Capítulo 46 - A Esposa
Em um instante, Edward estava ao meu lado.
Em um instante, nós dois estávamos encharcados até os ossos, parados, ombro a ombro.
Metal e vidro seguravam meus membros flácidos e trêmulos, mas o corpo de Edward - ligeiramente inclinado na minha frente - estava rígido.
A mulher cujo rosto tinha assombrado meus sonhos por anos, olhava para nós do abrigo seco dos degraus da varanda. O respingo da chuva borrifando sobre sua pele atraente emprestando-lhe um brilho na repentina escuridão acentuada do dia.
Houve um momento de silêncio enquanto todos nós ouvimos o súbito rugido ensurdecedor.
Outro clarão de relâmpago, um trovão ainda a poucos quilômetros de distancia, mas aproximando-se.
"O que você está fazendo aqui?" A voz de Edward atravessou o dilúvio bruscamente.
Ele estava quase gritando para ser ouvido sobre a chuva. Sua irritação era evidente, sua voz exigente e sem medo. Meus olhos percorreram seu corpo, a eletricidade feroz em sua postura, e eu tive que lutar contra o desejo de me esconder atrás dele. De esconder meus olhos e pressionar meu rosto em suas omoplatas e deixá-lo expulsar os monstros.
Virei meus olhos para a mulher na varanda, parecendo toda rígida.
Nessie deu um passo para baixo, para mais perto da tempestade.
Para mais perto de mim.
"Estou aqui para ver Bella." Ela respondeu simplesmente. Sua voz também estava ligeiramente alta, mas muito leve, muito esperançosa.
Eu podia ver seus olhos indo e voltando entre nós.
Eu não queria imaginar o que ela viu lá.
Eu parecia tão fraca quanto me sentia?
O olhar de Edward se moveu para mim e eu encontrei seus olhos, meu próprio rosto traindo a minha confusão, meu espanto, meu medo. Eu podia sentir cada centímetro do meu corpo, molhado e tremendo agora.
Sem dizer uma palavra, ele se afastou de mim e foi até Nessie.
Contei seus passos até que ele parou no mesmo degrau onde ela estava imóvel, elevando-se sobre ela.
Agora eles estavam ombro a ombro.
Meu estômago revirou.
A camisa de Edward se agarrava a suas costas, suas omoplatas, e eu só podia ver metade do seu rosto quando ele se inclinou levemente. Os olhos de Nessie deixaram os meus relutantemente para voltar para ele, e eu soltei um profundo suspiro de alívio quase como se ela estivesse me segurando presa e tivesse me libertado.
Eu podia ver que Edward estava tentando falar calmamente, mas eu ainda podia ouvi-lo.
Através da chuva e dos trovões, eu podia ouvi-lo.
"Você sabe sobre o pai dela?" Ele silvou. Eu vi sua mão esquerda abrir e fechar, tensa ao seu lado, como se ele estivesse lutando contra o desejo de agarrar o braço dela.
"Sim." Ela confirmou com um leve aceno de cabeça.
"Então você sabe que este não é o melhor momento para fazer isso." A voz de Edward era toda venenosa, totalmente protetora e irritada.
"Esta pode ser a única chance que eu terei".
Eu ouvi a resposta dela e de repente me senti doente.
Suas palavras eram tranquilas, humildes e muito familiares.
Os olhos dela prenderam nos meus mais uma vez e eu vi a súplica neles.
Agora é tudo o que eu tenho.
Deve ter havido algo no meu rosto, algum movimento convidativo, algum enfraquecimento visível, porque Nessie se adiantou. Mesmo com Edward elevando-se atrás dela, ela se moveu em minha direção sem medo.
A mão de Edward disparou então, finalmente.
Dedos envolveram ao redor do bíceps dela para deter seus passos. Fiquei surpresa pelo movimento dele, pela agressão em suas feições e no aperto de sua mão. Eu observei quando ela se virou para encará-lo.
Seus olhos se estreitaram para ele, nem um pouco assustada.
Isso me atingiu forte, como se tivesse levado uma pancada na cabeça, que ela nunca tivesse tido qualquer razão para ter medo dele. Eles se conheciam desde que eram crianças, eles tinham sido amigos, e houve um tempo – embora há muito tempo - quando ela o tinha adorado. Ou o amado.
Ela o conhecia como eu o conhecia.
Ela sabia que ele nunca a machucaria.
"Bella? Você quer que eu vá embora?" Eu a ouvi perguntar gentilmente do outro lado do pátio da frente, seu olhar permanecendo fixo em Edward com um aborrecimento familiar, irritação. Como se ele fosse um irmão irritante.
Eu engoli em seco.
"Sim." Eu respirei calmamente, reflexivamente, depois de uma batida.
Eu preciso que você se afaste dele.
Ela mal me ouviu, suas sobrancelhas franzindo ligeiramente quando ela voltou sua atenção total para mim. Ela examinou meu rosto rapidamente antes de me dar um breve aceno, não discutindo ou suplicando.
Em sua aceitação, eu assisti Edward libertá-la imediatamente.
