Disclaimer: Stephenie Meyer é dona de tudo. Eu estou apenas brincando.
Nota da Autora: Então, cerca de metade de vocês gostou dos flashbacks e metade de vocês os achou confusos. Aquelas de vocês que gostaram deles... vão gostar deste capítulo. O resto de vocês, tenham em mente que você deve se sentir desorientada. É uma coisa boa. Bella está incerta neste capítulo sobre o que é real e o que é memória (sonho) e vocês devem ficar muito confusos, já que é ela que está contando a história. Eu não vou usar este dispositivo muitas vezes, mas isso vai acontecer de tempos em tempos, quando Bella estiver angustiada ou se encontrar em uma situação loucamente instável. Peço desculpas antecipadamente.
Obrigada do fundo do meu coração por todas as opiniões. Elas são para mim o que esta história é para vocês. Estou viciada em lê-las e eu fico louca quando eu vejo mais na minha caixa de entrada. Autora co-dependente de relacionamento com leitor!
Capítulo 17 - A Cadeira
Eu podia me sentir derivando para dentro e para fora do sono durante a noite. Eu estava desconfortável, meus pés coçavam e picavam, e eu estava muito quente quando o fogo estava em chamas e com muito frio quando ele eventualmente diminuía e morria. Toda vez que eu me movia no pequeno espaço da poltrona, acordava por um instante e deslizava novamente de volta imediatamente. Eu estava inquieta e nervosamente exausta, e o silêncio não era capaz de manter minha cabeça acima da superfície.
Imagens bonitas dançavam diante dos meus olhos, as lembranças do meu passado obscuro envolvendo-me e me atormentando. Memórias de braços quentes e uma cama confortável e beijos leves no meu ombro enquanto eu me espreguiçava. Rolei com um sorriso preguiçoso no meu rosto, então voltei para a posição vertical quando os olhos que encontraram os meus não eram negros, mas um verde vibrante.
Eu podia ouvir as palavras que ele havia me dito ecoando através do meu subconsciente, seu rosto desfocado e obscuro.
"Não era para ser assim." Ele disse para mim quando eu tinha pulado para fora da cama, assustada.
Lembrei-me da dor aguda em meu peito quando percebi por que eu estava ali, com ele, em vez de Jacob. Pedi desculpas a ele mais e mais enquanto eu disparava ao redor, pegando as minhas roupas e puxando-as para o meu corpo.
Era como se eu fosse outra pessoa, observando-me agir de longe. Ele estava olhando para mim também, enquanto eu corria ao redor dele.
Depois de alguns minutos de me observar correr em pânico, ele agarrou-me gentilmente para parar o meu turbilhão de movimentos. Eu poderia me lembrar da sensação das suas mãos em meus pulsos, tão suaves e sérias. Eu poderia me lembrar quando ele me puxou perto, a sensação da sal respiração quente na minha barriga. Eu desejei poder sentir isso agora.
"Bella." Ele sussurrou meu nome ao me segurar.
"Sinto muito." Eu disse novamente.
Ele sorriu para mim, um embaçado sorriso que eu mal podia lembrar. "Eu não sinto".
Meus olhos se arregalaram e eu podia ver o teto escuro da cabana acima de mim. Senti como se eu não tivesse dormido nada.
Eu não tinha certeza de quanto eu estava sonhando, ou quanto disso era uma memória consciente. O passado parecia estar fluindo de volta, retornando ao lugar de onde tínhamos começado tão terrivelmente errado, como se pensar nisso pudesse, de alguma forma, mudá-lo, mudar o resultado.
Ouvi sussurros vindos do outro lado da sala e notei que havia uma luz fraca atrás de mim. Estiquei meus ouvidos, não saindo da minha posição desconfortável enquanto eu tentava ouvir atentamente.
"Só me deixe sair e conversar com ele." A voz soava nitidamente feminina, colorida com preocupação e confusão.
