Capítulo 33 - O Casamento
"Eu não estou pedindo para você assiná-lo agora..."
"Leve todo o tempo que você precisar..."
"Pense nisso..."
"Eu sei que você vai perceber que esta é a decisão certa para nós dois..."
"Por favor, diga alguma coisa..."
"Bella?"
O primeiro e último ruído que eu reconheci foi o som da porta do carro clicando fechada.
Eu não me lembro do que Edward tinha falado comigo no carro, sentenças nervosas fragmentadas, até muito mais tarde.
O som da porta do carro fechando atrás de mim trouxe-me de volta à realidade. Eu estava do lado de fora, meus dedos no punho do metal frio pressionado contra o macio da minha palma. Na minha outra mão, o papel. Eu tinha piscado quando a luz de dentro do carro desapareceu lentamente, lançando escuridão sobre o seu rosto. Ele esteve olhando diretamente para a frente. Seu perfil em um contorno escuro, sombreado e afiado. Meus olhos tinham viajado para o movimento constante dos seus cílios, o formato da sua boca, a subida e descida do seu peito. Ele tinha permanecido imóvel, não fazendo nenhum movimento para me seguir.
Depois do que pareceram horas que eu sabia ser um segundo, eu tinha soltado a maçaneta e continuei a caminhar para a casa em silêncio. No momento em que cheguei à porta da frente, eu podia sentir a dormência me deixando, sendo substituída pela consciência de quente e frio.
Eu respirei pesadamente. Deliberadamente e lentamente.
Olhei para a porta na minha frente, reunindo minha coragem para abri-la.
Eu tremi.
Eu podia ouvir a voz do meu pai vindo de trás daquela porta, e ainda assim em uma grande distância. A distância do tempo, estendendo atrás de mim e se misturando irremediavelmente com o presente.
"Você está pronta aí, Bells?"
Eu estava em um vestido azul e um suéter, segurando alguns papéis brancos que terminariam um casamento.
Eu estava em um vestido branco e um véu, segurando um pequeno buquê de flores azuis que começariam um casamento.
"Sim, papai." Houve um pequeno tremor em minha voz. Foi o último momento de fraqueza que eu me permiti ter.
Em pé em uma sala sozinha, no dia do meu casamento.
Ninguém para criar confusão sobre mim. Não querendo criar confusão sobre mim mesma.
Sem complicações.
Minha mãe não tinha se oferecido para me ajudar a ficar pronta. Ninguém tinha. Jessica e Lauren teriam se eu tivesse as chamado para madrinhas. Eu não chamei. Eu não queria nada.
Eu nunca pensei que não querer nada causaria tantos problemas.
Bati em minhas bochechas levemente, certificando-me de que elas não estavam molhadas de lágrimas ou rubor quente, antes de eu abrir a porta rapidamente e sair para o corredor. Meu pai estava esperando por mim, parecendo desconfortável e inseguro em seu smoking. Senti-me sorrir um pouco quando ele se moveu e olhou para mim e se moveu um pouco mais.
"Você parece... ah, você está linda, Bells." Eu nunca tinha ouvido meu pai dizer nada tão forçado e estranho.
Olhei para baixo quando murmurei o meu agradecimento.
Eu não estava qualquer coisa perto de linda.
Eu estive olhando para mim mesma no espelho por horas. Cada cabelo estava no lugar, o vestido era lindo, meu rosto composto e a imagem perfeita. A calma e o silêncio tinham atingido uma pedra, uma estátua impecável. Eu sabia que eu parecia a noiva perfeita. Eu sabia disso sem vaidade.
Assim como eu sabia o que estava faltando.
O barulho, a imperfeição, o brilho. O brilho que toda noiva deveria ter, cada futura-mamãe, e eu não tinha. Isso tinha sido tirado de mim, arrancado. Eu poderia olhar para mim mesma em um vestido branco, diamantes no meu cabelo e ao redor do meu pescoço e não sentir nada. Eu podia sentir os movimentos na minha barriga - os pequenos chutes - e eu pressionei a minha mão, não para sentir e me alegrar, mas para parar o movimento.
