Capítulo 26 - O Risco
"Emmett?"
Eu estava na varanda, a brisa quente girando em torno do meu corpo, fazendo o meu cabelo e minhas roupas chicotearem quando eu vi meu cunhado bater a porta da sua caminhonete.
Ele se virou para olhar para mim com um sorriso largo. "Hey, Bella!" Ele vestia uma calça jeans surrada e uma velha camisa salpicada de tinta, com gigantes braços fortes, totalmente expostos ao ar frio da primavera. Ele não pareceu notar o frio enquanto andou os dois degraus de cada vez até que ele estava em pé diante de mim.
Eu sorri para ele, um pouco confusa. "Oi?"
Rindo da minha expressão, Emmett me puxou para um abraço entusiasmado. Eu automaticamente enrijeci, minhas costas se dobraram sob o peso esmagador do seu corpo pressionado contra o meu.
"O que você está fazendo aqui?" Engoli em seco.
Senti o barulho de uma risada no peito de Emmett.
"É bom ver você também." Ele observou, sua voz brincando com sarcasmo. Ele se afastou, descansando suas mãos sobre meus ombros quando ele se inclinou para trás para olhar para mim. "Você sabe, eu realmente senti falta da sua personalidade quente e receptiva".
"É bom vê-lo, claro." Eu disse a verdade, com um leve rubor.
Emmett balançou a cabeça. "Estou brincando." Ele me assegurou, dando em meus ombros um aperto de leve antes de me liberar.
Eu sorri para ele depois de uma breve hesitação.
"Quer entrar?" Eu ofereci desajeitadamente, apontando para a porta da frente.
"Não posso." Emmett disse, cruzando os braços sobre o peito largo com uma seriedade bem-humorada. Os músculos dos seus antebraços ficaram intimidantes quando ele os flexionou. "Eu estou estritamente em serviço no exterior".
Minha testa franziu. "O quê?"
"Edward me pediu para vir aqui." Emmett explicou com um encolher de ombros. "Ele pediu-me para fazer um levantamento de materiais, e dar a ele o meu parecer experiente sobre o telhado".
Ele se virou e caminhou de volta pela escada da varanda, olhando para o telhado, como se ele fosse capaz de avaliar os danos de baixo. Eu o segui para fora da varanda e segui o seu olhar para o telhado. Eu não conseguia ver nada.
Movi os meus olhos para ele com curiosidade.
"Você tem experiência com isso?" Eu me perguntei.
Emmett sorriu, mudando sua visão de cima da casa para olhar para mim. "Nem um pouco".
Eu bufei levemente, sorrindo verdadeiramente em resposta.
Era incrível a rapidez com que eu tinha começado a sentir-me confortável ao redor de Emmett. Tudo nele era tão perfeitamente fácil, ele realmente não parecia se encaixar com o resto da família Cullen. Eu não podia imaginar Edward ficando junto com ele, muito menos ver sua irmã séria casar com ele. Ele era atraente, com certeza, mas parecia faltar uma certa... intensidade. Até mesmo Esme, tão amável e maravilhosa como ela era, sentia tudo com exagerada paixão e foco.
Emmett apenas... aceitava.
Ele era um par de centímetros mais alto do que Edward, seu enorme tamanho me fazia sentir incrivelmente pequena quando eu estava ao lado dele. Ainda assim, seu sorriso bondoso e suas bochechas com covinhas lhe davam um ar jovial, que me fazia sentir perfeitamente segura.
Ele não me olhava atentamente ou se concentrava em mim do jeito que Edward fazia.
"Por que ele não pediu a Jasper para fazer isso?" Eu perguntei depois de uma ligeira pausa, voltando-me para olhar novamente para o telhado. "Ele é dono de uma empresa de construção civil, certo?"
Emmett me atirou um olhar indignado.
"Quero dizer, não que você não vá fazer um grande trabalho com o... levantamento." Eu corrigi com um sorriso. Dei de ombros e balancei a cabeça em direção a cabana dos Whitlock. "Jasper simplesmente vive tão perto".
"Sim, mas eu moro perto de Edward." Emmett explicou com um sorriso malicioso. Então ele se inclinou para mim, a voz suavemente conspiratória. "Entre eu e você, eu tenho certeza que o velho Eddie quereria um relatório".
"Um relatório?" Eu perguntei, levantando uma sobrancelha em questão.
Emmett balançou a cabeça. "Em como você está indo".
"Eu o vi há quatro dias." Eu zombei.
"Ouça, não é minha culpa que ele seja essa temperamental bola de stress." Emmett disse-me, atirando as mãos para cima no ar. "Eu acho que é melhor não fazer perguntas..."
Ele parou e olhou de volta para o teto, balançando a cabeça e sorrindo ligeiramente. Eu o observei por um momento, curiosa.
Por fim, perguntei, "Por que ele simplesmente não veio aqui?"
"Trabalho." Emmett deu de ombros facilmente.
"E você não precisa trabalhar?"
Emmett olhou para mim e sorriu. "Eu não tinha nada para fazer esta manhã."
"Bem, obrigada." Eu murmurei, meu rosto incendiando. "Foi muito gentil da sua parte dirigir por todo esse caminho".
Emmett acenou com a mão, impaciente. "Oh, eu não fiz isso só por ele. Eu queria ver você." Ele sorriu para mim. "Parece que você não foi até a cidade para uma visita desde que chegou".