"Eu não sei se isso é uma boa idéia." A outra era de um homem. Os sussurros eram apressados e nervosos.
"Ele está lá fora por mais de uma hora".
"Nós não sabemos o que aconteceu. Eu não tenho certeza..."
"Eu não vou convidá-lo a entrar, eu apenas verei o que ele quer".
"Não, eu vou falar com ele. Fique aqui dentro com Bella".
Eu finalmente reconheci uma das vozes como a de Alice. A outra devia ser de Jasper.
Eu não conseguia realmente entender o que eles estavam falando. Estava ainda muito escuro lá fora e eu me perguntei vagamente por que eles estavam acordados, enquanto eu me sentia escorregar suavemente para o outro lado da consciência, pairando tão perto da superfície que estava totalmente transparente e confusa.
Eu podia sentir a dor em seu rosto antes que eu pudesse vê-lo. Ouvi-me dizendo a ele que eu não o amava, que a noite passada tinha sido nada mais do que conforto e validação. Minhas palavras ardiam e doíam, apesar de terem sido praticamente sussurradas.
"Eu sei." Ele estava muito calmo. "Isso não importa".
Eu me afastei dele, horrorizada. Eu mal estava escutando quando ele tentou explicar que ele me amava de qualquer jeito, que ele sempre amaria, e que tudo o que o que quer que eu sentisse por ele era o suficiente. Ele me disse que a amizade podia tornar-se algo mais.
Eu podia sentir as lágrimas começarem a escorregar nos meus olhos, a umidade tão real que eu sabia que deveria estar realmente chorando.
Tentei abrir meus olhos novamente - tentei me acordar - mas não consegui. Não antes de ele dizer as palavras exatas que eu estava procurando, as palavras que me fizeram querer ficar dormindo e lembrando dele.
Eu nunca vou querer mais ninguém.
Então eu observei quando passei meus braços em torno dele, o sorriso em seu rosto tão brilhante que turvou tudo ao nosso redor quando eu o beijei. Ele me levantou um pouco e virou-me de volta na cama onde ele estava sentado, colocando seus braços em cada lado de mim para que pairasse sobre mim com um sorriso.
Suas mãos se arrastaram pelo meu corpo, passando pelos meus quadris, pelas minhas pernas até que ele estava sentado em meus pés e sacudindo as mãos levemente contra os meus pés, minhas solas, meus tornozelos, meus calcanhares. Encolhi-me para longe, esperando fazer cócegas, e fiquei surpresa quando doeu.
Ele estava me olhando e segurando o meu tornozelo e suas mãos macias sobre os meus pés doloridos pareciam tão real.
Então ele estava beijando seu caminho de volta pelo meu corpo, murmurando sobre o quão feliz eu o fazia, como eu era bela, como ele me manteria segura, como ele nunca me machucaria.
Por fim, seus lábios estavam tocando os meus uma e outra vez, seu quadril pressionado firme contra mim, prendendo-me ao colchão. Eu me contorci abaixo dele em dor e expectativa, e ele se afastou um pouco com um sorriso.
Ele suspirou, sua voz soando muito triste, "Eu não posso mais fazer essa porra".
Espere.
Isso não estava certo.
Aquilo não era o que ele tinha dito para mim naquela manhã. Ele tinha me dito que me amava novamente e deixei que ele me tocasse. Ele não tinha forçado, ele não parecia triste, ele não tinha mudado de idéia.
Havia ainda o murmúrio de pessoas falando, era ainda um homem e uma mulher. Mas a voz do homem tinha mudado. Eu reconheci a voz do homem, diferente da que era antes. Era a voz de Edward conversando com Alice agora.
Eu não tinha certeza se era real.
"O que diabos está acontecendo, Edward?"
Houve uma pequena pausa e uma entrada de ar estremecida. "Eu não sei".
Ele estava chorando.
A voz de Alice estava um pouco mais forte quando ela respondeu, "Isso não é bom o suficiente".