Ninguém notaria a diferença, minha quietude, exceto, talvez, o homem que estava em pé na minha frente, se deslocando nervosamente e evitando meus olhos.
Eu não tinha certeza de que eu poderia fazer o meu pai pensar que eu estava feliz.
Eu estava grata de que eu não tivesse que tentar.
Ele parecia mais do que contente por conduzir-me pelo corredor e não dizer nada sobre isso.
"Vamos?" Ele me ofereceu o braço.
Sorri fracamente e o peguei, envolvendo meu braço esquerdo em torno do seu direito. Eu o senti apertá-lo por um momento, pressionando o comprimento da minha pele nua contra o seu lado do smoking. Quase um abraço, um movimento de incentivo.
Eu assenti para ele solenemente.
Eu não queria incentivo para o que eu estava prestes a fazer.
Não naquele momento.
Meu pai não estava esperando por mim do outro lado desta porta.
Enrolei o papel na minha mão, tentando torná-lo tão pequeno quanto possível, desejando que eu tivesse um casaco ou uma bolsa para enterrá-lo dentro. Eu não queria mais tocá-lo, não queria sentir a minha pele memorizando sua textura, e o esmagando quando o meu punho o apertou nervosamente.
Coloquei minha mão esquerda na maçaneta da porta, perguntando-me se ela estava trancada.
Não estava.
Éramos esperados, afinal de contas.
Empurrei a porta aberta e entrei na sala - a cozinha - e parei quase que imediatamente. Eu podia sentir minha respiração travar e segurar firme no meu peito. Eu estava esperando ver Esme, ser forçada a manter minha face composta pelo seu amor e carinho e compreensão. Eu tinha ficado insegura sobre se eu poderia, ou não, fazer isso. Eu tinha calculado a melhor forma de me impedir de irromper em lágrimas, impotente e atirando-me a seus pés. Implorando por um perdão que apenas o seu filho poderia me dar.
Não era Esme que esperava.
Rosalie – linhas douradas altas e cheia de ângulos - sentada à mesa da cozinha, lendo o jornal calmamente.
"Por que você demorou tanto?" Ela resmungou, não olhando para cima imediatamente.
Meu corpo inteiro se contraiu, bloqueando, controlando e nem sequer perto de chorar. Eu não tinha certeza se era apenas surpresa, ou se era um medo genuíno. Com uma respiração vacilante, fechei a porta atrás de mim. Quando ouviu o clique, os olhos afiados de Rosalie estalaram para o meu rosto. Eu vi o seu olhar vacilar por um momento, piscando para a porta fechada atrás de mim, antes de se fixarem de volta ao meu rosto. Eu não conseguia ler sua expressão.
Parecia que ela estava esperando por uma resposta.
Por que você demorou tanto?
Respirei fundo, gaguejando e parando algumas vezes. "Eu... nós... Edward recebeu um telefonema no caminho de volta. Ele teve que parar no hospital para pegar alguma coisa." Eu disse a ela com cuidado, meu coração parando um pouco quando eu me ouvi falar as palavras.
Tão casual, tão fácil.
"E onde está Edward agora?" Ela exigiu saber.
Engoli quando ela largou o jornal.
Sua expressão era cuidadosamente neutra, como se ela estivesse escondendo alguma coisa.
Seus olhos ficaram olhando atrás de mim para a porta fechada.
"Ele está no carro." Respondi a ela, minha voz calma, mas firme.
Os olhos de Rosalie estreitaram um pouco quando ela olhou minha aparência. Eu não sabia como eu parecia para ela, não sabia quão ponderada a minha calma era, ou a minha postura estava. Eu não sabia se ela podia ver através de mim, ver a agonia do que havia acontecido.
Eu imaginei que ela podia.
Ela sempre via as coisas que eu não queria que ela visse.
Como a verdade.
