Capítulo 7 - A Oferta
Não havia absolutamente nada para fazer naquela casa.
Durante os últimos três dias eu tinha ficado sentada em completa solidão do nascer ao pôr do sol, sem nada para me ocupar e ninguém para me fazer companhia. Se eu pensava que eu estava sozinha antes, em Nova York, eu estava redondamente enganada.
No dia após o funeral, Edward bateu alto do lado de fora do meu quarto às sete da manhã.
Tropeçando para fora da cama, quase caindo sobre meu rosto enquanto eu me enrolava nos lençóis, eu abri a porta. Olhei para ele, disposta a bater na minha cabeça por ir longe o suficiente para ficar em pé e olhar para ele. Não consegui administrar muito bem a velocidade.
"O quê?" Eu tinha dito, colocando minha mão contra a minha têmpora esquerda enquanto eu me agarrava à moldura da porta com a outra. Era cedo demais para estar acordada após a quantidade de gim que eu tinha consumido na noite passada, na presença da sua família.
"Estou indo para Colorado Springs hoje. Vou me encontrar com alguns amigos e vou até o hospital para conversar com um par de colegas do meu pai em algum momento." Edward explicou sem rodeios, não reagindo à minha aparência abatida. "Eu provavelmente não voltarei até mais tarde hoje à noite".
Eu tinha murmurado algo sobre estar tudo bem e acenei me despedindo.
Fechei a porta, escutando-o andar pelo corredor com os pés descalços antes de eu cair contra algo, cobrindo meus olhos e apalpando ao redor até que eu bati no colchão de novo.
Eu prontamente colapsei e não acordei até o meio dia.
Quando eu acordei, decidi dar um passeio e explorar as terras. Fazia muito tempo desde que eu tinha estado em qualquer lugar além de Manhattan. Lembrei-me de me divertir muito quando eu era mais nova, brincando do lado de fora. Forks era um lugar ideal para isso, brincar nos quintais, subir e descer das árvores, nadar no oceano, ir a caminhadas.
Mas quando eu me aventurei pela propriedade da fazenda, o ar estava frio e meus sapatos estavam quase que instantaneamente enlameados além de todo entendimento. Lembrei-me precisamente da razão pela qual eu tinha ficado tão desesperada para deixar a minha pequena cidade natal.
Eu não me aventurei do lado de fora novamente.
Os dias seguintes foram exatamente os mesmos, sem a chamada cedo me acordando. Edward parou de me dizer para onde estava indo e o que estava fazendo quando ele ia para a cidade. Tudo o que eu sabia era que eu estava só do momento que eu acordava até tarde da noite e que eu não tinha merda nenhuma para fazer.
Eu marchava pela casa durante a maior parte do dia.
Não havia uma televisão, ou um computador, nada que me permitisse contato com o mundo exterior.
Eu gostava de ir para a pequena sala da biblioteca com o piano e folheava livros de vez em quando. Nada mantinha meu interesse por muito tempo, a maioria eram velhos clássicos mofados e livros médicos.
Este lugar, esta casa, era tudo que eu sempre quis evitar na minha vida. Senti como se eu estivesse de volta a Forks, uma criança presa em um lugar que era pequeno demais para segurá-la. Eu estava tão familiarizada com essa inquietação.
Embora, houvesse uma grande diferença. Quando eu vivia em Forks, eu tinha amigos.
Eu tinha Jacob.
Quando eu cresci, tornei-me menos da moleca, crescendo lentamente para a estranheza do meu corpo na escola. Passei mais do meu tempo dentro do que fora, mas eu ainda era a mesma menina alegre que eu sempre fui. Eu simplesmente foquei minha energia em comprar coisas bonitas para vestir e beijar rapazes e ir para eventos sociais.
Forks não mudou comigo.
Comecei a ressentir-me disso, ressentir-me com o fato de que eu tinha que ficar lá e eu mal podia esperar para ir para a faculdade. Era uma cidade pequena sem nada mais para me oferecer, apenas cheia da natureza e das memórias e das mesmas velhas pessoas. Apesar disso, eu sempre consegui sofrer com o meu tempo lá porque eu sabia que eu me mudaria um dia. E eu tinha Jacob. Era o suficiente.
Eu não estava tão quebrada como eu estava agora.