"Eu estive na cidade há algumas semanas, mas só por algumas horas." Lembrei-me em voz alta, pensando em minha viagem para Colorado Springs com Alice. Então eu sorri em tom de desculpas. "Desculpe, eu senti sua falta".
"Oh, certo." Emmett balançou a cabeça lentamente, recordando também. "Esme me disse que saiu para almoçar com você." Eu o segui quando ele deu alguns passos de volta para sua caminhonete e abriu a cabine. "Como foi?"
"Foi adorável." Eu disse a ele, observando que ele pegou um rolo de fita métrica, um nível e um transferidor do assento do passageiro.
"Esme é a mais adorável." Emmett concordou enquanto fechava a porta do carro novamente, voltando-se para mim com um sorriso. "Então." Ele disse, olhando ao redor. "Você tem uma escada escondida aqui em algum lugar?"
"Oh." Pisquei. "Yeah. Claro".
Levei Emmett para o lado de trás da casa onde Edward havia deixado a escada inclinada horizontalmente no chão. Passamos pela árvore morta enquanto caminhávamos, o tronco dividido, a casca enegrecida e alisada pelo fogo. Eu senti uma leve torção no meu estômago.
Na tentativa de me distrair, peguei a escada grande e a levantei do chão.
Ela vacilou um pouco no meu punho até que eu segurei as duas extremidades de forma equilibrada. Quando eu tive certeza de que eu a tinha estabilizado e que eu poderia levá-la com facilidade, eu me virei.
Emmett arrastou atrás de mim calmamente.
Quando cheguei ao lado da casa que estava logo abaixo do quarto frio, apoiei a escada de modo que o último degrau descansasse contra a borda do telhado.
"É aí." Eu disse a Emmett, virando-me para ele e apontando para cima da escada. "Vê onde a lona está?"
Balançando a cabeça, seus olhos seguiram o meu dedo. "Vi".
Ele mudou seu aperto de modo que tinha tudo em uma de suas mãos enormes, antes que ele começasse a subir. Eu segurei firme a escada no fundo, olhando nervosamente enquanto ele subia. Respirei um suspiro de alívio quando ele passou a perna por cima e pisou na parte plana do telhado.
Quando eu tive certeza de que ele estava seguro, eu hesitei, imaginando se eu deveria ficar ali, caso ele precisasse de alguma coisa. Antes de eu me mover um centímetro, o rosto de Emmett apareceu ao longo dos lados do telhado, olhando para mim com um sorriso encorajador.
"Você não vem?" Ele me perguntou, curioso e amigável.
Minha boca caiu ligeiramente aberta. "Aí em cima?"
"Bem, eu vou precisar de uma ajudinha." Emmett deu de ombros antes de estreitar os olhos um pouco, dançando um sorriso maroto em suas feições. "Eu não sou tão habilidoso quanto, digamos, Jasper".
Eu podia sentir-me corar mais uma vez quando cruzei meus braços. "Você sabe que eu não quis dizer isso assim".
Emmett riu da minha vergonha. "Vamos, Bella. Traga sua bunda até aqui".
Olhei para ele por alguns segundos, esperando que ele recuasse, ou mudasse de idéia. Ele simplesmente olhou para mim com aquele sorriso estúpido e sedutor.
Coloquei uma das minhas mãos sobre o primeiro degrau na minha frente, meus dedos envolvendo em torno do metal frio com força.
Engolindo de forma audível, arrisquei, "Isso não é um pouco... perigoso?" Olhei para cima e para Emmett em confirmação.
"Não." Ele balançou a cabeça e agarrou aos lados do topo da escada. "Eu seguro você".
Lambi meus lábios, sentindo um intenso medo e pavor pulsando dentro de mim.
Eu estava tão acostumada com isso: o sentimento de terror em tudo o que eu fazia. Toda vez que eu considerava correr um risco, cada vez que eu pensava em me colocar no caminho do mal, todo o meu ser - corpo e mente - parecia bloquear em pânico.
Eu estava cheia disso.
"Tenho de avisá-lo." Eu disse, tentando manter a voz firme quando peguei um degrau a mais com minha outra mão. "Eu sou muito propensa a acidentes".
"Bella?" Eu ouvi Emmett dizer acima de mim. Eu rasguei o meu olhar para longe das minhas mãos brancas e olhei para ele. "Agora".
Tomei uma respiração profunda e me equilibrei com a firme confiança em sua voz e comecei a subir. Eu me concentrei em mover um membro de cada vez. Mão, mão. Pé, pé. Mão, mão, pé, pé. Com cada movimento, eu respirava. Eu não olhei para o chão abaixo de mim e não olhei para Emmett.
Fiquei surpresa quando, de repente, havia duas grandes mãos segurando a escada ao meu lado. Olhei para cima para ver o rosto de Emmett perto do meu, olhando para mim com um sorriso cheio de dentes.
"Está vendo?" Ele disse, soltando um lado da escada para pegar minha mão e me ajudar a subir no telhado. "Isso não foi tão difícil, foi?"
"Não." Eu respondi, balançando a cabeça, minha voz tremendo de sarcasmo. "Não é tão enervante".
"Lá vai você." Emmett riu alto e apertou meus ombros, apertando-me ao seu lado.
Foi um gesto tão estranho para mim, que eu achei distintamente reconfortante. Eu não achei que foi só porque eu não tinha tido qualquer contato físico com alguém por tanto tempo, embora isso certamente fosse verdade. Tinha mais a ver com o fato de que toda vez que ele colocava o braço no meu ombro, cada vez que eu sentia o calor do seu lado pressionado contra o meu, eu quase me sentia como se tivesse uma família.
