Capítulo 6 - A Família
A casa de Rosalie McCarty não era nada do que eu esperava.
Olhando para seu corpo alto e magro, seus cabelos sedosos e dourados, a perfeição do seu rosto, era natural assumir que o lugar que ela chamava de lar seria da mesma forma. Grande e lindo, uma mansão que seria melhor ser chamada de palácio. Eu nunca vi em minha mente a realidade que meus olhos encontraram quando chegamos.
A casa era situada longe da estrada principal, uma entrada sem pavimentação. Quando ela finalmente apareceu, meu primeiro pensamento foi que era muito pequena e que não havia nenhuma maneira de que nós estivéssemos no lugar certo. A madeira era escura e encantadoramente enfeitada com verde. Isso me lembrou de uma cabana coberta de mato. Ou talvez apenas uma floresta.
Perguntei-me se Emmett a tinha construído.
Edward e eu subimos as escadas até a porta lateral, através de uma pequena plataforma. Fiquei parada atrás dele quando ele bateu de leve na porta, olhando à minha volta e tentando imaginar Rosalie vivendo ali. Eu não a conhecia bem - ou nada, na verdade - mas uma mulher como Rosalie vivendo neste lugar que parecia estar tão distante da pequena cidade? Era um pensamento estranho.
Mesmo Edward, tímido e ridículo e socialmente desajeitado como era, tinha nos mudado para a cidade de Nova Iork assim que nos casamos.
A porta se abriu para revelar Emmett, seu pequeno sorriso em resposta aparecendo e nos dando as boas vindas. Ele não estava tão jovial como estava no outro dia, um monte de seu jeito bem-humorado atenuado pela tarde. Ele empurrou a porta de tela para fora do caminho e nos levou para dentro.
"Olá, Edward. Bella." Ele acenou para cada um de nós.
Assim que entramos, Edward desapareceu. Ele caminhou rapidamente para a frente e virou à direita em outra sala. Ele não olhou para mim para ver se eu estaria bem neste novo lugar onde eu não conhecia ninguém, não perguntou se eu queria ir com ele, e ficar perto dele enquanto eu me orientava. Eu não recebia qualquer consideração vinda dele mais. Ou, talvez, eu tenha sido o fator constante, a razão pela qual ele sempre se movia tão rápido quando estava caminhando para longe de mim.
Emmett olhou para a porta que Edward caminhou. Nós dois ouvimos Esme e Rosalie cumprimentá-lo com surpresa e Emmett se virou para mim, suas sobrancelhas ligeiramente levantadas, seu sorriso triste agora.
"Posso pegar seu casaco, Bella?" Emmett perguntou educadamente, levemente descansando as mãos nos meus ombros quando ele começou a puxá-lo. Dei de ombros, dando-lhe um sorriso agradecido.
Notei pela primeira vez que estávamos na pequena cozinha, telhas de pedra escura e belos armários de madeira. Eu não tinha sequer notado que não viemos pela porta da frente e perguntei-me por um momento onde estava quando olhei à minha direita, onde eu podia ver uma sala pequena.
"Sua casa é linda." Eu disse baixinho, surpresa ao perceber que eu quis dizer isso. Normalmente eu achava as pequenas casas apertadas em vez de confortáveis; desordenadas e sem esperança. Mas havia alguma coisa aqui, nesta casa, na elegância e simplicidade dela, que tornava tudo real. Esta era uma casa onde uma família morava.
"Obrigado." Emmett sorriu para mim com gentileza.
Ele acenou com a cabeça na direção em que Edward passou e, colocando sua mão na parte inferior das minhas costas, levou-me para frente para que eu descobrisse a sala de estar.
Esme e Rosalie estavam sentadas lado a lado em um sofá de couro marrom muito desgastado e parecendo confortável. Ambas estavam ligeiramente viradas de frente para Edward, que estava sentado em uma cadeira de vime ao lado delas, falando baixinho. Ao lado de Edward estava a pequena menina de cabelos escuros do funeral, seu companheiro loiro encostado no braço da cadeira.
A conversa parou e todos olharam para cima quando eu entrei. As expressões de Rosalie e Edward de desagrado eram semelhantes e simultâneas, como se tivessem acabado de se lembrar que eu existia. Deus, como eu queria bater nessa testa franzida de Edward.