"Por que ele está no carro?" Ela perguntou sem rodeios, não contornando ao redor de tudo. No que ela perguntou, ela levantou-se lentamente. Eu poderia dizer que não era para ser um gesto ameaçador, eu lutei contra o impulso de dar um passo para trás.
Abri minha boca para responder a ela, fechando com a mesma rapidez quando eu percebi que não tinha uma resposta.
Eu podia ouvir todas as partes não ditas na pergunta.
O que você fez para ele, Bella?
Como você o machucou desta vez?
Com que tipo de agonia você o paralisou agora?
Seu rosto não mostrou nenhuma indicação de que ela estava pensando algo do tipo.
A única fazendo as perguntas era eu.
Rosalie continuou a olhar-me ao longo de uma cuidadosa leitura desembaraçada - talvez em busca de respostas que eu poderia dar a ela inconscientemente - até que eu vi seus olhos brilharem sobre o rolo de papéis que eu segurava com força no meu punho. A diferença nela foi tão sutil que eu tinha certeza que, se eu não estivesse completamente focada em sua reação, eu não teria notado.
Seu queixo levantou um pouco, ela arrastou uma respiração afiada e silenciosa.
Mas sua expressão não mudou em nada.
Ela abriu a boca para falar. "Bella..." Foi tudo que ela conseguiu dizer antes que eu sentisse o frio em minhas costas, a porta abrindo e fechando atrás de mim quando Edward entrou.
Dei um passo automático para o lado e para longe, afastando-me e encarando os dois, minha cabeça balançando de um primeiro e depois para o outro. Mordi meu lábio forte e esmaguei os papéis um pouco mais.
"Aí está você." Rosalie observou, sua atenção imediatamente mudando.
Edward havia parado onde eu tinha estado parada segundos antes, antes de eu ter me movido inconscientemente para permitir que ele entrasse. Ele estava olhando diretamente para Rosalie, firmemente, surpreso e pálido. Eu vi algo em seus olhos que sugeria aborrecimento, mas não transparecendo muito. Principalmente, ele simplesmente parecia neutro.
"O que você está fazendo aqui, Rose?" Ele perguntou, sua voz muito calma.
Eu vi uma das sobrancelhas de Rosalie fazer um arco, seus lábios ligeiramente pressionados.
"O que você estava fazendo lá fora?" Ela disparou de volta, cruzando os braços sobre o peito, jogando claramente um desafio.
Edward não respondeu.
Ele simplesmente olhou para ela como se não tivesse ouvido a pergunta.
Então, eu vi uma incompreensível mudança na atitude de Rosalie. Seus olhos piscaram, então caíram para o chão. Eu os vi atirar em minha direção brevemente, para o papel na minha mão, evitando o meu rosto, antes que ela os levantasse de volta para o seu irmão.
"Bem, nós viemos deixar a mamãe e nós simplesmente pensamos em fazer companhia a ela até que você e Bella voltassem." Sua explicação veio sem esforço, depois de apenas aqueles poucos segundos de tensão, como se ela tivesse simplesmente esquecido seu próprio inquérito, como se de repente não fosse importante para ela saber.
Eu me perguntei se ela sabia o que eu tinha em minha mão, o que isso significava.
Se assim fosse, a entrega da sua mesquinhez teria sido imediata.
Eu me perguntei se havia alguma parte dela que não fosse graciosa.
"Eu pensei que você estivesse cansada." Edward comentou, seu olhar um pouco mais interessado agora, ele tinha visto o que eu tinha.
"Não pensei que você fosse demorar tanto tempo." Rosalie respondeu com um encolher de ombros.
"Eu tive que parar no hospital".
"Foi o que eu ouvi".
Os olhos de Edward se moveram para mim pela primeira vez desde que ele entrou pela porta. Ele teve o cuidado de manter o rosto inteiramente neutro antes que ele se virasse para Rosalie.
"Onde estão mamãe e Emmett?" Ele perguntou, movendo-se para a sala, um pouco mais à vontade.