Ele poderia ter sido meu irmão.
Quando ele me soltou novamente e transferiu para a lona, fiquei imóvel por um momento, olhando em volta cautelosamente, mas evitando olhar sobre a borda. A maior parte da neve e do gelo haviam derretido do telhado, e eu tinha certeza de que o vazamento pararia em breve.
"Então." Eu comecei, orgulhosa de quão calma eu soei. "Isso é um hábito de vocês?"
"O quê?" Emmett perguntou, levantando a lona um pouco para olhar embaixo.
"Convidar meninas aterrorizadas a subir em telhados para fazer coisas extremamente perigosas." Elaborei enquanto fiz meu caminho até ele.
Ele olhou para mim de onde estava com um sorriso. "Você acha que isso é perigoso?"
"Eu tenho minhas suspeitas".
"Vamos, Bella." Ele riu. "Relaxe. Um pequeno risco pode ser divertido. É por isso que vale a pena viver, certo?"
Revirei os olhos e me ajoelhei ao lado dele, olhando para a lona que ele estava segurando. "Eu dificilmente poderia chamar cair de um telhado para o concreto e uma morte agonizante um 'pequeno' risco".
Emmett me olhou atentamente por um instante antes de sorrir novamente e balançar a cabeça. "Eu estava ancorando você o tempo todo." Ele disse, seus olhos se movendo de volta para o telhado. "Eu nunca a deixaria cair".
Olhei para cima com as suas palavras tranquilizadoras, o meu coração parando na minha garganta.
Meus olhos viajavam sobre ele silenciosamente quando ele fez o seu caminho para o lado oposto da lona para olhar para o outro lado. Havia tanta bondade sobre ele - em suas palavras e em seus olhos. Havia força e conforto em sua presença física e um coração que batia com compaixão. Ele tinha me aceitado, tinha gostado de mim, antes que ele sequer me conhecesse realmente. Talvez ele estivesse apenas equivocado como o resto deles, mas eu quase senti como se a sua boa opinião fosse incondicional e inalterável.
Mesmo que eu sentisse a sensação de segurança em torno dele, minha mente gritava em alerta. Tudo o que ele fazia, cada palavra que ele falava em um esforço para me fazer sentir segura era apenas mais uma razão por que eu não deveria me sentir assim.
Eu só tive uma pessoa de confiança na minha vida, só tinha acreditado em uma coisa.
"Sim." Eu sussurrei em resposta à sua declaração, incapaz de permitir-me acreditar nele.
Não importa o que, eu sempre poderia cair.
Eu poderia voltar para aquele dia - minha última subida, meu último salto de fé, a última vez que eu corri um risco - e eu poderia vê-lo acontecer mais e mais por um milhão de vezes.
E sempre terminava da mesma maneira.
Virei meus olhos devagar e os permiti cair para a borda do telhado e além dele, para o concreto abaixo. Meu coração pulou um pouco de medo, mas não era nada. Não parecia tão longe, não parecia tão assustador. Eu tinha tido muito mais medo quando meus pés estavam sólidos no chão, do lado de fora do restaurante, onde uma recepção de casamento estava sendo realizada.
Depois de deixar Edward sozinho no apartamento, eu tinha me conduzido ao lugar onde eu sabia que eles estariam. Onde eu sabia que ele estaria. Eu fiquei em silêncio por vários minutos, apenas olhando pelas janelas como um viajante, momentaneamente incapaz de romper a distância.
Tudo sobre o seu casamento tinha sido tão modesto, tão apressado. Era simples e pequeno e despretensioso. Eu queria ressentir-me da preguiça deles, do desespero, da vontade.
Mas eu não podia.
Eu só podia ressentir-me do amor deles.
Abri a porta do restaurante, meu queixo firme e determinado. Imediatamente eu estava examinando o grande grupo barulhento de pessoas que já ocupavam todo o local. Eu estava procurando pela pele cobre e cabelo preto em um mar de pessoas. Sua família inteira estava lá.
Quando avancei para a sala, um casal de pessoas olhou para mim antes de fazer uma dupla tomada. A mandíbula de Embry caiu, os olhos do Quil se arregalaram e ele começou a sussurrar rapidamente para Sam. Mesmo Leah - a fria e rejeitada Leah - parecia um pouco atordoada. Eu passei por eles, ignorando seus olhares intencionalmente, e fazendo meu caminho em direção à mesa do banquete no centro do restaurante.
"Bella?" Eu ouvi uma voz calma e tímida ao meu lado. "Bella, o que você está fazendo aqui?"
Virei-me, sabendo exatamente a quem essa voz pertencia mesmo antes dos meus olhos pousarem sobre a pálida e bela ruiva.
Meu olhar era como fogo ardente se arrastando pelo seu lindo vestido de seda branco. Era discreto e perfeito, nada mais elaborado ou excessivo. Ela não precisava de nada complexo e floral, ela era uma visão. Eu podia sentir o calor crescendo em meu rosto - o calor da raiva e da vergonha e da inveja - quando reconheci sua beleza sem falhas, sem defeitos, velhice ou malícia.
Finalmente, eu me controlei o suficiente para ser capaz de falar. "O que você quer dizer com o que eu estou fazendo aqui? Eu fui convidada, não fui?" Eu assobiei, antes de fugir dela para verificar a sala novamente. "Onde está Jacob?"
