Capítulo 31 - A Diferença

"Bella? Oh meu Deus, Bella, é você?"

Meu corpo inteiro gelou, o sangue em minhas veias se transformou em gelo quando a voz familiar soou atrás de mim. Eu reconheceria essa voz - o tom suave, a inflexão profunda, a maneira como a sua língua se enrolava ao redor do meu nome - até o dia em que eu morresse.

Eu não me virei, minha respiração presa pesadamente em meus pulmões, o movimento apenas das batidas pesadas trovejando no meu coração, clamando e rangendo dentro do meu peito a uma velocidade ensurdecedora.

"Bella?"

A voz estava mais suave, mais próxima.

Então ele estava na minha frente. A profunda pele caramelo e olhos intensos como brasas, fixos apenas em mim. Da mesma forma que tinham ficado milhares de vezes antes. O arco da sua sobrancelha estava franzido em preocupação com o meu silêncio, eu podia ver sua mão estendendo para tocar-me.

Eu tinha que impedi-lo de me tocar.

"Jacob?" Eu consegui, surpresa com a facilidade com que seu nome escorregou da minha boca.

Dei um passo para trás, fora da fila. Um casal de clientes confusos olhou para mim antes de rapidamente se moverem para a minha posição, ansiosos para pegar seu café e estarem no caminho deles. Eles provavelmente tinham empregos para os quais chegar, vidas para as quais eles queriam desesperadamente voltar.

Eu não.

Minha vida inteira estava aqui na minha frente, e tudo que eu desesperadamente queria era ouvir as próximas palavras que sairiam da sua boca.

"Bella." Jacob disse, seu rosto inteiro iluminando para a minha expressão abalada. "É tão bom vê-la. Como você está?"

Eu não disse nada.

Ele olhou para baixo.

Depois de volta para mim.

Seu rosto estava diferente.

"Você... você o manteve?" Sua voz era calma e sua mão estava no meu braço antes que eu pudesse impedi-lo. Encontrei-me sendo puxada para longe da multidão de pessoas, para o lado, os olhos de Jacob nunca deixando meu rosto.

Como eu ansiava há meses ter seus olhos tão firmemente, atentamente fixos em mim e, neste momento, eu não me importei.

Ouvi a sua pergunta e ela atirou-me para a superfície.

Eu consegui respirar.

"Eu mantive".

Eu não podia contar as emoções que correram pelo seu rosto no espaço de três segundos. Mas, então, ele estava sorrindo para mim suavemente, sua voz calma e suave e paternalista. "Eu estou tão feliz. Realmente, eu estou".

Eu não disse nada.

"Como está indo tudo?" Ele perguntou, sua tranquilidade piscando e minguando. "Você... você tem dinheiro suficiente? Você precisa de alguma coisa...?"

"Eu não preciso de nada de você." Eu disse sem hesitar.

A tristeza em seu rosto me fez querer envolver meus braços em torno dele mais do que eu jamais quis alguma coisa.

Então eu fiz isso.

Senti sua respiração em meu ombro, suas mãos vindo para descansar nas minhas costas. Entre nós, o nosso filho.

Cada momento pareceu turvo, falso, como se eu estivesse sonhando debaixo d'água.

Eu disse a ele que estava com Edward.

Ele ficou feliz por nós dois.

Prometi ligar para ele quando a criança nascesse.

Ele disse que deveríamos ser amigos.

Perguntei a ele sobre Nessie.

Ele beijou minha bochecha, duas vezes.

Saí do café sem quebrar em um milhão de pedaços.


"Oh, lá estão eles!"

Eu ouvi a amável e musical voz de Esme pela sala.

Virei para a minha esquerda, meus olhos rapidamente varrendo o pequeno e tranquilo restaurante até que pousaram nas três pessoas que estávamos esperando.

Eu vi Esme fazendo seu caminho em minha direção rapidamente, arrastando Rosalie e Emmett atrás dela. Eu podia sentir um sorriso se espalhando por todo o meu rosto, mesmo quando meu coração se empurrava para cima nervosamente.

Lutei com o desejo de alisar o vestido que eu estava usando e mexer nervosamente com o meu cabelo, a maior parte dele estava presa, mas havia umas poucas mechas soltas em cascata nas minhas costas que quase imploravam para ser puxadas. A única coisa que me manteve parada foi saber que Alice estava atrás de mim, conversando baixinho com Jasper. Se ela me visse fazendo um movimento para mexer no que ela meticulosamente arrumou, eu estaria arriscando a minha vida.

Em vez de cutucar a ira de Alice, meu aperto no braço de Edward se apertou reflexivamente.

Eu pude senti-lo olhar para baixo para mim, uma presença calma ao meu lado.