Mas Esme levantou-se e estendeu as duas mãos em saudação. Hesitando apenas ligeiramente, e com um olhar de lado para Emmett, tomei as mãos dela e a deixei puxar-me para frente para o sofá. Ela beijou meu rosto com suavidade antes de murmurar "bem vinda" e me puxar para baixo para me sentar ao lado dela.
Emmett se instalou confortavelmente em uma cadeira no lado oposto do sofá, parecendo estar de repente e perfeitamente à vontade.
Esme apresentou o casal sentado ao lado de Edward como Alice e Jasper Whitlock, amigos íntimos da família.
A conversa logo voltou à Carlisle, para as memórias e qualidades e o amor que eu não conhecia. Sentei-me de forma rígida e assisti uma família relembrar e chorar e perguntei-me o que diabos eu estava fazendo ali. Senti-me como uma intrusa em sua dor. Simplesmente uma pessoa de fora, ouvindo e julgando, incapaz de dizer qualquer coisa por mim mesma.
Observei os olhos de Esme se encherem de lágrimas antes que ela as enxugasse, ou as sufocasse completamente. Vi Edward e Rosalie darem as mãos de vez em quando, seus olhos tristes e de luto. Observei Emmett sorrir e fazer todo mundo rir ao seu redor enquanto ele se lembrava de algo engraçado que Carlisle tinha feito no Natal passado.
Eu não podia rir, ou chorar, ou apertar a mão de ninguém. Eu poderia apenas ficar sentada completamente imóvel, parada e incapaz de contribuir, apenas esperando o dia acabar.
O tempo todo em que fiquei sentada lá, senti os olhos de Alice em mim.
Quando eu cheguei à sala ela pareceu quase animada por me ver. Eu tinha certeza que ela estava muito animada para conhecer a esposa de Edward, como todos os outros. Mas enquanto eu estava sentada ali, olhando fixamente para a frente, ouvindo a conversa sem compreendê-la, senti sua fraca curiosidade começar a se mostrar através de suas pequenas feições. E ela nunca desviou o olhar de mim por um segundo.
Assim como eu sentia o interesse de Alice, eu também podia sentir a hostilidade de Edward para mim. Era simplesmente tão potente como se ainda estivéssemos presos a um metro de distância um do outro naquele carro prata. Mesmo com todas as pessoas entre nós, a tensão continuava. Eu poderia dizer, pela forma como ele estava evitando olhar para mim, que ele estava irritado. Toda vez que eu pensava que ele estava prestes a olhar para mim, eu via sua mandíbula se fechar e seus olhos se achatarem e ele deliberadamente viraria na direção oposta.
Eu sabia que ele estava ofendido pelo meu silêncio, mas eu não sabia mais o que fazer. Não havia nada a fazer, percebi com frustração. Eu sabia que não era permitido que eu falasse, sabia que ele não queria me ouvir oferecer condolências a ninguém porque ele pensava que eu não tinha direito de falar isso, ou sentir por seu pai e sua família. E porque eu não falava, ele pensava que eu não me importava. E talvez eu não me importasse.
Eu deveria me importar?
Eu podia sentir compaixão por estas pessoas. Uma tristeza verdadeira, inclusive, pelo que eles estavam passando. Mas eu poderia realmente sofrer como eles estavam sofrendo? Eu acho que não. Eu tinha certeza que eu não sabia como. Mesmo que eu não tivesse tanto medo de Edward e me sentisse presa em meu silêncio, o que eu poderia dizer? Apenas sinto muito uma e outra vez, em uma repetição infinita.
Talvez eu devesse dizer.
Havia muito pelo que sentir.
"Bella. Você gostaria de uma bebida?" A questão cortou minha névoa aborrecida quando ouvi o meu nome dito em voz alta de repente e inesperadamente.
Eu bati os olhos em Alice, imediatamente pensando que sua voz era clara e brilhante. O olhar dela sobre mim ainda era modesto, mas não entorpecido. Mais como se ela estivesse escondendo alguma coisa.
Todo mundo parou e olhou entre nós. Notei que a maioria deles estava segurando suas bebidas, mas que eu não tinha recebido nada quando eu tinha chegado.
Alice se levantou da sua cadeira e caminhou para mim, apontando para a porta que levava de volta para a cozinha, sua expressão suplicante.
"Claro." Eu quase pulei do sofá na minha ânsia de fugir.
