Capítulo 41 - A Ligação
Coloquei o telefone no balcão, devagar e com cuidado para não fazer nenhum som. Minha cabeça já estava cheia de ruídos e cantarolando, o ruído branco estático circundando cada movimento. Eu não tinha certeza se poderia lidar com o clique que tinha me desconectado da voz do outro lado também.
Minha mão estava espalmada contra a parede, apoiando-me nos meus pés.
Meu estômago revirou, lançando-se violentamente e, por um momento, eu pensei que vomitaria. Em seguida eu estava sufocando. Então, respirando muito rápido e forte.
Eu sabia que a névoa de pânico estava se envolvendo em torno de mim, estrangulando.
Eu não decidi conscientemente ligar para ele, mas minhas mãos voltaram ao telefone como se eu nunca o tivesse tocado antes, perfurando o seu número, sem considerar qualquer outra coisa. Havia apenas um pensamento, consumindo-me e dirigindo cada respiração que lutava contra a dor e medo: Edward saberá o que fazer.
Direto para a caixa de mensagens, exatamente como tinha sido a manhã toda.
Era a terceira vez que eu tinha tentado ligar para ele, falar com ele, e ele não tinha atendido nem uma vez. Esta manhã isso tinha me preocupado, me frustrado, me feito sentir insegura.
Agora, eu me sentia vazia sem a voz dele.
Sem vontade e de uma distância nebulosa eu podia entender por que ele não estava respondendo às minhas ligações.
Parecia tão irrelevante, mas a parte de mim que ainda respondia à razão sabia que ainda era relevante para ele. Talvez a coisa mais relevante em seu mundo agora. Imagens da última noite, do jantar e depois, foram puxadas lentamente atrás dos meus olhos.
Tão longe e apenas horas antes.
Havia apenas a menor vibração no meu estômago enquanto eu recordava a sensação inebriante dos seus lábios desesperados contra os meus. Onde antes eu tinha me esvaziado e torturado, repetindo a cada segundo, agora estava abafado sob o condutor do telefone, caído de volta à base.
Eu conhecia sua fuga e eu entendia.
Virei-me e fiz meu caminho até a porta da frente, mal olhando para onde meus pés pousavam. Ouvi os passos contra a madeira da varanda, contra o cascalho da entrada da garagem e notei vagamente que o ar tinha uma mordida fria nele, ensolarado, mas afastando o verão. Abri a porta da minha caminhonete, colocando em ré, e fiz meu caminho para a estrada, tudo em um movimento fluido.
Automática e não realmente sentindo alguma coisa.
Eu queria sentir preocupação por todas as maneiras que ele certamente estava se atormentando, eu queria sentir remorso por colocá-lo em uma situação impossível, eu queria dar a ele cada centímetro de espaço e tempo que ele precisasse de mim.
Mas tudo que eu sentia era o conhecimento implacável e intransigente de que eu precisava chegar até ele.
Encontre-o, cada parte de mim gritava.
Eu não sentia nada além disso.
Pressionei meu pé um pouco mais forte contra o pedal do acelerador antigo e disparei diretamente como uma faca na estrada.
Eu não podia ir mais devagar.
~O o O ~
"Edward está aqui?"
As sobrancelhas de Esme subiram ligeiramente em surpresa, um sorriso tocando os cantos da sua boca enquanto ela abria a porta para mim, rapidamente desaparecendo com um breve olhar para o meu rosto.
"Não, ele não está." Ela respondeu, olhando em volta rapidamente com preocupação. Então ela estava estendendo sua mão para chamar-me, seus dedos ondulando gentilmente ao redor do meu ombro, deslizando pelas minhas costas para me guiar. "Bella, o que há de errado?"
Entrei na casa, a mesma sensação de dormência me segurando. Meu toque breve de esperança de que Edward estivesse perto diminuiu contra a bondade no olhar da sua mãe.
"Eu só... eu preciso encontrá-lo." Eu disse a ela baixinho, incapaz ou sem vontade de falar mais do que isso.
"Aconteceu alguma coisa?"
Eu tinha certeza de que a expressão no meu rosto era resposta suficiente, porque ela estava suspirando e preocupada e gentilmente me empurrando em uma cadeira na sala de estar.
Eu queria responder.
Ou, eu não queria ser rude.
"Diga-me." Ela ordenou baixinho.
Seus olhos estavam fixos nos meus, incitando-me a falar, emprestando-me a sua força. Eu podia vê-la se preparando para tirar a dor do que quer que eu tenha a dizer.
Eu não podia contar para ela.
Não era possível falar as palavras.
Cada canto da minha mente estava inundado com imagens de sangue e lençóis brancos e o cheiro enjoativo e limpo dos hospitais.
Faróis queimando e se aproximando, cegando com a sua velocidade.
Estilhaços de vidro, belos cacos claros cortando a pele frágil.
Quebrando tão profundamente.
Eu não sabia como formar palavras em torno das visões em minha mente. Eu não sabia como dizer a ela o que tinha acontecido sem arrastá-la para baixo para a minha escuridão. Eu não sabia como pedir apoio sem forçar sua piedade, força sem mostrar fraqueza.
Esme tinha estendido sua mão e pegado a minha, sentando na cadeira perto de mim, inclinando-se atentamente.
Eu pisquei.
Engoli.
"Acho que a parte mais difícil de tudo isso tem sido... ele." Eu sussurrei.
Foi o máximo que eu consegui, mergulhando de volta ao passado.
Rosalie me segurando em frente a árvore, Edward me segurando durante a noite.