Ou parecendo estar à vontade.
Rosalie acenou com a cabeça por trás dela, onde a cozinha se tornava um corredor largo. "Sentados no sofá".
"E que sofá fino é esse." Como se na sugestão, Emmett caminhou na direção que Rosalie tinha acabado de indicar, seu sorriso, aparentemente sempre presente, iluminando seu rosto. "Você terá um deleite real hoje à noite, Eddie".
Atrás dele, Esme o seguia silenciosamente, também sorrindo. Silenciosa e calma, mas ainda encantadora e charmosa.
Eles entraram na cozinha com um choque de calor e brilho e energia, o que normalmente teria quebrado a tensão que se construía dentro de mim. Eles eram uma trégua da intensidade de qualquer coisa que me incomodasse. Nunca houve um momento em que a confiança e bondade deles não tinha sido capaz de deixar-me à vontade.
Pela primeira vez, foi diferente.
A entrada deles me fez sentir de repente lotada, claustrofóbica. Como se houvesse muitos corpos na pequena cozinha. Senti cada um dos meus músculos enrijecerem. Meus ombros tensos, minha mandíbula trancada, e minhas unhas cavada nas palmas das minhas mãos, envoltas tão apertadas ao redor dos papéis do divórcio que eu segurava a vista de quem quisesse olhar.
Alheio ao meu desconforto que aumentava de repente, Edward sorriu para o seu cunhado gentilmente. "Obrigado pela ajuda, Emmett".
"Não há problema." Emmett balançou a cabeça. Ele atravessou a cozinha e passou os braços em torno de Rosalie, pressionando-a de volta em seu peito. "Pronta para ir, baby?"
Eu não pude deixar de piscar, meio que esperando Rosalie ficar rígida, ou fugir da afeição de Emmett.
Eu nunca teria a imaginado inclinando em seu toque, derretendo em seu corpo sem parecer estar consciente disso.
Mas ela fez isso.
"Sim, vamos." Ela respondeu a ele, sua voz musical. Totalmente nítido o seu amolecimento, sua expressão mudando apenas o suficiente para torná-la mais bonita do que eu jamais vi. Então ela virou-se para Esme e se inclinou um pouco, beijando a mulher mais velha no rosto em um gesto surpreendentemente familiar. "Boa noite, mãe".
Tão diferente da deusa arisca e dourada com a qual eu tinha me acostumado.
m segundos, ela havia mudado.
Não demorou nada para ela mudar.
"Boa noite, querida." Esme sorriu carinhosamente. Então ela se virou para mim. "Bella, você gostaria de ver onde você dormirá?"
Ela fez sinal para eu segui-la quando Rosalie e Emmett passaram por mim em direção à porta. Eu dei um pequeno passo na direção dela quando senti alguém estender a mão e agarrar-me abruptamente. Eu chicoteei minha cabeça para a esquerda, meus olhos surpresos trancando com o azul.
Voltadas para direções opostas, ombro a ombro, sua mão agarrou firmemente em torno de meu pulso esquerdo, Rosalie se inclinou para mim.
"Você está bem?" Ela perguntou baixinho. Não era um sussurro, mas eu duvidava que alguém além de mim e Emmett - ainda atrás dela - tivesse ouvido sua pergunta.
Minha boca se abriu um pouco.
Eu não respondi.
Rosalie hesitou em meu silêncio, em seguida, liberou meu pulso e continuou a andar para longe de mim, abrindo a porta e deslizando para fora. Emmett a seguiu sem pausa, sem saber que algo estava errado, sem ver o papel na minha mão, acenando com um amigável "Tchau, Bella".
Quando a porta se fechou atrás deles, eu me virei para Esme. Tanto ela como Edward estavam me olhando com expectativa, tendo se movido um pouco mais para perto do corredor, indicando que eu deveria segui-los.
Lambendo meus lábios e tomando uma respiração profunda, eu andei atrás deles.
