Capítulo 23 - O Teste

Na manhã de quinta-feira, eu acordei uma pessoa diferente.

Eu tinha passado a maior parte da quarta-feira, depois que Edward tinha saído, com Alice e os cavalos. Fiquei para ajudá-la a fazer o jantar, nós comemos com Jasper e conversamos sobre as pequenas coisas que realmente não importavam. Eu fingi que estava bem com o meu novo arranjo e eles fingiram que acreditavam em mim. Isso não era mentira. Eu não estava mentindo para mim e eu não estava mentindo para eles. Eu sabia, eles sabiam, e nós optamos por ignorar.

Eu não era realmente uma pessoa religiosa, mas era como ter fé. Fé que eu ficaria bem, que eu seria capaz de fazer isso e eu seria melhor por isso. Além disso, fé que Edward seria melhor por isso, que ele precisava disso também. Fiquei surpresa ao perceber que suas preocupações haviam se tornado minhas preocupações. Eu não conseguia me lembrar de um tempo antes, quando isso algum dia tinha sido verdadeiro.

Saí da casa deles tarde, mas era uma noite quente. O vento tinha parado e o ar estava quase começando a parecer com a primavera, mesmo sem o sol.

E quando eu acordei naquela cama grande e confortável, me senti completamente e totalmente sozinha.

Fui imediatamente apreendida com o terror e apreensão, quase debilitada pelo medo. Fiquei deitada na cama por quase uma hora, olhando para o teto e imaginando o que diabos eu deveria fazer agora.

Lentamente, a percepção penetrou em minha consciência. Percepção de que estar sozinha não significava necessariamente que eu não tivesse ninguém, ou que ninguém se importava. Alice e Jasper estavam por perto, eu tinha o número de telefone de Edward se eu precisasse dele e eu quase pensei que ele viria correndo de volta se eu lhe pedisse. Eu poderia não estar certa, no entanto, e eu estava cansada de tomar decisões precipitadas. Ainda assim, não saber disso não era estranhamente tão assustador como eu pensei que seria. Talvez eu não precisasse dele.

Eu quase escapei de volta para o medo quando eu decidi que é claro que eu precisava dele. Eu não podia fazer nada. Eu não tinha habilidades, nem recursos, e eu não tinha absolutamente nenhuma idéia de como começar a resolver minha vida. Como ele pensou que eu poderia sobreviver por conta própria, eu não tinha idéia.

Apertando bem os lençóis, ouvi o meu estômago fazer um estrondo alto.

Lentamente, sentei-me.

Eu posso cozinhar.

Eu posso limpar.

Eu posso tomar banho e lavar roupa e ajudar Alice e ler livros e trabalhar e aprender e me adaptar. Eu posso dirigir aquela caminhonete e posso limpar a entrada de casa e eu posso usar um telefone e ler um livro e escrever e cantar e falar e rir.

Girei minhas pernas para o lado da cama e desci as escadas para fazer-me o café da manhã.

Quando já era tarde o suficiente na parte da manhã, eu voltaria para a casa de Alice. Ela já havia levado os cavalos para fora, então eu ficava e a ajudava a limpar a sujeira das barracas por algumas horas. Em seguida, caminhamos até a casa da fazenda e limpamos o terceiro andar um pouco. Era um sótão, na maior parte, com armários cheios de lixo e vários cômodos sem uso.

Ela foi para casa um pouco antes do anoitecer e eu jantei sozinha. Lembrei-me de fazer isso todas as noites, algumas semanas atrás parecendo ser mil anos. Era diferente agora também. Eu pensava que sentiria mais, ficaria chateada sabendo o quão agradável era comer minhas refeições com pessoas que eu considerava amigos de verdade.

Eu não sentia.

Eu não lutava para comer tudo rapidamente, correndo contra o relógio para terminar antes de Edward chegar em casa. Eu não estava preocupada com o que aconteceria se ele me encontrasse na cozinha, o que ele pensaria, ou diria, que tipo de briga teríamos, quão estranho seria. Tudo era completamente pacífico. Eu gostava da solidão de comer algo que eu tinha feito para mim, fazendo o trabalho e aproveitando o resultado do meu jeito.

A única vez que senti um pouco de tristeza começar a se aproximar de mim foi quando eu envolvi a tigela de restos de comida, sabendo que seria eu que a estaria comendo amanhã.

