Capítulo 40 - O Encontro
Eu podia sentir a mudança no ar.
O vento roçava contra minhas pernas nuas, fazendo cócegas na minha pele e jogando meu cabelo ao redor do meu rosto, pescoço e ombros. Os dias estavam ficando mais curtos, as noites mais longas e muito frias. Senti o fim do verão se aproximando, rápido e implacável, a escuridão rastejando um minuto de cada vez em dias que tinham sido tão deliciosamente longos. Agosto foi desvanecendo, acabando, seu calor lentamente sendo ultrapassado pelo frio de outono de setembro. Com minha mão segurando a casca enegrecida e lisa, fechei meus olhos por um momento e desejei que o tempo parasse.
O verão tinha sido tão novo, tinha sido tão cheio de descobertas e surpresa e exploração. Foi um verão como o de uma criança, perfeitamente cheio até a borda com possibilidades. Eu podia lembrar de me sentir assim apenas quando eu era jovem, quando Jacob e eu éramos melhores amigos, gastando todo o nosso tempo em praias e casas da árvore e vagando pelas florestas úmidas e musgos no noroeste do Pacífico. Quando tínhamos apenas começado a conhecer um ao outro, antes de entender nossos sentimentos ou nossos corpos, quando tudo o que importava era o que estava acontecendo no momento exato em que acontecia. Presente e cheio de vida.
Eu nunca tinha amado o verão no ensino médio, quando a inquietação tinha começado a tomar conta de mim. Eu nunca tinha amado o verão na faculdade, esperando por Jacob me seguir. Eu nunca tinha amado o verão em Nova York, procurando desesperadamente por qualquer coisa para me distrair.
Eu tinha amado este verão.
Abri meus olhos novamente e olhei para fora em direção ao campo aberto diante de mim, a grama alta e escurecendo sob o sol, ondulando contra a brisa. Pedregulhos solitários, árvores solitárias espalhadas pelo terreno plano em um lugar, em outro lugar, e outro. Meu braço direito estava envolvido em torno do tronco da árvore enegrecida. A árvore de Edward. Meu ombro pressionado em sua casca, firmando-me enquanto eu observava a terra e o céu e as montanhas distantes. Respirei fundo o ar ao meu redor, meu coração batendo em um ritmo lento e constante em meu peito enquanto eu estava parada ao lado da pedra que marcava o túmulo do meu filho. Um lembrete de toda a dor que eu tinha sofrido, e a terra em volta de mim a prova de que tudo tinha valido a pena.
"Bella?" A voz de Edward chamou suavemente, atrás de mim.
Sorri sem me mover, perguntando-me se ele tinha chegado cedo ou se o tempo tinha simplesmente passado mais rápido na presença de tudo que eu tanto amava.
Na casa, tudo estava lento e sufocado: parada, meu ouvido pressionado no telefone quando Edward sugeriu que saíssemos para comer na cidade; lavando de mim a sujeira e suor do dia, água caindo do chuveiro para minha pele em torrentes; passando através de cada vestido no meu armário para encontrar o certo; andando para frente e para trás no quarto incapaz de decidir; borboletas nervosas borbulhando agitadas na minha barriga, no meu peito.
Até que meus olhos caíram sobre o livro.
O livro que Edward escreveu para mim, o livro que ele finalmente disse que eu merecia ter, o livro com todas as medidas de cada poema amado e sincronizado lindamente e terrivelmente com tudo na minha vida.
Nossa vida juntos.
Palavras de partir o coração e sentimentos intoleráveis e um amor tão forte e tão fraco que era impossível de suportar. Peguei o livro, sentei-me e li um poema, dois poemas e, de repente, eu estava calma. Não mais nervosa, não mais questionadora. Havia amor profundo e imensurável gritando em cada página, tão fácil de acreditar que era irreversível. Senti as dúvidas que eu tinha como peças irrelevantes, tão bobas depois de tudo o que tínhamos passado.
Eu finalmente me virei em meu nome, meus olhos o encontrando pela primeira vez em quase uma semana.
Terno preto e limpo, pendurando em suas pernas longas e perfeitamente retas. A linha dele combinava com a linha da sua mandíbula, recém barbeada e marfim e forte. Encontrei seus olhos e o vi me observar, minha mão persistindo por um momento mais na árvore antes que eu desse um passo em direção a ele, depois outro.
Andei até ele enquanto ele permanecia imóvel, seus olhos fixos em mim e queimando minha pele, o peso de estar sendo observada pendurado em cada passo que eu dava. Seu rosto estava ilegível e sem piscar. A saia de tule clara parecia infantil e bonita enquanto escovava os meus joelhos no ritmo dos meus passos, contrastando fortemente contra o material colocado em volta da minha cintura e ombros. Meus braços estavam completamente nus, muito brancos contra o negro dramático do vestido. Eu me senti como uma noiva caminhando para o altar, como um sacrifício caminhando para o fogo. Feita mais forte, mais segura pela maneira como seus olhos seguiam cada movimento meu.
Parei na frente dele, apenas um pé de espaço vazio nos separando. Eu o senti como infinito e como nada. Resisti à súbita vontade de virar as palmas das minhas mãos em direção a ele, de jogar meus ombros para trás e meu rosto para cima como uma oferenda. Esperei, em vez disso, rangendo os dentes para segurar seu olhar.
"Você está muito bonita." Ele disse após um momento, sua voz macia e seus olhos gentis e apreciativos.
"Obrigada." Eu respondi, as palavras saindo facilmente. "Você também".
Deixei meus olhos viajarem pelo seu corpo mais uma vez, todo preto e branco e cabelo cobre sendo jogado sem dó no vento quente que nos rodeava.