Casar-me com Edward e ir para Nova York com ele deveria ser o início dessa aventura maravilhosa. Eu finalmente seria livre de qualquer restrição de Washington e da vida da cidade pequena. Eu queria ficar longe da minha mãe, que se ressentia de mim e do meu pai que não se importava. Eu teria a cidade para me distrair das memórias de Jacob. E eu teria um marido que me adorava.
A cidade tinha sido tudo o que eu pensei que seria e muito mais.
Essa vida e intensidade saturavam cada parte dela. Havia festas e clubes de dança e as variedades mais interessantes de pessoas para conhecer. Nunca consegui ficar próxima de ninguém lá e eu nunca tinha o que fazer. Havia sempre alguém novo, alguém melhor para conhecer na noite seguinte. Durante o dia eu podia ir a museus e galerias de arte, ir para umas compras intermináveis na Quinta Avenida. À noite havia apresentações na Broadway.
Ocasionalmente eu podia convencer Edward a vir comigo, a me levar para um show, ou uma ópera, ou a um concerto. Sua vontade de me agradar sempre foi mais devido ao seu desejo de me fazer feliz do que um interesse comum com o que eu gostava. Na época, eu realmente não me importava por não termos nada em comum, contanto que eu conseguisse o que queria.
Mas isso, inevitavelmente, tinha desaparecido.
A novidade da cidade começou a me desgastar, e a novidade da sua esposa animada e energética pareceu desgastar Edward. Ele se tornou distante e eu me tornei insatisfeita.
E foi o que tinha causado uma cadeia de eventos em movimento que me trouxe até aqui, a este lugar horrível. Este lugar que era tudo que eu tinha passado a minha vida tentando fugir.
Tinha sido três dias de tédio total nesta casa e eu estava sentada na sala de estar às três da tarde, tentando dormir um pouco, mas achei extremamente difícil. Tudo que eu tinha feito era dormir e caminhar pela casa e relaxar, chafurdando na autocomiseração. Eu realmente não conseguia mais dormir.
Eu conseguia fechar meus olhos e saltar dentro e fora da consciência, permanecendo em um estado vago de sonho por horas, mas eu não conseguia dormir.
Em vez disso, eu me lembrava.
Corri através das páginas da minha vida como se fosse o romance mais interessante do mundo, deixando-as piscar diante dos meus olhos como um sonho acordado.
Pensei em Nova York e Forks. Pensei no meu tempo na faculdade da Universidade de Washington. Pensei nos domingos, saindo com Jessica e Lauren para a pequena cafeteria exatamente fora do campus para o café da manhã, devorando ovos fritos para curar as ressacas. Pensei naquele domingo em que eu estava escolhendo a minha torrada quando ouvi alguém chamar meu nome através da cafeteria.
"Bella?"
Olhei para cima para ver um jovem olhando para mim, um sorriso largo e surpreso em seu rosto.
Olhei sua camisa dobrada, seu cabelo bagunçado cor de cobre, as longas linhas do seu corpo e seu rosto sorrindo sem expressão. Meus olhos caíram para sua gravata preta. Eu tive a estranha sensação de déjà vu ao olhar para aquela gravata. Eu vi as minhas próprias mãos a afrouxando com uma risada. Eu conhecia esse homem?
"Olá...?" A saudação foi mais uma pergunta.
"Edward." Ele respondeu simplesmente, estendendo sua mão. Eu a peguei enquanto lutava para me lembrar quem ele era. Meus olhos caíram aos seus lábios pálidos e finos e lembrei-me deles: quentes e simples.
Imediatamente me lembrei.
Seu avanço tímido, o álcool que tinha gosto de feriados, seu riso nervoso; auto-desdém estranhamente misturado com confiança, o nosso beijo comum. Eu o tinha conhecido em um bar no campus da UW há mais de três semanas, quando eu tinha saído para beber com minhas amigas.
"Claro." Eu disse com um sorriso. Eu não tinha certeza do que ele poderia desejar, o que ele pretendia por se aproximar de mim de novo. "Como vai você, Edward?"
"Estou bem." Ele evitou a minha pergunta, seu sorriso ainda estava muito grande.
Era ridículo o jeito que ele estava sorrindo para mim, como se fôssemos velhos amigos, como se ele me conhecesse intimamente. A forma como seus olhos enrugavam e a linha branca e reta de seus dentes... ele era muito mais atraente quando sorria.
"Estou feliz em ouvir isso." Respondi, puxando minha mão da dele. Eu estava ciente de Jessica e Lauren olhando para frente e para trás entre nós com curiosidade.
