Disclaimer: Stephenie Meyer é dona de tudo. Eu estou apenas brincando.


Nota da Autora: Estou escrevendo um EPOV para as pessoas que doaram para a caridade no Haiti, que deve sair em algum momento no futuro.

Este capítulo é um pouco lento, mas talvez um ligeiro (necessário?) alívio da tensão e da angústia. Um pouco de cavalos, um pouco de Esme, um pouco mais de Alice. Este capítulo também é bastante claro sobre a auto-aversão. Eu sei, é como um mundo de cabeça para baixo. Fique tranqüilo, você estará sentindo na Oneshot EPOV se eu tiver algo a dizer sobre isso, portanto aproveite isso enquanto você pode.


Capítulo 19 - A Semana

"Tem certeza que você vai se sentir confortável aqui?"

Eu me virei para ver Alice na porta do sótão, seus braços cruzados sobre o peito enquanto eu descompactava as poucas coisas que Edward tinha trazido pela manhã.

Eu estava sentada no chão ao lado da pequena cama no sótão de feno do celeiro. O espaço era dividido ao meio, com uma porta que conduzia do quarto improvisado para o feno e para a escada para descer. Eu sentia como se estivesse em uma cama de beliche gigante com seis cavalos dormindo na cama de baixo.

Alice e Jasper haviam construído o galpão primeiro e tinham ficado no sótão enquanto eles construíam sua cabana. Quando Alice tinha me contado a história, eu ri de como tudo parecia contrário, construir uma casa como um anexo de um celeiro.

"Isso está ótimo." Assegurei-lhe com um sorriso.

Ela suspirou e caminhou pelo chão, estatelando-se na cama atrás de mim.

"Bem, é quente e há um banheiro e você vai ter sua privacidade então..." Alice respondeu sem entusiasmo, gesticulando em torno do pequeno quarto escondido no segundo andar do celeiro. O cheiro de feno permeava tudo. Achei estranhamente reconfortante.

Eu a cortei, agradecida, "Não posso lhe agradecer o suficiente, Alice".

Alice parecia estar querendo negar meu agradecimento, mas se conteve. Em vez disso, ela colocou a mão calorosamente em meu ombro.

"De nada." Ela assentiu com firmeza, aceitando os meus agradecimentos graciosamente.

Sorri um pouco mais e me voltei para a roupa que eu tinha diante de mim no chão. Sentei-me, de pernas cruzadas, examinando o que Edward tinha trazido: alguns pares de jeans, um punhado de camisas, meu casaco grande, sapatos que seriam inúteis para usar do lado de fora, roupa íntima e minha escova de dentes. Eu queria tanto estar irritada por ele ter ido ao meu quarto e mexido nas minhas coisas, mas quando olhei para todas as minhas coisas espalhadas diante de mim, tudo o que eu pude sentir foi um calor estranho no meu peito

"Você precisa de mais alguma coisa?" Alice perguntou, olhando-me examinar minhas coisas.

"Eu acho que não".

Segunda-feira me encontrei de jeans e um casaco grande, jogando fardos de feno do sótão e descendo trôpega as escadas com as botas de Jasper. Alice esperou por mim na parte inferior, latindo ordens bem-humorada e rindo da minha expressão azeda.

"Os cavalos precisam de café da manhã, Bella." Ela riu quando cheguei ao chão e me virei para encará-la, dobrando os braços sobre o peito.

"As pessoas precisam dormir, Alice." Eu respondi.

Alice estendeu a mão e me deu um tapinha nas costas, me empurrando para a frente. "Vamos lá. Se você está morando aqui, você está trabalhando aqui".

Eu queria chorar de alívio.

Alice era amável, ela era amigável, e ela estava me dizendo exatamente o que era esperado de mim. Ela não ficaria ressentida da minha presença porque ela tinha definido os termos. Ela não me permitiria ser inútil porque ela estava disposta a me ensinar. Eu não estava acostumada com pessoas esperando que eu fizesse as coisas, me procurando para ajudar. O fato de que Alice fez isso depois de dois dias era uma coisa que eu achei um pouco bizarra e completamente refrescante.

