The War of Angels and Demons
"Qual será o caminho que devo percorrer agora?"
- Beatriz, Yume Nikki(Diário dos Sonhos).
ATO IV:
45. Amizade:
Perdoe.
Beatriz percorrendo os grandes campos harmoniosos do belo jardim, estes campos haviam apenas rosas vermelhas, o vermelho delas era tão puro que parecia sangue.
- Houve uma época em que contaram para nós... - Comentou Beatriz a si mesma - Que a coloração das rosas vermelhas seria o sangue de um anjo que andou pela terra, que não podendo viver nela, ele arrancou suas asas e de seu sangue, brotaram flores de fluído vermelho incomparável... Mas isso é apenas uma história.
Ela andou e correu por diversos caminhos, as árvores acompanhavam seus movimentos suavemente. As rosas pareciam ouvir sua respiração e sentir seus sentimentos mais profundos.
Beatriz avistou um riacho no meio da estrada... Aquela seria a água mais pura e cristalina que já vira... A imensidão da água era de um azul vívido, parecendo que ela fosse o oceano, porém, era apenas um pequeno riacho no caminho da estrada. Havia pedras que se sobressaiam no rio, Beatriz atravessou o riacho usando-as.
Após chegar a outra margem do riacho, ela viu pequenos vaga-lumes, pássaros de uma coloração extremamente diferente voavam o local... Ela podia ouvir as lindas melodias.
Mas logo ela percebeu que já havia chegado ao local, em que deveria estar... Um arco enfeitado por lindas rosas vermelhas que continha espinhos, no arco estava escrito.
"Perdoe"
- Perdoar... Exatamente o quê? Ou... quem? - Murmurou Beatriz para si mesma, que andava em direção ao local, onde encontrou mais um pedestal com um livro vermelho de couro, selado com um cadeado dourado.
Beatriz estalou seu pescoço, ela olhou para trás e não pode ver mais a saída, então teria que continuar em frente.
- Perdoe... Perdoar alegra o coração... - Disse uma voz feminina, mas parecia ser uma criança.
- Perdoar... Perdoar exatamente o quê? - Perguntou Beatriz, provavelmente, ela teria dificuldade nesse "teste".
- Tudo e todos - Respondeu a voz feminina de forma suave e doce.
- Tudo e todos... - Ela olhou para baixo mas quando olhou para frente... viu... - RACHEL! Rachel você está aqui! - Disse Beatriz com um grande sorriso nos lábios.
- Me perdoe... Beatriz... Me perdoe... - Beatriz ia abraçar Rachel, mas percebeu que era apenas uma ilusão de sua própria mente...
- Perdoar? Mas você não fez nada de errado! - Exclamou Beatriz, que ficou desesperada...
- Não é o que seu coração diz... Beatriz... - Beatriz ficou sem entender uma palavra se quer... - Eu abri a caixa.
- A culpa não foi sua e sim de Pinhead! - Nesse momento, ao lado esquerdo de Beatriz, surgiu uma voz familiar.
- Me perdoe Beatriz... - Ela se virou e viu quem seria...
- Pinhead... Jamais! - Os olhos do mesmo, acompanhavam os lábios de Beatriz e seus movimentos, ele estava com as mãos juntas e atrás das costas.
- Me perdoe... - Disseram ambos, Pinhead e Rachel.
- Não... Muito menos você! - Beatriz apontou para Pinhead, enquanto ela dava pequenos passos para trás, até que ele esbarrou em algo...
- Me perdoe... Beatriz... - Beatriz cerrou seus olhos...
- Não... pode... ser... - Beatriz com algum esforço disse - Tio... Frank.
- Sim, minha querida... Espero que me perdoe...
- Me perdoe Beatriz... - Uma segunda voz feminina falava ao lado de Pinhead, seria...
- Alatáriël... O que faz aqui? Você não fez nada de errado... - Disse Beatriz, confusa e não soube o que fazer...
- Pessoas que estão aqui e ainda virão, estão em seu coração, você deve perdoar, para seguir em frente. - Disse a voz de uma criança...
- Liar, Dean, Raquel... Aron, Ruriel? - Eles adentraram o círculo na qual Beatriz já estava extremamente confusa e perturbada com tudo e com todos.
Os sentimentos de Beatriz eram extremamente confusos e perturbadores, um tanto incômodos, ela não sabia perdoar, principalmente Pinhead, na qual ela havia tanto ódio. Ela não entendia por que algumas pessoas estavam lá, ela não sabia de mais nada.
