Capítulo 3 – As Boas-Vindas
Saí para o ar frio com alívio. Minha respiração me deixou em um suspiro e girou ao redor de mim como poeira e fumaça contra o meu rosto. Bati a porta atrás de mim e encostei-me nela. Lentamente, eu me empurrei para cima com uma respiração profunda e permiti que as minhas pernas se esticassem, recusando-me a trazer meus braços sobre minha cabeça. Eu podia senti-los implorando para serem esticados depois de terem ficado tão apertados, dormindo dentro e fora por dias, sem um padrão real. Meus músculos se esticavam e apertavam, uma necessidade dolorida, mas eu os ignorei. Eu sabia que era estúpido, mas eu não queria que ele pensasse que eu tinha ficado um pouco desconfortável em qualquer etapa da viagem.
Ele sabia que eu tinha ficado, sem sombra de dúvida. Esse era o ponto inteiro. Eu não sei por que eu me importava.
Eu me virei a tempo de vê-lo deslizar para fora do assento do motorista, seus pés triturando no cascalho do caminho. Ele fechou sua porta e girou ao redor para me enfrentar rapidamente. Nós encaramos um ao outro por um momento sobre o teto prata reluzente do carro alugado.
Então ouvi uma forte voz chamando seu nome.
"Edward!"
Nós dois nos viramos para encarar a casa ao mesmo tempo. Uma bela loira alta voou descendo os degraus da varanda e, sem olhar para mim, atirou-se nos braços à espera de Edward. Assisti passivamente enquanto os longos braços dele e torceram como arames em torno das costas dela, esmagando-a apertado nele. Ele enterrou o rosto em seu cabelo e eu pude ver seus ombros relaxarem. Foi pouco, mas eu notei.
Ele levantou seus lábios para o topo da cabeça dela e plantou um beijo carinhoso lá.
Eu desviei o olhar.
Parado na varanda, inclinando-se contra um dos corrimões e assistindo o reencontro com interesse igual ao meu estava um homem grande, de cabelos escuros. Seus braços estavam cruzados sobre o peito, a sua pose casual, mas eu podia ver a preocupação em seu rosto. Preocupação pela mulher loira, que ainda estava enrolada no meu marido. Preocupação por Rosalie, a irmã de Edward.
Sentindo o meu olhar sobre ele, o homem se virou para olhar para mim. Eu olhei para trás, agarrando minha pequena bolsa, sem saber o que fazer. O homem sorriu suavemente e desdobrou seus braços, descendo as escadas em minha direção.
Sem hesitar, ele caminhou diretamente até mim e me pegou em um abraço colossal. Não era apertado e desesperado como o abraço ao nosso lado. Era familiar e hesitante. Apenas uma saudação de uma família distante não vinculada pelo sangue, mas pela lei.
"Ei, Emmett." Eu murmurei, meu rosto levemente pressionado contra o seu peito.
Ele me soltou e deu um passo para trás, seu sorriso um pouco maior agora. "Como você está, Bella?"
Tentei um sorriso. Fiquei surpresa com o esforço que fiz. Emmett sempre me fazia lembrar de Jacob. O tamanho dele, a felicidade nele. Ele estava quieto agora, quer pelos longos anos, ou pela perda recente do seu sogro. Ainda assim, ele era quente.
Dei de ombros em resposta à sua pergunta, "Eu estou bem. E você?"
Ele olhou para sua esposa.
Edward estava segurando o rosto de Rosalie delicadamente em suas mãos, ligeiramente inclinado de modo que eles estavam olho no olho. Lágrimas silenciosas estavam rastreando o rosto dela, faíscas de diamante e gelo à luz da noite. Ele sussurrou algo só para ela, seu rosto cheio de uma incrível angústia, compaixão e amor.
Ele nunca tinha me olhado daquele jeito.
Senti o braço de Emmett vindo ao redor do meu ombro, apertando ligeiramente. "Estamos contentes que vocês vieram".
Concordei, mas não disse nada.
Edward e eu não tínhamos vindo para Hartsel há quase três anos. Não tínhamos visto sua família por um período longo. Eu nunca pensei que Edward sequer sentisse a falta deles. Ele nunca comentou, nunca pareceu querer fazer a longa viagem de Nova York para o Colorado. Mas o jeito que ele estava olhando para Rosalie me fez saber por quê.