Levantei o fardo de feno sem dizer uma palavra e o levei para o campo atrás de Alice enquanto ela girava e dançava na neve à minha frente.

Quando terminei de espalhar o feno uniformemente ao longo da linha da cerca, Alice agarrou meu braço levemente e me guiou de volta para o celeiro. Ela puxou um carrinho de mão para fora sob a varanda e pegou um tridente que estava encostado contra a parede.

"Agora." Ela disse, entregando-me o tridente. "Vamos ensiná-la a recolher o adubo* do celeiro".

*Nesse caso, ela se refere as fezes dos animais, que são usadas como meio de fertilizar a terra.

Eu parei de andar a meio-passo e olhei para Alice, incrédula.

"Adubo?" Eu perguntei, os olhos arregalados. "Quer dizer... limpá-los?"

Alice riu da minha expressão e puxou o meu braço novamente. "Não seja tão esnobe, Bella." Ela brincou.

"Eu não estou tentando..." Eu balbuciei, sem querer dar-lhe a impressão errada. "Eu não acho que serei boa nisso. Eu mal posso arrumar meu quarto".

"Bem, para sua sorte, os quartos dos cavalos são muito mais simples." Alice sorriu.

Observei quando ela caminhou para os boxes, abrindo todas as portas e segurando-as abertas. Ela acenou-me para o primeiro box e eu empurrei o carrinho de mão pelo caminho semi-usado na neve.

Alice pegou o tridente de mim e explicou como limpar o box, demonstrando com facilidade, rapidez e praticidade. Ela fez parecer tão fácil, separando o limpo do sujo, molhado do seco. Quando ela colocou o tridente na minha mão, entrei no box confiante, pronta para tentar.

O trabalho era uma árdua e difícil repetição que eu não estava acostumada. Meus braços deram cãibras e ficaram doloridos, eu podia sentir as bolhas se formando onde eu estava segurando o cabo do tridente, e pareceu-me demorar uma eternidade procurar a sujeira e limpar tudo, peneirando as serragens limpas enquanto eu passava.

Ainda assim, havia algo estranhamente satisfatório sobre terminar cada box. Era a mesma sensação que eu tive quando eu tinha visto Edward comer minha refeição pela primeira vez. Era como se algo que eu tivesse feito, algo que eu tinha trabalhado, tivesse feito a diferença.

Eu estava aqui.

Eu importava.

Depois que terminamos nossas tarefas na terça-feira, Alice decidiu que faríamos uma refeição caseira para o jantar. O jeito que ela jogou as coisas dos armários em cima do balcão, recolhendo ingredientes de todos os cantos da cozinha, fez parecer como se fosse uma manhã de Ação de Graças.

"Eu nunca cozinhei antes", eu admiti, olhando para a propagação no balcão em frente a mim. "Não até que eu vim para cá e tive que fazer".

Alice ergueu as sobrancelhas e me passou um descascador. "Sério?"

Ela acenou para as batatas e começou a misturar uma marinada. Olhei para os legumes por um momento antes de levá-los até perto do lixo e comece a descascar a pele ao redor.

"Aqui." Alice pegou uma panela grande e caminhou até a pia. Ela a encheu com água fria e depois a colocou ao meu lado. "Coloque-os aqui quando terminar de descascá-los".

Então ela voltou para onde ela tinha começado a mistura de especiarias e óleos em uma tigela pequena, sem uma receita ou qualquer tipo de direcionamento.

Eu assisti por um momento enquanto ela jogou uma pitada disso ou daquilo, parando apenas para ler os rótulos e olhá-los com cuidado antes de afastá-los ou usá-los livremente.

Ela era tão livre.

"Então, se você não cozinhava, o que vocês comiam?" Alice perguntou abruptamente.

Dei de ombros, voltando às minhas batatas. "Nós saíamos... ou encomendávamos comida".

Alice sorriu e pareceu se divertir ao invés de estar surpresa.

