. E e eu não minto... - Rachel deu um leve sorriso.
- Ah é mesmo... " A Ferida que Nunca Sara?". - Cabeça de Prego engoliu suas próprias palavras e ficou cruel novamente.
- Oras... Parece-me que a menina inocente está se revelando... Não é...? - Rachel contraiu-se.
- Conte-me tudo... Se não eu juro que jamais me verá novamente como Alatáriël... - Cabeça de Prego quase lhe deu um tapa por sua ousadia.
- Como você soube...? - Disse Cabeça de Prego com uma raiva imensa, Rachel o abraçou depois dessas palavras.
- Saiba que eu não quero fazer mal aos seus sentimentos... Eu apenas quero saber de tudo... - Ela deu um leve sorriso e Cabeça de Prego ficou um tanto sentimental e ele disse num sussurro.
- Bom sente-se... - Rachel o puxou junto de si para que ele também sentasse.
- Er... - Cabeça de Prego a abraçou - Por onde eu começo... É... - Ele estava se embaralhando em suas palavras - Quando eu lutava durante a 1° Guerra Mundial, eu era o Capitão Elliot Spencer da Força Expedicionária Britânica, um dos sobreviventes traumatizados pela guerra. Após disso eu participei da Batalha de Flandres e... estava perdendo minha sanidade depois de tudo o que eu vi... Eu perdi a fé na humanidade, depois de testemunhar a crueldade que ela tem consigo mesma e perdi a fé em Deus, na qual na época achei que ele havia errado com a humanidade.
Rachel ouviu atentamente e disse de forma triste.
- Sabe... Até que você tem razão... Mas nada é perfeito. - Cabeça de Prego assentiu com a cabeça e sentiu uma certa empatia por ela novamente.
- Eu estava desiludido e cansado, então vaguei por várias terras e eu me entreguei a um estilo de vida hedonista... Voltei-me para os métodos mais básicos de gratificação para satisfação e prazer até encontrar o Cubo da Configuração do Lamento na Índia Britânica e, depois de abrir, finalmente compreendi os verdadeiros prazeres da dor e do sofrimento.
Rachel ouvia a cada palavra de Cabeça de Prego com a máxima atenção e ficou muito mais interessada e resolveu perguntar.
- Quem te deu a Configuração do Lamento...? - Perguntou Rachel curiosa, Cabeça de Prego olhou para ela de forma intrigante.
- Um peregrino... Que é o mesmo peregrino que vendeu a Configuração do Lamento ao seu padastro. - Rachel lembrou-se do homem que havia vendido a caixa.
- E depois da guerra, depois de abrir... - Perguntou Rachel.
- Bom... Depois que eu abri o cubo, eu fui arrastado por ganchos com pontas afiadas para dentro dele... E quando eu percebi estava sendo torturado, apenas via uma mulher, com um vestido branco e com uma fita vermelha prendendo-o, ela estava olhando pra mim... E nesse momento eu me apaixonei por ela... Mas não podia me mover, estavam cortando a minha cabeça e cravando os pregos igual a ela... Minha aparência era relativamente idêntica a dela. Eu desmaiei depois de um tempo... Quando acordei estava num local com correntes e com corpos mutilados. Depois de um tempo eu me esqueci de tudo o que eu havia passado como humano - Rachel ficou imaginando toda a história em sua mente.
O quarto em que estavam ficara escuro, eles pareciam ter ido para outra dimensão.
- Eu levantei e a vi olhando pra mim, estendendo a mão, eu fui de braços abertos a ela... E fui torturado por suas mãos... Mas a tortura foi tão intrigante e boa que me senti em casa... E decidi servi-la a qualquer custo. Fiz várias torturas ao lado dela, mas com o tempo, outros vieram... - Rachel levantou-se.
- Outros...? Quem...? - Cabeça de Prego se levantou e disse.
- Outros... A Cenobita Fêmea, Palrador ou mais conhecido como Chatterer e Butterball. Eles são a minha equipe mas existem outros para cada Configuração feita no cubo... E com o tempo a moça por quem me apaixonei sumiu... E eu entrei em depressão profunda e fiquei muito cruel. Em 1925, os moradores de uma área suburbana chamada Pension Veneur eram artistas que já se envolveram com trabalhos infernais... Todos eles tinham um acordo com os cenobitas, os cenobitas inspiravam o artista através de seus sonhos e o artista daria seu trabalho mais perverso para nós, as vezes nós queríamos um sacrifício de carne. - Rachel ficou um tanto horrorizada.
Rachel imaginava a cena do sacrifício detalhadamente em seus pensamentos, ela ficava inquieta a cada palavra de Cabeça de Prego.
