Disclaimer: Stephenie Meyer é dona de tudo. Eu estou apenas brincando.
Nota da Autora: Eu gostaria de pedir desculpas pessoalmente a cerca de 80% das minhas leitoras pela minha falta de leitura de fanfictions. Eu vou ler "Wide Awake", logo que eu puder, já que, aparentemente, eu seria uma "idiota" se não lesse. Eu praticamente leio apenas "Hidraulic Level 5" e "Fault" no momento, mas estou aberta a qualquer coisa. Eu, obviamente, gosto de ler, eu realmente não tenho encontrado tempo para me super-aprofundar nisso tudo.
De qualquer maneira, eu menti novamente. Nenhuma reflexão sobre o relacionamento físico deles vai aparecer, nem em flash backs, nem nesse capítulo. Honestamente, isso provavelmente vai aparecer nos próximos dois capítulos. Mas eu ainda não vou prometer nada, porque eu posso me ferrar. Realmente, embora, nem sequer se preocupem com isso porque não é uma 'resposta' ou uma 'explicação', eu só planejo fazer a Bella refletir (em benefício do leitor) na fisicalidade do relacionamento deles. Não há nada que eu considere abuso físico entre Edward e Bella, nesta história, mas muitos de vocês já sentem como se Edward já tivesse cruzado a linha com base em algumas das interações dos dois.
Capítulo 15 - A Briga
Eu estava na frente da porta de madeira escura, passando de um pé para o outro, impaciente por quase 20 minutos. Estendi a mão e agarrei a maçaneta, liberando-a rapidamente com um latido quando a centelha estática passou através do meu corpo. Como se o medo que crepitava através de mim já não enviasse eletricidade ao meu sangue e meu coração.
Eu estive limpando o segundo andar pelos últimos dois dias, passando de quarto em quarto com uma mão firme e curiosa. Alguns quartos precisavam de novos papéis de parede, uma mão de tinta, mais móveis, mas eu, pelo menos, consegui tirar a poeira e esfregar e esfregar. Cada melhoria era somente superficial, e não era permanente. A limpeza era uma maneira de me manter ocupada, e não para corrigir as coisas.
Havia um quarto no segundo andar que eu ainda tinha que limpar, no entanto.
Toda vez que eu entrava em casa, eu passava em um arco em torno do quarto de Edward como se houvesse alguma força invisível me impedindo de entrar. Sua presença e sua raiva permaneciam por toda a casa, como se ele não me deixasse sozinha o dia todo. Toda vez que eu olhava para aquela madeira escura que me mantinha do lado de fora, eu não podia evitar senti-lo. Sentir a reprovação, ou o choque, ou a fúria que ele sentiria quando chegasse em casa e via sua esposa infeliz.
Parte de mim insistia que ele não se importaria - de que qualquer coisa que eu fizesse lá seria recebido com indiferença - mas eu tinha a sensação de que era a mesma parte de mim que sempre quis estar longe dele. E eu acho que era essa parte de mim que me deixou ali de pé, em frente à sua porta, às seis da tarde depois de evitar isso o dia todo.
A idéia de que ele poderia voltar para casa a qualquer momento era torturante, mas não tão ruim quanto imaginar como seria o amanhã se o dele fosse o único deixado sem ser tocado. Eu teria horas e horas para gastar lá dentro. Se eu entrasse agora eu poderia me convencer a fazer uma varredura rápida, poderia forçar-me a entrar e sair sem um segundo olhar, poderia até espiar apenas a minha cabeça para dentro e depois virar de volta para trás se eu ficasse com muito medo.
Estendi a mão e agarrei a maçaneta, abrindo a porta com força.
Dei um passo à frente, minha mão tateando ao longo da parede por um momento antes de eu encontrar o interruptor de luz. Eu o acendi com um pincelar dos meus dedos e respirei fundo quando a luz inundou o quarto. Eu fiquei paralisada por alguns segundos enquanto entendia o que estava diante de mim. Eu podia sentir minhas sobrancelhas subindo em confusão, ao mesmo tempo em que todo o meu corpo ficava tenso em estado de choque, a minha boca abriu um pouco. O que quer que eu estivesse esperando ver, não era o que encontrei com meus olhos quando abri a porta.