Meus próprios braços, sempre vazios.
Isso tinha consumido meus pensamentos por mais de uma semana, tão fresco em minha mente agora. Torcido com aquele telefonema, atado pela dor complexa.
O toque de Esme em mim apertou.
Não houve necessidade de esclarecer de quem eu quis dizer.
"Sempre será." Ela disse com um pequeno aceno, compreendendo e dando força.
Eu expirei longa e irregularmente.
Quatro anos em meu passado e isso ainda era - sempre seria - tudo sobre aquele menininho.
O filho que eu matei.
"Você conhece aquele velho ditado? O que não te mata te fortalece?" Minha voz estava nivelada agora, e por isso sem emoção. Era a única maneira de mantê-la estável. Falar as palavras do momento em que a revelação me atingiu, sem demora, era a única maneira de mantê-las saindo de minha boca. "É uma mentira".
Baixei os olhos de Esme finalmente, concentrando-me em nossas mãos.
Eu não tinha percebido que eu estava segurando a mão dela também, e bem apertada.
"Tudo o que já aconteceu comigo na minha vida... deixou-me mais fraca." Falei as palavras quase em um sussurro. "No único momento em que era importante que eu fosse verdadeiramente forte, eu não consegui ser. Eu não consegui fazer isso. Eu não consegui vê-lo. Não consegui..."
Eu parei, engolindo em seco. Então novamente. E mais uma vez.
Engasgando com o caroço se formando em minha garganta, forçando novamente a queimação.
Olhei para cima por um momento, por entre meus cílios, e vi a tristeza nos olhos de Esme.
Ela podia ouvir claramente o espaço na frase, um espaço em branco que eu não conseguia preencher.
"Eu fugi, em vez disso." Terminei vagamente. "Forcei Edward a fugir também".
Esme suspirou, balançando sua cabeça, inclinando-se para mais perto.
Ela não podia chegar perto o suficiente.
Então, ela estava ajoelhada no chão ao meu lado, nossas mãos ainda entrelaçadas juntas apertadas e quase desesperadas.
"Eu não acho que você fugiu porque você era fraca." Esme disse calmamente. "Você sente, Bella. Você sente tudo muito mais forte do que a maioria das pessoas. E perdê-lo...?"
Ela deixou a questão pendurada, porque ela não precisava dizer o resto.
A perda final, a que me quebrou até meu núcleo.
Eu exalei rapidamente.
Era muito.
Muito grande.
Eu estava com tanto medo de olhar para ela novamente, mas ela estava abaixo de mim, encontrando meus olhos baixos com uma expressão que não falava além de amor. Um amor que eu não merecia, nunca tinha merecido. Eu roubei seu filho dela, eu roubei seus preciosos anos juntos. Dela, e de Carlisle.
Anos de miséria que nunca poderiam ser devolvidos ou compensados.
E, ainda assim, ela permanecia ajoelhada diante de mim, prendendo-me a ela.
"Seja o que for." Ela disse com confiança, "Eu não acho que você vá fugir disso dessa vez".
Sentei-me perfeitamente imóvel, como se eu tivesse levando uma surra.
Eu sentia como se tivesse.
Então ela deu um pequeno sorriso e assentiu apenas ligeiramente.
"Você é tão forte." Sua voz era pura, acreditando no que ela disse com cada centímetro dela.
Eu queria tanto ver o que ela via quando ela olhava para mim, ver o mundo como ela o via. Ver o amor e a compreensão onde quer que ela olhasse.
Eu não poderia, no entanto.
Suas palavras eram como socos sendo lançados, enegrecendo meu corpo.
Porque eu ainda não tinha me acostumado a isso - alguém dizendo que me amava em voz alta.
Doloroso e tão maravilhoso.
"Diga-me o que está acontecendo, Bella. Diga-me o que aconteceu".
Eu não merecia o seu amor, mas meu tempo aqui me ensinou que talvez eu pudesse encontrar um lugar onde eu merecesse.
E sempre, sempre, começava com as palavras.
Eu balancei a cabeça lentamente e, palma com palma com a primeira mãe que eu já tinha conhecido, comecei a falar.
~O o O ~
Rosalie sentou ao meu lado no sofá em sua sala de estar.
Eu tinha parado de falar há muito tempo, as palavras tinham derramado de mim como tinham feito com Esme. Tão simples. Senti o peso saindo de cima de mim cada vez que eu falava. O abraço e lágrimas e a preocupação de Esme me fizeram sentir estranhamente segura. Da mesma forma que eu me senti quando Rosalie ligou a televisão quando eu terminei, sem dizer uma palavra.
Seu rosto estava pálido, seu braço estava pressionado levemente contra o meu braço, mas aquelas eram as únicas indicações de que ela tinha ouvido o que eu tinha dito a ela.
Edward não estava em sua casa também.
Ela não tinha ouvido falar dele.
Ela não sabia onde ele estava.
Ainda assim, eu disse a ela tudo sem ela perguntar. Porque eu precisava que ela soubesse - me conhecesse e conhecesse a minha vida. Ela tinha que pensar o pior de mim, ela conhecia o pior de mim e, ainda assim, ela estava sentada ao meu lado.
Uma inabalável aceitação.
Rosalie mudou de canais em silêncio.
Eu não acho que ela estivesse realmente assistindo.
Ela deve ter dado atenção a algo porque, eventualmente, ela parou e colocou o controle remoto suavemente ao seu lado, ao meu lado.
Eu poderia desligá-la se eu quisesse.