Edward estendeu o braço para mim com um pequeno sorriso.
"Vamos?" Ele convidou.
Deslizei minha mão em seu braço, minha pele nua pressionando contra o tecido do seu paletó quando ele se virou. Silenciosamente, seus olhos finalmente se afastaram, ele me levou para o seu carro prata brilhando vermelhos e dourados do sol que desaparecia. Enquanto nos afastávamos da casa da fazenda, senti a vibração que tanto tinha me incapacitado anteriormente começar a retornar. Edward estava em silêncio ao meu lado, sua expressão calma toda vez que eu me virava para olhar para ele.
Voando para a frente na estrada, a cor do sol espirrando dramaticamente em todo o céu da noite, senti a antecipação animada do desconhecido. Senti a esperança e a possibilidade em cada momento, apenas enunciada pela tensão esmagadora que se estendia entre nós. No silêncio nós poderíamos ser qualquer coisa, éramos qualquer coisa, e nossas vidas poderiam ser o que imaginamos que ela seria. Tudo isso empurrando em nossa direção, rolando debaixo de nós como o asfalto.
Quando o carro diminuiu, a realidade ocorreu-me lentamente e sem permissão.
Eu já não podia viver minha vida como eu imaginava, não quando nós chegamos a um dos restaurantes mais agradáveis em Colorado Springs. Luzes brilhavam das amplas janelas do lado de fora do carro e eu podia ver a prata e o cristal de dentro. Tudo tão lindo e tão perfeito.
E eu não tinha ideia do que isso significava.
"Bella?" Ouvi a voz de Edward, curioso.
Olhei para ele, sua mão na maçaneta da sua porta, inclinado para mim ligeiramente com as sobrancelhas levantadas.
"Por que estamos fazendo isso?" Perguntei-lhe de repente, precisando saber.
Edward piscou por um momento antes de repetir, um pouco intrigado, "Por quê?"
"Quero dizer, por que você...?" Fiz uma pausa e exalei. Então, apontei para o restaurante. "O que é isso?"
Edward afundou em seu assento, soltando a porta enquanto sorria para mim. "Isso é um jantar".
"Edward." Eu disse sem rodeios, com firmeza.
Ele suspirou, não de maneira grosseira.
"Eu sei o que você está perguntando. Eu sei o que você quer saber." Ele me disse, parecendo confuso. "Isso é um encontro? Isso está levando para algum lugar? Isso é romântico? Somos amigos?" Ele listou cada questão na minha cabeça, como se ele sempre tivesse sabido quais elas eram e nunca houvesse qualquer motivo para isso ser um segredo. Ele tinha pensado em todas elas também. Então, ele acrescentou suavemente, "Depois de tudo, alguma dessas perguntas é mesmo relevante?"
Balancei minha cabeça e encolhi os ombros. "Eu gostaria que elas não fossem".
O sorriso de resposta de Edward foi indulgente.
"Estamos casados há quase cinco anos." Ele começou. "Nós temos vivido um com o outro. Nós dormimos juntos o suficiente para que eu tenha um conhecimento bastante íntimo de cada centímetro do seu corpo. Vimos um ao outro cansado e triste e doente. Nós quebramos um ao outro em um milhão pedaços e agora estamos tentando nos consertar, de qualquer maneira que pudermos".
Eu estava corada de vermelho brilhante e ouvindo extasiada.
"Então, podemos chamar isso assim..." O sorriso de Edward retornou. "Ou podemos chamar isso de jantar".
Eu não pude deixar de sorrir para ele.
"Tudo bem." Eu concordei.
Nós fizemos nosso caminho para o restaurante sem outra palavra, cada centímetro de mim se sentindo mais leve do que já tinha em muito tempo sob a honestidade súbita e avassaladora que tinha sido colocada diante de mim. Sem mais ilusões. O que quer que acontecesse esta noite não era uma fantasia e não era um jogo. Tudo com Edward era acentuadamente, dolorosamente e inegavelmente real.
Estávamos sentados imediatamente e recebendo grande atenção da recepcionista, oferecendo cardápios e cocktails.
Nós dois pedimos gin com tônica.
Enquanto olhávamos para os pratos, Edward finalmente falou de novo.
"Então, como você tem estado?" Ele me perguntou calmamente.
Eu queria acabar com essa brincadeira, sentindo como se eu devesse estar desencantada com conversa fiada.
Eu estaria, se não fosse sua expressão.
A última vez que tínhamos nos visto, ele tinha me segurado em seus braços enquanto eu chorei a noite inteira sobre o nosso filho perdido. Lembrando daquela noite como a minha melhor e minha pior foi difícil, mas eu sabia que não estávamos mais em um lugar onde poderíamos ter a possibilidade de ignorar a verdade de novo.
Sua pergunta não era educada.
Ele queria saber.
Eu respondi honestamente, "Melhor".
"Eu teria gostado de vê-la mais cedo." Ele observou ele, sem avisar.
"Faz apenas uma semana." Eu disse com um pequeno encolher de ombros. Então, "Eu sinto muito, eu só precisava de um pouco de tempo".
Edward tomou um gole da sua bebida. "Não se desculpe".
Ele estava falando sério agora e parecia como uma ordem.
Eu sorri torto. "Reflexo".
Seu sorriso estava caído, mas ainda assim brilhante.
Quando o garçom voltou, Edward pediu filé. Eu pedi o mesmo.
Por vários minutos ficamos quietos. Eu o observei tomar um gole do seu copo, observei suas mãos desdobrarem o guardanapo suavemente, eu o vi espalhar manteiga em seu pão. Eu espelhava cada um dos seus movimentos, relutante ou incapaz de quebrar o silêncio.
