Disclaimer: Stephenie Meyer é dona de tudo. Eu estou apenas brincando.
Capítulo 20 - O Convite
Era o primeiro dia claro em quase uma semana. O vento estava soprando forte e feroz, mordendo meus dedos nus em volta de madeira. Eu tremia contra o frio, olhando para o céu sem nuvens enquanto o último raiar da luz do sol desaparecia na distância. O céu estava pintado com chamas de cores vibrantes: roxas, azuis e um vermelho brilhante e chocante. O sol era forte contra a paz da paisagem.
Sentei-me, empoleirada em cima da cerca verde, observando e ouvindo e esperando e pensando que essa era a primeira vez que eu tinha ficado verdadeiramente sozinha desde... eu não conseguia me lembrar desde quando. De onde eu estava, eu podia ver em cima da colina a casa da fazenda, escura e vazia. Havia uma única luz que brilhava através de uma das janelas do que eu assumi ser o banheiro. Eu me perguntava se ele estava em casa. Não havia nenhuma outra luz acesa.
Olhei para os meus pés, interligados com as ripas de madeira da cerca para ajudar a manter o meu equilíbrio, e sorri levemente para as confortáveis botas novas, que tinham mantido os meus pés quentes durante toda a semana.
Alice e Jasper haviam saído há dois dias e estariam retornando amanhã de manhã bem cedo. Eles tinham me ligado duas vezes no sábado e mais duas vezes hoje para me checar, para perguntar sobre os cavalos e para se certificar de que eu tinha tudo que precisava. Era uma pequena conexão, mas eu nunca me senti solitária. Eles confiavam em mim e se importavam se eu estava segura, mas eles não estavam me mimando. Eles não tinham adiado sua viagem para ficar e me sufocar com bondade e preocupação. Em vez disso, eles tinham transformado a minha presença em uma oportunidade. Eu não conseguia acreditar em como isso era incrivelmente libertador.
Tudo tinha corrido bem e sem qualquer incidente grave. Eu alimentei os cavalos na parte da manhã, ao meio-dia e à noite. Limpei suas barracas, arrumei o pequeno celeiro, tive a certeza de que o sótão estivesse impecável e organizado. Depois dos cavalos estarem alimentados e limpos, eu iria para a cabana e faria algo para eu comer, comendo minha refeição em silêncio e contentamento. Não havia tensão, nem medo e nem brigas.
Pela primeira vez na minha vida, a solidão pareceu me atingir.
Havia alguma coisa faltando, no entanto. Havia algum sentimento persistente que eu perceberia quando eu estava fazendo o jantar, ou andando do lado de fora, ou quando fui dormir na noite de sábado. Sentada em cima da cerca, olhando para a casa da fazenda, eu sabia o que era.
Edward.
Eu não sentia falta dele. Eu não estava preocupada com ele. Eu não queria vê-lo, ou falar com ele, ou visitá-lo, ou cuidar dele. Não era nada que eu pudesse definir. Eu pensaria nele de vez em quando e... imaginaria. Havia tantas perguntas sem respostas, tantas coisas ainda não ditas. Por que ele tinha me trazido para cá, por que ele tinha me ignorado, por que ele tinha brigado comigo, por que ele tinha me jogado para fora. O que ele queria.
Eu podia senti-lo, escondido um pouco abaixo da superfície. Não uma presença constante, mas certamente uma recorrente. Eu podia sentir meu desejo, minha necessidade de compreendê-lo mais me lavando em ondas e caindo para a frente novamente e novamente. Em todos os nossos anos juntos, mesmo quando eu o conheci, eu nunca tinha sentido esta curiosidade incrível, esse interesse.
Eu me importava.
Eu me importava com quem ele era e no que ele havia se tornado e com o que eu tinha feito para ele e o que o levou até ali. Eu me importava com o por que de ele ter me jogado para fora de casa e por que ele tinha me convidado para voltar. Eu me preocupava com ele. Mas eu não podia entendê-lo.