A maioria das luzes da casa estava apagada, mas o espaço necessitava apenas de um pouco para ser capaz de enxergar. Tudo estava muito fraco quando segui atrás de mãe e filho, permitindo-me ser conduzida. Imagens e formas estranhas de obras de arte penduradas nas paredes do corredor eram escuras. Eu não era capaz de vê-las em detalhes, entender o que eram, até que estivesse claro.
A casa era espaçosa e aberta, mas ainda muito pequena. Chegamos ao fim do corredor e à porta, em menos de um minuto.
Para a esquerda estava uma outra porta.
À direita eu vi a entrada de uma sala, onde havia lençóis, cobertores e travesseiros espalhados por um pequeno sofá estreito.
"Edward..." Eu disse, olhando para o sofá com dúvida.
"Eu dormirei no sofá." Edward me cortou com um pequeno sorriso, sabendo o que eu estava prestes a dizer. "Fim da discussão".
Eu fiz uma careta para ele, olhando novamente para a porta fechada na minha frente.
Eu não queria dormir no quarto dele.
Eu não poderia dizer isso.
Em vez disso, "Eu não quero tirá-lo do seu quarto".
Foi Esme que respondeu.
"Oh, bobagem, querida." Ela passou para a frente com um aceno da sua mão e abriu a porta do convidativo quarto de Edward. Então ela recuou novamente e fez um sinal para o quarto. "Ele dorme no sofá metade do tempo, de qualquer maneira, e eu o ouço rastejando para a cama às três da manhã. Eu nunca me lembrei dele como sendo uma pessoa inquieta".
Eu também não.
Muita coisa tinha mudado.
"De qualquer forma." Edward disse rapidamente, obviamente não interessado em discutir seus hábitos de dormir. Seus olhos, que haviam endurecido firmemente sobre sua mãe, suavizaram novamente quando ele olhou para mim com uma expressão que fez o meu queixo travar. "Este é o banheiro, há escovas de dentes extras atrás do espelho..." Ele abriu a porta para a esquerda e acendeu a luz.
"Eu trouxe para você algo meu para dormir e coloquei na cama." Esme acrescentou com um sorriso.
"Muito obrigada." Eu sussurrei.
"Não é nenhum problema, querida." Esme acenou sua mão novamente.
Olhei para ela, percebendo que ela realmente não tinha ideia do quanto esses pequenos gestos de mãe significavam para mim. Quão bem-vinda ela me fazia sentir quando, quão querida. Ela tinha se acostumado a fazer isso por toda a sua vida, por Edward e Rosalie e, eventualmente, por Emmett, Alice e Jasper. Minha própria mãe era um amor que tinha de ser conquistado, e isso tinha sido provado impossível de fazer. Sem minimizar o que isso significava para ela, a afeição de Esme por mim era fácil.
Eu não sabia como dizer a ela o que o seu cuidado por mim significava.
Eu não tinha tido qualquer experiência com isso.
"Edward." Ela se virou para o seu filho. "Eu acredito que você possa estabelecê-la?"
Eu empalideci ligeiramente, movida pelo pensamento de ser deixada sozinha com ele mais uma vez.
Edward acenou com a cabeça.
O sorriso de Esme aumentou. "Bem, eu estou indo para a cama então. Estou no topo da escada se você precisar de mim, Bella." Ela me disse, apontando através da sala onde havia escadas do outro lado da parede.
"Obrigada." Eu disse novamente.
Isso pareceu inadequado.
Então, por alguma razão, lembrei-me da partida de Rosalie.
Sem pensar nisso, eu me inclinei e coloquei minha mão no braço de Esme antes de estender-me para escovar um pequeno beijo em sua bochecha. "Boa noite." Eu murmurei, afastand0o-me, meu rosto aquecido.
Esme não estava mais sorrindo.
Por alguma razão, porém, ela parecia feliz.
Ela estendeu uma mão para a minha própria face, tocando-a suavemente em resposta.
"Boa noite." Ela respondeu.
Eu a observei subir as escadas lentamente.