Em Nova York, Edward mantinha o nosso piso imaculadamente limpo. Camas feitas; roupas penduradas ordenadamente em armários, ou dobradas em gavetas, livros, revistas médicas e jornais empilhados em prateleiras e organizados por mês e ano. Quando nos mudamos para o Colorado ele não tinha levantado um dedo para limpar a casa, mas eu tinha simplesmente assumido que era porque não era a sua própria bagunça e que ele tinha - tanto como eu – se sentido como um hóspede nessa casa. Até que entrei em seu quarto, ele poderia muito bem não ter vivido aqui, pois não tinha deixado nem uma única marca no lugar.
Eu estava parada, imóvel, na porta e virei minha cabeça lentamente de um lado para o outro enquanto examinava o quarto, sentindo todos os meus preconceitos arrancados de mim.
Era um desastre.
Entrei no quarto com uma certa quantidade de ansiedade enquanto tentava conciliar o que eu estava vendo com qualquer parte de Edward que eu já tinha conhecido. O chão estava completamente coberto por roupas, as caixas da mudança estavam espalhadas descuidadamente, viradas e chutadas para o lado. Havia uma estante na parede que sustentava uma confusão de papéis soltos e pastas, os livros que já estavam de fora, estavam enchendo o chão. Eu olhei para a cama no centro do quarto e vi uma torção e acumulação de lençóis e cobertores, a prova de noites agitadas e indiferença pela manhã.
Eu não conseguia entender. Este não era o quarto de Edward, nem naquela época e certamente não agora. Ele sempre foi calmo e simpático, calmo e carinhoso, calmo e furioso. Este quarto não pertencia à calma. Este era o santuário de um homem inquieto, louco e cheio de caos.
Finalmente, eu me forcei a avançar.
Sem ter certeza de por onde começar, decidi pegar a roupa enquanto eu caminhava para o centro do quarto, sem pensar muito profundamente sobre a aparente mudança que abalou meu marido de forma tão completa. Quando meus braços ficaram cheios, joguei a roupa em cima da cama e me virei para recolher mais. Enquanto ergui artigo após artigo, decidi que este não era o produto de uma única explosão de raiva. A maioria das roupas que eu trouxe para a cama estava suja de ele trabalhar nelas todos os dias e haviam sido jogadas no chão em vez de serem lavadas.
Isto era negligência na sua maior ferocidade.
Quando eu tinha movido todas as roupas que eu pude ver do chão para a cama, juntei as pontas do lençol, usando-o como um saco de roupas improvisado. Arrastei a pesada carga até a lavanderia no primeiro piso.
Quando acendi a luz na escuridão, meus olhos brilharam em uma familiar camiseta cinza surrada, com a escrita verde na frente. Eu hesitei por um momento antes de estender a mão e puxar a camisa para fora da pilha. Eu a empurrei no topo da máquina e tracei as letras com o meu dedo para soletrar "Dartmouth".
Lembrei-me daquele dia que começou com uma briga.
"Jake, eu realmente não sei por que diabos você o convidou!" Eu gritei, virando a cabeça para o lado para que ele pudesse me ouvir enquanto estava fechando a porta da frente do nosso apartamento.
Ouvi Jacob se atrapalhar por trás de mim, com os braços cheios de sacolas e pranchas enquanto ele lutava para manter-se de pé. Balancei nossas botas pelos seus cadarços, os saltos batendo contra as minhas coxas quando elas caíram. Meu rosto estava corado com aborrecimento quando fizemos nosso caminho até o carro.
"Ele perguntou o que faríamos neste fim de semana. O que eu deveria dizer?" Jacob perguntou, sua voz um pouco na defensiva.
Eu suspirei quando abri o porta malas do carro. "Você poderia ter mentido".
Jacob riu e soltou tudo no porta-malas do meu lado e enxugou a testa. Olhando-me com um sorriso torto, ele respondeu. "Bem, isso é muito rude, Bells".
Eu bufei quando joguei nossas botas por cima do resto do equipamento e bati a porta fortemente.
"Além disso," Jacob acrescentou, cutucando o meu lado com o seu ", ele é nosso amigo".
