Capítulo 22 – De volta a origem
Cinco anos depois...
"Você pegou o coelho do Anthony?".
"Esse coelho já está encardido de tanto que esse menino vive grudado nele".
"House, você sabe que ele só fica quieto quando está com o coelho".
"Só eu acho isso bizarro?".
"Bizarro ou não nos dá um momento de paz".
O garotinho hiperativo tinha um relacionamento impressionante com o coelho de pelúcia, sempre que estava com o brinquedo ele se acalmava e até dormia eventualmente.
"Papai, Anthony me bateu".
"Tenho certeza de que você não é santa". House respondeu para a menina.
"Eu só escondi o Bitt".
"Onde você escondeu o coelho, filha?". Cuddy perguntou agitada e ansiosa, afinal, eles estavam atrasados. Era sempre uma aventura preparar todos para saírem de casa.
"Ela escondeu o meu coelho e não quer me dar!". Anthony entrou irritado na sala.
"Onde está o coelho do seu irmão?". House perguntou.
"Não vou falar". Rachel era uma menina com quase sete anos na ocasião, ela era amorosa, mas muito teimosa e geniosa.
"Rachel, fale agora!". Cuddy disse enérgica.
"Ela é uma boba que tem ciúme do Bitt". Thony disse.
"Eu não tenho ciúme daquela coisa feia e suja".
De repente os dois começaram a puxar o cabelo um do outro. Rachel tinha cabelos médios e lisos na cor castanhos médio, e Anthony tinha cabelos curtos e encaracolados na tonalidade castanho claro. O menino contava com grande e brilhantes olhos azuis, já sua irmã tinha olhos de um azul cinzento. Todos pensavam que ela era filha biológica do casal, e eles não se importavam, tão pouco ela. Rachel sabia que era adotada, desde os quarto anos os pais conversavam com ela sobre isso, mas não podiam negar que ela havia entrado em uma fase particularmente difícil no último ano.
"Ok, parou!". House disse em alto e bom tom.
Ele nunca se irritava com as crianças, Cuddy levava essa fama de ser mais exigente e disciplinar, mas as vezes ele levantava a voz e os dois obedeciam. Sobretudo quando os filhos desrespeitavam a mãe, House não admitia que destratassem Cuddy.
"Eu só quero...".
"Estamos atrasados, logo mais perderemos o avião". House disse.
Cuddy olhou assustada pra ele. "Você dizendo que estamos atrasados? Realmente eu vivi pra ver isso".
"Eu paguei caro por esse passeio". Ele justificou.
"E eu estou louca pra saber que passeio secreto é esse?". Cuddy disse. Eles completavam aniversário de namoro. Namoro sim, pois House nunca cogitou o casamento e ela não fazia questão, eles moravam juntos oficialmente desde o nascimento de Anthony e aquilo bastava para eles. Estavam felizes. Tinham problemas de casais, claro. House não era fácil de lidar, tão pouco Cuddy. Mas eles eram eternos namorados. Já Arlene... Ela nunca cansou de questioná-los sobre o casamento.
"Você vai descobrir quando chegarmos lá. Talvez no caminho você descubra...".
"House, você sabe que eu odeio surpresas".
"Mamãe, não seja chata!". Rachel falou com tamanha naturalidade.
House riu.
"Rachel! Eu não...".
"Respeite mamãe!". Thony se intrometeu.
"Lá vai outra vez o pivete". Rachel o provocou.
"Eu não sou pivete!".
"Ok, ok. Vamos logo! Por favor!". House suplicou. "Prometo que deixo vocês comerem sorvete até o amanhecer".
Os olhos das crianças arregalaram, assim como os de Cuddy.
"Não exagere! Depois eles vão te cobrar por isso e eu vou te matar...". Ela disse baixo apenas para os ouvidos dele.