Foi só quando ela tinha desaparecido, quando eu estava olhando para as escadas vazias e para o chão, que eu percebi que estava com medo de virar a cabeça.
Com medo de olhar para o homem respirando tranquilamente ao meu lado.
"Bella..."
"Eu acho que estou indo me trocar." Eu disse rapidamente, interrompendo-o e andando para o quarto, fechando a porta atrás de mim e me jogando na escuridão.
Encostei-me à porta, meu coração de repente martelando e temendo e lutando.
Eu não podia ficar lá com ele. Eu não podia olhar em seus olhos tristes e culpados por mais um segundo. Eu não conseguiria ouvir tudo o que ele diria. Afinal de contas, aqui não tinha muito a dizer. Não era óbvio o que ele queria quando ele me deu esses papéis?
Petição para Dissolução de Casamento.
Deixei minha mão direita relaxar lentamente, meus dedos desenrolando até que senti o papel deslizar da minha pele e cair no chão. Minha mão estava dura de segurá-la tão apertado, tão forte. Eu respirei e flexionei os dedos e acalmei meu coração até que meus olhos se ajustaram ao escuro.
Olhei em volta, procurando o interruptor de luz, minhas mãos apalpando desajeitadamente no meio da noite.
E então eu estava cercada por ele.
A luz chegou e os meus sentidos se inundaram e eu estava cega e piscando e então eu o estava vendo, tudo ao meu redor neste quarto.
Parecia como andar pelo corredor.
Vendo-o em todos os lugares ao meu redor.
Eu estava segurando o braço do meu pai, rezando para que eu não caísse ou desmoronasse, querendo tempo para me mover em câmera lenta e sentindo os chutes na minha barriga que significavam que isso nunca aconteceria. Dando um passo após o outro e vendo as flores ao meu redor e em toda parte. Meus olhos digitalizaram o ambiente rapidamente, olhando para o rosto que eu precisava, o único rosto que eu desejava ver. Eu queria vê-lo em agonia e pesar e dor e queria que ele me levasse para longe deste lugar. Ele não estava lá, esse rosto. Tudo o que vi foram os rostos de famílias que eu não conhecia, olhando para mim, para ele e para mim.
Para nós.
O pequeno corpo no meu estômago chutou com o pensamento.
Meus olhos encontraram os dele no final do corredor.
Ele estava esperando por mim, olhando para mim, me querendo e me desejando. Quando nossos olhos se encontraram eu pude ver seu rosto quebrar em um sorriso deslumbrante, exuberante e triunfante. Todos os meses que tínhamos passado juntos nos conhecendo e amando e aprendendo um do outro foram acumulados nesse momento. Ele nunca tinha sido tão bonito para mim, seu rosto cheio de amor e adoração e devoção e necessidade.
Seus olhos refletiam um verde brilhante.
Eles eram os olhos errados.
Meu pai me entregou a ele, sussurrando algo em meu ouvido, e eu senti os braços de Edward fecharem em torno de um dos meus, guiando-me para a frente para o ministro.
Eu o segurei através de toda a cerimônia.
Eu não podia soltá-lo.
Os votos foram simples e clássicos.
Edward e o ministro se viraram para mim.
Quando eu disse 'eu aceito' meus olhos estavam fechados.
Meus olhos estavam abertos agora.
Olhando, devorando, vendo cada centímetro do quarto dele como se eu estivesse olhando para ele pela primeira vez.
Ou pela última.
Nada de belas obras de arte, ou mobília meticulosamente esculpida, ou um grande bebê de pelúcia no canto de trás. As prateleiras não possuíam volume após volume das minhas poesias favoritas. Nem a cama gigante e bonita com lençóis de seda e pétalas de rosa. Sem o caos selvagem e tempestuoso que falava de paixão e desejo e de noites torturadas.
Sua cama era pequena, com uma manta azul escura, feita a mão. As paredes eram de um marrom profundo, havia uma mesa no canto, havia um microscópio nas estantes cheias de revistas médicas, havia fotografias em preto e branco penduradas; um simples tapete sobre a madeira simples; teto branco.