- Quando eu, A Cenobita Fêmea, Butterball e Preguiça chegamos para o nosso mais recente sacrifício, MAS começou a vomitar poesia e ele conseguiu com sucesso me convencer que um autor e diretor do Pension Veneur chamado Barsac seria um sacrifício muito mais digno para o inferno... - Rachel disse.
- Como se livrar de seus "amigos"... - Cabeça de Prego sorriu e assentiu.
- É... Quando Barsac foi levado até o inferno, MAS foi feito o novo diretor de Pension Veneur por mim e os outros cenobitas. Um tempo antes de tudo isso ambos a Brigada de Diablo e as "séries de Jihad"... - Rachel arregalou os olhos e disse.
- Brigada... de... Diablo...? Meu deus... Agora é que a Terra ta ferrada mesmo... - Cabeça de Prego concordou com ela e continuou falando...
- Como eu ia dizendo, após eu ter entrado na Brigada de Diablo e antes das "séries de Jihad". Eu participei de uma reunião clandestina no inferno organizado pelo Doomsdayer que atingiu um ponto de dúvida entre inúmeros cenobitas presentes, ele constatou a falta de consideração de Leviathan para a proteção dos cenobitas, depois de algum tempo Atkins o matou. Após isso eu senti reencarnações do meu passado humano dentro de mim e descobri que estava vivendo elas com outros cenobitas que eram outros sobreviventes da guerra e isso acabou por atrapalhar minha carreira no inferno e eu descobri um pouco do meu passado humano. - Rachel ficou abismada.
Rachel estava raciocinando tudo na cabeça e decidiu falar algo.
- Quer dizer que esse Doomsdayer, estava promovendo uma reunião secreta para formar cenobitas rebeldes para se voltar contra... nesse caso... meu pai? - Cabeça de Prego olhou para a janela do quarto de Rachel, ela foi até ele abraçando-o por trás.
- Sim. Eles eram chamados de Nightbreed, eles estavam se rebeleando ainda mais e atraindo mais pessoas... Leviathan ordenou que alguns cenobitas fossem "embora" do Inferno por um tempo, ele temeu que o Inferno ficasse uma bagunça. Alguns ficaram como eu e Chatterer... Nós caçamos e matamos cada cenobita que vimos que era contra as regras de Leviathan. Então, Leviathan ordenou que eu e Chatterer controlássemos a situação, por nosso desempenho em batalha, Leviathan também ordenou que nós dois parássemos essa rebelião da forma mais rápida para que o local não levasse muitos danos. Juntos eu e Chatterer demos um jeito de conter os rebeldes e... bom a maioria deles foram mortos por minhas mãos mas... Eu tive que executar um amigo e um seguidor bem próximo de mim, Gehenna.
Rachel surpreendeu-se e perguntou.
- E o que aconteceu depois? - Cabeça de Prego virou-se, por incrível que pareça ele estava ainda em sua forma humana.
- Depois eu fui eleito a Líder Cenobita, e eu pude vê-la mais uma vez... Aquela cenobita... - Cabeça de Prego suspirou - Depois soube o nome dela... - A face dele se entristeceu - E também soube que ela era filha dele... Leviathan e soube também que ela lutaria contra os anjos por causa da guerra... Por quê ela? Por quê? - Cabeça de Prego parece que teve um surto e Rachel se encostou na parede tentando se proteger... Mas parece que o surto durou poucos segundos... - Mas... isso não me impediu de amá-la, cortejá-la, fazer as suas vontades... E quando ela me disse que eu era o favorito dela... Fiquei pela primeira vez na minha vida feliz... E depois de um tempo, ela disse que estava me amando.
Rachel se aproximou dele e começou a se " lembrar" dos momentos de quando era cenobita.
- Eu me lembro... - Disse Rachel sem querer, e Cabeça de Prego voltou-se para ela e ficou cheio de esperanças.
- Do que se lembra...? - Cabeça de Prego foi até seu encontro e sorriu a ela... - Está começando a ter suas memórias de volta... Isso me deixa feliz... - Rachel por incrível que pareça sorriu e disse com seus belos olhos sedutores...
- Conte-me depois a sua história... E se o Capitão não tiver problema em chamar uma moça para dançar... - Cabeça de Prego disse de forma cavalheira.
- Eu sou o Capitão Elliot Spencer, a Srta. aceita a honra de dançar comigo? - Cabeça de Prego reverenciou-se para ela e Rachel disse de forma meiga e doce.
- Claro que aceito. Apesar de minha mãe e pai disserem para eu não falar com estranhos... - Cabeça de Prego riu e depois colocou uma música não tão antiga para tocar, As The World Falls Down de David Bowie. Os dois dançaram por horas até anoitecer, o que não faltou muito tempo.
Rachel viu Cabeça de Prego por um lado diferente, o lado bom e sensível.
Ela agora acredita que exista um lado bom após abrir a caixa.