Eu fiz uma careta e cruzei os braços, sabendo que ele estava certo.
Edward Cullen era meu amigo.
Quando eu o tinha encontrado no hospital e ele tinha me ajudado com meu braço quebrado, não foi a última vez que eu o vi. Antes de sair do hospital naquele dia, eu dei a ele meu número de telefone com o braço de Jacob enrolado na minha cintura.
Ele nunca ligou.
A má sorte e falta de jeito me levou de volta ao hospital apenas algumas semanas depois, e dei a ele meu número de novo, dizendo que se eu fosse ficar me aproveitando da sua amizade eu provavelmente deveria ser primeiro sua amiga.
Depois disso, tivemos encontros mais casuais. Eu ligaria para ele de vez em quando para um bate-papo, o encontraria no campus para um café, o encontraria na lanchonete do hospital para almoçar. Ele teria encontros duplos comigo e Jacob, sempre trazendo uma garota diferente com ele. Nós brincávamos que ele era um solteirão promíscuo, que ele era muito exigente e que tinha problemas de compromisso. Mas sempre foram apenas brincadeiras.
O que Edward Cullen era realmente, era um mistério.
De todos os encontros que ele foi comigo e Jacob, eu tinha certeza de que ele não tinha dormido com uma única das meninas que ele trouxe. E eu sabia que não era porque ele era exigente, ou elitista, ele era uma das pessoas mais amáveis que já conheci. E ele certamente não tinha nenhum problema com compromisso, nem com nada. Ele era comprometido com seu trabalho, seu estudo, e - sobretudo - seus amigos.
Ainda assim, quando Jacob tinha encontrado com ele em um bar na noite de quinta-feira e o convidou para ir ao Monte Baker com a gente, eu não pude evitar sentir-me um pouco irritada.
"Vamos, Bella." Jacob pendurou um braço em volta dos meus ombros e me deu um pequeno aperto. "Eu me senti mal pelo cara. Ele está com uma amiga de Dartmouth e não tem idéia do que fazer com ela".
Eu lembrava vagamente de Edward mencionando algo sobre alguma amiguinha da sua família o visitando por uma semana, ou algo assim. Ela aparentemente o idolatrava até o ponto de querer unir suas almas, e agora ela tinha atravessado todo o país apenas para uma visita social.
Quando eu balancei minhas sobrancelhas para ele sugestivamente, ele riu e empurrou meu ombro levemente. "Credo, Bella! Ela é uma caloura! Ela é como uma irmã para mim! Sério. Nojento".
Minha irritação só aumentou quando me lembrei que estaria com uma adolescente no passeio.
Jacob não tinha sido tão sutil recentemente com suas insinuações de que ele estava se preparando para me pedir para casar com ele. Eu tinha pensado, quando ele me contou sobre a viagem de fim de semana, que ele estava planejando fazer isso. Claro, jogar Edward e sua amiga da faculdade na mistura não descartou a idéia, mas certamente tirou o clima romântico da história.
"Tem certeza de que não o convidou só porque você está com medo de ficar sozinho comigo?" Eu brinquei, batendo meus cílios inocentemente.
Jacob sorriu para mim e estendeu seu outro braço em meu estômago, segurando meu quadril e me puxando contra ele com firmeza. Eu guinchei de surpresa quando ele olhou para mim, desejo inconfundível em seus olhos.
"Definitivamente não." Ele disse com uma voz rouca quando se inclinou para escovar os seus lábios contra os meus.
Esforcei-me para cima em direção a ele, enrolando os braços em volta do seu pescoço com força. Senti seu braço descer do meu ombro para a minha cintura, ligando-a a ele, para envolver-me com firmeza. Quando o beijo se aprofundou, senti sua boca abrir para respirar quente contra mim, procurando por uma entrada. Eu a concedi com um gemido e esmaguei-me forte ao seu corpo, curvando-me para trás.
Eu o senti se afastar abruptamente quando o zumbido de um motor parou bem atrás de nós, parando com um clique. Meu rosto ficou vermelho, eu deixei cair meus braços e me empurrei de Jacob, dando-lhe um sorriso e uma piscadela. Ele sorriu abertamente para mim e balançou as sobrancelhas.