Com esse pequeno gesto, eu me forcei a voltar para o programa que ela tinha escolhido.
Eu quase ri no meu choque quando percebi o que ela tinha escolhido.
Era uma reprise de um programa ao vivo.
Um terrível e maldoso programa onde as pessoas são forçadas a ficar em cima do palco e elas têm que dizer a verdade sobre questões muito pessoais. Na frente das pessoas que elas amam, na frente de uma plateia, na frente da nação.
Eu já tinha visto isso antes, uma vez.
Eu tinha odiado cada segundo perverso disso.
Fixei meu olhar nele agora, ouvindo as perguntas enquanto ficavam cada vez mais desagradáveis, mais grosseiras.
Pessoas desmoronando em rede nacional, para o mundo ver.
"Você já assistiu a este programa?" Rosalie perguntou de repente, sua voz tão calma e uniforme. Apenas casualmente interessada.
"Eu já assisti." Eu disse a ela com sinceridade. "Em Nova York. Eu não prestei muita atenção".
Rosalie assentiu, compreendendo.
Então, "Eu acho que isso é a coisa mais linda no mundo".
Eu me virei para encará-la de forma abrupta, surpresa e incapaz de esconder isso.
"Desculpe-me?" Eu tentei esconder a incredulidade e o julgamento da minha voz.
Eu não sei o quanto eu fui bem sucedida.
Rosalie não pareceu notar.
Ela apenas deu de ombros.
"Pense nisso: ir na televisão e ser questionada se você é forte o suficiente para ser exatamente quem você é, não importa o que eles joguem em você." Ela ainda não olhou para mim. "Eu acho que é lindo".
Ficamos em silêncio então.
Senti meu coração martelando, minha cabeça pulsando, com todas as milhares de coisas que eu queria dizer. Todas as razões para que esse programa fosse total e completamente depravado.
Pessoas vendendo segredos por dinheiro.
Os anunciantes lucrando com o constrangimento deles, e as pessoas que amavam assisti-lo.
As vaias do público como um coliseu romano.
Nada disso tinha a ver com o que Rosalie tinha dito.
Essa simples declaração ficou na parte de trás da minha cabeça enquanto eu continuei a assistir.
Em vez do gozo doentio do público derivado da dor dos outros, concentrei-me nas pessoas no palco.
Em suas palavras.
E eu comecei a ver.
Esse programa não tinha um único momento da vida real e verdadeira.
Mas quanto mais eu assistia, mais eu quase desejava que não fosse verdade.
Não era sobre a ética ou a moral ou os juízos de valor da sociedade, era sobre o que era real e verdadeiro e o que as pessoas desejavam que fosse ou não verdadeiro. Era um túnel de vento e um furacão e as pessoas naquele palco deveriam ficar sentadas imóveis ali, não importa o quê acontecesse, e apenas serem honestas.
Simplesmente estarem completamente nuas.
Não importa o quão ruim fosse, cada coisa terrivelmente assustadora que eles já tivessem feito, talvez eles fossem questionados sobre isso, e quer fosse verdade ou uma mentira, a plateia inteira assistindo - e eu e Rosalie – saberia a resposta.
Mesmo se eles não respondessem , nós saberíamos.
Havia algo de muito masoquista sobre isso e algo realmente desagradável sobre assistir. Mas o pensamento de estar no palco e expondo cada momento de falsidade, cada mentira que eu já tinha dito, sobre os outros ou sobre mim?
Senti como se fosse eu ali no palco, eu literalmente começaria a brilhar.
"Eu sentirei sua falta, Bella".
A voz de Rosalie puxou-me de volta à realidade abruptamente, e levou-me um momento para processar suas palavras.
Olhei para ela, surpreendida mais uma vez.
Ela era diferente de qualquer pessoa.
Ela ainda estava olhando, imóvel, para a televisão.
"O que você quer dizer?" Eu perguntei, minha voz tremendo um pouco de uma emoção nervosa.
"Você está indo embora." Ela disse simplesmente, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
"Eu não..."
Fiz uma pausa.
Eu não tinha sequer considerado meu próximo ponto de ação, o que aconteceria depois que eu encontrasse Edward. Desde o telefonema, ele tinha sido o único futuro que eu tinha sido capaz de esperar. Tão longe e mais distante.
Obriguei-me a considerar agora.
Porque eu tinha que fazer isso.
E Rosalie sabia o que eu decidiria, para onde minhas próximas ações me levariam, antes de eu sequer soubesse que havia uma próxima.
"Sim. Eu estou." Minha voz estava tão calma, tão verdadeira.
"Eu soube no momento em que você me contou o que aconteceu".
Ela sabia, é claro que ela sabia.
Rosalie via as coisas que as pessoas normais não conseguiam, não podiam, porque ela vivia em um mundo onde a verdade era a única coisa que existia. Enquanto eu tinha sido mutilada pelas mentiras, ela não tinha sido capaz de me ver. Eu tinha mostrado a ela que por trás de cada máscara que eu já tinha usado, eu ainda existia. E ela tinha me mostrado que o ponto inteiro de ser um humano é entrando e se mantendo em um estado onde você é forte o suficiente para viver sem nenhuma mentira.
"Você é linda, Rosalie." Eu disse a ela suavemente.
Finalmente, ela se virou para mim.
Lágrimas trilhavam lindamente pelas suas bochechas. Ela estava olhando para mim com um amor tão desesperado e doloroso como ela tinha olhado para Edward quando tínhamos chegado em Hartsel. Lançando-se para fora da varanda e nos braços dele.
Ela sorriu para mim, dolorida.