Nós falamos brevemente da comida que tínhamos acabado de pedir.
Nós conversamos um pouco sobre o vinho que beberíamos com a nossa refeição.
Cada corrida de palavras foi curta e marcada por calma.
Cada vez que tentamos falar, somente as coisas pequenas podiam sair.
Conversa fiada desencantada.
"Isso é estranho." Eu disse depois de um tempo, com uma pequena risada.
Os olhos de Edward balançaram até os meus. "O quê?"
"Isso." Eu expliquei, apontando entre nós. Chamando a atenção para a mudança estranha nos últimos 20 minutos. "É como se, quando nós não estamos brigando ou não estamos gritando ou chorando... não temos nada a dizer um ao outro".
Edward se inclinou para trás, considerando por um momento.
"Isso não é verdade." Ele afirmou por fim, parecendo certo.
"Sério?" Eu o desafiei, sobrancelhas subindo. "Bem, então sobre o que você quer falar?"
Edward me estudou por um momento antes que eu visse uma faísca entrar em sua expressão. Um pequeno sorriso que ele não conseguiu controlar, um brilho animado, e então ele estava inclinado para a frente com os olhos presos nos meus, seu copo colocado de volta na mesa.
"Eu trouxe um homem de volta à vida outro dia." Ele disse simplesmente e de supetão.
Eu podia ver o desafio feliz em seu rosto.
Percebi a ousadia.
"Desculpe?" Pedi a ele para repetir, meus olhos arregalados de incredulidade, pensando que eu devia ter entendido mal.
"Um homem entrou na clínica, já morto." Ele elaborou, uma cadência animada em seu tom. "Mas estava frio lá fora, ele tinha caído na água, e eles sempre dizem na faculdade de medicina que você 'não está morto até que você esteja quente e morto'. O cirurgião abriu seu peito e eu massageei seu coração por duas horas enquanto eles o aqueciam".
Ele fez uma pausa enquanto eu fiquei boquiaberta para ele.
"Ele voltou, Bella." Ele disse calmamente.
Eu fiquei sem palavras, imóvel enquanto ele me estudava.
Eu não poderia imaginar algo assim acontecendo comigo. Ou a qualquer um. A vida de Edward de repente parecia tão distante da minha, tão grande e incrível que, por um momento, eu não conseguia nem me lembrar por que eu estava sentada em frente a ele.
Eu me encontrei olhando para as suas mãos, entrelaçadas na frente dele na mesa. Eu queria perguntar-lhe em qual foi. Qual delas ele usou? Qual delas trouxe um homem de volta à vida? Qual delas espremia e pressionava e convencia o coração de um homem que ele merecia continuar vivendo?
"Edward, isso é..." Eu resmunguei em um sussurro.
Ele balançou a cabeça. "Eu sei".
Silêncio desceu sobre a mesa de novo quando o nosso garçom chegou com os pratos. Pequenas porções foram colocadas diante de nós, artisticamente arranjadas e com bonitas cores. Sorri com tristeza, pensando em minha própria comida amadora. Como eu estava orgulhosa de cada refeição que eu fazia.
Eu nunca poderia fazer algo tão belo e delicado como a comida que estava descansando diante de mim.
Eu nunca poderia dar a um homem uma segunda chance na vida.
"Que dia foi isso?" Perguntei a Edward depois de um momento, pensativamente.
Ele olhou para mim da sua refeição, compreendendo imediatamente o que eu estava falando.
"Quarta-feira".
Sentei-me na minha cadeira, recordando uma memória.
"Eu ajudei Mike a descarregar caixas no depósito na quarta-feira." Eu disse a ele.
O garfo de Edward parou de se mexer e ele o colocou suavemente sobre a mesa ao lado do seu prato. Seus olhos levantaram para encontrar os meus, queimando com algo inesperado.
Algo quase perigoso.
"Por que você fez isso?" Ele rugiu, enxugando a boca com um guardanapo.
Fiquei surpresa por um momento.
Então eu encolhi os ombros, impotente. "Eu não posso não fazer isso".
"Bella." Ele disse meu nome como uma sentença de repreensão simples. Uma declaração de aborrecimento e decepção e indignação.
"Quando eu estava descarregando caixas na despensa, estávamos conversando e Mike me perguntou o que eu tinha estudado na faculdade." Eu disse a Edward de repente. "Eu recitei um poema para ele. Eu ainda sei muitos deles de cor".
Eu não sabia o que me fez dizer isto, por que eu queria dizer isso a ele, por que eu achei que isso mudaria o jeito que ele estava olhando para mim.
Mas aconteceu.
Edward se inclinou para frente levemente, um pequeno sorriso cruzando suas feições, seus olhos suavizando imediatamente.
Ele viu-me tentar, cada vez, pensar na minha vida como se ela valesse alguma coisa.
Eu não conseguia entender por que era tão difícil para mim, e tão fácil para ele.
"Eu acho que você jamais vai esquecê-los." Edward forneceu, sempre generoso.
"Eu vou." Discordei tristemente. "Eventualmente".
Ele me estudou por um momento mais.
Então, "Você sempre teve um grande talento para as palavras. Mesmo quando mal falávamos, eu sabia. Você poderia dizer apenas algumas frases para mim e ela eram o suficiente para me fazer amar você".
"Ou me odiar".
Outra faísca, mais quente e mais brilhante, cruzou suas feições.
"Parece que eu odeio você?" Ele exigiu, estendendo seus braços para fora como se apontasse para si mesmo, nossas palavras, este lugar.
Olhe para todo o resto, todas as provas em torno de você.
"Você deveria." Eu insisti.
"E por que eu deveria fazer isso?"
Eu não poderia começar a contar os motivos.