"Eu não acho que isso é uma boa idéia..." A voz dela ainda estava calma, seu olhar fixo em mim sinceramente.
Eu chicoteei ao redor para enfrentá-la, cuspindo veneno. "Quando foi que eu lhe perguntei o que você pensava?"
Com isso, eu me afastei dela, andando pela sala. Com um gracioso passo, ela permaneceu na minha frente, os olhos cheios de pena quando ela ergueu as mãos para me impedir.
"Bella, por favor." Ela implorou, sua voz suave. "Você realmente não deveria estar aqui".
Eu tranquei os dentes com força para não gritar. Em vez disso, eu rosnei baixo. "Saia do meu caminho".
"Bella, eu sinto muito." Ela confessou, dando um passo em minha direção. Suas mãos ainda estavam estendidas em minha direção, chegando perto demais para me confortar. Eu dei um passo para trás. "Escute, por que você e eu não vamos a algum lugar e conversamos um pouco?"
"Não tenho nada para dizer a você".
Renesmee mordeu seu lábio e assentiu, seus olhos enchendo levemente com lágrimas. "Eu não posso nem te dizer como estou arrependida de tudo..."
Eu queria dar um tapa nela.
Eu lati uma risada, efetivamente a cortando. "Não peça uma fodida desculpa para mim".
Ela balançou a cabeça, dando mais um passo para frente, as palavras correndo para fora rapidamente em uma tentativa de me fazer ouvir. "Eu sei que não há nada que eu possa dizer que vai desculpar isso. Quão rápido tudo isso aconteceu, o que ele fez para você, o que eu fiz com você. Mas eu realmente amo-"
"Não diga isso para mim." Eu rebati, não permitindo que ela terminasse. "Fodidamente não me diga o quanto você o ama. Você não o conhece".
"Bella..." Ela disse meu nome suavemente, sua mão repousando em meu braço.
"Largue-me!" Eu chorei, rasgando-me para fora do seu alcance violentamente e voltando para o salão. "Ele me quer aqui".
Comecei a caminhar para longe dela, esperando que meu corpo estivesse tenso o bastante, minha raiva bastante evidente, para que ela não viesse me seguir.
Eu não consegui mais do que três passos antes que ela me chamasse, "Ele não quer!"
Virei-me para encará-la, meus olhos se estreitando.
"Você é a porra de uma mentirosa." Eu silvei. "Eu recebi o convite. Tão nojento, insípido e cruel como foi me mandar um convite de casamento depois de semanas que ele me deixou, eu ainda entendi. Ele me quer aqui".
Mesmo quando as palavras saíram da minha boca, eu sabia que elas estavam erradas.
Tanto quanto eu odiava a mulher de pé diante de mim, eu podia ver claramente que não havia indício de mentira no seu rosto. Ela acreditava que estava dizendo a verdade.
Ela parecia apavorada.
"Ele não enviou a você o convite." Ela disse finalmente.
"O quê?"
Renesmee mordeu o lábio e inclinou a cabeça para o chão, olhando para mim com mais medo e remorso do que eu já tinha visto na minha vida.
"Fui eu." Ela disse simplesmente.
"O quê?" Eu bati, minha voz mais alta do que eu pretendia que fosse.
Ela fechou a distância entre nós mais uma vez, e fiquei muito chocada para afastar-me dela nesse momento.
Ela parou na minha frente, a centímetros de distância, e baixou sua voz a um sussurro baixo, angustiado. "Eu só... eu nunca pensei que você viria." Ela me disse, sua voz vacilante. "Mas, quero dizer, eu não queria que você ouvisse isso dos outros. E foi tudo acontecendo tão rápido, eu não queria que você simplesmente acordasse em uma manhã e descobrisse que já estávamos casados. E não havia realmente nenhuma forma de eu simplesmente enviar-lhe uma carta explicando. E eu imaginei..."
"O quê? O que você imaginou?" Eu interrompi, meu coração batendo forte em fúria e medo. "Que eu estaria com muito medo de enfrentá-la? Que eu estaria com o coração partido demasi para mostrar minha cara no casamento do meu melhor amigo?"
Esperei por uma resposta que nunca veio.
Eu podia ver seus olhos aumentarem com a minha descrição de Jacob.
De repente, o convite vindo dele fazia um perfeito sentido. Para ela, eu não era nada mais do que uma amante rejeitada; alguém sem motivo ou razão para ser tão masoquista para assistir ao casamento do homem que eu amava.
Ela era tão fodidamente jovem.
"Sim, isso mesmo." Eu continuei, a minha voz aguda e amarga. "Meu melhor amigo. Você o conhece a um total do que? Oito semanas? Bem, eu o conheço pela minha vida inteira." Eu tomei uma respiração profunda. "Podemos ter sido amantes, mas nós éramos amigos primeiro. E eu sei que ele me quereria aqui".
"Mas..." Ela começou, depois hesitou. Ela olhou ao redor da sala rapidamente, antes que seus olhos caíram de volta em mim. "Mas é muito mais complicado que isso".
"Sim." Eu concordei, inclinando-me para que minha cara ficasse a alguns centímetros da dela, minha respiração varrendo quente e com raiva através da sua pele impecável. "Porque você fez isso ficar mais complicado. Você estragou tudo".
Eu assisti a porra de uma perfeita lágrima deslizar pela sua bochecha fodidamente perfeita.
"Eu sei que parece isso." Ela disse suavemente. Sua voz era hesitante e gentil e me deu vontade de estrangulá-la. "Mas, Bella, você talvez não teria sido feliz com..."