Como se ele confiasse nela, como se ele soubesse que poderia acreditar na sua palavra.
Ou como se ele não quisesse tocá-la.
Nessie esfregou seu braço distraidamente e, com derrota escrita em todos os lugares nas linhas perfeitas do seu rosto, ela continuou descendo as escadas e para o pátio. Com apenas um breve olhar para mim, ela passou por mim.
Ela não pareceu notar a chuva.
E isso não teve nenhum efeito em sua beleza.
"Espere." Eu falei bruscamente, antes que eu pudesse me parar.
Eu queria bater as palmas das minhas mãos sobre a minha boca, em vez disso, eu as fechei ao meu lado.
Eu estava olhando para Edward, embora eu soubesse que ela estava às minhas costas. Eu podia sentir sua hesitação, esperando como eu pedi. Eu ainda não olhei para ela. Eu continuei a deixar meus olhos vagarem por toda a expressão mal controlada de Edward, na tensão dos seus ombros.
Eu o vi - a ferocidade dele e o protecionismo - e eu senti uma determinação real e verdadeira.
Eu não seria mais a vítima.
Eu não me acovardaria atrás dele.
Esta era a minha chance de ganhar o direito de ficar ao lado dele.
Exatamente tão feroz, tão protetora, exatamente tão forte.
Esta era a minha chance de obter respostas.
Agora é tudo que eu tenho.
"Está tudo bem." Eu sussurrei para Edward.
Ele hesitou levemente, os olhos cintilando sobre o meu ombro para onde Nessie estava atrás de mim, então de volta ao meu corpo rígido.
Eu sorri para ele e assenti.
Sem uma palavra, seu rosto ficou inexpressivo, ele se virou e caminhou pelo resto dos degraus da varanda e entrou na casa, a tela se fechando atrás dele.
Respirei fundo e me virei para encarar a mulher nas minhas costas.
Nessie estava esperando, silenciosa e perto de mim, seu rosto inexpressivo controlado e paciente.
A chuva estava caindo sobre nós duas, implacável e nos congelando até os ossos.
Eu não disse nada enquanto me empurrava para fora da caminhonete e para o abrigo da varanda.
Eu podia ouvi-la seguindo meus passos sem palavras atrás de mim.
Parei na porta da frente e me virei.
"Eu não posso convidá-la a entrar." Minha voz era firme e resoluta com total desamparo.
Edward estava dentro da casa.
Eu precisava que ela ficasse longe dele.
Na minha mente, eu sabia que não havia nada a temer dela. Ou dele. Eu sabia que ele não faria nada para me machucar, eu sabia que ela não seria responsável pela minha destruição duas vezes, eu sabia que não havia nada entre eles. Eles não se viam há anos.
Ainda assim, havia uma parte de mim que era atormentada pela história deles.
A maneira como ele poderia agarrar o braço dela tão apertado, o jeito que ela poderia olhar para ele sem medo.
Eles tinham um modo de falar, um modo de saber, uma maneira de tocar, que eu nunca entenderia. Eu podia ver isso em um breve momento, onde Edward estava irritado e Nessie estava implorando, eu podia ver isso. Como irmãos que se reencontram e entram no ritmo um do outro.
Tinha sido muito doloroso nunca falar sobre isso com Edward, então eu nunca poderia saber sobre o passado deles.
O que eles tinham significado um para o outro.
O quanto havia mudado.
Era essa parte minha - a parte impotente e ciumenta - que precisava de Nessie na varanda, contra o pano de fundo da chuva, enquanto Edward ficava a uma distância segura.
"Eu entendo." Foi a resposta de Nessie, mas eu podia ver que ela não entendia.
"O que você quer?" Eu perguntei a ela, cruzando meus braços contra o frio. Minha voz era surpreendentemente forte.
Ela suspirou, triste e encantadora.
"Eu quero consertar as coisas entre nós." Ela disse baixinho, com sinceridade. Seus olhos castanhos, profundos e ricos, queimavam nos meus. Sua intensidade era de tirar o fôlego e cheia de uma dor sem nome.
Eu nunca a tinha visto assim.
Quando abri minha boca para dizer a ela que isso era impossível, que as coisas nunca, em um milhão de anos, poderiam ficar bem entre nós, eu me peguei pensando no Colorado e no rosto de Edward.
E eu respirei calmamente, "Como?"
~ O ~
Tudo parecia perigoso.
Quando eu ia para lojas, quando eu experimentava roupas, quando eu almoçava, quando eu caminhava pela rua, parecia como se todo mundo estivesse olhando para mim, que todo mundo poderia dizer. Estava em todo o meu rosto, ele estava em todo o meu corpo.
Aquela mulher tem um segredo.
Era perigoso e sujo e tão, tão certo.
Um segredo que era o destino.
Eu me senti consciente do meu corpo, do mundo ao meu redor, em cada situação. A culpa era forte e deliciosa, o desejo era uma doença. Amor que era loucura. Eu me sentia mais viva do que me senti em anos. Eu me sentia mais viva do que jamais, algum dia, na minha vida.
