The War of Angels and Demons

"As pessoas se vão e vem para este mundo, mas muitas delas nem deveriam ter o luxo de ter a vida. Mas quem sou eu para julgar? Sou apenas um humano, não sou Deus ou algum Juiz Fodão para julgar o coração ou a mente de uma pessoa, mas, há pessoas que tem bravura, coragem e dignidade. Nunca abro minha mente com ninguém, pois jamais entenderiam como eu me sinto de verdade, ninguém entenderá, apenas Aron Lockwood, ele, por mais que tenhamos conversado pouco, ele me entendeu... Agora o que se deve fazer é seguir em frente"

- Dean Woodland.

ATO V:

60. Um Pedido

Dean estava sentado, quieto, com a mão no queixo, ele podia sentir os pequenos pelos saindo para fora de seu rosto, dando início a uma barba rala, ele roçava cuidadosamente, mas parecia ter mais em sua cabeça do que outra coisa. Liar estava ao lado dele, também quieto, o cenobita segurava a sua mão firmemente, ambos estavam com a pele quente e suada, os seus rostos estavam sujos com a poeira que se grudara devido ao suor. O ar estava insuportável, havia sangue seco no chão onde os corpos de Lexi e Aron evaporaram. Elsa estava sendo consolada por Beatriz que já havia acordado. Pinhead estava com Alatáriël cochichando algo inaudível aos ouvidos de Dean.

Dean abriu os olhos parecendo querer tentar enxergar melhor, mas posteriormente enfiou a cabeça nas mãos e ficou lá, pensando e pensando. Seus lábios estavam molhados e seus olhos também. Um frio subiu por todo o seu corpo, mas foi ignorado quando Liar, gentilmente pôs uma de suas mãos em suas costas, Dean ergueu-se e pôs a cabeça no peito do mesmo, seus olhos estavam com a pupila dilatada, os mesmos estavam cansados, havia 'olheiras' abaixo deles.

Dean estava sentindo cansaço, sono e fome (apesar de sempre estar com fome). Ele tinha emagrecido uns dois quilos, mas apresentava grandes músculos, estava mais forte. Ele já não era mais o pequeno menino indefeso de antes, mas uma coisa que não havia mudado nele, a extrema arte de levar em conta seus sentimentos, tais como: amor, dor, tristeza, compaixão e piedade. Dean estava num mar de sentimentos, "Sou um náufrago" pensou ele alguns minutos antes, ele se imaginava jogado no mar, deixado para ser comido por peixes, mas, ele podia estar debaixo d'água porém ele sabia o que deveria ser feito. Se esperarmos mais alguns dias, não sobrará nada além dos nossos ossos deixados para serem comidos pelos mortos pensou ele.

Por um pequeno instante ele se recordou de quando cortou a mão de Aron e seu olho voltou-se para o facão, com sangue seco nele. Dean encarou-o por um breve período, lembrando de sua família, gritos horríveis percorriam sua cabeça, uma coisa que ele nunca se esquecia foi quando seu pai o pegou nos braços e o lançou no ar, sua mãe olhando atentamente a cena sorrindo, seu irmão Logan, pela primeira vez (que ele se lembre) rindo. Essa era uma das únicas lembranças boas que Dean havia guardado em sua mente.

Ruriel. Ele condenou a vida de todos, porém, como Elsa havia contado, Barthandelus estava por trás de tudo. O que Dean perguntava a si mesmo era, "Por que não estou com raiva? Por quê? " Ele fazia essa pergunta diversas vezes... Mas a única resposta que vinha a sua mente seria: "Estou vivo não? Eu estou vivo, apesar de tudo o que aconteceu. Mas e se ele não estivesse aqui e se ele não tivesse mudado os nossos destinos? Talvez eu jamais pudesse conhecer Liar, Pinhead, Beatriz, Rachel... Todos os meus verdadeiros amigos, eu jamais poderia ter ajudado nessa guerra ou ter impedido algo de alguma forma... Então essa história jamais teria existido. Eu seria morto por Scandalous, Doomsdayer iria vencer junto com Leviathan, mas, isso não ocorreu por causa dele, Barthandelus".

Dean apertou a camiseta de Liar com força, o cenobita olhou, curioso e apertou bem forte o ombro de Dean, como se fosse um consolo. Ele olhou para todos ao seu redor, tristeza impregnava o local, ele sabia que não poderiam ficar parados igual a pedras, ele deu uma rápida olhada em Aura que agora não largava mais o machado de seu pai, Luke ao lado dela, eles pareciam terem ficado bem mais próximos. Dean se levantou e todos olharam para ele, apesar de se sentir um bobo, ele tomou coragem e disse.