"Simplesmente cale-se." Eu respondi.
Ela abriu a boca para dizer algo mais – muito provavelmente algo ainda mais paternalista e ingênuo - mas então eu ouvi meu nome sendo chamado no meio da multidão.
"Bella?"
Era a voz que eu queria ouvir.
Renesmee e eu nos viramos simultaneamente para Jacob, que fez seu caminho através da multidão. Sorri ligeiramente enquanto eu notei que seus olhos estavam treinados em mim.
"Jake!" Eu chamei de volta, dando um passo na direção dele.
"O que você está fazendo aqui?" Ele me perguntou, suas mãos estendendo instintivamente para segurar meus braços.
Calor saiu das pontas dos seus dedos e meu corpo inteiro estremeceu de prazer com o contato. Mas tão rápido quanto ele tinha me tocado, ele deixou cair as mãos para longe da minha pele, seus olhos atirando para a mulher ao meu lado.
Ciúme pulsou através de mim e eu dei um passo em direção a ele quando eu disse energicamente, "Eu preciso falar com você".
Ele olhou para mim com relutância, o rosto cheio de confusão.
"Certo..." Ele disse hesitantemente, esperando que eu continuasse.
"Em particular." Ordenei, agarrando seu braço e puxando-o para longe de Renesmee.
Eu não dei a ele uma chance de discutir antes que eu estivesse arrastando-o através da recepção e para a rua. Ele não resistiu a mim, mas eu não olhei para trás para ver sua expressão. Depois que fomos para fora do restaurante, eu soltei seu braço e me virei para enfrentá-lo. Ele estava parado, confuso na calçada.
"Bella, o que está acontecendo? O que é isso?" Ele perguntou.
Eu apertei minhas mãos juntas na minha frente e mordi meu lábio, tentando reunir a minha coragem, tentando lembrar da minha raiva.
Parte de mim estava tão feliz de vê-lo novamente, de estar perto dele e estar falando com ele. Era a mesma parte que gritava com a dor de perdê-lo a cada minuto de cada dia.
"Bella, acabou." Ele continuou quando eu permaneci em silêncio. "Eu casei com ela. Eu estou feliz." Então ele suspirou e começou a andar para trás e para frente na minha frente, acenando com as mãos ligeiramente. "Eu sei que o que eu fiz com você foi imperdoável, mas eu tinha que fazer. Quero dizer, eu apenas olhei para ela e eu soube. Eu nunca tive tanta certeza sobre qualquer coisa na minha vida. E eu te amo, mas era como se eu não tivesse controle sobre... "
"Eu estou grávida".
Jacob parou em suas palavras, seus olhos arregalando quando ele se virou para olhar para mim. Sua boca estava escancarada, a frase inacabada, as palavras indesejadas cessaram imediatamente.
Eu esperei, tentando não entrar em pânico enquanto ele olhava para mim fixamente, sua expressão ilegível. Meu coração estava martelando no meu peito e eu nunca tinha ficado tão nervosa.
Eu sempre podia lê-lo.
Olhei de volta para o seu rosto, limpo de emoção, e eu senti como se estivesse olhando dentro dos olhos de um estranho. Este não era Jacob. Eu sempre sabia quando algo estava errado, quando algo estava certo, quando ele estava feliz ou triste ou alegre ou com raiva. Eu sempre sabia, porque eu o conhecia.
Eu não conhecia?
"Eu não sei o que você quer que eu diga." Jacob disse por fim.
Meus olhos dispararam para encontrar os seus ao som da sua voz, sentindo-me relaxar. Ele me confortaria agora, ele me diria o que eu queria ouvir, ele a deixaria e ele me amaria e tudo ficaria bem agora que estávamos conversando novamente.
Enquanto eu esperava ansiosamente, sua testa franziu e ele perguntou, "Será que...?"
"Sim." Eu assenti, sabendo qual era a pergunta antes de ele terminar de perguntar. "É seu".
Jacob olhou para o meu rosto por alguns momentos antes de se virar rapidamente, como se ele não gostasse do que viu ali.
Eu observei, prendendo a respiração, quando ele retomou a andar de um lado para o outro. Desta vez havia mais propósito em seus passos, mais energia e mais raiva.
"O que você acha que está fazendo, Bella?" Ele de repente gritou, interrompendo seus passos e girando o rosto para mim novamente. "Eu acabei de casar".
"O quê?" Eu gaguejei, meu rosto todo aquecendo.
"Eu não posso acreditar em você".
"Então eu não deveria contar a você?" Perguntei-lhe, minha voz um pouco vacilante com o choque e a raiva. "Isso é muito inconveniente para você?"
Jacob gritou uma risada sem humor. "Sim, um filho é um puta inconveniente." Ele vociferou.
Meu queixo caiu em estado de choque.
A marcha recomeçou.
"Você vem aqui." Ele vociferou, acenando com as mãos. "Para o meu casamento, onde minha esposa está esperando lá dentro, e você..." Ele parou, parecendo muito irritado para falar. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, engolindo as palavras antes de finalmente se virar para mim acusadoramente. "Você não poderia pegar um telefone?"
"Pegar um...?" Eu sussurrei em descrédito.
Jacob me olhou duro antes de murmurar: "Jesus Cristo." Ele passou a mão pelo cabelo frustrado e eu podia ver os músculos em seus braços enrijecerem e relaxarem. Parecia que ele queria bater em alguma coisa.