Olhei para o carro que havia estacionado cerca de 3 cm de distância de onde estávamos. O lado do condutor abriu primeiro, um Edward muito afobado pulou para fora quase imediatamente.
"Desculpe pelo atraso!" Ele disse.
Eu ri ao vê-lo: o cabelo bronze despenteado, a velha camisa de Dartmouth, pés descalços, enquanto ele cambaleava para o frio de Dezembro pela rua, aparentemente, tendo acabado de rolar para fora da cama. Ele abriu a porta traseira do carro e pegou alguns esquis, botas, luvas, chapéus, e alguns sacos que eu tinha certeza de que ele tinha embalado na noite passada.
"Está tudo bem." Assegurei a ele, minha irritação de antes esquecida só de vê-lo. Era tão raro ver Edward todo desorganizado, ou despreparado, que eu tinha que admitir que era adorável. Jacob me olhou com um sorriso conhecedor, parecendo estar tão divertido com o nosso amigo quanto eu. "Aqui, deixe-me ajudá-lo".
Andei para o lado do carro onde ele estava e peguei um par de esquis e bastões dos seus braços antes que ele pudesse protestar.
"Obrigado, Bella." Ele suspirou agradecido, atirando os sacos sobre os ombros e me seguindo para a van com muito mais facilidade, ou porque eu tinha ajudado com a carga, ou porque eu não estava zangada com ele.
Jacob abriu o porta-malas novamente e nós empilhamos as coisas de Edward na parte traseira, junto com as nossas. Edward e eu nos embaralhamos por alguns minutos - com um monte de maldições - sobre como encaixaríamos seus esquis no ângulo certo. Finalmente, eu me virei para Jacob para perguntar se precisávamos de algo mais, apenas para descobrir que ele não estava mais de pé ao lado da van. Procurei ao redor para vê-lo em pé ao lado da porta do lado do passageiro do carro de Edward, mantendo-a aberta enquanto pegava uma pequena mochila da menina que tinha acabado de sair.
Quando Jacob fechou a porta atrás dela, ela passou por ele caminhando em direção a Edward e eu. Eu senti um pequeno ofego morrer na minha garganta. Ela era magra e pálida, os cabelos de um rico castanho-avermelhado, os olhos arregalados e expressivos e da cor de chocolate mais linda que eu já tinha visto. Suas feições eram angulares, mas delicadas, com um leve sorriso nos lábios carnudos. Ela era linda, não havia nenhuma dúvida sobre isso. O que me assustou, no entanto, foi a maneira como Jacob estava olhando para ela quando ela se aproximou de mim com sua mão estendida.
Coloquei minha mão na dela educadamente quando ela se apresentou: "Olá. Eu sou Nessie".
Minha mão apertou com força, esmagando as palavras verdes na camisa com meu punho quando meus olhos picaram com lágrimas de raiva. Esfreguei meus olhos - não permitindo que as lágrimas caíssem - e joguei a camisa para a primeira máquina, enterrando-a sob uma pequena montanha de cores claras e batendo a tampa fechada, ligando com movimentos bruscos para iniciar o ciclo.
Eu tinha dito a mim mesma um milhão de vezes para não pensar nesse dia, não pensar sobre ela. Não pensar sobre a última vez que Jacob tinha sido completamente e totalmente meu, eu estava aborrecida com ele. Não pensar sobre isso porque nada disso importava mais nessa porra.
Fiz meu caminho de volta para cima rapidamente, decidida a tirar os pensamentos indesejados da minha mente. Eu caminhei pela porta, voltando para o quarto de Edward, e congelei meus passos.
Edward estava parado no meio do quarto.
Ele estava de costas para mim e parecia estar olhando para o chão, procurando suas roupas. Ele não estava se movendo, mas eu podia ver que as mãos dele estavam com os punhos cerrados ao seu lado.
"Merda." Eu respirei baixinho, sem querer.
Edward virou o rosto para mim e pude ver a fúria inevitável escrita em todo o seu rosto, exatamente como eu esperava. Mordi meus lábios enquanto olhava para ele, percebendo que guardando este quarto até o final do dia, antecipando sua ira... eu queria isso.
