Capítulo 37 - A Queda

Cada movimento na cadeira de plástico verde causava um guincho, um pequeno gemido contra as pernas de metal, uma raspagem tranquila contra o chão. Então eu tentei ficar sentada absolutamente imóvel, minhas mãos torcendo e segurando firme em torno das bordas enquanto eu fixava meus olhos nas costas de Alice, olhando-a conversar com a mulher na mesa. Eu estava longe demais para ouvir o que ela estava dizendo. Toda vez que eu ouvia as portas automáticas deslizarem abertas e cada pessoa que entrava na sala, eu sentia meu coração bater acelerado no meu peito: esperando que não fosse ele.

Suor escorria pelas minhas costas, por baixo da minha camisa de algodão sem mangas, mesmo fora do alcance do forte sol. Meu cabelo estava quente contra os meus ombros, aquecendo a queimadura já constante que me dizia que amanhã a pele branca inflamaria de vermelho. Olhando para os meus braços eu não podia ver a mudança ainda, eu estava apenas corada e coberta de uma espessa camada de sujeira; pó e grama seca do calor virando lama com o suor que saía dos meus poros.

Eu não conseguia me lembrar de um dia sendo tão quente.

Mesmo na sala com ar condicionado, eu ainda sentia o calor.

Mesmo que os meus membros tremessem e estivessem doloridos - embora eu ainda pudesse sentir a massa de sangue pegajosa e emaranhada na parte de trás da minha cabeça - mesmo que meus olhos estivessem correndo incansavelmente ao redor da sala por qualquer sinal dele - eu ainda podia sentir o calor.

Corando meu rosto e fazendo o meu sangue ferver.

"Você está bem, Bella?" Ouvi a voz de Alice ao meu lado.

Quando eu me virei para ela, ela estava sentada na cadeira ao meu lado, sua mão gentilmente tocando a parte de trás da minha cabeça, obviamente preocupada.

Ela me fez a mesma pergunta quase uma hora antes.

Exceto que, uma hora antes eu não tinha respondido para ela.

Meus olhos permaneceram fixos à minha frente quando balancei a cabeça, nunca me desviando das duas orelhas vermelhas por mais de um metro da minha mão.

Lentamente, muito lentamente, o meu olhar desceu das orelhas para os ombros, da juba castanha e longa e lisa para o lado direito de um pescoço forte, tenso e imóvel. Debaixo dos meus pés eu senti o tremor dos músculos atentos, contraindo-se para longe do incômodo de uma mosca que pousava. Minhas próprias pernas tinham tencionado ligeiramente em resposta antes de eu imediatamente obrigá-las a relaxar, ignorando todos os instintos de aderência, exigindo que o meu corpo permanecesse passivo, calmo.

Eu não poderia assustá-lo.

Eu podia ouvir o calor no ar, o zumbido tremendo em todo o campo de grama ao meu redor.

"Eu estou bem." Eu disse a ela, balançando a cabeça ligeiramente.

Eu estava de volta com ela, fora do calor e na sala de espera do hospital.

"Vamos." Alice disse suavemente, descendo sua mão levemente para dar um puxão no meu braço, indicando que eu deveria levantar com ela. "Eles têm uma cama para você agora".

Eu fiquei de pé com algum esforço, as minhas pernas protestando ligeiramente. Meu ombro direito e a lateral do quadril doíam, eu podia praticamente sentir as contusões ficando roxas e doloridas, violentas sob a minha pele. Minha cabeça continuava a latejar e me concentrei em não pensar sobre o sangue. Ele estava seco agora, o cheiro salgado e enferrujado não mais fresco no ar e bombardeando os meus sentidos enquanto manchavam meus dedos. O braço de Alice passou sob meu cotovelo quando eu dei um passo à frente.

Uma enfermeira com cabelo loiro avermelhado sorriu para mim gentilmente, apontando para nós a seguirmos.

Nosso ritmo era lento e firme, dando solavancos e tão descoordenado em comparação com a revelação de movimentos suaves que eu tinha sentido esta tarde.

Quando eu tinha montado Santana.

Meu coração apertou um pouco no pensamento, na memória.

Eu sabia que os fundamentos eram os mesmos que em qualquer outro cavalo. Eu sabia que montar o Dollar era isso: um suave e constante balançar e quatro batidas abaixo de mim. Eu sabia que os ombros de Dash eram largos: acumulando e varrendo seus músculos contra meu joelho e panturrilha com todas as empurradas para a frente. Eu sabia que em qualquer cavalo eu sentiria esse mesmo poder, essa mesma energia implorando para estourar para frente sob as minhas pernas, carregando-me no vento e abrindo.

Eu sabia que não deveria ser diferente, isso ainda seria como sentir esse estourar de felicidade, saudosa descoberta e admiração.

Eu tinha sentido isso, de qualquer maneira.

Santana tinha uma mente que eu conhecia, ele tinha emoções que eu podia ler. Havia uma relação de confiança ali que o fazia mais do que apenas um corpo debaixo de mim, um animal que eu estava controlando. Eu movia uma perna contra o seu lado, soltava a outra, e ele se movia em resposta, ouvindo os meus sinais porque ele entendia e porque ele queria.

Havia comunicação, simples e íntegra.

Perfeitamente perfeita e sufocando meu próprio sorriso.

Alice, que montava sua adorável cinzenta Jesse, tinha virado de costas para mim uma vez.

A expressão que ela viu no meu rosto a fez rir.

Ela não estava rindo agora, estranhamente silenciosa ao meu lado enquanto levava meu corpo golpeado para o outro lado do calmo P.S., onde a enfermeira me fez um sinal para uma cama e puxou as cortinas para nos dar privacidade.

"Eu vou aferir sua pressão arterial, tudo bem, Sra. Cullen?" Ela não pareceu notar o meu sutil choque de surpresa com a maneira como ela se dirigiu a mim. Seu sorriso era simpático, paciente. Quando não ofereci nenhum protesto, sua mão estava em meu braço, acondicionando o velcro azul em volta do meu bíceps com suaves dedos acariciando.

Eu sabia que Alice deve ter dito a ela o meu nome na mesa, uma maneira fácil de conseguir que eu fosse atendida mais rapidamente.

Nada mais.

"Por favor, me chame de Bella." Eu disse a ela calmamente, reflexivamente enquanto eu a observava. Pensando em como ela estava sendo gentil e como sua voz soou quando ela me chamou de Sra. Cullen. Em como esse provavelmente não seria mais o meu nome em algum tempo.

Ela assentiu com a cabeça e sorriu um pouco mais. "Meu nome é Tanya".

Meus olhos correram até os dela imediatamente, depois para Alice, que estava de pé em silêncio ao meu lado. O olhar de Alice estava preso em mim, inabalável e completamente ilegível. Eu queria saber por que ela estava tão quieta, o que ela estava esperando.

Eu me virei para a enfermeira lendo a minha pressão arterial.