Ouvi um ronco baixo e, em seguida, houve um hálito quente caindo sobre minhas mãos frias de repente. Pisquei, forçando-me a sair dos meus pensamentos com um aceno de cabeça. A luz tinha desaparecido quase completamente, mas eu ainda podia ver a grande forma na minha frente, o último dos raios do sol ricocheteando em uma manta vermelha profunda.
"Ei, Santana." Eu disse, mantendo a voz baixa e suave, tentando não parecer nervosa.
O resto dos cavalos estava do lado de dentro, mastigando alegremente sobre o feno em suas tendas. Eu costumava levar Santana por último porque ele era o mais difícil. Esta noite, porém, eu tinha decidido me sentar com ele por algum tempo antes que nós nos dirigíssemos de volta ao celeiro. Ele havia passeado pelo campo sozinho por quase uma hora, escovando por mim de vez em quando enquanto eu esperava em cima da cerca para que o sol finalmente desaparecesse.
Eu podia sentir meu coração batendo um pouco acelerado quando eu olhei ao redor no chão atrás de mim para a sua cabeça, sabendo que eu teria que pegá-lo em breve.
Eu podia me lembrar das palavras de Alice de conforto antes de ela partir, tentando aliviar os meus medos: "Santana é um bom cavalo. Ele não é selvagem, ele não está ferido, ele não está querendo matá-la, ou quebrá-la, ou dificultar sua vida. Ele é só um pouco mais... complexo do que os outros. E você não conhece o suficiente sobre ele ainda para entender como ele é".
Eu nunca tinha sido menos confortada na minha vida.
Os últimos dias foram gerenciáveis. Ele continuaria andando em círculos em volta de mim sempre que eu tentava levá-lo a qualquer lugar. Ele se levantava e daria coices quando ele estava impaciente com a minha trapalhada. E quando eu puxasse sua cabeça para fora do campo, ele corria para longe de mim, malditamente quase arrancando o meu braço com ele.
Ainda assim, eu estava começando a ver o que Alice quis dizer.
Quando ele corria de mim, ele parava depois de alguns passos, como se ele estivesse apenas tentando fazer um ponto. Quando ele dava coices e pulava, nunca havia qualquer significado em seus olhos. Suas orelhas levantariam para a frente quando ele queria brincar, seus perigosos cascos nunca nem sequer perto de se conectarem com qualquer coisa exceto o ar. E quando ele andava em círculos, era porque eu estava andando muito devagar porque seu passo era muito maior que o meu. E eu tinha que correr para alcançá-lo. Eu não sabia como pedir a ele para ir mais devagar.
Estendi a minha mão para afagar seu nariz levemente. Ele puxou a cabeça para trás. Não com violência, nem com repulsa, mas com um simples e tranquilo movimento para longe do contato. Alice me disse que ele nunca permitia que as pessoas tocassem seu rosto, pois ele tinha sido maltratado pelo seu antigo dono, e ela só tinha alguma vez tocado seu nariz quando ele o pressionou na mão dela por si mesmo.
Com um sorriso triste, eu suspirei e pulei para fora da cerca. Ele ficou parado, olhando para mim quando eu inclinei-me e levantei o arreio do chão. Levei um minuto para desembaraçar a confusão, a neve presa à corda queimava minhas mãos enquanto eu separava a liderança do resto do cabresto. Quando eu finalmente tinha arrumado tudo, eu olhei de volta para Santana.
A luz tinha desaparecido completamente agora, e ele era simplesmente uma forma que aparecia no escuro. Estendi minha mão e a coloquei sobre a pele quente do seu pescoço. Ele levantou a cabeça um pouco para me ver quando eu deslizei minha mão até seu pescoço, através da sua juba, e mais para o outro lado, pegando o cabresto. Eu afrouxei em torno do seu nariz delicadamente, sorrindo quando ele manteve a cabeça baixa o suficiente para eu alcançá-lo. Minha cabeça não conseguiu nem mesmo chegar ao topo das suas costas, e quando ele levantou seu pescoço, ele ficou quase impossível de travar.