A tristeza não durou muito tempo.

Sexta-feira foi mais do mesmo. Alice ligou cedo e perguntou se eu não me importaria de cuidar dos cavalos no período da tarde, já que ela se atrasaria na cidade e jantaria com Jasper. Eu concordei com entusiasmo, animada por trocar a faxina por um passeio para fora de casa. Eu notei que eu tinha começado a desfrutar realmente de estar ao ar livre de novo, algo que eu não tinha me preocupado desde que eu tinha deixado Forks.

Eu também estava aliviada por ficar longe de me deter sobre Edward e o telefonema que fiz a ele no início do dia.

Eu tinha ido ao meu antigo quarto - o quarto dele - para procurar a pá de lixo. Quando eu tinha aberto a porta, minha boca caiu um pouco em pânico. A parede inteira agora estava completamente encharcada, o papel de parede enrugado e descascando com os danos causados pela água. Perto do armário, ouvi um leve som de gotejamento, o teto tinha rachaduras borbulhantes e amarelas.

Ultimamente estava ficando mais quente e a neve começava a derreter. Se a neve no telhado derretesse e houvesse uma brecha...

Sem sequer pensar, corri as escadas para a cozinha e arranquei o telefone fora do gancho. Soquei o número de Edward rapidamente, a partir da memória. Mordi meu lábio, batendo o pé impacientemente enquanto eu esperava.

Tocou duas vezes antes que eu ouvisse, "Olá?"

"Edward?" Eu disse, minha voz saindo em um suspiro. "O teto está vazando".

Houve uma pequena pausa. Então, "Bella?"

"Oh!" Eu exclamei, lutando contra o desejo de bater em minha testa. "Sim, sou eu." Fiz uma pausa, sem jeito. "Hm... desculpe incomodá-lo. Você está no trabalho?"

"Estou, na verdade." Edward confirmou, a voz neutra.

"Oh." Eu disse, de repente me sentindo idiota. "Eu posso... ligar depois..."

Eu podia sentir meu rosto começar a corar com o constrangimento. É claro que ele estaria no trabalho à uma da tarde em um dia útil.

O telhado estava vazando, mas eu não estava na porra de um barco. Eu sobreviveria. E, ainda assim, a idéia de que algo tivesse dado errado em uma casa que não era minha tinha me colocado em pânico. Senti-me subitamente e inexplicavelmente responsável por qualquer dano que acumulasse enquanto eu estivesse hospedada nela, e o fato de que o papel de parede do quarto frio estivesse começado a apodrecer e descascar nos dois dias em que eu estava aqui sozinha me apavorava.

Além disso, eu parecia uma completa idiota.

"Está tudo bem." Edward me assegurou, soando um pouco distraído. "Então, o telhado está vazando?"

"Uh... sim." Eu respondi, encolhendo os ombros quando o meu pânico deu lugar à vergonha. "Não é tão ruim assim, no entanto. Eu deveria ter esperado para ligar".

"Onde é que está vazando?" Edward perguntou, ignorando o embaraço afetado que tinha me assaltado.

"No meu... o quarto frio." Eu disse a ele. "O papel de parede está começando a descascar e partes do teto não estão parecendo muito boas".

"Tudo bem." Edward disse, e eu comecei a sentir de novo que eu tinha interrompido alguma coisa. Ouvi vozes ao fundo. "Bem, eu vou chegar mais cedo amanhã e ver o que posso fazer sobre o telhado".

"Você está..." Eu hesitei. "Você não está bravo?"

Com isso, Edward soltou uma risada baixa e eu quase pude sentir a sua atenção mudando para mim. "Por que eu deveria estar bravo, Bella? Não é culpa sua".

"Eu sei." Eu disse, sentindo-me tola. "Mas eu simplesmente sinto como... se eu tivesse estado sozinha por dois dias e as coisas já estivessem começando a dar errado".

"Bella." Edward disse, sua voz encorajadora. "É uma casa velha. O telhado provavelmente deveria ter sido refeito anos atrás." Então ele parou antes de dizer, "Foi bom você ligar e dizer isso a mim".

Foi a minha vez de rir um pouco. "Foi uma espécie de um movimento impulsivo".

"Não tenho nenhuma dúvida sobre isso." Edward concordou, e eu corei de novo ao lembrar do meu pânico sem-causa.