Houve um longo silêncio que se seguiu. Eu podia sentir a tensão no ar quando Alice exigiu as mesmas respostas de Edward que ela não teve força para tirar de mim.
Depois, ouvi a voz de Edward novamente. "Nós não somos quem vocês pensam que somos".
Alice riu sarcasticamente, calmamente. "Você também".
O sussurro de Edward continuou como se ele não tivesse ouvido. "Estamos simplesmente..." Ele fez uma pausa, parecendo como se estivesse em uma perda de palavras.
"Quebrados"? Alice sugeriu, usando minhas palavras.
"Sim." Edward respirou.
"Isso é o que Bella disse quando ela chegou aqui." Alice disse a ele. "Tremendo de frio, molhada, os pés sangrando, a poucos minutos de uma hipotermia e ela estava defendendo você".
Edward não respondeu.
Eu queria olhar para o seu rosto, mas eu sabia que estava muito escuro. E eu estava com medo de me mover, com medo de que eles soubessem que eu estava acordada.
Eu não tinha certeza de que eu estava.
"Edward." Alice sussurrou com firmeza quando ela percebeu que ele não responderia a ela. "O que aconteceu entre vocês dois?"
Eu podia vê-lo sorrindo por cima de mim, uma das mãos estendendo até correr os dedos pelo meu cabelo. Estremeci de prazer.
"Eu sou repugnante".
Meus olhos se abriram ligeiramente com a força das suas palavras e eu pude ver duas figuras sombrias inclinadas sobre a mesa do outro lado da sala. Havia uma pequena oscilação de velas entre eles, lembrando-me daqueles caros restaurantes mal iluminados da cidade.
A luz amarela da chama deixava apenas seus perfis visíveis, o resto dos seus corpos estava escuro.
O rosto de Alice encheu-se de uma confusão que espelhava a minha. O comentário de Edward foi tão bombástico, suas respostas eram tão fraturadas. Não pude deixar de pensar que - mesmo que ele estivesse sentado calmamente, sussurrando e triste - ele ainda estivesse gritando no alto das escadas.
Seu rosto estava enterrado em suas mãos.
"Eu não quero fingir mais. Fingir que ambos não estamos fodidamente morrendo disto.."
Ouvi Alice respirar seu nome com a confusão e simpatia e fechei meus olhos novamente, pensando que isso não poderia ser real. Pensando que isto tinha de ser um sonho. Pensando que ele não poderia estar chorando. Não agora. Não na minha frente.
"Eu nunca pensei que isso aconteceria." Sua voz estava tão baixa que eu mal podia entender as palavras. "Mas eu deveria ter pensado. Eu deveria ter sabido no momento em que me casei com ela".
Alice respondeu gentilmente, "Ninguém pode ver o futuro".
"Não importa." Ele disse com firmeza. "Eu só casei com ela porque..." Ele parou e eu parei de respirar enquanto esperei que ele terminasse. Finalmente, ele suspirou, "Porque ela me deixou".
"O quê?" A voz de Alice estava confusa.
"Diga-me que eu não fui nojento." Edward perguntou, sua voz tão dolorida, tão desesperada. "Diga-me que eu não fui patético e manipulador e horrível".
"Você a amava." Alice disse como se isso significasse alguma coisa.
"Eu amava." Edward concordou. "Eu a amava quando eu sabia que ela nunca me amaria de volta. Eu a amava o suficiente para amarrar-me a ela." Ele fez uma pausa e acrescentou, "Isso é o que me enoja".
Houve um momento de silêncio.
Em seguida, Alice perguntou hesitantemente, "Como você pode saber com certeza que ela não te amava?"
Eu ouvi uma risada baixa e amarga.
"Porque ela me disse." Sua voz soava abafada e eu me perguntei se ele tinha a cabeça em suas mãos novamente. "Ela sempre me lembrou disso".
Alice não teve uma resposta.