A mentira e a traição, a raiva e a apatia. Cada momento da nossa história estava preso em minha mente como uma tragédia grega. Jacob meu amante e Jacob nosso filho. Nessie minha inimiga e Nessie irmãzinha de Edward. Meu pai e o dele. Sua mãe e a minha. Washington e Nova York e Colorado. Tanto, tão grandes e, é claro que ele conhecia tudo isso com o coração, assim como eu. A questão era a sua maneira de me dizer que não havia nada que eu tivesse feito para ganhar seu ódio, não para sempre. Não havia nada imperdoável, não havia nada errado.
Mas uma parte dele, eu pensei, queria saber qual a razão que eu daria.
Diga-me, Bella, qual é o pior dos seus pecados?
Minha resposta surpreendeu a nós dois.
"Porque eu passei o dia do nosso casamento inteiro fingindo fortemente que eu estava apaixonada por você. E convencendo todos por lá - meu pai, sua família, você - a jogar junto".
Seu rosto ficou ilegível naquele momento, como se ele considerasse o que eu tinha lhe oferecido.
Uma pessoa pode depositar suas esperanças em qualquer coisa, qualquer minúscula ideia ou pequena noção, mas Edward tinha escolhido algo maior do que um casamento. Ele tinha decidido ter esperança em mim; em seu amor por mim, em seu amor pelo nosso filho. Não havia razão, eu não tinha lhe oferecido nenhuma garantia, e ele se casou comigo tão cegamente, tão belamente, afinal. Quanto mais fina a justificativa, mais desesperada a motivação, mais apertado ele seria obrigado a segurá-la. Apenas para assegurar-se que era tudo real.
As coisas mais inconsequentes na vida serão sempre as mais importantes, especialmente quando você não tem esperança.
A farsa do casamento sempre foi mais dele do que minha, e eu não tinha apenas o deixado batalhar sozinho naquele dia, mas eu o tinha forçado a isso. Eu o tinha desafiado a casar-se comigo para provar seu amor, o desafiado a tentar me fazer feliz enquanto eu tentava matá-lo.
O vencedor leva tudo.
Aquele casamento foi a coisa mais desprezível que eu já tinha feito na minha vida.
Edward assentiu lentamente, um sorriso triste tocando os cantos dos seus lábios.
Havia um entendimento em sua expressão que eu não reconheci.
"Eu não odeio você por isso, Bella." Edward me disse depois de um momento, delicadamente. "Você estava simplesmente dizendo a todos a história sobre como você seria feliz".
Meu estômago torceu.
"Sim." Eu respirei, admitindo.
O sorriso de Edward não vacilou do seu rosto nem com a tristeza que surgiu lá.
Ele entendeu isso.
Ele entendeu o horror da mentira.
Ele tinha chamado aquilo por um nome: uma história. Era tudo apenas uma história que eu estava criando na minha cabeça e para o benefício de todos os presentes. Foi uma história para o conforto do meu pai e para ferir Jacob e para presentear a mim mesma com um homem que me amava o suficiente para ser atormentado da mesma maneira que eu era.
Foi tudo uma história inventada e ele sorriu para mim como se eu não fosse repugnante por admitir isso agora.
Foi a coisa mais desprezível que eu já tinha feito na minha vida e não tinha significado nada para mim.
E ainda não significava nada para ele.
"Após todos esses anos que você passou comigo, com certeza você sabe que eu sou completamente e totalmente teimoso e determinado." Edward disse após um momento, sua voz pensativa e tranquila. "O jeito que você sorriu no dia do nosso casamento? Estava no meu rosto também. O sorriso era exatamente o mesmo. A história exatamente a mesma".
"Você me amava." Foi uma declaração e um desafio, não uma pergunta.
Edward inclinou sua cabeça ligeiramente. "Eu amava".
"Então você não é nada como eu." Eu insisti, minha voz quente e sem vontade de deixá-lo assumir isso.
Não disposta a deixá-lo compartilhar meu horror.
"Não sou?"
Assim como ele disse.
Teimoso.
"Você não é." Meus olhos se estreitaram, irritada e desesperada. "Você nunca faria nada das coisas que eu..."
Edward interrompeu, como se ele não tivesse me ouvido.
"Eu casei com uma mulher que não me amava, mas eu lidaria com isso." Ele disse, forçando-me a ouvir em silêncio. "Eu estava preparado para criar um filho que não era meu, mas eu lidaria com isso. Eu sabia que você ainda estava apaixonada por Jacob e eu sabia que isso estragaria tudo, mas eu lidaria com isso".
Ele parou, sua respiração acelerando um pouco quando ele fez uma pausa, seus olhos piscando.
Ele não sentiu nada da auto-aversão que eu tinha sentido quando confessei minhas faltas. Ele enunciou cada coisa da forma mais clara e cuidadosa que ele ousou, explicando sua própria vergonha para o meu benefício sem qualquer indício de fraqueza.
"Edward..." Sussurrei, segurando minhas mãos um pouco para cima, implorando.
"Você não pode levar a culpa por mais da metade do que aconteceu." Edward disse antes que eu tivesse a chance de falar. Então, com apenas um toque de amargura, "Eu sempre fui muito bem informado sobre os negócios que eu estava fazendo".
Senti um caroço na minha garganta se formando, impotente contra ele.
Como se ele estivesse impotente contra mim.
"Talvez você fosse tolo, mas eu era cruel." Eu disse a verdade.
O queixo de Edward levantou ligeiramente, sua expressão determinada tornando-se um sorriso suave. "Eu acho que você foi incrivelmente fiel e - se não perfeita - pelo menos admirável".
Minha boca se abriu por apenas um brevíssimo instante antes que eu respondesse, irônica e tentando ignorar minha curiosidade e desespero, "Como você pode pensar isso?"