Imaculadamente limpo.
Era tudo o que eu lembrava dele, tudo que eu nunca soube sobre ele, feliz e em harmonia e exatamente como deveria ser.
Este era o lugar onde ele deveria viver.
A maneira como ele nunca tinha vivido na casa em Hartsel.
A maneira como ele nunca tinha vivido comigo.
Em Nova York, ele tinha sido generoso e limpo e luxuoso e bonito e com uma decoração elegante. Cada centímetro do quarto que compartilhamos tinha sido meu. Por mim. Sem nada a ver com quem eu era, ele fez o que ele achava que eu merecia, o que ele pensava que eu gostaria. E isso me serviu muito bem.
Em Hartsel ele tinha sido bagunceiro e negligente e tempestuoso com o ódio e a angústia. Roupas e livros e caixas espalhadas como a chuva e ainda era meu. Por mim. Minha culpa.
Eu não estava neste quarto.
Nem em qualquer lugar.
Exceto na pequena camisola branca que Esme tinha colocado com cuidado no meio da cama dele.
Sentei-me ao lado dela, minha mão passando sobre o cetim delicadamente, suavizando as rugas imaginárias.
E eu me sentei.
E sentei.
Eu vi o relógio assinalar os segundos, minutos, horas, e então era uma da manhã e eu ainda estava sentada em seu quarto, a minha mão na camisola de Esme, o rolo de papel perto da porta.
Eu não posso acreditar que estávamos aqui novamente.
Ouvi suas palavras ecoando na minha cabeça. Eu podia sentir a inércia, a raiva, a tristeza tomando conta de mim. Sua rejeição, esmagando-me para trás e para o lado assim como eu sabia que não deveria. Era para eu ser forte e capaz agora.
Eu disse a ele que eu tinha mudado.
Eu tinha?
Eu me levantei, determinada simplesmente a me mover, e peguei a camisola da cama. Silenciosamente, eu andei até o outro lado do quarto e abri a porta. Não rangeu.
A casa estava escura agora, as luzes estavam apagadas, e eu podia ver minha sombra que se estendia pelo chão enquanto o brilho do quarto de Edward atirava para fora atrás de mim, para o negro e profundo corredor.
Eu rapidamente apaguei a luz.
Permitindo alguns momentos para os meus olhos se ajustarem, saí do quarto e respirei fundo antes de voltar para a sala, estreitando os olhos no escuro para ver.
Ele estava lá.
Eu podia ver a forma do seu braço, pendurado frouxamente fora do lado do sofá. Seu corpo enrolado em lençóis. Segui a linha de cobertores até o seu rosto, afastado de mim. Eu podia ver o cabelo dele. Ele estava respirando baixo e estável, sem dúvida, dormindo.
Tentando não fazer nenhum som, eu me movi lentamente até o banheiro e fechei a porta suavemente. Acendi a luz e coloquei a camisola em cima do vaso sanitário.
Abri uma cortina branca e liguei o chuveiro.
A água caiu em torrentes, fluxos de uma alta pressão impressionante do lado do mármore da banheira com um constante e maçante barulho.
Eu tirei meu suéter, então o vestido azul que Alice tinha escolhido para mim. Eu os deixei no chão, não me importando se eles amassariam ou sujariam. Deixei meu cabelo solto, balançando os grampos e franzindo a testa para os fios duros presos com fixador e gel.
Olhei-me no espelho.
Eu estava assustada com a pessoa que estava olhando de volta para mim.
Eu estava em um vestido de noiva, Edward tinha os braços em volta de mim.
Ele virou-me para que eu pudesse ver meu próprio reflexo na parede. Ele tinha certeza que eu não sabia como eu era bonita. Ele não sabia que eu tinha ficado olhando para mim mesma por horas antes disso, que eu sabia exatamente como eu estava, que eu me ressentia com ele por ele não ver o que eu podia ver.
