Capítulo 38 - A Irmã

"Parece que sua carona chegou, Bella".

Olhei por cima da caixa registradora, mantendo o número de notas na minha mão ainda na minha cabeça até mesmo através da distração de ouvir o meu nome. Mike estava entrando pela porta da frente, segurando duas caixas pesadas de geleia. Ele sacudiu a cabeça para indicar que o que ele estava se referindo estava atrás dele, esperando pacientemente na frente da loja.

Deixei um pequeno sorriso rastejar em meu rosto, sabendo quem eu encontraria parado e tranquilo, encostado a um carro prata.

"Obrigada, Mike." Eu disse com um aceno, olhando novamente para o dinheiro que eu estava segurando firmemente em minha mão. "Eu só estou terminando aqui".

Mike colocou as caixas no balcão ao meu lado e contornou pela parte de trás.

"Você pode ir, eu farei isso." Ele disse, arrancando o dinheiro das minhas mãos com um sorriso. Abri minha boca para protestar, mas antes que eu pudesse dizer uma palavra, ele pegou as notas que eu já tinha contado, misturando o dinheiro junto para começar a contar desde o início.

Meus protestos foram cortados e meu rosto caiu, levemente duvidoso. "Você tem certeza?"

Eu não podia evitar sentir uma ligeira pontada de culpa cada vez que Mike se oferecia para me ajudar com o trabalho que ele estava me pagando para fazer. Mesmo com um sorriso no rosto e boas intenções em seu coração, isso não necessariamente parecia justo.

E eu não queria ser nada além de justa com ele, afinal ele tinha feito isso por mim.

Sempre que eu mencionava isso a ele, ele me descartava. Ele explicava que estaria fazendo tudo sozinho se não fosse por mim. Eu podia vê-lo confiando em mim mais e mais – dando-me turnos sozinha, atribuindo tarefas mais desafiadoras - mas me ter por perto não havia mudado como ele se sentia sobre seu trabalho, sua loja.

Ele ainda se importava, ele ainda amava administrá-la.

Eu podia ver seu rosto relaxando ao contar o caixa, concentrando-se com contentamento.

Eu achava que podia entendê-lo.

"É claro." Ele disse, com um aceno de despedida previsível. Então ele olhou para mim mais uma vez, suas mãos nunca parando à medida que batiam as notas no balcão com a prática velocidade e precisão. Sua expressão tornou-se falsamente dura e exasperada. "Vá".

Meu pequeno sorriso se transformou em um sorriso cheio e brilhante.

Eu me virei para o lado e estendi a mão debaixo do balcão, agarrando minha bolsa rapidamente. Coloquei minha mão sobre o ombro de Mike quando passei por ele, de volta ao redor do balcão. Um gesto silencioso de gratidão que Mike levou na esportiva, sem comentários.

Seu sorriso espelhava o meu, embora o seu fosse acompanhado com um ligeiro revirar dos seus olhos.

"Vejo você amanhã!" Eu disse para ele quando fiz meu caminho até a porta da frente.

"Tchau, Bella." Ele respondeu, já com a atenção dividida.

Quando me aproximei da porta, senti minha felicidade tremeluzir um pouco quando uma ansiedade familiar rastejou sobre mim.

Era a mesma todo dia.

Na semana passada - desde o dia em que eu tinha ido para o hospital, desde a noite em que Edward tinha me beijado - ele tinha insistido em me levar para o trabalho todas as manhãs e me pegar todas as tardes. Isso normalmente significava que ele passaria a noite em um quarto apenas algumas portas do meu. No começo ele insistiu que estava hospedado porque eu não deveria ser deixada sozinha com uma concussão. Quando a semana passou, ele tinha perdido a desculpa, mas tinha permanecido na casa.

Como isso fica no contexto?

Os últimos cinco dias foram passados apenas pelas minhas noites saudosas e minhas manhãs em sua companhia, rindo e sendo amigável.

Tinha sido um ajuste fácil, sem esforço e reconfortante.

Nossas palavras permaneciam no quarto frio, em meio a trégua e a segurança quando falávamos sobre poesia, nossas vidas, nós mesmos. Nosso entusiasmo vivido fora com os cavalos enquanto eu observava Edward passear com Dollar em silêncio enquanto eu estava cruzando ao redor com Santana, aprendendo como era fácil confiar nele de novo em silêncio. Nosso conforto foi encontrado na biblioteca, onde Edward tocava tranquilamente o piano para mim, ou para si mesmo. Nossa felicidade estava no início de cada dia, fazendo uma tentativa medrosa, mas juntos.

Edward não tinha me tocado desde aquela primeira noite. Não por medo, mas por calma. Eu nunca o empurrei, nunca tentei forçar contato - eu não tinha certeza se eu queria. Sem agressividade, mas saudade.

Ontem de manhã eu tinha queimado os nossos ovos e ele tinha beijado a minha bochecha quando eu tinha tentado me desculpar.

Quando eu saí para a luz da tarde, pensando em seus lábios roçando contra a minha pele macia, reconfortantes, permiti que meus olhos o procurassem imediatamente. Esperando olhares e sorrisos largos.

Todos os dias o carro prata parava diretamente na frente da entrada da loja, adornado pelo corpo de Edward, alto e magro, encostado do lado do passageiro. Os braços cruzados sobre o peito largo, os olhos atentos em mim, pronto para abrir minha porta quando eu descesse para encontrá-lo.

Não havia nenhum carro prata.

Eu rapidamente vasculhei a área em torno de mim, pensando que talvez ele tivesse estacionado em um lugar diferente. Eu desci os degraus devagar, pensando que talvez ele estivesse atrasado. Então meus olhos se voltaram para o veículo esperando na frente, pensando que talvez ele tivesse comprado um carro novo.

Vermelho cereja, brilhante e pequeno.

Eu parei, incerta, e olhei em volta mais uma vez.

Ouvi uma porta do carro sendo aberta e meus olhos correram mais uma vez ao som.

Encontrei-me cara a cara com a bela irmã loira de Edward, inclinando-se para mim, braços cruzados sobre o teto do veículo vermelho brilhante, olhando para mim com expectativa.

"Bella." Ela me cumprimentou com um leve aceno, sua voz impassível.

"Rosalie".

Eu estava congelada quando disse o nome dela, meus olhos arregalados e meu coração de repente correndo uma batida, tamborilando contra as paredes do meu peito.