Eu acho que ouvi Edward soltar um silvo baixinho sob sua respiração, mas eu não me virei para olhar para ele, eu já estava fazendo o meu caminho para a cozinha com Alice.
Ela me levou até o balcão onde havia uma variedade um pouco impressionante de licores alinhados como soldados de brinquedo.
Alice levantou dois copos do armário e fez sinal para eu escolher algo.
Levantei a garrafa de gim sem falar nada e ela deslizou um dos copos antes de alcançar a Patron*.
*Patron é uma tequila de luxo produzida no México.
"É muito bom finalmente conhecer você, Bella." Alice disse, sem olhar para mim enquanto ela se servia de uma quantia bastante generosa do líquido claro. "Esme fala sobre você o tempo todo, sobre como você é maravilhosa".
Eu ri um pouco. "Esme me viu apenas duas vezes. Ela realmente não me conhece".
Alice sorriu ligeiramente, olhando para mim agora, "Você está dizendo que você não é maravilhosa?"
Eu sorri e encolhi os ombros.
Ela não tinha idéia.
Alice foi até a geladeira e a abriu, puxando uma garrafa de suco de toranja e limão. Ela pegou uma garrafa de água tônica de cima do armário e a trouxe, segurando-a para mim. Eu a peguei dela com um aceno de agradecimento.
"Então, como você conhece a família?" Eu perguntei, despejando o líquido efervescente no copo que já estava com um terço de gim.
"Nós fomos vizinhos de Carlisle e Esme por seis anos antes que eles se mudassem para Colorado Springs." Alice explicou enquanto cortava uma fatia de limão e me dava. Eu a peguei, mas não coloquei na minha bebida. Em vez disso eu a segurei, rolando em minhas mãos enquanto eu olhava para Alice, que estava movendo mais do limão na mistura de Patron e suco de toranja.
"Você mora perto da casa da fazenda?" Eu perguntei, não recordando de casas próximas. Pensei que estávamos isolados lá em cima.
"Bem, trata-se de uma caminhada de cerca de dez minutos. Existe um pequeno caminho por trás da casa que vai levá-la direto sobre as colinas. É onde nós vivemos." Alice deu de ombros. "De qualquer forma, nos tornamos muito próximos de Carlisle e Esme quando eles nos deixaram usar uma parte de suas terras para os nossos cavalos. Carlisle amava animais, amava montar".
"Seis anos? Então você nunca conheceu Edward?" Eu perguntei.
"Não." Alice deu de ombros novamente e tomou um gole da sua bebida, dando uma leve tremida. "Quero dizer, obviamente Esme e Carlisle falavam sobre ele o tempo todo. Dele e sua bela esposa vivendo muito glamourosamente em Nova York. Mas não, hoje eu acho que talvez foi a terceira vez que eu o encontrei".
Eu tinha que admitir, fiquei surpresa ao ouvi-la. Se ela não conhecia Edward, eu não poderia deixar de me perguntar por que ela queria me conhecer. Quem era eu aqui? Por mais que essas pessoas estivessem preocupadas, eu não era nada mais do que um adereço. Algo que Edward tinha arrastado - algo que havia se permitido ser arrastado - mas que ele se ressentia com todos os ossos do seu corpo.
"Então, quanto tempo vocês ficarão por aqui?" Alice perguntou, quebrando-me dos meus pensamentos. Seus olhos estavam treinados no meu rosto como se ela estivesse tentando me entender, sua expressão curiosa novamente.
"Eu não tenho certeza." Respondi, misturando a minha bebida com uma colher, o tilintar do aço inoxidável contra o cristal era tão reconfortante. "Eu não posso imaginar por que ficaríamos mais que alguns dias".
"Você tem que vir visitar Jasper e eu enquanto estiver aqui." Alice ofereceu. "Eu adoraria conhecê-la um pouco antes de você voltar".
"Claro." Dei de ombros, não realmente tendo a intenção de fazer isso. Eu não queria ter nada a ver com esse lugar e eu definitivamente não queria fazer nenhum amigo. Não com gente como Alice.
Alice olhou para mim mais um pouco, tomando sua bebida levemente. Senti meu rosto aquecer enquanto ela me estudava, sentindo-me quase como se ela soubesse o que eu estava pensando, que eu queria evitá-la – e a todos - até que eu voltasse para casa em Nova York.