Ele sorriu para mim em silêncio e se inclinou um pouco, trazendo a sua boca para mais perto do meu ouvido para que ele pudesse sussurrar, "Nervosa?"

Balancei a cabeça em resposta, mas meus olhos continuaram trancados com Esme, meu sorriso nos lábios firmemente plantado. Quando ela chegou até nós, seus quentes braços maternos deslizaram em torno de mim antes de se afastar para olhar minha aparência.

Eu não tinha percebido que eu estava segurando a minha respiração até que ela falou.

"Esse vestido é tão bonito, Bella." Ela elogiou calorosamente, seus olhos brilhando. "Você está deslumbrante".

Senti meu rosto corar envergonhado e minha mão direita deslizar ao longo do tecido do vestido autoconscientemente.

"Foi Alice quem escolheu." Admiti, jogando à minha amiga um sorriso deplorável por cima do meu ombro antes de voltar para Esme. "Eu não estava realmente certa do que vestir, já que eu tinha recebido uma espécie de convite de última hora".

Edward tossiu um pouco ao meu lado e eu olhei para ele.

Ele ainda estava sorrindo para mim, tudo sobre sua face era aberto e amigável, muito mais radiante do que eu já o tinha visto. Ele também olhou para baixo para estudar o meu vestido, seus olhos arrastando calor e frio sobre o meu corpo até que eles encontraram os meus novamente.

"Você nunca seria capaz de dizer." Ele comentou, seu tom amigável e aberto, sem ser sugestivo.

Eu corei um vermelho mais profundo do mesmo jeito.

No começo do dia, Edward tinha vindo até Hartsel enquanto eu estava fora, trabalhando na pintura da casa. Era um domingo e eu não esperava por ele, mas não me surpreendi quando ouvi seu carro chegando. Ele tinha vindo para a casa com cada vez mais frequência, e com cada vez menos avisos.

"Como esse lado está?" Ele perguntou, caminhando e olhando para cima e para baixo na parede inacabada friamente.

"Maravilhoso." Respondi, recuando do meu trabalho com um sorriso satisfeito. Olhei para ele com o canto do meu olho antes de acrescentar, "Muito melhor do que o seu lado, eu aposto".

Alguns fins de semana atrás, durante o jantar, tínhamos começado disputas sobre quem tinha pintado a maior parte da casa naquele dia. Tinha sido um argumento brincalhão e provocador que tinha terminado em risadas e na decisão de cada um pegar uma parte separada da casa, transformando o projeto em algo como uma competição. Tivemos que dividir as paredes da casa, mas raramente permanecíamos separados durante todo o dia. Quando eu ficava entediada, eu criticava a lentidão da pintura de Edward e acabava ajudando-o por algumas horas. Por sua vez, ele zombava da minha distração do meu próprio lado e insistia em me ajudar a igualar o placar. Ainda assim, havia alguns dias que a gente não falava, ou reconhecia o outro. Não havia raiva ou malícia nesse silêncio, mas ocasionalmente as linhas divisórias eram necessárias.

Edward bufou cruelmente, arqueando uma sobrancelha enquanto olhava por cima do muro com uma indiferença zombeteira. "Impossível." Ele zombou. Ele fechou a distância entre nós em poucos passos e parou ao meu lado, apoiando-se um pouco mais perto, quando sussurrou conspiratoriamente, "Especialmente desde que você perdeu um lugar".

"O quê?" Eu disse, me virando de volta um pouco quando meus olhos correram pela metade inferior da parede de forma rápida, não vendo o que ele estava falando. "Onde?" Exigi, atirando o meu olhar de volta para ele nitidamente com uma carranca.

Edward sorriu e de repente estava se movendo.

Eu entendi o que ele estava prestes a fazer um momento tarde demais.

Eu mal consegui mover minha cabeça para o lado quando Edward trouxe seu pincel até meu rosto. Em vez de passar a tinta branca no meu nariz, como eu tinha certeza que ele pretendia, meu movimento abruptamente defensivo conseguiu espalhar uma grande parte na minha bochecha. Instintivamente, minha mão subiu para limpar a tinta, mas eu só consegui espalhá-la sobre a minha pele e em minha mão.

"Imbecil." Eu murmurei.

Edward riu para mim enquanto eu limpava minha mão sobre minha calça jeans com frustração.

Sem responder, ele cruzou os braços e voltou sua atenção de volta para minha parede recém-pintada com um sorriso, esperando que minha raiva cessasse.

Eu olhei para ele, perguntando-me se eu era rápida o suficiente para retaliar.

Edward sempre foi mais rápido do que eu, simplesmente porque suas pernas eram mais longas, mas Edward nunca tinha sido bom no esforço físico e eu duvidava que ele tivesse feito muito mais trabalho manual do que eu tinha.