A última vez que eu a tinha visto tinha sido na noite em que Edward tinha deslizado os papéis do divórcio, relutantemente, em minhas mãos. Ela tinha sido fria naquele momento, antes de curiosa e quase carinhosa. Sua repulsa tinha se transformado, enquanto eu observava, em apatia e ao que eu suspeitava agora ser um interesse moderado. Eu não tinha ideia do motivo da mudança nela, mas não poderia negar que estava lá no seu comportamento, na sua festa e depois dela.

Ainda assim, não importava o que eu dissesse a mim mesma para tentar manter a calma, eu não conseguia deter a descarga de adrenalina e pânico correndo através de mim. Tudo o que eu conseguia pensar era em sua raiva gelada quando ela olhava para mim. Lembrei-me de quando eu tinha chegado aqui, como eu tinha pensado que ela e Edward eram tão semelhantes, ambos com uma paixão quase desgastante. Tanto fogo, o dele com anos de razão por trás e o dela só de olhar no meu rosto.

Depois houve a mão dela no meu braço enquanto eu segurava os papéis do divórcio de Edward em meu punho como um salva-vidas, seus olhos piscando preocupação e confusão.

Bondosos e amáveis lábios quando ela beijou sua mãe, olhou para o seu marido.

Sempre tão, tão expressiva e ela olhou para mim ao longo do seu carro e eu não tinha ideia do que ela estava pensando.

Seu rosto estava totalmente em branco.

Ela podia ver-me vacilante, observando meus passos pararem, sem surpresa ou interesse, e ela não sorriu ou franziu a testa ou coçou sua cabeça. Sua boca estava com uma única linha reta, seus olhos estavam treinados e sem respostas.

"Edward ficou preso no trabalho." Rosalie disse por fim, um pequeno suspiro em sua voz. "Ele me pediu para vir buscá-la".

Fiquei momentaneamente surpresa com a normalidade da sua resposta, sentindo-me golpeada pelo fato de que eu tinha sido indiferente sobre o paradeiro de Edward, por que ele não havia chegado.

"Oh. Eu... você não precisava..." Eu murmurei baixinho, deixando meus olhos caírem e girando minhas mãos, meus dentes puxando meu lábio inferior.

Rosalie deu de ombros, ignorando completamente o meu constrangimento. "Eu não me importo. Eu estava precisando vir aqui e falar com você, de qualquer maneira".

Eu pisquei. "Comigo?"

A máscara impassível de Rosalie rachou por um momento quando ela sorriu para a minha pergunta.

Não houve humor real em sua expressão, apenas uma diversão momentânea.

"Por que você não entra no carro, Bella".

Não era uma pergunta.

"Ah... certo... quero dizer, é claro." Eu comecei a responder, forçando meus pés a me levarem para a frente, minha pressa atrapalhando um pouco quando estendi a mão para a porta do passageiro. Rosalie já tinha deslizado suavemente em seu próprio assento no momento em que me enfiei ao lado dela. Olhei em frente enquanto eu continuei nervosa, minhas palavras sendo derramadas como um córrego. "Tenho certeza que você deve ter lugares que você precisa ir. Se eu soubesse, eu teria dirigido a minha caminhonete hoje, mas..."

"Ei, Bella." Rosalie me cortou quando ela virou as chaves na ignição.

"Sim?" Perguntei estupidamente, em uma inspiração.

"Relaxe." Ela ordenou. Então ela se virou para olhar diretamente para mim. "Edward não sabia que ele não seria capaz de chegar a tempo. Ele ligou para a minha mãe, eu me ofereci".

Eu exalei.

"Oh".

O sorriso de Rosalie cresceu quando ela virou de volta para a estrada, dirigindo para fora e para longe da loja.

Então ela disse calmamente, "Simplesmente me pergunte, Bella".

"Por quê?" Eu deixei escapar antes que eu pudesse parar.

Eu esperava que Rosalie risse com a pergunta, achando diversão no meu choque. Em vez disso, ela respondeu, "Como eu disse, eu estava precisando conversar com você".

Isso de novo.

Eu não poderia imaginar o que.

Eu só podia temer.

"Sobre... alguma coisa em particular?"

Rosalie suspirou com a pergunta, seus olhos piscando para mim brevemente, então voltando à estrada. Havia uma emoção definida em seu rosto agora, embora eu achasse quase impossível interpretar o que a incomodava.

"Alice gosta de você." Ela disse de forma curta, finalmente.

Houve uma pequena pausa.

Eu não esperava isso.

"Alice...?" Eu comecei, minhas sobrancelhas franzindo em confusão.

"Emmett gosta de você." Ela continuou - não permitindo que a minha pergunta continuasse - como se não tivesse parado. "Minha melhor amiga e meu marido gostam de você. Minha mãe gosta de você. Meu irmão..." Ela hesitou.

Eu queria que ela não tivesse hesitado.

Eu queria ouvi-la dizer isso.

Eu queria ouvir alguém dizer - qualquer um que conhecesse nós dois, que conhecesse eu e ele.

Eu queria ouvir as palavras, em voz alta e de verdade dizendo que Edward ainda se importava comigo.

"Eu tinha minha opinião formada sobre você, Bella." Rosalie disse após um tempo. "Muito antes de você chegar aqui, quando eu ouvi que você estava chegando, eu tinha decidido quem você era e quem você seria para mim. Alice e Esme estavam determinadas a gostar de você, determinadas a amar você. Elas estavam tão prontas para aceitar... e perdoar. Mas eu? Eu estaria do lado do meu irmão".

Suas palavras eram familiares, não qualquer coisa que eu não tenha pensado sobre ela um milhão de vezes. Preconceitos e expectativas e julgamento. Eu sabia disso e, ainda assim, cada palavra, cada olhar de soslaio que ela jogou para mim quando ela as disse, eram amargas picadas contra a minha pele.

"Suponho que a coisa mais importante era que eu queria vir até você e pedir desculpas." Ouvi suas palavras, vi sua boca bonita as formando, mas elas eram as últimas que eu esperava alguma vez ouvi-la dizer. "Pelo meu comportamento em relação a você quando você se mudou para cá." Ela elaborou depois de um momento. "Eu mal a conhecia e isso foi... imperdoável".

Minhas mãos estavam agarrando minhas coxas, dedos cavando o jeans sobre a pele enquanto eu ouvia seu pedido de desculpas. Eu podia sentir a rigidez do meu corpo, apertado e incapaz de se mover enquanto um milhão de pensamentos, um milhão de lembranças, chegavam de volta a mim, me sufocando.