Então ela sorriu para mim e eu tinha certeza que eu estava apenas imaginando coisas. É claro que ela acreditava que eu era sincera, que eu era a mulher amável, bondosa e linda que eu tinha certeza que Esme pensava. Ela era apenas uma menina que morava em uma fazenda e eu era uma decepção para todos que me conheciam.
Fizemos nosso caminho de volta para a sala de estar, uma rodada de gargalhadas nos saudando. Fiquei tão surpresa por isso, pela vida e felicidade disto, que parei à porta. Alice passou por mim e pulou de volta em sua cadeira. Ela entregou a Jasper sua bebida para deixá-lo provar. Ele tomou um gole, fez uma careta, e devolveu a ela, sussurrando em seu ouvido com um pequeno sorriso no rosto.
Olhei em volta para ver a origem do riso, o sorriso no rosto de todos os tinha distraído do seu sofrimento.
"... Deus, aquela menina era muito linda. Eu não pude acreditar quando ele me disse que a rejeitou." Eu ouvi a parte final de alguma coisa que Emmett estava dizendo.
"Eu poderia." Rosalie interrompeu, seu rosto radiante e deslumbrante quando ela sorriu. "Edward era um pouco nerd naquela época. Sempre lendo e estudando e olhando para minúsculos bichinhos sob seu microscópio. Ele era completamente socialmente retardado".
"Eu sei, mas ela era Tanya Denali." Emmett suspirou, como se isso explicasse tudo. Rosalie riu levemente e sacudiu a cabeça, nem um pouco de ciúmes.
Olhei para Edward, minhas sobrancelhas franzindo curiosamente. Ninguém notou que eu estava parada na porta, no entanto, ainda impressionada com seus sorrisos. O rosto de Edward estava corado, mas ele estava rindo e balançando a cabeça num movimento muito semelhante à sua irmã.
"Sério, Edward, o que você estava pensando?" Emmett perguntou, como se tivesse sido insultado pessoalmente pela rejeição de Edward a esta Tanya.
"Eu não sei." Ele encolheu os ombros, sua voz leve e fácil com a memória. "Eu era apenas um garoto. Eu simplesmente não estava... interessado".
Ele deu de ombros e Emmett e Rosalie explodiram em gargalhadas mais uma vez. Alice e Jasper estavam rindo loucamente e tremendo com as risadas. Até mesmo Esme sorria levemente. Eu desejei que eu tivesse ouvido o início da conversa.
"Até mesmo a mamãe queria que você a levasse para o baile." Rosalie adicionou, enxugando os olhos. "Você não queria, mãe?"
Edward suspirou e revirou seus olhos.
"Edward sempre soube exatamente o que ele queria e quando ele decide sobre algo, ele não pode mudar de idéia." Esme sorriu carinhosamente para o meu marido, orgulhosa da sua certeza, que eu teria chamado de 'teimosia'. Seu rosto estava leve e mais aberto e mais lindo do que eu já tinha visto, mas ela falou com toda a seriedade. "Ele está sempre certo".
Senti meu estômago cair ligeiramente com suas palavras. Fiquei assustada com a adoração explícita nos olhos de Esme quando ela olhou para o seu filho, que finalmente tinha vindo para casa após anos de ausência. Eu não acho que eu já tinha visto qualquer pessoa olhar para ele dessa forma. Eu estava sempre olhando para os seus defeitos, tudo o que eu pensava era errado com ele. Mas sua mãe olhava para ele como se ele fosse completamente e absolutamente perfeito.
"Tanya era uma menina adorável." Esme se virou para mim de repente, seus olhos presos nos meus. "Mas ela não era a pessoa certa".
Nota da beta:
Eu surto total com essa fic... nós temos sentimentos tão conflitantes que não dá pra saber pra quem "torcer" nessa história... em momentos temos pena da Bella, em outros, pena do Edward... só digo a vc´s que, até onde li, essa fic é linda! E preparem seus corações para mais emoções daqui pra frente...
Então, como vc´s sabem, o casamento da nossa querida Irene é amanhã! Então ela está super ocupada com os últimos preparativos. Eu postarei as fics pra ela aqui a partir de agora e enquanto ela estiver na lua de mel... então, DEIXEM REVIEWS e mostrem o quanto vc's apreciam o trabalho maravilhoso que ela está fazendo traduzindo essa fic perfeita!
Bjs,
Ju