Finalmente eles entraram no táxi que os aguardava e foram até o aeroporto. Não que o trajeto tenha sido tranquilo, no carro as crianças continuaram brigando e os pais continuaram tentando controlar a situação. O motorista que os deixou no aeroporto teve fortes dores de cabeça pelo resto do dia.
"Anthony!". Cuddy gritou quando seu caçula correu para dentro do terminal de embarque.
"Menino perturbado!".
"Não fale assim do seu irmão". House falou pegando na mão dela enquanto Cuddy corria atrás do outro filho.
"Mas ele é!".
"Eu também era assim na idade dele".
"É seu filho, ele não nega". Rachel repetiu a frase que sua mãe sempre dizia.
"Você também é filha da sua mãe, e não há como negar!".
O fato é que Anthony se jogou na esteira de malas.
"Oh meu Deus! Anthony! Desculpe!". Cuddy estava muito envergonhada tentando resgatar seu filho.
"Mamãe, eu sou uma mala humana!".
"Certamente é". Ela respondeu corando enquanto os outros passageiros riam da graça daquela criança hiperativa.
"Ok, desculpe...". Cuddy se desculpava com todos. "Desculpem!".
"Oh, mas como é fofo!". Uma senhora disse olhando as bochechas avermelhadas e os grandes olhos brilhantes do menino.
"Se a senhora quiser, eu o vendo por mil dólares". House chegou dizendo.
"Mil dólares? Uau! Eu valho tanto assim?". O menino disse espantado, fazendo todos rirem.
"Vamos Anthony, não desgrude mais de minha mão". Cuddy ordenou.
"Nunca mais?".
"Nunca mais!".
"Quando eu me casar você vai estar grudada em mim?".
Rachel respirou fundo impaciente.
"A sua mãe vai pra Lua de Mel com você". House decretou.
"O que é Lua de Mel?".
"Nada! Estamos atrasados". Cuddy os acelerou.
"O que é Lua de Mel? Algo de comer?".
Rachel riu alto.
"Quando os adultos casam eles vão para a Lua de Mel depois". House explicou.
"E o que eles fazem lá?".
"Nem pense!". Cuddy disse ameaçadora para o namorado.
"Eu ia dizer que eles brincam... Comem... Dormem...".
"Uh... Eu quero ir pra Lua de Mel". Anthony concluiu.
House riu.
"Vocês não casaram!". Rachel observou.
"É porque tivemos nossa Lua de Mel antes...". House esclareceu.
Cuddy corou.
"Mas isso pode?".
"Não, é proibido!". House respondeu enquanto o filho o encarava pensativo.
"Mas seus pais gostam de quebrar regras". House explicou.
"Fale isso agora e nunca mais exija que eles cumpram as regras, muito inteligente". Cuddy sussurrou pra ele.
"Mas isso só os adultos podem fazer". House tentou corrigir.
"Ok, melhor calar-se!". Cuddy respondeu.
Como Cuddy, sempre prevenida, já havia feito o check in anteriormente, eles só despacharam as malas e seguiram para o embarque. Nem preciso dizer que Anthony adorou o Raio-X e que queria ele mesmo subir na esteira ao invés de colocar a mochila do pai lá.
"Anthony, o que eu disse sobre não soltar minha mão?".
Com muito custo eles chegaram até a sala de embarque e ficaram aguardando serem chamados.
"Pai, eu quero ir ao banheiro!".
"Você sempre quer ir ao banheiro. Deve ter uma bexiga do tamanho de uma ervilha".
"Por favor!".
House pegou a mão de seu filho caçula.
"Nós vamos ao banheiro".
"Ok, não demorem porque logo seremos chamados". Cuddy falou.
"Culpe seu filho que tem a bexiga solta".
"Eu não tenho a bexiga solta, ela é bem presa".