"Tanya Denali?" Eu perguntei, um ligeiro tremor em minha voz quando o seu nome voltou para mim, ecoando em todos os cantos da minha mente.

Parecia uma eternidade atrás, um mundo diferente, quando eu me lembrei do jeito que Emmett tinha dito o nome dela com admiração, quase com reverência.

Eu não podia acreditar quando ele me disse que ele a tinha rejeitado.

Tanya estava olhando para mim de repente, seu rosto inteiro iluminando um pouco quando eu disse o nome dela. "Isso mesmo." Ela disse com um sorriso, obviamente satisfeita por eu ter ouvido falar dela, que eu soubesse quem ela era. Que ela pudesse ser mencionada. "É tão bom finalmente conhecê-la." Ela fez uma pausa, depois riu um pouco quando acrescentou, "Embora esta não seja realmente a circunstância mais ideal".

Engoli um pouco e forcei um sorriso no meu rosto. "É bom conhecer você também." Foi tudo que eu consegui dizer.

Ela balançou a cabeça levemente e pegou uma prancheta sobre a mesa perto da cama, anotando números e notas, preenchendo minha ficha e lendo o meu histórico. Alice pediu licença para me dar alguma privacidade, dizendo-me que ela ligaria para Jasper para que ele soubesse onde estávamos, o que tinha acontecido. Eu balancei a cabeça, desejando que ela não me deixasse sozinha, mas não entendendo o seu silêncio também.

Sozinha com Tanya, eu respondi todas as perguntas que ela me perguntou de forma concisa, sem pensar. Enquanto eu falava, eu me permiti um momento para examiná-la cuidadosamente, sem a vigilância estranha de Alice pairando perto de mim.

Meu coração estava disparado dentro do meu peito.

Ela era alta e esbelta, com um sorriso silencioso que nunca pareceu deixar seus lábios. Seus olhos eram azuis e sua pele delicada, cada maneirismo sugerindo que aquilo era natural de um profissional da saúde. Ela parecia quase tímida quando me fez perguntas mais pessoais, correndo por elas e corando de maneira atraente, seu constrangimento tornando suas feições muito mais vermelhas do que as minhas bochechas rosadas. Não pude deixar de olhar para ela com admiração.

Ela era absolutamente bonita de tirar o fôlego.

Ela não era o tipo de garota que tinha crescido nisso, que teve que trabalhar duro para alcançar graça e elegância. Ela sempre foi desse jeito, eu tinha certeza. Talvez inconsciente disso quando era mais jovem, agora mais velha e, sem dúvida, consciente, mas aparentemente despreocupada. Não havia nada de vicioso ou pretensioso em seu jeito. Ela era tranquila e gentil e adorável. Ela vinha trabalhar todos os dias e ajudava os doentes, aliviando sua dor, dando-lhes uma vida melhor.

E em um ponto em sua vida, ela tinha escolhido Edward, ela o tinha querido.

E ele tinha se casado comigo.

Mesmo sem o aperto no peito ou o desespero em meu coração, eu não conseguia entender isso.

Não completamente.

"Então, Bella." Tanya disse, tirando-me dos meus pensamentos, pousei meus olhos nos dela novamente. "Como exatamente isso aconteceu, este ferimento na cabeça?" Seus dedos ficaram levemente rastreando ao longo do corte na parte de trás da minha cabeça. Dedos limpos de porcelana presos em meu cabelo oleoso e emaranhado. "Alice disse que você caiu de um cavalo?"

"É isso mesmo." Eu balancei a cabeça, meus olhos caindo para o meu colo. Minhas mãos entrelaçadas com força, descansando em minha calça jeans suja quando contei o que aconteceu no início do dia.

Eu disse a ela como Alice tinha me levado ao redor da propriedade a cavalo, a um campo e a uma terra que eu não estava familiarizada, mas começando a amar.

Tínhamos passado pelo córrego em que Edward tinha me levado, trotando entre as rochas. Eu soltei as rédeas de corda e me segurei na juba, deixando Santana escolher seu próprio caminho através dos obstáculos difíceis. Seus pés dançaram e contornaram, nunca se tocando.

Nós subimos até a colina para a casa da fazenda, o galope lento e fácil de Santana sobre a inclinação, minhas mãos apoiadas suavemente em sua juba, sentindo o seu traseiro atrás de mim, agitando como um motor.

Passamos da casa da fazenda, Alice rindo mais uma vez quando eu me abaixei e acariciei lentamente na pele encharcada de suor do pescoço de Santana, o cabelo castanho profundo brilhando em nítido contraste com o vermelho do resto dele. Seu suor escorrendo pelas costas das minhas coxas, seus cabelos molhados furando a minha calça jeans, mas eu não me importava.

Eu estava confortável, afundando em meu assento e relaxando contra as costas nuas de Santana, quando aconteceu.

Eu disse a Tanya como eu estava atrás de Alice na caminhada de volta para o celeiro, minha respiração profunda com admiração e alegria, quando houve um surto de atividade.

Senti os passos de Santana pararem, seu corpo inteiro tenso e rígido sob o meu quando um bando de corvos alçou vôo bem de trás da casa, chegando ao ar a partir de seu poleiro na árvore enegrecida, morta.

A árvore de Edward.

Seus gritos altos e suas pesadas batidas de asas tinham me feito agarrar em Santana em surpresa, sua parada imediata mudando abruptamente para o movimento, em resposta perfeita ao meu pânico.

"Ouvi dizer que alguns cavalos se assustam facilmente." Tanya disse com um aceno de cabeça em compreensão, sua mão vindo descansar levemente, reconfortando no meu ombro. Ela estava sorrindo para mim, seu rosto um pouco triste. Ela moveu a mão do meu ombro para descansar na cama perto da minha coxa, como se ela tivesse de repente percebido que talvez ela não devesse ter me tocado.

Eu realmente não me importei.

Sua expressão me lembrou de Alice; olhando para ela depois que eu tinha caído, seu rosto preocupado acima de mim, emoldurado por um céu azul brilhante.

"Bella? Oh, Bella, você está bem?" Ela tinha exigido, com medo, mas firme, ordenando-me a responder.

Pisquei uma, duas vezes, e me esforcei para me sentar. A mão de Alice estava atrás de mim e ao redor do meu braço em um instante, me ajudando.

"Onde está Santana?" Eu perguntei, as primeiras palavras saíram da minha boca por puro instinto.

Alice riu e balançou a cabeça, obviamente aliviada. Ela jogou a cabeça para a esquerda. Eu segui o movimento até a pequena distância onde Santana e Jesse estavam parados, olhando nós duas no chão. Eu podia ver a pergunta no olhar de Santana, sua grande cabeça vermelha abaixada um pouco: um pedido de desculpas.

"Ah, merda, Bella. Você está sangrando".