Beatriz caiu de joelhos em frente ao Pedestal onde se encontrava o Livro Vermelho. Ela dessa vez, não chorou, pois, sabia que havia de perdoar várias pessoas.
Enquanto isso na realidade...
Alatáriël se encontrava novamente em seu aposento, juntamente com Pinhead, Aura, Fofo e Luke, que observavam Beatriz.
- Por quanto tempo ela está assim? - Perguntou Alatáriël...
- Por mais de seis horas, ela não acordou e nem se mexeu. - Respondeu Aura de forma clara e direta.
- Deve ter acontecido alguma coisa... - Murmurou Alatáriël, Pinhead não demonstrava sentimentos por Beatriz, ela apenas a encarava, revirando seus olhos.
- Não deve ter sido nada de grave, ela apenas estava cansada demais e apenas está dormindo. Não devemos interromper, pois, se não, ela irá reclamar e insultar todos aqui. Como ela já faz a algum tempo. - Afirmou Pinhead, Alatáriël descordou porém, preferiu ficar quieta.
- Então é melhor eu ficar aqui, caso ela acorde... Por questões de segurança. - Sugeriu Alatáriël, Pinhead voltou seus olhos para a mesma, que tentava disfarçar sua frustração.
- Você não teve nada a ver com isso, não é mesmo, Alatáriël? - Perguntou Pinhead, desconfiado.
- Não. Claro que não. Quer dizer, apenas ocorreu aquilo que lhe contei, querido. Não foi nada demais... - Pinhead parou com seu interrogatório, não queria que Alatáriël se afastasse dele, então a respondeu de forma gentil.
- Tudo bem. Confio em você. - Pinhead deu um pequeno beijo no ombro de Alatáriël, ele a abraçou e depois todos voltaram a olhar Beatriz, que se encontrava totalmente inconsciente.
Raquel, Liar e Dean, no entanto estavam jogando cartas, a mãe de Beatriz pressentiu que algo que estava acontecendo com sua filha, porém, não queria ir, pois, achava que poderia irritar sua filha.
Com o passar dos minutos, Liar ganhou uma rodada e posteriormente foi superado por Raquel.
Vadia pensou Liar, que formou um olhar vingativo para Raquel, que exibiu sua vitória no rosto. Dean não estava se importando com isso e sim com Beatriz.
Retornando ao quarto de Alatáriël.
Alatáriël percebeu de que havia uma reunião com seu pai e os outros conselheiros, Aura iria apresentar Luke à seu pai, Mythraell; então Pinhead teria que ficar com Beatriz, para garantir a sua segurança.
- Você ficaria aqui com ela, por mim? - Perguntou Alatáriël, olhando nos olhos de Pinhead.
Os olhos de Pinhead olharam os de sua amada e posteriormente, olharam Beatriz. Ele voltou a olhar Alatáriël e deu-lhe um beijo.
- Sim, farei isso... Pelas... duas. - Pinhead tentou disfarçar o seu desgosto por Beatriz, mas ao mesmo tempo, queria se aproximar ainda mais de Alatáriël.
Ela sorriu e depois saiu junto com os outros, ele pegou uma cadeira que havia no local e se sentou, ao lado de Beatriz, ele apenas a observava em forma de acusação.
- Hmpf... Garota mimada... Nem percebe que Alatáriël está protegendo e se arriscando pela mesma... Afinal quem sou eu pra dizer alguma coisa? Todos a evitam por causa de seu incrível temperamento explosivo, creio eu, que até Rachel a evitava. Pirralha insolente. - Comentou Pinhead e observou Beatriz...
Enquanto Beatriz ainda estava nos sonhos tentando perdoar todos e tudo em seu coração, os que estavam lá repetiam várias vezes as mesmas palavras, que não eram apenas os ouvidos de Beatriz que podiam escutar e sim sua mente os escutava.
- Nos perdoe... Beatriz... Nos perdoe. - Todos e tudo ao redor parecia dizer.
Beatriz sentiu-se sufocada, e perturbada pelas vozes que entravam em sua cabeça. A mesma não conseguia, raciocinar, ela não sabia o que fazer.
- Eu sei onde ela está... - Comentou Pinhead - Mas eu tenho que ter certeza para confirmar minhas suspeitas... Um Jardim de Pecados, os Pecados de Beatriz Houster. Hmpf.