"Eu não pensei assim sempre." Edward me disse honestamente. "Levei muito tempo para chegar aqui, para ser capaz de ver esse dia e todos os outros claramente. Mas eu aprendi muito sobre você nos últimos meses, mais do que eu sabia, e eu vou te dizer isto: ninguém está sempre em um lugar para julgar alguém, não importa quão bem você acha que o conhece ou a si mesmo, porque todo mundo tem suas histórias - cada um tem suas máscaras".
Eu queria chorar e beijá-lo e cair aos seus pés em sinal de gratidão.
Eu queria rir e dar um tapa nele e ir embora com nojo.
Em vez disso, eu simplesmente olhei para as minhas mãos, torcendo-as e esfregando nervosamente no meu colo.
"Eu tenho tentado muito tirar todas elas".
"Eu sei que você tem." Edward concordou gentilmente. "Mas não será fácil para você. Tudo que você faz sempre tem ocorrido a portas fechadas".
"Eu sei".
Houve um momento de pausa, quando eu não pude encontrar os olhos de Edward.
Eu continuei olhando para baixo, calor em minhas bochechas, e dentro eu estava em tumulto e caos e gagueira.
Ouvi o garçom perguntar se eu e Edward gostaríamos de qualquer outra coisa.
Ouvi Edward educadamente pedir a conta.
Eu mal tinha tocado a minha refeição.
"Você já viu burlesca*?" Edward perguntou-me de repente, sua voz ainda tranquila. Meus olhos levantaram para o seu rosto de surpresa com a pergunta, mas ele ainda estava sorrindo para mim. Sem esperar resposta, ele elaborou com as mãos apontando em minha direção, "Você poderia se levantar e dançar em um palco por mais horas do que ninguém, e mesmo assim não terminaria de tirar toda a sua roupa." Uma pausa. Então, "E isso não é culpa sua".
* A dança Burlesca é uma dança sensual que ensina a arte de se despir, é diferente do strip-tease, é uma dança mais teatralizada, uma paródia sofisticada, sensual, menos vulgar.
"De quem é a culpa?" Eu respirei.
A boca de Edward torceu ligeiramente. "Só você sabe disso".
Eu sabia.
Mas ele também sabia.
"No final, realmente importa de quem é a culpa?" Eu perguntei com um encolher de ombros derrotado.
Tire cada grama de culpa e a única pessoa responsável pela minha vida era eu.
Edward compreendeu.
"Claro que não." Ele disse com um aceno amigável de cabeça. Então ele estava olhando para mim, a intensidade do seu olhar chamuscando minha pele. "Contanto que você possa olhar para si mesma quando o burlesco esteja terminado e ame o que você vê".
"Como?"
Depois de tudo, como isso poderia ser possível?
Eu não conseguia imaginar.
Observei Edward quando ele entregou ao garçom o seu cartão sem problemas quando a conta chegou, o homem se curvando um pouco e voltando com eficácia imediata.
Quando Edward se virou para mim, encontrei-me ainda à espera da sua resposta.
"Quando você chegou aqui, você se lembra como Rosalie tratou você?" Edward quis saber.
Eu não tive que responder, o meu sorriso inconsciente foi o suficiente.
Edward sorriu em resposta.
"Ela não achava que tinha que se preocupar sobre os seus sentimentos ou sua saúde ou sua felicidade porque ela assumiu que sua vida era um horrível segredo por trás da sua máscara. Isso, com base em suas ações, deveria estar escondendo um rosto mais feio do que ela jamais poderia imaginar".
"Ela estava certa." Eu disse reflexivamente.
"É claro que ela estava." Edward afirmou com um aceno. "Rosalie nunca fez ou disse qualquer coisa que não fosse verdade, porque ela sempre foi e sempre será completamente honesta. Com ela mesma e com o mundo ao seu redor".
Senti meu estômago inteiro afundar, meu rosto pálido.
Eu sempre soube que Rosalie estava certa sobre mim, sabia que ela era exatamente o que Edward disse que ela era, mas isso não suavizava o golpe de ouvi-lo falar as palavras em voz alta. Eu não tinha percebido o quanto eu dependia dele para me entender, tomar meu lado.
Um vazio agarrou meu interior, gelado e escuro.
Esperando pelo golpe.
"Mas isso não é onde termina." Edward continuou, observando minha expressão com cuidado. "Você sabe por que ela ama você agora?"
"Ela não me ama." Expliquei para ele, minha voz plana, olhando-o diretamente nos olhos. "Ela tem pena de mim".
Edward pareceu por um momento como se fosse rir do pensamento.
"Rosalie não tem pena de ninguém." Edward me disse com sinceridade, de forma convincente. "Quando ela a viu no túmulo de Jacob, ela finalmente foi capaz de dar o próximo passo".
"O próximo passo?"
"A verdade toda não é que as pessoas usam máscaras, Bella." Edward disse, sua voz calma e até mesmo gentil. "É que por trás de cada máscara existe uma pessoa de verdade. Rosalie não podia simplesmente deixar de fora o fato de que sua vida tinha sido estranha e cruel, ou pensar que você merecia ser miserável pelo que você tinha passado e o que você fez. Não mais".
"Por que não?" Eu queria saber.
"Porque as pessoas são todas iguais. Cada um de nós. Toda a dor e medo e feiúra... é a mesma coisa para todos - eu, você, Rosalie - não importa a situação".
"Não é a mesma coisa." Eu insisti, não entendendo.
Havia sempre graus, sempre intenção e ação.
Havia sempre escolhas.