Agora, porém, sua pele estava bronzeada ligeiramente dos finais de semana passados quase que inteiramente ao ar livre comigo, as linhas em seus braços ficando fortes e firmes. Ele sempre teve um perfil magro, mas não estava mais fraco como tinha estado em Nova York e já não era mais animado com a força através da raiva como tinha sido quando nos mudamos para essa casa.

Era a vida que tinha tomado conta dele.

Com um suspiro resignado e uma bufada, decidi contra um ataque. Eu endireitei-me, ignorando qualquer confusão de pintura que permaneceu na minha bochecha e meu queixo e quase certamente no meu pescoço.

"Então, você realmente veio até aqui para ajudar?" Exigi com uma raiva simulada. "Ou você está aqui apenas para me irritar?"

O sorriso de Edward se transformou em um sorriso genuíno, mas ele ainda não estava olhando para mim.

"Na verdade, eu queria perguntar se você estaria interessada em sair para jantar hoje à noite." Ele disse casualmente, seu olhar treinado para a frente.

Minhas sobrancelhas dispararam para cima involuntariamente.

Parecendo sentir a minha surpresa, ele finalmente se virou para olhar para mim antes de corrigir, "Bem, jantar comigo e com a minha família. É o aniversário de Rosalie e estamos todos indo para algum restaurante francês da cidade".

Minha boca se abriu levemente e silenciosamente. Senti uma pontada estranha e fugaz de decepção que foi quase que instantaneamente substituída por admiração.

Ele não estava me perguntando porque ele sentia que tinha de perguntar, ele não estava pedindo-me para sair em um jantar comemorativo como amigos, ele não estava pedindo-me para sair em um encontro.

Era muito mais significativo do que isso.

Ele estava me pedindo para ir jantar com a sua família.

Como sua esposa.

O pensamento me aterrorizou.

Isso me aterrorizava quase tanto como a ocasião para a qual o jantar foi criado.

Eu hesitei. "Eu não..."

Edward sorriu para a minha relutância; uma resposta estranha, simples. "Você tem grandes planos para esta noite?"

Ele não se sentiu insultado, ou aceitou isso como uma rejeição, ou um comentário sobre a sua companhia. Em vez disso, ele transformou isso em provocação.

"Engraçado." Respondi secamente. Então eu balancei minha cabeça. "É só... Rosalie..."

Edward compreendeu imediatamente.

"Ela vai ficar bem." Ele insistiu, sem pausa. "Ela sabe que eu estou convidando você".

"Eu não quero que ela tenha que lidar comigo em seu aniversário." Dei de ombros, segurando meus braços para fora em um desamparo honesto.

"Lidar com você?" Edward repetiu, soando um pouco indignado. "Bella, não creio que-"

Eu o cortei. "Você não precisa poupar os meus sentimentos, Edward".

Isso o silenciou por um momento e eu podia ver que ele era incapaz de argumentar.

Tanto quanto eu sabia que Rosalie não gostava de mim, era surpreendentemente difícil ver a confirmação disso refletida na expressão azeda de Edward. Eu o vi pegar na tinta seca nos seus dedos por vários minutos antes de levantar a cabeça mais uma vez, seus olhos presos com os meus.

Fiquei surpresa em como ele parecia decepcionado.

"Você está dizendo que não virá?" Ele me perguntou calmamente.

"Não." Respondi rapidamente. Em seguida, "Não... exatamente...?"

Edward me estudou por um momento mais. Então, "Faria alguma diferença para você se eu dissesse que eu queria que você viesse?"

Minha resposta foi imediata.

"Tudo bem".

Edward pareceu confuso. "Tudo bem?"

"Eu vou".

Confusão tornou-se surpresa.

"Sério? Simples assim?"

Balancei a cabeça rapidamente, antes que eu pudesse desistir. Em vez disso, eu permiti que a minha mente se concentrasse em nada além do olhar de alívio que de repente e rapidamente substituiu todos os vestígios de dúvida em seu rosto.

No momento em que concordei em ir, eu senti uma vibração, um rolar nervoso e profundo dentro do meu estômago.

Então, eu tive um pensamento.

"Edward." Eu disse, meu tom e a minha expressão se tornando extremamente preocupados.

"Bella".

"Este lugar é muito chique?"

Os olhos de Edward dançaram e sua boca curvou em um sorriso.

"Eu diria que só um pouco chique".

Eu suspirei, olhando para as minhas roupas respingadas de tinta e meu corpo suado.

"Isso significa que tenho de tomar banho, não é?" Perguntei, olhando para ele de má vontade.

Seu sorriso suavizou e Edward aproximou-se um pouco para mais perto. Sorrindo para mim, ele levantou sua mão direita para arrastar um dedo lentamente da minha bochecha à minha mandíbula. Senti meu rosto todo pegar fogo, minha pele cantando e queimando como se o toque da sua mão fosse uma chama que lambia.