Eu estava adormecida até agora.
E nada me fazia sentir mais viva do que quando eu estava deitada em uma cama, com os braços de Jacob ao meu redor.
Começou em hotéis, até que não era suficiente. Não era perigoso o suficiente, não era tentador o suficiente, não era íntimo o suficiente. Agora nós deitávamos na minha cama, em minha casa, em plena luz do dia. Edward estava no trabalho, mas havia sempre aquela agitação, aquela possibilidade elétrica de que ele poderia voltar para casa. Ele poderia nos pegar. Não havia lugar aqui para se esconder, não havia escuridão para protegê-lo da verdade.
Ele saberia então que sempre tinha sido Jacob e eu.
Edward tinha me dito tantas vezes que eu estava errada, que Jacob não me amava tanto quanto ele.
Eu queria rir na cara dele agora.
Apontar e fazê-lo gritar em sinal de rendição. Edward achava que ele me amava? Ainda? Ele nunca poderia me amar assim, com cada centímetro do seu corpo e alma. Ele me ignorava o tempo todo, e Jacob não podia suportar ficar longe de mim.
Inclinando-se sobre mim agora, quente e suado, o nariz de Jacob passou ao longo do meu queixo suavemente enquanto ele sussurrava palavras, a respiração quente contra a minha pele.
"Você sabe o quanto eu te quero?" Ele me perguntou, um sussurro profundo. "Você sabe do quanto eu desisto por você?"
Era uma provocação, livre da culpa que Edward gostava de usar para me prender.
Eu respondi puxando a cabeça de Jacob até a minha, puxando seus cabelos negros enquanto lábios amassavam contra lábios em uma batalha de dominação e luxúria. E amor, acima de tudo.
"Eu senti tanto a sua falta." Ele disse quando seus lábios soltaram os meus, descendo para o meu pescoço.
Joguei minha cabeça para trás contra os travesseiros - travesseiros que o dinheiro de Edward tinha comprado - e estremeci de prazer.
~ O ~
"Jacob e eu estamos separados." Nessie falou calmamente, suas duas mãos no corrimão e seus olhos olhando para longe de mim, para a chuva e pensativamente. "Ele não sabe que eu estou aqui".
Eu não conseguia tirar meus olhos dela e eles arregalaram com suas palavras.
Senti um choque de alguma emoção anônima passar através de mim, passando rapidamente e acelerando meu coração.
"Isso não é..." Eu parei baixinho, sem saber.
"Isso não é o que você quer?" Ela me perguntou rapidamente, olhando na minha direção. Suas palavras eram afiadas, mas seus olhos ainda eram gentis e cautelosos.
Ela estava nervosa.
Eu não podia sequer começar a imaginar sobre o que.
Sim, eu queria isso. Uma e outra vez por muito tempo.
Não, eu não queria isso. Nunca mais.
Eu não respondi.
Balancei minha cabeça minuciosamente, mas ela já tinha se afastado de mim.
Perguntei-me se era difícil para ela olhar para mim agora, quando eu não conseguia parar de olhar para ela.
"Eu não fiz isso por você." Ela continuou depois de um momento, sua voz um suspiro resignado. Senti o peso das suas palavras dentro de mim, a forma deliberada que foram ditas. Eu não fiz isso por você. Ela poderia dizer isso e não era uma mentira. Eu não fiz isso por sua causa. Isso teria sido uma mentira.
Seu perfil continha uma expressão de dor e tristeza através da sua compostura forçada. A chuva só atingindo a pele do seu nariz, suas bochechas, suas mãos no corrimão. E ela, permanecendo imóvel, estava muito profunda no pensamento para dar à tempestade qualquer atenção.
"Eu fico contente." Eu respondi, surpresa com o quanto minha voz permaneceu firme. Tão constante.
O quanto minhas palavras eram verdadeiras.
Os olhos dela vieram para mim pela segunda vez, desta vez cheios de surpresa. Ainda mais inseguros, parecendo desfocados. A mesma expressão que ela usara quando eu a tinha visto no dia do seu casamento. A mesma expressão que ela usara em um baile de caridade há quase um ano.
Depois de um longo momento, seu olhar segurando o meu, ela comentou, "Você está tão diferente, você sabe disso?"
Eu assenti lentamente, solenemente. "Eu acho que sim".
Silêncio se estendeu entre nós mais uma vez. Observei suas mãos segurando firmemente na madeira sob seus dedos. Observei seus olhos trilharem de cima a baixo, avaliando-me.
E eu esperei.
Esperei que ela fizesse o primeiro movimento.
Para trilhar em uma direção ou outra.
Para jogar suas cartas sobre a mesa, ou guardá-las e ir embora.
Toda vez que eu a tinha encontrado, eu tinha ditado como nossas conversas seriam. Eu tinha gritado e me enfurecido, eu tinha dito coisas a ela para ferir e mutilar, deixando-a responsável por todo o pecado que era dela, ou de Jacob, ou meu. Eu era um animal selvagem, cada centímetro desprezado e sangrando, cuja única opção para a sobrevivência era o ataque. Atacar um inimigo onde ele estivesse.