"Rosalie estava certa em pensar sobre mim como ela pensava. Algumas pessoas fazem coisas piores do que outras." Fiz uma pausa. Então admiti calmamente, "Às vezes eu sinto que ela me viu mais claramente antes, quando ela não sabia nada sobre mim".
"Isso é impossível, Bella." Edward falou, sua voz subindo levemente.
Olhei para ele com surpresa, seu rosto todo apaixonado e frustrado.
"Escute-me." Ele insistiu. Eu já estava escutando com cada centímetro do meu corpo. "Rosalie fez todas as perguntas certas quando você chegou aqui, mas sobre todas as coisas erradas. Quando ela escolheu os lados, quando ela decidiu que o que eu sentia era mais importante do que o que você sentia, ela estava apenas privilegiando um tipo de dor em detrimento de outro. E eu não posso respeitar isso. Rosalie não podia mais agir assim, não quando percebeu o que estava fazendo. E você nunca deveria também".
Fiquei em silêncio.
A voz de Edward suavizou mais uma vez quando ele disse, "Você nunca vai chegar a qualquer lugar em perdoar a si mesma e seguir em frente até que você jogue fora esse critério particular de juízo moral".
Eu estava tremendo quando confessei, implorando, "Eu não sei como me ver de nenhuma outra maneira".
"Então deixe-me ajudar." Edward disse imediatamente, sua voz confiante. "Deixe-me dizer a você como eu vejo você. Porque não importa o que você poderia pensar de mim, eu sei sobre o burlesco - eu conheço essa dança particular - e eu sempre soube sobre a sua e a amei por isso e apesar disso".
Meu coração estava martelando no meu peito, tanto que eu pensei que quebraria o meu corpo. Eu podia sentir o calor da adrenalina e expectativa em cada respiração que eu dava.
Tensão em cada linha do meu corpo pelo quanto eu queria acreditar nele.
"Diga-me." Eu sussurrei, lágrimas que eu não podia controlar brilhando nos meus olhos.
Edward respirou.
"Tudo do que você está se mantendo excluída - seja do mundo onde você tem uma família e uma mãe que a ama, ou do mundo de amor entre duas pessoas - você sempre terá duas opções. Para você, seria que você poderia tanto estar comigo - um homem oferecendo a você uma vida cheia de amor - ou você poderia deixar-se balançar inutilmente por um homem que não a queria mais de nenhuma maneira. De qualquer maneira, era a sua felicidade em jogo e, de qualquer forma, você foi aquela escolhendo isso." Edward disse, colocando tudo para fora para mim.
Eu podia ver isso, ver tudo diante de mim como se eu estivesse sendo convidada a escolher de novo.
Eu me senti mal com o que a minha resposta seria naquele momento.
"Você escolheu a mais terrível das duas opções." Edward reconheceu, contando suavemente, devagar. "Você lutou contra isso a cada passo do caminho, claro, mas você estava sempre, sempre lutando pela sua própria felicidade".
Edward levantou-se e por um momento eu pensei que ele se afastaria de mim, me deixaria lá.
Em vez disso, ele estendeu sua mão.
Olhei ao redor, a conta paga e o paletó de Edward pendurado em seu braço. Sem dizer uma palavra, deslizei minha mão na sua e levantei para encará-lo. Quando soltei sua mão relutantemente, ele ofereceu seu braço. Seu rosto era inexpressivo, mas havia uma bondade em seus olhos, uma graça simples que falava alto de cuidado e fragilidade.
E então eu vi algo que eu nunca tinha visto antes quando ele olhou para mim.
Orgulho.
Inclinando-se ligeiramente, prendi minha respiração quando seus lábios tocaram minha orelha.
Sussurrando, ele falou. "E, dessa forma, Bella, você nunca mudou".
Segurando firme um no outro, saímos para o carro.
A viagem de volta para Hartsel foi silenciosa por um motivo diferente da de vinda, embora eu não tinha certeza se eu conseguia definir isso. Não havia mais nervosismo ou expectativas. Não havia vibrações de esperança. Só uma tensão que corria profunda; mais escura e mais pesada do que eu já senti. Eu queria observá-lo, até mesmo olhar em sua direção, mas meus olhos permaneceram fixos fora da janela. Meu pescoço doía com a força que levou para mantê-lo parado e firme e sem olhar para ele, sua expressão ou seu humor.
Não que eu teria sido capaz de lê-lo, de qualquer maneira.
Minha mente estava cheia das suas palavras, suas expressões, das maneiras que ele tinha me tocado e me confortado e olhado para mim. Ouvi-lo me defender - e à suas próprias escolhas - não cegamente, mas com uma compreensão completa que nem eu mesma poderia reivindicar. Eu tinha sido tão tola, agido tão sem pensar – e acreditei que Edward teria sido mais tolo ainda. Eu o tinha humilhado por tanto tempo por me amar, e mesmo quando tínhamos começado a nos consertar, eu ainda tinha pensado menos dele por ele me perdoar. O que eu conheci por toda a minha vida como fraqueza, era realmente um exemplo da sua maior força.
Eu estava começando a sentir que se eu tinha estado tão errada sobre ele, por tantos anos, que eu poderia ter errado sobre qualquer outra coisa na minha vida.
Incluindo a minha opinião sobre a minha mãe.
Minha opinião sobre Jacob.
E sobre mim mesma.
Quando Edward puxou o carro na garagem, cascalho chiando e rangendo sob os pneus, eu ainda estava perdida em pensamentos.
Em imaginações.
Não foi até Edward abrir a minha porta do carro e oferecer sua mão mais uma vez que eu voltei ao presente. E, sem surpresa, foi o olhar em seus olhos que me trouxe de volta. A curva do seu sorriso. O calor aproximado da sua palma.
