Capítulo 5 - O Funeral

Eu odiava março. Eu sempre odiei. Não era inverno o bastante, apenas uma tímida primavera, tempestuosa e frustrante. Eu sempre achei que era um mês inteiramente miserável.

Mas o sol estava brilhando para o funeral de Carlisle Cullen.

Estava frio e brilhante quando nos reunimos em torno do seu túmulo: Edward e eu, Rosalie e Emmett, Esme, e um punhado de outros que eu não conhecia. Família, ou amigos, eu não tinha idéia. Eu não estava prestando atenção a nenhuma das pessoas lá. Eu não estava prestando muita atenção ao que estava acontecendo também. Tudo o que o padre estava dizendo simplesmente borrava em minha mente, chavões religiosos parecendo nem importantes e nem relevantes. Não para mim e nem para o povo misterioso ao meu redor. Eu não tinha idéia de que a família Cullen fosse religiosa.

Fiquei apenas um pouco mais longe de Edward do que era necessário, mas próxima o suficiente para que ninguém notasse a distância. Meus olhos se deslocaram para Esme, Rosalie e meu marido enquanto a voz do padre zumbia como um ruído de fundo.

Esme estava de pé, seu braço preso a uma mulher de cabelos negros curtos, que estava murmurando baixinho em seu ouvido, sem, aparentemente, fazer uma pausa para respirar. A mãe de Edward parecia menor, mais fraca do que eu lembrava, como se um pedaço dela estivesse sendo colocado no chão, juntamente com Carlisle.

Quando o sacerdote deu a bênção final, observei Edward se deslocar com o canto do meu olho. Virei para ele levemente e vi que ele havia cruzado os braços firmemente sobre o peito em um movimento rápido e defensivo. Seus olhos estavam com bordas vermelhas e vi sua mandíbula apertar, como se ele segurasse as lágrimas.

Estranhamente, senti-me frustrada, embora eu não estivesse inteiramente certa do por que.

Eu não estava frustrada com Edward, acho que eu estava mais chateada comigo mesma. Eu não tinha vontade de consolá-lo. Eu queria tanto querer, mais do que eu tinha antes. Eu queria colocar a minha mão em seu ombro, ou tocar em seu braço, ou me enrolar em torno dele e puxar seu rosto em meu pescoço e passar meus dedos pelos seus cabelos. Mais do que isso, eu queria querer fazer todas essas coisas. As coisas que uma mulher deve fazer para o marido. Mas tudo que eu podia fazer era ficar lá e olhar para ele com piedade.

Eu nunca o tinha visto parecer tão incrivelmente vulnerável - nunca o vi parecer como se estivesse ruindo de dentro pra fora - exceto uma vez.

E tinha sido tudo minha culpa.

Quando as pessoas ao nosso redor começaram a se dispersar, fiquei parada. Edward dirigiu-se para ficar com sua família, para abraçar sua mãe e sua irmã e Emmett. Ele nem sequer olhou para ver onde eu estava, então fiquei quieta. Eu não fazia parte da sua família, eu não tinha o direito de chorar por Carlisle e nem direito de oferecer conforto para aqueles que o faziam. Nada mais do que uma estranha.

Poucas vezes eu vi Emmett olhar para mim, mas ele parecia ser incapaz de sair do lado de Rosalie. Rosalie nunca pareceu perceber que eu estava lá.

Esme e Edward estavam falando baixinho, ele estava segurando seu antebraço em suas mãos como se a estivesse segurando. Ou talvez ela o estivesse segurando. Ambos estavam chorando.

A garota de cabelos escuros que tinha estado com Esme por todo o funeral me deu um pequeno sorriso aguado quando ela passou por mim. Seu braço estava cruzado com um homem esbelto e bonito, com cabelos loiros e olhos bondosos. Ele acenou para mim também. Perguntei-me brevemente quem eram eles.

Eu não tive tempo para pensar por muito tempo. Senti alguém tocar meu braço muito levemente. Eu chicoteei minha cabeça para a direita, eu tinha certeza que havia choque estampado em meu rosto ao ter sido abordada.

Encontrei-me cara a cara com Esme Cullen, seus olhos vermelhos e inchados, um pequeno sorriso em seu rosto. Eu realmente desejei que ela não sorrisse. Atrás dela, Edward pairava, seu rosto passando da preocupação a aborrecimento e de volta a preocupação, mais e mais.

"Bella, querida, é tão bom vê-la." A voz de Esme era suave e frágil, fragilizada com a emoção pesada do dia.

Senti meu coração começar a bater forte com o olhar em seu rosto. Eu não tinha certeza do que ela queria, nem a certeza de como dar isso a ela. Olhei para ela, essa contradição de força e fraqueza, odiando as mentiras que eu teria de manter, mesmo sem falar, especialmente hoje. Ela merecia mais.