No fim, eu disse a única coisa que poderia ser ouvida sobre o ruído.

"Não, não foi".

Rosalie virou para mim rapidamente, sua cabeça girando ao redor, suas mãos firmes e mantendo o volante reto, seus olhos afiados.

"Bella, ninguém jamais deveria tratá-la como lixo a menos que tivesse uma razão".

Dei de ombros, impotente. "Você tinha".

"Oh, sério?" Rosalie riu um latido sem graça, ainda que musical. "E qual era?"

"Edward..."

"Meu irmão." Rosalie me cortou secamente. Então ela balançou a cabeça, suspirando mais uma vez. "É claro que é da minha natureza ser protetora com as pessoas que eu amo. Mas de onde eu estava, quando vocês dois chegaram, ele não era aquele que precisava de proteção".

O quarto frio e a fome e o silêncio, a raiva e o ódio e a solidão.

Tudo o que ele tinha me feito passar, cada maneira que ele havia admitido me torturar e gostar, todos os dias que eu tinha passado presa em uma luta para manter a minha sanidade.

As palavras duras de Edward e seus olhares gelados, sua raiva queimando e gritando e atirando-me da casa.

Suas mãos duras e fortes, machucando-me com o medo.

E isso ainda era nada comparado ao que tinha sido feito para ele.

"Eu acho que você pode estar errada sobre isso." Eu sussurrei, minha voz não conseguindo soar mais alta.

Rosalie ficou em silêncio por um longo momento, arrastando e exagerando no silêncio espesso do carro. Eu esperei, olhos em minhas mãos, mãos no meu colo, ela falar.

No final, ela se virou para mim.

"Você realmente se odeia, não é?"

Meus olhos voaram até ela imediatamente. Ela estava me observando com cuidado, uma sobrancelha arqueada. Ela estava questionando, insegura e graciosa, e certamente não estava sorrindo agora.

Eu queria negar isso. Eu queria discutir sobre todas as maneiras que a minha vida havia mudado, sobre o quanto eu tinha crescido e o quanto eu podia me ver, ver uma pessoa em mim que eu poderia amar. Eu queria falar de confiança e coragem, convencê-la que eu não era a mesma garota que ela tinha visto pela primeira vez, há muito tempo.

As palavras não estavam lá.

Havia apenas a verdade agora.

"Eu tento não odiar." Eu disse a ela, admitindo baixinho enquanto olhava pela janela e para longe dela. A rodovia se estendia diante de nós, postes telefônicos passando rápido demais para ver. "É tão difícil esquecer tudo o que eu fiz. Quem eu era antes." Fiz uma pausa. Então, "E Edward diz que ninguém nunca realmente muda".

Você não mudou, nem um pouco.

"Eu acho que você o entendeu mal." A voz de Rosalie era muito suave.

"Não seria a primeira vez." Eu disse com um sorriso apologético.

O sorriso de resposta de Rosalie era triste, mal ali.

Um silêncio suspenso caiu sobre o carro, o cantarolar do motor e as respirações controladas eram os únicos sons a preencher o espaço. A presença de Rosalie ao meu lado era o mais alto de todos, cada centímetro da sua força irradiando sentimento, profundidade e perguntas. Eu nunca na minha vida tinha conhecido ninguém como ela, todas as minhas antigas amigas - Jessica e Lauren - como versões aguadas do que uma pessoa poderia ser. Todas as suas emoções eram sentidas por graus de moderação, todas as suas ações guiadas por ninguém além delas mesmas. Até que eu tinha conhecido Rosalie, eu nem sabia que havia uma diferença.

Agora ela perfurou a minha vida, ao meu lado em silêncio, cada centímetro da sua sintonia para mim, minhas palavras e minhas ações.

Eu observei as linhas na estrada até que elas desapareceram na sujeira.

Deslizamos facilmente para a garagem.

Ficamos sentadas, estacionadas tranquilamente em frente à varanda, olhando uma para a outra e de volta para a casa. Eu não tinha certeza se devia ou não sair, agradecer a Rosalie e entrar na casa sem olhar para trás. Tudo que ditasse para fazer seria o próximo passo, o plano no jogo de sutilezas e regras da sociedade. Algo me manteve enraizada naquele banco, no entanto. Alguma conexão não dita, tensa e insuportável, esperando para ser dita. Ela não tinha terminado ainda.

Ela não tinha dito tudo.

A tinta branca brilhava clara e ofuscante com a luz do sol, o novo telhado e todas as telhas colocadas de volta na casa diante dos nossos olhos. Senti uma pequena agitação quando olhei para ela, uma estranha sensação de orgulho aquecendo o interior e acalmando o meu pulso acelerado, pondo fim à tensão.

Com a casa diante de nós, eu me sentei de volta e me virei para encarar a loira em silêncio ao meu lado.

"Rosalie, por que você está aqui?" Perguntei a ela, subitamente e precisando saber.

As sobrancelhas de Rosalie levantaram ligeiramente, especulativas, quando ela encontrou o meu olhar. Com um pequeno suspiro, ela tirou as duas mãos do volante e virou a parte superior do seu corpo, torcendo em seu assento de modo que estávamos face a face. Nenhuma distração e nenhuma barreira.

"Seria uma mentira se eu dissesse que não estou, porque eu estou... preocupada." Ela falou a palavra com estresse e significado.

"Preocupada?"

"Como eu disse, eu posso ser muito protetora com o meu irmão." Ela elaborou rapidamente. "Ele tem passado todo esse tempo por aqui recentemente, Esme diz que ele quase nunca vai para casa mais." Houve uma pequena pausa antes de ela terminar incisivamente, "Ele está passando as noites nesta casa com você".

Meus olhos arregalaram.

"Não é..."

"Eu não estou aqui para julgá-la." Rosalie insistiu, segurando sua mão levantada para silenciar o meu protesto chocado. "Ou repreendê-la. Ou assustá-la".

"Você não está?" Perguntei lentamente, odiando o quanto eu soei incrédula para os meus próprios ouvidos.

"Eu posso ser uma cadela sem coração, mas eu não sou idiota. Eu sei quando há coisas acontecendo que estão além do meu controle ou entendimento." Ela me disse com a simples sugestão de um sorriso. Assim que eu o vi, ele desapareceu em um franzir de testa, endurecido com os olhos de aço para combinar. "Eu também sei de quem é a culpa disso".

