Ainda era cedo quando os primeiros raios de sol incomodaram os olhos de Sakura. Ela preferiu mantê-los fechados por alguns segundos enquanto respirava fundo e se espreguiçava. Sentindo um ar diferente, mais leve, quem sabe até um pouco mais... Divertido? Não, bem mais romântico, talvez. Ela não sabia explicar. Só sabia dizer que era bom e não queria que aquele momento acabasse tão cedo.

Olhou em volta e viu que estava no meio da sala, deitada em um colchão, nua e abraçada a seu... O que eles eram mesmo? Ah, aquilo podia ficar pra depois.

–Bom dia...- sentiu seu pescoço ser beijado.

–Er... Bom dia, Sasuke.- ela sentiu seu rosto esquentar. Apesar de já serem bem mais íntimos, – se é que entendem – ainda sentia-se desconfortável por estar nua ao lado de um rapaz.- Está com fome?

–Na verdade, não. Você está?- ele pergunta abraçando-a colando seus corpos por debaixo do cobertor.

–Um pouco.- respondeu aceitando o abraço e fazendo o mesmo.

–Quer comer fora?

–Ah, se você tiver uns ovos, pães e suco, eu posso fingir ser cozinheira.- riram.

–Adoraria ver você usando um avental. – ele riu fazendo Sakura ficar vermelha.

–Quer saber? Mudei de ideia.- disse emburrada enquanto levantava-se puxando o cobertor, deixando Sasuke completamente nu no colchão.- E cubra-se!- exigiu virando-se para que não visse as partes do rapaz.

Ele riu alto.

–Você que me despiu.

–N-não interessa.- estava como um pimentão.- Vista-se logo!

–Ah, qual é Sakura.- levantou.- Nós não deveríamos ter essas reações.- dizia enquanto colocava seu short, que jazia no sofá.- Nós estamos ficando há um tempão, eu gosto de você, você gosta de mim...- disse a última parte com um tom bem convencido.- Nós até tran-

–Sasuke!- interrompeu-o.

–O que foi?- ele olhou suas costas à mostra por causa do lençol. Aproximou-se um pouco.- O que tem demais? Isso é muito comum.

–Tsc, ah... Deixa pra lá.- ela riu, fazendo com que Sasuke soltasse uma risada pelo nariz.

–Escuta.- ele segurou seu rosto com as duas mãos.- Porque você não vai se vestir? Eu conheço um lugar que é bem legal. Nós podemos tomar café lá e então eu te levo pra casa. Certo?

–Uhum.- deu um sorriso quase imperceptível.

–Vai lá, criancinha.- ele riu e beijou os lábios da pequena que se aborreceu com o insulto e saiu pisando fundo.- Eu já disse que você fica uma gracinha com raiva?- ele disse debochando ao mesmo tempo que ela catava suas roupas no chão e fechava a porta do banheiro com toda sua força.

Sasuke pegou-se pensando em como ela ficava mesmo uma graça com raiva.-Hum...

Algum tempo depois, Sakura sai do banheiro o mais arrumada que pôde, já que não havia levado nenhuma roupa, maquiagem ou qualquer coisa do tipo para se ajeitar. Mas continuava bela.

–O que você estava fazendo lá dentro?- ele perguntou.-

–Nada.- ela estranhou a pergunta.- Só tentando parecer menos horrível a essa hora da manhã.

–Hum...- ele se aproximou e pousou as mãos sobre a cintura de Sakura, puxando-a mais para perto.- Não tem como você ficar horrível.- disse e aproximou seus lábios em um leve selinho.

–Ai, Sasuke. Para de ser assim.- ela riu.- Seu falso.

–Depois não reclama que eu sou frio e que não demonstro nenhum sentimento.- ele a largou e procurou as chaves do carro.

–Ai, dramático.- revirou os olhos.

–Viu as chaves?- ele disse ignorando seu comentário.- Ah, aqui está.

–Onde nós vamos?

–Não sei...- ele deu um sorriso de canto.

–Porra, Sasuke.- eles riram.

–Você vai ver.- ele pegou a mão de Sakura e foi andando para fora do apartamento e logo em seguida trancando a porta.- Vem.

–Hum...- Sakura saboreava alguns pães de queijo.- Isso aqui... Hum... Tá muito gostoso.

–Eu sei que está.- ele riu de como a menina falava de boca cheia..

–Como que ninguém nunca me falou desse lugar? – disse após tomar uns goles de suco. – E esse suco, meu Deus? Perfeito! – ela revirou os olhos em êxtase.