Houve uma longa pausa que se seguiu, nós dois sem saber o que dizer.

Finalmente, Edward limpou a garganta e disse, "Bem, eu realmente devo voltar a trabalhar".

"Oh. Sim, claro." Eu disse apressadamente. "Vejo você amanhã".

"Sim." Edward confirmou. "Tchau, Bella".

"Tchau".

Depois que desliguei eu tinha voltado para o quarto e olhado para a parede danificada. Eu trouxe uma saladeira da cozinha e a coloquei sob o vazamento, torcendo para que eu lembrasse de verificá-la novamente e despejasse a água para fora antes que ficasse cheia.

Mais algumas horas de limpeza e fiz meu caminho para colocar os cavalos para dentro e alimentá-los. Santana quase rolou com o entusiasmo para chegar à sua tenda. No entanto, ele se aconchegou em sua comida rapidamente e não pareceu se importar quando eu acariciei seu pescoço por alguns minutos, ouvindo o som dos seus dentes mastigando o feno.

No sábado, eu acordei cedo, percebendo de repente e sem nenhuma pequena quantidade de alarme que eu precisava ir até o mercado e pegar um pouco de comida.

Na semana que tinha passado, não parecia como se Edward tivesse feito alguma compra para si mesmo. Eu não achava que houvesse comida suficiente para esta noite e eu não tinha certeza se ele estava planejando ficar até domingo.

Peguei minhas chaves e o cartão de crédito que eu não tinha tocado desde que ele o entregou para mim na segunda-feira de manhã. Diriji mais rápido do que normalmente eu faria, o que ainda era bastante lento, desejando que a viagem inaugural da minha nova caminhonete não fosse tão apressada. A embreagem estava pegajosa, o interior cheirava a cigarros, e fazia um som terrível quando eu acelerava rápido demais. Era maravilhoso.

Estacionei no South Park Mercantil 20 minutos mais tarde, puxando meu cabelo enrolado em um rabo de cavalo rapidamente antes de pular para fora da cabine. Enquanto eu caminhava até a entrada, olhei em torno da rua, observando que eu era um dos únicos carros estacionados. Não havia pessoas caminhando e nenhum movimento. Senti-me estranha e assustada, como em uma cidade fantasma.

Abri a porta e ouvi o sino alegremente anunciando a minha presença.

Uma cabeça familiar loira apareceu por cima do balcão. Pareceu ser a única na loja. Eu observei um amplo sorriso espalhar no rosto de Mike quando seus olhos caíram sobre mim.

"Ei, Bella." Ele chamou no seu habitual tom amigável.

"Oi, Mike." Eu respondi, acenando um pouco.

Mike endireitou-se de trás do balcão e se inclinou sobre ele, sorrindo para mim. "Senti sua falta aqui na semana passada".

Abri a boca, hesitante.

"Certo." Eu disse lentamente. "Eu estava... doente".

Mike balançou a cabeça, sem parecer muito preocupado.

"Eu tive medo de que você tivesse ido para outro lugar." Ele disse, soando estranhamente aliviado. "Pensei que talvez o seu marido médico a tivesse levado a algumas lojas maiores nos supermercados na cidade." Ele riu bem-humorado.

Eu balancei minha cabeça, então perguntei, "Como você sabe que meu marido é médico?"

Mike deu um sorriso mais largo.

"Cidade pequena, Bella." Ele explicou. "Todo mundo conhece os Cullen".

Eu balancei a cabeça. "Certo".

"Então." Mike continuou. Olhei para os corredores de alimentos, imaginando por quanto tempo mais ele queria continuar com essa pequena conversa. "Por que você está aqui tão cedo esta manhã? Ficou sem comida?"

Eu encolhi os ombros. "Sim, muito".

Ele pareceu sentir a minha atenção errante, então limpou a garganta. "Ok, bem, deixe-me saber se você precisar de alguma ajuda".

Agradeci e caminhei até o corredor mais próximo, agarrando uma cesta quando passei.

Fui até os legumes frescos, perguntando-me se eu era corajosa o suficiente para tentar fazer um ensopado de legumes frescos que eu estava de olho no livro de receitas. Parecia fácil, mas por algum motivo eu estava estranhamente preocupada com que a refeição saísse boa.

