Capítulo 21 - O Perdão

Eu estava quente e confortável, cheia com sensação de preguiça de estar cercada nos braços de alguém. As imagens que dançavam ao redor nos meus sonhos eram coloridas e suaves e agradáveis. Eu podia sentir minha própria respiração, sentir a minha própria pulsação, e eu sabia que estava flutuando. Eu não queria e eu não entendia o que era que estava me puxando para trás, mas era irresistível.

A voz estava chamando meu nome de uma longa distância. "Bella?"

Eu me movi, tentando ignorar quem quer que fosse, o que quer que fosse que estava me perturbando.

"Bella".

Meus olhos se abriram no mesmo instante que eu reconheci a voz que tinha com tanta eficácia permeado meus sonhos e me arrastado de volta à consciência a contragosto.

Pisquei várias vezes, tentando limpar o brilho obscuro da sala e enxergar o rosto pálido diante de mim em foco. O branco da pele, o bronze do cabelo esperado e macio. A única característica que era dolorosa e incrivelmente clara era o verde brilhante dos seus olhos.

"Edward?" Minha voz saiu em um murmúrio confuso, seu nome soando como um suspiro questionador, não realmente esperando uma resposta.

"O que você está fazendo aqui?" Ele perguntou suavemente, sua cabeça inclinada para um lado enquanto ele se ajoelhou na minha frente.

Que pergunta estranha.

Por que eu não estaria aqui?

Eu estava segura aqui.

Quente e confortável e sonolenta.

E então isso veio correndo de volta: onde eu estava, o que eu estava fazendo aqui, o que tinha acontecido.

"Oh!" Meu corpo inteiro estremeceu ereto em uma posição sentada, os cobertores que estavam encapsulados em torno de mim foram empurrados para baixo da minha cintura, minhas pernas entrelaçadas neles firmemente. Meus olhos chicotearam ao redor da sala rapidamente, notando que eu estava enrolada em uma das cadeiras da biblioteca, a tênue luz ainda sobre O Morro dos Ventos Uivantes, que estava esquecido e deixado de lado no chão.

Eu mordi meu lábio, sentindo uma onda de pânico crescendo no meu peito.

"Você está bem?" Ouvi Edward perguntar ao meu lado.

Meus olhos voltaram para o seu rosto em surpresa. Eu estive tão preparada para a sua raiva, ou rejeição, ou - no mínimo - o seu incômodo, que a preocupação em seu rosto estava completamente e totalmente me desarmando. Ele estava ajoelhado ao lado da cadeira, a mão sobre um dos braços, olhando para mim com confusão e preocupação.

"Sim, eu..." Eu finalmente engoli meu choque e gaguejei, "A energia elétrica acabou na casa da Alice. Estava ficando muito frio, então eu simplesmente pensei..." Eu parei de repente, torcendo as mãos no meu colo desconfortavelmente.

O que eu pensava era que eu não podia ficar sozinha. Eu tinha congelado sob a pressão do inesperado e tinha vindo correndo de volta para a primeira pessoa que eu pensei que poderia me salvar, com o rabo entre as pernas.

Esperei, prendendo a respiração, para que Edward reconhecesse a minha fraqueza.

"Onde estão Alice e Jasper?" Ele perguntou ao invés disso, olhando ao redor da biblioteca como se eu estivesse escondendo-os em algum lugar. "Eles estão lá em cima?"

"Não, não!" Eu disse rapidamente, explicando. "Eles saíram pelo fim de semana. Eu estava cuidando dos cavalos para eles e..." Fiz uma pausa, olhando o olhar curioso de Edward sobre mim, seu rosto se tornando ilegível novamente enquanto ele ouvia o que eu estava dizendo. Eu engoli o caroço recém-formado na minha garganta sufocada, "Desculpe-me".

As sobrancelhas de Edward subiram ligeiramente. "Por que você está se desculpando?"

Eu abri minha boca e depois a fechei abruptamente. Ele não havia perguntado sobre qual das muitas coisas eu estava pedindo desculpas, ele não me disse que ele não a aceitaria, ou que ele não queria ouvi-la. Houve uma certa confusão na sua pergunta. A parte não-dita: Não há nada para se desculpar.

