The War of Angels and Demons
" Hmpf... Não importe o quanto você brigue com sua amiga, no final, você sempre faz as pazes com ela normalmente, como se nada tivesse acontecido... Mas o fato é, você jamais esquecerá disso... Creio eu, que nem mesmo ela terá esquecido..."
- Beatriz Houster.
ATO IV:
44. Amizade:
Confesse.
Beatriz após seu encontro formal com Leviathan, adentrou o quarto de Alatáriël rapidamente e furiosamente. A cenobita apenas olhava sua expressão de plena armagura e de ódio.
- O que faz aqui? Está louca de sair por ai... desse jeito! - Alatáriël repreendeu Beatriz por seu ato estúpido e impensado, mas, a mesma não estava se importando com isso.
Beatriz virou de costas, sua respiração parecia ter ficado mais ofegante, seus batimentos cardíacos estavam acelerados... Ela com um pouco de esforço disse...
- Você se esqueceu... esqueceu... de mim. Prometeu que não iria esquecer! - Gritou Beatriz, ela podia ser forte, porém, nesses casos jamais poderia esconder as lágrimas que caíam de seus olhos. Ela pode sentir o frio de suas lágrimas escorrendo pela sua bochecha e também, pode sentir o frio que gelou seu coração.
- Esqueci... de você...? - Perguntou Alatáriël confusa e sentindo, em excesso, um sentimento de culpa e medo... - Eu nunca esqueci de você! - Alatáriël deu um passo em direção à Beatriz, que ficou em silêncio por alguns minutos e posteriormente começou a soluçar baixinho, ela preferiu tentar esconder seu choro de culpa.
- Sim! Esqueceu... Não veio me procurar... Você só queria saber do Woodland! - Beatriz estava colocando sua culpa em Alatáriël, que se sentiu confusa e culpada.
- Eu não me esqueci de você... E não me preocupei apenas com Dean... Eu mandei Liar ir atrás de ambos, mas, quando ele chegou lá... Você havia sumido... Beatriz... você... tem algo para me dizer? - Perguntou Alatáriël, que agora estava desconfiada, porém, levantava uma hipótese em sua mente.
- Tenho várias coisas para te dizer! Mas... - Alatáriël deu mais um passo em direção à Beatriz que sentiu seu corpo gelar... - Mas... eu não sei como...
- Beatriz... Pare de... fazer o que está fazendo! Liberte-se desse fardo, você não precisa disso... Por favor, pare! Você está cometendo pecados... um atrás do outro! Pessoas estão sofrendo por sua causa, seu pai, sua mãe, Liar, Dean... e... Rachel estaria sofrendo também! - Beatriz ficou furiosa e se virou.
- O que você sabia sobre Rachel? Hein? Você não sabia de nada sobre ela! Apenas a usou...! Igual ao canalha que você chama de namorado! - Insultou Beatriz, Alatáriël se sentiu ofendida com tal acusação e insulto.
- Eu sabia mais sobre ela do que você! Você acha mesmo que ela se tornou meu recipiente a força!? Ela foi de boa vontade, ela confiou em mim! Ela morreu... por você... Se sacrificou por você e por Dean... - Beatriz arregalou os olhos e quase acertou um soco em Alatáriël, mas pelo fato da cenobita ser mais rápida e ágil que ela, a mesma, desviou de seu ataque, fazendo com que Beatriz socasse a parede.
Beatriz caiu em prantos e finalmente não aguentou o choro, rios de lágrimas caíram de seus olhos...
- Eu sei! Eu sei!... - Confessou Beatriz.
Mas não consigo admitir! pensou Beatriz, que percebeu somente agora, que seu maior pecado seria... Eu jogo os meus erros nas costas dos outros, o meu orgulho... ele é meu maior pecado!... Beatriz não parava de pensar e com isso surgia uma aura negra entorno da mesma, Lulu ficou assustada.
- Pe-cados! Eles estão devorando o corpo de minha mestra! Preciso fazer alguma coisa! - Disse Lulu porém antes mesmo de fazer alguma coisa, Alatáriël já havia feito.