"Eu era desse jeito, antes." Ela disse, ainda sorrindo. Fiz uma pausa e olhei para ela com curiosidade. Ela elaborou, "Você sabe, contra essas baboseiras domésticas. Mas... isso meio que cresceu em mim".

Olhei para Alice com curiosidade.

Eu conhecia tantas pessoas no extremo oposto do espectro. Aqueles que estavam enojados pela minha falta de conhecimento, que sentiam que era meu trabalho cuidar da casa, cozinhar e limpar e ter alegria em fazê-lo. E depois havia aqueles que achavam que seria uma vergonha se eu fizesse isso, que o feminismo poderia muito bem não ter acontecido se eu me submetesse a um homem, me deixasse ser regida, me forçando a me encaixar no estereótipo.

Eu tinha certeza que eu nunca tinha conhecido alguém como Alice.

Ela construiu a linha tão facilmente, me dizendo sem dizer as palavras que de qualquer forma estava certa, que ser incapaz de cozinhar não era constrangedor e aprender a cozinhar não era ser submissa.

Eu daria tudo para ver o mundo, para ver tudo, através dos seus olhos.

Para ela, as pessoas eram criadas para fazer o que as fazia feliz.

E quando olhei para ela - me esforcei para descobrir o que a fazia tão singular, tentei definir por que eu gostava tanto dela, refletindo sobre a forma como ela era intransigentemente boa - eu entendi alguma coisa sobre ela.

"Você gosta de cuidar das pessoas." Afirmei, não me incomodando que a frase soasse como uma pergunta. "Isso faz você feliz".

"Claro." Alice deu de ombros com facilidade, embora eu pudesse dizer que ela estava confusa quanto ao meu comentário, de onde estava vindo.

"Você está tomando conta de mim." Eu expliquei, minha voz soltando um sussurro quando eu senti o início da vergonha subindo.

Os olhos de Alice estalaram para cima para encontrar os meus.

"Eu estou apenas te ajudando um pouco." Ela disse com firmeza, sorrindo e balançando a cabeça. Então ela acenou para as batatas que eu estava quase terminando. "Você está cuidando de si mesma".

Olhei para o descascador, a bobina de casca ainda ligada a ele. Estendi a mão e arranquei-a fora, jogando-a na lata de lixo abaixo de mim.

"Não." Eu disse calmamente. Então encontrei os olhos de Alice novamente. "Mas eu quero aprender".

Sentei na minha cadeira, remexendo e correndo os dedos sobre a borda da caneca de café. Puxei minha camisa, as pontas do meu cabelo, e olhei em toda parte, menos diretamente nos olhos amáveis do outro lado da mesa.

"Estou tão feliz que você tenha conseguido vir, querida." Esme disse suavemente, com um sorriso. Ela tomou um gole do seu próprio café enquanto fez sinal para a cidade ao seu redor.

Na quarta-feira, Alice tinha me acordado animada e sugerido que eu viesse para a cidade com ela para visitar Esme enquanto ela estivesse trabalhando. Enquanto nos dirigíamos para Colorado Springs, balançando e rapidamente em seu jipe amarelo, Alice me disse que trabalhava como voluntária na clínica gratuita da cidade umas duas vezes por semana.

Passeando na cidade ao lado dela, eu pensei que seria desconfortável. Eu costumava revirar meus olhos para pessoas como Alice. A coisa era, cada vez mais eu estava começando a perceber que não havia pessoas como Alice. Elas simplesmente não existiam.

O jeito que ela ajudava, o jeito que ela falava comigo e cuidava dos seus cavalos e explicava o trabalho que ela fazia na clínica... não havia nada de pretensioso ou elitista sobre isso. Ela não fazia nada porque ela sentia que deveria, não fazia nada para que ela ficasse bem, ou fosse boa aos olhos dos outros. Não havia julgamento para pessoas que não eram caridosas. Ela não se via como sendo gentil, melhor, ou moralmente superior a ninguém.