"Sinto muito por vir aqui." Eu levantei meu queixo para fora desafiadoramente, estreitando os olhos para ele. "Mas eu pensei que você gostaria de saber disso agora".
Jacob balançou a cabeça e soltou um suspiro de raiva, todo o seu corpo parecendo relaxar um pouco na expiração.
Eu o observei atentamente, sabendo que sua mente estava atropelando tudo o que eu tinha acabado de dizer a ele. Sua reação inicial foi lançar-se no medo e frustração, mas eu podia vê-lo amolecendo ligeiramente quando ele começou a compreender o que eu estava lhe dizendo.
Vendo a minha oportunidade, eu dei um passo em direção a ele, e depois outro, até que eu estava parada a centímetros do seu peito.
Ele olhou para mim, seus olhos tristes agora.
Estendi a minha mão e a coloquei em seu rosto antes de deslizar suavemente meus dedos levemente para baixo da sua mandíbula numa carícia suave. Sua pele era tão macia.
Ele suspirou outra vez, e fechou os olhos.
"Jacob." Eu sussurrei, me aproximando. "Eu te amo. E eu sei que você ainda me ama..."
A mão de Jacob estendeu para a minha mão e senti seus dedos curvarem ao redor do meu pulso com força, parando a minha mão e forçando-a a se afastar do seu rosto.
"Não." Sua voz era firme, mas seus olhos ainda eram tristes.
"Por quê?" Eu respirei, aproximando-me ainda mais. Ele ainda não tinha soltado o meu pulso. Meus seios levemente escovaram contra o seu smoking, o espaço entre nós desaparecendo. "Diga-me que você não me ama mais".
Jacob ficou em silêncio por um longo tempo, olhando para qualquer outro lugar, menos diretamente para mim.
"Eu não posso." Ele disse finalmente, sua voz derrotada.
Meu coração disparou e eu assenti, sorrindo suavemente. Sem parar, eu levantei meu rosto para ele e rocei meus lábios levemente nos lábios dele por não mais que um segundo.
"Bella, pare." Encontrei-me sendo empurrada para fora de forma rápida e cambaleei para manter o equilíbrio, meus olhos arregalados.
"Por quê?" Perguntei-lhe, não compreendendo.
Jacob balançou a cabeça. "Eu estou apaixonado pela Nessie." Estremeci com as suas palavras. "Eu quero a Nessie".
"Mas o nosso bebê..." Eu lutei, sentindo frio de repente.
Desta vez foi Jacob que se aproximou de mim.
Eu lutei contra as lágrimas de alívio quando senti braços quentes envolverem ao redor de mim com força, puxando-me para a segurança do seu abraço.
"Eu quero isso, Bella." Ele sussurrou em meu cabelo. "Eu quero meu filho".
"Então... você vai voltar para mim?" Eu me afastei um pouco para olhar para ele, meus braços ainda embrulhados em torno da sua cintura enquanto a esperança crescia em meu peito. "Você vai deixá-la?"
Senti os braços de Jacob afrouxarem um pouco quando ele suspirou. "Bella..."
Eu dei um passo para trás, soltando os braços dos seus lados. "Eu não entendo".
"Nós ainda podemos ser amigos, Bella." Jacob sorriu suavemente. "Podemos ter a guarda compartilhada. Nós podemos fazer isso funcionar para nós três..."
"Nós três?" Eu balbuciei, dando outro grande passo para trás enquanto eu olhava para Jacob com horror, lágrimas picando nos meus olhos. "Não! Não, não podemos fazer isso funcionar, porra!" Eu insisti com raiva. "Eu não vou compartilhar você!"
Ele balançou a cabeça. "Eu não sou mais seu para você ter que me compartilhar".
"Você não pode me pedir para fazer isso." Eu disse a ele, tentando ignorar a dor das suas palavras. "Você tem uma responsabilidade comigo agora. Você tem que cuidar de mim!"
"Eu posso." Jacob balançou a cabeça, sua voz suave. "Eu vou. Apenas não do jeito que você quer".
Eu poderia me sentir com dificuldades para respirar, meu peito apertando e trêmulo. "Eu não posso acreditar que você está dizendo isso para mim".
"Eu sei que isto é uma confusão." Jacob colocou a mão no meu braço levemente. Sua palma estava fria agora e eu tremi contra o seu toque. "E eu sei que é culpa minha. Mas, Bella, nós podemos passar por isso..."
"Não." Eu choraminguei, balançando a cabeça com veemência. "Não, eu não posso fazer isso".
"Bella, nós podemos. Você não está sozinha." Ele me tranquilizou, esfregando a mão confortavelmente para cima e para baixo do meu bíceps. Parecia gelo. "Você vai ter a mim e a Nessie e, prometo, assim que você conseguir conhecê-la... você vai amá-la".
"Não me toque!" Eu gritei, afastando-me, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto livremente agora. Cada palavra que saía da sua boca era como algo saído de um pesadelo.
"Acalme-se querida".
Com o carinho casual, eu desabei.
Eu podia sentir meu corpo todo estremecendo e repuxando, minha respiração rápida e espástica. Eu mal podia ver seu rosto, obscurecido através das minhas lágrimas.
"Como eu posso me acalmar?" Pedi a ele em voz alta. "Isto está tudo errado!"
Ele manteve sua voz bem calma e tranquila. "Não..."
"Não? Não? Não era assim que deveria acontecer!" Gritei, apontando para ele acusadoramente. "Você deveria estar comigo! Você devia se casar comigo! Você deveria me querer!"