- Configuração do Lamento! Sugai estes pecados que escaparam de seus domínios! - Ela abriu o cubo e com isso os pecados de Beatriz foram sugados para o mesmo, porém, a dor e o dano que causara em Beatriz... foi muito grave...
Beatriz caiu na diagonal para o lado direito, ela gritava de dor, mas parecia que ninguém poderia ouvi-la... A mesma depois de um tempo parou... Sua alma parecia ter sido dividida... em duas partes.
- Ala...táriël... - A cenobita se ajoelhou perante ela e a abraçou com força...
- Calma... Vai ficar tudo bem... Estou com você... Nada vai te acontecer... - Disse Alatáriël de forma carinhosa, gentil e calma... Sua voz era solene, suas palavras foram ditas da forma mais suave e doce, parecia uma canção de ninar... Beatriz acabou dormindo.
Alatáriël a colocou para dormir em sua cama e saiu de fininho do seu quarto para poder avisar Pinhead, sobre o ocorrido, o mesmo, estava como sempre, em seu quarto.
Porém, enquanto Beatriz dormia, uma visita um tanto fofa apareceu. Um pequeno cachorrinho branco, deu um latido fininho e, estava com uma fita vermelha em forma de lacinho no pescoço.
Aura achei ela! Aqui!
Um pontinho azul apareceu rapidamente e logo, nossa pequena Aura apareceu, com seu chapéu de gatinho branco. Um outro menino com um chapéu de cachorrinho apareceu atrás dela, era Luke!
- Ahhhhh nós achamos a fujona! Ebaaa! - Aura disse espontânea e Luke "a repreendeu".
- Aura... Faça menos barulho por favor, ela está dormindo! - Fofo e Aura ficaram em silêncio, por um determinado tempo.
Beatriz enquanto isso sonhava...
Um belo jardim com lindas flores azuis, negras e vermelhas o coloriam, enquanto o céu era noite, porém, havia duas luas e um sol. Ela podia ouvir o som de uma cachoeira próxima, junto com o de uma flauta que parecia estar sendo tocada meticulosamente e gentilmente. A harmonia naquele local era tanta que Beatriz pensou que aquilo fosse o próprio céu.
Ela se sentiu tão calma que nem percebeu que suas roupas estavam diferentes, ela usava um vestido branco de alças e a parte de baixo do mesmo ficava apenas um pouco acima do joelho. Ela usava sandálias brancas com algumas pequenas pedras brancas cravadas na mesma... Uma coroa de flores enfeitava a sua cabeça, seu cabelo parecia ter sido trançado por alguém e flores o embelezavam.
Beatriz no entanto, andou pelo misterioso jardim, sem perceber ou sentir nada... Ela pressentiu que algo naquele lugar a atraía.
O cheiro das flores naquele lugar era sedutor, o tempo parecia ter parado totalmente, os pássaros, com colorações diferentes, faziam uma melodia bela e suave... O som da água fluía entre as plantas, no qual, se prestasse atenção era possível ouvir a respiração e transpiração das mesmas.
Beatriz, começou a correr gentilmente, sem rumo, ela correu, pelo jardim de mistérios e segredos... Com todo o esforço que fez, ela encontrou um arco que estava cheio de flores negras.
Ela parou para olhar e viu o nome do local escrito.
"Confesse"
- Confessar... Confessar exatamente o quê? - Perguntou Beatriz a si mesma, ela adentrou o local, para poder descobrir.
Neste local, rosas negras haviam um cheiro tão profundo, que podia penetrar sua alma com delicadeza, esse cheiro penetrava bem fundo, em sua mente... Descobrindo os seus erros...
- Essas flores... Querem me dizer algo... O cheiro delas é tão doce... Tão profundo...
Beatriz não percebeu, mas havia um pedestal com um livro negro sob ele, o livro estava fechado com um cadeado dourado... A chave não se encontrava perto do mesmo.
- Chave? - Perguntou Beatriz a si mesma.
Uma voz feminina doce, misteriosa e gentil, disse em sua mente, mas parecia que aquela voz vinha das flores...
- Encontre... Caminho... Encontre a chave.