"Onde sua bexiga é presa?". House perguntou para o menino. O pai se divertia com as coisas que o garotinho dizia e aprontava, por mais que ele tentasse se manter sério, era impossível. O jovenzinho o lembrava tanto de si mesmo. Era engraçado, mas a paternidade estava sendo terapêutico para House, era como se ele voltasse no tempo e pudesse criar uma nova infância para si mesmo, através da vivencia com Anthony, ele sentia que reconstruía sua própria história. Cuddy notou a mudança no namorado desde que o filho nasceu, ela não perguntava muito para não assustá-lo, afinal, House nunca foi bom em falar sobre sentimentos, mas ela notava a mudança e as reações do namorado.
"Minha bexiga fica na minha barriga, aqui embaixo". O menino apontou. Ele amava ver os livros de medicina dos pais, era apaixonado pelo corpo humano.
"E ela está cheia?". House apertou a barriga do filho.
"NÃO! Eu vou fazer xixi na calça". O menino disse rindo.
"House, leve ele ao banheiro logo!". Cuddy alertou.
"Tudo bem, porque eu não quero entrar no avião com um mijão. Um menino com a calça toda encharcada de xixi e cheirando mal".
Rachel fez cara de nojo e Anthony riu alto.
Pai e filho foram ao banheiro enquanto Rachel ficou com sua mãe aguardando.
"Mamãe, preciso retocar o batom".
"Você está ótima, filha".
"Me empresta o seu batom?".
"Você sabe que não usa as coisas da mamãe, você tem os seus próprios batons de criança".
"Mas eles estão na minha mala".
"Quando você chegar você pega então".
"Mas eu quero agora!".
"Agora não, Rachel. Não há necessidade".
"Eu quero!".
"Pois você já deveria saber que nem tudo o que você quer é possível ter na mesma hora".
A menina ficou emburrada.
Rachel e sua fase difícil... Cuddy pensou. E ela também lembrou-se de dar trabalho para sua mãe, ela virou uma mocinha muito antes de sua irmã e isso incomodou muito Arlene e não fez bem para a relação das duas. Ela estava vivenciando isso do outro lado agora, seria um desafio, mas ela não seria como a mãe, apesar de que agora ela via como havia sido um desafio para Arlene. Os anos e os filhos a fizeram olhar para a mãe com olhos mais amenos nos últimos tempos, a relação delas melhorou significantemente. Até com House a senhora começou a ter uma relação mais cordial.
Os dois voltaram do banheiro bem na hora que começaram a chama-los para o embarque.
"Eba! Vamos!". Anthony novamente tentou correr, mas seu pai foi mais rápido e o segurou.
"Espere homenzinho!".
"Dê a mão para o papai, Anthony!". Cuddy alertou o filho.
"Mas eu já sou grande".
"Você é enorme!". Rachel ironizou.
"Boba!".
"Bobo!".
A família entrou no avião e sentaram-se nas poltronas reservadas. Cuddy e Anthony a frente, House e Rachel atrás.
"Pobre das duas pessoas que sentarem-se nas poltronas vazias ao nosso lado". House comentou fazendo Cuddy rir.
"Mamãe, eu quero comer!".
"Agora não, Anthony. Deixa o avião subir primeiro".
"Saco sem fundo!". Rachel ironizou o apetite do irmão.
"Rachel, você pega muito no pé do seu irmão". House falou.
"Você vai brigar comigo, papai?".
"Eu não estou brigando com você, só estou dizendo...".
"Só porque ele é filho biológico".
De repente os olhos de House arregalaram. Ele nunca esperava isso de sua filha. Ele sempre os tratou igualmente, as vezes até se pegava mimando mais a filha do que o garotinho.
Cuddy que estava na poltrona à frente também ouviu aquilo e seu coração congelou, o que House responderia?
Anthony estava alheio a tudo mexendo nos folhetos que encontrou na alça da poltrona à frente.
"De onde veio isso?". House perguntou tentando ganhar tempo para formular uma resposta.
"Eu não sou filha de verdade de vocês...".