Olhei para ela e agora ela não era o inimigo.
Ela era apenas a mulher que tinha sangrado tanto quanto eu.
Então, sua voz calma, ela falou. "Bella, eu sinto muito... pelo que nós fizemos para você. Nós dois".
Meu coração sacudiu ligeiramente em meu peito com o pedido de desculpas.
Sem pensar, eu respondi, "Você não pode falar por ele." Minhas palavras foram surpreendentemente afiadas.
Nessie piscou para mim.
"Não, você está certa. Isso é covarde da minha parte, de qualquer maneira." Ela balançou a cabeça, seus olhos passando rapidamente para baixo por um momento. Em seguida, ela estava olhando para mim com uma grande medida de intensidade e falou claramente, seu queixo levantado. "Eu sinto muito pelo que eu fiz".
Meu estômago revirou.
"Você o amava." Eu sussurrei, minhas mãos segurando levemente no jeans molhado úmido e pesado cobrindo minhas coxas.
Ela deu um breve aceno de cabeça. "Eu amava".
"Então, eu perdôo você".
Ela piscou de novo, sua boca escancarando ligeiramente. "Simples assim?"
Eu lutei contra uma risada.
Não foi difícil.
Como era, eu podia sentir meus lábios curvando ligeiramente em um sorriso sem humor quando respondi, "Não, não foi tão 'simples assim'".
A garganta branca e delgada de Nessie contraiu quando ela engoliu.
"Não, eu acho que não foi".
~ O ~
"Eu te amo, Bella." A boca de Jacob cobriu a extensão do meu pescoço com beijos, com lambidas. Seus movimentos eram lentos, lânguidos e saciados, e suas palavras eram suaves. "Eu nunca deixei de te amar".
"Eu sei disso." Meus dedos dançavam ao longo dos seus braços, traçando padrões no suor.
"Estas últimas semanas têm sido... incríveis".
Eu olhei para o teto. "Reveladoras".
"Sim. Isso." Ele concordou sem parar contra a minha clavícula.
"Para mim também." Deixei minhas mãos vagarem até seu belo cabelo preto carvão. "Quando você dirá a ela?"
Houve uma ligeira hesitação em sua voz quando ele respondeu lentamente, "Eu não sei".
"Eu quero que você diga a ela logo".
"E você dirá a Edward?" Ele desafiou, sua mão alisando minha pele até que seus dedos estavam roçando a parte interna da minha coxa.
Eu ofeguei. "Eu deixarei Edward".
"Você não quer um tempo para pensar sobre isso?"
Eu balancei a cabeça rapidamente, meu cabelo derramando por todo o travesseiro. "O que há para pensar?"
"Anos de casamento." Jacob sussurrou em meu ouvido.
Soou como sedução.
"Foram apenas anos esperando por você. Eu sei disso agora." Eu respondi imediatamente, pressionando em sua mão quando ela me encontrou.
"Você é tão bonita".
Assim como ele.
"Devemos dizer a eles esta semana." Eu queria que ele fosse meu novamente.
"Bella, eu tenho filhos a considerar".
Eu ri, eu gemi. "Você deveria ter considerado isso quando tentou me seduzir em um banheiro".
"É complicado para mim, Bella." Ele disse, mesmo quando pressionou contra o meu quadril.
"Bem, é simples para mim".
"Eu acho que... eu acho que talvez nós devêssemos apenas deixar assim por um tempo." Ele gaguejou, sua respiração ficando ligeiramente irregular.
"Deixar o quê?" Eu exigi, empurrando.
"Eu não sei se eu quero mudar... a minha situação." Ele soprou as últimas palavras como se fossem sagradas. Como se ele estivesse falando sobre este momento, esta situação.
Eu entendi o que ele quis dizer, porém, mesmo através da névoa.
"Eu achei que era mais do que algum caso para você".
"Você é!" Ele insistiu, quase gritando suas afirmações. "Bella, é claro que você é".
Pressionei meus lábios em seu pescoço. "Então, qual é o problema?"
"Eu só preciso de algum tempo para pensar." Ele ofegou, sua mão apertando o meu joelho para puxar minha perna ao redor da sua cintura. "Você entende, certo?"
"Eu entendo".
~ O ~
"Como você sabia que eu estava aqui?" Perguntei a ela baixinho.
Eu estava sentada agora, minhas costas contra as ripas de madeira da casa, meus joelhos dobrados para cima apertados ao meu peito. Totalmente úmida e observando suas costas quando seus ombros ficaram tensos e ela suspirou.
Ela não respondeu por um longo momento, tempo suficiente para que eu soubesse que ela não queria dizer.
"Jacob me disse sobre o seu pai." Ela finalmente me disse, a relutância óbvia em sua voz. O pedido de desculpas sempre presente e que não precisava ser dito. Ela se virou para me encarar então, suas mãos ainda segurando o corrimão atrás dela para firmá-la. Ou, para segurá-la. Eu não tinha certeza de qual. "Apenas para que as crianças soubessem onde ele estava".