"Aqui." Emmett disse, soltando-me e caminhando para a parte traseira do carro onde ele abriu o porta-malas. "Eu vou ajudá-la a colocar essas coisas para dentro".
Ele levantou as quatro malas com facilidade e fechou o porta-malas com um clique.
Olhei para Edward de novo, preparada para ele agarrar Emmett por tocar em suas coisas, querendo fazer isso sozinho. Mas Edward estava subindo as escadas da varanda, seu braço ao redor de Rosalie, o rosto dela debaixo do seu queixo enquanto ela agarrava sua camisa. Ele estava esfregando círculos suaves no ombro dela, ignorando-me completamente.
Reconfortado e de luto com Rosalie, permitindo a ajuda de Emmett quando ele precisava. Eu tinha quase esquecido quão civilizado ele poderia ser com as pessoas que não fossem eu.
"Vamos lá, garota." Emmett colidiu seu ombro com o meu e começou a caminhar em direção à casa.
Eu o segui pelas escadas até o segundo andar, não prestando muita atenção ao meu redor. A casa era velha, desarrumada, precisando desesperadamente de uma nova camada de tinta - mas era linda. Grande e detalhada. Tudo estava escuro, quase nenhuma luz estava acesa, mas era um alívio bem-vindo ao ar frio da montanha.
Segui Emmett através de um pequeno patamar, por um corredor estreito até uma porta no fundo da casa. Ele a empurrou aberta, as luzes não estavam acesas, mas o sol da noite lançava luz suficiente luz através das janelas para enxergar. Engoli em seco quando entrei, o ar frio me bateu muito de repente.
"Sim, eu sei. O calor realmente não chega tão longe." Emmett riu amavelmente. "Estabeleci um pequeno aquecedor ao lado da cama para você".
Cruzei os braços sobre o meu peito contra o frio. "Obrigada." Eu murmurei, olhando para o pequeno quarto. Havia uma mesa ao lado da porta, uma cômoda e um armário no lado oposto do quarto. Uma pequena cama contra a parede no canto direito. Ao lado dela, centrada no quarto onde a cama devia estar, estava uma grande estante de livros cheia de capas duras antigas.
Sufocando o desejo de expressar a minha insatisfação, eu sorri para Emmett quando ele colocou as malas para baixo no meio do quarto em um velho tapete oriental de aparência azul. Resolvi falar algo a Edward na próxima vez que eu o encontrasse sozinho.
"Onde está Esme?" Perguntei curiosa, perguntando-me se ela ainda morava aqui.
Emmett se jogou na pequena cama, que rangiu e gemeu sob seu peso. Ele olhou para mim, esfregando o queixo com a mão.
"Ela está na nossa casa. Ela e Carlisle se mudaram para Colorado Springs alguns anos atrás, não muito longe de onde eu e Rose vivemos." Emmett explicou. "Rosalie não queria que ela ficasse sozinha, então ela está com a gente. Pelo menos por agora".
"Claro." Balancei a cabeça, sentindo uma ligeira dor no meu peito quando pensei na frágil e linda mãe de Edward. Como ela sobreviveria à perda de Carlisle? Eu só a tinha encontrado duas vezes, um desses momentos no nosso casamento, e eu ainda assim soube que ela vivia por aquele homem. Ela o amava de uma forma que eu nunca tinha experimentado, e ele a amava de volta completamente.
Senti meus olhos picando um pouco e os escovei rapidamente, enojada comigo mesma por chorar com pena de mim quando Carlisle Cullen estava morto. Eu deveria estar chorando por ele, não pelos meus próprios fracassos.
"Hey." Ouvi Emmett dizer baixinho, vendo minhas lágrimas e não as entendendo. Sua mão estendeu-se da cama e seus dedos alisaram os meus. Funguei e encontrei o seu olhar, que estava trancado em mim. "Como vai você, Bella? De verdade".
Olhei em seus olhos castanhos e pensei em Jacob. Pensei na bondade e segurança e contentamento. Eu queria tanto me enrolar nos braços de Emmett. Empurrá-lo para baixo na cama e puxá-lo ao meu redor e simplesmente ficar lá, chafurdando no conforto antigo e primal do toque.