- Eu vou falar com Barthandelus. – Ele foi direto ao ponto, Elsa se levantou e disse preocupada.

- Quer ser morto também? – Dean a encarou com severidade e desdém em seus olhos.

- Se ele me quer morto, por que não me matou quando eu nasci? E além do mais, se ele quisesse que todos nós fossemos mortos já poderia ter feito isso, não acha? – Ele se inclinou para frente para encarar melhor Elsa – Quer ficar parada chorando por Aron? Fique! Sem problema. Mas não chame por Deus quando a sua cabeça estiver numa estaca, não chame por ninguém além do seu próprio arrependimento de não ter feito absolutamente nada para impedir! Barthandelus? Ele é cruel, astuto e perverso, mas não é idiota, ele apenas faz o que é preciso ser feito. Ninguém pode culpa-lo de nada, atire a primeira pedra quem nunca matou ninguém na vida, (bom, nessa sala pelo menos). Você não é inocente Elsa, ninguém é! Não adianta culpa-lo de tudo o que acontece no mundo, aliás, quem foi que deu mesmo a cura para Beatriz? Quem nos deu a chave para derrotar Doomsdayer? Foi ele. Então pare de choramingar e siga em frente! – Todos olharam chocados para Dean, Liar estava franzindo o cenho mas estava admirando. Elsa estava com a respiração ofegante, ela olhava para todos, desesperada, de repente ela deu um tapa bem forte no rosto de Dean.

- Você jamais entenderia essa dor! Nenhum de vocês! Nem mesmo Barthandelus! – Elsa foi precipitada nesse ponto.

- Cala a boca sua vadia! – Tá. Ele pegou pesado agora – Não conhece a história de ninguém para ficar falando que ninguém entende a sua dor. Pinhead perdeu os companheiros dele num campo de batalha – Dean ouviu Pinhead soltar um "o que? " Mas decidiu ignorar – Liar perdeu amigos, família, namorado tudo de uma só vez, graças a nossa bela sociedade... E eu... Você sabe como é ver seu próprio pai matar a sua mãe? E posteriormente ter que mata-lo por que não tinha outra escolha? Você já viveu a sua vida com um irmão mais velho que te tratava como lixo, como um inútil, mas mesmo assim o amava por ser a única família existente? Não! Aron tinha uma vida e ela foi retirada dele por simples encontro no parque, mas se não fosse por isso, como ele poderia ter te conhecido, como ele poderia ter nos ajudado aqui? E não posso esquecer de citar, Beatriz, por mais chata que seja comigo, ela também sofreu e é minha melhor amiga – Beatriz sorriu para Dean – Ela perdeu o pai, e sem querer ofender, soube que ele havia traído a todos, viveu sua vida achando que seus pais a haviam abandonado... E agora você vem falar que nós não entendemos a sua dor? Poupe-me de seu discurso fajuto que só quer uma saída de emergência para dizer que quer vingança contra alguém que não pode combater.

Elsa ficou boquiaberta, além do mais todos ficaram boquiabertos. A bochecha que havia sido atingida por Elsa estava vermelha, mas Dean nem chorou. Ele ficava encarando-a, ele não estava com seu senso de piedade agora, ele se acalmou depois de um tempo. Liar se levantou e ficou ao lado dele, o cenobita lhe deu um sorriso e uma piscadela.

- Mandou bem. – Disse Liar, gentilmente.

Por incrível que pareça todos bateram palmas, incluindo Pinhead. Até mesmo Beatriz que já havia lhe dado uns cascudos.

- Tá e agora? O que vai falar com Barthandelus? – Perguntou Liar curioso, levantando uma sobrancelha.

- Vou pedir à ele algo importante e que vai nos ajudar. – Dean preferiu não revelar muito seu pedido aos outros, pois, os mesmos podiam dizer o contrário.

- Não vai se suicidar, né? – Disse Liar preocupado ao ouvir o suspense nas palavras de Dean.

- Não. – Disse Dean com um sorriso no rosto.

Liar sentiu um alívio no peito e Pinhead fez um aceno com a mão para que Woodland pudesse ir e fazer respeito aos seus assuntos.

Dean saiu pela porta, confiante, mas logo se arrepiou quando viu o tremendo corredor escuro e de repente uma mão tocou suas costas...

- AH! – Dean deu um pequeno grito e quando viu era Liar atrás dele com uma tocha.

- Eu me rendo senhor graças ao seu grito! – Disse Liar brincando, Dean olhou com os olhos semicerrados para o mesmo e pegou a tocha de sua mão.