Então era isso o que a incomodava nos últimos tempos? House se arrependeu profundamente por não estar à frente junto com Anthony e deixar Cuddy lidar com aquilo. Por alguma misteriosa razão era ele ali naquele momento.
"Rachel, como você pode dizer isso?".
A menina se surpreendeu com a pergunta.
"Que eu e sua mãe não somos os seus pais verdadeiros? Onde estão eles então? Me diga por que nos últimos anos eu me lembro de você acordar todos os dias ao nosso lado, de te alimentar, trocar sua fralda, te fazer dormir, ficar noites acordados porque você estava doente, te levar naquelas festinhas infantis estúpidas e no balé. Tive que aguentar mães chatas me perguntando coisas chatas pra ficar te esperando e ainda gastei meu dinheiro com coisas pra você usar ou comer. Onde estão os seus pais verdadeiros? Eu preciso tirar satisfações".
A menina riu.
"Se nós não somos os seus pais de verdade, eu não sei o que você espera...".
"Não bobo. Vocês são meus pais de verdade. Os únicos. Mas eu não sou filha biológica...".
"E o que tem isso? Só porque você não tem o meu gene do mau humor? Ou da beleza incondicional?".
A menina riu novamente.
"Você pode não compartilhar meus genes, ou da sua mãe. Mas compartilha todo o resto...".
"Eu sei". A menina abaixou a cabeça.
"Ei...". House levantou a cabeça dela. "Eu não digo isso muito, então prepare-se!".
Ela o olhou curiosa.
"Eu te amo tanto quanto amo Anthony".
Rachel o abraçou com força, agora foi ele quem corou.
"Mamãe, você está chorando?". Anthony perguntou chocado.
"Não, mamãe está com um cisco...". Cuddy, que ouviu a tudo, se emocionou. Ela só queria abraçar os dois, mas não iria estragar aquele momento de pai e filha.
"Quer que eu assopre?". Anthony perguntou e Cuddy o abraçou forte.
"Mamãe ama vocês dois. Sabia? Na verdade, mamãe ama vocês três".
"Sim, eu sei". Anthony respondeu tentando sair do abraço. "Mas você tá me sufocando".
Ela riu e se afastou, mas antes acariciou a cabeleira do filho.
"Vocês adultos são esquisitos".
Ela riu novamente. "Sim, nós somos".
...
O voo transcorreu bem, as crianças ficaram comportadas, por sorte Anthony se distraiu com o vídeo game portátil que Cuddy levou pra ele em sua bolsa.
Quando chegaram a Honolulu o calor deixou House irritado.
"Você me chamou pra vir pro Havaí celebrar nosso aniversário de namoro e pensou que estava frio? Já passamos tempo demais no Havaí pra você saber como é o clima...".
"Estar pelado é uma coisa, com calça jeans é outra...".
Anthony e Rachel riram.
Cuddy olhou séria pra ele e suas bochechas estavam coradas.
"O que foi?".
Ela riu de nervoso. Ele era o rei em falar coisas inapropriadas na frente dos filhos.
"Vocês ficaram pelados aqui?". Anthony perguntou literal.
"Não aqui no aeroporto. Na praia". House explicou.
"Wow! Posso ficar pelado na praia também?". O menino perguntou empolgado.
"Não! E não é verdade, o seu pai está só fazendo uma piada". Cuddy corrigiu dando mais um olhar de reprovação para o namorado.
"Ah bom, porque ficar pelado na praia deve queimar todas as bolas".
Agora foi House quem riu alto. Rachel e Cuddy queriam morrer...
"Que nojento!".
"Nojento por quê? É parte do meu corpo". Anthony falou resoluto e naturalmente.
House se orgulhava do filho. Ele tinha argumentação pra tudo, ele tinha discernimento e conhecimento de um garoto bem mais velho, era um geniozinho.
"Você não sai falando essas coisas por aí". Rachel falou novamente.
