Sakura acordou cedo no sábado, mas resolveu voltar a dormir ao lembrar-se de que começaria em seu emprego e provavelmente teria que ficar acordada até tarde. Mas, ao meio dia, seu celular gritou uma melodia irritante que a fez acordar do ótimo sonho que estava tendo. Dentro de suas fantasias, ela não precisava se preocupar em manter sua mente longe de Sasuke, pois era uma criança que corria livremente em um campo florido.

– Sonhos... Pfff. – murmurou Sakura indo até o banheiro.

O dia se resumiu em estudar anatomia e falar com Ino no telefone. Ela que não admitia o fato de Sakura ter arranjado um trabalho, quando podia simplesmente sair por aí fazendo compras e indo em festas e conhecendo pessoas novas e sendo a Ino.

Ai, ai.Ino é tão fútilàs vezes... – pensou Sakura enquanto se arrumava para seu primeiro dia de trabalho.

Estava animada e um pouco ansiosa. Nunca havia trabalhado antes, o que era ridículo para alguém com dezessete anos. Mas seus pais sempre lhe deram tudo sem pedir nada em troca, então não é como se fosse errado nunca ter trabalhado. Apenas não houve a necessidade.

Vestiu uma calça jeans escura, uma camiseta vermelha e uma sapatilha preta com gliter. Foi o mais próximo de uma ajudante de barman que conseguiu chegar. Não queria parecer uma fresca perto das pessoas que frequentavam o lugar que, na mente de Sakura, eram badboys e garotas tatuadas com cabelos coloridos.

Quem sou eu para falar sobre garotas de bar? – pensou enquanto penteava seus cabelos longos e exóticos. Olhava-se no espelho um segundo antes de pegar sua bolsa e sair depois de largar seus devaneios.

Estacionou na frente do bar e se olhou no retrovisor. Retocou o batom cor de pêssego, tomou fôlego e foi trabalhar.

Sua concepção sobre bares mudou no instante em que pisou dentro do estabelecimento. As pessoas não eram chiques ou refinadas, o que era ótimo levando em conta a roupa que estava usando. Mas estavam todos bem-vestidos e com seus cabelos de cores normais penteados. Certo, haviam algumas pessoas com olhos extremamente maquiados de preto e casacos de couro, mas aquilo ainda era um bar.

Uma banda fazia um cover dos Beatles e as pessoas pareciam bem animadas. Encontrou Shikamaru sentado em uma das mesas próximas a entrada do bar e direcionou-se até ele.

– Olá, Sakura. – disse ele simpático. – Venha, vou lhe apresentar ao barman.

Andaram até o balcão onde um rapaz com fios alaranjados cabelos coloridos eram um fato e cheio de pírcingues preparava um drinque azulado.

– Yahiko, esta é Sakura, sua ajudante. – disse Shikamaru – Sakura, Yahiko.

– Oi. – disse Sakura sorrindo e estendendo a mão.

Yahiko apenas respondeu ao gesto da menina e voltou a fazer seu drinque.

– Vocês vão se dar bem. Espero. – disse Shikamaru saindo de trás do balcão.

Tudo ocorreu bem. Pelo menos, quase tudo. No final das contas, foi um bom primeiro dia. Morta de cansada, Sakura dirigiu de volta ao seu prédio como um zumbi.

No elevador, lembrou-se com pesar que, no domingo, Ino daria uma festa na piscina em comemoração a seus dezoito anos e Sakura havia prometido ir. Teria que acordar nove horas da manhã, não dormiria quase nada.

Tomou banho, mas não lavou o cabelo. Vestiu o pijama e se deitou. Antes de cair no sono, programou o despertador de seu celular para tocar às 9:30. Daria-se o luxo de chegar um pouco atrasada. Ino não se importaria e, com certeza, chegaria antes de cantarem os parabéns.

Em um segundo, sua mente se esvaziou e dormiu feito uma pedra. A rosada não percebeu, mas aquele havia sido o primeiro dia desde a cena no apartamento de Sasuke em que não se lamentou pensando nele antes de dormir. Era um grande progresso.

Quando o despertador gritou nos ouvidos de Sakura, a mesma não pensou duas vezes antes de apertar o botão "soneca" e adiar o alarme em 20 minutos. E isso se repetiu por mais três vezes, até que Sakura, num momento de lucidez, notou o horário no relógio. Estava uma hora atrasada.

Saltou da cama e correu para o chuveiro. Ino estaria uma fera se sua melhor amiga perdesse seu aniversário. Vestiu-se rapidamente e tomou uma xícara de café. E, quando deixava o apartamento, quase esqueceu sua bolsa, o que a fez grunhir de irritação. Apertou o botão do elevador tantas vezes que quem visse a cena se perguntaria se ela realmente achava que aquilo faria o elevador chegar mais rápido.

Estranhamente, tudo parecia mais lento porque ela estava com pressa. Quando o elevador chegou no térreo, depois de intermináveis dois minutos, Sakura correu para seu carro. O portão automático se abriu e Sakura saiu com tanta pressa que só percebeu que um motoqueiro passava bem em frente ao portão após bater o mesmo.

– CARALHO! – gritou irritada ao frear o carro bruscamente.

Desceu do carro rapidamente ao se dar conta de que um cara estava no chão e podia ter se machucado.

– Moço, tá tudo bem? – perguntou Sakura um pouco mais calma.

O rapaz tirou o capacete e a olhou com cara de poucos amigos.

– O que você acha?

– Escuta aqui, rapaz, você não fale desse jeito comigo, tá bom? Eu não bati você porque eu quis. E ainda tive a consideração de vir aqui lhe prestar socorro. Outra pessoa poderia deixar você aí, morrendo. – disse segundos antes de se dar conta que o rapaz com quem falava era o mesmo que vira no supermercado. Ele era muito bonito e o olhar que ele a lançou fez um frio percorrer sua espinha.

– V-você se machucou? – perguntou Sakura tentando conter o misto de raiva e excitação que sentia.

– Não, estou bem. – respondeu ao se levantar. – Mas você vai ter que pagar o conserto da minha moto. – só então Sakura notou a moto caída e um pouco amassada.

– Olha, eu pago o que você quiser. Mas, nesse momento, eu estou muito atrasada. – o rapaz a olhou desconfiado enquanto via Sakura agoniada, mirando para todos os cantos em busca de uma solução.

– Se você acha que vai embora, está muito enganada.

– Eu não estou te enrolando! – respondeu ríspida. – Aqui. – disse Sakura tirando um bloquinho de anotações da bolsa e escrevendo seu número com um lápis de olho. – Toma meu número.

– Como saberei que uma mulher dizendo "número inexistente" atenderá em vez de você?

– Você sabe onde eu moro. – apontou para o prédio atrás de si. – Se eu não atender, você pode vir até aqui e jogar na minha cara que tentei te enrolar. – disse Sakura entrando no carro.

O rapaz assentiu meio contrariado e Sakura saiu em disparada. Ainda tinha um aniversário para ir e estava muito atrasada para o mesmo.

Você pode vir aqui me buscar?

– Onde você está? – perguntou Sasuke.

Perto do bar daquele meu amigo. Pensando bem, esperarei por você lá.

– Tudo bem. Mas, afinal, o que aconteceu?

Uma louca bateu minha motoeagora ela não está funcionando. –bufou. –Provavelmente, tereique trocar o carburador. Fora os retrovisores.– disse com voz irritada do outro lado da linha.

– Ok, ok. Chego aí em quinze minutos. Tente não se meter em confusões nesse tempo. – disse Sasuke desligando o telefone logo em seguida