"Eu não sei." Eu disse baixinho, com um encolher de ombros. Minha voz era quase um sussurro quando eu arrastei meus olhos devagar para encontrar os seus.

Ele se inclinou um pouco, sua postura séria, suas palavras fortes. "Eu lhe disse que você era bem-vinda aqui, e eu quis dizer isso".

Não havia espaço para debater com ele.

"Obrigada." Eu simplesmente balbuciei as palavras, meus olhos ainda trancados nos seus.

Olhamos um para o outro por alguns momentos e eu podia sentir meu corpo relaxando de volta na cadeira. Ele não me chutaria para fora, ele não se ressentia que eu tivesse voltado. Eu observei quando ele se inclinou para trás em seus calcanhares e ficou de pé, andando os dois passos até o sofá e sentando-se à minha frente.

"Então, quando é que Alice e Jasper voltam para casa?" Ele perguntou, a descontração da questão completamente estranha para mim.

"Amanhã de manhã." Eu disse a ele, mantendo a minha voz igual a dele.

Edward balançou a cabeça como se fosse o que ele esperava. Depois foi a vez de ele deixar cair seus olhos para o seu colo, torcendo as mãos e olhando suas cutículas nervosamente. Quando ele olhou de volta para mim finalmente, sua testa estava franzida ligeiramente.

"Então será...?" Ele parou, engolindo.

Ele não parecia estar pensando em terminar a pergunta e ele não precisava. Eu praticamente podia ouvi-la, a curiosidade vazando por todos seus poros, gritando com cada linha de tensão em seu corpo.

Você vai voltar para cá? Você vai voltar para eles?

Você vai partir?

Você vai ficar?

Eu me inclinei de volta na cadeira com um suspiro, puxando as pontas do meu cabelo pensativamente enquanto eu o observava, me olhando. Eu podia ver o interesse em sua postura, o engajamento em seus olhos. Era mais do que eu tinha visto nos últimos meses. Mas não havia nenhuma indicação de uma forma ou de outra. Eu não podia ver a resposta certa em qualquer lugar em seu rosto.

"Eu me sinto horrível ficando com eles." Eu disse depois, segurando minhas mãos para cima com a explicação. "Eu me sinto horrível forçando-os a cuidar de mim como..."

Eu parei.

Como você fazia.

Ele pareceu perceber as palavras que faltavam também. Eu vi o seu maxilar tenso contra o seu rosto, seu corpo inteiro tenso com a emoção. Esfreguei minha testa com a mão, momentaneamente protegendo-me dos seus olhos.

Então eu ouvi, "Você pode voltar".

Eu puxei minha mão do meu rosto e olhei para ele, com certeza eu não tinha ouvido corretamente. Mas ele ainda estava olhando para mim, o rosto cuidadosamente controlado novamente.

Eu hesitei, sem saber o que dizer. Nós nunca tínhamos sido vocais sobre o que precisávamos, o que queríamos, o que estávamos sentindo. Eu não tinha certeza de que eu era mesmo capaz de lhe dizer a verdade e falar honestamente.

Tomei uma respiração profunda.

"Eu só estou com medo de que..." Eu gaguejei parando e reiniciando, "Eu não sei se..."

Edward viu minha luta com um aceno de cabeça e finalizou para mim.

"Você não sabe se eu vou expulsá-la de casa novamente." Ele afirmou calmamente, como se soubesse disso o tempo todo.

Meu rosto ficou vermelho.

Eu estava tão malditamente cansada de ter medo, mas eu não sabia como parar.

"Você nunca me deu uma razão, nunca me disse por que." Eu tentei explicar para ele. "Você se desculpou... e eu acredito em você, mas... isso não quer dizer..."

Eu podia sentir-me ficando presa de novo.

Edward tirou os olhos para longe dos meus rapidamente, a sua boca abrindo, exasperado. Por algum motivo eu não achei que isso tenha sido dirigido a mim. Sua mão voou até a sua nuca e ele começou a esfregar como parte da tensão.