Enquanto eu vagava pelos corredores, com os legumes, navegando por tudo o que eu precisaria para passar a semana, percebi que eu era a única no mercado.

Não era incomum que o lugar estivesse bastante vazio, mas havia sempre pelo menos uma ou duas outras pessoas na loja comigo. E Mike parecia ser a única pessoa que trabalhava na cidade hoje.

Quando dobrei a esquina do último corredor, eu vi Mike repondo a granola contra a parede.

"Hey." Eu disse, andando até ele quando ele se virou para me encarar. "Por que está tudo tão morto por aqui hoje?"

"Ah." Ele disse, parecendo surpreso de eu não saber. "Ben Cheney vai se casar." Eu dei a ele um olhar curioso, querendo saber por que isso afetaria seus negócios. "Eu acho que todo mundo que mora nessa cidade foi convidado. Até eu irei mais tarde para a recepção depois de fechar o mercado".

Eu balancei a cabeça uma vez, em grande parte, absorvendo a informação.

Todos foram convidados... exceto nós. E não era porque éramos novos na cidade, ou porque ninguém soubesse quem nós éramos.

Todo mundo conhecia 'os Cullen'.

De repente me pareceu que talvez nós tivéssemos sido convidados. Teria sido semanas atrás, quando Edward ainda estava com raiva de mim. Ele nunca teria mencionado isso e nem sequer sonharia em me levar.

Eu podia sentir meu coração começar a martelar quando eu me encontrei de repente e brutalmente me lembrando dos únicos três casamentos que eu já tinha ido, nenhum dos quais eu quis participar.

Um tinha sido o da minha mãe, logo após o meu primeiro ano de faculdade. Eu não tinha ficado para a recepção.

Um deles tinha sido o meu.

E exatamente antes dele...

"Existe um banheiro aqui, Mike?" Eu respirei, sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas, a bile subindo na minha garganta.

Mike me mostrou o fundo do mercado e abriu a porta do banheiro para mim, dizendo-me com uma piscadela que era só para os funcionários, mas que ele faria uma exceção para mim. Eu tentei sorrir com gratidão quando ele pegou minha cesta de compras de mim, dizendo que ele passaria tudo enquanto eu estivesse lá.

Entrei e fechei a porta atrás de mim. Caminhei até a pia e liguei a torneira, espirrando o meu rosto com água. Olhei para o banheiro, lembrando como a porcelana fria era quando eu estava assentada sobre ela, imóvel...

Ouvi a porta da frente do meu apartamento abrir e fechar e o tilintar das chaves quando Edward entrou e chamou por mim. De alguma maneira eu consegui dizer-lhe onde eu estava e que eu sairia em um minuto. Fiquei aliviada ao descobrir que a minha voz ainda funcionava.

Quase 20 minutos se passaram e eu ainda não tinha me movido.

Ouvi uma batida leve na porta, e então a voz preocupada de Edward. "Bella? Você está bem aí?"

Eu não respondi.

"Bella?" Eu ouvi de novo.

Em seguida, a porta estava sendo empurrada lentamente e Edward enfiou a cabeça, parecendo muito preocupado. Quando ele me viu, sentada rigidamente no assento do vaso sanitário, ele empurrou a porta para o lado e entrou.

Eu o vi abrir a boca para dizer alguma coisa, mas ele parou quando seus olhos caíram para a minha mão fechada hermeticamente em um punho, enrolada em um pequeno plástico branco.

"Bella?" Ele disse novamente, sua voz suave e suplicante. Ele deu um passo hesitante em minha direção. "O que é isso?"

Eu não respondi.

Ele fechou a distância entre nós com movimentos extremamente lentos, como se eu estivesse prestes a surtar a qualquer momento. Ele se ajoelhou na minha frente, sua mão estendendo para envolver em torno do meu punho. Sua pele, geralmente quente e suave, estava muito quente e desconfortável. Ainda assim, lutei contra o impulso de afastá-la. Em vez disso, eu relaxei minha mão quando ele gentilmente me pediu para soltar o meu aperto com dedos suaves.

O plástico caiu na palma da sua mão aberta e ele olhou para ele com os olhos arregalados.

"Você tem certeza?" Ele respirou calmamente. Então ele estava olhando para mim, os olhos implorando por algo que eu não entendia.

