The War of Angels and Demons

"Como é reencontrar uma nova amiga? Será que é difícil o reencontro... Até mesmo nem sei se ela irá me reconhecer..."
- Beatriz Houster

ATO III:

39. Reencontro.

Parte 1

Beatriz e Raquel se preparavam para ir ao Inferno, a garota nunca havia ido ao submundo, nem sua mãe, essa seria a primeira vez em que as duas visitariam o lugar mais quente da Terra.

A Caçadora arrumava as malas, colocando apenas o necessário, Raquel fazia o mesmo, porém, algo a incomodava, ela se perguntava se sua filha pretendia trazer sua antiga amiga de volta, o que seria impossível...

Beatriz ficou sem dizer nenhuma palavra até ao cair da noite, onde após se preparar, ficou emburrada e calada, seus olhos estavam se entristecendo e Raquel teve que dizer.

- Não tem nenhum meio de trazer Rachel de volta... Beatriz. Não importa o que você faça ou tente... Ela não pertence mais a esse mundo... - Beatriz fuzilou sua mãe com um olhar mortal e apenas disse grossa.

- Não interessa... - Raquel não se deixou por vencida e se ajoelhou perante a filha...

- Querida... Você sabe que falo a verdade... - Beatriz assentiu, quase derramou uma lágrima.

- Eu sei mãe... Talvez... Rachel seja Alatáriël ao mesmo tempo... sabe... Estou tão confusa mãe, não sei o que dizer ou falar... Não sei mesmo... - Disse Beatriz entristecida e sua mãe a consolou.

- Mesmo se ela não for a Rachel, mesmo se ela for Rachel... Ela irá te ajudar e ficará feliz em te ver... Hmm? - Beatriz levantou sua cabeça para olhar nos olhos da mãe, que estavam confiantes.

- Tá certo... Bom vamos lá encontrar a Alatáriël... - Beatriz e Raquel saíram da casa e adentraram o carro voador... - Como vamos... er... quer dizer pro inferno num carro?

- Aqui é de outro nível meu bem...! Apenas precisamos mergulhar no Oceano Pacífico... Perto do Japão existe um local chamado Triângulo do Dragão... Lá dizem que as coisas somem, desaparecem e voltam em destroços do nada... Dizem que lá, tipo lendas locais, existe um grande dragão verde-vivo que tem cabeça meio arredondada, existem, também, vários relatos de pessoas que estavam no Japão viram a criatura emergir da água... Creio que...

- Leviathan... - Murmurou Beatriz mas sua mãe discordou.

- Não... Um de seus filhos, a cratera abaixo, por onde o monstro sai, é uma passagem para a entrada do Reino de Leviathan, não vamos precisar abrir o cubo para poder entrar lá... Mas precisaremos de um feitiço, que por sorte eu sei, para respirarmos embaixo d'água... E Beatriz seus poderes não vão funcionar... - Beatriz ficou com raiva...

- Foda-se... Lulu é mais poderosa do que qualquer monstro marinho já existente...

Isso mesmo mestra! Lulu é bem forte!

- Com certeza Lulu! - Animou-se Beatriz.

- Você não está pensando direito Beatriz... Use a sua cabeça! Fogo se apaga na água e aquele monstro pode ter mais de trinta metros de comprimento! Sua besta, obedeça a sua mãe! - Beatriz imitou sua mãe com uma voz bem fina... - Olha aqui menina, mais respeito!

- Tá, tá mãe... Mas voltando ao assunto... Se Leviathan não é o próprio leviatã, como... ele sei lá... - Raquel entendeu e respondeu.

- Como o monstro marinho pode ser um leviatã? Bem simples, Leviathan tem vários filhos monstros marinhos por todo o oceano... Não importa... O Triângulo das Bermudas... É o pior deles... "O Dragão" chega a ultrapassar uns cem metros de comprimento... Por que acha que navegar sob o Triângulo das Bermudas sempre acaba em desgraça... A maioria dos acidentes são causas inexplicáveis... Mas ainda bem que não iremos passar por ele... Isso me dá alívios... - Beatriz estava imaginando o ser monstruoso em sua mente...