Beatriz assentiu com a cabeça e começou a procurar, por todos os cantos. Ela não encontrou a chave, então procurou novamente.
Ela rodeava, girava, procurava entorno do local, mas nada achou.
- Não tem chave alguma... - No local começou a ventar de leve, porém as folhas das árvores e pétalas de flores apontavam para Beatriz que se encontrava no pedestal do livro - Confesse... - Sussurrou Beatriz... raciocinando... - Confesse... Confessar... meus erros passados?
- Sim... A Chave... - Respondeu a voz misteriosa.
- Mas eu já confessei! Alatáriël sabe disso! Eu confessei pra ela! - Beatriz protestou...
- Mas não confessou para si mesma, confesse... Confesse, ou jamais sairá daqui. Admita. Repense. Reveja. Não seja orgulhosa. Confesse. Tudo. - A voz feminina foi clara em relação a Beatriz...
Beatriz começou a chorar e caiu em prantos.
- Por que... Por que... Eu... não fiz nada... - " Confessou Beatriz "
- Mentira... - Várias vozes disseram essa palavra em sua mente.
- Não... Eu não fiz nada! Foi ela! Ela é a culpada! - As rosas iriam insistir até que ela confesse.
- Mentirosa... - Vozes a acusaram em sua mente... - Nós sabemos de tudo... Mas precisamos ouvir de você...
- Eu... não consigo... Não dá! Não dá! Eu não consigo fazer isso! A culpa... é... - Beatriz chorou mais ainda... - Minha... Eu fiz coisas erradas mas e daí? Ela é culpada! Ela é mais culpada do que eu!
- Não... Você é culpada e sabe disso. Apenas confesse e nós a libertaremos disso... - Beatriz engoliu o choro, agora havia determinação em seus olhos.
- Eu... confesso que... coloquei o meu orgulho acima de meus amigos, familiares... - Na mente de Beatriz, passavam-se imagens, de seus amigos: Dean. Rachel, Alatáriël, Liar, Philoquin... Parentes: Raquel, Ruriel, Jonathan, Frank... - Eu... magoei muita gente para me livrar de meus pecados... E... eu colocava meus erros nos outros, pois, achava que só os mesmos pudessem errar...
Beatriz pode não perceber mas o cadeado que fechava o livro, ia se transformando em algo... alguma coisa dourada.
- Eu... - Beatriz tentou não chorar... - Eu confesso que fiz várias coisas ruins e que magoei várias pessoas... Confesso que... eu... sou muito orgulhosa e este seria o meu maior pecado, confesso que sou muito ambiciosa, meu segundo pecado... E por último, crê eu, seria a inveja... As pessoas ao meu redor tem tudo o que eu nunca tive... Mas, isso não é verdade... Eu tenho amigos, parentes, pessoas que gostam de mim... E minha incrível e fiel companheira... Lulu.
- Pronto! Conseguiu... Agora pode abrir o livro... - Disseram as vozes, pode-se perceber um leve toque de alegria...
Beatriz se levantou lentamente, e limpou as lágrimas de seu rosto, ela tomou coragem e viu que o cadeado havia se transformado em uma chave, vendo que no centro do livro havia uma fechadura.
Ela pegou a chave e abriu o livro, no qual, o mesmo, abriu em uma página da qual saiu um raio de luz negro... E o mesmo formou algum espelho, e nele, estavam cravados símbolos estranhos...
- Liberte-se... Tocando no mesmo. E seja feliz... - Disseram as vozes, Beatriz ficou receosa sobre isso, porém, tocou no espelho e o mesmo a refletiu para o outro do lado do mesmo...
Ela tirou o dedo indicador do espelho e no vidro, do espelho, viu seu próprio reflexo, porém, o mesmo, se foi correndo na direção oposta... Beatriz sentia-se com mais liberdade.
- Caminhos... Eu deixei o meu cativeiro... Isso é ótimo... Bom... Vamos continuar e ver o que mais me aguarda.
Ela prosseguiu pelos caminhos do belo jardim... E sentindo que isso seria uma coisa boa a se fazer.