Ele era sempre mais agradável na hora do jantar.
Amarrei o nó da cabeça contra seu rosto e aticei uma linha mais longa no seu pescoço com toda minha mão. Ele sacudiu a cabeça ligeiramente e olhou para mim, seus olhos castanhos parecendo negros no escuro.
"Pronto para ir?" Perguntei a ele estupidamente.
Sem esperar, tentando caminhar com confiança, abri o portão para o campo e o levei para fora comigo. Nós escolhemos o nosso caminho até o celeiro através da neve com o vento que continuava com duras chicotadas na minha jaqueta, embolando meu cabelo e fazendo minhas bochechas e meu nariz ficarem dormentes. Eu tremi e andei um pouco mais rápido.
Santana era uma presença desmedida ao meu lado, abaixando a cabeça um pouco contra o vento, se movendo num ritmo que eu não conseguia acompanhar. Cada um dos seus passos era maior do que o último e antes que eu percebesse, ele estava praticamente me arrastando até o celeiro. Eu o segui, rindo, impotente enquanto marchamos até a porta da tenda e ficando na frente dela explicitamente. Ele balançou sua grande cabeça ao redor para olhar para mim, claramente querendo ficar longe do vento.
Eu sorri e acariciei seu pescoço mais uma vez antes de abrir a trava na sua porta e escancará-la. Ele não hesitou antes de entrar na barraca limpa e mergulhar na pilha de feno em um canto. Eu o segui, fechando a porta atrás de mim. Escorreguei sua focinheira fora e mexi no escuro enquanto eu a pendurava no gancho.
"Deveria ter se lembrado de ligar a luz do celeiro antes de escurecer, hein?" Eu perguntei retoricamente quando eu andei passando pela barraca de Jesse. Ela relinchou baixinho, como se concordasse comigo.
Cheguei à parede oposta do pequeno celeiro e liguei o interruptor.
Nada aconteceu.
Praguejando, eu mexi o interruptor para cima e para baixo, como se fosse ajudar de alguma forma. Eu não tinha idéia de onde Alice e Jasper mantinham as lâmpadas reservas, mas eu só podia imaginar que estariam na cabana. Enfim, eu não seria capaz de substituí-las até de manhã. Eu, a pessoa mais desajeitada que eu já conheci, escalando uma escada sem corrimão em uma noite de vento e escura e tentando trocar uma lâmpada? Isso não poderia terminar bem.
Eu ri um pouco com o pensamento enquanto tateei ao longo da parede traseira até minhas mãos atingirem os primeiros degraus da escada de madeira que levava ao sótão. Eu me arrastei até a sala do feno, que era igualmente sombria e muito mais alta, o vento uivava e vociferava contra o telhado. Abri a porta do meu quarto e puxei o cordão da luz em cima de mim.
Nada aconteceu.
"Puta merda." Eu cuspi sob minha respiração. Mesmo no escuro, eu podia ver o calor da palavra se elevando em ondas de fumaça da minha boca. Eu estava congelando.
A luz tinha ido embora.
Ouvi o vento em fúria lá fora, imaginando que ele devia ter batido em alguma coisa solta, ou entrado em curto-circuito enquanto girava ao redor furiosamente. Tremi um pouco na minha jaqueta, sabendo que eu nunca seria capaz de dormir hoje à noite no celeiro se eu quisesse evitar congelar até a morte.
Eu rapidamente fiz meu caminho de volta para baixo pela escada e corri para fora, ao redor do celeiro para a frente da cabana. Subi os degraus da varanda e empurrei a porta da frente sem hesitação. Não estava muito mais quente do lado de dentro. Eu podia sentir a temperatura cair um pouco a cada minuto que o sol ia embora, o vento parecendo muito mais violento no escuro.