A menção dos seus filhos me tinha engolindo um caroço na minha garganta.
Tinha-me pensando em uma pedra debaixo de uma árvore e meu próprio e devastado corpo vazio.
Ela ainda estava inteira.
Ela estava mais do que inteira.
Ela era uma mãe.
"E você veio do outro lado do país para me ver." Eu disse sem expressão, perplexa e quase surpreendida. Querendo saber, com certeza, e ainda sem entender.
"Eu tinha que fazer isso." Ela estava mordendo seu lábio enquanto se afastava do corrimão e da chuva em minha direção.
Meu corpo inteiro ficou tenso, mas eu permaneci imóvel.
"Por quê?" Eu sussurrei, desejando em silêncio que ela ficasse longe.
Ela deu mais um passo, depois outro, então ela estava bem na minha frente, olhando para a minha forma encolhida.
"Para dizer a você que eu... entendo." Ela engoliu a última palavra, sua garganta balançando e sua voz enfraquecendo.
"Entende o quê?" Eu queria saber.
De repente, ela estava de joelhos.
Ajoelhada diante de mim, tão perto que eu podia sentir o calor do seu corpo e do meu próprio. Seus olhos eram duros nos meus, intensos e pouco dispostos a me deixar mover, ou mesmo desviar o olhar.
"Por que você fez o que fez." Ela disse calmamente.
Isso poderia significar tantos milhares de coisas.
Aparecer em seu casamento, tentar prender seu novo marido com uma criança.
Dormir com seu marido, roubando-o em qualquer chance que eu poderia conseguir.
Escolhendo Edward como um sacrifício para o meu amor, o seu amigo mais antigo.
Quebrando Edward, ou quebrando Jacob.
Eu não podia contar as maneiras, e ela disse que podia entender.
"Oh." Foi tudo que eu consegui dizer.
Nessie parecia sentir meus pensamentos em guerra. Ela estendeu uma esbelta mão branca e a colocou delicadamente no meu braço.
Seus dedos roçaram contra o meu joelho.
"Você foi a única de nós que foi honesta." Ela disse as palavras como uma bênção, palavras que eu tinha ouvido Edward falar antes dela. "Você foi terrível e brutal e cruel, mas você sempre foi honesta".
Eu respirei fundo, estremecendo e me perguntando se eu choraria. A chuva no meu rosto era quente.
"Você era tão jovem." Eu sussurrei.
Ela ainda era.
Tão, tão jovem.
"E cheia de noções infantis." Nessie disse com um aceno, sua voz dura e auto-depreciativa. "Você me acordou".
Eu finalmente desviei meus olhos dela, apenas para permitir que meu olhar caísse para a sua mão que estava me tocando.
Eu a acordei para uma honestidade cruel, eu acordei Edward para a verdade sobre amar outra pessoa. Eu tinha usado a minha dor apenas para espalhá-la para os outros, em vez de curar quaisquer erros que tinham sido feito para mim.
"Eu sinto muito." Eu disse de repente. "Por algumas coisas..."
Nessie assentiu. "Eu também. Por algumas coisas".
~ O ~
Era hoje.
Tinha que ser hoje.
Eu sabia onde ela estava. Eu sabia que poderia chegar até ela.
Sem Edward descobrir, sem Jacob estar lá.
Ele queria deixá-la, é claro que ele queria. Quantas vezes ele me disse que me amava? Que ele havia cometido um erro? Que ele queria mais do que apenas um caso?
Mas ele estava com muito medo.
Eu poderia entender o medo.
Eu teria que ser a sua força.
Teria que ser eu.
Foi fácil conseguir um convite para a arrecadação de fundos de algum herdeiro Vanderbilt. Quando eu tinha me mudado para Nova York, eu tinha feito tantos amigos. O trabalho de Edward não nos atirou diretamente para o escalão superior da sociedade, mas os hospitais eram certamente populares com grandes instituições de caridade. Os médicos tinham o seu próprio nicho.
Especialmente se eles não fossem médicos de verdade, pensei para mim com um sorriso.
A pesquisa de Edward sempre foi de interesse para instituições de caridade "à procura de uma cura" para uma coisa ou outra.
Houve festas, eu tinha feito amigos.
Agora era muito fácil pedir um convite para um evento para a continuação da pesquisa sobre a doença de Alzheimer.
O dia estava bonito, mais quente do que o normal para o início de janeiro, e o sol estava brilhando e gritando - cortando o ar de inverno - quando entrei em um táxi na esquina do meu quarteirão. A seda do meu vestido deslizou facilmente e alisou sobre o banco de couro. Dei ao motorista o endereço do Waldorf Astoria com um pequeno sorriso.
O caminho foi rápido, sem tráfego para impedir o meu progresso. O táxi amarelo cortou as ruas rapidamente, com o mesmo ritmo calculado que batia em meu peito.
O hotel era lindo, grande e deslumbrante, e eu pensei que não poderia haver melhor cenário. Entrei no brilhante elevador dourado para subir, com estranhos em trajes formais similares. Todas as cores escuras e ricas do inverno na cidade.