Eu arrastei meus olhos até a pia incisivamente. Ele se levantou e caminhou até seguir o meu olhar. Ele olhou para baixo, seus olhos se arregalaram de novo quando ele olhou as sete tiras de plástico idênticas, que estavam deitadas aleatoriamente em uma cama de porcelana.

Finalmente, ele se virou para mim.

"Um bebê?" Sua voz estava tão calma. "Sério?"

Eu podia ver isso. Eu podia ver a esperança que rastejou lentamente em seus olhos. Eu podia ver sua mente trabalhando rapidamente, imaginando maneiras de usar isso, para me prender, para me forçar a ficar com ele. O pior de tudo, eu podia ver sua felicidade crescendo. A euforia.

Isso me fez querer vomitar.

"Eu tenho que ir." Eu disse rapidamente, saltando para os meus pés de repente e saindo do banheiro sem olhar para ele.

Eu o ouvi tropeçar atrás de mim, tentando manter-se de pé. "Ir? Ir para onde?"

Eu ignorei sua pergunta, caminhando para o meu armário e puxando a porta aberta. Parada na frente de todas as minhas roupas, eu arrastei minha camisa sobre a minha cabeça, deslizei minhas calças pelas minhas pernas. Eu podia sentir os olhos de Edward queimando dentro de mim, mas eu sabia que não era desejo neste momento.

"Bella, fale comigo." Edward implorou, parecendo nervoso.

Eu não respondi a ele ou até mesmo reconheci que ele tinha dito algo. Em vez disso, eu estendi a mão e agarrei o tecido azul na parte de trás do meu armário, perto da parede. Tirei o vestido bonito, jogando o cabide no chão atrás de mim quando eu deslizei o zíper para baixo e o puxei sobre a minha cabeça.

"O casamento?" Eu ouvi Edward ofegar atrás de mim. "Você está indo para o casamento?"

Senti uma onda de irritação com a acusação em sua voz.

Ele continuou, "Nós dissemos que não iríamos".

Olhei para ele brevemente com olhos irritados. "Ninguém está fazendo você ir".

Edward não se intimidou. Ele balançou a cabeça e deu um passo em minha direção, sua voz séria. "Bella, nós conversamos sobre isso. Isso só vai te machucar".

Eu suspirei em irritação. "As coisas estão um pouco diferentes agora".

"Diferentes? Diferentes como?" Edward perguntou, sua voz exigente e com medo. "Diferente com Jacob? Por quê?" Ele respirou fundo antes de assobiar, "Porque você pode fazer-lhe ciúmes agora?"

Eu passei por ele em busca dos meus sapatos. "Não seja tão ridículo".

"Não realmente." Ele disse, seguindo-me quando sua voz tornou-se um pouco mais alta. "É assim você pode dizer a ele o quanto você o superou mais rápido? É assim que você pode mostrar isso a ele em seu próprio casamento? Você acha que isso é algum tipo de concurso?"

Eu me virei para encará-lo, então meus olhos piscaram e minhas bochechas queimaram. "Oh, então de repente você está se sentindo muito usado? Nem tente isso, Edward." Eu zombei, minha voz rouca. "Você entrou nisso com seus olhos abertos".

"Esse não é o ponto." Edward balançou a cabeça. "Precisamos conversar sobre isso".

"Nós realmente não precisamos." Eu disse, revirando os olhos e correndo de volta para o banheiro.

Apanhei todos os testes de gravidez da pia e os joguei no lixo, então eu tive espaço para arrumar meu cabelo e colocar maquiagem.

"Bella." Edward disse atrás de mim. Eu podia vê-lo no espelho, parado na porta me olhando, sua mão agarrada em torno daquele último teste como se ele fosse salvá-lo. "Eu sei que você não quer começar nada comigo, eu sei que você só queria uma transa rápida e alguém para segurar você depois. Mas isso é real agora e você não pode simplesmente ignorar e fingir que nada mais é um meio para um fim." Ele fez uma pausa para tomar fôlego, depois acrescentou, sua voz mais dura do que eu já tinha ouvido, "Isso não é um jogo, Bella".

Eu me virei e caminhei até ele. Eu podia vê-lo lutando contra o desejo de se afastar de mim quando eu me inclinei para perto. "Não, não é." Eu concordei.