Tentei acender todas as luzes na cabana antes de desabar na cama de Jasper e Alice com um mau humor de frustração. Eu não tinha idéia do que fazer.
Eu poderia acender o fogo, dormir ao lado da lareira em uma daquelas poltronas que eu estive na primeira noite que passei aqui. Eu sabia que isso me manteria aquecida. Mas eu não tinha certeza de que eu poderia mesmo acender ao fogo. Procurar por fósforos ou isqueiros em um lugar escuro e desconhecido demoraria um pouco. Imagens da cabana inteira sendo incendiada passavam pela minha cabeça, do meu cobertor pegando fogo enquanto eu dormia e queimava o meu corpo, Alice e Jasper retornando para uma casa em uma pilha fumegante de cinzas.
Eu podia sentir a agitação ligeira de pânico começar com a perspectiva de estar sozinha. Eu congelaria e morreria e eu estaria sozinha quando isso acontecesse. Eu tinha que ligar para Alice e dizer a ela o que tinha acontecido, perguntar a ela se havia geradores, ou... algo assim. Eu não tinha idéia do que nada disso significava, nenhuma idéia de como consertar. Talvez ela me dissesse como fazer. Então eu só teria que ficar a noite toda com a paranóia de ter certeza que eu não queimaria nada. Mas pelo menos eu estaria aquecida. E eu não morreria.
Peguei o telefone ao lado da cama.
Ele estava mudo.
Eu o bati de volta em sua base, meu coração batendo mais rapidamente quando pulei para os meus pés e comecei a andar para trás e para frente, lutando contra o pânico.
Sozinha. Sozinha. Sozinha. Sozinha.
De repente, meus olhos tremeram e eu corri para a janela, agarrando o parapeito como se ele fosse me salvar. Eu praticamente pressionei meu rosto contra o vidro e pisquei para a noite e para a escura casa da fazenda.
Aquela luz do pequeno banheiro ainda estava acesa, queimando na distância, como um farol.
Sem sequer parar para pensar sobre isso, eu fiz meu caminho descendo as escadas rapidamente e voltei para fora. Eu fui ao redor do celeiro, garantindo que as fechaduras das portas da tenda estavam fechadas uma última vez, verificando todos os cavalos para me certificar de que eles estavam contentes para a noite. Então eu me virei para encarar as montanhas e a casa além delas.
Comecei a andar com uma determinação feroz, a apreensão escapando fazendo arrastar cada passo até mesmo quando tentei manter minha cabeça corajosamente erguida.
Eu me perguntava o que eu diria a ele, se eu voltaria antes de chegar lá, ou se eu bateria na porta, ou se eu entraria como se eu nunca tivesse saído, ou se eu o ignoraria, ou se ele me ignoraria, se eu pediria pela ajuda dele, ou se eu pediria para passar a noite. Pediria para ficarmos bem.
Subi em cima da colina, meu corpo inteiro tenso contra o vento que estava muito forte, muito mais doloroso no topo. Olhei para trás para a cabana escura que tinha sido a minha casa pela última semana, que tinha parecido mais como uma verdadeira casa do que qualquer lugar que eu já tinha ficado. Ela não era nada sem Alice, eu percebi.
Virei as costas e continuei andando, descendo a colina até chegar à beira do jardim. Eu podia ver a árvore morta e perguntei-me se ela sobreviveria ao vento, ou se seria arrancada da terra pelas suas raízes secas.
Quando cheguei ao último degrau da varanda, eu parei de andar. Minha garganta estava completamente seca, meu coração martelando no meu peito. Eu não estava mais com frio.
Eu não tinha pensado em nada para dizer.
Lentamente, eu subi as escadas como se estivesse no meu caminho para ser executada.