Meu coração pulou uma batida. "Eu não estou certa do que você está falando." Eu menti.

"Edward e eu conversamos." Ela disse para mim, como se isso pudesse explicar tudo. Suas mãos estavam dobradas no seu colo graciosamente, calmamente, mas seu corpo inteiro estava tenso em direção ao meu. Zumbindo e vibrando com uma emoção que eu não podia ler. "Não muito, não por muito tempo. Mas, ocasionalmente, por telefone. E... sempre que alguma coisa grande acontecia em sua vida." Ela hesitou, depois acrescentou, "Isso geralmente tinha algo a ver com você".

"Oh." Eu respirei.

Eu não podia ver o propósito, não podia ver o fim, mas suas palavras, sua confissão, me cativaram.

Ouvi-la falar, controlando o seu interesse, era eletrizante. Era da mesma maneira que eu me sentia quando falava com Edward, aquela clareza absoluta em cada sílaba. Enigmático e vago logo que tinha passado... mas tão cristalino como quando ela falou.

"Quando vocês dois se mudaram para cá, eu pensei que isso simplesmente nos deixaria mais próximos. Eu pensei que eu poderia ajudá-lo. E, no início, parecia que isso significava ajudá-lo a se livrar de você." Rosalie admitiu, nem uma única pista de remorso em seu rosto. Ela me olhou ferozmente, desafiando-me a me defender.

Eu permaneci em silêncio.

Ela continuou, como eu sabia que ela faria. "Mas ele não quis a minha ajuda." Palavras amargas e olhos tristes. "Ele me expulsou. No entanto, não sem antes deixar claro que afastá-la não era algo que ele queria".

"O que ele queria?" Encontrei-me sussurrando, implorando.

Rosalie me estudou por um momento antes de se encolher, inclinando-se ligeiramente para trás, exalando horas cansativas de teorias infinitas que eram as mesmas que as minhas.

"Se você não sabe a resposta para isso, então ele ainda é o único que sabe." Ela me disse.

Eu apreciei suas palavras, afastando-me finalmente. Meus olhos foram saindo, passando da casa para as montanhas atrás, para o sol poente mais baixo e mais profundo e ainda assim brilhante. Meu cabelo solto em torno dos meus ombros fazendo-me suar, lutando contra o desejo de tremer.

"Olha, Bella, tudo o que eu estou dizendo é... eu estou aqui porque eu amo o meu irmão. E eu quero entender. Agora eu sei que o que ele me falou sobre você foi apenas pedaços, apenas partes da imagem. Caso contrário não há nenhuma maneira que vocês dois estariam..." Rosalie parou.

Eu podia ouvir em sua voz que ela ainda estava olhando para mim, ainda me olhando.

De repente, sua voz ficou quieta, nervosa, quando ela disse, "Eu quero respostas, Bella. Eu quero saber o que aconteceu".

"O que ele disse a você?" Eu perguntei, mantendo minhas costas para ela.

"Eu achava que... tudo. Agora eu estou pensando que foi uma versão resumida".

Eu me senti calma, como se eu soubesse que esse momento chegaria o tempo todo.

Não havia maneira de esconder isso dela mais, não havia nenhuma razão no mundo por que eu deveria.

Ela era muito parecida com Edward - sua beleza e sua raiva e seu desejo e seu desespero. Ela era uma das pessoas a quem eu devia respostas, que merecia ouvir cada palavra, de mim, até porque ela sabia o que fazer com elas.

E eu ainda assim não disse nada.

"O que você quer saber?" Eu suspirei, preparada para a queda.

Rosalie estava calma novamente.

Então, "Você sabe por que eu a odiava tanto? Depois de apenas encontrá-la duas vezes, você sabe por que eu queria que você fosse embora?"

Lentamente, com cuidado, eu me virei para olhar para ela.

Assim como eu pensei, ela ainda estava olhando diretamente para mim. Seu olhar direto e sem culpa. Eu não tinha necessidade de sacudir a cabeça, a inclinação fácil de lado a lado, para que ela soubesse que eu não poderia responder.

Eu não queria tentar.

"Venha aqui." Ela disse, um comando simples que não podia ser contrariado.

Antes que eu pudesse responder, Rosalie estava fora do carro, fechando a sua porta, fechando-me dentro. Eu abri a minha em resposta, saindo atrás dela com apenas uma hesitação. Eu me virei para olhar para ela por cima do carro. Assim como aconteceu na frente da loja, os nossos olhos se prenderam por cima do teto brilhante vermelho sangue.

Então ela estava se movendo: para longe de mim, longe do carro, em direção à casa.

Eu a segui ao redor, além da varanda para o quintal. O dia estava lindo e ameno e temperado. Seu cabelo loiro balançava no fluxo pelas suas costas enquanto ela se movia à minha frente, seu passo rápido e calmo, com propósito. Os meus passos cambaleantes se arrastaram atrás dela até que ela parou na frente da grande árvore enegrecida.

A árvore de Edward.

Eu parei ao lado de Rosalie, meu ombro atingindo apenas a meio braço de distância dela onde estávamos.

Meus olhos arrastaram até a árvore, olhando o tronco carbonizado pedaço por pedaço, momento por momento até que cheguei à rachadura. Meus olhos fixaram na grande fissura, dividindo a árvore em duas torções, braços mutilados. Senti minha respiração travar na minha garganta por um momento, com o silêncio e a visão.

Não senti nada dessa tristeza antes, essa traição.

Lembrei-me das palavras de Edward, rabiscadas tão rapidamente e assustadas em seu diário.

Olhei para Rosalie, não tendo certeza do que eu estava esperando ver.

Ela não estava olhando para a árvore.

Ela não estava mais olhando para mim também.

Ela estava olhando para o chão.

Meus olhos seguiram os dela até uma pequena pedra pressionada na sujeira e na grama, cercada por raízes.

"O que...?" Comecei a perguntar.

Então eu vi.

Eu vi palavras gravadas na pedra.

Inclinei-me mais perto, estreitei meus olhos contra a luz até deixar as sombras esculpidas. Todo o meu corpo tinha ficado gelado, percebendo que era um túmulo que estava na base desta árvore destruída.

Um monumento à morte.

Jacob Anthony Cullen

Eu me atirei para trás, um barulho horrorizado escapando dos meus lábios quando eu tropecei levemente para longe, meus olhos ainda cravados na pedra, no lugar de descanso do meu filho.