Mas eu também sabia, sem dúvida, que eu não era nada do que ela pensava que eu era. E ela não merecia isso hoje também.

Finalmente, consegui sussurrar: "Eu sinto muito".

Fiquei surpresa como as palavras saíram verdadeiras para esta mulher que não me conhecia e pela tristeza de perder um homem que eu não conhecia. Eu supunha que era pelo que eu realmente sentia. Por ele e por mim.

Esme assentiu com a cabeça como se ela entendesse quando, na verdade, ela não entendia nada. Edward ainda estava se aproximando por trás dela, seus olhos fixos em mim agora. Ele quase parecia zangado com toda a tensão em seu rosto.

"Nós vamos para a casa de Rose e Emmett para jantar, apenas a família." Esme explicou.

"Claro." Eu balancei a cabeça uma vez. Eu supunha que isso significava que eu estaria sozinha no casarão até que Edward voltasse da cidade. Eu não me importava.

"Edward acha que você não se sentirá confortável vindo." Ela disse devagar, hesitando. Então ela tomou uma respiração profunda, estremecendo. "Mas eu realmente gostaria que você estivesse lá".

Eu tive que segurar o suspiro quando meus olhos estalaram para os de Edward. Eu tinha certeza que ele seria capaz de ver o pedido no meu rosto, meu medo absoluto de ter de enfrentar sua família. Eu me perguntei se ele entendia isso.

Quando seu rosto endureceu sensivelmente, eu soube que ele não entendeu.

Voltando-me para Esme, engolindo em seco, eu disse relutantemente, "Eu vou".

Esme sorriu um pouco mais e eu a senti deslizar os braços delgados em volta dos meus ombros e ela me puxou para ela, sua pequena estrutura apertando firmemente contra a minha. Senti um beijo úmido no meu cabelo antes que ela me soltasse.

"Você está pronta, mamãe?" Veio uma suave voz feminina. Através do carinho suave das palavras eu poderia ouvir uma tristeza e uma força implacável. Eu soube imediatamente quem era.

Pela primeira vez desde que eu tinha chegado, a irmã celestial de Edward estava olhando para mim. Seus olhos eram duros e azuis como gelo. Eles me lembraram muito os de seu irmão: uma cor diferente, mas ainda como o mesmo aço inflexível.

Esme me deu um último sorriso, felicidade em seu rosto abatido, e seguiu Rosalie para um carro preto que estava estacionado nas proximidades. Quando ela abriu a porta, vi Emmett atrás do volante, aquele mesmo olhar de preocupação em seu rosto. Ele não me viu. Ele estava apenas observando Esme agora enquanto Rosalie a ajudava a entrar no carro.

Senti uma mão no meu cotovelo, segurando firmemente e puxando a minha atenção de volta para Edward. Ele estava de pé em cima de mim, seus dedos cavando no meu braço através do meu casaco preto, franzindo a testa para mim. Eu senti como se tivesse meio metro de altura sob o seu olhar.

"Vamos." Ele rosnou, puxando-me atrás dele sem hesitação.

Caminhamos até o seu carro prata alugado e ele praticamente me jogou contra a porta do lado do passageiro. Minhas mãos saíram para firmar-me contra o vidro da janela. Minhas bochechas coraram e eu olhei de volta ao redor para ver se Esme tinha notado. Com alívio, vi que o carro preto já tinha ido, afastando-se a uma velocidade que era muito rápida para ser considerada segura.

Edward tinha feito rapidamente seu caminho para o outro lado do carro e escancarado a porta, deslizando para dentro com uma quantidade surpreendente de graça.

Nervosa, eu abri minha porta e afundei-me no assento de couro lentamente, fechando a porta novamente com um "clique" manso, tranqüilo.

Olhei para ele sentado rigidamente no assento, suas mãos segurando suas coxas, olhando diretamente para frente sem qualquer movimento para ligar o carro.

"Eu fiz algo errado?" Perguntei-lhe, minha voz vacilante e um pouco preocupada.

Edward virou-se para mim então, seus olhos estavam afiados e irritados. "Eu sinto muito que você tenha que ser submetida a isso. Apenas, por favor, tente fingir que você é uma pessoa decente".

Eu estava acostumada a ouvi-lo dizer coisas desagradáveis para mim. Todas as palavras que ele falava para mim mais pareciam estar cheias de raiva e amargura e ódio ao serem jogadas. Mas fiquei perplexa com suas palavras agora, insegura sobre o que fazer com elas.

"Com relação a...?"