Tudo o que ela fazia, ela fazia porque gostava de fazê-lo. E era impossível para mim imaginar até mesmo amar uma coisa do jeito que ela amava tudo.

"Bem." Eu disse, ainda não tocando meu café. "Alice tinha que ir trabalhar, então ela me ofereceu uma carona".

Esme assentiu com a cabeça e respondeu, "Estou tão feliz que você esteja se tornando amiga dela. Ela é uma mulher maravilhosa".

"A melhor." Concordei baixinho.

"E você está ficando com ela?" Esme perguntou, sua voz cuidadosa, leve, soando apenas casualmente interessada.

Meus olhos se arregalaram e senti minhas entranhas se contorcerem com medo e choque.

Esme estava me olhando curiosamente, nenhum indício de acusação ou de raiva em seu rosto. Ela não parecia surpresa, ou ofendida, ou traída.

"C-como você...?" Eu balbuciei, enfim.

"Edward foi para minha casa um par de vezes em poucos dias." Esme explicou com um encolher de ombros. Então ela me olhou intensamente, seus olhos segurando os meus. "Ele mencionou que vocês dois tiveram uma briga".

"Ele te disse isso?" Eu sussurrei, chocada.

Depois de todo o segredo, após todas as mentiras cuidadosas, o dolo e a culpa, ele tinha dito a ela.

Esme assentiu com a cabeça, olhando para a caneca, colocando as mãos em torno dela com cuidado antes de olhar de volta para mim. "Você está bem?" Sua pergunta foi muito tranquila.

"Estou bem." Eu disse reflexivamente, surpresa ao descobrir que não parecia como se eu estivesse mentindo.

Esme sorriu e acenou com a cabeça, parecendo aliviada.

Um silêncio constrangedor desceu e tomei um gole de café. Estava morno e forte, deixando o amargo travando na minha língua.

Esme nunca mais olhou para longe de mim nenhuma vez.

Após alguns minutos, ela continuou, "Ouça, eu entendo que eu não sei tudo sobre seu relacionamento com meu filho, que eu só a vi um punhado de vezes. Faz anos desde que vi você antes e eu não quero presumir que eu conheça você..." Ela parou e pela primeira vez eu pude ver um clarão de insegurança em seus olhos.

"Eu quero isso." Eu disse calmamente, sem pensar.

A testa de Esme franziu um pouco com confusão. "Quer o quê?"

Fiz uma pausa, sabendo que eu não seria capaz de voltar atrás e agora quase certa de que eu não queria. O jeito que ela olhava para mim, o jeito que ela estava olhando para mim agora, me forçou a responder a ela.

"Eu quero que você me conheça." Eu disse claramente, com um encolher de ombros.

Um belo sorriso se espalhou lentamente em seu rosto, seus olhos calmos e maternos. Eu tinha certeza de que minha mãe nunca tinha olhado para mim de tal maneira.

"Eu adoraria tentar." Esme me disse.

Rasguei os meus olhos para longe dela, fixando-os na madeira da mesa na minha frente.

"Eu queria que você não tentasse." Respondi.

Esme ficou em silêncio e eu não pude me fazer olhar para ela. Não pude ver a simpatia, ou a confusão, ou o carinho lá, sabendo que eu não merecia isso, sabendo que eu não poderia lhe dar as respostas que ela queria porque eu era egoísta. Como Alice, eu não queria que ela parasse de olhar para mim como se eu fosse alguém que valia a pena conhecer.

E ela iria. Eu sabia que ela iria.

Senti meus olhos picarem com lágrimas indesejadas e lutei para segurá-las, engolindo-as e mantendo a cabeça abaixada.

De repente, a mão de Esme estava acondicionada em torno das minhas e ela as estava apertando.

Eu não olhei para cima.

"Ele me odeia." Eu rosnei, sentindo a frustração e a desesperança subindo para a superfície. "Ele simplesmente... não quer ter nada comigo".

Alice bufou ao meu lado, "Não seja ridícula".

Nós olhamos uma para a outra por um momento antes de eu me virar para olhar para o cavalo vermelho na minha frente.