O lugar que eu nem sabia que existia.

"Edward." Rosalie disse calmamente, apontando para a pedra. Ela estava olhando apenas para mim agora, para a minha reação.

Ele fez isso.

Senti a inundação súbita e avassaladora das memórias, anos e anos presas atrás de um rosto calmo e um coração impassível, um centímetro e uma respiração de quebrar livremente. Meus olhos ardiam, como uma lixa seca, em vez de lágrimas. Cada inalação e exalação era superficial, rápida, como se eu estivesse com medo de respirar muito profundamente. Eu queria estender a mão, sentir o frio contra as minhas mãos, traçar o nome dele com os meus dedos, mas permaneci imóvel. Obriguei-me a simplesmente olhar para aquilo; para ele.

"Você não veio com ele, então eu pensei..." Rosalie parou, seu significado claro.

Claro como eu imaginava um dia que eu nunca tinha visto.

Edward em pé ao lado de uma árvore quebrada, segurando a mão da irmã ou a mãe, em vez da sua mulher. Lutando para dizer palavras, para formar uma oração, para manter sua cabeça acima da água quando ele colocou as cinzas de uma criança na terra; tão perto da sua casa, do seu amor, quanto ele possivelmente poderia.

"Você pensou certo." Eu disse friamente. Meus ossos estavam gelados.

"Não, eu não pensei, Bella." Rosalie protestou, com uma agitação veemente da sua cabeça. Eu a vi estendendo a mão para mim muito antes de eu sentir seus dedos pastando levemente, confortavelmente, contra o meu antebraço. Pendurados flácidos ao meu lado. "Eu posso ver isso agora".

Eu balancei minha cabeça. "Você não pode ver nada".

Rosalie engoliu em seco, eu ouvi mais do que vi. Ela deu um passo em minha direção e seus dedos leves se transformaram em um aperto forte, tão terno e tão desesperado. Eu mal podia sentir isso.

"Ele enterrou o filho sozinho e eu pensei que era porque você não podia se incomodar..." Ela tentou de novo, suas palavras cheias de auto-escárnio e autopunição.

Tão, tão dolorosas.

"Eu não podia ser incomodada." Eu quis que as minhas palavras soassem ásperas, a chicotear sangue ardendo contra o meu próprio corpo. Elas vieram, em vez disso, tão uniformes e temperadas como o resto.

"Bella..."

"Eu nunca o segurei em meus braços." Falei ao lado dela, forçando as palavras pela primeira vez, forçando a verdade que ela tanto queria.

Desviei o olhar da sepultura finalmente, apenas para deixar meus olhos caírem para os meus braços. Eu dobrei meus cotovelos, mantendo-os para cima. Um ainda pesado pela mão firme de Rosalie. Olhei para minha própria pele pálida, o músculo e o osso embaixo e eu não consegui imaginá-lo ali.

"Eu culpei você." Rosalie disse baixinho.

"Eu culpei a mim mesma".

"Edward não." Ela afirmou francamente. Triste e sem pauta. "Mesmo quando ele estava tão bravo com você, mesmo quando ele odiava você, mesmo quando ele culpava você por tudo o que estava errado em sua vida, ele nunca culpou você por isso".

Senti um pequeno sorriso perverso ameaçando roubar todas as minhas feições. Sem humor, úmido e escuro como uma adega, mas, ainda assim, uma curva de lábios de palhaço incapaz de ser contida. A ironia e a tragédia tão marcantes e quentes contra o frio.

"Ele está errado." Eu disse a ela, nem um centímetro de mim estava com medo dela agora.

"Diga-me o que aconteceu, Bella".

Ela não podia me machucar, não podia me tocar. Não havia nada que ela pudesse fazer comigo que rasgaria através do meu corpo inteiro como a dor das feridas purulentas e ignoradas, sem sal para derramar. Ela era simplesmente ouvidos e olhos e coração e - inexplicavelmente - estava do meu lado.

Então eu disse a ela.

Imagens claras como o dia em que aconteceu se levantaram diante dos meus olhos.

Minha mão esquerda na mão esquerda de Edward, o meu braço estendido através do seu corpo inteiro. Eu podia sentir seu braço direito nas minhas costas, envolvendo em torno da grandeza da minha cintura. A noite estava bonita demais, quente demais para eu me sentir autoconsciente. Ele estava olhando para mim com tanta adoração para eu me sentir nada além de adoravelmente atraente. Cada comentário brincalhão que eu fazia sobre o meu peso e ele sussurrava baixo e sincero contra o meu pescoço e meu cabelo o quanto ele me queria, o quanto ele me desejava, como era torturante a espera antes que ele pudesse me levar para a nossa cama mais uma vez.

Ele sentou-me gentilmente e com um beijo na parte do meu cabelo, no brilho suave da luz de velas de uma mesa em um restaurante francês.

O sorriso de Edward estava mais brilhante do que o salão quando ele se sentou à minha frente, ainda bronzeado da nossa semana passada na nossa ilha deserta. O começo no paraíso áspero e rochoso terminando em uma paixão feliz. Ele insistiu para que saíssemos para jantar na nossa primeira noite de volta ao continente, comida boa e muito cara, para compensar toda a comida horrível que tivemos de fazer por nós mesmos.

Nossos dedos, palmas das mãos esticadas sobre a mesa, apertados e deitados à esquerda da chama cintilando no centro. Edward fez o pedido para mim em um francês impecável e eu o observei, fascinada, com a minha mão pressionada no chute violento no meu ventre. Eu sorri e acenei a minha aprovação quando ele se virou do garçom e corou um pouco antes de olhar na minha mão persistente.

Havia uma brisa suave das pessoas passando por nós, batendo sobre meus ombros nus quando o garçom levou outro casal a uma mesa.

Olhei para cima apenas por um momento, mas foi o suficiente para destruir tudo.

Jacob e Renesmee estavam sentados cinco mesas à minha direita, suas mãos estendidas sobre a mesa.

A mão dela no seu estômago.

Igual ao meu.

"Ela estava grávida." Eu disse claramente, a palavra tão estranhamente assustadora na minha língua. "E eles pareciam... tão felizes juntos. Eles nem sequer me viram. Jacob não me viu. Ele estava muito preso. De uma forma que eu nunca estive com Edward, em uma maneira que eu senti como se nunca estaria de novo".

