Depois de ver as portas do elevador fechando em sua frente, Sasuke pressupôs que era um total idiota. Ou melhor, teve absoluta certeza. Apesar de conhece-la há pouco tempo, Sakura era a única pessoa que conseguia fazê-lo relaxar, fluir como a pessoa que ele realmente é.

Visto que ela não o daria ouvidos agora, resolveu voltar ao seu apartamento. Sentou-se no sofá e pôs-se a pensar no que havia acontecido. Não muito tempo depois, lembrou-se da presença de Karin quando a mesma apareceu na porta de seu quarto, chamando sua atenção.

– Você vem? – perguntou sedutora.

– Er... – não a olhou no exato momento. – Karin, eu vou ser bem direto. – agora direcionou o olhar à ela. – Eu só aceitei que você viesse aqui porque estava mal. Agora eu vejo que foi uma péssima ideia, então, por favor, vai embora. – disse apontando para a porta.

– O-o que, Sasuke? Porque?! – estava completamente confusa.

– Não interessa o porquê. Só vai. – dessa vez, levantou-se e foi em direção à porta para abri-la. – Anda. Pega suas coisas e vai.

– Mas Sasu-

Parou de falar ao perceber que o rapaz passou por ela violentamente e entrou no quarto. Deu meia volta no intuito de ir atrás dele, mas sentiu algo ser arremessado em seu rosto.

– Anda, Karin, se veste – disse ao notar que ela havia percebido que era sua blusa o objeto arremessado.

– Mas o que é isso? Eu nunca me senti tão humilhada antes – disse indignada enquanto vestia sua roupa.

– É? Pois devia. Por que você não é do tipo de mulher que se dá o respeito.

– Você é um grosso, sabia? – disse enquanto Sasuke a levava em direção à porta, fazendo a mesma ficar fora do apartamento.

– É, eu sei. Agora sai – fechou a porta em sua frente.

Sakura fechou a porta atrás de si e deixou-se escorregar por ela até o chão enquanto deixava um mar de lágrimas serem derramadas. Ela não conseguia mais pensar em maneiras de perdoar Sasuke. Era como se agora eles estivessem "quites". Ela o magoou duas vezes e vice e versa. Pensava que, mesmo que voltassem a ser como antes, sempre lembraria do que havia acontecido hoje.

– Odeio você... – repetiu algumas vezes entre os soluços.

Resolveu tomar banho para ver se toda aquela angústia e sofrimento iam embora pelo ralo. Sentia as grossas gotas de água encharcarem seu cabelo se misturando a suas lágrimas. Se sentia devastada. Então ela realmente estava certa? Ele realmente era o canalha que ela sempre achou que fosse? Preferia não estar certa sobre suas suspeitas.

Não se importou com a água que pingava pela casa a cada passo seu. Deitou-se sem se enxugar e chorou mais uma vez. E outra e outra, sendo assim até sucumbir ao sono.

Ino e Hinata almoçavam juntas como de costume. Jogavam conversa fora quando deram por falta da amiga. Passaram-se os dias e com eles a semana. Sakura ainda não havia dado as caras na faculdade. O que era muito estranho, pois ela nunca faltava.

– Ela me disse por mensagem que estava gripada, mas isso foi na terça-feira passada! – disse Ino dramatizando ainda mais a situação.

– Você já tentou ligar para ela?

– Já, ela não atendeu em nenhuma das 25 vezes. – Ino fez uma pausa e parecia ponderar sobre algo.

– O que foi? – perguntou Hinata estranhando o comportamento da amiga.

– Vamos, eu vou perguntar para Sasuke se aconteceu alguma coisa na casa dele na sexta. Ela está estranha desde esse dia. – disse Ino levantando e apanhando sua bolsa.

– Tem certeza que é uma boa ideia?

– Eu sempre tenho certeza, Hina.

Ino já saía do refeitório quando trombou em alguém que, segundos depois, percebeu ser Sasuke.

– Sasuke! – disse ela segurando-o pelos ombros. – Eu queria mesmo falar com você!

– O que foi? – disse ele indiferente.

– A Sakura... Vocês tem se falado? – perguntou Ino;

– Bem... – sua feição tornou-se triste. – Nós terminamos.

– Mas ela foi até sua cas- Você não a perdoou? Não acredito, Sasuke! – disse Ino dando uma bronca nele.

– Não foi isso. Eu a teria perdoado, mas ela demorou e eu achei que ela havia me esquecido. Eu estraguei tudo. Eu fui um imbecil. Mas agora já era. – Ino não fazia ideia do que ele estava falando, mas pôde sentir que o mesmo magoara Sakura.

Ino passou por ele sem dizer mais nada, enquanto que Hinata apenas murmurou um "tchau".

– Pra onde estamos indo? – perguntou Hinata notando que sua amiga se dirigia ao estacionamento.

– Pescar Sakura antes que ela se afogue nessa fossa. – disse Ino entrando no carro.

– Ah, tudo bem. – disse Hinata entrando junto.

Ino dirigia sem tagarelar e isso estava assustando Hinata.

– Amiga...

– Que foi?

– Porque você não está falando nada? – perguntou Hinata com certo receio.

– Só estou preocupada. Sakura deve estar muito mal para estar faltando todo esse tempo e, pelo que Sasuke falou, ele fez uma burrada bem grande.

Hinata achou melhor ficar calada, pois Ino não estava em seu melhor estado emocional. Talvez fosse a TPM ou os hormônios.

Estacionou o carro e as duas desceram. O porteiro já as conhecia, então não foi um problema passar pela portaria do prédio. Subiram até seu apartamento e bateram na porta.