Era quinta-feira, e depois de quase uma semana de tarefas - limpar esterco e espalhar feno e andar para dentro e andar para fora - eu tinha me tornado quase digna da manipular todos os cavalos.

Roswell, o primeiro cavalo que eu já tinha tocado, permaneceu sempre educado e fácil. Alice me ensinou como lidar com sua pequena Jesse cinza, que era mais animada, mas que - como Alice - era gentil e disposta. O caramelo com pintas brancas de Jasper, Dash, era tão tranquilo e fácil de lidar como ele. O preto grande Dollar era o favorito de Carlisle e o dourado Zoë era doce e bem-humorado.

Eu me sentia confortável liderando todos eles, alimentando-os, caminhando ao lado deles, acariciando seus grossos pêlos macios de casacos de inverno. Eu gostava de ouvi-los arrebentar no feno em suas tendas à noite, quando eu perdia o sono, tentando dormir.

Eu estava começando a pensar que eles me reconheciam também. Suas orelhas levantariam quando me viam, se eles estavam com fome eles relinchariam alegremente, sabendo que eu os alimentaria. Todos pareciam confortáveis ao meu redor.

Todos, exceto Santana.

Sua pelagem era de um vermelho vibrante chocante que sempre brilhava o ouro e cobre à luz do sol. Ele tinha uma chama brilhante de branco na frente da cara e todas as suas quatro patas eram brancas até os joelhos. Ele era alguns centímetros mais alto do que os outros cavalos, suas pernas eram longas e magras, e quando ele corria parecia engolir o chão em ondas.

E ele me odiava.

Ele chutaria o box quando eu descia a escada para alimentá-los, ele dançaria em volta de mim em círculos quando eu tentaria levá-lo para os campos. Ele jogaria sua cabeça para o ar, muito alto para eu conseguir alcançar, e bufava e sapateava. Era era todo vida e fogo em seus pés, selvagem e furioso.

Alice colocou a mão no meu ombro de maneira encorajadora. "Para que ele te odeie, ele realmente teria que se importar o suficiente para notá-la." Ela sorriu timidamente, "O que ele não faz".

Eu fiz uma carranca para Alice. Ele gostava dela.

"Puxa, obrigada." Eu disse secamente, fechando a porta do box enquanto Santana mascava em seu feno passivamente, sem realmente prestar atenção a qualquer uma de nós.

Alice prendeu o braço no meu quando fizemos o nosso caminho de volta para a casa. "Dê-lhe algum tempo para se aproximar".

Revirei os olhos enquanto eu puxei minha bota dos meus pés, arremessando-a ao lado da porta da frente e andando para a cabana, sentindo a rejeição.

Suspirei quando me sentei à mesa da cozinha, Alice seguindo atrás de mim e colapsando ao meu lado, sorrindo para mim encorajando-me. Resisti à vontade de mostrar a língua para ela.

Nós duas olhamos para cima quando ouvimos passos descendo as escadas. Jasper entrou na pequena cozinha, segurando uma bolsa preta que eu reconheci.

"O que é isso?" Alice perguntou quando eu senti minha garganta secar levemente.

Jasper estava olhando para mim quando ele se aproximou e a colocou sobre a mesa na minha frente. Então ele se virou para a esposa, colocando a mão em seu ombro, quando ele explicou, "Edward veio aqui esta tarde, enquanto vocês estavam fora. Ele trouxe mais roupa para Bella, disse que não tinha certeza de quanto tempo ela ficaria aqui e se ela tinha roupas suficientes".

Eu podia sentir os olhos de Alice queimando em mim enquanto eu olhava para a bolsa, evitando o olhar dela.

Sua voz estava calma quando ela disse, "Bem, isso foi legal da parte dele".

Olhei para ela e forcei um sorriso no meu rosto. "Sim, foi".

Depois de falar com Alice e Jasper um pouco mais, desculpei-me, atirando a bolsa em cima do meu ombro enquanto eu subia a escada para o sótão. Sentei-me na minha cama quando eu a abri, puxando cada peça de roupa lentamente e as colocando ao meu lado.