Ok, House tinha que concordar que seu filho penaria na vida com sua falta de critério sobre o que falar e o que não falar absolutamente, Rachel já era o oposto. A menina era carismática e sabia se portar em sociedade, parecia filha biológica de Cuddy. Ou Wilson... Não, isso era meio perturbador.
"Ok, vamos ao hotel que eu preciso tirar essa calça jeans!". House disse acelerando a família.
Eles estariam hospedados no melhor hotel da região, Cuddy fez questão disso. O que ela não sabia era da surpresa que seu namorado planejava para a manhã seguinte.
Aquele dia a família relaxou, pois o hotel luxuoso proporcionava diversas atrações: praia exclusiva, piscinas, massagens, etc..
"Ok, eu não quero mais voltar!". Cuddy falou pra ele no final da tarde. Ela se aproximou e o abraçou, já que as crianças brincavam felizes na piscina sob supervisão de instrutores.
"E deixar o hospital definitivamente?".
"Eu não sou mais a mesma de antes. Você sabe... Não morro mais pelo hospital. As coisas têm mudado e eu estou cada vez mais pensando em fazer alguma coisa que exija menos tempo, que me deixe menos estressada".
"Como o que?".
"Que tal pensarmos em abrir uma clínica?".
House riu. "E eu serei um médico interiorano que atende em consultório?".
"Não... Eu posso atender pacientes como endocrinologista e você... Ok, não faça essa cara! Eu ainda sou médica".
"Cuddy, você saberia prescrever tratamento para hipotireoidismo?".
Ela deu um tapa no peito dele e deixou a pele vermelha.
"Ai!".
"Desculpe, não era pra ser tão forte!".
"Você é violenta quando é contrariada".
"Você já devia saber disso...". Ela falou rindo e o beijando na boca.
...
"Os dois são muito loucos!". Anthony comentou, pois estavam vendo os pais à distância.
"Eles são. Mas se amam!". Rachel falou.
"Eca!". Anthony disse mergulhando.
...
Aquela noite o casal pode finalmente aproveitar de momentos de intimidade, já que estavam no quarto grande e as crianças no anexo.
"Foi muito romântico você querer me trazer aqui...".
"E nada romântico que você reservou e pagou pelo hotel". Ela riu nos braços dele. Estavam deitados abraçados depois de terem feito amor.
"Eu só queria ter certeza de que ficaríamos em um lugar legal. Temos duas crianças".
"Estamos praticamente na Disney Havaiana".
"Ok, talvez eu tenha exagerado...".
"Talvez". Ele falou sarcástico.
"Eles não reclamaram, se divertiram tanto que estão dormindo em paz e nos dando tempo para ficarmos juntos".
"Ok, não vou reclamar disso".
Ela o beijou. "Pra onde vamos amanhã? Pra que o mistério?".
"É surpresa e toda surpresa tem um mistério".
"Eu não gosto de surpresas".
"Eu sei, mas você terá que conviver com isso".
Cuddy bufou fingindo estar contrariada.
"Agora... que tal...?".
"Já?". Ela perguntou surpresa.
"Você sabe que mentalmente eu tenho vinte anos...".
Ela riu e se perdeu nos braços dele novamente.
...
Na manhã seguinte eles foram acordados pelo barulho no quarto ao lado. Cuddy se vestiu rapidamente e foi ver o que seus filhos aprontavam.
Quando ela abriu a porta ficou chocada. Os dois estavam em uma guerra de travesseiros que deixou o quarto de cabeça pra baixo.
"PAREM JÁ!".
"Oi mamãe! Brinca conosco!".
"Anthony, Rachel. Parem!".
As crianças pararam de repente.
"Olha o que vocês fizeram".
"Mas vão arrumar nosso quarto...". Rachel falou.
"Eles são funcionários do hotel e não seus escravos particulares. O que eu sempre digo sobre respeito pelo trabalho alheio?".
Os dois olharam envergonhado pra baixo.
"Vamos arrumar isso".