Ouvi a voz de Edward continuar após um longo tempo. "Você sabe, mesmo que eu estivesse tão fraco, mesmo que eu fosse autoconsciente e chato e estranho, mesmo que eu estivesse sendo usado e estivesse tão perfeitamente feliz por me deixar ser usado, eu nunca me odiei naquela época.".
Eu podia sentir seus braços ao meu redor e seu beijo no meu rosto e o amor em seus olhos quando a escuridão macia começou a rastejar de volta à minha consciência.
Eu podia sentir-me escapando.
"Não é como eu me sinto agora..."
Tudo o que eu ouvi depois disso foi o silêncio do sono sem sonhos.
Parecia como minutos depois que a luz estava queimando no fundo dos meus olhos, minhas pálpebras queimaram vermelhas quando o sol nascente brilhou através da janela ao meu lado.
Meus olhos se abriram em confusão quando me lembrei que a janela de frente para o Leste devia estar por trás de mim, não ao meu lado. Meus olhos foram estavam satisfeitos com o braço de uma cadeira bastante grande, marrom. Franzi a testa em confusão e empurrei-me lentamente, observando a rigidez do meu corpo de me contorcer na noite passada para caber no pequeno espaço.
Lembrando que eu não estava na casa da fazenda - eu estava na cabana – eu me virei com um suspiro, me preparando para me levantar.
Soltei um pequeno grito e meu corpo inteiro recuou.
O rosto de Edward estava controlado e cansado, seus olhos avermelhados, sua pele um pouco mais pálida e um pouco menos suave enquanto ele olhava para mim da outra cadeira. Ele estava olhando para mim com calma, sem vestígios da raiva que eu tinha visto na noite passada. Ele parecia exausto. Não, mais do que exausto... ele parecia esgotado.
Minhas mãos seguraram nos braços da cadeira, desesperadas para me manter firmemente plantada nela apesar do meu instinto me dizendo para me afastar dele. Ainda assim, havia algo em seus olhos, na maneira que ele estava olhando para mim, que me manteve lá.
Ele se inclinou para frente com um suspiro, esfregando o rosto com as mãos nervosamente.
O gesto pareceu familiar.
Eu poderia me lembrar de uma imagem dele, mal visível através da escuridão, segurando sua cabeça em derrota. Eu não conseguia me lembrar se eu tinha realmente visto, ou se tinha sido um sonho.
"Bella." Ele disse com essa voz baixinha, timidamente. "Eu vim para..." Ele parou, depois começou de novo, "Eu preciso me desculpar por ontem à noite".
Eu não disse nada.
Ele olhou para longe de mim, para fora da janela para os campos cobertos de neve.
"Eu conversei com Alice quando cheguei aqui." Ele ressaltou. Por alguma razão eu me senti como se já soubesse, mas na superfície fiquei surpresa. Olhei para a escada. Edward acenou com a cabeça. "Eles estão lá em cima. Eu perguntei se eu poderia ficar... apenas até você estar acordada".
Eu não disse nada.
Ele ficou em silêncio por um momento e depois olhou por cima de mim. Não havia nenhuma indicação em seu rosto de qualquer coisa como remorso, mas, por alguma razão, eu acreditei em suas palavras.
Após um momento ele se levantou e eu pensei que ele se afastaria. Ele parou exatamente ao meu lado e eu vi sua mão estender e hesitar antes de ele escovar os dedos levemente no meu ombro.
Eu comecei a focar os meus olhos e eles agarraram aos dele.
Eu não disse nada.
Ele estava olhando para mim intensamente.
"Bella." Ele disse meu nome com firmeza. Em seguida, "Eu nunca irei me perdoar".
Sem esperar por uma resposta, ele atravessou a sala e saiu pela porta da frente.
Eu não disse nada.
Nota da Irene: Oi meninas, sem palavras pra esse capítulo. Ele confessou tanta coisa. Estou sofrendo.
Até quinta que vem. =/
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