A mão de Alice se moveu das minhas costas para a minha cabeça - seus dedos se movendo suavemente sobre o meu couro cabeludo dolorido - e quando ela os trouxe para a frente dos meus olhos eu pude ver a mancha vermelha, brilhante e viva em sua palma.

Inalei asperamente, sentindo-me subitamente tonta. Eu trouxe a minha própria mão trêmula para o meu cabelo, sentindo a poça quente e úmida e pegajosa. Eu podia sentir o cheiro do sal enferrujado do meu sangue e mergulhei para trás um pouco quando a náusea caiu em mim de repente e sem aviso prévio.

Não desmaie.

Forcei a respiração em meus pulmões, lenta e deliberadamente. Obriguei-me a sentir a grama debaixo de mim e toda dor do meu corpo. Forcei meus olhos a permanecerem abertos, mente alerta.

Alice estava falando comigo e - de tão ocupada que eu estava me concentrando em inspirar e expirar, com calma e consciência - eu não a tinha ouvido.

"O quê?"

"Eu disse, você se lembra de bater no chão?" Os olhos de Alice dispararam sobre o que eu tinha certeza ser agora o meu rosto muito pálido.

Lembrei-me da sensação de deslizar sem controle, a renúncia de perder o equilíbrio e a percepção de que eu não podia fazer nada para deter isso.

Lembrei-me de cair.

Lembrei-me de Alice sobre mim.

"Não." Eu disse a ela honestamente, com os dentes cerrados e a respiração afiada.

Alice balançou a cabeça em silêncio, como se esperasse isso.

Ela puxou meu braço com delicadeza. "Vamos lá, tente levantar. Temos de levar você ao hospital".

"Alice estava certa em trazê-la, você sabe." Tanya comentou com um aceno firme. "Se você perder a consciência, mesmo que por um segundo, isso geralmente significa que você tem uma concussão. É inteligente fazer uma verificação completa, mesmo se você achar que está bem".

Eu balancei a cabeça calmamente.

Alice tinha me dito a mesma coisa quando eu tinha resistido, ostentando os seus conhecimentos médicos e assustando-me com a sua preocupação. Eu não tive escolha além de engatinhar para o seu jipe amarelo, a cabeça martelando e o ar quente e abafado me rodeando enquanto ela colocava os cavalos de volta em seu campo, não importava o quanto eu estava com medo.

Não de hospitais ou de sangue ou de possíveis lesões cerebrais.

Tudo o que eu conseguia pensar era em Edward.

Eu podia ver muito claramente em minha mente a expressão forte em seu rosto, seu medo e preocupação sempre que ele mencionava sobre eu montar. Preocupação e dúvida. Dizendo-me que não era uma boa ideia montar Santana, que ele era muito perigoso, muito imprevisível.

E ele tinha razão em pensar que eu não poderia lidar com esse cavalo; não poderia montá-lo; não era boa o suficiente.

O que me matava era que ele estivesse certo.

Como se soubesse exatamente onde meus pensamentos tinham me levado, Tanya perguntou-me de repente, "Então, como Edward reagiu à sua pequena desventura?" Ela riu levemente e fez sinal para o quarto ao nosso redor. "Estou surpresa que ele não esteja aqui, latindo ordens e carrancudo".

A menção de Tanya, alegre e casual, de Edward, fez com que meu rosto ficasse levemente pálido, imaginando como seria, o que eu sentiria, se ele realmente entrasse por aquelas portas de correr e me visse.

"Eu..." Engoli em seco e olhei ao redor para nada. "Alice disse que ele estava na clínica".

"Acredito que ele esteja." Tanya disse com um encolher de ombros. "Ele não está no hospital hoje".

Soltei um pequeno suspiro, um suspiro de alívio escapando dos meus lábios sem a minha permissão. Tanya olhou para mim com curiosidade, sua expressão mudando um pouco, pensativa.

"Você... você não o chamou?" Ela me perguntou, obviamente confusa.

Senti meu rosto todo ficar vermelho brilhante, sem saber o que dizer a ela. Insegura do que eu poderia dizer que não despertaria suspeitas. Insegura do que eu poderia dizer que seria a verdade. Porque eu não tinha certeza de mim mesma. Quando Alice se ofereceu para ligar para ele no carro, quando ela começou a me levar para a clínica onde ela sabia que ele estava, tinha sido apenas a minha resposta instintiva que a tinha parado.

Eu não tinha certeza de onde esse instinto veio.

"Eu realmente não... eu..." Eu gaguejei impotente sob o olhar questionador de Tanya.

"Aqui." Ela disse, interrompendo-me e se afastando de mim para puxar a cortina. "Eu posso correr e bipá-lo bem rápido".

"Não." Eu disse rapidamente, com força. Minha mão se levantando e agarrando seu pulso; ainda outro reflexo. Meus dedos percorreram todo o caminho em torno dos seus ossos delicados, as pontas do meu polegar e do meu dedo médio se tocando quando eles se acondicionaram em torno da sua pele macia. Tanya parou imediatamente, voltando-se para olhar para mim com os olhos arregalados com a minha reação. Eu acalmei minha voz enquanto implorava, "Por favor, não quero incomodá-lo com algo como isso".

"Por que não?" Tanya perguntou, movendo-se de volta para mim e puxando uma cadeira ao lado da cama. Ela não se sentou nela.

Eu soltei minha mão dela instantaneamente.

Eu podia vê-la esperando pela minha resposta, esperando que eu lhe dissesse algo que faria sentido. A razão pela qual eu não gostaria que meu marido me visse assim, em um hospital, machucada e necessitada. Seus olhos eram tão azuis e suaves, seu rosto mostrando nada além de uma preocupação educada.

Ainda assim, eu não podia contar para ela.

Eu não poderia dizer a ela porque ela nunca entenderia por que eu não podia encarar Edward, não conseguiria olhar para ele, sabendo que eu tinha falhado com Santana. Eu não tinha certeza quando exatamente eles haviam se tornado ligados em minha mente, mas a transição foi tão inevitável, tão clara e tão simples que não poderia ser negada.

Eu não estava pronta para montá-lo.

E eu tinha tanta certeza de que eu estava.

Mas eu não apenas perdi o equilíbrio e caí. Santana me queria longe, me forçando a cair.

Eu podia ver tudo tão claramente agora, como se tivesse acontecido em câmera lenta - borrado no meu cérebro: ele mal tinha se movido. Os pássaros voaram para cima e tudo o que ele fez foi tencionar, apenas um pouco, só por um momento. Mas eu? Eu estava preparada para isso, esperando a queda, esperando que ele me mandasse para o chão. Que escolha ele tinha, quando eu praticamente o desafiei? Quando eu tinha dito a ele, claro como o dia, na única linguagem que ele conhecia, que essa era a única coisa que eu esperava dele.

Aquele cavalo confiava em mim. Ele confiava em mim e eu pensei que eu tinha merecido isso, pensei que eu tivesse feito tudo o que pude - tudo o que eu deveria - para ser digna disso. Dele. Mas eu estava errada. A única coisa que eu realmente precisava fazer para ser digna disso era a única coisa que eu não tinha feito: confiar nele em troca.