Eu queria dizer a ele que eu nunca tinha amado Edward. Nem quando eu me casei com ele e nem agora. Eu queria dizer a ele que eu não gostava do meu marido, que eu o deixaria se eu tivesse coragem, se eu não tivesse tanto medo de ficar sozinha, ou, pior - de voltar para a minha mãe. Eu queria dizer a ele que eu culpava Edward por tudo o que tinha acontecido, embora eu soubesse que era muita injustiça fazer isso. Eu queria dizer a ele que eu estava com ciúme de Esme, mesmo agora, porque ela certamente estava em agonia sobre o amor perdido. Eu queria dizer a ele que eu estava receosa de que eu nunca fosse sentir aquela agonia.
Mas havia um anel de ouro na parte externa da íris de Emmett. Eu notei isso enquanto eu estava diante dele, sentindo meus joelhos fraquejarem. Ele não era Jacob. Os olhos de Jacob eram tão escuros que eram quase pretos. Jacob não estava aqui.
E eu mal conhecia Emmett.
"Eu estou bem. Só cansada." Sorri fracamente. "Foi uma longa viagem".
Emmett hesitou por um momento. Parecia que ele queria dizer alguma coisa. Em vez disso, ele balançou a cabeça e empurrou-se para fora da cama.
"Eu deveria deixar você dormir um pouco." Então ele sorriu e riu um pouco, balançando sua cabeça, "Eu ainda não posso entender por que diabos vocês simplesmente não vieram de avião até aqui. Um trem por todo o caminho de Nova York? Eu juro, eu nunca vou entender o jeito que a mente desse homem funciona".
Então somos dois.
Embora, se eu estivesse sendo honesta comigo mesma, eu sabia exatamente o por que nós não tínhamos voado até aqui. Mesmo se eu não entendesse esse homem, eu poderia entender suas ações. As mal-intencionadas, de qualquer maneira.
Em vez disso eu sorri suavemente e disse, "Foi idéia minha".
Emmett riu de novo e me puxou para um abraço de um braço, apertando-me contra o seu lado. Senti seus lábios pincelarem em cima da minha cabeça. Ele teve que se dobrar para chegar a mim.
"É bom ver você de novo, Bella." Ele me soltou. "Descanse um pouco".
Eu estava no meu quarto frio e vazio, cheio de livros que eu nunca li e observei quando Emmett caminhou até a porta. Olhei para baixo no tapete para as malas.
Senti o pânico subir dentro de mim.
"Espere! Emmett!" Chamei atrás dele, pegando as alças da grande mala preta. "Esta é de Edward".
Eu não sei por que eu a tinha pegado tão depressa e a empurrado de forma tão violenta. Eu só sabia que não podia suportar que Edward viesse para o meu quarto mais tarde, procurando por isso.
Emmett pareceu levemente confuso e assustado, mas ele sorriu para mim e gentilmente pegou a mala com um aceno de cabeça, assegurando-me que ele a deixaria no quarto de Edward. Ele estava, provavelmente, se perguntando por que eu simplesmente não fiz isso sozinha.
Quando Emmett tinha ido, me joguei na cama, sobre as cobertas. Eu não me preocupei em mudar de roupas, ou desempacotar, ou nem mesmo tirar o sapato. Eu simplesmente deitei sobre o velho edredom e olhei para o teto rachado e escuro imaginando que ele foi uma vez branco e imaculado.
Olhei para a porta, desejando que houvesse uma fechadura.
Suspirando, eu rolei para o meu lado, virando para a parede. Eu estava exausta, mas eu estive dormindo esporadicamente durante três dias. Minhas pernas estavam doloridas e duras, meu corpo fraco e instável, mas meus olhos permaneceram abertos - durante horas - até a última luz do sol desaparecer além das janelas.
Nota da Irene: Ai está mais um capítulo, como prometi. Quinta vem mais um e teremos o funeral. Espero que vocês estejam gostando. Essa fic é angustiante mesmoooo. Eu a li desesperadamente e quase colocava o coração pela garganta de tanta ansiedade. Mas é linda e vale muito a pena. Vale lembrar que ela é sim Edward e Bella, só que temos que ter paciencia. Aos poucos saberemos o que levou o relacionamento deles a ficar dessa forma. No capítulo 20 tem um extra de POV Ed e dá para entendermos ele tbm. A autora disse que não pretende escrever mais o POV dele, pq não será necessário. Bjus a todas e espero reviews. Bom dia! Até quinta.
