Sakura chegou em casa às dezoito horas. O aniversário de Ino foi divertido e bem cansativo. Ela pretendia dormir antes de ir para o trabalho ou acabaria dormindo no balcão.
Tomou banho e vestiu uma camisa velha de Naruto. Não era mais apegada ao ex, mas gostava de dormir com aquela roupa. Deitou-se e, assim que fechou os olhos, ouviu o telefone tocar.
– Mas que inferno... – Grunhiu Sakura enquanto atendia à chamada de um número não registrado. – Alô? – disse áspera.
–Olá, Sakura– A garota pôde ouvir uma voz rouca do outro lado da linha.
– Quem está falando? – Perguntou desconfiada.
– O desconhecido mais sexy que você já atropelou– Sakura estremeceu.
– Bem... Olá, desconhecido. – respondeu um pouco nervosa. Ele realmente era o desconhecido mais sexy que ela já atropelara. Era o único, na verdade. Mas se houvessem outros, com certeza ele seria o mais sexy.
– Liguei para saber se poderíamos nos encontrar para tratar da minha moto. Não quero te pressionar, mas ela é muito importante pra mim. –Disse o desconhecido.
– Ela quem? – Sakura não prestava muita atenção nas palavras do rapaz.
– A moto.
– Ah, sim, a moto – Disse desconcertada. – Olha, eu trabalho em um bar, não sei conhece, o Nara's lounge. Pode me encontrar lá hoje à noite? Vai ser difícil eu ter um tempo para sair durante a semana.
– Claro. Sei onde fica. Conheço o dono de lá. -confirmou o rapaz.
– Tá certo, então - Pausou. - Até mais tarde, anônimo – Brincou.
– Até mais tarde, Cherry.
Sakura paralisou por cerca de cinco segundos com o telefone grudado na orelha, mesmo após a ligação ter terminado. Era estranha a forma que aquele desconhecido, como ele próprio se identificou, mexia com ela. Muito estranho. A voz grave parecia ter perfurado seus tímpanos e a palavra "cherry" ecoava em sua mente.
Afastando os pensamentos do rapaz de longas madeixas lisas e negras, Sakura caiu no sono, que, para sua infelicidade, durou apenas uma hora e meia.
Chegando ao bar às nove e meia, Sakura pôs-se a trabalhar e trabalhar. Incrível a quantidade de pessoas que frequentavam o bar. Inclusive aos domingos. As horas se passaram de pressa e ela já não esperava pelo rapaz da moto. De todo modo, o mais interessado no assunto era ele. Deixaria que o mesmo fosse atrás dela quando quisesse.
Às duas e quinze o bar já não estava tão movimentado. Sakura terminava de limpar o balcão quando um cliente chegou.
– O que você deseja? – Perguntou olhando para o lugar onde passava o pano sobre o balcão.
– Um licor de cereja – Rapidamente Sakura reconheceu a voz e levantou o olhar, fazendo com que o dono da mesma fosse devorado pelo olhar esmeraldino.
– Olá, desconhecido – Cumprimentou sorrindo.
– Olá, Sakura.
– Vou providenciar seu licor – E, dito isso, a rosada virou as costas e foi atrás da bebida, voltando logo em seguida com uma pequena taça adequada para a bebida. – Aqui está.
– Obrigado – Respondeu o rapaz enquanto bebericava o líquido carmim.
Sakura sentou no banco pelo lado de dentro do balcão. O bar estava praticamente vazio, então poderiam conversar sem que ele atrapalhasse seu desempenho no trabalho.
– Sobre o acidente de hoje de manhã, me desculpe. Eu estava com muita pressa, acabei me descuidando. – Sakura passou a mão pela testa. – Eu poderia ter matado você.
– Mas não matou, não é? – Dizendo isso, o desconhecido mais sexy de todos conseguiu prender o olhar de Sakura no seu, fazendo-a corar levemente. – Não se preocupe com isso, eu já estou bem.
– C-certo, mas e quanto a moto? - Finalmente suas tentativas de desviar dos olhos ônix do rapaz deram certo. - Você tem um orçamento do prejuízo?
– Vai ficar por 1500 dólares. – A verdade era que o custo seria de 3000, mas o rapaz sentiu que não deveria deixa-la pagar tudo isso. Mesmo sendo culpa dela.
– Certo, certo – Sakura fez uma pausa para respirar. – Bom, estamos no fim do mês e faltam alguns dias para receber meu salário. Você poderia esperar até o início do próximo mês?
– Claro.
– Você pode aguardar um instante? Tenho que terminar de arrumar as coisas aqui, mas já volto.
– Vai lá. Eu te espero.
Sakura lavou alguns copos e terminou de limpar o balcão. O que levou cerca de dez minutos. E, quando voltou, viu que o rapaz ainda esperava por ela do lado de fora da bancada.
– Voltei – Sorriu.
Os dois conversaram por um bom tempo. Pareciam se conhecer há tempos. Não tinham muito em comum e isso despertou curiosidade em ambos. Mas, chegando próximo às três e meia, a conversa foi interrompida pelo celular do rapaz que tocou insistentemente.
– É meu irmão - disse olhando a tela do celular. - Preciso atender – Desculpou-se e se afastou para atender o telefonema.
– Tudo bem – murmurou compreensiva.
– Alô?
– Porra, Itachi? Onde você estava?!
– Cara, relaxa aí. O que é que tá pegando?
– O que tá pegando?Mamãe está no hospital porque teve uma parada cardíaca, seu inútil! - disse a voz irada do outro lado da linha. – Nem precisa responder. Pela música, você deve estar na farra. Você consegue ser a pessoa mais irresponsável do mundo, que merda! Então, se você ainda tem uma gota de juízo nessa sua cabeça oca, venha para o hospital agora.
– E-eu já estou indo. – Após isso desligou o telefone.
– O que você tem? Está pálido – perguntou preocupada quando ele voltou.
– Eu... Eu tenho que ir. – Atordoado, o rapaz seguiu em direção a saída do bar.
– Espera! – Gritou Sakura, fazendo-o olhar para trás. – Qual seu nome, afinal?
– Itachi.
...
– Como você pôde deixar isso acontecer? – Berrou indignado.
– A culpa não foi minha, Sasuke! Pare de agir como se fosse uma criança! – Retrucou.
– Criança?! Você vai pra farra à noite e deixa nossa mãe, que estava doente, sozinha em casa, ela tem uma parada cardíaca e ninguém estava lá para socorrê-la e eu é que sou a criança? Me poupe, Itachi – Sasuke praticamente cuspiu as palavras no irmão mais velho.
– Você também não estava lá! – Gritou Itachi apontando o dedo na cara do mais novo.
– Não venha me colocar a culpa como sempre faz! Eu não aceito mais seus desaforos! Por sua falta de consideração, agora, nossa mãe está morta - disse com lágrimas nos olhos.
– Sasuke, aceite. Não podemos fazer mais nada agora. – Disse Itachi abraçando o irmão que chorava como um garotinho.
E, nesse momento tão tenso, de repente, o celular de Itachi tocou, chamando a atenção de ambos, que desvencilharam-se. Ao olhar a identificação na tela do aparelho, tamanho foi o espanto de Sasuke. Itachi atendeu ao telefonema apressado.
– Sakura, esta é uma péssima hora. Depois nos falamos. – Itachi, sem esperar resposta, desligou o celular.
Ao levantar os olhos, Itachi encarou seu irmão e notou que o mesmo já não chorava, mas o fuzilava com o olhar.