- Que droga... Como vamos passar por ele? - Raquel ficou pensativa e depois de alguns minutos respondeu.

- Isso é o problema... Nós teríamos que nadar bem rápido para podermos entrar, mas mesmo assim não iríamos conseguir... Precisaríamos de outra coisa...

- Eu tive uma ideia... Tenho uma carta na manga que nos fará ir bem longe, uma certa vez aprendi um ataque d'água e... ele seria finalmente útil... Relaxa... Vou nos tirar de lá em alguns segundos... - Raquel desconfiou das ideias malucas de sua filha mas nada disse ou insinuou, apenas continuou dirigindo, rumo ao Japão!

Alguns Milhões de Horas Depois.

- Ahhh a gente já chegou? - Queixou-se Beatriz...

- Beatriz! Você já perguntou isso mais de vinte vezes no mesmo minuto! E mais vezes em algumas horas atrás... Fica quieta! - Ordenou a mãe.

- Tá tá... - Beatriz ficou calada...

Depois de mais algumas horas de espera e alguns dias inteiros, finalmente elas chegaram ao local, onde ocorria uma tempestade monstruosa, parecia que havia se formado um redemoinho no local, ele era bem grande...

- Mas que porra é essa?! - Se assustou Beatriz... E Raquel tentou ironizar...

- É a parte da diversão! PULE! - Raquel saltou do carro e foi diretamente para a água e Beatriz foi em seguida...

As duas mergulharam no oceano mas logo voltaram a superfície para poderem respirar...

- Você é louca!? E o carro? - Berrou Beatriz.

- Ele sabe voltar pra... "glug"... Sozinho! Vamos ter que mergulhar por quê se não... "glug" ele vai nos devorar! Lamellae aqua! - Beatriz e Raquel mergulharam...

Beatriz notou algo diferente... Ela estava com pés de pato, com brânquias e uma pele igual a de um peixe... Ela também percebeu que podia falar embaixo d'água...

- Incrível! - Exclamou ela e Raquel sorriu...

- Temos apenas duas horas até esse feitiço acabar! E depois disso... - Beatriz já entendeu o que sua mãe iria dizer.

- Precisamos encontrar o monstro marinho para podermos chegar à passagem...! - Disse Beatriz nadando lada a lado com sua mãe.

Aquela parte do Oceano estava vazia, não havia peixes, ou qualquer tipo de ser vivo naquele local, Beatriz avistou um castelo submerso em ruínas e bem na torre, havia algo enrolado nela.

Beatriz ficou com os olhos arregalados e por um instante parou de nadar e ficou encarando a besta com um olhar desafiador, sua mãe fez um sinal para que ela a seguisse. A garota nadou bem rápido mas parece que o monstro acordou com a turbulência da água, ele se desenrolou e Beatriz viu seu grande tamanho.

Beatriz e Raquel nadaram o mais rápido que puderam, porém, a besta já havia percebido a presença das duas. O leviatã flutuou pela água até chegar na areia e levantar a sua cabeça junto com o seu corpo.

Raquel e sua filha conseguiram chegar às ruínas do castelo, elas tentaram se proteger nas pedras mas o ser era rápido demais, ele destruiu tudo no caminho, a energia das duas estava se esgotando.

Beatriz por um momento pensou ter ouvido tambores debaixo d'água e sentiu que sua vida estava por um fim...

- A PONTE! - Berrou Raquel e Beatriz viu a ponte submersa que levava diretamente aos reinos de Leviathan, elas tentaram ganhar impulso nas rochas, porém... Beatriz foi pega pela fera, por sua cauda.

Quando o leviatã abriu sua boca, lá existia fogo, um fogo infernal...

- VÁ MÃE! - Raquel voltava desesperadamente para salvar sua filha...

- Então esse é o Julgamento Final!? Leviatã? - O monstro inclinava sua boca para poder engoli-la e trazer a alma da caçadora ao inferno, Beatriz se remexia até que conseguiu chamar Lulu. - Correntes Infernais!

Lulu demorou para se transformar, Beatriz estava quase sendo engolida pelo monstro, mas bem no último suspiro Lulu apareceu em uma forma tenebrosa de correntes infernais e Beatriz lançou uma ponta da corrente que se agarrou na pedra e puxou Beatriz com alta velocidade, fazendo o leviatã mastigar o nada.