E se ele tivesse mudado de idéia? E se ele não me quisesse mais aqui? E se ele quisesse que eu fosse embora? E se ele não se importasse se eu congelaria até a morte? Engoli com dificuldade, tentando imaginar o que eu faria se ele me mandasse embora. Eu imploraria?
Pressionei minha mão plana contra a porta da frente, com medo de bater. Ollhei para trás, hesitando, meus olhos caindo sobre a calçada vazia.
Ele não estava em casa.
Exalando alto, eu tentei a maçaneta e descobri que ela ainda estava desbloqueada. No meio do nada, com Alice e Jasper sendo as únicas pessoas por quilômetros, trancar a porta da frente nunca foi uma necessidade. Eu nunca tinha ficado tão agradecida pelo isolamento em minha vida.
Abri a porta ansiosamente e arrastei minha mão contra a parede à minha esquerda, procurando a luz do corredor.
Tudo estava iluminado, a luz vindo imediatamente em uma claridade animadora.
Eu ri de alívio quando empurrei a porta fechada atrás de mim, afastando o vento e me permitindo ser englobada no calor da casa. Olhei em volta, surpresa quando me senti confortada por estar de volta. Este lugar que tinha sido um tormento e uma prisão era agora um refúgio familiar. Eu não pude evitar de sentir-me de repente e completamente segura.
Eu entrei, tirando o casaco pesado e tirando as botas. Elas estavam molhadas, com neve e lama, então eu as trouxe para a sala dos fundos, a fim de secar. Coloquei uma toalha em baixo para que o chão não ficasse sujo.
Quando fiz meu caminho de volta através da cozinha, olhei para o relógio sobre o fogão. Era quase seis horas. Eu me perguntei se Edward estaria em casa logo, ou se ele passaria a noite na cidade com Rosalie e Esme. Tentei não me preocupar sobre isso, sobre o que aconteceria se ele me chutasse para fora e eu não tivesse para onde correr, dizendo-me que eu ia enfrentá-lo quando ele chegasse em casa.
Cavei na geladeira, procurando algo para comer. Estava totalmente vazia e senti uma ligeira dor de culpa quando pensei em Edward não comendo nada durante toda a semana. Eu sabia que não era a minha responsabilidade alimentá-lo, eu sabia que ele era um adulto que deveria e poderia cuidar de si mesmo e de suas próprias necessidades, mas ainda havia o desejo inexplicável de fazer isso por ele. Isso não tinha abrandado.
Consegui cavar um pouco de queijo e grelhá-lo sobre as duas partes da extremidade de um pedaço de pão. Envolvi metade dele em papel alumínio e o coloquei na geladeira antes de subir para o andar de cima para tomar uma ducha. A água quente ajudou a acalmar os meus ossos congelados e relaxar-me de forma significativa. Meus dedos das mãos e pés passaram de brancos para um vermelho irritado com o calor do spray.
Quando me enrolei numa toalha e fui para o meu quarto para pegar um pijama, eu pulei um pouco com o ar frio que me encontrou. Eu disparei e agarrei algumas roupas fora das minhas gavetas antes de correr de volta para fora. Não havia nenhuma maneira que eu conseguiria dormir lá esta noite.
Vesti-me no banheiro antes de voltar para baixo. Olhei o relógio novamente, era um pouco depois das oito.
Sentindo-me um pouco cansada após o estresse do dia, juntei alguns cobertores da sala e os arrastei para a biblioteca. Eu os coloquei em uma das poltronas, em seguida, fui até uma das prateleiras a escolhi um livro. Leitura, como regra, me fazia dormir rapidamente. Eu realmente nunca tinha gostado de ler. Corri meus dedos ao longo das capas dos livros, procurando algo que pudesse conquistar meu interesse.
Enquanto eu olhava, meu olho pegou na parede ao meu lado e a fileira de fotos alinhadas por cima da lareira preta ornamentada. Eu vi meu próprio rosto olhando de volta para mim e eu andei para mais perto curiosamente, desejando que as luzes da biblioteca não fossem tão velhas e fracas.