"Eu sinto muito..." Ele murmurou, agonia por todo o seu rosto.
No final, acho que foi a sua agonia que me fez dizer isto. Acho que foi a dor em seu rosto, o meu pânico, e a desilusão de que ele ainda me amava mais do que ele a amava. Se eu pudesse simplesmente fazê-lo admitir isso, obrigá-lo a reconhecer, tudo ficaria bem.
"Se você não se afastar dela agora." Eu disse com uma corrente de ar, que mostrava o ultimato. "Eu vou me livrar dele".
"Bella..." Jacob deu um passo em minha direção.
"Não!" Eu segurei minhas mãos na defensiva. "Não, eu não vou fazer isso sem você! Eu não vou assistir enquanto ela..." Engoli em seco, incapaz de dizer as palavras. Eu tomei uma respiração profunda estremecendo e terminando, "A escolha é sua".
Jacob ficou em silêncio novamente por um longo tempo.
Ficamos ali parados, na pequena rua na frente do restaurante, exatamente em frente a sua recepção de casamento, e ele me viu chorar e implorar e respirar.
Depois de alguns minutos ele disse calmamente, "Não, Bella. A escolha é sua." Ele estendeu a mão para o meu rosto e escovou os gomos dos seus dedos ao longo da minha pele por apenas um momento. "Você tem que fazer o que você acha que é certo".
Sem outra palavra, ele se virou e abriu a porta para voltar para o restaurante. Voltar para a sua outra vida. Voltar para a mulher que ele amava.
Eu tinha dado a ele a escolha - a última que eu poderia oferecer - e ele tinha escolhido.
Fiquei parada, imóvel, enquanto isso afundou lentamente em mim.
Ele sempre a escolheria.
O tremor e temor continuou e eu mal podia respirar o suficiente para me manter consciente. Eu podia sentir tudo o que acontecia devagar e insensível enquanto eu cambaleei até o meu carro estacionado do outro lado da rua.
Eu me atrapalhei com as minhas chaves, deixando-as cair no chão com um tilintar baixo.
Eu caí de joelhos para encontrá-las, minhas pernas nuas mergulhando no asfalto dolorosamente sob o meu peso.
Agarrei o metal afiado e irregular e empurrei-me para os meus pés.
Observei a minha mão trêmula enquanto eu tentava abrir a porta.
Enfiei as chaves na minha bolsa e me virei para andar pela rua.
A necessidade ardente de me afastar do restaurante me impeliu para a frente com passos abalados. Meu ritmo era rápido e desesperado e logo eu me vi perto do parque nos arredores da cidade.
Olhei para atrás de mim, surpresa.
O parque estava a quilômetros do restaurante e eu tinha saído de lá a segundos.
Lutei contra os meus membros pesados, movendo-me até chegar a uma das árvores na beira do parque. Pressionei minhas costas na árvore, raspando e deslizando ao longo da casca quando eu caí. Curvei meus joelhos até meu peito e os agarrei desesperadamente na tentativa de parar os tremores que continuavam rasgando-me. Engoli em seco, respirações profundas, desesperadas, nem mesmo me importando que eu estivesse estragando o meu vestido.
Eu não podia ver as crianças rindo e brincando, seus pais observando e repreendendo. Eu não percebi quando o sol começou a afundar mais baixo no céu, ou quando - uma a uma - as famílias começaram a deixar o parque para retornar às suas casas.
Eu não sei quanto tempo fiquei ali sentada, completamente só.
Eu pensei que eu ficaria ali para sempre.
"Bella!"
Ouvi alguém gritar meu nome, longe. O som foi chocante para os meus ouvidos depois de longas e dolorosas horas de incontáveis respirações no silêncio. Meu nome soou de novo e de novo, cada vez se deslocando um pouco mais perto no ar crepuscular.
Eu não olhei para ver quem era.
Eu olhei diretamente para a frente, para nada, agarrando meus joelhos um pouco mais forte e lutando para continuar respirando.
De repente, havia mãos quentes nas minhas mãos. Eu podia sentir dedos suaves acariciando os meus, encorajando-os a afrouxar o seu controle. Eu vi os olhos verdes em minha frente, e uma boca que estava me fazendo perguntas que eu não conseguia entender.
Não foi até que senti algo envolver ao redor das minhas costas e outra coisa embaixo dos meus joelhos, não foi até que eu senti a sensação eufórica de ser levantada como se eu fosse leve e pequena, não foi até que eu ouvi o suave sussurrar no meu ouvido que eu percebi quem era.
No momento em que chegamos ao seu carro, eu estava quente, meus olhos estavam secos, e eu podia respirar novamente com a minha cabeça contra o seu peito.
"Ei, Bella, você está bem?" Ouvi uma voz me perguntar, tirando-me dos meus pensamentos de forma abrupta. A dor ainda permanecia.
Virei-me para ver Emmett me olhando com curiosidade do outro lado da lona.
"Sim, claro." Eu disse, tentando sorrir. Provavelmente saiu uma careta.
As sobrancelhas de Emmett franziram, preocupadas. "Você não parece tão bem." Ele afirmou simplesmente, apontando para a minha cara.
"Eu... Eu apenas estou muito nervosa aqui." Eu menti.
Eu não poderia dizer se ele realmente acreditou em mim ou não, mas ele sorriu um pouco com a resposta.
"Ainda?" Ele me perguntou com uma risada. "Venha até aqui e segure isso".