Eu passei por ele, empurrando meu ombro no seu peito e o sentindo se render a mim, abrindo espaço para eu ir embora.

"Então fique comigo." Edward disse, ainda me seguindo. Sua voz era suave agora. "Vamos organizar tudo. Eu sei que você está com medo agora, mas eu realmente acho que precisamos apenas-"

"Não é seu." Eu atirei.

Houve um silêncio.

Eu olhei para Edward quando eu me abaixei. Ele estava parado, seu corpo imóvel, piscando para mim. Eu não tinha certeza se ele estava respirando.

"E?"

Eu levantei, agarrando a minha bolsa. "E? E? E você não está envolvido nessa porra, Edward".

Eu assisti o entendimento lavar suas feições.

"Você vai para..." Ele sussurrou, sua voz desaparecendo à medida que ele começava a entender.

Eu sabia que ele queria usar essa criança para amarrar-me a ele. Bem, eu tinha tido uma idéia semelhante.

Éramos cruéis, nós dois.

Depois, Edward pareceu sair de qualquer choque que ele estivesse tendo. Ele foi até meu armário e tirou uma das gravatas que eu usava como cinto. Ele a envolveu ao redor do pescoço e começou a apertá-la.

Eu corri até ele e golpeei suas mãos para longe do material, puxando-o para longe dele. "O que você está fazendo?"

"Eu vou com você." Ele disse simplesmente.

Tossi de espanto. "Não, você não vai".

"Por quê?" A exigência de Edward foi mais baixa agora. Sua voz estava agoniada. "O que você acha que vai acontecer, Bella? Você acha que ele vai se afastar de Renesmee? Você acha que ele vai pegar você de volta e fazer tudo se acertar de novo?"

"Por que não?" Eu atirei de volta. "Ele ainda me ama. Ele não teve tempo suficiente para parar." Então eu dei de ombros, "E ele simplesmente 'se afastou' de mim, não foi? Exatamente assim? Ele vai fazer isso novamente".

Edward gritou um riso de desgosto. "E isso faz você querê-lo?"

"Eu estou carregando o filho dele!" Eu chorei, chocada com o quão alto eu gritava com ele.

Edward hesitou com as minhas palavras antes de arrastar os seus olhos para mim em derrota, incapaz de dizer qualquer coisa em resposta. Eu podia ver seu rosto inteiro endurecendo e andei até a minha mesa de cabeceira. Ele colocou o pequeno plástico branco sobre a madeira, sua mão o cobrindo por um momento antes de cair de volta para seu lado.

Sem se virar para me olhar, ele sussurrou, "Ele não vai deixá-la".

Senti meu rosto ficar vermelho quando meu coração começou a martelar. Eu não me permitiria nem mesmo pensar nisso. Joguei meu cabelo desafiadoramente, o gesto desperdiçado, já que Edward estava de costas para mim. Virei-me no meu calcanhar e fiz meu caminho até a porta da frente.

"Eu acho que nós vamos descobrir isso".

Ouvi uma batida na porta do banheiro e de repente eu estava de volta ao mercado.

Eu podia ouvir Mike chamando meu nome com curiosidade e eu assegurei a ele que já sairia.

Deslizei a trava e com calma fiz o meu caminho para o caixa, onde ele tinha tudo ensacado e pronto para levar. Entreguei-lhe meu cartão de crédito e ele sorriu para mim amavelmente enquanto o passava e me pedia para assinar.

"Você precisa de alguma ajuda com isso?" Ele ofereceu, apontando para as sacolas.

"Isso seria ótimo, obrigada." Eu concordei, embora eu realmente não precisasse de ajuda.

Ele pegou quatro das sacolas antes que eu pudesse protestar, deixando-me com as duas restantes. Eu o segui para fora e ele olhou em volta com curiosidade.

"Onde está seu marido?" Ele perguntou, seus olhos caindo sobre mim em confusão.

"Ele não veio." Dei de ombros, como se aquilo fosse normal.

"Oh".

"Sim." Eu disse, e fiz meu caminho até minha caminhonete.

Mike seguiu atrás de mim. "Então, onde está...?" Ele começou a perguntar. Ele parou quando me viu destrancar minha porta. "Whoa. Carro novo?"

"Sim".

Mike riu e olhou para a caminhonete, as sobrancelhas levantadas. "Esse Cullen gosta de mimá-la." Ele brincou com um sorriso.