Nós dançamos.
Eu passei de parceiro para parceiro, eu conheci a família perfeita e feliz de Edward.
Apertamos as mãos e comemos bolo.
Eu joguei um buquê, Edward jogou uma gravata.
Deixei que ele me segurasse, deixei que ele me beijasse. Eu o segurei e o beijei de volta. Sua mão estava na minha barriga inchada, minha mão estava em sua mão.
Eu sorri, ele sorriu.
No meio de uma dança, ele enrijeceu, seus braços apertando ao redor de mim um pouco mais. Eu olhei para ele, intrigada.
"O que há de errado?" Perguntei-lhe, sentindo uma pequena pontada de medo.
"Nada." Ele balançou a cabeça, sua voz calma. Então ele fez sinal por cima do meu ombro.
Eu me virei.
Jacob, radiante e belo e estendendo seus braços para mim.
Eu soltei Edward sem hesitação, sem olhar para trás.
Jacob e eu fomos lá fora para conversarmos.
Quando voltei para dentro, foi para sair para a minha lua de mel.
Edward e eu não dançamos novamente.
"Merda..."
Meu punho estava em minha boca, meus dentes cavando na minha pele quando eu senti a soltura, o rompimento. Lágrimas, tão cuidadosamente controladas, contidas e esquecidas na presença da família de Edward, finalmente escorreram pelo meu rosto e espirraram no chão de azulejos abaixo de mim. Engasguei na minha mão, tentando desesperadamente abafar os soluços que assolavam meu corpo, tremendo e sacudindo-me. Eu não me permiti chorar.
Eu não queria que Edward ouvisse.
Deslizei para o chão, de calcinha, afundando o corpo no tecido do vestido azul. Meus braços nus, ombros, costelas pressionadas contra a parede.
"Merda, merda, merda, merda..." Eu sussurrei, mais e mais e mais. Tão baixinho, tão rapidamente que mal formava uma palavra. Apenas um movimento da minha boca, uma inspiração e expiração. Sufocada pelo meu punho e estremecendo com soluços descontrolados que sacudiam cada simples membro. Meu outro punho batia suavemente contra o chão de azulejos, ritmicamente, ao mesmo tempo das minhas desleixadas maldições proferidas.
Eu poderia me ver caminhando para Jacob.
Eu poderia me ver caminhando para Edward.
Nenhum deles me queria.
Eu não posso acreditar que estávamos aqui novamente.
Meu corpo todo se enrolou em si mesmo em um espasmo longo de dor. Dentes em meu punho, batendo contra o chão, babas murmurando juras misturadas com lágrimas salgadas e bochechas coradas.
Eu estava muito silenciosa para ser ouvida com o som do chuveiro.
No dia seguinte eu me levantei e ajudei Esme a fazer o café da manhã e deixei Edward me levar para casa.
Nota da Irene: Ahhhhh... eu não queria fazer vcs sofrerem por mais uma semana, mas será necessário, como eu já traduzi tudo ha um tempo, não lembro muito bem o que acontece em que capítulo, mas sei que no próximo eles irão conversar isso tudo será esclareciso, me perdoem as pessoas que eu dei esperanças. Hahahaha
Meninas, algumas me questionaram sobre a autora. Ela NÃO abandonou a fic. Ela tem um cronograma de postagem de mês em mês e as vezes ela demora mais, mas ela não abandonou a fic.
Estou louca aguardando o 40, e faz cerca de 3 semanas que ela postou, então não fiquem preocupadas.
Estamos perto dela já, e talvez chegará um tempo em que teremos que esperar pela postagem dela, mas por tudo que já li, vale a pena.
Amo demais essa fic, ela escreve de um jeito que nos envolve e nos faz sentir como se conhecessemos os personagens. Lindo demais.
Obrigado por todas as reviews e todo o carinho.
Até amanhã em Fridays at Noon que virá com um EXTRA, graças as mais de 100 reviews. Obrigado meninas. Obrigado Natxii e Joselma.