O tempo fez com que o evento fosse realizado nos jardins do telhado, debaixo de uma tenda aquecida que gritava riqueza.
Claro que seria em uma cobertura.
Afinal, é aí que os dragões são mortos.
Agarrei meu pequeno casaco mais apertado quando caminhei para a festa. Fazia muito tempo desde que eu tinha vindo para um evento como este, eu fiquei momentaneamente cega. Distraída pelas cores das flores que não poderiam crescer nesta época do ano. Torres de comida e centenas de milionários ricos ao redor falando uns com os outros sem ouvir uma única palavra.
A impossibilidade disso, a natureza excessivamente ridícula, parecia perfeita.
Não demorou muito tempo para encontrá-la.
Seu rosto estrelou meus pesadelos tantas vezes, eu nunca tinha esquecido aquelas belas feições suaves.
Eu não podia esperar para fazê-las desmoronar.
Eu estava fazendo isso por Jacob, e pelo nosso amor, mas havia uma grande parte minha que ficaria alegre em vê-la se contorcer.
Por tudo o que ela tinha feito.
Tudo o que ela tinha arruinado.
Caminhei até ela lentamente, enquanto ela estava rindo com uma mulher que poderia ser sua amiga. Ela estava gesticulando com os braços, seus dedos ligados levemente enquanto ela segurava uma taça de champanhe. Eu ajeitei meus ombros, preparei meu corpo, levantei meu queixo. Senti cada defesa que eu tinha cair sobre mim, todas as armas apontadas para ela enquanto eu caminhava até ela com o propósito imparável.
"Olá, Sra. Black".
Minha voz era fria para os meus próprios ouvidos, esquisita e estranha.
De alguma forma, porém, ela pareceu reconhecê-la.
Eu observei todo o seu corpo ficar rígido quando ela se virou lentamente para me encarar.
Perguntei-me se ela sonhava comigo.
"Bella." Ela sussurrou, choque evidente em seu rosto enquanto ela me olhava. Observei como ela lutou para se recompor, minha própria expressão permanecendo completamente em branco.
A amiga que falava com ela olhando curiosamente entre nós.
"É tão bom vê-la de novo." Ela disse finalmente, mudando diante dos meus olhos para o retrato perfeito de uma sociedade civilizada. Bloqueando seu medo, abaixando-se atrás dos seus costumes.
Eu levantei uma sobrancelha. "Eu gostaria de poder dizer o mesmo".
Senti meus lábios curvarem levemente quando ela empalideceu, quando ela percebeu que o nosso encontro aqui não era coincidência.
Não haveria educação e falsa paz entre nós.
Eu tinha vindo pelo seu sangue.
Ela abriu e fechou a boca várias vezes, nenhum som escapando.
Ela não conhecia as regras do jogo que eu estava jogando.
Sentindo a angústia da sua amiga, a outra mulher se virou para mim, estendendo sua mão educadamente.
"Eu não acredito que nós nos conhecemos. Eu sou Kate." Ela disse com um sorriso. "Você conhece Nessie?"
Peguei a mão de Kate levemente, quente, "Bella", eu apresentei. Então, com um olhar para a mulher silenciosa e traidora ao meu lado, eu acrescentei, "Eu sou a mulher que está dormindo com o marido da Nessie".
"D-Desculpe-me?" Kate gaguejou, seu rosto corando de repente e olhando ao redor de alguma forma descontroladamente. Como se ela estivesse esperando que fosse uma piada.
Eu sorri de alívio, de contentamento, quando me virei para fixar meus olhos com os de Nessie.
Ela estava mais pálida do que eu já a vi. Olhos cheios de confusão, corpo completamente imóvel. Eu nem achava que ela estivesse respirando quando me inclinei para ela ligeiramente.
Houve um súbito barulho de algo quebrando e eu pude sentir cacos de vidro e champanhe caro batendo em meus tornozelos nus.
Eu sorri com a sensação.
"Está acabado." Eu disse à trêmula esposa de Jacob, minha voz dura e inflexível.
Estava acabado agora.
E eu tinha finalmente ganhado.
~ O ~
"Eu não deveria ter dito daquele jeito." Eu sussurrei, a memória tinha um sabor amargo na minha boca.
Meu peito apertou quando recordei a minha determinação, como eu tinha acreditado que destruindo a mulher na minha frente consertaria tudo de errado na minha vida. Como eu pude pensar que ferir alguém, que o ódio, era alguma resposta.
Meus braços estavam cruzados sobre o meu peito com força, meus joelhos pressionados contra eles. Nessie não estava mais me tocando, mas ela estava sentada ao meu lado.
Era mais fácil quando eu não tinha que olhar para ela. Eu ficava mais dura com ela tão perto.
Ela ficou em silêncio por um longo momento.
"Não, você não deveria." Ela concordou, suas palavras saindo muito lentamente. Em seguida, ela acrescentou, deixando seu rosto cair para olhar para suas mãos, "Mas eu fiquei feliz de saber".
Deixei as palavras afundarem por um momento. "Feliz?"