"Isso não significa que você pode confiar em mim." Ele completou o meu pensamento.

Dessa vez, houve resignação em sua voz. Os cantos da sua boca ficaram ligeiramente curvados para baixo, suas sobrancelhas esmagadas fortemente, seus olhos tristes. Ele parecia estar procurando uma resposta que era impossível encontrar.

Mas essa era a pergunta errada.

"Não é isso... exatamente." Minha voz estava calma e hesitante. Edward se virou para me encarar de novo lentamente, sua mão se afastando do seu pescoço. "Eu só não quero..."

Fiz uma pausa.

"O quê?" Ele solicitou, sua voz suave.

Engoli fortemente e finalmente consegui dizer, "O que quer que eu tenha feito para deixar você tão zangado... eu não quero começar a fazê-lo novamente".

Edward piscou para mim.

Eu podia ver a surpresa com a minha resposta lavando sobre ele. Surpresa, que pareceu desaparecer lentamente em uma expressão que parecia suspeita como culpa, remorso.

"Não foi culpa sua." Ele disse enfim, com um aceno de cabeça.

Eu não pude segurar a risada cínica que me escapou.

"Tudo o que aconteceu aqui é minha culpa." Eu levei a culpa sem nenhum esforço da minha parte porque era a verdade. Minha verdade. "Eu sei disso agora".

Os olhos de Edward se estreitaram para mim imediatamente. "Não faça isso".

"Por que não?" Exigi. "É verdade".

"Tanto quanto eu posso dizer, há duas pessoas nesta sala." Ele respondeu, cruzando os braços sobre o peito incisivamente.

Eu abri e fechei a boca várias vezes.

Ele esperou calmamente, como se finalmente registrasse dentro de mim que algo tinha mudado. Algo na briga, ou na semana que passamos separados, ou no meu regresso a casa, tinha alterado um de nós, ou nós dois.

Meus olhos viajavam sobre Edward lentamente, ainda vestindo sua roupa do trabalho. Sua gravata estava solta, vários botões estavam desfeitos, seu cabelo estava mais desarrumado do que o habitual e eu o imaginei correndo os dedos por ele centenas de vezes no caminho de volta para casa. Eu podia ver o esforço e energia que o mantinham na sala, que o faziam falar comigo. O meu próprio sendo espelhado perfeitamente. E, ainda assim, estávamos aqui, lutando pela tensão por algo do outro lado que nenhum de nós tinha qualquer evidência.

Fiquei em silêncio por um longo tempo enquanto eu olhava para ele, mordendo meu lábio em contemplação.

Foi a voz de Edward que me quebrou dos meus pensamentos.

"Então." Ele disse de forma conclusiva. "Você não quer ficar aqui comigo e não quer voltar".

Apesar de ter sido formulada como uma afirmação, eu sabia que era uma pergunta.

E agora, Bella?

Eu suspirei, sabendo que ele realmente não entendia que isso não era sobre confiar nele, ou deixá-lo com raiva, não era sobre usar Alice e Jasper. Meu desejo de ficar sozinha - de não ter que precisar dele e não precisar deles - era horrível e intimamente ligado à razão pela qual eu não poderia existir sem eles.

"Eu só desejaria não ser tão fodidamente inútil o tempo todo." Eu rosnei para fora a insegurança abruptamente e sem pausa.

Edward quase não hesitou. "Você não é inútil."

Senti uma risadinha ridícula borbulhando dentro de mim, risada que nasceu da futilidade e da frustração impotente. "Obrigada pelo voto de confiança, Edward, mas eu realmente sou".

"Bem." Edward disse pensativamente, olhando o meu sorriso triste. "Se você não quer ser, então você não será por muito tempo".

"Por que você está sendo tão bom comigo?" Eu exigi abruptamente.

O sorriso de Edward era tão triste quanto o meu.

"Porque isso é minha culpa também." Ele disse com firmeza. "E nos últimos meses, eu fui..." Ele parou, sua voz parecendo falhar, quando seus olhos encontraram os meus.

Os meses de silêncio e fome e raiva e tensão.

Eu podia vê-lo se arrependendo e não se arrependendo deles.