"Eu vou ao banheiro...". Anthony disse.
"AGORA!".
As crianças começaram a arrumar o quarto. Eles tinham muito respeito por sua mãe, quando ela falava assim, não era um bom sinal.
House estava rindo do quarto ao lado, tão familiarizado com aquilo, ele ria só de imaginar o rosto de pânico seus filhos.
Depois de que as coisas estavam um pouco mais em ordem, Anthony foi ao banheiro e Cuddy tratou de ir tomar um banho. Rachel foi escolher a roupa que usaria naquele dia.
"Pai, a mamãe ficou muito brava. Precisava ver a cara dela, o olho dela saltava". Anthony se jogou na cama do pai depois de sair do banheiro.
"O olho dela saltava?".
"Sim, fazia assim...". O menino imitou e House riu.
"Nunca mostre isso pra sua mãe, ela vai ficar muito brava".
"Eu não vou... Só quando ela me irritar".
"Oh, você será massacrado".
"Ei... vocês não vão se trocar? Estou com fome!". Rachel apareceu reclamando.
"Chegou a morta de fome!". Anthony ironizou.
"Vocês dois nunca vão parar de brigar?". House perguntou sonolento ainda.
"Irmãos... Acostume-se! Nem todos foram filhos únicos como você". Cuddy saiu do banho respondendo bem humorada.
"Que pena!". Anthony e Rachel falaram ao mesmo tempo.
"Mas eu tenho certeza de que eles se amam!". Cuddy disse e os filhos riram ironizando o comentário.
"Ok, agora vocês precisam se trocar. Sério!".
"Eu falei isso, mamãe". Rachel concordou.
"Vamos!". Ela estava tirando House da cama e ele segurando o lençol.
"Se eu levantar daqui os seus filhos me verão nú".
Anthony riu e Rachel corou. "Papai!".
"Ele fica pelado em todo lugar!". Anthony falou divertido.
"Ok, deixe o pai de vocês se levantar. Vamos para o outro quarto". Cuddy saiu levando os filhos e tentando evitar rir ou ficar envergonhada com a situação.
Enquanto House se levantava, tomava o banho e se vestia. Cuddy ajudou os filhos a se vestirem, depois se vestiu também e arrumou tudo o que levaria para o passeio misterioso.
"O que eu devo levar? Como eu vou saber se não sei pra onde vamos?". Ela reclamou.
"Cuddy, conforme-se! Eu não vou te falar. Leve de tudo um pouco. Foque no protetor solar e na água. Comida também será bom".
"Onde vou arrumar comida?".
"Vamos tomar café da manhã, tenho certeza de que eles tem comida por lá".
"E não vou roubar comida do restaurante".
"Como você é chata!".
"Nós vamos roubar comida do restaurante?". Anthony perguntou empolgado.
"Não, Thony. Vamos comprar comida pra levar". House explicou.
"E aonde vamos levar essa comida toda?". Cuddy perguntou.
"Eu dou um jeito... Relaxe!".
Eles tomaram café, House e Rachel foram os campeões na quantidade de comida ingerida por segundo. Depois House foi até um pequeno mercado dentro do hotel e comprou comidas, bebidas e uma bolsa térmica.
"Pronto!".
Cuddy riu alto quando o viu com a bolsa rosa pendurada no ombro.
"O que foi?".
"Você está ridículo com esse chinelo, bermuda e essa bolsa...".
"Obrigado por isso".
As crianças riam também, Cuddy tirou uma foto.
"Grande!". House falou consigo mesmo. "Onde foi parar aquele homem com fama de mal?".
"Pra onde vamos agora?". Thony perguntou ansioso.
"Para o heliporto".
"Heliporto?". Cuddy perguntou confusa.
"Sim senhora".
"Nós vamos andar de helicóptero?". Anthony perguntou empolgado.
"Eu não sei vocês, mas eu irei!". House respondeu.