Os dois começaram a andar pelos corredores sombrios e que agora pareciam apenas ruínas de um castelo mal assombrado, os estandartes estavam caídos ao chão, o terreno estava irregular e mais algumas teias de aranha para dar um clima.

O único problema seria: Como encontrar Barthandelus? Se fosse como Elsa disse você não pode querer encontra-lo, ele virá até você, no caso de Dean, ele queria encontra-lo, mas será que o Deus ouviria seu pedido?

Dean andou por alguns corredores, se assustando um pouco com ratos que passavam, se esgueirando pelas paredes. Liar apenas achava aquilo como um divertimento. Os dois estavam indo diretamente ao Salão Principal, que Liar satirizava como O Salão Vermelho.

Eles estavam bem perto da porta e adentraram-na. A lareira ainda estava acesa, o fogo estava mais intenso do que antes. O sangue já havia secado, a comida estava podre e havia moscas no local e... o cheiro era insuportável.

Dean tossiu algumas vezes por causa do ar e decidiram então deixar um pouco a porta aberta, Liar foi vigiar a entrada para o Salão. Dean procurava alguma coisa, algum sinal deixado por Barthandelus para poder invoca-lo.

Em uma outra dimensão, Barthandelus sentado em seu trono assistia, junto com outro ser, um vulto entre as sombras das estrelas e do espaço. Ele deu uma gargalhada mecânica, sua voz ecoou por todo o lugar. Barthandelus parecia estar entediado, estava com o cotovelo apoiado no braço do Trono, com a mão apoiando seu rosto. Com sua outra mão ele batia a unha de leve na perna e a mesma fazia um ruído metálico.

O vulto apenas demonstrou ter uma capa branca longa, com pequenos detalhes dourados nela. Ele foi ao lado de Barthandelus e apoiou sua mão no ombro dele. A mão do vulto era uma máquina, mas havia dedos e a forma de uma mão normal, só que com engrenagens totalmente douradas. O brilho de sua armadura parecia o Sol, o brilho radiante do amanhecer. Ele novamente deu uma gargalhada quando Dean escorregou e quase caiu perto do fogo.

- Vamos ver... e se eu fizesse isso...? – Ele estendeu um pouco sua mão apontando para o mapa, Barthandelus sabia o que ele iria fazer então com um rápido movimento parou a mão do vulto antes que ela tocasse no mapa em que mostrava Dean.

- Não.

- Por que? – Perguntou o vulto – Sentiu pena deles agora? Vamos lá irmão essa guerra não é nossa! – Disse o irmão de Barthandelus, sua voz era tão atordoante e metálica que podia estourar os tímpanos de alguém.

- Exatamente. Essa guerra não é nossa e por isso não devemos nos intrometer, ou você quer que eu te lembre quem manda aqui? – Disse Barthandelus com sua voz grossa e misteriosa, ele aumentou o tom na última frase.

- Não, meu senhor. – Disse o vulto desapontado – Eu só queria entretê-lo. Mas pelo que vi, você tem uma compai... – Antes de terminar a frase, Barthandelus foi rápido igual a um falcão peregrino e colocou sua mão na garganta do vulto, sufocando-o. – Está bem... Eu... retiro o que disse. – Mesmo assim Barthandelus não retirou a mão do pescoço do vulto, Bart se levantou e disse severamente.

- Se você dizer mais alguma palavra em relação ao que sinto, garanto que não terá mais uma língua para poder dizer alguma coisa. – Disse Barthandelus no que parecia ser a orelha do vulto e posteriormente o soltou, o vulto respirou diversas vezes, tentando agarrar o ar.

- E você não vai ajudar seus amiguinhos? – Disse uma voz de uma mulher que era calma e gentil, mas apresentava perigo em suas palavras.

- Hmpf. Se não quiser ficar igual a este aqui... – Ele apontou para o vulto dourado – É melhor ficar calada. – Barthandelus voltou a se sentar no Trono e ficou com a mesma posição de antes.

- Eles precisam de ajuda, já que, ela te pediu isso. O garoto deseja falar com você, vá até lá e veja o que ele quer. – Disse a mulher, Barthandelus virou o pescoço para encará-la enquanto ela falava, ele parecia querer dizer alguma coisa, pois seus lábios estavam se abrindo mas posteriormente os fechou.

Ele parecia estar pensando em alguma coisa. O vulto dourado se pronunciou novamente, chamando a atenção de Barthandelus uma segunda vez.

- Ela tem razão se quer ajuda-los é melhor ir logo, se não, esse idiota – O vulto apontou para Dean – vai acabar escorregando igual àquela outra humana no sangue demoníaco ou talvez o fogo faça.