Todo esse tempo eu me sentia como se eu pudesse controlar um animal como esse - tão puro e imparcial e inteligente e compreensivo - se eu pudesse levá-lo a confiar em mim, me amar, então isso significaria que havia algo em mim que valia a pena amar.

E agora, machucada e sangrando, eu não tinha certeza de nada.

"Bella." Tanya disse calmamente, quebrando meu silêncio com sua voz como uma música. "Eu conheço Edward por um longo tempo. Desde que éramos crianças. Eu o vi quase todos os dias desde a creche ao ensino médio..." Ela parou, mas ficou claro o que ela estava querendo dizer.

Ela disse isso como se significasse algo.

E me deixou irritada que significasse.

"E eu estou casada com ele." Eu corri meus olhos ao encontro dos dela em um desafio. Nada disposta a deixá-la me dizer o que fazer, não querendo ouvi-la falar sobre coisas que ela nunca poderia entender. Ela não me conhecia e ela não conhecia mais Edward.

Não depois que eu o conheci.

Os olhos de Tanya arregalaram e outro rubor atraente lavou as maçãs do seu rosto branco. "É claro." Ela murmurou, envergonhada. "Sinto muito".

"Não, me desculpe. Eu não queria..." Eu parei, bile subindo na minha garganta, desejando que eu pudesse ter de volta essas palavras. Ter de volta tudo o que elas não significavam.

Tanya o conhecia, tinha se preocupado com ele, tinha sido gentil com ele.

Quando criança, ela o queria mesmo que ela não pudesse tê-lo.

Por tudo que eu sabia, ela poderia ter sentido por ele o que eu sentia por Jacob.

Isso deveria me fazer...

Eu queria arremessá-la para fora da minha vista e me enfiar debaixo das cobertas desta cama de hospital. Eu queria que Alice dissesse alguma coisa ao invés de pousar atrás de mim como um fantasma, pálida e ouvindo, ou correndo para fora para falar com Jasper. Eu queria não ter que pensar sobre essas coisas, não ter que entender cada vida que eu tinha afetado e arruinado. Eu queria não saber a verdade sobre nada disso.

Eu queria uma distração.

"Como ele era?" Perguntei a Tanya de repente, mantendo minhas palavras leves e curiosas.

Convidando-a a sair do seu desânimo sutil.

Ela me olhou timidamente, a cabeça inclinada em questão. "Como?"

"Quando você o conheceu, quando ele era mais jovem." Eu elaborei. "Ele era muito diferente?"

Tanya ficou em silêncio por um momento, considerando a mim ou a pergunta. Eu não tinha certeza.

"Em muitas maneiras, ele é exatamente o mesmo." Ela respondeu lentamente, pensativa. Seus olhos ficaram distantes enquanto ela se lembrava. "Quando ele veio para o hospital para começar a trabalhar, eu senti como se o tempo tivesse corrido para trás. Ele ainda é tão gentil, tão educado, tão inteligente. Bonito." Ela sorriu um pouco na última palavra. Em seguida, suas sobrancelhas franziram e ela não estava mais sorrindo. Ela era enigmática. Ela acrescentou hesitante, "Mas ele está diferente também".

"Como?" Eu suspirei com a questão, incapaz de levantar a minha voz mais alto que um sussurro.

Fiquei imaginando o que ela diria.

Que ele era amargo agora? Raivoso?

Que ele havia se tornado frio em relação a ela? Ou quente?

Que ele estava triste o tempo todo? Que ele estava feliz o tempo todo, aqui no hospital e longe do resto do seu mundo?

Que ele era infeliz em seu casamento?

Ou, talvez, que ele parecia um homem que queria se divorciar de sua esposa.

"Ele passou por muito na vida." Ela disse simplesmente.

Olhei para ela, para essa mulher amável que estava cuidando de mim e falando gentilmente do meu marido e imaginando e sendo cortês. Eu vi o jeito que ela sabia das coisas, mesmo quando ela não as conhecia. Ela não sabia nada dos detalhes, nada do que ele havia passado, mas ela ainda podia ver, de alguma forma. Ela viu Edward viver a vida. Viver a vida quando ele se casou comigo, quando se mudou para Nova York, quando seu pai morreu.

Quando eu perdi o nosso filho.

De repente, desejei que eu pudesse dizer a esta mulher o que eu tinha feito para Edward.

Eu sabia que não podia porque ela era dele. Assim como o resto deles, ela o amava em primeiro lugar. Ela pertencia a ele, não a mim.

Ainda assim, eu queria dizer a ela.

Que era tudo culpa minha.

"E então há você." Ela disse de repente, com um suspiro.

Senti um choque disparar através de todo o meu corpo, sacudindo um pouco os meus membros e sentindo seus olhos ainda suaves no meu rosto.

"Eu?" Minha voz tremeu sob a palavra.

"Quando eu o conheci, Edward nunca teve uma namorada. Nunca mostrou qualquer interesse." Ela explicou, seus lábios curvando em um sorriso inexplicável. "Puxa, nenhum de nós achava que ele se casaria algum dia. Ele sempre parecia do tipo que acabaria casado com sua carreira, sabe?" Ela fez uma pausa em seguida e balançou a cabeça, seu sorriso crescendo um pouco mais, olhando-me quase com ternura. Então, "Quando ele fala sobre você..."

Ela parou, olhando para mim com um carinho que eu nunca tinha ganhado.

Eu engoli e repeti as palavras que eu a ouvi dizer. "Ele fala sobre mim?"

"Não frequentemente. Ele sempre foi uma pessoa discreta." Ela respondeu, balançando a cabeça como se estivesse me garantindo isso. "Quando ele fala, porém, isso é quando eu vejo a diferença, a diferença entre o menino que eu conhecia e o homem que ele é agora. Que é quando eu sinto como se eu não o conhecesse mais..."

"O que você quer dizer?"

"Eu não sei." Ela disse levemente, com um encolher de ombros e um sorriso um pouco inseguro com a intensidade da minha pergunta. "É difícil explicar. Ele simplesmente... não fala realmente sobre você como um homem costuma falar sobre sua esposa".

Eu queria perguntar a ela o que ela quis dizer de novo, mas eu não tinha certeza que eu poderia.

Eu não tinha certeza que eu queria ouvir a resposta.

Não era certo que eu pudesse forçar as palavras a saírem da minha boca.

Tanya continuou no meu silêncio, seu rosto iluminando, alegre novamente. "Eu nunca pensei que eu poderia falar isso para ele, mas eu realmente estava morrendo de vontade de conhecer você".

Forcei um sorriso no meu rosto.

Não foi difícil.

"E agora que você me conheceu?" Perguntei-lhe, num tom casual e prendendo a respiração.