"OBA!". Thony gritou.
"House... Não é perigoso andar nessa coisa?". Cuddy perguntou preocupada.
"Mas essa é a emoção!".
Ela arregalou os olhos.
"Não Cuddy, é seguro. É uma empresa séria. Eu paguei caro pelo serviço".
"Vamos! Por favor!". Anthony implorava.
"Mamãe, vamos! Eu quero tirar uma foto e mandar para as minhas amigas". Rachel concordou.
"Oh... você vai se exibir pra elas?". House perguntou pra filha. "Toca aqui!".
"Em primeiro lugar não devemos nos exibir pra ninguém". Cuddy falou pra filha. "Em segundo lugar". Ela virou para House. "Não devemos incentivar comportamentos inadequado dos filhos".
"Em primeiro lugar, antes ela se exibir do que sofrer bullying e ficar traumatizada. Em segundo lugar: entrem logo no helicóptero!".
"Eba!". Anthony saiu correndo.
"Filho, não!". Cuddy tentou alcançá-lo ao mesmo tempo em que carregava uma sacola de praia e segurava o chapéu de palha na cabeça.
"Papai, eu posso mandar a foto para minhas amigas?".
"Claro que sim, filha. Eu vou tirar uma foto bem bonita de você e da paisagem".
"Obrigada". A menina sorriu animada.
Depois de alguns minutos a família já estava dentro do helicóptero. Cuddy, que estava relutante, se entregara completamente ao momento e não parava de tirar fotos da família e de si mesma.
"Estou tão ansiosa pra ele decolar".
"Isso porque você estava quase brava comigo".
"Eu não estava brava, estava preocupada. É diferente".
Quando o piloto ligou o motor e a hélice começou a funcionar Anthony gritou de alegria.
"Para de ser bobo!". Rachel disse. Mas no fundo ela quase havia gritado também.
A medida que o helicóptero se afastava da terra Anthony se animava mais. House parecia uma criança. Cuddy tirava mais e mais fotos e Rachel ficava apavorada.
"Olha como aquelas árvores são pequenas!". Anthony dizia impressionado.
"Elas não são menores do que eram, é apenas a distancia que nos faz enxergá-las pequenas". House explicou.
"Como as estrelas, e o sol, e a lua".
"Isso mesmo". House respondeu orgulhoso.
"É lindo daqui!". Cuddy disse animada.
"Não é nada lindo. É assustador!". Rachel disse apavorada.
"Vamos Rachel, estamos seguros. Relaxe e aproveite". House disse.
"É Rach, é muito legal!". Anthony falou. "Estamos muito, muito, muito alto!".
"Por isso mesmo". A menina começou a chorar de pânico.
"Filha, está tudo bem". Cuddy abraçou a garotinha. "Mamãe e papai estão aqui".
"Eu também estou!". Anthony fez questão de dizer.
"Pois é, Anthony não deixará nada de ruim acontecer". House disse.
"Não deixarei nada de ruim te acontecer". O menino confirmou. "Eu te protegerei!".
"Olha o tamanho do bíceps dele". House falou e o garotinho se exibiu.
A intenção do pai era distrair a filha, e começou a funcionar.
"Ele nem tem músculo. É magro como uma tripa". Rachel respondeu.
"Eu terei muito músculo quando crescer!". O menino disse.
De fato o garotinho era magro e alto para a idade, bem alto.
"Ele será igual ao pai dele quando jovem...". Cuddy disse.
"Você nunca se esquece de meus músculos".
"Não mesmo...". Ela respondeu maliciosa.
"O papai era forte?".
"Seu pai ainda é forte. Mas ele era como um gorila quando estava na faculdade".
"Um gorila?". Anthony perguntou curioso.
"Isso!". House começou a imitar um macaco fazendo os dois filhos rirem.
A viagem durou mais alguns minutos, Rachel estava mais calma enquanto ficava abraçada com sua mãe e rindo das piadas de seu pai.