- Não! Não! Não! Alguns eu posso perdoar, menos ele! - Beatriz apontou para a ilusão de Pinhead, parecia que todos em volta dela, formaram um círculo e rodeavam em volta dela enquanto diziam...
- Nos perdoe. Nos perdoe. Nos perdoe. Nos perdoe. Nos perdoe. Beatriz. Beatriz. Beatriz. Nos perdoe. - As vozes repetiam essas palavras várias vezes, parecia um órgão só que feito de várias vozes.
- Beatriz... Você tem sido muito má consigo mesma... E com outras pessoas... Além disso, o que você quer... Você já tem. Mas não compreendeu isso ainda, para prosseguir deve...
- Perdoe... Perdoe... Para seguir em frente... - Uma voz feminina disse isso na mente de Beatriz.
Beatriz ainda resistia as vozes, mas isso já estava ficando insuportável.
- Se resistir... Jamais prosseguirá, se não progredir, não há evolução, não há o " seguir em frente". Jamais terá o quer quer. Jamais. - Comentava Pinhead.
Beatriz com um pouco mais de esforço atirou-se no chão e pôs suas duas mãos em sua cabeça, conseguindo tapar os seus ouvidos, mas isso só piorou as coisas. As vozes foram repetidas por outras pessoas, por mais pessoas... várias pessoas estavam em sua mente.
- Nos perdoe! - Gritavam e berravam dentro de Beatriz...
- Não!
- Você deve enfrentar seu próprio demônio Beatriz, ou seja, você. Você criou um Inferno dentro de você, desse inferno você não pode escapar... Você fez deste mundo o seu inferno, agora tente transformá-lo em... - Pinhead deu uma leve risada - Em céu.
- Perdoe! Perdoe! Perdoe! - Berravam mais vozes...
- NÃO! - Gritava Beatriz
- Beatriz... Você só tem uma chance, aceite-a é um presente que "ele" está te dando... - Pinhead cruzou os braços enquanto olhava Beatriz "dormindo".
Beatriz começou a chorar...
- Lágrimas? Já cansei de dizer que elas são um desperdício de bom sofrimento... - Beatriz não estava apenas chorando em seus sonhos como na vida real.
Beatriz não iria resistir por mais tempo então decidiu que seria melhor fazer a escolha certa.
- Coisas boas te acontecerão... Agora, apenas resista às ruins. Estou apenas te ajudando a progredir - Comentou Pinhead.
- Perdoe e você será perdoado. - Disse Beatriz num sussurro e parece que as vozes "abaixaram" o tom - Deus.. Eu nunca pensei que usar essa palavra fosse ser tão difícil.
Beatriz tentou se levantar porém cambaleou um pouco, mas conseguiu se erguer e disse...
- Eu te perdoo... Rachel... - A visão de Rachel desapareceu... - Eu te perdoo Liar... - Ele desapareceu... - Raquel, Dean, Tio Frank, Aron, Ruriel eu perdoo todos vocês... - Agora chegou o grande desafio.
- Vamos lá, Beatriz, não pode ser tão difícil... Vamos... Perdoe. - Comentou Pinhead, ele começou a sentir um tanto de empatia e... começou a acha que ele e Beatriz não eram tão diferentes assim.
- Você matou minha amiga, está manipulando Alatáriël, que acredita em você...
- Ohhh não... Não tem mais saída, Beatriz. - Pinhead pareceu estar ouvindo os lamentos e "confissões" de Beatriz, como se ele mesmo estivesse lá...
- Não importa... Eu jamais... Argh... - Beatriz sentia uma dor no peito - Eu... Argh...
- Vamos lá... Você consegue... - Disse Pinhead sem muito entusiasmo.
- Você é apenas um sadomasoquista gótico que nem saiu da escola! Mas... - Beatriz disse isso com coragem nos olhos...
- Mas...?
- Mas se eu não te perdoar... Eu serei igual a você... Então... Eu te perdoo. - Disse Beatriz com um pouco de determinação e coragem em seu coração...
O cadeado formou-se em uma chave e ela pode abrir o livro que em um raio vermelho formou-se um espelho, ela tocou o mesmo, e ela se teletransportou para o outro lado da janela.
Ela tirou o dedo indicador do espelho e viu seu reflexo, acenando em forma de despedida e correndo na direção oposta.
- Agora só falta mais um.
O caminho estava repleto de rosas brancas. que estavam sedutores e por fim ela continuou.