Tudo o que eu conseguia pensar era em Edward procurando roupas no meu quarto; Edward vindo aqui; Edward indo trabalhar e comendo sozinho e dormindo naquele mesmo quarto sujo e caótico.

Tudo o que eu conseguia pensar era em Edward, pensando em mim.

Assim que eu tinha tirado toda a roupa para fora, olhei para o fundo da bolsa para ver um novo par de botas.

Na sexta-feira, Alice sacudiu-me para acordar um pouco mais tarde do que ela costumava. Ela estava coberta com feno e seu cabelo estava selvagem e varrido pelo vento enquanto ela sorria para mim.

"Você já cuidou dos cavalos?" Eu perguntei, surpresa.

Ela sorriu e acenou com a cabeça, "Bem, eu tenho um favor gigante a pedir e eu meio que queria amolecer você primeiro".

"Deixando-me dormir?" Eu perguntei, olhando para o sol que brilhava através das janelas e depois para o meu relógio, vendo a hora com surpresa.

Ela assentiu com a cabeça.

"Bem, isso funcionou. Eu te amo." Eu sorri, brincando. "O que você precisa?"

"Bem." Alice começou hesitantemente, torcendo as mãos no colo e golpeando seus cílios para mim. "Jasper e eu estávamos pensando em viajar no fim de semana e eu queria saber se você se sentiria confortável em cuidar dos cavalos, enquanto estivermos fora".

Minha boca caiu aberta.

"Alice... eu não sei..." Eu gaguejei, chocada. "Eu não acho que eu posso..."

"Você pode." Alice disse com firmeza.

"E quanto a Santana?"

"O que há com ele?" Ela exigiu, não dando um centímetro à minha insegurança.

Olhei para ela, o pedido em seus olhos e a firme confiança na minha capacidade e pude sentir um aumento repentino dentro de mim, um desejo de provar que eu poderia fazer isso, uma vontade de retribuir a sua bondade – apenas um pouco - com um favor.

"Claro que eu farei isso." Tentei dizer com força, minha voz oscilando levemente. Então eu acrescentei com um sorriso, "Eu já te devo muito".

Alice pegou o meu comentário no ar e eu assisti todo o seu rosto se iluminar. Antes que eu pudesse reagir, ela havia lançado os braços ao redor do meu pescoço e estava me apertando com força.

"Obrigada, Bella!"

Resisti à vontade de endurecer contra o contato e me forcei a relaxar no seu abraço. Assim que eu levantei meus braços para colocá-los em torno das suas costas, ela foi se afastando, ainda sorrindo para mim loucamente.

"Então." Eu disse, sentindo em meu rosto um ligeiro aquecimento em sua demonstração inesperada de gratidão. "Para onde vocês estão indo?"

"Nós vamos para o Texas para visitar a família de Jasper." Alice respondeu, aparentemente sem conhecimento do meu desconforto. "Nós temos sido capazes de vê-los já faz muito tempo. Carlisle costumava observar os cavalos quando viajávamos, mas quando ele ficou doente..."

Sua voz foi sumindo e eu vi a tristeza fluir no olhar distante em seu rosto, como ela fazia toda vez que mencionava o pai de Edward.

"Parece que vai ser muito divertido, Alice." Eu disse calmamente, tentando fazer a minha voz parecer alegre.

Alice piscou para mim por um momento, depois sorriu agradecida.

"Eu espero." Ela concordou.

Ficamos em silêncio por um momento, e eu me esforcei para pensar em algo para lhe dizer. Era tão fácil conversar com ela, escovar suas mãos, abraçá-la, confiar nela, quando estávamos do lado de fora. Quando estávamos ocupadas e trabalhando e eu não podia ficar presa em minha própria cabeça.

Como de costume, foi Alice quem falou primeiro.

"Você tem família, Bella?" Ela me perguntou com curiosidade.