"Eu entendo isso." Eu disse suavemente, com um aceno.

O sorriso de Edward ficou um pouco menos triste.

Em seguida, ele desapareceu completamente.

"Com todo o respeito." Ele disse solenemente. "Você realmente, realmente não entende".

"Ok, eu não entendo." Eu admiti, uma risada sincera escapando de mim inesperadamente. Eu a sufoquei, minha expressão mudando para um interesse genuíno. "Mas eu quero entender. Isso tem que contar para alguma coisa, certo?"

Edward olhou para mim por vários momentos, seus olhos trilhando o meu corpo lentamente até que descansaram no meu rosto. Quando o seu olhar fixou com o meu, eu podia ver a confusão que era menos confusão e mais... pensativo.

Eu podia vê-lo pensando.

"O que aconteceu com você?" Ele perguntou, sua voz um afiado exalar.

Sentei-me um pouco mais ereta. "O quê?"

Ele pareceu lutar por um momento antes de afirmar simplesmente, "Você está diferente".

Inclinei a cabeça, perplexa com a súbita mudança na conversa.

"Eu quero dizer... eu acho que..." Eu gaguejei, sem saber o que ele queria que eu dissesse. Finalmente, olhei para ele e cruzei meus braços para combinar com os seus. "Você estava aqui o tempo todo, você sabe".

Edward me encarou por um longo segundo antes de respirar "sim" de acordo, indiferente.

Fiquei confusa por um momento mais sobre a sua resposta vaga antes de virar a questão de volta para ele.

"Bem, o que aconteceu com você?" Perguntei, minha voz com a familiar provocação.

"Eu mudei de idéia." Ele respondeu simplesmente, com um encolher de ombros.

Como se fosse tão fácil assim.

"Mudou de idéia sobre o quê?" Eu cutuquei, sentindo meu pulso acelerar um pouco com a possibilidade de obter algumas respostas.

"Sobre as coisas".

Meu suspiro virou um silencioso gemido de frustração quando revirei os olhos para ele. Ele continuou a olhar para mim, um pequeno sorriso brincando nos cantos da sua boca.

"Certo." Eu admiti de má vontade, sabendo que não havia sentido em forçá-lo. "E o que exatamente fez você mudar de idéia sobre as coisas?"

Edward encolheu os ombros. "Quem sabe".

Estava escrito por toda a sua postura defensiva e a leve centelha de vulnerabilidade em seus olhos. Eu sabia que quanto mais nós dançássemos em torno um do outro, mais tempo nós desperdiçaríamos. Mas eu quase podia ver claramente agora. Talvez até esse ponto tivesse havido evasão de ambas as partes, como sobre o lugar onde vivíamos, no que nós éramos bons, o que nos impedia de quebrar completamente. Agora, porém, agora era a auto-preservação. Tudo entre nós tornou impossível de sermos totalmente abertos um com o outro se nós dois quiséssemos sobreviver. Eu tinha certeza que ele não estava preparado para ouvir tudo e eu sabia que eu não estava.

"Deixe-me perguntar uma coisa, Edward." Eu disse baixinho, pensativamente mudando de assunto. "Quando as coisas estavam bem, quando nos conhecemos e éramos felizes juntos... ou você era feliz comigo... você realmente me deixou entrar?"

Essa tinha sido uma pergunta que me torturou durante os últimos meses.

Todos os dias olhando para ele se colocando mais longe de mim, vendo sua frieza e sua apatia, e pensando que eu nunca tinha realmente o conhecido. E que mesmo quando as coisas estavam melhores, eu não sabia quem ele era.

Eu sempre tinha sido brutalmente honesta com ele.

Ele havia sido brutalmente desonesto.

Edward ficou quieto por um longo tempo antes de dizer: "Eu teria, se..." Sua voz vacilou e morreu em sua garganta.

"Se o quê?" Eu solicitei, tentando manter minha voz gentil.

"Se você tivesse se importado o suficiente para pedir".

Senti suas palavras como um golpe esmagador, a verdade delas irradiando dolorosamente em cada osso e nervo do meu corpo.