Edward me acompanhou até a varanda, onde eu virei para ele de repente.
"Obrigada pelo jantar." Eu disse com gratidão, em silêncio agradecendo-lhe por muito mais. "Foi maravilhoso. De verdade".
Edward inclinou ligeiramente sua cabeça. "Obrigado por concordar em vir".
"A qualquer momento. Adoro ter noites de folga da cozinha." Eu disse a ele levemente com uma risada. "Sério, tudo que você precisa fazer é pedir".
Edward sorriu de volta.
Eu espelhei o seu sorriso e subi as escadas da varanda para a porta da frente.
Com minha mão na maçaneta, percebi que não tinha ouvido os passos de Edward caindo sobre a madeira atrás de mim.
Eu me virei para vê-lo ainda parado ao pé da escada, olhando-me silenciosamente.
"Você quer entrar?" Perguntei a ele, de repente e nervosamente insegura.
Eu não tinha visto Edward desde a noite em que ele tinha me segurado no quarto frio, mas antes disso ele havia passado quase todas as noites na casa da fazenda. Tinha se tornado quase confortável, quase suportável vê-lo todas as manhãs e desejar-lhe uma boa noite todas as noites. Eu tinha quase chegado ao ponto onde eu não precisava me debruçar sobre nada do que sua presença na minha vida poderia significar que não fosse exatamente o que era.
Sua presença.
Depois que eu havia descoberto sobre o túmulo do meu filho, depois das velhas feridas terem sido violentamente e sem piedade reabertas, Edward tinha se mantido na cidade sem eu dizer uma palavra. Ele entendeu perfeitamente que eu precisava de espaço e tempo, sem falar ou pedir a ele.
Senti-me tola agora em assumir que, quebrando o silêncio, poderíamos voltar a qualquer coisa que a nossa relação tinha sido.
Com um pouco mais de verdade e um pouco mais de força.
"Acho que vou voltar para a cidade", Edward disse baixinho, embora fosse perfeitamente claro.
Imediatamente senti minhas bochechas inundarem com cor, minha mente sendo cheia de forma semelhante com cada cenário em que eu tinha feito algo errado.
Dito alguma coisa.
Pensado alguma coisa.
"Será que eu...?"
Edward balançou a cabeça imediatamente, dando um passo em frente para o primeiro degrau quando ele olhou para mim implorando. "Eu só acho que minha mãe provavelmente está esperando por mim. A escola está acontecendo de novo, sabe?" Ele balançou a cabeça com um pequeno sorriso triste. "Desesperada para ouvir como foi o meu encontro".
Minha respiração ficou presa na minha garganta, tolamente.
"Então isso foi um encontro?" Respirei com uma risada estrangulada.
"Bella..." Edward gentilmente repreendeu, ainda sorrindo.
Retornei o seu sorriso, um aceno de mão indicando que eu estava o provocando.
Eu podia ouvir suas palavras claramente do início da noite.
Todas as coisas que queríamos dizer um ao outro e todas as coisas que não fizemos.
Todos os sentimentos complicados que fizeram tal simples esperança impossível.
Isso é um jantar.
Nada.
Um ato de perdão que foi um passo longo demais.
Edward deve ter visto alguma coisa no meu rosto porque ele subiu até a varanda e ficou no mesmo nível que eu, sua expressão tão dolorosamente compassiva que eu queria me afastar.
Eu queria escancarar a porta e trancá-lo para fora.
Eu não poderia.
As mãos de Edward estenderam, vindo para descansar suavemente sobre os meus braços nus. Seus dedos queimando a minha pele, arrepios subindo contra o calor e o frio ao seu redor.
Suavemente, calmamente, Edward se inclinou para frente e pressionou um beijo lento em minha bochecha esquerda.
Depois outro, na minha direita.
Minhas mãos levantaram por vontade própria e seguraram seus braços enquanto ele segurou os meus, mais apertado.
Segurando-o para mim.
Ele nunca se moveu para trás, nunca se afastou.
Sua respiração estava quente no meu queixo, meu pescoço, meu ombro enquanto eu estava completamente imóvel, segurando a minha. Ficamos parados por vários momentos, nossas bochechas apenas um sopro de distância e nossas mãos agarrando um ao outro cuidadosamente.
De repente, suas mãos apertaram e eu só tive tempo para desenhar uma única respiração ofegante antes de a sua boca cobrir a minha.
Fiquei congelada por apenas um momento de surpresa antes que eu respondesse aos seus lábios, quentes e necessitados contra os meus. Cada beijo gentil de perdão e amizade e amor que veio antes deste foi limpo da minha mente até que tudo o que restava era a necessidade de continuar. As mãos de Edward deslizaram até a minha cintura ao mesmo tempo em que a minha agarrou sua camisa, dedos pressionando em seu peito com força suficiente para machucar.
Contra o seu beijo eu sentia cada uma das minhas máscaras sendo rasgadas de mim, caindo porque talvez eu não precisasse mais delas. Não enquanto Edward estava me beijando. Havia um prazer torturante em derrubar todas as minhas defesas, em reconhecer que um único momento poderia se esticar até o infinito no segundo em que nós o deixarmos. E quanto mais torturante seria porque tudo o que eu tinha feito era defesa? E quanto mais prazer haveria?
O beijo de Edward era frenético, seus lábios fortes e maravilhosos, empurrando tão fortes contra mim, como se ele pensasse que isso não estava realmente acontecendo. Todos os nossos anos de casamento, toda a luxúria e paixão que ele sentia por mim, e nenhum dos seus toques tinha feito todo o meu corpo ganhar vida como fez naquele momento.
E no segundo que eu pensei isso, no segundo que eu tive certeza que eu só poderia estar viva desse jeito, Edward afastou sua boca.