"Sim." Eu disse, minha voz curta. "Ele gosta".

Eu não estava certa de por que eu me senti de repente na defensiva sobre o carro e sobre Edward, mas eu não podia deixar que Mike olhasse isso com desaprovação. Mike viu a minha expressão e imediatamente começou a recuar.

"Desculpe." Ele disse rapidamente. "Eu só quis dizer que eu sei que a família tem um monte de dinheiro e por isso..." Ele parou, pedindo desculpas novamente. "Desculpe. Eu achei que com ele aceitando receber tão pouco recentemente, isso faria sentido..." Ele parou de falar, sabendo que não estava chegando a lugar nenhum.

Senti minhas próprias sobrancelhas subirem em seu comentário, incerta do que ele quis dizer e não sabendo como perguntar a ele sobre isso.

"O que você quer dizer com isso?" Perguntei, fingindo mais incômodo do que eu sentia.

Por que Edward estava recebendo menos?

"Não, nada." Mike assegurou para mim nervosamente. "Apenas, eu sei que ele não esteve trabalhando tanto porque Felix disse..." Outra pausa antes, "Ouça, estou apenas cavando mais e mais, não estou?"

Não trabalhando tanto?

Eu suspirei. "Está tudo bem, Mike".

Mike pareceu agradecido e entregou-me as minhas sacolas. Eu as coloquei no banco do passageiro e ao longo do chão antes de fechar a porta.

Quando eu virei para trás, Mike ainda parecia arrependido.

"Bem, eu acho que vou vê-la na próxima semana?" Ele disse, seu tom de voz soando como uma pergunta.

"Eu acho que sim." Concordei com um encolher de ombros.

Andei até o outro lado da caminhonete e entrei na cabine. Mike me deu um aceno hesitante enquanto se dirigia para a loja. Eu acenei de volta. Coloquei a caminhonete em marcha ré e bombeei na embreagem duas vezes antes de recuar para a rua.

Minha mente era um turbilhão de perguntas, a mais urgente era o que Mike quis dizer com Edward estar trabalhando menos. A menos que ele estivesse apenas referindo-se a recentemente, depois da nossa briga, quando Edward pareceu milagrosamente próximo por quase todos os dias, eu não conseguia pensar em um único dia que ele tenha ido para casa antes das seis. E algo sobre a maneira como Mike havia dito isso me fez pensar que ele não estava falando sobre as últimas semanas.

Tentei imaginar o que ele poderia estar fazendo, quem ele poderia estar vendo, o que poderia estar mantendo-o afastado. E percebi de repente que isso não importava. Poderia ser qualquer coisa. Suas motivações eram tudo o que importava, e elas eram claras. Ele queria ficar longe de mim.

Perguntei-me de repente se ele estava no casamento de Ben Cheney hoje.

Percorri cerca de metade do caminho para casa antes que eu sentisse tremores violentos e ondas de soluços começarem a me tomar. Segurei o volante fortemente, lutando para respirar, enquanto as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, meu corpo inteiro tencionou e tremeu com o movimento. Senti-me irracional e tola por chorar sobre a memória de algo que aconteceu anos atrás, e minha frustração comigo mesma só me fez chorar mais.

A estrada começou a borrar em minha visão e eu bati o no freio forte, desviando para fora da estrada. Não havia um acostamento, mas a terra era tão lisa e plana junto à rua que isso realmente não importava.

Agarrei na maçaneta de metal e empurrei a porta aberta, tropeçando para a estrada antes de caminhar até o outro lado da caminhonete, encostando no capô enquanto eu lutava para me controlar. Eu não conseguia recuperar o fôlego.

Quanto mais tempo eu passasse aqui, mais perspectiva eu estava começando a ganhar na minha vida. O único problema era que minha vida não tinha sido agradável.

Tudo o que eu conseguia pensar era no rosto de Edward. Edward agora, Edward antes. A traição, raiva, dor, amor. E o fato indiscutível e inegável de que ele ainda estava aqui. Mesmo que eu não merecesse isso, embora na maioria das vezes eu não quisesse, ele ainda estava aqui para mim.

Ele ainda queria consertar o telhado gotejante.