Apesar do calor do contato, meu corpo inteiro gelou e estremeceu de repente, meu coração pegando na minha garganta e minha respiração travando e parando.

O dedo de Edward rastreou para baixo ao longo do meu queixo antes de cair fora.

Eu estava mordendo meu lábio tão forte que fiquei surpresa por não rasgar a pele.

Então, ele estava novamente sorrindo e segurando o dedo na minha frente.

Ele estava coberto de tinta branca.

"Sim." Edward sussurrou, inclinando-se perto e brincando. "Você definitivamente tem que tomar banho".

Depois disso, eu mal hesitei em chamar Alice, pois Edward me disse que ela também jantaria com a gente. Ela veio sem hesitar e disse-me que tipo de restaurante era, passando pelo meu armário até que encontrou um vestido apropriado. Era um azul profundo, sem alças e simples, e batendo logo abaixo dos meus joelhos. Até o momento em que eu saí do chuveiro, limpa e molhada, eu estava uma bagunça de nervos.

Jantar com Edward, jantar com a família de Edward. Não era a primeira vez.

Era a primeira vez que eu me importava.

Alice pareceu compreender isso, de alguma forma. Ela imediatamente assumiu o comando, escolhendo meus sapatos e um suéter leve, vestindo-me como uma boneca enquanto enrolava e brincava com meu cabelo e passava maquiagem sobre a minha pele com moderação.

Senti-me como se apenas cinco turvos minutos frenéticos tivessem passado antes de ela entregar-me para Edward no final das escadas.

No momento em que chegamos ao restaurante, eu não estava me sentindo mais confiante do que eu estava em casa. Olhando para Esme e Rosalie e Emmett, olhando para as belas toalhas de mesa branca e para as velas flamejando, olhando para os sussurros leves dos clientes em torno de mim, a única coisa que me impedia de correr para fora de lá era a minha mão no braço de Edward.

Ele queria que eu viesse.

"Hey, Bells." Emmett me cumprimentou, avançando e batendo as palmas no ombro de Edward. "Como é que está aquela sua vergonhosa caminhonete?"

"Funcionando." Respondi com um sorriso. "Rosalie realmente fez um ótimo trabalho".

Arrisquei um olhar para Rosalie, cujo rosto estava surpreendentemente lavado de toda a malícia. Ao contrário, ela parecia estranhamente neutra, sua expressão ilegível enquanto seus olhos se moviam ao longo dos meus quando ela me ouviu dizer o nome dela.

"Oi, Rosalie." Eu disse sem muita convicção, minha voz calma e meu coração batendo desconfortavelmente no meu peito.

"Bella." Ela assentiu com a cabeça em reconhecimento. Então, sem aviso ou escárnio, ela acrescentou, "Que bom que você pôde vir".

Eu pisquei em surpresa, momentaneamente pega de surpresa pelo sentimento. Recuperei-me rapidamente. "Obrigada por ter me convidado. Feliz aniversário".

"Nem me lembre." Rosalie fez uma careta.

Sem outra palavra, ela se virou e nos levou para a mesa. Esme passou por nós, seu braço ligado com o de Alice, Jasper logo atrás delas. Emmett ficou para trás um pouco com Edward e eu, ainda sorrindo o seu sorriso infecciosamente maravilhoso.

"Então, a caminhonete está funcionando?"

"Perfeitamente." Eu disse a ele. Então, com um olhar de soslaio para Edward, eu adicionei, "Embora eu não tenha tido a oportunidade de dirigi-la para canto nenhum, ainda".

Emmett compreendeu imediatamente, rindo alto e piscando para mim. "Edward está certamente preocupado".

"Eu posso ouvir você, você sabe." Edward interrompeu. Sua voz era leve e relaxada ao meu lado.

Olhei para ele com um sorriso no mesmo momento em que ele olhou para mim. Nossos olhos se encontraram e comecei a sentir a tensão e preocupação escapar do meu corpo, tudo relaxando com um momento e uma exalada lenta.

De alguma forma, inexplicavelmente, eu sabia que era por causa dele.

"Bem, na verdade, Edward." Eu o provoquei, sorrindo para ele. "Qual é o ponto de conseguir consertar a caminhonete se você ainda insiste em me levar às compras de supermercado no fim de semana, afinal?"

O sorriso de Edward caiu um pouco e ele limpou a garganta. "Estou dando a ela um... descanso." Ele explicou, hesitante.

Emmett riu. "Ele é um jovem tão sensível".

Quando chegamos à mesa, Edward puxou uma cadeira para mim ao lado de Alice. Agradeci a ele em silêncio, querendo não corar ou cair quando eu me sentei. Ele tomou o seu lugar na minha direita, Esme de frente para ele. Emmett se sentou perto de mim, com Jasper e Rosalie em lados opostos da extremidade. A garçonete veio com pão e água, anotando nossos pedidos de bebida de forma educada e diligente.