Era uma foto do dia do nosso casamento, uma foto que eu nunca tinha visto antes. Tracei meu dedo ao longo da moldura enquanto eu olhava para ela. Eu estava olhando diretamente para a câmera, feliz, mas não sorrindo. Eu parecia... satisfeita. Linda. Não havia nada sobre esse casamento que fosse indigno. Tinha sido perfeito e perfeitamente frio. Os braços de Edward estavam envolvidos ao redor de mim e seu rosto estava no meu cabelo. Talvez ele estivesse beijando o topo da minha cabeça, era difícil dizer. Sua expressão era ilegível, seus olhos fechados.
O fundo da imagem tinha dobrado um pouco dentro da moldura e eu podia ver o canto de uma outra foto saindo de trás dela.
Peguei a moldura e a virei de ponta cabeça, liberando as garras no veludo atrás e puxando-a para longe.
Não era uma segunda foto.
Eu vi um pedaço de papel com um roteiro escrito, elegante e clássico. Nenhum vestígio de qualquer coisa real. Eu sabia exatamente o que era antes de eu levantá-lo, olhando para ele com incredulidade.
Nosso convite de casamento.
É claro que Esme o teria guardado, teria colocado em uma moldura que - para ela - havia sido preenchida com tanta felicidade. Meus olhos traçaram os nossos nomes, a data, a hora.
Eu nunca tinha visto isso antes.
Era tão diferente do convite que eu queria, o convite que deveria ter sido o meu.
Ele tinha sido enterrado na pilha de correspondências que eu peguei na mesa da frente antes de fazer o meu caminho lentamente pelas escadas até meu apartamento novo e minúsculo. Era tudo que eu podia pagar como uma estudante, especialmente porque eu não tinha ninguém para dividir. Ele estava sujo e o papel de parede estava descolando nas paredes e o gerador fazia tudo sufocante e ontem eu tive certeza de que eu tinha visto uma barata. Ainda assim, era adequado para o que minha vida tinha se tornado.
"Venha morar comigo." Edward tinha insistido, quando eu o tinha levado comigo para olhar o apartamento.
Revirei os olhos quando nós saímos do carro e olhamos para o edifício. "Edward, o que aconteceu entre nós foi uma coisa única. Eu não vou morar com você".
Eu não olhei para ele para ver o seu desapontamento, algo que eu estava tão acostumada desde aquela noite fatídica há pouco mais de uma semana atrás, quando eu tinha ido para a cama com ele.
Ele mal tinha pisado na porta do apartamento antes da oferta sair da sua boca mais uma vez, olhando para mim com olhos grandes e aterrorizados, ele disse, 'você não pode viver aqui'.
Mas eu podia. E eu vivi.
Enfiei a chave na fechadura e empurrei a porta aberta com o meu ombro. Ela abriu com um estrondo, que era a única maneira dela ser aberta, e eu tropecei para dentro, chutando-a fechada atrás de mim novamente.
Corri para o meu quarto, vasculhando minhas correspondências rapidamente, realmente não esperando ver nada importante. Não até que meus olhos caíram sobre o pequeno envelope com o meu nome rabiscado na frente com uma caligrafia familiar.
Sentei-me na cama e olhei para ele por alguns instantes, segurando-o longe do meu corpo como se fosse me atacar.
Um milhão de cenários piscaram pela minha cabeça, cada um mais romântico e dramático do que o outro. Imaginei todas as coisas que ele poderia ter escrito para mim, todas as desculpas, as declarações de amor eterno, todas as belas palavras de desespero que ele poderia ter usado para consertar tudo.
Depois, quando eu não pude mais suportar a antecipação, eu virei o envelope e o abri com os dedos trêmulos. Puxei a carta para fora ansiosamente, jogando o envelope de lado com um sorriso animado. Meus olhos caíram sobre o papel agarrado na minha mão, meus olhos deslizando através das palavras rapidamente. Depois outra vez. E mais uma vez.