"O que você está fazendo aqui?" Sua voz estava alta e trêmula.
Juntei toda minha coragem e caminhei até ele, estendendo a minha mão para passar ao longo da prateleira desorganizada.
"Eu só estava... limpando um pouco." Eu dei de ombros, minha indiferença escondendo o nervosismo. Eu podia sentir seus olhos acompanhando meu movimento. "Eu terminei o resto do segundo andar e eu pensei que-"
Ele me cortou, "Você não está permitida a entrar neste quarto".
"Sério, Edward?" Eu ri e me sentei na cama arrumada, nua e macia. "Eu estou... proibida? Devo ficar fora de West Wing, também?"
"Não zombe de mim." Ele rosnou.
"Bem, então não seja tão ridículo".
Edward deu um passo ameaçador em direção à cama e foi preciso unir todo o meu autocontrole para não pular para cima, ou para não me esconder dele. Em vez disso, continuei sentada e olhei direto nos olhos dele quando ele disse, "Você não é bem vinda aqui, Bella".
"Eu percebi." Respondi secamente, não permitindo que eu fosse intimidada. "Mas você obviamente não está mantendo tudo limpo por aqui, então eu pensei que poderia ajudar um pouco a-"
"Eu não fui claro quando disse que eu não quero a sua ajuda?" Ele me interrompeu novamente.
"Jesus, Edward." Eu disse, pulando para fora da cama novamente para ficar na frente dele. "Seja um pouco menos melodramático".
Eu vi Edward cerrar a mandíbula firmemente por um momento e ele desviou o olhar. Eu podia ver a frustração em seu rosto, a calma que havia se tornado fora de controle. Finalmente, eu o vi engolir sua raiva e voltar para me enfrentar.
Sua voz estava calma quando ele perguntou: "O que eu tenho que dizer para você me levar a sério?"
"Eu não sei." Eu dei de ombros, fingindo pensar por um minuto. "Talvez dar uma explicação?"
"Eu. Não. Quero. Você. Aqui." Ele disse cada palavra como um silvo cuidadoso, a raiva subindo e descendo, oscilando sob uma pressão incrível enquanto ele tentava falar baixinho.
"Isso não é uma explicação." Eu insisti, irritada.
"Essa é a única que você conseguirá." Ele disparou de volta.
"Por que, Edward?" Eu forcei, ouvindo suas advertências fortíssimas para ficar longe. "Não é como se você tivesse algo a esconder aqui, certo?"
Ele parou por um momento, antes da sua leve surpresa se transformar em um sorriso de escárnio. "O que eu teria a esconder de você?"
Porque é claro que não havia nada que pudesse me chocar, nada que pudesse me enojar, nada que pudesse me irritar, ou excitar-me, ou me fazer chorar. Eu podia ouvir isso da maneira que ele me falou que ele realmente acreditava que eu era desprovida de qualquer coisa parecida com emoção.
Eu era uma vadia sem coração e ele era apenas uma vítima da minha crueldade.
"Fique fora daqui." Edward repetiu. "Eu não quero ter que lidar com você mais do que eu sou forçado".
"Bem, isso vai ser fodidamente difícil, considerando que vivemos juntos." Eu dei um passo a frente quando levantei a minha voz, minha raiva finalmente vindo à tona. "Eu sou uma pessoa, Edward. Eu vivo e respiro e ando e falo e rio e choro e fico com fome e sinto dor e, mais cedo ou mais tarde, você vai ter que interagir comigo".
Ele parou por um instante antes de responder vagamente, "Bem, vamos esperar que seja mais tarde, então".
Era isso.
Talvez alguma coisa dentro de mim tenha me feito vir aqui para comprar uma briga com ele. Talvez eu sentisse que precisávamos disso. Talvez eu soubesse exatamente o que dizer para deixá-lo puto, sabendo exatamente como empurrar seus botões. Mas ele sabia exatamente como empurrar os meus de volta.
"Deus, com o que você está tão assustado?" Eu gritei, mais alto do que eu pretendia.
A voz de Edward foi baixa e firme. "Não há nada que você possa fazer que me assuste".