"Então, o telhado está melhor?" Emmett perguntou-me, agarrando dois pedaços de pão do cesto ansiosamente.

Eu balancei a cabeça. "Não há vazamentos até agora".

Ele balançou a cabeça de forma conhecedora, como se estivesse esperando minha resposta. "Deve ter sido tudo devido à minha experiente medição".

"Sem dúvida." Eu brinquei com um sorriso.

"Eu ouvi que vocês estavam pintando a casa também?"

"Bem, nós acabamos de terminar o antigo quarto no final da casa." Eu disse a ele, lançando um olhar na direção de Edward. "O exterior ainda tem um caminho a percorrer, mas... estamos chegando lá".

"Eu tenho que ir até lá e dar uma olhada em algum momento." Esme comentou calmamente, ouvindo a nossa conversa.

Meus olhos se moveram para os dela, sentindo-me subitamente culpada.

Era a casa dela, e nós a estávamos mudando.

Ela estava sorrindo para mim, porém, nada além de doçura e aprovação agradável em suas feições. Ela continuou, "Eu me senti tão culpada quando Carlisle e eu nos mudamos para a cidade. Foi como deixar um velho amigo. É terrível o quanto eu a deixei se acabar".

Eu balancei a cabeça vigorosamente. "Você tinha um monte de coisas para pensar".

O sorriso de Esme foi agoniado.

"Eu amava aquela casa." Ela disse suavemente. Em seguida, acrescentou, "E Carlisle amava aquela terra".

"Eu também." Respondi sem hesitar. "Realmente".

"Eu queria que você pudesse tê-lo conhecido melhor, Bella".

"Eu também".

"Bem, talvez você ainda possa. Tem tanta coisa dele ainda lá." Ela me disse, sua voz saudosa e suas palavras nostálgicas e amáveis. Então ela virou-se para o homem sentado ao meu lado, fazendo sinal para ele. "E aqui".

Olhei para Edward, sorridente e triste. Ele estendeu uma mão sobre a mesa para envolver os dedos firmemente ao redor dos de sua mãe.

Desviei o meu olhar quando um momento de silêncio significativo passou entre eles.

O silêncio durou apenas alguns segundos antes que Edward se virasse para Emmett e começasse uma conversa casual, mais uma vez.

Não demorou muito para que todo mundo estivesse conversando de modo agradável e fácil, o peso da dor, mais uma vez, foi trancado firmemente no coração de todos e cada um na mesa.

Eu me vi sendo arrastada para quase todas as conversas, achando mais fácil e sem esforço falar com essas pessoas que eu tinha conseguido conhecer e respeitar. Lembrei-me do jantar depois do funeral de Carlisle, o mesmo grupo de pessoas eram estranhos naquela época. Eu tinha sido uma estranha naquela época. O medo e a culpa e o desconhecido haviam nos mantido à distância naquela noite.

Não havia nenhum traço de distância mais.

Senti-me rodeada, englobada pelo carinho e amor de uma família que eu estava começando a ver como minha. Olhei para o rosto deles e vi irmãs e irmãos, vi uma mãe. Comemos e bebemos e rimos e falamos e ficamos como se não houvesse nada que nos separasse um do outro.

E a maior diferença - de longe - era encontrada no homem suavizado, sorrindo ao meu lado.

Quando eu tinha chegado em Hartsel, eu tinha ouvido a maneira que Esme falava sobre Edward. Eu já tinha visto a maneira como ela olhava para ele. Aos olhos dela, ele era generoso e amável e inteligente e bonito. Ele era um homem sem falhas.

Cada momento que passei no Colorado, isso era tudo o que eu tinha visto nas pessoas. A forma como Alice e Jasper e até mesmo Emmett falavam dele, a maneira que Rosalie o defendeu tão ferozmente, o jeito que ela havia derretido em seus braços quando ela o viu, era algo que eu nunca tinha sido capaz de ver nele.

Ele só foi este homem nesta noite.

"Como estava o seu jantar?" Edward se inclinou e perguntou quando a garçonete começou a limpar os pratos da mesa, sua respiração quente tocando o exterior do meu ouvido.

Respondi levemente, "Bem, não era um sanduíche de manteiga de amendoim e geléia, mas eu gostei, de alguma forma".

Ele riu e balançou a cabeça, afastando-se de mim e se endireitando na cadeira.

Eu acrescentei com um suspiro satisfeito, "Eu não saía para jantar há séculos".