"Eu estou pedindo agora".

"E agora é um pouco mais complicado do que simplesmente pedir".

Eu não podia simplesmente pedir mais.

Eu poderia simplesmente ir até ele e dizer "um centavo pelos seus pensamentos" e perguntar-lhe como foi seu dia e o que ele queria para o jantar e o quanto ele gostava das pessoas com quem ele trabalhava e como o tempo seria amanhã. Eu não poderia perguntar a ele qual era o seu livro favorito, ou quem foi seu melhor amigo na escola, por que ele amava tanto a ciência desse jeito.

Tudo em nossas vidas eclipsou as pequenas coisas que normalmente compõem uma pessoa. O que deixava as pessoas que nos rodeavam longe de nos definir.

Por mais que isso nunca pudesse ter sido antecipado, eu sempre soube que me casar com ele era errado, que me aproveitar dele e deixar-me ser aproveitada não conseguiria construir um relacionamento com uma chance de dar certo.

E eu não tinha me importado.

Eu não tinha me importado que eu não o conhecesse, ele não tinha se importado por não me conhecer. Ele me amava, eu precisava dele. Anos pensando que talvez isso não fosse o problema, que talvez fosse o destino, que talvez nós fossemos simplesmente errados um para o outro e nós não sabíamos, cortando em uma única frase proferida por ele.

"Eu acho que é." Eu disse baixinho sentindo pontadas de lágrimas nos meus olhos.

Eu as sacudi rapidamente em frustração, baixando a cabeça para que ele não visse. Ele deve ter notado, porém, porque ele não respondeu por um longo tempo. Ele ficou sentado, silenciosamente, enquanto eu lutava para recuperar o controle.

"Olha, Bella." Eu ouvi a sua voz, tão suave. "Por que eu não saio?"

Minha cabeça imediatamente chicoteou para olhar para ele.

"Sair?" Eu perguntei, rapidamente. "Sair para onde?"

"Deixe-me falar com Alice e Jasper amanhã." Ele sugeriu. "Vou ver se consigo fazê-los ficar por aqui com você, para ajudá-la a cuidar da casa. Dessa forma, você não estará em débito com eles".

"Eu apenas estarei em débito com você." Eu zombei, lutando contra a descrença que ameaçava ultrapassar-me.

Edward balançou a cabeça. "Eu já disse isso antes: você não me deve nada".

Senti um caroço se formar na minha garganta novamente.

"Para onde você vai?" Eu perguntei, minha voz tremendo ligeiramente.

"Minha mãe está louca para voltar para a casa dela e do meu pai. Eu vou viver com ela, na cidade. Vai ser mais perto do hospital e eu não terei que me preocupar sobre ela viver sozinha..." Ele encolheu os ombros, como se fosse a sugestão mais sensata do mundo.

E talvez fosse.

A idéia de ficar com Alice e Jasper aqui, estar em um lugar onde eu não tivesse medo, onde me sentisse segura, onde eu tivesse tempo para tomar algumas decisões e liberdade do medo de fazer isso... Eu podia sentir o meu pulso começar a correr um pouco de excitação.

Ao mesmo tempo que eu podia sentir uma dor leve, um pequeno buraco de desconforto.

"O que isso significa?" Sussurrei.

Edward pareceu confuso.

"O quê?" Ele perguntou.

Obriguei-me a dizer as palavras. "Você me deixar aqui." Meu corpo inteiro estremeceu, mas minha voz se manteve estável. Eu tinha certeza de que Edward não tinha percebido. "O que isso significa?"

Ele balançou a cabeça. "Isso não significa nada".

"Edward..."

"Isso significa o que você quiser que isso signifique." Ele disse vagamente, acenando com a mão.

O que ele estava dizendo?

Que eu tinha que decidir o que fazer? Que ele me deixando poderia significar que estávamos separados, ou divorciados, ou casados?

Eu podia ver isso na cara dele, que ele estava pronto para eu dizer alguma coisa, para dizer a ele o que eu queria, e ele não brigaria comigo.

"Isso não cabe a mim." Eu disse com firmeza.