Edward engoliu levemente quando soltei a mão dele.
Eu esperava que ele se desculpasse de alguma maneira caracteristicamente estranha. Ao invés disso ele mudou de pé para pé em frente da nossa mesa. Eu o vi cerrar os dentes um pouco e notei a forte linha da sua mandíbula pela primeira vez.
Quando ele não disse nada, Lauren, Jessica e eu nos entreolhamos.
"Você terminou, Bella?" Jessica perguntou, apontando para o meu prato. Olhei para o meu sanduíche de ovo metade comido e me voltei para Edward rapidamente.
"Sim." Eu disse rapidamente, ficando de pé. O movimento brusco fez com que meu ombro se chocasse com o peito de Edward. Eu o senti recuar um pouco, mas ele ainda permaneceu completamente quieto enquanto observava minhas amigas e eu recolhermos nossas coisas.
Finalmente eu virei para ele, meu casaco pendurado no meu braço, e lhe dei um pequeno sorriso. "Foi bom te ver de novo, Edward".
Rocei contra ele de novo quando passei por ele para a porta, Jessica e Lauren seguindo depois de mim com pequenos sorrisos conspiratórios em seus rostos.
"Bella." Edward disse meu nome com uma intencionalidade ensaiada.
Ele disse isso tão alto, tão firmemente que eu não pude ignorá-lo, ou fingir que eu não tinha escutado. Virei-me mais uma vez para encará-lo. Ele ainda estava parado na frente da nossa mesa, seus braços fechados hermeticamente dos seus lados.
Inclinei minha cabeça para ele interrogativamente.
"Posso te levar para jantar amanhã à noite?" Ele perguntou, a questão dita tão rápido que eu quase não entendi.
Eu podia ouvir Jessica e Lauren tentando abafar gargalhadas atrás de mim.
Tentando segurar o meu próprio riso por sua estranheza, eu sorri para ele. "Sinto muito, Edward. Eu tenho um namorado".
Eu vi seu rosto corar de constrangimento, mas quando seus olhos encontraram os meus, eram uma estranha mistura de vergonha e confiança. Eu acho que ele parecia um pouco irritado.
Então eu o ouvi, sua voz muito desanimada, "Se você não quer sair comigo, é só dizer. Você não tem que criar desculpas".
Pisquei para ele, um pouco surpresa. Suas palavras teriam sido confiantes e raivosas, mas sua linguagem corporal era muito dócil. Eu sabia que ele se sentia intimidado por mim porque ele não era o primeiro. Eu sabia, por todos os padrões convencionais, que eu estava fora do seu alcance. Mas tudo o que ele disse para mim, cada vez que ele olhava para mim, parecia estar atado com uma importância que beirava o desespero.
E eu tive pena dele.
É verdade, eu não teria saído com ele independentemente de estar ou não estar em um relacionamento. Mas eu acho que ele não precisava saber disso. Eu não queria ser inteiramente responsável por magoá-lo.
Então eu caminhei de volta para ele, fechando a distância entre nós em quatro pequenos passos. Olhando-o nos olho, eu disse, "O nome dele é Jacob Black, ele tem cabelos pretos e olhos castanhos, ele odeia cogumelos e frango, já namoramos há três anos e eu sou apaixonada por ele".
Eu não acho que seria possível que o rosto de Edward ficasse mais vermelho do que já estava.
Inclinando-me para cima, coloquei minhas mãos em cada um dos seus ombros e, ficando nas pontas dos meus pés, rocei um beijo suave na sua bochecha.
"Sinto muito, Edward." Eu sussurrei, não querendo dizer isso.
Ouvi o ranger da porta dos fundos e meus olhos se abriram, despertando-me das minhas memórias de forma abrupta. Reconheci imediatamente o peso e o ritmo dos passos vindo em minha direção.
Eu me ajeitei no sofá, alisando meu cabelo e desejando que eu tivesse um espelho.
Era estranho saber que eu era a mesma garota que tinha pensado em Edward tão inconseqüentemente uma vez.
Agora, ele era tudo que eu parecia ter consciência. Apenas o som dele se aproximando me enchia de tal pavor - e receio – que era difícil imaginar que algum dia fui indiferente a ele. Eu queria tanto não sentir nada de novo. A ironia de tudo isto não me escapava.