Barthandelus roçou o queixo com a outra mão – Hmmm... – Ele pareceu estar cogitando ajudar ou não ajudar – Deixe-me ver, já que ele está tão determinado a me ver, por que não fazer uma visitinha. – Ao terminar a frase ele já não estava mais lá, o vulto dourado iria se pronunciar mas quando viu que Barthandelus não estava mais ali, reclamou.

- Ele tem que parar de fazer isso toda a hora, isso me deixa nos nervos! Ele nunca espera ninguém terminar de falar...

Barthandelus pisou em um lugar, onde havia duas luas e um sol, as folhas das árvores estavam enfeitadas com um brilho branco, o chão estava cheio de neblina. O silêncio era apenas quebrado pelo canto dos pássaros... Vamos brincas primeiro pensou Barthandelus e num estalo de dedos, trouxe Dean e Liar para o mesmo lugar, deixando-os apenas alguns metros atrás dele e num rápido movimento ele se transformou na mesma forma em que Aron havia descrito antes de morrer.

Seu corpo extremamente anoréxico, penas entorno do pescoço, pele branca, olhos vermelhos com um fundo amarelo ele saiu correndo por aí, saltitando como se fosse uma criatura mágica de algum conto de fadas. Dean soltou um "Espere aí! Por favor" mas parece que Barthandelus fingiu não ouvir, Dean saiu correndo atrás dele junto com Liar atrás. Os dois estavam desesperados.

Barthandelus como já estava bem a frente se escondeu atrás de uma árvore, Dean e Liar passaram rápido. Bart sorriu e depois cortou caminho para outro lado a não ser pelo grito de Liar que o avistou.

Barthandelus seguiu pelas árvores, como se fosse um macaco, agora que a visão de Dean percebia que os braços dele eram longos ou era apenas uma ilusão de ótica. Bart caiu, de propósito, correu até uma árvore e Dean tentando tocá-lo ficou que nem um idiota, igual em jogos de terror que a vítima fica atrás da mesa e o assassino buga do outro lado e fica um círculo infinito.

Até que Dean percebeu que Barthandelus estava lá no alto de outra árvore, apoiando uma das mãos em apenas um galho e seus pés estavam nos troncos e ele acenava indicando o caminho, dando gargalhadas. Dean pareceu dar uma risada mas quando viu Barthandelus já estava correndo para outro lado, o menino xingou mas bem baixinho.

Quando finalmente chegou ao final da corrida, Barthandelus estava com um portal aberto atrás dele, Dean berrou.

- NÃO! ESPERE! – Barthandelus nem havia se mexido apenas estava virado de costas e ele olhou um pouco para trás e fez um sinal para que o menino se aproximasse do portal.

O portal, ou melhor do outro lado dele, estava um campo florido, um céu límpido, florestas ao redor do campo, flores que pareciam serem de vidro, de todas as variadas cores e o que mais lhe intrigava... A menina de cabelos púrpura que estavam soltos agora, estava correndo com um vestido branco de alça, ela estava descalça e corria alegre pelos campos verdes, quando ela parou, se virou e acenou para eles. Dean arregalou uma sobrancelha quando viu que Barthandelus acenava de volta.

- É lindo não é? – Perguntou Barthandelus à Dean que não podia negar que a paisagem era belíssima.

- Sim, muito bonito. – Dean ficou encantado com a menina de cabelos púrpura que agora a visão do portal estava num riacho cristalino, onde podia-se ver os peixes de cores e raças desconhecidas, havia pequenas criaturinhas, Dean as chamou de "fadas" ao redor dos rios. Uma cachoeira estava bem atrás, Dean sorriu quando viu a menina salpicar água em si mesma, sorrindo e alegre.

- Sorria, ela consegue vê-lo e escutá-lo. – Dean olhou para ele repentinamente e depois voltou a olhar a garota.

- Desculpe-me perguntar, quem é ela? – Disse Dean indeciso e inseguro de sua pergunta.

- Ela é a pessoa na qual você deve agradecer. Ela é a pessoa que eu sirvo. – Disse Barthandelus que parecia estar sonhando acordado.

- Eu agradeço. – Disse Dean quase que automático.

Barthandelus virou-se de costas para o portal e Dean o acompanhou, mas não conseguia tirar os olhos da visão que desaparecia, a menina dava adeus a eles, Dean retribuiu com um sorriso e depois ouviu um tossido de alguém que parecia irritado.

Era Liar, com uma cara emburrada.

- Ei, só tenho olhos pra você. – Disse Dean sorrindo e que deu um beijo na bochecha dele.

