[SR1 + Fuel + Anúbis = Sadie + X]
Deuses!
Estou aqui deitado nessa cama maravilhosa, são três da manhã e eu não consigo dormir. Acho que estou preocupado demais com o que pode acontecer. Por quê? Não sei, talvez. Aprendi a temer os Kane. Acho que vou colocar alguma música para tocar e esperar que isso me faça dormir pelo menos um pouco.
Eu até pensei em me levantar, mas a preguiça foi tanta que decidi pegar o controle da TV que estava mais perto e liguei. Estava passando um seriado cancelado em 2007 – não sei por que motivo, mas estavam repassando' – deixei aquela bagaça passando e assisti um pouco mais uma vez. – Esse é um ponto negativo de se viver as eras todas.
Era alguma coisa mais ou menos assim: mais de quatro mil pessoas desapareceram por sessenta anos e depois retornaram em uma bola de luz com algumas habilidades ridículas, ai o cara do governo tentava pegar um assassino maldito - que matara uma testemunha se transformando nesse agente do governo – para tentar limpar sua ficha provando que o cara conseguia se transformar em quem quisesse e tal...
Espera aí! Será que realmente era a Sadie aqui em casa hoje mais cedo? – Eu me sentei rapidamente na cama. Puta merda! Que droga, eu tenho que dormir ou vou acabar louco.
Era hora do almoço quando eu acordei. Por um tempo eu me esqueci totalmente do que aquele dia significava, mas depois de um banho demorado, um telefonema para um restaurante próximo pedindo minha comida, e um tempo parado encarando minha guitarra eu lembrei!
Olhei no relógio e ainda faltava uma hora e meia para buscar Sadie. Sim, eu disse uma hora e meia... Como eu conseguiria me livrar da casa depois de mandar meu quarto de volta para o Duat? Não sei, não me importa.
Guardei meu notebook em uma pasta, com meu Motorola Razr – gostei desse aparelho porque o seu nome parece o som que eu faço quando estou chegando lá no... bom, deixa quieto – peguei uma mala pequena e enfiei algumas peças de roupa ali.
Respirando fundo e talvez, até sorrindo um pouco, peguei as chaves do carro e sai daquela casa mandando meu quarto de volta para onde veio. Entrei no SR1, inspirei o aroma de carro novo e comecei a dirigir.
Bati na porta, e realmente, eu não esperava por aquilo.
- O que aconteceu? – Perguntei antes que Sadie pudesse gritar na minha cara.
- O que aconteceu? Eu lhe digo o que aconteceu, aconteceu que você não me avisou que essa porcaria era por uma semana longe de casa!
Ah, sim! Devo ter me esquecido. Pra quê? Pra ela recusar? Assim é mais emocionante!
- Arrumou as malas? – Perguntei me fazendo de desentendido, mas atento. Nunca se sabe a que momento ela vai atacar.
- Você ainda é um filho da mãe, sabia? – Ela me perguntou mais calma. Dando espaço para eu passar pela porta.
É, mulheres são loucas. Tinha uma mala perto da porta. Sim, ela estava soltando fumaça pelo nariz quando abriu a porta, gritou comigo quando me fiz de inocente, mas a mala já estava pronta. Quem entende? Peguei-a e enfiei no porta malas junto com as minhas coisas.
- Quanto tempo daqui até lá? – Ela me perguntou meio mal-humorada.
- 44 horas. – Senti a radiação, ela iria explodir a qualquer momento.
- Espera ai! Então serão mais dois dias com você no meu pé?!
- Sim querida. – A enlacei de repente pela cintura, trazendo-a mais para perto.
Logo sua expressão havia se suavizado pelo susto, ela se recuperou pronta a me empurrar, e foi quando a soltei sussurrando: - E não só no seu pé.
Estávamos na estrada há umas duas horas, e Sadie estava estranhamente quieta. Com olhos atentos observava os detalhes do meu carro lindo maravilhoso, combinando com o motorista, é claro. Estava extremamente desagradável todo aquele silêncio.
Lentamente, deslizei uma mão para longe do volante e pressionei o play. Ah, senti um alívio tremendo cara. Fuel começou a tocar, Essa música dá vontade de sair como um louco, correndo cantando, tocando uma bateria imaginária, e...
Aos poucos reduzi a velocidade, e preparei a máquina. Sadie percebeu o que eu estava fazendo e arregalou os olhos. Eu ri. Simplesmente, ri.
- Segure-se, Sad! – Falei enquanto acelerava com tudo.
Era noite, as estradas estavam praticamente desertas e eu sou um deus, limite de velocidade pra quê? Hahá, o ronco do motor ecoava na noite. Fiz uma curva fechada com precisão e senti o carro derrapar um pouco. Sadie estava com uma mão no cinto e outra no banco, desespero?
Como ela pode ter medo de morrer sendo que está com o pesador dos mortos ao volante. É, talvez esse seja o motivo do medo.
Mais à frente havia um declive magnífico, senti-me em uma montanha russa. Adrenalina dominando. A somente 210 Km/h logo atingimos o terreno plano mais próximo. Reduzi um pouco com isso, carros começaram a surgir do nada e eu não queria desviar de nenhum em alta velocidade, isso é muito chato.
Em poucos 170 Km/h eu vi a interestadual que deveria avistar somente no outro dia. Estávamos extremamente adiantados hehe, graças ao meu lindo carrinho, beijos.
Consultei o GPS, e vi que cinco quilômetros havia um hotel. Hum... Um plano passou pela minha cabeça, vamos começar o quanto antes.
Estacionei e desliguei o motor respirando fundo. Perfeito. Fechei os olhos enquanto esticava meus braços e alongava meus músculos confinados naquele pequeno espaço por tempo demais. Com um estalo e um salto involuntário de minha parte, senti meu rosto esquentando. Aquela louca me deu um tapa!
Cara, eu não pude fazer mais nada a não ser rir. Nossa, como eu ri. Eu ria de mim, ria da situação, e ria ao pensar na coitada ao meu lado durante essa injeção de adrenalina. Deuses! Eu me senti bem.
Ouvi quando a porta do passageiro se abriu abruptamente e ouvi um barulho não muito agradável, não pude acreditar que ela fez aquilo!
1- A série citada no início realmente existe, é The 4400 para os curiosos.
2- Fuel, obviamente, do Metallica - sem levar para o lado pervertido da música
Ah, ignorem, nunca fui boa com nomes de capítulos.