"Tão bonita quanto esse programa inútil?" Ela perguntou com um riso leve.
O programa inútil era como lágrimas dissolvidas diante dos olhos dele, onde as pessoas - por apenas um momento - eram tão honestas como ela sempre tinha sido.
O programa inútil que enunciava cada momento da minha vida desde que eu tinha chegado até aqui.
Desde que eu a tinha conhecido.
Minha respiração estremeceu.
"Oh, sim." Eu sussurrei.
~O o O ~
"Lamento perder você, Bella." Mike, amável como sempre, soltou-me do seu abraço pesaroso com um suspiro. "Você fez um trabalho muito bom aqui".
Nenhuma palavra perguntando por que eu tinha que ir, por que era tão imediato, e eu percebi que a tortura da sua bondade era uma negociação justa por não ser forçada a responder perguntas sobre a minha demissão e partida repentina.
Um olhar no meu rosto deve ter dito a ele o que ele não queria saber.
Olhei em volta mais uma vez para os corredores coloridos, alegres e organizados e amigáveis. Eu sentiria falta desta loja, o lugar onde eu tinha descoberto que eu era mais do que nada. Que eu poderia ter um lugar no mundo que não pertencesse a ninguém além de mim.
Eu tinha trabalhado duro aqui, eu tinha feito o que eu tinha a intenção de fazer. Eu tinha aprendido a ser independente. Eu tinha ganhado um salário. Eu tinha sido responsável por algo diferente do que eu e minha própria vida.
E, no final, não foi suficiente.
Não foi o suficiente para eu me sentir como se eu algum dia me igualasse a Edward, salvando vidas com as suas mãos. Não foi o suficiente para Edward sentir como se eu realmente fosse independente, que eu poderia até me sustentar. Não foi o suficiente para fazê-lo me amar.
Não foi o suficiente para me manter aqui.
"Bella?"
Eu me virei para a voz familiar, meus olhos arregalados de surpresa quando Jasper deu um passo em minha direção.
Por um momento breve e paralisante, eu pensei que ele tinha vindo me procurar. Que Esme, ou Rosalie, tivessem dito alguma coisa. Um medo irracional, assim que vi uma cesta pendurada casualmente no seu braço, notavelmente sobrecarregada com os alimentos.
"Você e Alice só fazem compras uma vez por mês?" Eu perguntei com uma risada involuntária, surpreendendo-me quando sinalizei para a quantidade de comida que ele estava comprando.
Eu soube instantaneamente, pela expressão em seu rosto, que ele ainda não tinha sequer ouvido a minha risada, ou a minha pergunta provocativa.
Tudo o que ele tinha ouvido era a minha conversa com Mike.
Ou parte dela.
Senti-me empalidecer levemente quando os olhos de Jasper queimaram nos meus, curiosidade e preocupação deixando-me tensa.
Ele olhou para Mike rapidamente e, com um sorriso amigável que não chegou a atingir seus olhos, ele colocou sua cesta no balcão. Mike balançou a cabeça para ele em resposta e começou a pegar as compras rapidamente.
Sem dizer uma palavra para me obrigar a ficar, eu fiquei ao lado de Jasper enquanto ele esperava Mike ensacar seus itens, enquanto ele pagava.
Todo educado, mas havia uma tensão silenciosa que me manteve enraizada no chão ao lado dele.
Outro adeus que eu não poderia ir embora sem dar.
Peguei algumas das suas sacolas do balcão quando ele se virou para sair, ajudando-o a levá-las para fora.
Mike sorriu para mim com tristeza e acenou.
Eu não tinha falado muito, mas eu pensei que ele sabia que talvez essa seria a última vez que ele me veria.
Eu sabia com certeza.
Segui Jasper para a pouca claridade.
"Você está saindo do seu emprego?" Apenas Jasper poderia fazer tal pergunta sem uma pitada de acusação.
Verifique esses fatos. Eles são verdadeiros?
Eu tomei uma respiração profunda e trêmula, sem nunca perceber o quanto este adeus em particular seria difícil. Não entendendo o que Jasper significava para mim – através de Alice, através dos cavalos, através de Edward.
"Sim, eu estou".
Eu podia ver a questão se formando nos olhos de Jasper. O quanto ele não conseguia - não podia - me entender. Sobre as minhas decisões. Sobre quem eu era e o que eu estava fazendo com essa vida que os outros com quem ele se importava haviam trabalhado tão duro para tornar melhor. Por mim.
E agora eu era uma desertora.
Antes que ele pudesse perguntar por que em voz alta, em uma voz que eu sabia que não podia esconder seus pensamentos, perguntei a ele abruptamente, "Você sabe onde Edward está?"
Jasper piscou duas vezes, em seguida, analisou a questão com calma.
"Não." Ele disse com um pequeno aceno de cabeça. "Você ligou para ele?"
"Ele não atende." Eu disse a ele calmamente quando chegamos ao seu carro.
Jasper destravou o porta-malas e, juntos, colocamos as sacolas dentro, cuidadosamente dispostas de forma a não escorregar.
"Tenho certeza que ele vai ligar de volta para você." As palavras, o tom, eram casuais. Mas os olhos de Jasper estavam trancados em mim quando ele disse isso. Ele sabia que algo estava acontecendo, ele podia sentir meu pânico, ou o meu medo, ou meu sofrimento.
Eu balancei minha cabeça. "Eu não tenho".
Jasper se endireitou, fechando o porta-malas e virando-se para mim. Sua postura era confiante, curiosa, desconfiada. Mas quando falou, sua voz era tão gentilmente baixa.