Ele me cortou com um rosnado. "Eu sei que você não sabe o que isso significa, mas Esme amava o seu marido".

"Edward, o que você...?"

"Eu sei que você não queria vir." Ele afirmou categoricamente. "Eu sei que a idéia de passar tempo com a minha família é repulsiva para você. Eu tentei falar para a minha mãe, mas ela insistiu".

Eu senti meu estômago cair ligeiramente.

Ele pensava que eu não queria ver sua família, não queria encontrar com eles. E isso era verdade. Mas ele pensava que eu estava chateada por isso. Que eu achava a perda deles... o quê? Inconveniente.

Sufocando cada sinal de alerta que saía de dentro de mim, abafando cada vontade de sair do carro e correr para o mais longe possível do que eu estava prestes a fazer, eu estendi minha mão e a descansei suavemente em seu ombro. O material do seu terno era quente sob a minha palma. Eu podia sentir as linhas e seus ossos sob o tecido.

"Edward." Eu disse suavemente. Para minha surpresa, ele tirou seus olhos do meu rosto para olhar para a frente novamente, mas permaneceu imóvel. "Não é o que você está pensando. Eu só não acho que você percebe... o quão difícil isto é para mim".

Em um rápido movimento Edward tinha se empurrado para fora da minha mão e gritado uma risada para mim, seus olhos relampejando para o meu rosto novamente.

"Isso é difícil para você?" Ele riu, sua expressão maliciosa novamente. "Eu não posso acreditar o quão egoísta você é, dizendo-me sobre o quão difícil isto é para..."

"Pelo amor de Deus, me deixe falar!" Fiquei surpresa sobre como as palavras saíram, quase como se alguém as tivesse gritado. Mas eu podia sentir meu peito arfante com respirações profundas e irritadas.

Edward ficou em silêncio por um longo momento, olhando para mim como se ele quisesse me bater. Eu não teria me importado, eu acho. Em vez disso, ele voltou seus olhos para a frente novamente, suas mãos subindo para segurar o volante com aspereza. Observei por um momento quão brancos os nós dos seus dedos ficaram, como se não houvesse mais nenhum revestimento de pele neles e eu estivesse olhando o osso limpo.

"Eu não tenho a pretensão de saber como você está se sentindo, ou de lhe dizer que eu já senti algo que pudesse se comparar com o que sua família deve estar passando." Eu parei por um momento para olhar para ele. Então respirei fundo e virei minha cabeça para olhar pela minha janela. "Mas, Edward, apesar de todo o sofrimento e a tristeza, eu vejo a forma como a sua família olha para você. A forma como a sua mãe olha para você. Ela perdeu o marido e ela... ela está feliz." Então eu adicionei como um adendo: "Porque você está aqui".

Eles sentem por você o que eu nunca fui capaz de sentir.

Senti o olhar de Edward voltar para mim lentamente. Eu não senti o calor da raiva em seu olhar mais, mas eu estava com muito medo de olhar. Ao invés disso, deixei meus olhos caírem para o espelho retrovisor, estudando os galhos de uma grande árvore atrás de nós com um fascínio que não era real.

"Bem." Sua voz não estava mais com raiva, mas eu ainda podia ouvir o veneno em suas palavras. "Apesar do fato de você não merecer isso, minha mãe está feliz que você esteja aqui também".

"Não." Eu disse rapidamente, girando para ele. Ele estava me olhando atentamente, seus olhos não saíram, ou vacilaram para a frente, enquanto ele me olhava. Ao contrário, ele me encontrou com coragem e se ele ficou confuso sobre a minha discordância, ele não demonstrou.

Eu fui a primeira a desviar o olhar, desta vez eu deixei cair meus olhos para as minhas mãos que estavam descansando no meu colo. Eu não tinha certeza do por que parecíamos não conseguir olhar um para o outro por uma conversa inteira, mas o fato era que ambos parecíamos tentar evitar fazer isso sempre que possível.

"Sua mãe não está feliz por eu estar aqui." Eu murmurei. "Ela está feliz por sua esposa estar aqui. Ela está feliz porque a mulher que você ama está aqui".

Eu podia sentir os olhos de Edward me queimando agora.

Sem olhar para cima, eu adicionei em um sussurro, "E essa não sou eu, certo?"

Edward não respondeu.

Eu o ouvi tocar as chaves e ligar o carro. Nós nos dirigimos para fora do cemitério e para a estrada. Ele não falou comigo novamente.


OMG... Ela é a mulher que ele ama!

Eu amo essa fic!

Meninas... espero que estejam gostando... quando voltar de lua de mel vou tentar aumentar a quantidade

de posts por semana dessa fic. Não prometo, mas amo traduzi-la.

Obrigado a Ju por betar.

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