"Não, Bella. Isso cabe a você." Edward balançou a cabeça novamente, sua voz forte. "Você passou sua vida inteira permitindo às pessoas fazerem escolhas por você, dando forma e definindo quem você é e como você vive sua vida". Ele fez uma pausa antes de acrescentar, "E eu não me excluo de tudo isso".

Eu podia sentir meu pânico crescendo, não sabendo o que eu poderia desejar, ou como ele poderia me fazer escolher.

"Não foi sua-" Eu comecei antes que ele me interrompesse com uma risada áspera.

"Não foi minha culpa?" Ele perguntou com amargura. "Sim, sim. Nada disso foi minha culpa".

Eu inalei asperamente como se eu fosse dizer algo, mas não havia nada que eu pudesse dizer a ele. Eu assisti a culpa e o sarcasmo desaparecerem lentamente e serem substituídos, mais uma vez, com a mesma expressão ilegível.

Por fim, perguntei a ele baixinho, "Por que você está fazendo isso?"

Ele me concedeu um pequeno sorriso.

"Porque eu devo." Ele disse, repetindo as minhas próprias palavras de volta para mim.

Eu balancei a cabeça em silêncio e arranquei meus olhos dos dele, olhando de volta para o meu colo. Meus olhos se arrastando para o chão devagar e vendo o livro caído, suas páginas abertas e dobradas do impacto. Inclinei-me e o levantei do chão em silêncio e sem comentários. Alisei as páginas e o fechei firmemente, colocando-o sobre a mesinha ao lado da cadeira.

"Posso ligar amanhã para Alice e Jasper e perguntar isso a eles?"

Eu quase não ouvi a pergunta, foi muito mais baixa.

Sem dizer uma palavra - sem olhar para ele - eu assenti.

"Tudo bem." Edward concordou.

Então eu o ouvi se movendo e se levantando. Eu ainda não olhei para ele. Eu o ouvi se mover em minha direção e então ele estava bem na minha frente, sua mão estendida para a minha como se ele quisesse ajudar-me a ficar de pé.

Eu não pude deixar de olhar para ele agora.

Ele estava parado alto sobre mim, olhando para baixo, a palma da mão voltada para cima enquanto ele esperava.

Minhas sobrancelhas subiram em confusão e eu curvei a minha cabeça para o lado em questão.

"Cama?" Ele solicitou.

Entendendo, eu hesitei antes de apertar a minha cabeça com um pequeno sorriso.

"Está muito frio." Eu expliquei, apontando para o calor da biblioteca. "Eu estou bem aqui".

Edward engoliu em seco e deixou cair sua mão, os olhos piscando com algo que parecia como culpa antes que ele se recompusesse novamente.

"Você pode dormir no meu quarto." Ele ofereceu, antes de emendar rapidamente, "Eu vou dormir no sofá da sala".

"Edward..." Eu comecei a protestar, sentindo-me um pouco pálida quando eu me lembrei da última vez que eu havia entrado em seu quarto.

Edward sorriu para mim. "Eu prometo que eu limpei".

Não pude conter o riso que irrompeu de repente, libertando imediatamente a tensão. O sorriso de Edward se transformou em um pequeno sorriso genuíno com a minha reação e ele estendeu a mão para mim mais uma vez.

Desta vez, eu olhei para ela apenas um segundo antes de tomá-la. Senti seus dedos envolverem em torno dos meus, o calor da sua mão apertando a minha própria. Levantei-me e empurrei os cobertores que estavam enrolados em mim com força para o chão, saindo deles com uma graça incomum.

Assim que eu estava firme nos meus pés, soltei a mão de Edward. Ele se inclinou e levantou os cobertores em seus braços, arrastando-os para a sala de estar e os colocando no sofá. Eu hesitei por um momento, sem saber o que deveria fazer. Antes que eu pudesse deliberar por muito tempo, Edward estava me fazendo sinal para segui-lo e ele me levou calmamente até as escadas. Eu trilhei atrás dele, observando a força e tensão nas costas da sua camisa, achando que ele parecia exausto.