"Para onde estamos indo?". Cuddy perguntou para House.
"Você verá!".
De repente eles avistaram terra e Cuddy nunca mais se esqueceria daquele lugar.
"Não acredito!".
"Acredite!".
"House!".
Antes que ele respondesse o helicóptero começou a descer sobre a areia da praia.
"Estamos em uma praia deserta?". Rachel perguntou se sentindo aliviada com a aeronave pousando.
"Mas não é qualquer praia deserta". Cuddy disse e os filhos olharam curiosos para a mãe.
"Foi aqui que eu e seu pai começamos a namorar".
"Aqui é aquela praia deserta?". Rachel perguntou.
"Exatamente jovem de grande poder dedutivo". House respondeu.
"E nós vamos ficar presos aqui que nem vocês ficaram?". Anthony perguntou. "Legal!".
"Esse menino é esquisito". Cuddy sussurrou para o namorado.
"Por mais que isso te frustre Thony, não. O helicóptero nos levará de volta sãos e salvos daqui a algumas horas". House respondeu.
"Nós teremos que entrar nisso outra vez?". Rachel perguntou. "Talvez seja melhor ficar aqui pra sempre".
House e Cuddy riram.
A família toda desceu do helicóptero e começou a caminhar pela praia.
"Oh Deus, eu não acredito que estou aqui novamente". Cuddy disse saudosa. "Olha aquelas árvores, e o pé de manga... Olha as pedras... Está tudo igual".
"A natureza se transforma mas geralmente leva vários anos para isso... Nós não estivemos aqui há tanto tempo assim". House disse.
"A erosão é uma das formas de transformação da natureza". Anthony disse orgulhoso de si.
"Definitivamente você vai sofrer bullying". Rachel disse para o irmão.
"Oh Deus!". Cuddy gritou e saiu correndo.
"O que foi?". House perguntou assustado.
De repente ela voltou com uma fruta podre com alguns fiapos a mostra. "Será que é Leonor?".
House riu.
"Quem é essa mulher?". Anthony perguntou.
"Uma velha amiga...". House respondeu.
"Vocês estavam aqui com uma amiga?". Rachel não estava entendendo nada.
"Não filha, o seu pai pegou uma manga e colocou cabelos nela e deu esse nome".
"Uma manga?".
"Isso".
"Thony tem a quem puxar...". A menina falou tão naturalmente que fez os pais caírem na risada.
"Sabia que seu irmão foi feito aqui, nessa ilha?". House perguntou.
"House!". Cuddy corou.
"O que? Processo natural da biologia...".
"Eu fui feito aqui?".
"Sim, Thony. Aqui".
"Uau! Que legal!". O menino respondeu. Ele ainda não tinha pleno conhecimento sobre o processo de concepção. Nem ele e nem sua irmã. "Então eu sou quase um pirata!".
House e Cuddy riram. "Sim, você é!".
"Você não é um pirata só por conta disso". Rachel contestou. Ela adorava piratas e não iria admitir aquela heresia.
"Eu sou!".
"Não é!".
"Eu sou sim".
"Não tem nada a ver o que você está dizendo".
"Eu falo o que eu quiser. Você está com inveja porque eu fui feito aqui".
...
Enquanto as crianças discutiam, coisa tão habitual, House puxou Cuddy de lado.
"Gostou?".
"Eu amei! É tão... romântico".
"Pelo menos consegui esconder essa parte da viagem de você".
"Com certeza... E agora temos celulares pra tirar fotos e nunca mais nos esquecer daqui... Onde vivemos momentos aterrorizantes, mas...".
"Os melhores momentos da minha vida". House complementou.
"Das nossas vidas". Ela concordou e o beijou.
Um beijo de amor no cenário que coroou a paixão deles. Para sempre!
FIM
Agradeço a todos que chegaram até aqui. Espero que tenham se divertido com essa leitura. House pra sempre!