"Bem, eu sou filha única, por isso é uma família muito pequena." Dei de ombros sem me comprometer. "Mas os meus pais ainda estão vivos, sim".

Alice balançou a cabeça pensativamente e eu podia ver as rodas girando em sua mente. Eu já tinha me preparado, quando ela finalmente perguntou, "Eles sabem o que está acontecendo com você e Edward?"

Eu ri sem graça, "Nem eu mesma sei o que está acontecendo comigo e Edward".

Alice balançou a cabeça, "Isso não é o que eu quis dizer".

"Eu sei." Eu suspirei. Então, "Eu não acho que eles sequer sabem onde eu estou".

Alice pegou essa informação com uma expressão incisivamente neutra, fazendo-me desejar que eu soubesse o que ela estava pensando.

Após alguns segundos, ela perguntou: "E onde estão eles?"

"Meu pai ainda vive em Forks." Eu disse a ela. Hesitei um pouco antes de continuar, "Assim que eu fui para a faculdade, minha mãe o deixou".

"Você sabe por quê?" Alice quis saber.

"Ela me disse um milhão de vezes que ela só estava ficando lá porque sentia que tinha que ficar. Eu era a única coisa que a deteve de fazer o que ela queria." Eu podia sentir meus olhos começarem a picar e eu os limpei, frustrada, não querendo chorar por aquela mulher. "Acho que ela pensou que estava fazendo um favor a todos nós ficando distante".

"Onde ela está agora?"

"Ela se casou novamente com algum jogador de beisebol com quem ela estava tendo um caso há anos." Eu disse amargamente. "Ela fica viajando com ele agora".

Alice olhou para mim com compaixão e sem piedade. Eu não sei como ela conseguia isso, mas eu podia senti-la ali, ouvindo e se importando como eu sempre quis que alguém fizesse. Se Edward alguma vez se importou, eu não tinha me permitido acreditar nele.

"Você não fala com seu pai?"

Eu balancei minha cabeça. "Eu acho que não tenho nada a dizer a ele".

"Vocês não se dão bem?"

"Na verdade, nos damos muito bem." Eu disse a ela. "Ou, nós costumávamos... quando eu era mais jovem".

"O que aconteceu?"

"Eu..." Eu parei por um momento. "Eu não sei".

"E você não pode ir até ele agora?" Alice perguntou.

Fiquei em silêncio por um momento.

Eu não tinha pensado sobre Charlie por muito tempo. Eu não tinha pensado sobre vê-lo, nem em visitá-lo. Eu tinha me afastado do meu pai. Eu provavelmente ainda me afastava. Mas o pensamento de ir para casa, de vê-lo, de permanecer com ele, dizer a ele sobre Edward e sobre o que tinha acontecido... Eu podia sentir a bile subindo na minha garganta.

Então, eu finalmente consegui botar pra fora, "Não. Não, eu não posso ir até ele".

Pela primeira vez desde que eu tinha chegado aqui, eu tinha dito uma mentira a Alice.

Eu sabia o que tinha acontecido.

Eu sabia por que eu não poderia voltar para o meu pai, por que eu não podia vê-lo, por que - embora nós nos déssemos bem, mesmo que ele me amasse mais do que alguém jamais amaria - eu não podia me fazer enfrentá-lo.

Eu era Renée.


Nota da Irene: Oi meninas, quase fui dormir sem postar... corri aqui pra não deixar pra amanHã. Hahahaha. Bem... esse capítulo foi mais tranquilo... e eu estou tentando traduzir mais e mais capítulos para chegar logo a parte que me deixa de pernas bambas. A Bella me deixa com um caroço na garganta. Essa coisa toda de ela achar que não pode recorrer a ninguem me mata. Ela acabou se fazendo prisioneira do Ed por medo de ficar sozinha. Ainda bem que a Alice está ajudando ela a ver tudo diferente. Ah meninas... o EPOV que ela fala é do capítulo 21. Então espero reviews de vcs para postar o EPOV e BPOV... Senão será o BPOV e na outra semana o EPOV... kkkk. Beijos