E mais uma vez.
Estava escrito à mão, bonito, simples, pessoal, perfeito. Sem elegância ou pretensão, sem caligrafia elitista, ou flores estranhamente perfumando, ou papel de cor pastel. Foi escrito como um ensaio, ou uma nota, ou uma carta: em papel comum em uma fonte comum. Mas não era um ensaio, ou uma nota, ou uma carta.
Era um convite de casamento.
O convite de casamento dele.
Eu o deixei cair levemente sobre a cama ao meu lado e levantei o telefone fora do gancho. Rapidamente disquei um número e o segurei em minha orelha. Ele tocou duas vezes antes de ser atendido na outra extremidade.
"Você pode vir aqui, por favor?" Eu perguntei, e desliguei o telefone sem esperar por uma resposta.
Sentei-me na minha cama, as lágrimas correndo em trilhas silenciosas pelo meu rosto, por segundos, minutos, mil anos.
Por fim, dei uma guinada para os meus pés e corri para o banheiro. Eu esvaziei todo o conteúdo do meu estômago no chão de azulejos tímidos do banheiro.
Balançando a cabeça, coloquei a foto de volta na prateleira depois de dobrar o canto da fotografia para baixo para esconder o que estava por trás dela.
Eu nunca tinha visto esse convite de casamento antes. Meu convite de casamento. Edward o tinha escolhido e enviado porque eu não queria, porque eu não poderia encarar ter um menos perfeito. E seria menos perfeito, não importava com o que parecesse porque o nome ao lado do meu estava totalmente errado.
Engolindo em seco, voltei-me para a estante e peguei o primeiro livro em que toquei: O Morro dos Ventos Uivantes. Eu sempre odiei a história, achando que era muito obscura, muito assustadora, muito dolorosa. Eu não achei que me importaria de lê-la esta noite.
Voltei para a poltrona e puxei os cobertores apertados em volta de mim, dobrando minhas pernas até meu peito, deleitando-me com o calor e a suavidade da casa. Olhei para o relógio pendurado na parede sobre o piano. Quase oito e meia.
Abri o livro e comecei a ler.
Eu estava dormindo antes que Lockwood atravessasse o Grange.
Nota da Irene: Quero agradecer novamente a Ju M. por sempre ser uma beta tão perfeita. Meninas... o que será que vai acontecer quando o Ed encontrar a Bella dormindo na sala hein? Mistééééério! Hahahah
Bom, estamos chegando em partes muito legais e espero que vcs gostem. Capítulo que vem é com o POV Ed... se vcs colaborarem *cof cof*
Eu sei que algumas de vcs acham chato a gente ficar pedindo review. Mas não há nenhuma maneira, além dessa, de a gente saber se vcs estão gostando ou não. Eu vejo na estatística do site que tem mais de 500 pessoas abrindo cada fic por dia, e recebo 10 reviews. Então eu me pergunto se é por vcs não darem a mínima para a atualização ou por simplesmente não saber que TODA AUTORA, TODA TRADUTORA, ama receber uma reviewzinha sabendo que vcs leram e gostaram da fic. Afinal eu passo horas pesquisando e traduzindo para postar um capítulo, no caso de EI, a gente passa semanas pesquisando para conseguir postar um capítulo. Esse trabalho todo não vale nada se eu postar e ninguem se manifestar para dizer se gostou ou não. Não é só dizer o que tem de errado, mas realmente participar e mostrar que continua lendo. Pq senão não há sentido em continuar.
E como vcs nos deram mais de 50 reviews ontem em Parachute, a cena extra 1 foi postada aqui: http: / www. fanfiction. net/ s/ 7042860/ 1/ (retirem os espaços)
Beiijosss e até quinta que vem
