E depois de praticamente dizer que jamais a perdoaria, ele se retira decepcionado.

Em choque, Sakura não sabia muito bem o que fazer. Ainda processava bem as informações do que acabara de acontecer. Passaram-se minutos, que mais pareciam uma eternidade, olhando a direção na qual Sasuke havia seguido, mesmo que não o enxergasse mais.

Após um barulho agoniante que gritava atrás de si, Sakura desperta do transe e olha na direção do som que a incomodava. Levou apenas dois segundos para constatar que era Ino em seu carro buzinando incontrolavelmente.

-Sakura! O que você tá fazendo aí? – gritava Ino da janela do carro. – Sakura?

Ino desceu do carro sem se importar se ele estava devidamente estacionado, ou não. Aproximou-se de Sakura e tocou seu ombro.

-Amiga, o que você faz aqui uma sozinha? - pergunta atenciosa.

Sakura olhou para Ino meio desorientada, com os olhos marejados e, no final, a única coisa conseguiu fazer foi abraça-la e chorar.

-Sakura, o que aconteceu? - Ino retribuiu o abraço e sentiu sua blusa umedecer gradativamente.

-Eu estraguei tudo, Ino. - soltou-se do abraço para se recompor.

-Mas, assim, você vai me contar o que aconteceu ou a gente vai ficar aqui, contando lágrimas? - disse Ino na tentativa falha de animá-la.

-Tudo bem, vamos até a biblioteca e eu te conto. – disse Sakura abaixando-se para pegar o anel que jazia no chão do estacionamento e saindo do mesmo logo em seguida.

Chegando na biblioteca, Sakura já se sentia mais calma, mas a profunda culpa e tristeza que sentia estava longe de ir embora. Sentaram-se em uma mesa uma de frente pra outra.

-E então? – perguntou Ino iniciando a conversa.

Sakura explicou a história toda, desde terem passado a noite juntos até a discussão e ele jogar o anel no chão. Ino ponderou sobre a pequena narrativa de sua amiga por alguns instantes.

-Você está errada. – disse Ino.

-E o céu é azul. – percebendo a confusão de sua amiga diante do comentário, Sakura continuou. – Essa é a parte óbvia, Ino. Sei que estou errada, se estivesse certa não estaria tão abalada. Fui injusta com ele.

-Você não devia ter tirado conclusões precipitadas, Sakura. E essa não é a primeira vez que comete esse erro com ele.

-Eu sei e me arrependo muito. Queria dizer isso pra ele, mas não se se tenho coragem de chegar agora e tentar conversar.

-Espere um tempo. Vocês brigaram hoje e por mais que ele ainda goste de você está com raiva. Conversar agora vai resultar em mais briga e tenho certeza que você não quer isso, não é mesmo? – disse Ino.

-Você está certa, Ino. Vou esperar um tempo. Uma semana talvez. Ele não deve estar mesmo querendo falar comigo. – disse Sakura tristemente.

Sasuke passou as três primeiras aulas praguejando Sakura mentalmente. Não sabia ao certo porque ela tanto desconfiava dele. Primeiro a história de chama-lo de aproveitador e agora ela duvida que ele queira ficar com ela não só por causa de seu belo corpo. Estava farto disso.

Chegando em seu apartamento, Sasuke, após tomar banho e jantar brevemente, deitou em sua cama. Nela pensou em Sakura. E agora, já mais calmo, admitiu que não queria ela fora de sua vida. Gostava dela, mesmo com toda essa insegurança desnecessária.

Mas não correria atrás dela. Ela estava errada, muito errada, teria que se redimir sem sua ajuda. Com esse pensamento e um leve aperto no peito foi levado pelo cansaço e dormiu.

Sakura podia dizer que aquela vinha sendo a pior semana de sua vida. Tinha brigado com Sasuke fazia apenas dois dias e já não se aguentava de saudade. "Talvez eu esteja exagerando, nós nem namorávamos" era o que ela pensava tentando se convencer de que era bobagem o que sentia.

Os dia pareciam se arrastar cada vez mais. Decidiu falar com ele na sexta, mas parecia que essa não chegava nunca. Sua única saída foi preencher seus dias com estudos.

Andava estudando feito uma condenada e ainda faltava mais de uma mês para suas provas começarem, porém essa era a única forma que encontrava de manter sua mente longe de Sasuke.

Sasuke se sentia cada vez mais irritado com sumiço de Sakura. Nem uma mensagem, uma ligação, um e-mail, telegrama, sinal de fumaça. Ela simplesmente havia esquecido de sua existência.

A sexta se aproximava e pensar que não iria assistir um filme com ela fazia seu coração murchar.

Sasuke assistia TV quando seu telefone tocou e ele teve uma breve esperança de que fosse Sakura. Esta logo se desfez ao ler o nome "Karin" na tela do celular. Não atendeu. Segundos depois se arrependeu. Já era quinta-feira e Sakura nem ao menos deu um oi. Deveria ter atendido e não ter ficado sentado esperando alguém que nunca vem.

Aproximadamente dez minutos depois seu telefone tocou novamente. Era Karin e dessa ele atendeu. Se Sakura o identificava como um canalha ele seria exatamente isso.