Barthandelus estava deitado em vários arbustos e parecia ser confortável, ele foi direto ao ponto retirando as folhas de árvores de cima da sua roupa.

- Vamos logo garoto, diga o que você quer. – Disse ele sem muito entusiasmo.

- Eu... Queria... – Ele de uma pausa - Sejamos francos um com o outro. Você não nos quer mortos não é? – Perguntou Dean inseguro.

- Não, que eu saiba não estão na minha lista negra. – Dean percebeu um errinho na frase dele.

- Não seja um troll, eu quis dizer todos nós, tipo, Pinhead, Alatáriël, Beatriz, Elsa, Eu, Liar, Aura, Luke, Fofo, Raquel... – Barthandelus arregalou os olhos e sorriu sarcasticamente depois.

- Ahhh. Não é tão idiota como um amigo meu pensou... – Disse Barthandelus irônico.

- Ele geralmente costuma passar essa imagem... – Disse Liar de braços cruzados e Dean o fuzilou com o olhar.

- Voltando ao assunto... Não, nenhum de você está na minha lista negra, por enquanto. Eu gostei do pequeno discurso que fez à Elsa. Muito bom.

- Então você viu, Barthandelus? – Ele assentiu à pergunta de Dean.

- Sim... Eu vejo tudo o que acontece neste mundo. – Dean se impressionou um pouco, mas preferiu não transmitir essa imagem.

- Eu queria pedir... – Barthandelus interrompeu Dean.

- Cuidado rapaz. Posso gostar de ambos mas não significa que não é para ter cuidado na minha presença... – Alertou Barthandelus, Dean engoliu à seco e Liar começou a ficar preocupado.

- Entendi, senhor. Eu queria pedir que diminuísse... os dias. Você nos deu 13 dias para acabar com Doomsdayer mas não será possível, muitos do nosso grupo já morreram e não acho que sobreviveremos até o dia 13, preciso que nos dê apenas mais dois dias. Estamos no sétimo dia, nos dê apenas mais dois dias de prazo. Sei que conseguiremos acabar com Doomsdayer a tempo.

Dean foi direto e seus joelhos estavam tremendo, a cada palavra que ele dizia, ele percebeu que Barthandelus ficava levantando e abaixando a sobrancelha, com um olhar entediado.

- Sabe que tem um preço por isso, não sabe garoto? – Dean engoliu a seco e começou a suar novamente, Liar estava segurando tão forte sua mão que o garoto jurou que ela iria se quebrar.

- Sei. Mas não sei o que dar à você. – Disse Dean sincero, por incrível que se pareça Barthandelus sabia que ele estava sendo honesto.

- Rapaz, algo me intriga em você – Disse Barthandelus que se levantou e começou a rodear Dean, Bart empurrou Liar para o lado para enxergar melhor o corpo completo de Dean. O menino viu que Barthandelus era bem mais alto quando visto bem de perto. O ar que Barthandelus soltava por suas narinas era frio, de repente Barthandelus parou na frente de Dean...

Dean estava esperando uma morte rápida, então fechou os olhos com força, Liar estava com a respiração ofegante mas lhe faltava ar para dizer alguma coisa. Quando Barthandelus levantou sua mão e exibiu suas unhas pretas enormes, Dean começou a tremer. Ele contorceu seus lábios e Barthandelus se aproximava cada vez mais com sua unha e quando Dean abriu os olhos, Barthandelus apenas retirou uma folha de árvore de seu ombro e a jogou fora.

Dean sentiu que seu coração fosse explodir de alívio, ele pode abrir seus olhos e ficou um pouco calmo.

- O que me intriga é a sua coragem, garoto tolo. – Dean retribuiu com um sorriso e Barthandelus embaraçou seus cabelos com sua mão, já que as unhas pareciam terem diminuído de comprimento – Agora vá logo, seus amigos têm que formular um plano rápido, apenas dois dias.

- Mas não vai exigir nada em troca? – Perguntou Dean incrédulo.

- Vocês já me darão a alma de Doomsdayer no final, então...

Dean agradeceu e correu junto com Liar para fora do lugar, na outra mão que estava fechada em forma de punho, Barthandelus a abriu e o que havia dentro era uma rosa, a mesma rosa que a aquela garotinha havia lhe dado. O olhar de Barthandelus se entristeceu, ele estava abrindo caminho entre as árvores, que pareciam obedece-lo de certa forma. E de repente desapareceu.

Liar e Dean voltaram para o esconderijo e contaram tudo o que ocorreu para os outros amigos, todos na sala ficaram perplexos com a história e Pinhead foi o único que se pronunciou.

- Você fez o que? – Ele estava incrédulo.