- Vai LULU! - Beatriz lançava as correntes cada vez mais longe para poder ganhar impulso mas o leviatã a alcançara novamente.

Beatriz decidiu que não estava mais pronta para fugir e enfrentou o monstro marinho.

- Lulu queime! - As correntes que estavam nas mãos de Beatriz se tornaram fogo puro, junto com seus olhos.

A sombra da Raposa de Nove Caudas apareceu atrás dela, com seus grandes olhos vermelhos afugentando o monstro marinho, que não recuou, leviatã se posicionou em forma de ataque e defesa. Beatriz estava cheia de chamas e com isso conseguiu um pouco dos dois tipos de oxigênio.

Assim começou-se a luta entre o Leviatã e a Raposa de Nove Caudas, parecia que Lulu havia se transformado no grande espírito da raposa suprema e com isso atingiu o leviatã com seus poderes e Beatriz com suas correntes de mão dupla.

Leviatã atacou mordendo o pescoço da Raposa, mas esta, revidou, dando uma patada em sua face, que o deixou gravemente ferido. Os sentidos de Leviatã ficaram turvos e confusos, suas vistas ficaram nubladas, mas ele soube distinguir quem era o inimigo e atacou novamente a Raposa que esquivou e dando-lhe mais uma patada o jogou longe, ele não se mexeu mais.

Enquanto isso... Nos Túneis do Castelo de Leviathan, Aura escutava alguns barulhos vindo de cima e pode sentir uma gota d'água cair em seu belo rosto. Apesar da menina fofa ficar assustada, ela pode sentir três almas diferentes no andar de cima...

- A Raposa, O Basilisco e... quem? Não sei distinguir... Que sacoo! - Aura ficou emburrada e Fofo ao seu lado latiu e disse.

Ei...! Aura! Essa alma desconhecida... Ela tem uma força discomunál mas esta força é de raiva e ódio, mas existe bem também e bondade.

Aura sem perceber ela tropeçou...

- Mas o que é... isso?! EEK! - Aura rapidamente se levantou e viu que era um corpo decomposto... - AHHH! - Ela olhou ao redor e viu que havia partes mutiladas e a sua frente alguém disse...

- Então é você que vive me causando problemas...? Hmpf... Criança inútil...! - Aura não conseguiu distinguir de quem seria essa voz... - Escute isso!

Uma mulher falava uma língua estranha, Aura ficou em transe e não conseguiu se mover, Fofo ficou em alerta mas essa pessoa lhe atirou uma pedra bem grande, Fofo desmaiou. A visão de Aura ficou turva, ela perdeu sua levitação e caiu no chão.

Ela olhou a luz que ficou atrás do inimigo...

- Você e essa sua raça me enojam... Principalmente filhos de Mythraell... - Aura quase fechou os olhos... - Mas já você terá um destino diferente dos outros...

De repente fios invisíveis, apareceram e atiraram Aura na parede, sangue saiu de sua cabeça, o ser não desistiu e fez mais movimentos com as linhas que controlavam o corpo de Aura, ele fez com que ela batesse de um lado pro outro.

O sofrimento para Aura foi demais...

- P-para... P-por favor... Eu não... quero mais... - Aura suplicou para que ele ou ela parasse... Mas...

- Onww que amor... Tadinha dela! HAHAHAHHA! - O monstro fez com que as linhas se entornassem nos dedos de Aura - GRITE! Quero ouvir seu ardiloso grito! Grite! - Essa criatura deu uma risada de psicopata enquanto quebrava os dedos de Aura...

Fofo estava quase acordando, ele pode ouvir os gritos desesperados de Aura. Fofo tentou mandar uma mensagem para Mythraell que já estava desconfiado...

Mythraell! Nos túneis! Aura!

Mythraell conseguiu ouvir o chamado de socorro de Fofo, como era lua cheia, ele...

- Ninguém se mete com um de meus filhos! - Mythraell se transformou em um enorme lobo cinzento e correu em alta velocidade para os túneis.