"Aconteceu alguma coisa?"
Eu queria gritar, cair aos meus pés, bater meus punhos contra o chão em frustração. Eu queria contar-lhe tudo, trazê-lo à minha confiança como Esme e Rosalie.
Ainda assim, nem mesmo elas sabiam por que Edward estava me evitando.
Tudo aconteceu de uma vez, eu queria gritar para ele.
Perguntei-me como Jasper reagiria.
Eu não sabia o suficiente sobre ele para prever seus movimentos, para dizer a ele tudo o que estava se passando na minha mente e esmagando através do meu sangue.
"Ele me beijou na noite passada." Eu disse finalmente, sem saber se Jasper saberia o significado dessa ação; o quanto ele sabia sobre o casamento dos seus vizinhos.
A pequena amiga quebrada da sua esposa e o pequeno filho quebrado de Carlisle.
Jasper ficou em silêncio contra a minha confissão.
O silêncio pareceu implicar que ele sabia mais do que eu poderia ter imaginado.
Ele não pareceu surpreso.
"Ele sempre atende ao telefone." Eu continuei, segurando meus braços para fora, impotente.
Ele nem sempre atende ao telefone.
Antes de eu aceitá-lo como certo, antes de eu quebrá-lo e implorar pelo seu perdão e levá-lo para o fundo. Antes de eu torcer toda a emoção que ele tinha por mim, antes de eu mutilar seu amor além de todo reconhecimento.
Antes de ele ter vergonha de ainda me querer.
Porque, no final, foi nisso que o seu silêncio se resumiu.
Ossos desencapados.
Se ele me quisesse depois de tudo, era contra a sua vontade - e ele se odiava por isso.
"Ele ligará." Jasper disse calmamente, mas com certeza. "Seja paciente".
Por alguma razão, suas palavras me acalmaram por um instante. Considerar o mundo através da visão lenta e fácil de Jasper. Onde tudo o que era para ser se tornaria realidade, onde tudo aconteceria em seu próprio tempo. Havia conforto em pensar que cada ação era simplesmente uma onda no oceano, desfraldando e rolando, sem parar e inevitável.
"Ele não me ama mais." Eu disse suavemente.
Surpresa registrou no rosto de Jasper pela primeira vez desde que ele tinha entrado na loja.
Novamente, fiquei imaginando o quanto ele sabia.
"Você quer que ele a ame?" Ele perguntou, suas sobrancelhas levantadas, seu tom ainda tão amável.
"Eu só quero que ele ligue." Eu insisti.
"Dê tempo a ele".
Olhei para os meus pés, meu rosto corando com agonia. Eu queria tanto dar tempo a Edward, todo o tempo que ele precisasse, todo o tempo que ele merecia, todo o tempo do mundo. Eu queria que ele descobrisse a si mesmo, tivesse certeza, considerasse, se importasse. Para guardar bem seu coração, tão ferozmente. Assim como eu havia lhe ensinado a fazer.
Impossível.
"Eu não tenho tempo." Eu sussurrei, minhas mãos se torcendo juntas.
"O que você quer dizer?"
Eu tomei uma respiração profunda.
"Estou indo embora, Jasper".
"Indo embora?" Jasper piscou, confuso mais uma vez.
"Assim que eu puder." Eu disse a ele com um firme aceno de cabeça. "Eu preciso dizer a ele..."
"Você precisa dizer a Alice." As palavras de Jasper me cortaram abruptamente. Elas eram incrivelmente afiadas. Ainda cheias de preocupação, com empatia, mas de repente afiadas.
Não abrindo nada para discussão.
"Sim".
Engoli em seco, considerando essa despedida em especial que eu ainda tinha que dar.
A dor aguda em meu estômago voltou levemente, picando e mordendo, enquanto eu imaginava o rosto dela.
Enquanto eu imaginava minha própria vida sem ela.
Inclinei-me contra o carro de Jasper, minhas costas batendo nas janelas, minha mão correndo para puxar meu cabelo, dedos agarrando e enrijecendo dentro das mechas.
Senti o calor de Jasper ao meu lado então, seu braço estendendo a mão para apertar ao redor da minha, puxando-a gentilmente do meu cabelo. Lembrei-me de fazer a mesma coisa por Edward, uma vez. . Exceto que, ele não soltou minha mão uma vez que a tinha.
Nossos dedos entrelaçaram, como com Esme. Nossos braços tocando, como com Rosalie.
Aqui estava meu conforto, aqui estava a minha segurança.
"Eu não sei tudo o que aconteceu entre você e Edward, Bella." Jasper admitiu, soando quase arrependido.
Como se fosse sua própria culpa, como se ele não tivesse tido o tempo. Como se ele nunca tivesse me aceitado, abrigado e alimentado e me cedido seus cavalos, me cedido Alice.
Eu não podia rir, mas eu queria amargamente.
"Eu conheço Edward, no entanto, e eu acho que ele..." Jasper começou lentamente.
"Talvez você o conheça e talvez não." Eu balancei a cabeça pesarosamente. "Mas você não me conhece. Você não sabe o que eu fiz".
Jasper olhou para mim por um longo tempo, em silêncio.
Então, olhando para baixo como se ele não tivesse certeza, "Eu sei sobre Nessie. Eu sei sobre o seu filho. E sobre... Jacob".
Meu estômago apertou imediatamente, dolorosamente, embora não tão dolorosamente como eu teria pensado. Nem a metade da dor, nem mesmo quando eu soube que quando ele disse aquele nome, ele não estava se referindo ao meu filho.