–Fantástico, né? – ele admirava aquela menina. Apesar de toda a sua casca de machão que não tá nem aí para ninguém além de si mesmo, aquela menina o fazia estremecer. Aquela menina o deixava nos ares. Porque aquela meninaera tão intoxicante?

Algum tempo depois já estavam satisfeitos e já se retiravam. Após entrarem no carro, antes que Sasuke o ligasse, Sakura segurou sua mão fazendo com que ele a olhasse.

–Obrigada, Sasuke. – ela sorriu para ele.

–Pelo que? Por te dar comida gostosa? – eles riram.

–Também. – riram mais. – Mas não é só pela comida. Por todo esse tempo, por hoje, por ontem... Por nós. – ela finalmente disse desviando o olhar.

–Olha... Você não tem que me agradecer por nada. – ele puxou seu rosto para um beijo terno. – Eu que tenho que agradecer a você.

Eles ficaram ali se encarando mais um tempo, tentando e não tentando nada. E na realidade, o silêncio diria bem mais do que gestos ou palavras.

Na porta do prédio de Sakura, Sasuke saiu do carro e foi abrir a porta do passageiro para que Sakura saísse. Segurou sua mão, ajudou-a a levantar. Um perfeito... mordomo.

–Bem, a senhorita deseja mais alguma coisa?- ele fez pose de servente.

Ela riu.

–Não, Thomas. Está dispensado por hoje. – e ela de madame.

–Sim, senhorita. – ele dizia enquanto levava Sakura até a portaria. – Tenha uma boa noite. – beijou sua mão.

–Você também, Thomas...- ela sorriu e o puxou para um beijo leve. – Espero te ver logo. – ela sussurrou em seu ouvido.

Com isso eles trocaram mais uns beijos e olhares e Sasuke foi embora. Dali em diante os dois sorririam como bobos o resto do dia. O começo de fim de semana perfeito.

O sábado terminou, assim como o domingo e a segunda-feira. Nenhum telefonema, nenhum sinal de vida. É, Sakura estava começando a achar que tinha sido feito de idiota. Mais uma vez. Ela sabia que não devia ter confiado nele desde o início. Sasuke era assim mesmo. Frio, oportunista, enganador. Arrependeu-se de cada segundo a seu lado, cada beijo, cada toque... Tudo fora em vão.

Sakura lutava enquanto dirigia para a faculdade para não derramar uma lágrima. Não acreditava como pôde ter sido tão fraca, tão idiota, tão ridícula. De todos os palavrões que ela disse e todos os xingamentos que nomeou Sasuke, "viado" fora o menos ofensivo. Logo, alguns porrase caralhosforam doce em sua boca quando deixou seu material cair enquanto saía do carro.

–Eu te odeio tanto...- ela finalmente deixou uma única lárgrima escorrer enquanto pegava seus papéis e livros.

Já no caminho para sua primeira aula, viu Sasuke chegando de carona com um amigo. Apesar de toda sua preocupação com as aulas e tudo mais, não hesitou em ir em direção ao moreno com toda sua raiva. Estava tão cega de ódio que nem percebeu que o rapaz respirava com dificuldade.

–Oi, Sak-

–Você é um imbecíl! – ela deu tapa na cara dele antes que ele pudesse dizer algo.

–O que você está fazendo?! Por que isso agora?! – ele disse e tossiu um pouco.

–Você só queria dormir comigo! Todo esse tempo! E depois que conseguisse claro que você ia sumir e não ia dar nem um telefonema. Você é o pior tipo, Sasuke. – ela dizia enojada.

–Do que você está falando, garota? – ele continuava a tossir.- Eu não falei contigo porque eu fui assaltado. Levaram meu carro e meu celular. E eu estou todo fodido! – ele não conseguia acreditar que estava sendo acusado de tal maneira.

–Como se já não bastasse me enganar uma vez, você ainda inventa essa história...

–Ah, eu to inventando?! E porque eu não tô com meu carro? Porque eu tô tossindo feito um desgraçado? Pensa, você vai ser médica, né?

–Você é perfeccionista. Ou só era mais uma de suas falsas qualidades? – ela perguntou debochada.

Ele franziu o cenho em espanto. Ele não acreditava mesmo. Abaixou a cabeça em sinal de desistência e virou de costas para ela levantando a camisa. À mostra estava um curativo em suas costas. Era possível ver alguns vestígios de sangue nele.

–Oh, meu Deus...- elas pôs as mãos sobre a boca. – Você est-

–Esquece, Sakura. – ele puxou um anel do bolso e jogou no chão à sua frente. – Pensei que você fosse mais que isso.

E depois de praticamente dizer que jamais a perdoaria, ele se retira decepcionado.