"Agora que eu conheci você, Bella." Tanya disse, inclinando-se para a frente e baixando a voz, os olhos sérios nos meus. "Eu acho que você deveria ligar para ele".

Inclinei-me para longe dela, meu coração de repente batendo forte, minha garganta seca.

Vendo a minha expressão, Tanya sorriu tristemente.

"Ele gostaria de saber que você está tudo bem".


O sol estava se pondo rapidamente, iluminando o céu amarelo bonito e com pedaços de vermelho sangue. Vi as silhuetas escuras da cidade desaparecerem mais e mais pelo espelho retrovisor enquanto Alice e eu nos afastávamos das formas abstratas dos edifícios, levantando-se da terra como gigantes em ângulos agudos. Meu cotovelo repousava sobre a janela aberta da porta do passageiro, sentindo o vento chicotear com velocidade em torno de mim e acalmando o calor que tinha nos castigado acabando de desaparecer da terra, o sol incapaz de levá-lo rápido o suficiente. O ar brincou e correu contra a minha pele chamuscando e chicoteando através do meu cabelo sem piedade.

Depois de um par de horas de exames, de falar com o Dr. Banner - um dos colegas mais velhos e próximos de Edward - eu finalmente fui lançada de volta ao mundo, a tarde dando lugar a noite em um arco lento e gracioso. Alice esteve ao meu lado o tempo todo, deixando-me apenas uma vez para ligar para Jasper, para dizer-lhe o que tinha acontecido. Eu não precisava dizer a ela para não ligar para Edward. Eu sabia que ela não o faria.

Por todo o dia, as palavras de Tanya estiveram chocalhando ao redor em minha cabeça, se recusando a me deixar em paz.

Eu podia ver seus olhos suplicantes e doces, sentir suas palavras formando sem saber o que ela estava dizendo. Eu queria tanto acreditar nela, acreditar em tudo isso, e depois passamos pela cabana e eu pude ver Santana destacando-se no campo, alto e afetado pela cor do dia. Minha tentativa, e meu fracasso, não tinham significado nada para ele. Isso não era diferente para ele. Incapaz de sentir remorso por me machucar, incapaz de compreender as repercussões do que ele tinha feito. Completamente e perfeitamente contente. Não com raiva de mim. O que me fez, por sua vez, incapaz de ficar zangada com ele.

Senti apenas tristeza quando olhei para ele.

Um tipo terrível e doloroso de angústia quando meus olhos viajaram pela forma que estava andando no quase escuro, pernas brancas brilhantes, mesmo sob o sol que diminuía.

As palavras de Tanya na minha cabeça e os hematomas de Santana sobre meu corpo.

Tudo me levando de volta a Edward.

Quando Alice estacionou o jipe até a casa da fazenda, fiz uma pausa ao invés de sair. Minha amiga não tinha falado comigo durante todo o dia e, quando eu olhei para ela, eu vi que ela estava se esforçando para falar agora. Esperei pacientemente, observando seus olhos correrem através das palavras invisíveis que atravessavam sua cabeça.

Minha mão pousou sobre a maçaneta da porta e ficou ali, imóvel.

"Eu quero pedir desculpas, Bella." Alice disse baixinho, finalmente.

Senti-me desolada com as suas palavras, seu pedido de desculpas, não entendendo e não sendo particularmente acolhedora com ele.

"Pelo quê?" Exigi dela, minhas sobrancelhas franzindo.

Seu rosto pareceu mais culpado do que eu já tinha visto.

Eu não tinha pensado que ela fosse capaz de ter essa emoção.

"Hoje foi muito difícil para você." Ela disse simplesmente, afirmando o que ambas sabíamos ser um fato. "E eu sou responsável por isso".

Eu não pude segurar o riso baixo que explodiu espontaneamente da minha boca. "Como isso pode ter sido culpa sua de qualquer forma, Alice?"

"Eu deixei você montá-lo antes que estivesse pronta." Ela disse, olhando para as suas mãos. "Você poderia ter se machucado. Seriamente se machucado. Eu não... eu deveria ter pensado melhor".

Eu podia vê-la se culpando, vê-la pensando na reação de Edward exatamente como eu estive o dia todo. Ela tinha ficado aliviada quando eu não o tinha avisado e se sentido culpada o dia inteiro por causa desse alívio. Mais do que isso, ela tinha ficado simplesmente preocupada comigo, sua amiga com quem ela se preocupava, amava e lutava com sentimentos de culpa e responsabilidade.

Eu queria estender a mão e confortá-la, tranquilizá-la.

Em vez disso, meu rosto corou e virei para o outro lado enquanto eu pensava nela desejando que o dia de hoje nunca tivesse acontecido, que ela não tivesse me deixado montá-lo.

Virei meu corpo inteiro de frente para ela, minha mão liberando a porta enquanto eu olhava diretamente para ela.

Relutantemente, sentindo o meu olhar, ela virou os olhos para os meus.

Coloquei tanto fogo e convicção em meu olhar quanto fui capaz, precisando que ela entendesse. "Não se atreva a tirar isso de mim, Alice".

Alice piscou.

Eu podia ver sua culpa desaparecendo para surpresa.

Em seguida, para consideração e gratidão.

Finalmente, a carranca que tinha permanecido em seu rosto se transformou em um sorriso hesitante, seus lábios curvando e seus olhos se iluminando levemente.

"Foi um ótimo passeio." Ela respirou, balançando a cabeça uma vez.

Eu sorri de volta para ela.

"Foi como nada que eu já senti." Eu disse a ela honestamente. "E se eu nunca sentir isso novamente, será o suficiente".

Ela sussurrou meu nome baixinho e se inclinou para a frente, envolvendo seus braços ao redor de mim, torcendo o corpo no banco e em todo o console. Devolvi seu abraço com um pequeno sorriso, minha mão batendo em suas costas suavemente, na esperança de transmitir a verdade com o meu corpo.

Valeu a pena.

Nós nos soltamos depois de alguns minutos em silêncio, ambas sorrindo agora uma para a outra, sem mais nenhuma tensão entre nós.

Alice se ofereceu para passar a noite comigo.

Eu disse a ela para ir para casa para Jasper e entrei.

Assim que entrei no escuro da casa da fazenda, acendendo as luzes com um suspiro, eu não sabia por que eu a tinha dispensado. Eu sabia que ela queria ficar comigo, como eu sabia que eu não queria ficar sozinha. Ainda assim, havia algo que tinha me impedido de dizer sim; alguma razão dizia que passar a noite em sua companhia animada não parecia certo.

Eu não sabia o que era até que eu tinha me enrolado no sofá da biblioteca, travesseiro em minhas costas e livro de couro na mão.

Eu vi-te quando o inimigo estava ao nosso lado / Pronto para atacá-la, ou a ti e a mim

Meus olhos e dedos traçaram ao longo do Byron* que Edward tinha escrito no final do livro, sob uma data que eu não reconheci. Eu soube então, lendo cada estrofe com anseio do poema, um dos meus favoritos, por que eu tinha enviado Alice para longe da casa da fazenda.