Vi Edward pausar com o canto do meu olho, senti seu olhar mudar de volta para mim quando ele colocou o garfo em cima da mesa. Olhei para todos os outros, observando que todos eles estavam envolvidos em conversas paralelas, antes de me virar para encará-lo com curiosidade. Fiquei surpresa ao ver seus olhos fixos no meu rosto, cada linha de feições marcada com uma intensidade rígida.

Após uma longa pausa, ele disse com firmeza, "Sinto muito, Bella".

Fiquei surpresa pelo tom enfático da sua voz, a sinceridade e o significado atados por trás do seu pedido de desculpas.

"Oh, está tudo bem." Eu zombei com um aceno desconfortável da minha mão. "Nós realmente não tínhamos muito tempo, e eu gosto muito de fazer e comer minha comida." Então fiz uma pausa e sorri um pouco antes de cutucar seu ombro divertidamente com o meu. "E, você sabe, às vezes conseguir que você a faça".

O sorriso de resposta de Edward foi pequeno.

"Fico feliz." Ele disse com sinceridade. "Mas eu ainda sinto muito".

Mordi o lábio e balancei a cabeça, incapaz de arrastar os meus olhos dos dele, sabendo o pelo que ele estava realmente pedindo desculpas.

Eu sabia que era por todo o silêncio e as brigas, pelo quarto frio e pela sopa escorrendo pelas paredes da cozinha. Eu sabia que era pela lâmpada quebrada e passeios em silêncio para o supermercado. Eu sabia que era pela dor e espera e por morrer de fome dentro das paredes daquela casa. E tudo além disso. Tudo que veio antes também.

Edward sabia e ele sentia muito por isso.

Eu queria tanto sentir.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ouvi Rosalie falar alto do outro lado da mesa.

"Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para sair do meu próprio jantar de aniversário." Ela anunciou a todos quando colocou o guardanapo ao lado do seu prato. "Eu estive levantando tão cedo para o trabalho ultimamente que estou completamente cansada".

Alice protestou que não haviam cantado os parabéns, Emmett reclamou que ele não tinha comido o suficiente, mas eu poderia dizer que não havia como realmente discutir com Rosalie. Este era o seu aniversário e teríamos de seguir suas regras, embora eu tivesse a impressão de que a maioria dos dias não fossem muito diferentes. Eu me virei para o relógio na parede do outro lado do restaurante, surpresa ao ver que estava ficando perto das dez horas. Eu não tinha percebido quanto tempo passamos aqui, o tempo parecendo correr sem minha consciência.

"Nós provavelmente devemos ir também." Edward disse, concordando com sua irmã. "Eu ainda tenho que levar Bella de volta para Hartsel".

Os irmãos Cullen se levantaram ao mesmo tempo, seus olhos se encontrando do outro lado da mesa. Limpei a garganta e me levantei também, seguida por um Emmett relutante.

Quando Esme se levantou, seus olhos caíram sobre seu filho imediatamente.

"Por que a Bella simplesmente não fica lá em casa, Edward?" Ela sugeriu, balançando a cabeça em minha direção, seu olhar não vacilando nenhuma vez do rosto do filho. "Ela deve estar cansada".

As sobrancelhas de Edward dispararam para cima e ele se virou para olhar para mim bruscamente, como se isso tivesse sido de alguma forma minha ideia.

Senti meu rosto aquecer quando olhei para ele, então para Esme, e então - contra a minha vontade - para Rosalie.

Ela estava assistindo a troca do outro lado da mesa; bela, alta e imponente. Havia uma carranca estragando seus lábios perfeitos, seus olhos afiados e focados não em mim dessa vez, mas em seu irmão.

Ele, no entanto, estava olhando para mim.

Sentindo como se ele estivesse esperando por uma resposta, eu falei, "Eu... o que você achar melhor. Você é o único motorista. Eu... estou praticamente à sua mercê".

Eu me recusei a encontrar seus olhos quando parei.

Em seguida, "Certo".

Quando ouvi o seu consentimento, o acordo e bondade em sua voz, pude sentir meu coração começar a bater em um ritmo irracionalmente rápido no meu peito.

Eu disse a mim mesma que não sabia o por quê.

Eu estava quieta e educada no carro, agradecendo por Edward me convidar e dizendo-lhe que eu tinha adorado o jantar. Ele estava de volta ao modo educado e gentil, mas eu podia ver que ele estava preocupado. Eu conhecia a expressão que ele usava em seu rosto quando ele estava pensando muito sobre algo que o estava incomodando, e ele estava a usando agora como um sinal luminoso intermitente.

Em vez de perguntar-lhe, eu fiquei em silêncio.

Assim que nós puxamos para a estrada, Edward recebeu um telefonema em seu celular de um dos seus colegas de trabalho. A conversa foi breve e quando ele desligou o telefone, ele me perguntou se eu me importaria de parar no hospital para pegar alguns arquivos de um caso no caminho de casa.