Eu podia sentir que ele estava bem ali comigo, quase perdendo o controle. Eu sabia porque a palidez da sua pele ficou vermelha, eu sabia porque seu corpo inteiro estava tenso, eu sabia porque seus olhos estavam brilhando como esmeraldas, gelo e fogo. E eu sabia porque ele estava mentindo.
"Bem, bom." Eu disse alto quando cruzei meus braços em um desafio. "Porque eu estou farta de não fazer nada o dia todo e estou farta de ficar quieta e eu estou farta de ficar sozinha e estou farta de você fingir que não existo. E estou farta de ter medo".
"Medo? Você?" Edward riu horrivelmente, zombando de mim, enquanto seus dentes brancos brilharam em uma linha reta e afiada. "O que você poderia possivelmente temer?"
Eu estava diante dele e não respondi por um momento, enquanto eu o fitava. Havia alguns centímetros de espaço queimando entre nossos peitos e eu me perguntava o quão longe eu poderia levar isso, o quão longe eu poderia empurrá-lo, antes que isso nos consumisse. Falar a verdade, ou mentir, ou não falar nada, essas eram as escolhas que eu sempre tive.
"Você." Eu sussurrei.
Houve uma breve pausa, uma entrada de ar de cada um de nós, e então Edward estava rindo novamente. Era um riso diferente, porém. Era menos terrível, mais inseguro. "Não me insulte, Bella." Ele finalmente insistiu. "Você nunca teve medo de mim".
"Eu tenho medo de você agora." Eu admiti, incapaz de parar. "Cada porra de dia eu acordei com medo porque estou presa em uma casa com um homem que fodidamente não me percebe!" Eu gritei para ele, inclinando-me para mais perto dele como se fosse realmente ajudá-lo a me ouvir.
"Presa?" Eu vi o rosto dele ir de volta de divertido para raivoso em uma fração de segundo, levantando a sua voz novamente, ele processou a minha acusação. "Você acha que você está presa?"
"Sim, eu estou fodidamente presa!" Eu respondi.
"Por quê?" Sua voz era alta agora, frenética e rápida. "Estar sem telefone? Sem computador? Sem carro? Essas não são coisas que limitam uma pessoa." Ele fez uma pausa antes de incisivamente acrescentar, "Especialmente você".
"Oh, não finja que você me conhece, porra." Eu cuspi.
"Você está certa." Ele disse, segurando as mãos para cima em sinal de rendição. "Eu nunca deveria presumir saber o que se passa em sua mente distorcida".
"Oh, vá em frente e aja tão astuto e poderoso, como se você fosse a porra de um santo! Como se você nunca tivesse feito nada de desonesto, ou péssimo, ou cruel, em sua vida inteira!"
Ele deu um passo à frente, fechando o espaço um pouco mais, e apontou o dedo para mim, quando ele respondeu, "Eu nunca menti para você".
"Sim." Eu ri sem humor. "Porque para mentir exige conversar. Que é algo que, aparentemente, você não faz mais".
Edward deu um passo para trás e se endireitou. "Não com você." Ele disse calmamente.
"Jesus Cristo!" Eu joguei minhas mãos para cima, a minha frustração chegando a um ponto de ebulição. "Você sabe o que, Edward? Eu tenho uma pergunta para você, então aqui está sua chance fodida para me mostrar como você é honesto. Por que eu estou aqui?"
A questão foi recebida com silêncio.
Eu continuei, "Você não quer minhas desculpas, você não quer que eu ganhe o seu perdão, você não quer falar comigo, ou ouvir uma palavra que eu tenha a dizer! Então, por quê?"
Eu podia vê-lo cerrar os punhos de novo enquanto ele ainda não respondia.
"O que você quer de mim?" Exigi, finalmente, soltando a minha voz.
Finalmente, ele sussurrou, "Nem uma fodida coisa".
"Então por que eu estou aqui?"
Houve outra pausa, desta vez mais curta. Antes que eu pudesse começar a gritar com ele para me responder, ele explicou, "Porque você fodidamente não vai".
"Não seja engraçadinho comigo, Edward." Eu exalei, meu tom venenoso.