Ele estava se referindo ao homem.
O homem que eu tinha amado, o homem que eu poderia ainda amar apesar de mim mesma e apesar de tudo.
A sensação horrível dolorosa no meu estômago, dizendo-me que eu não estava livre, e Jasper de alguma forma sabia.
Através de Edward, ou Rosalie, ou Esme, ou Alice, ele tinha ouvido.
Ouviu e não disse nada até agora.
Eu não estava zangada com ele, nem com ninguém.
Eu de repente estava extraordinariamente agradecida.
"Jacob..." Eu respirei o nome silenciosamente, de forma significativa.
Eu sabia que se deixasse este lugar, quando eu deixasse, seria por ele que eu me encontraria.
Havia algo que me prendia a ele, algo que eu era incapaz de escapar.
Depois de tudo, eu teria que enfrentá-lo, no final.
"Houve essa coisa entre nós, eu acho que sempre esteve lá..." Eu disse a Jasper lentamente, sem saber se ele entenderia. Não me importando muito se ele não entendesse. "Essa confusão... essa faísca..."
"Você e Jacob?" Jasper esclareceu calmamente, curiosamente. Sem julgamento ou reprovação.
Eu balancei a cabeça e continuei, sem olhar para ele, "Você já viu um fio elétrico que foi derrubado no chão? A forma como faísca e dança sobre o asfalto e para quieto, então começa a faísca de novo. Era assim".
"Soa intenso." A voz de Jasper era calma, normal.
"Era." Eu concordei. "E assustador... e poderoso. E bonito." Minha voz estava coçando e minha mão suando e segurando e esmagando, meu braço pressionando e tremendo. "E eu achava que sabia o que eu teria se eu o perdesse".
"O quê?"
"Nada como isso." Eu disse suavemente, um pequeno soluço escapando com as palavras. "Uma vida aguada".
Jasper compreendeu. "Você queria a intensidade".
"Eu queria Jacob".
Eu pude sentir Jasper virar o rosto para mim, seu braço afastando, sua mão ainda na minha quando ele moveu seu corpo para longe do carro para ficar diante de mim. Com a sua outra mão, ele levantou meu queixo lentamente. Olhos azuis claros e penetrantes e honestos.
"E agora?"
Pensei em todos os momentos que passei chorando e lutando e empurrando e gritando com Edward.
O ódio e o amor se torceram e retorceram juntos.
A amarga tristeza, a felicidade muda, a esperança contaminada, a raiva intensa.
Uma vida aguada.
"Nada aconteceu do jeito que eu pensei que seria".
Minha vida em todas as cores vivas no Colorado, cada trecho de emoção, cada bocejo de escuridão e escaldante brilho.
O polegar de Jasper acariciou delicadamente ao longo da linha da minha mandíbula.
"Edward encontrará você".
~O o O ~
Eu disse a Esme na ligação nas primeiras horas da manhã.
Eu disse a Rosalie que eu estava indo embora do Colorado.
Eu disse a Jasper sobre o beijo que obrigou Edward a se afastar.
Para Alice, eu disse tudo.
Sentamos lado a lado - como Rosalie no sofá, como Jasper no carro - em um fardo de feno no celeiro enquanto eu confessei.
Confessei todos os momentos do dia, cada momento da noite passada, cada momento do meu tempo em Hartsel.
Os poemas, os papéis do divórcio, a árvore e a miséria.
O beijo.
A ligação.
A busca.
A dor.
Alice ouviu tudo, em silêncio e olhos arregalados.
Imaginei-me em um palco.
Coloque tudo para fora e você estará livre.
Quando terminei, Alice ficou em silêncio por um longo tempo.
Seus olhos estavam em suas mãos, escondendo sua expressão de mim.
Esperei pacientemente, surpresa que eu não estivesse nervosa.
Eu confiava em Alice com tudo.
"Você está realmente indo embora." Ela disse finalmente.
Não era uma pergunta.
Eu balancei a resposta, de qualquer jeito. "Assim que eu disser a Edward".
Alice olhou para mim então, seus olhos brilhando levemente. "Você tem que ir?"
Havia um desespero em sua voz que me chocou. Havia um desejo e uma necessidade, um apelo que eu estava certa que apenas eu sentia. Era inconcebível para mim que Alice precisasse de mim para qualquer coisa.
Eu esperava tristeza, talvez arrependimento.
Eu não tinha pensado que a dor se esticaria tão profundamente no lado dela.
Sempre estaria em mim.
"Eu não quero mais fugir, Alice." Eu queria que ela entendesse. "Eu não posso. Eu não vou. Eu não vou fugir de outra pessoa que eu amo".
Os olhos de Alice trancaram nos meus. "E quanto a Edward?"
Engoli a agonia que rasgou-me com a sua pergunta, engoli as palavras que eu tinha chorado para Jasper, que eu queria chorar para ela enquanto eu desviava o olhar, para baixo para o feno dourado debaixo dos meus dedos.
Edward não me ama mais.
Em vez disso, "Ele não precisa de mim".
Ela pareceu ouvir o que não foi dito, entendendo o que estava implícito.
"Você não vai voltar?" Eu podia ouvir o tremor das lágrimas e eu não queria vê-las. Não em seus belos olhos, tão felizes e animados.
Eu a estava esmagando.
Era a única coisa que eu tinha certeza de que eu era boa, e eu estava fazendo isso com a pessoa que mais importava para mim no mundo.
Esta garota maravilhosa, forte e incrível que, de repente, era tão frágil.