*GeorgeGordonByron,BarãoByron (Londres, 22/01/1788 - Missolonghi, 19/04/1824), melhor conhecido como LordeByron, foi um destacado poeta britânico e uma das figuras mais influentes do Romantismo, célebre por suas obras-primas, como Peregrinação de Child Harold e Don Juan (o último permaneceu inacabado devido à sua morte iminente). Byron é considerado como um dos maiores poetas europeus, é muito lido até os dias de hoje

Ele não tinha como saber o que tinha acontecido hoje. Não havia ninguém que poderia dizer a ele. Ele não tinha nenhum motivo para pensar que algo estava errado. Nenhum telefonema para indicar que ele estaria vindo para a casa apenas para uma visita ou um bate-papo. A casa estava totalmente pintada, o interior limpo e um lar novamente. Ele tinha uma vida, um emprego e uma mãe e irmã na cidade.

Não havia motivo para ele vir.

Nenhum no mundo.

Muito e muito mais, e ainda tu não me valorizas / E nunca murcha, o Amor não habita em nossa vontade / Nem posso culpar-te, ainda que seja a minha sorte / Por fortemente, erradamente, em vão, ainda te amar.

Eu estava esperando por ele.

Sem motivo ou justificativa, esperei por horas à noite - o último vestígio de luz do dia do céu indo para longe das janelas, transformando a terra em preto e mistério, desaparecendo por trás do brilho de luz da lâmpada perto da minha cabeça.

Esperei sem saber o que eu fazia até que, com um único momento de clareza, eu ouvi a porta da frente ser aberta.

Ele estava chamando o meu nome.

Largando o livro em estado de choque, que foi mais físico do que surpresa, eu dei uma guinada para os meus pés, o travesseiro sendo derrubado com meu abrupto movimento, caindo no chão. Lembrei-me, pela primeira vez desde que eu tinha voltado para casa, que eu não tinha mudado a minha roupa. Eu não tinha me limpado. Eu não tinha tirado a sujeira e a grama, não tinha escovado o sangue do meu cabelo, não tinha lavado a camisa manchada de poeira e as calças que eu tinha certeza que agora marcavam o sofá limpo.

Eu o ouvi marchando através da cozinha, passos rápidos e altos fortes pelo corredor, e eu sabia que o rubor aquecido estava subindo pelo meu rosto.

Meu coração batendo forte como a batida de um tambor.

De repente, ele estava na porta da biblioteca.

Ele me viu, hesitando apenas por um momento enquanto olhos selvagens e flamejantes lambiam sobre a minha pele.

Então ele estava se movendo novamente, para a sala e para mim.

"Bella!" Ele disse o meu nome tão alto, tão vigorosamente. "Como você pôde fazer isso comigo?"

Eu parei um pouco em suas palavras, não esperando por elas.

Minha confusão foi imediata e me rendi de repente e frustrantemente indefesa.

"O- o quê?"

"Eu vou para o hospital para assinar alguns papéis e, de repente, eu vejo o Dr. Banner me dizendo que eu tinha acabado de perder ver você, que você tinha estado no pronto-socorro!" Ele cuspiu para mim, sua voz alta e histérica e enfurecida. Eu podia ver a preocupação em seus olhos, por trás de sua exasperação, enlouquecido. "Dr. Banner!"

Ele estava em meu rosto, sua respiração na minha pele e as suas palavras e seu tom chicoteando nas feridas na minha cabeça. Seu corpo estava a centímetros do meu, o zumbido e a centelha quase exigindo que eu estendesse e fechasse a distância, mesmo que eu resistisse. Eu preferia tocar um leão furioso, dourado e graciosamente hipnótico em sua fúria.

"Eu..." Comecei, sem saber o que dizer.

Ele me cortou, não prestando atenção em minha tentativa.

"Então eu tenho Tanya me dizendo que você não queria me incomodar no trabalho!" Ele gritou, o nome dela rolando da sua língua com incredulidade. "Porque ela te viu também. Todos no maldito hospital sabiam o que tinha acontecido, menos eu!"

Então ele foi para longe de mim, voltando e virando-se para a porta e voltando.

Cada vez mais perto, mais longe, mais perto, mais longe.

Suas mãos estavam em mim de repente, dedos agarrando ao redor do meu bíceps apertados como um aperto de quebrar ossos. Seus olhos estavam queimando tão pertos dos meus, ardentes e incontroláveis. Eu podia ouvir as batidas e a respiração e eu não sabia se eram minhas ou dele.

"Depois de tudo que passamos! Depois de todas aquelas promessas de sermos honestos um com o outro!" Seu aperto sobre os meus braços soltou e apertou com cada palavra que ele proferiu. Eu podia senti-lo pressionar contra a dor que eu já sentia da minha queda. "Eu pensei que você estava realmente começando a se abrir comigo! Deixando-me entrar em sua vida um pouco! E a primeira vez que algo dá errado, você finge que eu nem sequer existo!"

A última palavra soou no ar, no silêncio de uma inalada.

Fiquei imóvel, rígida nas mãos que me seguravam.

Meu rosto queimou e meus braços doíam, mas eu não gritei.

De repente, inesperadamente, seu rosto suavizou. Suas mãos soltaram-me apenas para envolver em torno dos meus ombros, arrastando meu corpo ao seu, me segurando com um desespero repentino. Os músculos tensos relaxaram contra o seu peito enquanto ele segurava-me gentilmente agora, mas apertado. Ele murmurou um pedido de desculpas no meu ouvido, tão calmo e arrependido. Eu podia sentir sua respiração irregular contra o meu cabelo sujo e eu sabia, eu sabia, que isso era a sobrevivência.

Assegurando-se que eu estava viva.

Eu o senti afastar-me levemente, sua mão estendendo para empurrar meu queixo para cima, forçando meus olhos para ele.

"Por que, Bella?" Edward me perguntou suavemente, sua voz muito calma, muito gentil. "Por que você não me contou?"

Puxei meu queixo da sua mão levemente, mas ele entendeu. Sua mão caiu de volta para o seu lado. Segurei seus olhos nos meus, imóvel, incapaz de deixá-los e me recusando a deixá-lo ir.

"Porque eu não queria que você me olhasse como você está olhando para mim agora".

Senti os braços de Edward se soltarem em torno de mim, seu rosto cheio de uma súbita confusão. "O quê?"

Empurrei-me dele mesmo que eu o puxasse de volta.

Ele deu um passo para longe de mim quando me virei, dando as costas para ele enquanto eu lutava com as lágrimas que vinham crescendo dentro de mim todos os dias.

A razão que eu não poderia dizer a ele.

Então, ela explodiu de mim.