Mesmo com Edward e minha felicidade aparentemente incandescente, eu ainda assim tinha visto Jacob no momento em que ele tinha chegado. Mas ele nunca tinha olhado para cima, nunca desviou o olhar. Ele nunca me via e eu estava sempre, sempre procurando por ele.

Jacob estava feliz e eu estava apenas fingindo estar.

Com um suspiro, eu continuei, "Eu disse a Edward para me dar as chaves do carro".

"Bella, querida, deixe-me levá-la pra casa." A voz de Edward era tão suave, ele estava de pé ao meu lado agora.

Eu tinha levantado, um choque elétrico e aterrorizada no instante em que eu tinha visto que ela carregava Jacob dentro dela também. Ele havia plantado sua semente nela porque o que estava em mim não era dele. Não importava como a criança tinha começado, ela pertencia a Edward agora.

O pensamento me deixou doente.

"Eu não quero... eu só..." Eu falei, empurrando-me para longe de meu adorado marido tão silenciosamente e tão rápido quanto pude, apavorada que Jacob olhasse para cima e me visse. Ele nunca olhou. E então eu disse claramente, lágrimas rastreando meu rosto quando comecei a andar para a porta, "Eu quero ficar sozinha".

"Ei, vai ficar tudo bem..." Edward começou, andando atrás de mim, sua mão caindo sobre o meu ombro para me parar.

Eu virei para encará-lo à porta, meus olhos flamejando com angústia e raiva e nem um único pedaço dessa paixão dirigido a ele. Ele deve ter visto, deve ter sabido, porque suas palavras morreram em seus lábios e ele simplesmente olhou para mim. Encarou. Eu podia ver a súplica, o implorar por trás da sua calma silenciosa. A desesperança que ele sentia tão óbvia em seu rosto.

Ele havia se casado com uma mulher que não o amava o suficiente para ficar, que amava outro o suficiente para partir.

"Dê-me as chaves." Eu exigi, minha voz ácida e impaciente quando estendi a mão.

Senti o peso do metal frio na minha mão quase que imediatamente.

Edward não tinha hesitado, não tinha piscado.

Sem uma palavra, eu saí pela porta daquele restaurante para a noite pesada e quente de Seattle. O clique dos saltos baixos desesperados com o medo soando contra a calçada enquanto eu fiz meu caminho para o carro, ouvindo os sapatos de um marido preocupado atrás de mim.

Eu não ouvi nada.

Eu nem uma vez me perguntei como ele chegaria em casa.

Rosalie tinha soltado o meu braço e eu estava olhando para ela agora. Ela tinha ficado pálida como um fantasma, seus lábios uma linha fina apertada sem cor. Ela estava olhando para mim, seus olhos procurando e correndo em volta do meu rosto, o horror e a compreensão crescendo a cada momento que passava.

"O acidente." Ela sussurrou. Aquelas palavras, tão calmas e inofensivas, agora pesadas com o conhecimento da revelação. Ela as disse com significância, como se estivesse reaprendendo o que elas significavam. A definição delas, seu lugar no mundo de repente mudando em sua mente.

Eu balancei a cabeça. "Certo".

"Edward nunca falou sobre isso. Não depois daquela primeira noite, quando ele ligou para nos dizer." Rosalie disse, sua voz um único exalar instável de palavras. "Eu fui aquela que atendeu ao telefone. Ele me disse que você estava chateada, dirigindo erraticamente, que você não tinha visto o caminhão. Eu pensei... todos nós assumimos... que você tinha bebido".

Eu balancei a cabeça, esperando por isso.

Junto com o seu entendimento veio o meu próprio. O ódio e ressentimento que tinham crescido simplesmente pela dolorosa falta de comunicação. A incapacidade de Edward de falar sobre algo tão doloroso, conclusões erradas sendo deixadas para marinar por anos e anos.

Eu não culpava Rosalie, não culpava sua família.

Eles não me conheciam e eu não tinha os deixado me conhecer.

Senti uma mão suave e hesitante alcançar a minha, dedos curvando apertados e prendendo os meus contra uma mão macia e quente. Olhei para a mão de Rosalie quando ela cobriu totalmente a minha e apertou. Senti a força e a solidariedade na ação.

Olhei de volta para ela, uma ligeira pergunta cruzando minha expressão.

Ela não sorriu tranquilizadoramente, não acenou de forma confortante.

Ela simplesmente olhou de volta para mim, firme e esperando.

Finalmente, após décadas de silêncio, ela finalmente fez a pergunta que ambas estivemos esperando.

"Você... você se lembra?"

"Não... e sim".

Havia apenas luzes brilhantes queimando vermelhas e dolorosamente quentes contra os fundos das minhas pálpebras.

Havia apenas o murmúrio de vozes, suaves no início e abafadas, ficando cada vez mais altas até que eu pudesse ouvi-los gritando, atirando com urgência os seus comandos. Médicos dizendo a enfermeiros, enfermeiros dizendo a médicos.

Havia apenas palavras que eu sabia, mas não entendia.

Havia apenas sangue e acidente de carro e bebê e descolamento prematuro da placenta e mais sangue e cesariana e mais sangue e histerectomia*.

*A histerectomia é uma operação cirúrgica da área ginecológica que consiste na retirada do útero. Não permitindo que a mulher engravide novamente.

Palavras, palavras, palavras.

Havia apenas um rosto amável, uma mulher olhando para mim quando meus olhos se ajustaram à luz.

"Isabella. Isabella, você pode me ouvir?" Ela me chamou de uma grande distância.

"Eu..."

"Isabella, você sofreu um acidente de carro. Você se lembra?"

"Eu..."

"Seu bebê está em perigo, Isabella. Temos que tirá-lo agora se nós quisermos salvá-lo."

"Eu..."

"Isabella, você me entendeu?"

"Edward..."

"Edward? Quem é Edward?"

"Eu..."

"Nós vamos encontrá-lo para você. Nós vamos trazê-lo aqui".

"Eles devem ter encontrado o número dele no meu telefone. Eles o chamaram. Ele estava lá quando eu acordei." Eu disse a Rosalie lentamente, a memória turva daquele dia horrível voltando com uma lentidão irregular, o mesmo estado de sonho surreal que eu tinha sentido na hora. Debaixo da água e incapaz de invadir o ar limpo, ofegando por ar e queimando meus pulmões enquanto eu tentava entender o que aquela mulher tinha dito a mim. Ainda parecia como se não fosse real. Mas isso não importava, agora ou nunca, pelo que parecia. Tinha acontecido do mesmo jeito.