Nessie assentiu para a minha pergunta, seus lábios apertando com determinação que significava que ela não tinha sido deixada sem marcas por isso.
"É melhor enfrentar a verdade de cabeça erguida." Ela explicou.
Eu me perguntava quanto tinha sido longo ou curto, difícil ou simples, para ela entender aquela declaração.
Tinha me levado anos.
"Sim." Eu concordei.
"E eu fiquei feliz que foi você".
Eu gaguejei, meus olhos atirando para os dela. "O quê?"
Ela estava olhando de volta para mim com calma.
"Não foi uma mulher qualquer. Não foi porque eu era inadequada. Foi porque ele nunca deixou de amar você." Ela disse em voz baixa, seus olhos cheios e suas palavras tremendo. "Eu não sei se ele pode".
Eu ri, um som de latido que era sem humor.
"O que é engraçado?"
Eu balancei minha cabeça, apertando-a nos meus joelhos momentaneamente, pressionando meus olhos com força contra osso, tentando reunir as palavras.
Finalmente, eu voltei a olhar para ela.
"Eu tenho tantos motivos para odiar você, e você a mim." Eu disse a ela, sem desculpas, sem um único vacilar. "Houve maneiras que eu desejava prejudicá-la, destruí-la, por anos e anos. Houve um tempo em que eu teria amado ouvir você dizer isso para mim, e eu teria cuspido de volta em seu rosto. Mas tudo o que posso dizer a você agora é... você não sabe nada sobre isso".
Eu observei como Nessie fechou seus olhos, fazendo com que algumas lágrimas encantadoras transbordassem. Elas se misturaram com a água da chuva que tinha escovado contra sua pele através da tempestade.
"Eu sei mais do que você pensa." Ela disse, sua voz era tão baixa e quase um soluço.
Por um momento, eu me perguntei.
Eu me perguntei o que a vida tinha sido para ela. Eu tinha pensado por tanto tempo que ela tinha ganhado o prêmio. Que, até aquele dia na cobertura, ela havia me ganhado da felicidade mais sublime no mundo. Mas eu sabia agora que Jacob não era ideal, não era um homem perfeito, e a vida dela não poderia ter sido qualquer coisa como eu imaginava.
E eu tinha imaginado muitas vezes.
O meu espectro a tinha assombrado da mesma forma?
Eu funguei, dedos pressionando duramente em minhas costelas para me firmar quando virei meu olhar de aço nela. Ela podia conhecer a mulher que eu era, ela podia conhecer Jacob e sua própria vida podia ter sido tão cheia de dor e saudade como a minha tinha sido, mas ela não tinha ideia do que tinha acontecido comigo em Hartsel, Colorado.
Ela não tinha ideia do que Edward tinha feito para mim, por mim.
"Ouça-me, Renesmee Black." Eu bati, minha voz firme e sem raiva. Forte e exigindo sua atenção. Seus olhos subiram até encontrar os meus. Eu respirei fundo e continuei, "Há palavras para as coisas que nós fizemos para você, para casos sujos escondidos no escuro. Mas Jacob casou com você, ele fez a sua família com você. E talvez não tenha dado certo no final, mas essas escolhas importam".
Eu fiz uma pausa, lutando contra as minhas próprias lágrimas quando o rosto de Edward apareceu na minha mente.
"Escolher a pessoa com quem você quer estar, isso significa alguma coisa".
~ O ~
Eu estava sentada na varanda, fumando um cigarro.
Eu nunca fumei cigarros.
Eu podia senti-lo andando em minha direção antes de olhar para cima e vê-lo. Quando seus olhos encontraram os meus, ambos irrompemos em sorrisos largos.
"Ei, Bells!"
Eu gritei levemente e levantei com uma característica falta de graça. "Jake!"
Atirei-me pelos dois degraus que nos separavam de onde eu estava sentada e, quando ele me pegou facilmente, envolvi meus braços em torno do seu pescoço. Meus lábios caíram contra os dele, duros e breves, antes que eu me afastasse e olhasse para ele. Meu coração já estava disparado.
Seu sorriso era ofuscante quando ele olhou para mim.
"Não é melhor entrarmos?" Ele sorriu, sua voz baixa e levemente rouca. Senti uma das suas mãos trilhar pelo meu lado até a minha coxa e eu automaticamente a levantei para engatá-la ao redor do seu quadril. Sem esperar por um convite, ele me pegou de modo que eu estivesse enrolada nele completamente.
Senti seu peito retumbar com a risada.
Eu assenti ansiosamente para a sua pergunta e abaixei-me para encontrar seus lábios novamente. Desta vez, o beijo foi mais suave, mais gentil. Nós levamos o nosso tempo.
Por pouco tempo.
Então a luxúria começou a substituir o afeto. Sua boca rompeu com a minha para trilhar pelo meu pescoço, e eu senti meus quadris inconscientemente rolarem contra ele. Ele gemeu e, em seguida, sua boca estava no meu ouvido e ele estava sussurrando que me amava.
Enquanto ele me carregava para dentro, eu mordisquei seu ombro.
"Oh, Jake..."