"Eu não consegui montá-lo, Edward!" Eu disse depois, alto e gritando. Voltei a encará-lo, mesmo quando deixei minhas lágrimas e a emoção transformarem em raiva, em fogo. "Eu não pude cavalgar aquele maldito cavalo e era a única coisa que eu sempre quis! Você tinha razão de estar preocupado, você estava certo de pensar que eu... que eu não poderia lidar com ele." Minha voz quebrou e meus olhos caíram dos dele, sentindo a derrota correndo através de mim, minha raiva me apertando quando ouvi as palavras pronunciadas em voz alta, sabendo a verdade nelas. Lutei para manter meu aperto, desejando que continuasse queimando, segurando minhas lágrimas na baía. "E eu não suportaria ver o olhar em seus olhos quando eu lhe dissesse isso. Quando você soubesse que estava certo sobre ele... e sobre mim".

A confusão de Edward se transformou em surpresa e seus olhos se apertaram. "Do que você tem tanto medo?" Ele perguntou, sua voz suave.

"Da sua pena, Edward!" Eu pisei em sua direção, apontando o dedo em seu peito. "Portanto, fodidamente não olhe para mim assim! Eu não quero isso!"

Edward se afastou um pouco, permitindo-me empurrá-lo, mas eu podia ver sua expressão endurecendo um pouco.

"Eu não tenho pena de você." Edward disse calmamente, com firmeza na resposta.

"Que inferno!" Eu gritei, meu temperamento queimando em sua negação. "Você sempre teve pena de mim! Desde o início! Talvez você me amasse naquela época, talvez não, mas você dormiu comigo na primeira noite porque você teve pena de mim! Você casou comigo porque eu era fodidamente patética e sozinha! Você nunca se enfureceu e gritou ou se defendeu, não importava em que tipo de inferno eu o colocasse porque você não poderia suportar perturbar a pobre Bella quebrada!"

Edward ficou quieto por um longo momento.

Então, sua voz tão calma, tão cheia de veneno, rugiu, "Você não sabe de nada".

"Não sei?" Eu ri amargamente, histericamente. "Eu sempre fui o seu pequeno projeto de caridade. Por que você viu que conseguiria transformar essa triste menininha em alguém digna de amor, certo? Não é por isso que você me trouxe para cá?"

Eu vi o flash de choque repentino em seu rosto, mas eu o ignorei.

"E agora!" Eu continuei, com um aceno da minha mão. "Agora eu estou finalmente feliz. Eu finalmente sinto que tudo mudou entre nós, como se talvez você não olhasse para mim como inferior. Talvez eu seja digna de... de algo mais. E então algo como isso acontece e você apenas..." Eu falei por um momento, procurando o jeito certo para dizer isso. Finalmente, "Eu vou voltar a ser delicado com a pequena Bella que precisa ser cuidada!"

Minha respiração estava vindo em rajadas violentas e suspiros, meu coração batendo em meus tímpanos, batidas de asas de borboleta e penas de aves.

Edward olhou para mim, sua boca ligeiramente aberta, cambaleando. Eu podia vê-lo processando as minhas palavras, eu podia ver como sua mente se envolvia em torno de tudo o que eu tinha dito e ele estava decidindo o que fazer com isso.

Quando eu encontrei a calma, eu pude vê-lo perder isso.

Eu assisti, com medo e fascinação, como seu alarme lentamente e suavemente deu lugar à indignação e aborrecimento.

"Como você pode pensar isso de mim?" Ele sibilou, finalmente.

"Eu não quero que você veja a fraqueza em mim." Eu disse a ele, minha voz mais calma agora, mas ainda firme e ainda consciente. Cada pedaço de força que eu queria que ele visse. Cada pedaço de força que eu tinha deixado. "Nunca, nunca mais".

Houve outra longa pausa.

Edward parecia estar me estudando agora, escolhendo as palavras com cuidado.

"Eu não tinha ideia." Sua voz era um sussurro e sua cabeça balançava.

Eu pisquei, pega de surpresa mais uma vez pelas suas palavras. "Sobre o quê?"

"Eu não tinha ideia de que você era tão cega." Ele disse enquanto dava um passo para mim, cara feia, sobrancelhas franzidas e frustrado. "Você não consegue se enxergar. Você certamente não consegue me enxergar".

"O que você-" Eu comecei a perguntar.

Ele me cortou mais uma vez.

"Pena, Isabella, é uma emoção horrível. Eu desprezo quem a usa como uma virtude." Ele disse calmamente, sua voz baixa e ameaçada com uma honestidade e repulsa que eu nunca tinha ouvido antes. "É um sentimento profundo e sombrio de dor que se encontra sem luz e sem esperança, apenas depravação e vergonha. A pessoa de quem você tem pena é a pessoa pela qual você não tem respeito, é a pessoa que é completamente e horrivelmente vazia de qualidades redentoras." Senti meu coração afundar, torcendo no meu estômago, quando ele fez uma pausa. Então, "Eu nunca, em toda a minha vida, senti pena de você".

Ele estava perto de mim, e seu olhar tão intenso em mim.

"Não..." Eu não sabia de onde essa palavra veio, ou o que isso significava.

Eu podia sentir minha cabeça tremer, minhas mãos tremerem, e eu dei um passo para trás.

Ele se moveu comigo. Para mim.

"Nem naquela época, e nem agora." Ele continuou. Então ele acrescentou, com um sorriso um pouco irônico, "Você não mudou. Nem um pouco".

Senti como se ele tivesse me dado um tapa na cara.

Lutei com o ardor nos meus olhos uma vez mais, querendo que eles voltassem ao normal para que eu pudesse enfrentá-lo, visão clara.

Transforme isso em raiva e levante-se.

"Como você pode dizer isso?" Eu atirei para ele.

Todos os meses aqui, tudo o que tínhamos passado, cada passo que eu havia tomado para fazer minha vida melhor. Eu tinha trabalhado e merecido e ajudado e sorrido. Eu tinha aprendido o que significa perdoar e amar. Eu tinha sentido dor e saudade e tristeza por alguém além de mim. Eu tinha visto o valor na minha vida, visto valor na vida das pessoas ao meu redor.

Eu sentia como se nada em mim fosse o mesmo.

Era tudo convulsão e tortura e a luta para manter a verdade.

Como ele poderia negar isso?

Mas então, ele não negou.

Ele estava balançando a cabeça e sorrindo para mim, só um pouco.

"A mulher com quem me casei, a mulher que eu amava... por um longo tempo eu pensei que eu estava errado sobre ela. Que eu estive errado a minha vida inteira." Ele estava olhando diretamente para mim, suas palavras lentas e deliberadas. "Mas eu não estava. Não sobre você".

Meu peito expandiu ligeiramente com a minha ingestão acentuada de respiração.

Quando ele deu mais um passo em minha direção, eu não me afastei.

Eu não podia dizer nada.