Eu não poderia mais estar com medo. Eu não poderia estar com medo de ficar sozinha, ou em pé sobre meus pés, ou com medo de querer as coisas. Eu devia a ele mais do que isso. Eu devia a mim mais do que isso.

Talvez eu não merecesse ter uma vida feliz, mas eu tentaria para sempre merecer uma.

Finalmente, eu voltei para a caminhonete, limpando o meu rosto molhado e fungando enquanto eu lutava para manter a minha tênue posição de controle. Bati a porta atrás de mim e abaixei o freio de mão com a respiração entrecortada.

Não havia mais ninguém na estrada para testemunhar, e eu fui capaz de puxar de volta para a estrada com facilidade.

As lágrimas continuaram escorrendo silenciosamente pelo meu rosto, curvando debaixo do meu queixo e deslizando no meu pescoço. Não cheguei a detê-las. Eu dirigi devagar e com cuidado por todo o caminho até a entrada da garagem da casa da fazenda, estacionando com relutância.

Fazia dois dias e eu já estava um caco, tão presa na minha cabeça que eu não podia nem mesmo fazer uma visita ao supermercado sozinha sem ter um colapso.

Estacionei a caminhonete perto da varanda e a desliguei. Sentei-me por vários momentos, agarrando o volante e olhando para a pintura rachada e descascando no corrimão. Tomei uma respiração irregular e fechei meus olhos, descansando minha cabeça suavemente contra o volante em derrota, exausta de tanto chorar.

Eu não tinha certeza de quanto tempo fiquei ali sentada, de olhos fechados, ouvindo minha própria respiração lenta e calma. Eu podia sentir minhas lágrimas secarem nas veias salgadas na minha pele, duras e desconfortáveis.

De repente, houve um acentuado toque no vidro da minha janela.

Meus olhos se abriram e levantei minha cabeça, meu corpo inteiro empurrando violentamente em choque. Eu chicoteei ao redor, boca aberta, meu aperto no volante gerou hematomas com o medo enquanto o meu coração parou e depois começou a bater bem forte.

Junto à minha caminhonete, vestido com um velho casaco cinza e calça jeans, cabelo despenteado e selvagem, estava Edward.

Ele estava sorrindo para mim timidamente, sua expressão ligeiramente divertida com o meu choque.

Eu podia vê-lo lentamente perceber minha aparência abatida, seu sorriso desaparecendo em uma carranca preocupada. Sua testa franziu quando ele olhou para mim, e eu podia ver as rodas em sua cabeça imediatamente começarem a girar, tentando descobrir o que estava errado.

Ainda olhando para mim com curiosidade - seus olhos cheios de preocupação - ele me deu um pequeno aceno indiferente.

Eu fiquei completamente imóvel, sentindo-me subitamente paralisada pela culpa e choque e alívio. Ele segurou o meu olhar pelo que pareceu uma eternidade antes da sua mão se aproximar. Antes de registrar o que ele estava fazendo, eu ouvi o clique da fechadura quando ele abriu minha porta.

Sem dizer uma palavra, ele estendeu sua mão.


Nota da Irene: Oi meninas, voltei hoje e corri pra ler todas as reviews. Eu fico tão bobona quando leio cada uma. Tão feliz de saber que vcs estão aqui curtindo a história comigo. Essa história é tão não-convencional e eu achei realmente que poderia não ter "audiencia", mas ter vcs comigo me faz ficar mais alegre. Vcs alcançaram mais de 50 reviews em Parachute, então provavelmente amanhã terão uma cena extra. Fiquem de olho.

Obrigado.

O Ed nesse momento "pode" ter pensado que ela estava triste por ele estar lá quando ela voltou. É tão confuso esse relacionamento deles. O maior problema é a falta de comunicação. Estou aqui sofrendo pra Bella abrir logo a boca e colocar todo esse sentimento pra fora. Cruzem os dedos e até quinta que vem.

Bem, eu fiquei fora essa semana e fora isso, está rolando o Encontro Pervas em Natal, por isso minha beta Ju está de folga.

Este capítulo ela já tinha me mandado antes, pois eu ja traduzi a fic até alguns capítulos a mais, mas as outras fics ela ainda não betou e eu terei que aguardar o retorno dela. Tudo bem?

Então curtam esse capítulo e espero voltar ao cronograma normal na segunda. Beijos a todas. Obrigado pelo carinho.