Olhei pela janela atrás de mim, surpresa ao ver que ainda estava claro lá fora, o sol apenas começando a definir sobre as montanhas distantes. Nos últimos dias ele não tinha voltado para casa até bem depois do anoitecer.
"Bella?" Eu o ouvi gritar.
Eu hesitei, assustada e imediatamente em pânico por ele estar procurando por mim.
Saltei para os meus pés e comecei a caminhar no sentido da porta do salão principal. Eu tinha quase o alcançado quando ele virou a esquina. Corri diretamente para ele, batendo em seu peito com um suspiro. Senti seus braços se enroscarem reflexivamente para me firmarem, mas eu já tinha voltado correndo para longe dele, meus olhos arregalados.
Ele pareceu quase divertido com a minha reação.
"Eu trouxe o jantar." Ele disse, sua voz firme, não demonstrando mais nada.
"Eu não estou com fome." Eu respondi rapidamente, mesmo que eu estivesse.
"Independentemente disso, eu preciso falar com você".
Sem dizer nada, ele virou-se em seus calcanhares e fez seu caminho em direção à parte de trás da casa para a cozinha ampla e luminosa. Eu podia sentir as palmas das minhas mãos ficando suadas enquanto eu o seguia, meus pequenos passos enquanto eu seguia atrás dele.
Ele parou na mesa, puxando sanduíches de um saco de papel marrom e os colocando em dois guardanapos de papel em silêncio. Ele empurrou um para mim e ficou com o outro na cabeceira da mesa. Eu assisti, sem falar nada, quando ele entrou na despensa e pegou uma garrafa de whisky, servindo-o em um copo de plástico. Ele colocou um segundo copo sobre a mesa na minha frente, mas deixou-o vazio, colocando a garrafa na frente dele e levantando uma sobrancelha em expectativa.
Eu andei para a frente, puxando a cadeira ao lado dele e, em seguida, segundo supus, empurrei-a novamente. Eu me servi de whisky e agarrei meu prato, deslocando-o para a outra ponta da mesa de forma que estávamos de frente um para o outro através da longa extensão de madeira. Sentei-me, meus olhos nunca deixando os seus, e fiquei perfeitamente imóvel. Meus dedos coçavam para alcançar o sanduíche em minha frente, mas eu resisti.
Ele olhou para mim por um momento, ilegível, antes de abaixar-se lentamente em sua própria cadeira.
"Coma." Ele ordenou, como se ele pudesse ler o desespero em meu rosto.
Sem hesitar mais, peguei o sanduíche e dei uma grande mordida, mastigando-o vigorosamente e sufocando um gemido.
Comemos em silêncio por vários minutos. Ele não fez comentários sobre o fato de que eu tinha dito que não estava com fome. Comer uma refeição por dia, de tudo o que ele trazia para casa à noite, estava, obviamente, me desgastando. Ele nunca se desculpou por isso, nunca me perguntou se eu precisava de alguma coisa pela manhã, ou o que eu fazia para as refeições durante o dia.
"Eu estive conversando com alguns amigos do meu pai na cidade nestes últimos dias." Ele disse finalmente, colocando seu próprio sanduíche sobre o guardanapo que ele havia aberto na frente dele para usá-lo como um prato. Perguntei-me vagamente por que nós simplesmente não usávamos os pratos de seus pais.
"Pessoas do hospital? Médicos?" Eu perguntei alto.
"Principalmente." Ele concordou. Ele tomou um gole da sua bebida e depois se inclinou para frente, como se precisasse estar mais perto de mim. "Eles me ofereceram um emprego".
"Um emprego?" Eu disse com uma risada um pouco confusa. "Você não é médico, Edward".
Os olhos de Edward brilharam um pouco com aborrecimento. "Eu fui para a faculdade de medicina".
Dei de ombros e tomei um gole da minha própria bebida. O whisky queimou minha boca com uma força que eu não estava esperando e eu cuspi e tossi reflexivamente. Eu vi o sorriso de Edward para mim enquanto eu ofegava, tentando recuperar o fôlego.
Quando olhei para ele, ele estava recostado na cadeira. "De qualquer forma," ele disse, sua voz mais tranqüila agora "eu vou trabalhar no laboratório".
"Você vai?" Eu consegui dizer, um sentimento de naufrágio começando a se movimentar dentro de mim quando eu registrei o que ele estava me dizendo sentado lá, completamente calmo. "Você parece já ter decidido".
Edward encolheu os ombros, o ligeiro vestígio de um sorriso ainda visível em seus lábios.