Eu disse a ele simplesmente, "Eu adoraria ver onde você trabalha".

Eu quase sussurrei isso.

Cinco minutos depois estávamos andando pelo hospital, silencioso e escuro, com apenas uma pequena quantidade de pessoal ainda trabalhando a uma hora tão tardia. As mulheres que trabalhavam nos balcões desse andar o cumprimentaram com um aceno, olhando para mim com curiosidade, mas sem dizer nada e não fazendo nenhum movimento para se apresentar. Edward não parou para nos apresentar, de qualquer maneira. Ele simplesmente conduziu-me para a frente, pedindo desculpas pelo inconveniente enquanto caminhávamos.

Eu não tinha certeza se ele estava nervoso ou agitado.

Olhei em cada centímetro do hospital com olhos arregalados e interessados.

"Desculpe por isso." Edward se desculpou pela oitava vez quando saímos do elevador e nos dirigimos em direção ao laboratório. "Isso provavelmente poderia ter esperado até amanhã, mas eu pensei que já que estávamos tão perto do hospital, de qualquer jeito..."

"Está realmente tudo bem, Edward." Eu insisti. "Pare de se preocupar".

Edward virou-se para sorrir para mim, duro e forçado, antes de levar-me através do laboratório vazio para uma minúscula sala no lado mais distante. Ele puxou as chaves do bolso e destrancou a porta rapidamente, segurando a porta para mim enquanto acendeu as luzes. Dentro havia uma mesa com apenas um computador, mantida completamente limpa e imaculada. Havia uma luminária e uma lata de lixo pequena e não muito mais. A sala era pequena o suficiente para que, mesmo os poucos itens esparsos que estavam lá, fizessem o espaço parecer apertado.

Assisti quando Edward fez o seu caminho até o pequeno armário de arquivamento com duas gavetas na parede oposta, com uma familiaridade óbvia.

"Esse é... você tem um escritório?" Eu perguntei surpresa, girando ao redor rapidamente, olhando em cada centímetro quadrado da pequena sala.

Edward olhou para mim do armário, fazendo uma pausa em sua busca a fim de sorrir para mim, diversão em seus olhos. "Se você quiser chamá-lo assim".

Ele voltou a folhear as pastas de papel e eu me movi para um pouco mais adiante, correndo a mão sobre a superfície lisa da mesa. Quando levantei meus dedos, eles estavam completamente limpos. Nem um pouquinho de pó ou detritos sendo encontrados.

"Você não sabe a sorte que tem." Eu sussurrei, não tendo certeza se ele podia me ouvir, ou se eu ainda queria que ele ouvisse.

"Sorte?" Edward repetiu em surpresa, agarrando em uma das pastas triunfantemente e endireitando-se quando a gaveta fechou. Ele se virou para mim, as sobrancelhas ainda franzidas. "Bella, a mesa toma oitenta por cento do espaço aqui dentro".

"E?"

Vi a preocupação começar a fluir no rosto de Edward. Ele estendeu as mãos e encolheu os ombros em questão, sem saber.

"Você tem um emprego. Você tem uma carreira." Eu disse a ele, minha voz surpreendentemente firme. Comecei a andar na frente da mesa, sem saber por que de repente eu me senti tão agitada, tão desesperada. "Você tem uma educação e você trabalhou duro e você sabe como agir na sociedade e você contribui e ajuda as pessoas e você só... você vem aqui e você aprende coisas novas todos os dias. Você faz o que você ama e você dá isso de volta para as pessoas e é simplesmente..."

Fiz uma pausa, tentando descobrir como forçar a admissão dos meus lábios.

Isso escapou em um sussurro. "Eu quero tanto isso".

Edward deu um passo em minha direção, parecendo preocupado.

"Bella..."

"Mas eu nem sequer sei o que eu quero!" Eu o cortei abruptamente, as palavras correndo para fora de mim de repente. Eu não tinha certeza de onde elas estavam vindo de repente, mas as senti ligadas com a casa e Esme e Alice e com o jantar com sua família. Principalmente, as palavras vieram do lugar onde eu estava aqui, olhando para ele e seu escritório. E, tão vago e frenético e irracional como parecia, eu não pude parar as palavras de sair. "Eu não sei no que eu sou boa, ou do que eu gosto, ou quem algum dia poderia me contratar. Eu sou simplesmente essa pessoa inútil, que não pode fazer nada além de querer fazer alguma coisa".

"Bella..."

Eu podia sentir as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, sem parar, minhas bochechas ficando quentes e vermelhas e encharcadas.

Eu não sabia por que eu estava chorando até que as palavras foram tiradas dos meus lábios, por nada mais do que a expressão preocupada no rosto dele.

"Eu não sei como ser uma boa pessoa." Eu disse a ele impotente.

"Bella..."