– Sakura, somos nós. Ino e Hinata. Abra a porta. – disse Ino.

Nada em resposta.

– Estamos preocupadas com você, amiga. Você faltou uma semana. – agora foi a vez de Hinata chama-la.

Apenas silêncio novamente.

– Sakura, que droga! Nós sabemos que você e Sasuke terminaram. Abre logo essa porta, senão eu mesma vou abrir. – disse alterando-se.

Após isso, a porta em sua frente abriu-se, revelando uma Sakura desarrumada em um cenário que mais parecia uma zona de guerra.

– Eu não estou bem, ok. – disse Sakura entrando e voltando a deitar no sofá da sala. Um sofá um tanto desconfortável para se dormir, já que ele era pequeno e estava cheio de coisas nojentas, como sacolas de Cheetos e spray de chantilly vazios e afins.

– Nossa, sua casa está um nojo. – disse Ino catando algumas roupas sujas que estavam por seu caminho.

– Sakura, conte-nos o que aconteceu. – pediu Hinata ficando de pé perto da amiga.

– Foi ridículo. – disse sem manter o foco em qualquer coisa. O nada satisfazia sua visão.

– Anda, menina. Levanta. Vai tomar um banho que você tá um nojinho. – disse Ino meio ignorante.

– Ino! – repreendeu Hinata.

– O que? É verdade mesmo. – aproximou-se de Sakura. – Anda, testuda. Eu te ajudo. – levantou-a e foi andando em direção ao banheiro. – E você, Hinata, dá uma melhorada na aparência dessa casa.

Pouco tempo depois, Ino e Sakura já retornavam do banheiro e Hinata terminava de varrer a sala. A menina dos cabelos rosados estava mais apresentável e seu apartamento também.

– Certo, Hina. Muito obrigada. – agradeceu Ino. – Agradeça também, Sakura.

A menina levantou o dedo polegar em agradecimento, fazendo com que Hinata risse do gesto.

– De nada. Estou aqui para te ajudar sempre.

– Tá bom. Agora acorda, Sakura. Conta o que aconteceu. – pediu Ino enquanto a trazia para sentar-se no sofá junto a ela e Hinata.

– Bem... – hesitou. – Como vocês sabem, eu fiz a burrada de julgar que ele tinha apenas me usado e, claro, foi muito idiota de minha parte. – ela explicava com dificuldade, já que era um assunto delicado para ela.

E assim foi até que ela narrasse todos os acontecimentos daquela sexta-feira tão desagradável.

– Nossa... Esperava mais dele. – disse Hinata.

– Sinto muito por você, Sakura. – disse Ino segurando sua mão, tentando passar-lhe o apoio que ela estava disposta a dar. Hinata fez o mesmo logo em seguida. – Mas, enfim. T á na hora de superar isso.

– Isso. Bola pra frente!

– Hina, o que você acha de cozinhar para nós hoje? – perguntou Ino.

– Seria ótimo! – adorou a ideia. – Mas não tem nada que preste na geladeira e as louças estão todas sujas.

– Então, façamos o seguinte: Você lava as louças enquanto eu e Sakura vamos ao supermercado comprar algumas coisas. Tudo bem pra você?

– Por mim, tudo ótimo. – disse Hinata.

– E você, Sakura? Tudo bem?

– Aaah, eu não quero ir. – disse sentando-se novamente no sofá.

– Foda-se. – pegou a amiga pelo pulso e a puxou até aporta. – Até mais tarde, Hina. – dito isso, saiu junto com uma Sakura totalmente emburrada.

Sakura se arrastava pelo supermercado como uma criança birrenta enquanto Ino andava de um lado para o outro, lotando o carrinho de comidas saudáveis e sem gordura trans. Era visível a mania de dieta da garota.

– Vamos, Ino. Estou cansada e quero ir pra casa. – choramingou Sakura.

– Sakura, para de reclamar e vai pegar o leite.

– Argh! – grunhiu Sakura se retirando.

Rastejou até a seção de laticínios do supermercado, aérea a tudo que acontecia em sua volta. Até que notou a presença de um rapaz, pegando uma cerveja de dentro do freezer que, por meio segundo, achou que fosse Sasuke. Ele era muito bonito e extremamente parecido com o mesmo.

Olhos negros e cabelos de mesma cor que caíam sobre os largos ombros, pele branca e braços definidos. Tinha um ar de bad boy sexy e destemido.

Ele se tirou após pegar a cerveja e Sakura não pode resistir a vontade de segui-lo. Queria olhar para ele só mais um pouquinho.

O seguiu por mais uns cinco minutos, sempre se escondendo atrás de seu celular sempre que ele a olhava. Um estalo aconteceu em sua mente, fazendo-a lembrar que Ino a esperava, provavelmente, no caixa.

Pegou uma caixa de leite qualquer e foi atrás da amiga. Chegando no caixa pode ver Ino se aproximando com o carrinho abarrotado de comida.

– Onde você estava? – perguntou Ino estranhando a demora da amiga para pegar uma caixa de leite.

– Estava escolhendo o leite. – notando que a desculpa soara esfarrapada, Sakura continuou. – Tinham muitas marcas lá, fiquei em dúvida.

– Então tá, né. – disse Ino pagando as compras. – Vamos, você precisa comer.

Sakura achou melhor não comentar o fato de ter seguido o "gêmeo do mal" de seu ex. Ino provavelmente a acharia ridícula e diria que ela está obcecada por Sasuke. Ignorando o ocorrido, seguiu para sua casa.