-Alô?! – disse Sasuke.

-Olá, Sasuke-kun! – disse Karin manhosa. – Você tem planos para amanhã?

-Não, até agora.. – disse ele já sabendo o que ela falaria. Conhecia esse truque a anos.

-Você pode me ajudar com o trabalho da faculdade? Estou com certa dificuldade em Direito constitucional. – disse ela dando uma risadinha no fim.

-Tudo bem, Karin, depois da faculdade você vem comigo ao meu apartamento. – disse Sasuke.

-Obrigada, você é um anjo. Tchauzinho, Sasuke-kun!- disse ela desligando o telefone.

Sasuke não a suportava, fato, mas qualquer coisa era melhor que ficar na fossa pensando em quando Sakura viria finalmente falar com ele. Além do mais, seria só mais uma noite, ela nem ao menos dormiria lá. Karin serviria de passa-tempo enquanto não tirava Sakura de sua mente, ele havia decidido isso.

A sexta-feira chegou e Sakura estava mais ansiosa do que nunca. O dia passou voando e ela já estava de saída quando o telefone de seu apartamento tocou fazendo com que ela fechasse a porta e a cara voltando para atendê-lo.

-Sakura?! – disse a voz do outro lado da linha.

-Oi Ino. Já tava saindo para ir atrás de Sasuke. – disse Sakura animada.

-Liguei para desejar sorte, amiga. Tomara que tudo dê certo! – disse Ino com sinceridade.

-Obrigada, amiga, agora eu preciso mesmo ir antes que perca a coragem. Beijo. – disse se preparando para desligar.

-Tchau!

Sakura desligou o telefone, apagou as luzes e trancou a porta de seu apartamento. Tudo em ordem, hora de ir à luta. Enquanto descia pelo elevador se olhou no espelho e não achou de todo mal o que viu.

Entrou em seu carro e girou a chave rapidamente dando a partida. Uma música qualquer tocava na rádio e ela tentava a todo custo se distrair cantando a música, mas volta e meia se pegava repetindo mentalmente o que havia ensaiado falar para Sasuke desde o dia da briga.

"Oi Sasuke, sei que é estranho aparecer aqui do nada, você provavelmente não quer me ver e eu entendo perfeitamente seus motivos. Não fui justa com você, não apenas uma vez, mas duas. Me arrependo profundamente do que fiz, você não sabe quantas saudades eu senti essa semana. Sei que é muita cara de pau pedir que esqueça o que fiz, mas é tudo o que quero. Foi um grande erro e eu gosto tanto de você. Por favor, Sasuke, me desculpe?"

Sentiu um frio na barriga ao estacionar o carro em frente ao prédio de Sasuke. O porteiro a deixou entrar, pois já havia visto ela várias vezes por lá. Pegou o elevador e seu coração parecia querer sair pela boa.

O elevador parou no oitavo andar e ela andou em direção ao apartemento 802. Respirou fundo, tocou a campainha e esperou. Cinco minutos e nada de Sasuke. Tocou a campainha novamente. Esperou mais uma vez e quando já estava perto de desistir ouviu a porta ser destrancada.

-Sakura?! – disse Sasuke assim que a viu parada do lado de fora de seu apartamento.

-Eu. – disse ela dando um sorriso amarelo. – Será que a gente pode convers-

-Sasuke-kun, volte pro quarto! – gritou uma voz azeda do interior do apartamento interrompendo Sakura.

-Quem está aí? – disse Sakura sentindo o coro cabeludo formigar e os dentes trincarem.

-Ninguém, o que você tava falando mesmo? – disse Sasuke saindo do apartamento nervosamente.

Antes que Sasuke pudesse fechar a porta, Sakura o atropelou entrando no apartamento em direção ao quarto do mesmo. Sasuke disparou atrás da rosada tentando segurá-la de toda forma, mas nada que ele tenha feito a impediu de seguir em frente.

Ao abrir a porta se deparou com uma menina só de short e sutiã deitada na cama de Sasuke brincando com as pontas do cabelo. Por um instante teve vontade de arrancar cada centímetro de pele daquela ruiva com as unhas, mas foi então que se deu conta de que ela não era culpada de nada daquilo.

Olhou dentro dos olhos da garota e disse: -Cuidado, menina, ele não vale mais que um anel de chiclete. – dito isso olhou para Sasuke. – E você, engole essa merda. – disse enfiando o anel que segurava na boca de Sasuke que quase se engasgou com o mesmo.

Sakura saiu do quarto rumo a porta do apartamento. Sentia o sangue ferver em suas veias. Apertou o elevador e sentiu a mão de Sasuke segurando seu braço esquerdo.

-Sakura, espera! Me desculpa. Eu pensei q-

-Você não pensou nada. Não sei como pude ser idiota o suficiente pra pensar que você estaria com saudades. Você é um bosta, Sasuke. – disse ela soltando seu braço do enlace das mãos dele. – Eu tenho nojo de você.

Sakura entrou no elevador e apertou o T. A porta se fechou e Sasuke ficou de fora. Infelizmente o mesmo não se aplicava ao coração de Sakura.