Ele deu mais um passo em minha direção e estendeu seu braço, sua mão vindo descansar no meu ombro direito. Um choque de calor percorreu-me, começando onde sua pele tocou a minha e ramificando-se em ondas através do meu corpo inteiro.

"O quê?" Perguntei finalmente, tomando uma respiração profunda, incapaz de me mover em direção a ele, ou para longe dele.

"Pare." Ele ordenou-me, sua voz suave.

Tomei uma respiração profunda trêmula, tentando controlar as lágrimas.

Não havia necessidade. Eu tinha parado de chorar no momento em que ele colocou a mão em mim.

Sua outra mão levantou e eu podia sentir seu dedo escovando minha mandíbula suavemente. Em seguida, sua cabeça mergulhou ligeiramente para baixo, então nós estávamos olho no olho. Não importava porque meus olhos estavam trancados em sua boca quando ele falou. "Tudo que eu tenho, você pode ter".

Eu não sabia se ele realmente acreditava nisso.

"Até mesmo um escritório de merda?" Eu chorei.

A preocupação abrandou sutilmente do rosto de Edward e ele sorriu. "Até mesmo um escritório de merda".

"Como você sabe disso?" Perguntei a ele, minha voz vacilante.

Edward ficou em silêncio por um longo tempo.

Então ele suspirou e ambas as mãos dele caíram aos seus lados e ele deu um passo para trás. Não foi uma retirada. Ele correu uma mão pelo seu cabelo e eu pude vê-lo pensar, considerando a questão. Senti a ausência do seu toque com cada centímetro do meu corpo.

Finalmente, os olhos de Edward encontraram os meus.

"Porque eu conheço você." Ele disse com um aceno firme. "E se você quer uma vida diferente, você vai ter isso." Então ele parou por um instante antes de sorrir e acrescentar, "Você vai ter o que quiser".

Eu não sabia se ele realmente acreditava nisso.

Mas eu acreditei.

Dei um passo para a frente, agarrei a frente do seu casaco e o puxei para mim.

Houve uma respiração profunda - a minha, ou a dele - e nossas bocas se uniram.


Meus olhos caíram sobre Edward assim que eu fechei a porta. Eu podia ver o topo da sua cabeça sobre o sofá, caído um pouco para o lado.

A TV estava no mudo e estática, flashes de luz no fundo de um apartamento escuro e silencioso.

O mais silenciosamente que pude, andei até ao lado dele, vendo sua forma dormindo. Sua respiração era uniforme e lenta, uma imagem de contentamento. Ele ainda estava com suas roupas de trabalho, sua gravata ainda confortável em torno do seu pescoço. Eu gentilmente levantei seu braço esquerdo e examinei o relógio, gemendo baixinho quando vi o quão tarde era. Eu não tinha certeza de quanto tempo eu estive andando desde que eu tinha saído daquela cafeteria, recuperando-me da minha conversa com Jacob.

Eu me perguntei quanto tempo Edward tinha ficado acordado, esperando por mim.

Com movimentos calmos e suaves, eu afrouxei sua gravata, deslizando-a do seu pescoço e a colocando no sofá ao lado dele. Desabotoei os punhos das suas mangas, rolando-os ligeiramente para cima, deixando meus dedos arrastarem ao longo dos seus finos braços pálidos.

Pestanas escuras voaram contra sua face pálida, e então ele estava acordado e olhando para mim.

Ele sorriu para mim, ajoelhando-me entre suas pernas, minhas mãos deslizando dos seus braços para descansar à toa sobre suas coxas. Sua mão levantou e escovou alguns dos cabelos do meu rosto, enfiando-os atrás da minha orelha em um gesto incrivelmente terno.

"Onde você estava?" Ele me perguntou, sua voz áspera e rouca de sono. Seus olhos ainda estavam pesados e caídos e opacos.

Ele não estava chateado ou confuso ou qualquer coisa, exceto preocupado.

Eu olhei para ele e vi o quanto ele me amava.

Só a mim.

"Peça-me novamente." Eu disse.

"Pedir a você o quê?"

"Peça-me novamente... para casar com você".


Nota da Irene: Estava morrendo de vontade de voltar a postar assim que terminei os capitulos das fics.

Meninas, esse um mês foi fantástico, minhas pervinhas Ju, Titinha e Rafa vieram me visitar em Manaus e eu e elas fomos visitar a Rafa em BH. Muitooo bom.

Então, hoje é um lindo dia 15 e eu vou postar um capítulo de cada fic. Segunda retorno com o cronograma normal.

E estou lançando um novo desafio: De todas essas fics postadas, a que receber mais reviews ganhará um capítulo a mais na semana que vem.

Obrigado a todas que me esperaram voltar. \o/ Obrigado a Ju que betou tudooooo pra mim.