"Tudo o que aconteceu aqui... algumas das quais foram horríveis, algumas das quais me arrependo mais do que as palavras podem dizer. Mas eu não faria isso de forma diferente. Porque isso me permitiu vê-la novamente... realmente vê-la. Sem todo o resto no caminho, pude ver com clareza completa e perfeita exatamente o que você é." Ele parou, eu prendi a respiração. "Você me deu de volta algo que eu pensei que tinha perdido".

Suas mãos estavam em mim novamente, desta vez suaves. Uma mão no meu ombro, a outra estendendo para o meu rosto, polegar roçando no canto do meu queixo carinhosamente.

"Mesmo no seu pior, mesmo em seu estado mais horrível e cruel e miserável e deprimido, eu nunca tive pena de você".

Ele inclinou-se e, em seguida, seus lábios estavam escovando levemente contra a minha testa.

"Não há nada em você que sequer saiba o significado dessa palavra".

Eu podia sentir seu corpo, tão quente e perto do meu. Ele permaneceu imóvel, sua boca agora respirando de maneira estável contra o meu cabelo como se ele estivesse esperando que eu reagisse.

Seus lábios não tocaram a minha pele novamente.

"Você está errado." Eu sussurrei, tremendo.

"Eu não estou." Ele disse facilmente, eu podia senti-lo balançando a sua cabeça. Então ele estava se inclinando para trás, sua mão ainda pressionando contra o meu rosto, seus olhos procurando os meus. "Não sobre isso".

Eu respirei forte.

"Desculpe por ter escondido isso de você".

Edward sorriu.

"Eu perdôo você".

Eu pisquei, surpresa. "Simplesmente assim?"

Seu sorriso cresceu um pouco mais e ele deu de ombros. "Sim".

"Por quê?"

"Porque eu conheço você. Eu sempre conheci você." Ele me disse simplesmente. "Você não fez isso para me magoar. Você nunca fez".

"Como você pode dizer isso?" Perguntei a ele, incrédula.

"Você reage ao medo, a dor, a dúvida. Partindo da ideia estúpida que você tem em sua cabeça de que você não é boa o suficiente para o amor." Ele disse, seus olhos brilhando com uma raiva que não era dirigida a mim, uma paixão que ia além da minha presença em frente a ele. "Tudo o que você já fez veio desse único pensamento".

Eu balancei a cabeça lentamente, não tendo certeza.

Os dedos de Edward se moveram lentamente de volta para o meu cabelo, torcendo em torno da ferida e de repente sentindo o sangue seco que eu tinha esquecido de limpar, o nódulo debaixo da minha pele. Seus olhos se arregalaram, então se estreitaram ligeiramente quando ele sentiu a ferida com carícias suaves, tocando tão suavemente e leve, sem causar dor.

Em seguida, sua mão voltou ao meu queixo, a outra estendendo para espelhá-la. Minha cabeça entre as suas mãos, meu pescoço macio e pálido sob as palmas das suas mãos, ele olhou para mim.

"Estou tão feliz que você esteja bem." Ele disse sinceramente, apaixonadamente. Então, ele balançou a cabeça. "Isso é tudo. Sem piedade, sem medo, sem andar na ponta dos pés. Eu só estou... contente".

Eu sorri para ele fracamente e assenti.

Suas mãos eram quentes em meu pescoço, os dedos pressionando levemente na pulsação, sentindo a batida debaixo da minha pele. Como se ele estivesse testando para ter certeza de que eu era sólida, tranquilizando-se de que eu não estava ferida. Eu não podia olhar para longe dele, mesmo que eu quisesse.

Eu não queria.

Eu queria arremessar meus braços em torno dele e agradecê-lo. Eu queria dizer a ele que eu confiava nele, que eu queria confiar nele sempre. Eu queria pedir-lhe para não me deixar. Eu queria rasgar os papéis do divórcio em mil pedaços e espalhá-los contra o vento. Eu queria que ele soubesse que eu nunca o machucaria novamente, que eu nunca quereria. Eu queria dizer a ele que eu sabia o que ele queria dizer agora quando ele falava sobre o amor. Eu queria dizer a ele que eu o amava.

"O que você está pensando?" Edward perguntou baixinho, sua cabeça mergulhando para baixo um pouco para que nós estivéssemos olho no olho.

Eu balancei minha cabeça, sorrindo tristemente. "Você não quer saber".

O rosto de Edward estava apenas a um sopro de distância do meu então, nossos olhos presos.

Suas mãos estavam ainda segurando meu rosto, segurando-me cativa quando ele se aproximou de mim.

"Tudo." Ele sussurrou contra os meus lábios.

Então ele estava me beijando.

Foi tão diferente.

Tão, tão diferente.

Sua boca contra a minha - não exigindo ou pesquisando, tomando ou necessitando – apenas explorando. Meus braços permaneceram inertes em meus lados, não dispostos a se levantar, para colocar minhas mãos nele. Eu queria senti-lo apenas naquele lugar onde estávamos ligados, sem nada para distrair-me da sensação da sua boca, memorizando e explorando contra a minha. Pequenos e castos, mas não fracos. Paciente e desejado por nós dois.

Seus lábios se separaram um pouco e eu senti sua respiração contra mim.

A leveza do ar empurrou a minha boca da sua e eu deixei minha cabeça cair, seus lábios deslizando e batendo gentilmente em meu nariz, meus olhos, minha testa.

Em seguida, minha cabeça estava sobre o seu peito e minhas mãos estavam fechadas em punho em sua camisa, agarrando-o com força e com muito medo de olhar para ele. Seu queixo estava no topo da minha cabeça e seus braços estavam ao meu redor. Pressionei meu rosto nele e todo o meu corpo contra todo o comprimento do seu.

Na pele do seu pescoço, eu respirei, quase sussurrando. "Eu estou me afogando".

Seus braços apertaram e seus lábios roçaram o meu cabelo.


Nota da Irene: Eles se beijaram!

Gente, eu traduzi esse capítulo pirando aqui. É tão lindo. Tão fofo. Eles finalmente conversam, eles finalmente se acertam.

Eu disse que ele seria linda, não disse? O próximo tem irmãs no meio! OMG, medo da Rose.

Ahhhhh senti falta da Juliana aqui. Ju, cade vc? Desistiu de esperar os posts?

Outra coisa, temos só mais 2 capítulos e depois esperaremos pelos posts da autora, queria tanto que ela postasse mais um logo.

E ah, algumas meninas me perguntaram em algum lugar sobre Entre Irmãos, e quero dizer que ela não foi abandonada, só está demorando um pouco mais para ser escrita, até aconselho a quem for muito ansioso a esperar mais dois capítulos, que será o fim, para ler, pois não sofre. Eu tbm sou leitora e sofro com a espera.

Esperei dois anos pro MUlherengo ser finalizada, e estou há um ano esperando pelo fim de Expectations, então eu sei como é. não é legal. Mas o bom é que quando tem post, os capítulos me fazem esquecer toda a agonia da espera.

Beijos e até amanhã em Fridays, que tbm virá com um extra.