Ele estendeu o fim da fita métrica para mim e eu me movi para me ajoelhar ao lado dele.
"Só não pense sobre isso, ok?" Ele disse com um sorriso quando eu peguei o final da fita da sua mão. "Não olhe para baixo. Basta se concentrar no que estamos fazendo. Nós vamos ficar bem".
Eu balancei a cabeça e observei - a respiração calma e tranquila - quando ele começou a tomar medidas detalhadas, fazendo anotações sobre os ângulos, e materiais em uma lista.
Após vários minutos, Emmett olhou para mim. Sua expressão preocupada não tinha ido embora completamente.
"Tudo bem, nós terminamos por aqui." Ele me disse. "Tem certeza que está tudo bem?"
Eu sorri com o que eu esperava ser uma forma tranquilizadora e assenti.
"Pronta para voltar para baixo?" Ele me perguntou.
Eu olhei para a escada e concordei, sentindo o sangue fugir do meu rosto, mesmo quando eu fiz isso. Emmett me deu um tapinha de leve no ombro e liderou o caminho de volta para baixo, balançando sua perna até o último degrau sem medo.
Quando eu o assisti descer, eu podia sentir minha mente vagar novamente para a sensação do asfalto debaixo dos meus joelhos. Como seria se eu caísse de tão alto? Provavelmente não seria tão doloroso como as horas que passei no parque.
E agora, Edward não estava aqui para me pegar.
Com uma determinada fungada, eu balancei a minha própria perna com cuidado para o degrau e olhei por cima do meu ombro. Emmett estava me observando com cuidado, ancorando a escada na terra em ambas as suas mãos enormes.
Mão, mão, pé, pé.
Quando eu estava quase no fundo, senti as mãos de Emmett envolverem ao redor da minha cintura e ele me levou pelo resto do caminho até o chão com facilidade, segurando-me como se eu fosse uma boneca. Com meus pés firmes no chão, virei-me para sorrir para ele com gratidão.
Seu toque era totalmente errado.
"Então." Emmett disse, depois de alguns instantes. "É melhor eu voltar".
Mordi meu lábio, enfrentando novamente a perspectiva de estar sozinha. Eu tinha começado a apreciá-la, começado a ansiar por acordar cada dia com privacidade e solidão e sem ninguém para responder, só a mim mesma. Mas, por alguma razão, eu não queria deixar Emmett ir.
"Tem certeza que você não quer entrar um pouquinho?" Eu ofereci, apontando atrás de mim para a casa em convite.
"Eu adoraria, mas eu realmente tenho que voltar." Emmett respondeu com um encolher de ombros arrependido.
Eu consegui esconder a minha decepção.
"Ok".
"Ei." Emmett disse de repente, franzindo a testa. Ele deu um tapinha em seu bolso e pegou uma caneta, arrancando um pedaço das suas anotações sobre as medidas e escrevendo algo sobre ele rapidamente. Então ele estendeu para mim. "Aqui, se você quiser conversar... é só me ligar".
Olhei para o pedacinho de papel onde dez dígitos estavam rabiscados. Eu o segurei com cuidado, em concha na minha mão como se fosse precioso.
Um número.
"Isso é muito gentil da sua parte." Eu disse a ele, meus olhos encontrando os dele com absoluta sinceridade.
Emmett estendeu um braço e puxou-me em seu peito para um abraço final. Todo o seu corpo quente fechando em mim, envolvendo-me com conforto.
"Você pode viver sozinha." Ele sussurrou no meu cabelo. "Mas você não está sozinha".
Meu coração se apertou um pouco com as suas palavras e eu me agarrei a ele um pouco mais apertado. "Eu acredito em você".
Ele se parecia muito com Jacob: o mesmo calor e energia e bondade e força. Eu me apertei mais, sabendo que quando eu fechasse meus olhos, eu poderia fingir - eu poderia forçar-me a voltar a uma época em que tudo que eu tinha era o amor e tudo que eu precisava era o que eu segurava em meus braços.
Mas alguma coisa estava errada.
Eu podia sentir seus músculos por baixo da sua camisa, em vez de ossos. Havia volume, onde eu ansiava por ângulos.
Seu toque era totalmente errado.
Com cada respiração que eu dava, eu entrava mais e mais na fantasia: com o único que poderia me manter sã. Eu encontrei-me permanecendo firmemente na realidade, Emmett segurando-me como um irmão, quando eu precisava de conforto e carinho. Eu estava enraizada no momento quando eu tinha ódio e medo e traição com o meu amor e tudo que eu precisava tinha desaparecido. Talvez para sempre.
Fechei os olhos e tentei imaginar Jacob.
Eu podia sentir Emmett.
Eu queria Edward.
Nota da Irene: Ok, foi só eu que deu um suspiro e depois prendeu a respiração nas ultimas frases? Como essa autora pode fazer isso com a gente? OMG
Hoje vimos mais um pedacinho da história do passado deles. Me deu uma pena da Bella. Ela foi muito lesa, eu sei, indo atrás do Jacob, mas vcs tem que entender que ele foi o unico namorado que ela teve e ele ainda era o melhor amigo dela desde a infancia.
Deve ter sido uma barra. Mas graças a Deus o Ed não desistiu. E agora, mesmo depois de tanto tempo, é ele quem ela quer.
Lindo. Reviews são aceitas de bom grado. Até quinta que vem por aqui e até amanhã em Fridays at noon *uuuu*