Quem de repente eu estava quebrando.
"Eu..."
Eu não sabia o que dizer, como terminar, como fazê-la entender. Não parecia haver nenhuma maneira diante de mim onde eu pudesse consolá-la. Não havia palavras para explicar que eu a amava, mesmo que eu não tivesse certeza se eu algum dia seria capaz de viajar para esse lugar de novo.
Não sem Edward.
"Santana sentirá sua falta." Alice disse baixinho.
Eu podia sentir os músculos do meu rosto terem um espasmo ligeiramente, tentando se controlar.
Tentando não colapsar.
"Talvez não." Eu sussurrei com um pequeno encolher de ombros.
Ouvi Alice fungar, bem baixinho.
Eu podia ver Santana nos observando da sua tenda, orelhas curvando para frente e para trás preguiçosamente, olhos treinados em nós duas, curiosamente.
"Você sabe que é a coisa mais difícil no mundo ganhar o seu amor, Bella." Sua voz era tão suave. Falada com uma simpatia de cortar o coração que eu queria desmoronar bem naquele celeiro.
Em vez disso, eu tencionei.
Minhas pernas tremeram.
Ela tinha dito a mesma coisa sobre Santana uma vez.
Depois de um momento, ela continuou.
"É uma das coisas que eu sempre amei mais sobre você, e é uma das coisas que Edward ama sobre você, que todos nós amamos sobre você: a maneira que você ama quando você finalmente se permite, o jeito que você joga tudo que você tem nisso." Senti uma pequena mão descansando no meu ombro. Eu tremi sob o calor e prendi minha respiração quando eu a ouvi adicionar baixinho, "A maneira como você faz isso valer a pena".
Meu estômago revirou com náuseas e repleto de amor.
O mundo, como Esme o via.
"Alice, eu estou com medo".
Sem um momento mais de hesitação, senti Alice atirar-se sobre mim, contra as minhas costas, como se ela pudesse se pressionar contra ela forte o suficiente para absorver todo o peso que eu carregava.
Enroscado-se em torno de mim.
Ao redor de Isabella Cullen e de toda a dolorosa solidão e dor e raiva. A mulher calma e paciente que ela esperou tanto para ser: para ficar com Edward através de qualquer coisa, se ela apenas tivesse sido corajosa o suficiente.
Ao redor de Isabella Swan, a filha boa e forte. O espírito livre e distante de uma mulher que não poderia colocar quilômetros suficiente entre eles para acabar com sua necessidade.
Ao redor de Bella, mole como uma boneca, recostando-se contra sua amiga, sendo abraçada.
Alice conhecia o animal na gaiola, ela conhecia os tigres e os monstros em mim e não se importava. Cada coisa terrível que eu tinha feito, cada pensamento torcido que eu já tive e Alice me amava, não apesar deles, mas por causa deles. Pelo que eles significavam.
Porque as intenções sempre significavam algo para ela.
Eu podia senti-la me chamando de volta para o outro lado da linha, com seus braços em volta de mim, e eu quase podia sentir tudo escorrer para fora até que não havia mais nada, apenas pedaços que ela tentou desesperadamente recolher e guardar.
Com toda a força naquele minúsculo corpo feroz.
~O o O ~
Eu ouvi a música antes de eu o vir.
As notas fracas deslizando através da escuridão e tecendo dentro e fora do ar em torno de mim enquanto eu me aproximava da casa da fazenda lentamente.
No momento em que cheguei à varanda, reconheci vagamente a melodia.
Quando abri a porta da frente, eu tinha identificado o compositor.
Entrando no corredor e eu pude nomeá-lo como seu Concerto nº 2.
Caminhando com passos forçados no piso desenhado e luxuoso em direção à biblioteca e eu me lembrei que ele só tocava Rachmaninoff quando ele estava tenso. Batendo nas teclas pretas e brancas firmemente na estrutura de madeira, batendo nas cordas em rápida sucessão. Impossível tocar sem notável concentração, incapaz de fazer isso sem todos os músculos tensos, defensivos e rápidos.
Entrando na biblioteca, a enxurrada de articulações precisas tinha desvanecido na rapsódia suave da melodia. Ultrapassando as grandes escalas e desaparecendo em um hino simples de tirar o fôlego.
Por um momento, eu o observei acariciar as teclas agora com ternura, acalmando-as e elevando-as, balançando com toda a emoção causada pela música.
"Você veio." Eu respirei, meu corpo todo tremendo ligeiramente.
Eu sabia que ele pararia de tocar quando me ouvisse, eu estava preparada para isso, mas um vazio ainda tomou conta de mim enquanto suas mãos acalmavam.
Edward se virou rapidamente, sua surpresa evidente com a minha chegada repentina.
Assim que seus olhos encontraram os meus, o vazio foi embora.
Mas, por aquele breve momento, quando ele se virou, eu senti que não podia respirar.
Edward levantou-se do banco do piano lentamente, seus olhos em cima de mim rapidamente.
"Você está bem?" Ele me perguntou, todo examinador. "Minha mãe disse..."
Meu estômago apertou.
"O que ela disse?" Eu queria saber, nervosa.
Edward balançou a cabeça, engolindo. Eu assisti o seu pomo de Adão se mover para baixo, depois para cima. Eu vi seus olhos caírem ao chão.
Houve uma longa pausa.
"Ela disse que você precisava me ver." Ele respondeu finalmente.
Então seus olhos estavam de volta ao meu rosto, ainda procurando.
Ainda com medo.