Sua boca inclinou em um pequeno sorriso, a luz em seus olhos divertidos e perigosos. Tudo sobre a sua postura, sua expressão, sua energia, era um aviso. Mas quando eu tinha dito a ele que eu estava cansada de ter medo, eu estava dizendo a verdade. Eu não correria, nem da sua raiva e nem do seu silêncio.
Depois de um momento, eu tinha certeza que ele não diria mais nada. Eu abri minha boca e disse baixinho, "Você sabe por que eu não vou embora? Eu não vou porque..." Parei, mas só me levou um momento para encontrar a resposta. Eu já sabia. "Eu não devo ir".
"Você não me deve porra nenhuma." Edward rosnou imediatamente, como se o meu senso de obrigação admitido o ofendesse de alguma forma imperdoável.
Fiz uma pausa, abrindo minha boca e depois a fechando.
"Não devo?" Sussurrei finalmente, não tendo certeza se ele me ouviria, ou se eu queria que ele me ouvisse.
Ele ouviu. Eu podia ver isso no modo como seus olhos se arregalaram e depois se estreitaram em fúria quando ele me ouviu. Sem aviso, ele virou-se e se dirigiu para a porta.
"Não fuja dessa porra!" Gritei para ele. Então, antes que eu soubesse o que estava acontecendo, eu estava atrás dele. Eu o peguei perto da porta e agarrei sua camisa, jogando todo meu peso para trás. Ele deve ter ficado surpreso porque perdeu o equilíbrio ligeiramente, permitindo-me empurrá-lo contra o batente da porta violentamente. "Estou farta desses argumentos de merda que terminam na porra de um silêncio!"
Ele pareceu momentaneamente atordoado quando olhou para mim. Minhas mãos estavam pressionadas firmemente contra seu peito, com o meu corpo inclinado sobre ele, meu peso segurando-o na madeira. Eu estava respirando ofegante e cuspindo fogo, exigindo a sua atenção e aproveitando o que fosse oferecido.
"Tire suas mãos de mim." Sua voz era assustadora e quieta e eu podia sentir seu corpo inteiro enrolar debaixo das minhas mãos, preparando-se para empurrar-me para longe.
Eu o soltei, mas não dei um passo atrás.
"Por que você me trouxe aqui?" Sussurrei. "Por que você não me deixou em Nova York? Por que você não se divorciou de mim?"
Ele ficou em silêncio.
"Por que eu estou aqui, Edward?" Eu implorei.
Nós nos encaramos por um longo tempo, nossos corpos nos dois lados da soleira da porta. Eu podia sentir sua proximidade como uma chama de fogo passando contra a minha pele. O silêncio queimando por alguns segundos.
Então eu o ouvi sussurrar, "Saia daqui".
"Não." Eu balancei minha cabeça. "Eu não vou deixar-"
"SAIA DAQUI!"
De repente sua voz parecia um trovão em meus ouvidos. Eu pulei para longe dele como se eu tivesse recebido um choque elétrico, para o corredor. Em um instante seu rosto estava vermelho, os olhos brilhando, dentes encaixados, e ele era um homem louco.
"Edwa-"
"SAIA DA PORRA DA MINHA CASA!" Ele gritou, cuspe voando da sua boca quando seu braço subiu para apontar para a porta.
Virei-me e corri escada abaixo, pulando dois ou três degraus de cada vez. Lágrimas borravam minha visão enquanto eu corri, medo crepitando nas minhas costas.
"SAI DAQUI!" Eu podia ouvi-lo ainda gritando do alto da escada, "SAI DA PORRA DA MINHA CASA!"
Sua voz estava louca e agoniada, com lágrimas e ódio.
Eu escancarei a porta da frente e saí correndo na escuridão.
Nota da Irene: Opaaaa... mais tenso impossível. A partir de agora a história muda COMPLETAMENTE. Eu estou louca pra chegar nas melhores partes, mas vcs tem que ler isso para poder curtir o resto. Amooooo. Então semana que vem tem mais. E se alguém estiver gostando, seja legal e deixe reviews. haahahaha
Agradeço a Ju que sempre me salva quando eu viajo, e ela ontem teve um perrengue doido com o ffnet e não desistiu de postar pra mim, e ainda betou essa fic. Então ela é demais. Obrigado Ju.
Beijos meninas