Terminando tão abruptamente como começou.
Sua respiração estava pesada no meu rosto, seus olhos ainda fechados e apertados quando eu olhei para ele.
Edward abaixou a cabeça para o meu ombro, pressionando seus lábios contra meu pescoço novamente e novamente.
Lento desta vez, e lânguido.
Inseguro.
"O que eu estou fazendo?" Eu o ouvi sussurrar, implorando e seus lábios arrastando pela minha pele.
"Você está me beijando." Eu o lembrei, sem fôlego, impotente. Uma das minhas mãos serpenteando através dos seus braços para envolver em torno do seu pescoço, roçando levemente seu cabelo. "Por favor, não pare".
Eu o senti tomar uma respiração profunda e trêmula contra mim. Fechei meus olhos e deixei a minha própria cabeça cair para que a nossa pele escovasse uma contra a outra quando ele se afastou de mim.
Dos meus braços.
Eu me senti mais fria do que eu já estive.
"Bella." Ele disse meu nome, sua voz forte, mas não sem afetacão. "Eu não posso fazer isso. Eu não..."
Eu podia ouvi-lo lutando e olhei para cima a tempo de vê-lo correr a mão pelo cabelo nervosamente. Ele não estava evitando o meu olhar, no entanto. Em vez disso, ele estava olhando para mim como ele nunca olhou antes. Havia tantas emoções em seu rosto, mas entre elas tudo que eu podia ver mais claramente era o lamento.
E medo.
Não importa o que ele disse sobre me compreender, ou me perdoar, ele sempre estaria com medo de mim.
Porque eu era aquela que sempre poderia machucá-lo mais.
Eu tinha que fazer a pergunta.
Era impossível não fazê-la, não quando ele estava olhando para mim como se eu fosse o único demônio no mundo que tinha sido deixado para ele lutar.
Haveria apenas uma razão para isso.
"Você ainda me ama?" Minha voz estava quase inaudível, mas meus olhos nunca vacilaram dele.
Ele me ouviu.
Eu observei seu rosto inteiro cair e me preparei para a sua resposta antes que ele estendesse os braços em sinal de rendição.
Ele balançou a cabeça, tão triste.
"Como eu poderia ainda amar você?"
Sua voz mostrava tanta angústia quanto eu sentia quando as lágrimas ameaçaram cair. Eu engoli rapidamente e forte, querendo que elas voltassem. Ele podia ver. Ele deu um passo em minha direção, uma mão se levantando para me confortar, mas ele parou pouco antes do contato.
Ele não podia me tocar.
Virei minhas costas para ele, mordendo meu lábio até que eu senti o gosto de cobre.
"Bella..." Eu o ouvi começar e terminar, sem saber o que dizer.
Fui até a porta e girei a maçaneta rapidamente, puxando-a aberta.
Edward não disse nada para me parar.
Entrei e bati a porta rapidamente atrás de mim. Assim como eu deveria ter feito antes. Com um sopro trêmulo, eu exalei e todo o meu corpo enfraqueceu e eu caí no chão. Meu vestido esticou e subiu em torno de mim, escondendo minhas pernas moles.
Respirei fundo, esperando que as lágrimas viessem.
Houve silêncio.
Por um momento eu quase esperei ouvir uma batida.
Esperei por ela ou por passos e escutei minha própria respiração com as costas pressionada contra a porta.
Em vez disso, ouvi um estalo de madeira, levemente abafado. Uma maldição baixa. Eu me levantei lentamente e me virei para olhar pela janela. Edward estava parado, testa contra o corrimão, segurando sua mão direita. Eu podia ver seus dedos esfolados, a marca no pilar onde ele tinha batido.
Em protesto.
Sua respiração estava vindo profunda e firme, como a minha.
Eu não conseguia desviar o olhar.
Ele ficou parado por um momento antes de se virar, sem olhar para a casa ou para a janela onde eu estava, e caminhou rapidamente para o seu carro. Ele puxou a porta e a bateu atrás dele, sua boca movendo-se silenciosamente, seu rosto tão corado.
Eu observei quando ele jogou o carro em marcha à ré antes de chicotear ao redor e entrar em alta velocidade na rodovia.
Sendo perseguido por um fantasma.
Ou uma memória.
Quando ele se foi, eu permaneci.
Descansei minha cabeça contra o vidro frio da janela e olhei para fora na noite.
Sem luzes eu podia ver a linda forma escura da terra.
Era exatamente a mesma de quando eu tinha ido embora.
Só que agora, quando olhei para ela, eu pude sentir o beijo de Edward zunindo por todo o meu corpo.
Eu nunca tinha sentido nada parecido.
Porque em toda a minha vida eu só tinha me deixado amar um homem.
E ele era a pessoa errada.
Nota da Irene:
Bem... bem... agora que ela descobre que o ama, descobre que ele não a ama mais. Será que isso é verdade? Será que depois de tudo isso ele não consegue mais amá-la? Meu coração está partido. Preciso do outro capítulo. Vamos torcer para que ele não demore a ser postado. Ahhhh... quero gritar!
Meninas, amanhã teríamos First & Ten, mas a Ju avisou que vai viajar a trabalho e só poderá me mandar na terça pela manhã, então teremos um capítulo extra de Songbird para compensar. O que vcs acham?
Bem, eu e a Lay conseguimos terminar os primeiros 15 capítulos da fic e resolvemos fazer um desafio: A cada 50 reviews por semana, vcs ganham um capítulo extra de Songbird! \o/
Vejo vcs por lá amanhã e terça em First & Ten.
Ju, obrigado pelo carinho e dedicação. Obrigada por corrigir nossas burradas!