"Você não atendia seu telefone." Minha voz estava calma, porque ele já sabia disso.
"Bella..." A voz de Edward era quase apologética quando ele deu um pequeno passo em minha direção.
Quase apologética, mas não completamente.
"Está tudo bem." Eu dei um pequeno passo para trás. "Eu entendo".
Eu sabia desde o momento em que eu tinha tentado ligar para ele esta manhã o que o seu silêncio tinha significado. Eu não tinha tido tempo de me debruçar sobre isso, de deixá-lo me torturar, mas eu ainda sabia.
Eu sabia que o beijo que tínhamos compartilhado ontem à noite tinha mudado as coisas para nós dois.
Pela primeira vez que eu conseguia me lembrar, eu tinha sido livre para soltar todas as minhas defesas.
Aquele beijo tinha rasgado todas as minhas máscaras de mim ... assim como tinha erguido todas as dele.
Ainda assim, Edward estava parado diante de mim agora, balançando sua cabeça.
Havia uma tristeza em seus olhos que eu não entendia, e uma inquietação que eu entendia.
"De alguma forma, eu duvido muito disso." Ele comentou com um sorriso sem graça.
Eu dei de ombros.
"Você não precisava me evitar".
"Eu não estava evitando você..." Edward começou, então fez uma pausa, considerando. "Eu só precisava de um pouco de tempo para pensar".
"Eu não quero falar sobre ontem à noite." Eu assegurei a ele, minha voz tão gentil, tão amável quanto eu poderia fazê-la ficar. Eu ignorei o fato de que ainda estava tremendo um pouco, esperando que Edward ignorasse isso também.
Ele não ignorou.
"Eu acho que nós temos que falar." Ele declarou firmemente, seus olhos em mim, tão teimosos.
Eu podia ver a evasão através dos seus olhos, como eu devia parecer para ele. Como ele estivesse parado, tentando chegar até mim através do seu medo, com todos os instintos de autopreservação dizendo a ele para ficar tão longe de mim quanto podia. Como, até mesmo agora, ele estava tentando me proteger, me tranquilizar.
Fazer o certo por mim, à custa de si mesmo.
"Eu estou indo embora, Edward." Eu soltei, de modo tão abrupto que eu peguei o final do seu nome em meus dentes conforme eles esmagaram contra o meu lábio.
Houve uma batida de incredulidade.
No espaço de um instante houve choque, esperança, raiva, confusão, preocupação, alívio, tudo no brilho dos seus olhos no meu rosto.
Então ele estava pisando em minha direção e eu não estava me movendo para trás.
"O quê?" Ele perguntou, surpreso, sem fôlego.
"Eu estou indo embora".
"Eu ouvi você." Houve um aumento em sua voz agora. "Onde?"
"Eu vou para casa." Eu disse a ele. Então, esclarecendo, "Para Forks".
"Bella, nós podemos falar sobre o que aconteceu." O corpo inteiro de Edward estava tenso novamente quando ele andou diretamente até mim, parando antes de me alcançar. Havia um pouco de preocupação em seu tom, mas o mais proeminente era a incredulidade.
Ele não achava que eu realmente iria.
"Nada disso significa que você tem que ir embora, que eu quero que você vá embora. Nem um pouco." Ele levantou as mãos, escovou-as levemente para baixo nos meus braços, seu cenho franzido. "Na verdade..."
"Isto não é sobre você." Eu disse, meu tom surpreendentemente afiado.
Eu puxei-me para longe dele ligeiramente, ignorando o rolamento na boca do meu estômago, o calor repentino em meus membros.
O máximo que eu tinha sentido durante todo o dia.
Desde a ligação.
Eu ficaria doente. Eu sufocaria. Eu estava respirando muito forte e muito rápido.
"Bem, é claro que eu entendo se você precisar..." Edward começou antes de notar alguma coisa em meu rosto que interrompeu suas palavras.
Senti-me tremer e eu pensei que devia estar chorando.
"Bella, o que há de errado?" Edward perguntou baixinho, pálido.
Eu toquei meus dedos levemente na minha bochecha.
Eles voltaram molhados, trêmulos.
"Eu recebi um telefonema hoje de manhã." Eu sussurrei, choramingando.
Ele não fez nenhum movimento para me tocar de novo.
"De quem?"
Eu balancei minha cabeça lentamente.
"É o meu pai, Edward." As palavras escaparam dos meus lábios, um súbito clarão diante dos meus olhos.
Edward sentado em seu escritório enquanto eu estava diante dele.
Dizendo-me que estávamos indo embora.
Porque o pai dele...
Seu pai...
"Ele está... houve um acidente." Eu consegui dizer através dos tremores, das lágrimas, das lembranças martelando e dividindo em minha cabeça.
Pneus e sangue e vida desmoronando ao meu redor em ruínas.
Através de tudo isso, o amor de Edward me segurando junta.
Silencioso, sem resposta, mas constante.
Como eu ainda posso amar você?
Mesmo quando eu o senti respirar meu nome, mesmo quando eu o senti puxar-me para a frente contra o seu peito, eu chorei de angústia.
Nota da Irene: Ai ai ai... que angústia pouca, né? Eu nunca sei o que essa autora vai aprontar e estou feliz por ela ter postado. E mais: Ela postou mais um capítulo, mas postarei somente daqui a duas semanas, no dia 24, pois estou atolada de coisas e como no mês que vem eu saio de férias, minha vida está "ótima" no trabalho. Hohoho. Mas bem, o que vcs acharam? Eu só sei que quero mais "Ed e Bella".