"Foi ele quem me disse... ele me disse que o bebê tinha morrido." Minha voz era tão baixa agora. Sussurrando duas palavras que eu nunca tinha falado antes. "Meu filho".

Eu pisquei com a dor, as pálpebras pesadas e lentas no meu rosto, lutando para abrir. Tudo estava turvo e em cores suaves no início, estranho como olhar através de um filtro. Mover os meus olhos - apenas os meus olhos – era excruciante.

Tudo era excruciante.

Tão devagar, tão suave quanto eu pude, eu abaixei a cabeça e os olhos para o calor que estava cobrindo o meu braço esquerdo. O calor das mãos de Edward, agarradas firmemente em torno da minha mão. Seus braços pressionados contra o comprimento do meu, nossos pulsos combinados e batendo juntos. Sua cabeça estava voltada para baixo, olhando para o meu pulso, ou para a colcha, seu cabelo cor de cobre na minha cara e um corpo inteiro debruçado em oração.

Meus dedos tremeram contra os dele.

Olhos verdes brilharam imediatamente até o meu rosto, arregalados e terrivelmente esperançosos.

"Bella?" Sua voz hesitante ficou alta, seus olhos cheios e transbordando. "Oh, Deus. Bella".

Ele se levantou então, soltando minha mão e movendo a sua para o meu rosto. Em seguida seus lábios estavam em mim, tão gentilmente rápidos e urgentes, cobrindo minhas bochechas, meu cabelo, meus lábios, meu queixo, meu pescoço. Cada respiração que ele dava era expelida com uma maldição murmurada, meu nome e 'porra' escapavam dos seus lábios em igual medida.

Seu alívio era tão palpável, tão presente.

Eu me senti tão vazia.

"Quanto tempo...?" Consegui dizer através de uma garganta inflamada, em torno das suas carícias e lágrimas salgadas em meu cabelo.

Edward se afastou relutantemente, suas mãos caindo mais uma vez para a minha, levantando-a nos lábios e então a segurando, pressionando-a firme contra o seu peito.

"Já faz quase dois dias." Ele me disse, sua voz traindo um certo cansaço, fraqueza e dor, obscurecendo sua felicidade ao me ver acordada.

Eu balancei a cabeça uma vez, mas o movimento foi tão doloroso contra o latejar do meu crânio, então eu parei.

Eu podia sentir as contusões, cortes e arranhões, ossos quebrados. Cada dor e ferimento vindo para mim lentamente, um de cada vez, e permanecendo. Se misturando. Senti todos quando olhei para Edward, enquanto ele segurava meu braço contra o seu coração batendo acelerado.

Com um movimento deliberado, minha mão direita ergueu-se da cama onde estava deitada flacidamente, fria e desacompanhada. Suave e cuidadosamente a minha palma caiu no meu estômago, imóvel e oco.

Edward viu o movimento.

Seu rosto esmagou por dentro, imediatamente e progressivamente, todo o seu amor e felicidade e alívio desaparecendo em um instante. Eu nunca tinha visto o rosto de alguém torcer de tal forma, até que era quase muito trágico para ser considerado humano. Olhando para ele naquele momento, era impossível lembrar dele feliz, inconcebível pensar que tinha havido um tempo em que ele sorria.

Ou ria.

"Bella..." Ele sussurrou meu nome, suplicando.

"Ele está morto." Minha voz era calma, não foi uma pergunta.

Eu não queria ouvi-lo tentar responder. Eu não queria forçá-lo a dizer as palavras.

A última bondade, a última misericórdia que eu alguma vez mostrei a ele.

Em vez de responder, Edward soltou minha mão, sua cabeça com ela. Minha palma pressionada contra os lençóis, seus lábios contra os meus dedos, segurando todo o seu peso contra mim naquele ponto de contato.

Eu respirei e não chorei.

"Eu não podia falar com ele depois disso." Eu disse, minha voz suave, sussurrando, como se eu estivesse de volta naquele quarto, não querendo que Edward levantasse sua cabeça e olhasse para mim. Incapaz de suportar olhar seu rosto, seus olhos tristes e chorando. "O médico veio e me contou sobre o acidente, sobre o descolamento. Que eu tinha quase morrido, quase sangrado totalmente em cima da mesa. Ele me disse que a única maneira que eles foram capazes de parar o sangramento foi... que eu... que eu não tivesse mais filhos".

Lágrimas deslizaram pelo rosto bonito e imóvel de Rosalie. Suas duas mãos estavam em mim agora, segurando-me em pé enquanto eu falava. Uma em cada ombro, esticadas nas minhas costas e pressionadas ao meu lado.

Ela não disse nada.

"Eles me disseram que eu precisava de um fechamento, que eu poderia lamentar terrivelmente pelo resto da minha vida. Eu não ouvi. Eu não podia ouvi-los. Eu simplesmente me sentia muito, muito vazia. Como nada, como se nada disso pudesse me tocar." Eu confessei a ela, sentindo minha própria voz tremer e agitar para obter as palavras.

Engoli em seco.

Eu senti como se isso tivesse parado.

"Eu nunca o vi, Rosalie. Eu nunca vi o rosto dele. Eu nunca disse adeus".

Eu me deixei cair dos seus braços quando caí de joelhos, minhas mãos batendo na grama que cobria a terra ao redor do túmulo dele.

Edward sentou na cadeira no canto do quarto, seu rosto tão branco, tão calmo. Completamente desprovido enquanto me observava.

Havia uma mulher amável, cuja voz me fazia querer gritar, ou vomitar. Havia vários médicos. Eles entraram como em um desfile, um após o outro e, finalmente, juntos, me perguntando se eu queria ver meu filho. Que eles poderiam me levar até ele, eles poderiam trazê-lo para mim. Eu deveria segurá-lo, conhecê-lo.

Eu deveria conhecer o meu pequeno cadáver.

Eu estava tão calma, tão equilibrada quando eu me recusei.

Como eles poderiam discutir?

Talvez se eu tivesse jogado alguma coisa, me enraivecido ao redor do quarto, arrancado a minha IV e ameaçado sair do hospital, gritando e berrando e chorando e implorando, talvez então eles soubessem o que fazer. Eles teriam conhecido a tristeza apaixonada, a dor incompreensível de uma mãe que tinha perdido seu filho. Não uma viúva ou um órfão, mas um enlutado sem nome, lutando com a mais horrível das tragédias na longa e eterna lista.