"E-e quanto a Nova York?" Eu perguntei, minha voz calma e mansa.
"O que tem?"
"Nós vivemos lá." Eu balbuciei, de repente muito nervosa com o vazio do seu rosto. "Edward, você tem um trabalho lá, uma casa, todas as nossas coisas... a nossa vida".
Ele não respondeu.
Ele simplesmente ficou ali sentado, recostado na cadeira com os braços cruzados sobre o seu peito, como se ele estivesse esperando que eu fizesse algo. Talvez ele estivesse esperando que eu começasse a gritar, ou chorar, ou que eu me lançasse sobre a mesa e o atacasse.
Em vez disso, senti-me começar a tremer.
Não com medo, ou tristeza, mas com algum excesso de emoção indefinível.
"Edward, nós não podemos nos mudar para Colorado Springs." Implorei, não tendo certeza do que eu esperava ser sua resposta.
"Eu posso fazer o que eu quiser." Ele respondeu friamente, suas palavras espelhando o que ele havia me dito naquele dia em seu escritório. Ele tinha parado de fazer qualquer coisa para o meu benefício, ele estava fazendo o que queria sem qualquer consideração por mim.
Ele se levantou de repente e pegou o resto do seu sanduíche. Ele o jogou no lixo antes que eu pudesse impedi-lo, e perguntar a ele se eu poderia comê-lo no café da manhã.
Então ele se virou para mim, seus olhos duros.
"Além disso, eu não vou mudar para Colorado Springs. Vou viver aqui, em Hartsel. Nesta casa".
Meus olhos varreram a cozinha antes que eu pudesse me parar. A casa vazia, escura, ligeiramente desagradável em que estávamos. A casa onde o aquecedor não funcionava no meu quarto e não éramos autorizados a utilizar os pratos e não havia uma televisão. Ele queria viver aqui.
Notei que ele não tinha dito "nós".
"E quanto a mim?" Perguntei baixinho, com medo da sua resposta, com medo de ouvi-lo dizer que eu seria obrigada a ficar aqui com ele.
Ele me olhou por um longo tempo sem falar, seus gelados olhos verdes me segurando. Eu não tinha parado de tremer e eu tinha certeza que ele podia ver, mesmo do outro lado do cômodo.
"Você é, naturalmente, livre para fazer o que você quiser." Ele deu de ombros. "Você não é uma prisioneira".
Senti um suspiro escapar dos meus lábios quando ouvi as palavras que eu não esperava, mas que eu ansiava. Ele estava me dando permissão para ir embora, ir para casa, voltar para Nova York e viver minha vida. Pedir o divórcio.
Minha alegria durou pouco quando percebi o que isso significava.
Voltar para uma casa que já não seria minha, viver em uma cidade onde eu não tinha um emprego, ou um meio de me sustentar. E voltar sem o meu marido. Voltar sozinha.
Todo mundo lá veria isso - me veria sozinha - e eles não fariam nada. Todo mundo me observaria, vivendo naquela casa sozinha até que ele a vendesse, ou até que eu fosse expulsa. E não haveria quem viesse em meu socorro.
Jacob se aninhou em meu pescoço. "Você sempre pode vir a mim, Bella. Para qualquer coisa".
Senti as lágrimas começarem a trilhar meu rosto em silêncio, enquanto Edward observava. Corri meus dedos sobre o pequeno diamante na minha mão esquerda, vendo a luz fraca refletir nele em faíscas de amarelo e azul.
Você não é uma prisioneira.
Encontrei os olhos de Edward, encontrando-o em pé e esperando e sempre me observando.
"Não sou?" Sussurrei.
Acho que vi algo enfraquecer nele por um momento com a minha leve pergunta. Ele pareceu surpreso, quase assustado por apenas um segundo. Então ele foi encolhendo os ombros e saindo e eu me perguntei o que diabos eu tinha acabado de fazer.
Nota da Irene: Eu sei... eu sei... vc devem estar pensando: Como uma autora faz isso com a gente? Pq ela nos deixa sofrer desse jeito? É por isso que ela colocou a fic na classificação de Angústia. É um sentimento perfeito para descrever o que sempre sinto ao ler esses primeiros capítulos. Bem, pelo menos descobrimos hoje que a Bella realmente namorou o Jacob antes de o Ed aparecer. Precisamos saber agora o que a levou a ficar com o Ed... OMG. Beijos a todas