Quando chegamos à sua porta eu parei, meus passos retardando a uma parada. Edward agarrou a maçaneta com facilidade e abriu a porta antes de voltar para mim e apontar-me, sem saber da minha breve hesitação.

Passei por ele lentamente, entrando no quarto.

Meus olhos se arregalaram quando percebi o chão limpo, a cama impecavelmente feita, a estante de livros arrumada.

"Eu lhe disse." Eu ouvi atrás de mim.

Eu virei para trás para ver Edward me observando da porta com um sorriso pequeno, envergonhado.

Eu sorri para ele fracamente, ainda me sentindo um pouco espantada.

Edward limpou a garganta sem jeito com o meu silêncio, e o sorriso caiu do seu rosto para ser substituído por uma expressão mais formal, cortês.

"Bem, boa noite." Ele disse com um ligeiro aceno. "Eu vou te ver de manhã".

Com isso, ele virou-se e fez o seu caminho de volta para as escadas.

Sua retirada imediata pareceu agarrar-me fora do meu estado de choque.

Eu encontrei-me chamando seu nome rapidamente antes de segui-lo para fora do quarto. Ele já estava no meio da escada quando ele me ouviu. Ele se virou, seus olhos claros sobre os meus com confusão. Desci os cinco degraus que nos separavam e joguei meus braços em volta do seu pescoço, o meu corpo caindo no dele.

Eu o senti ficar tenso sob o meu abraço, mas eu não me importei. Eu não conseguia sentir nada além do alívio correndo através de mim, inundando minhas veias e me enchendo de uma sensação inesperada de esperança.

Eu estava parada no degrau acima dele, o que nos deixou exatamente olho no olho quando eu me afastei. Eu tive que lutar para não rir da sua expressão, que era similar a que tinha sido a minha momentos atrás quando eu tinha entrado em seu quarto. Seus braços pendiam molemente dos seus lados.

Eu sorri para ele por um momento antes de virar e andar de volta pela escada.

Eu podia sentir tudo o que eu queria dizer chocalhar ao redor em minha cabeça enquanto eu puxei as cobertas sobre a cama grande. Palavras que eu deveria ter dito atrás dele, ou sussurrado com meus braços em torno dele, ou lhe dito na biblioteca, com os olhos fixos nos meus.

Obrigada. Eu nunca mereci você. Sinto muito. Fique.


Nota da Irene: Olha que legal: Dois capítulos em uma semana... E na verdade tenho essa fic traduzida até o capítulo 28, pois ela me deixa louca. Espero que vcs estejam amando tanto quanto eu e a Ju, nossa super beta.

E tenho uma boa notícia: Eu consegui a autorização de uma fic que me deixa COMPLETAMENTE LOUCA.

Fridays at Noon (Sextas a Tarde). Ela tem 32 capítulos e está finalizada. Já traduzi 2 capítulos e quando terminar 5 vou começar a postar. A fic é muitoooooo divertida. O Edward é louco! No bom sentido.

Sinopse: A vida de Edward Masen se cruza com Bella no restaurante onde ele come nos almoços às sextas-feiras.
Ele é bonito, arrogante, e é acostumado a evitar o amor.
Ela não se impressiona com as coisas que normalmente faria as mulheres caírem aos seus pés.

Beijos e ah... deixem de ser "mázinhas" e deixem reviews pra mim, é tão triste postar toda semana e receber 3 ou 4 reviews. Eu sei que tem mais gente que isso lendo a fic *faz cara de má*


Marise: Obrigado pelas reviews e por estar gostando da fic, eu tbm amo.

Laryza: Eu tbm fico louca pra saber o que vai acontecer. Vc vai ficar pasma com as próximas revelações.

Andressa Santana: \o/ Eu tbm sou impressionada com essa fic, principalmente pq ela é bem escrita e tem conteúdo. A autora nos deixa sempre sem saber quem é o bonzinho e quem é o vilão.

Vanessa: Eu tbm pensava assim sobre a Bella, essa passividade dela as vezes me incomoda. Mas é o jeito dela. Ela simplesmente aceita o que está acontecendo na vida dela como se tudo sempre fosse consequencia dos erros do seu passado.