Quando ele chegou nos túneis viu Aura ensanguentada e Fofo lambendo seu rosto para tentar fazer com que ela continuasse viva... Mythraell se destransformou e voltou a sua forma humana, ele olhou pelos túneis e nada viu... Apenas restou o sangue da pobre Aura...

- Pobre Aura... Aguente firme minha querida... Fofo... - Mythraell com uma das mãos segurou Fofo que se aconchegou em seus ombros.

Quando Mythraell adentrou o salão principal avistou Angelique que ficou furiosa...

- O que significa isso? - Mythraell fuzilou-a com um olhar mortal...

- Nada... sua vaca! - Pinhead que estava na sala ouviu a discussão... - Pinhead segure-a com firmeza...! - Pinhead obedeceu e prestou atenção à discussão...

- Veja como fala comigo, seu animal! - Mythraell se enrijeceu e ficou furioso.

- Eu falo com você do jeito que eu quiser e é VOCÊ quem não deve falar comigo desse jeito! - Angelique se revoltou e deu um soco no rosto de Mythraell que ficou ainda mais revoltado e nervoso.

- Cachorro Vira-lata é isso o que você! Animalzinho de pelúcia inútil! Seu vadio... Seu verme em forma de cão... É isso o que você é...! - Berrou Angelique e Mythraell estava perdendo a "calma"... - É ISSO O QUE VOCÊ É!

Mythraell não aguentou e deu um murro na cara de Angelique e foi parar longe, Leviathan estava vendo tudo...

- Pai... - Suplicou Angelique e Leviathan respondeu friamente.

- Você não quis casar com ele? Então, você que se resolva com seu marido...

- Não se meta Leviathan! Sua filha precisa aprender uma lição! - Mythraell espancou Angelique e disse a ela, quando quase a enforcou... - Eu te avisei para não se meter com nenhum filho meu! Bastardo ou não bastardo!

Enquanto Angelique e Mythraell brigavam, Beatriz e Raquel ainda estavam no mar e apenas restava alguns minutos...

- Onde fica a passagem? - Beatriz perguntou a Raquel que apontou para baixo... - Como chegamos lá?

- Precisamos encontrar o portal... e rápido! - Raquel disse a Beatriz que já estava procurando...

- Espera acho que... "glug"... - O tempo de baixo d'água de Beatriz havia acabado... Ela então apontou para a válvula que havia no local, ela estava bem escondida...

Raquel e Beatriz usaram suas forças para poder abrir a válvula e com isso algo mágico aconteceu... Um Dragão Marinho apareceu, mas não era uma cobra, era realmente um dragão... Ele encarou as duas e com apenas um olhar fez uma bolha enorme e com isso retirando a água do local determinado... E com isso elas puderam respirar.

O dragão com uma voz um tanto rouca perguntou amigavelmente.

- O que fazem aqui, minhas crianças? - Raquel respondeu primeiro.

- Nós viemos para adentrar o Reino de Leviathan... - O Dragão franziu a testa...

- Sim... sim... Muitos já vieram para cá antes, mas nenhum havia poder como ela... - O dragão apontou para Beatriz... - Você carrega um enorme poder que poderá levá-la a bondade ou à sua própria destruição... Bom meu nome é Sea, e vocês são?

- Beatriz... Houster.

- Raquel Witchwood Houster.

- Muito bom... Eu acho que nosso amigo ali terá uma grande dor de cabeça, graças a sua querida raposa... Meus cumprimentos, Srta. Lulu. - O Dragão se reverenciou e Lulu em forma da Raposa de Nove Caudas apareceu sentada ao lado, ela também fez uma referência.

- Igualmente, Sr. Sea. É um prazer vê-lo novamente.

- Pera ai, vocês já se conhecem? - Beatriz ficou confusa.

- Sim... - Respondeu Lulu... - De antigos tempos...

- Vocês podem passar pelo portal... - Sea abriu uma porta tridimensional - Mas tomem cuidado daqui para frente.

Ambas adentraram o portal, Lulu voltara para o bracelete e Sea ficou guardando a passagem até elas entrarem...Ela adentraram um dos túneis que estavam a cima do castelo e nisso elas percorreram.