Raiva e negação e angústia eles podiam entender.

Era o que eles queriam.

Eles não queriam uma mulher deitada na cama, sem filho, com um marido silencioso, machucado e quebrado, dizendo a eles que ela simplesmente não via razão para isso.

Escolha dela.

A minha escolha.

Senti Rosalie de pé sobre mim, eu podia imaginar os tremores em seu corpo como se fossem meus. E talvez eles fossem. Cada palavra era como extrair veneno de uma ferida, ouvi-las em voz alta e as admitindo para mim.

Em vez de amor, do dinheiro, da fama, dai-me a verdade.

"Era mais fácil fingir que nunca aconteceu, agir como se eu não me importasse. Eu estava tão certa de que deixar isso me mataria." Minha mão estendeu finalmente para se conectar com a pedra. Meus dedos caíram ao redor do 'A'. Era tão frio contra a minha pele. "Eu ainda não tenho certeza se não vai".

"Não vai." A resposta de Rosalie foi quase imediata, surpreendente e forte.

Eu a senti abaixar ao meu lado, não me tocando, mas próxima o suficiente para que ela pudesse. Seu cabelo dourado ondulando na brisa que balançava suavemente, calmamente com o meu.

"Talvez... talvez o que você fez foi..." Ela lutou. Então ela balançou a cabeça. "Não há nenhum guia para como agir. Nenhuma maneira que você possa saber como lidar com isso. Tudo que você pode fazer é seguir em frente".

Deixei cair minha cabeça, queixo no peito, desejando que eu pudesse acreditar nela. Rosalie e seu corte de palavras claras e honestas, fortes, valentes e até mesmo leais. Tudo em sua vida era tão claro, tão simples na sua opinião, que seguir em frente não era algo a ser temido ou evitado; era tudo o que havia.

Mas eu tinha tentado isso uma vez.

Seguir em frente tinha mudado a minha vida, tinha mudado e me mudado para sempre. Isso me fez ser diferente, forçou-me a crescer. Seguir em frente, colocando um pé na frente do outro, foi a coisa mais difícil que eu já tinha feito. Foi uma luta, uma batalha a cada passo do caminho. E, no fim, tudo que eu tinha feito não tinha deixado nada melhor.

Isso tinha me destruído.

Isso tinha destruído Edward.

"Edward?"

"Bella?" Ele estava ao meu lado em um instante, sua mão gentilmente cobrindo meu braço.

Eu me perguntei se ele já tinha dormido.

"Você pode fazer uma coisa por mim?" Perguntei a ele, tentando como o inferno ignorar o olhar desesperado e triste em seus olhos. A maneira como ele me olhava, o jeito que ele esperava tão pateticamente por alguma pequena palavra de mim. Qualquer indicação de que eu me lembrasse que ele estava lá, no meu quarto de hospital, a cada dia e noite.

"Qualquer coisa." Ele respirou ansiosamente, exatamente como eu sabia que ele faria.

Olhei para ele com firmeza, levantando meu queixo. "Leve-me embora".

Eu podia ver que não tinha sido o que ele esperava.

"O quê?" Ele perguntou educadamente, suas sobrancelhas franzindo, enrugando suas testa em confusão.

"Leve-me para longe deste lugar." Ordenei a ele novamente, sabendo que eu não tinha que pedir.

"Bella, você não será liberada até..."

"Não." Eu bati, interrompendo-o rapidamente, impacientemente. "Quero dizer, permanentemente. Vamos nos mudar. Vamos deixar tudo isso para trás".

Eu vi o entendimento cruzar suas feições, substituído quase que imediatamente por apreensão. Medo. Ele estava sempre com muito medo. De qualquer coisa, de tudo o que eu dissesse.

"Eu não sei se isso é..."

"Edward, eu quero sair deste lugar." Eu disse a ele. A calma da minha voz estava hesitante. Eu esperava que ele não pudesse ouvir o desespero. A pura necessidade cada vez mais forte dentro de mim para ele concordar.

Ele tinha que concordar.

"Mas a sua faculdade. Meu trabalho. Todos os nossos amigos, sua família... as nossas vidas..."

"Por favor, Edward. Por favor." Eu implorei a ele de repente, minha voz irrompendo mais alto do que tinha sido em dias. "Eu não posso ficar aqui. Por favor".

Ouvi minhas próprias palavras sem realmente entender sua raiz. Eu só sabia que a dor me roia por dentro, o desejo apavorado de fugir, de me soltar, de ficar longe da chuva e da faculdade e de apartamentos com quartos de bebê e restaurantes franceses.

"Vou fazer o que você quiser." Edward disse calmamente, suas mãos descansando quentes contra as minhas bochechas quando ele olhou para mim, querendo que eu ficasse calma. Ele não queria me ver implorar. Ele não podia recusar nada para mim. "Para onde você quer ir?"

Minhas mãos cobriram as dele e eu exalei.

"Nova York, Edward. Leve-me para Nova York".


Nota da Irene: *enxuga as lágrimas* Oi meninas *funga* estou pasma com a história da Bella. Agora sabemos pra onde o bb foi e tudo que aconteceu nessa época.

A Rose foi tão legal, não é? Me surpreendi com ela. No próximo capítulo (e ultimo postado pela autora) nós vamos saber pq depois disso o casamento deles ficou como ficou. Mas bem, a triste notícia é que ele não virá na semana que vem.

Justificativa: Estou correndo igual louca, sem almoçar, descabelada e suada nas obras, estamos com vários problemas de falta de funcionários e eu não estou tendo tempo de traduzir nada. Estou postando no susto todo dia tipo *oh meu Deus, hoje tem que postar tal fic*. E quem me ajuda a lembrar é a beta Ju, pois só lembro quando abro a caixa de email e vejo o capítulo betado. Ah que lindo.

Bem, mas pra vcs não ficarem um dia sem vir me visitar, na quinta que vem eu postarei o extra de FaN que seria postado amanhã, mas eu não consegui terminar. Ai eu posto ele e na outraaa quinta posto o capítulo 39 aqui, que será a conversa com o Ed, depois que a Rose foi embora.

*cruzem os dedos para a autora postar mais algum até lá*

Beijos e até amanhã em FaN. Ahhhh Brunaaaaaa! Obrigada por suas reviews. Adoro!