Ele me levou por todo o caminho até as escadas e para o quarto com facilidade praticada.
Nós éramos tão bons nisso, nós ficávamos tão bem juntos.
Quando ele me jogou gentilmente no colchão, tirando sua jaqueta com um sorriso no seu belo rosto, eu não pude esperar mais.
Apoiei-me em meus cotovelos. "Eu tenho algumas boas notícias, Jake".
"Oh, sério?" Ele perguntou com um sorriso, suas mãos puxando sua camisa rapidamente antes de virem descansar em ambos os meus lados, seus musculosos braços nus me cercando como uma gaiola quando sua boca encontrou meu pescoço.
"Eu fui ao hotel Waldorf hoje." Eu gemi, praticamente vibrando com empolgação.
Este era o dia em que minha vida realmente começaria.
"Oh?" Ele murmurou, não prestando muita atenção. Uma das suas mãos estava na minha coxa agora. "Por que isso?"
Eu sorri e deitei, entregando-me a ele quando ele me empurrou contra o edredom.
"Nessie estava lá".
Jacob congelou no lugar, seus lábios não se movendo mais. Suas mãos completamente imóveis.
Eu me contorci um pouco, sabendo que ele ficaria chocado.
Eu esperava isso.
"Eu disse a ela, Jake." Eu sussurrei em seu ouvido. Então eu empurrei meus quadris para cima. "Nós estamos livres".
Esperei durante o que pareceu uma eternidade, o tempo todo plantando beijos suaves no seu pescoço e ombro.
Quando minhas mãos correram pelo seu cabelo, Jacob ergueu-se e se afastou de mim.
Ele ficou parado sobre mim, ao lado da cama, e eu já não podia ler a expressão em seu rosto.
Ele estava olhando para mim como se eu fosse uma estranha.
Meu coração começou a bater um pouco mais rápido no meu peito, desta vez não de emoção. Não de luxúria.
"Jacob?"
Chamar o seu nome pareceu tirá-lo disso.
Ela estava de repente procurando pelo chão rapidamente, então ele estava puxando sua camisa de volta.
Colocando sua jaqueta de volta.
"Eu tenho que ir." Ele disse em voz baixa, rapidamente.
Ele não estava olhando para mim.
Eu me sentei, nervosa.
"Ir? Para onde?" Eu queria saber, confusão laçando meu tom.
"Eu tenho que consertar isso!" Sua voz era alta, um grito, e seus olhos encontraram os meus. Eu não gostei do que vi neles. Desespero, medo, raiva. Ele estava com raiva de mim? Isso era o que nós sempre quisemos.
"Do que você está falando?" Eu exigi, tropeçando nos meus pés. "Está feito".
Jacob deu um passo em minha direção então, frustração em todo o seu rosto. Eu não conseguia entender. Ele me amava, ele queria ficar comigo, ele me queria em vez dela.
Não era?
"Bella, você..." Ele começou. Então ele parou e balançou a cabeça como se não adiantasse explicar. Como se eu fosse uma criança que não entendesse as coisas do mundo.
Talvez eu fosse.
Sem outra palavra, sem um único olhar de despedida, Jacob se virou e saiu do meu apartamento.
Ele bateu a porta atrás de si.
~ O ~
"No final, porém, ele só queria você." Nessie sussurrou, suas mãos torcendo sobre as suas pernas.
Eu balancei minha cabeça, rangendo meus dentes. "Você está errada".
Ela se virou para olhar para mim, suas sobrancelhas levantadas como se eu estivesse sendo tola.
Deixando de fora o óbvio.
Mais uma vez.
"Ele não veio aqui por Charlie, Bella".
Eu suspirei, meu coração batendo de forma desconfortável. "Eu sei".
Houve silêncio por um momento antes de ela perguntar, "Você ainda o ama?"
Eu congelei.
"Eu..."
"Está tudo bem se você amar." Ela disse rapidamente, como se para me tranquilizar. Havia dor em seus olhos, mas havia também determinação. "Jacob e eu... eu não sei se nós alguma vez realmente nos amamos".
Eu senti meu estômago revirar.
"Por favor, não diga isso para mim." Eu implorei por reflexo, sentindo um peso na minha garganta.
"Eu sei o que eu senti, Bella, e aquilo era amor." Ela disse, balançando sua cabeça. "Mas eu tive muito tempo para pensar sobre isso. E eu acho que Jacob se casou comigo tão rapidamente porque ele não queria ser apenas um babaca clichê, ele queria que tudo isso significasse alguma coisa. E eu... eu queria pular o tempo que seria necessário para fazer o amor verdadeiro ser possível".
Houve algum eco em suas palavras que chamou o rosto de Edward à minha mente mais uma vez.
O meu próprio casamento, ou o dele.
Ele sempre disse que me amava e eu nunca tinha entendido isso. Como isso aconteceu tão rapidamente, como ele sempre teve tanta certeza. Eu costumava pensar que era porque ele era tolo, até o Colorado, quando eu comecei a pensar que era porque ele era altruísta e gentil e seu amor era verdadeiro.
Ele tinha passado anos tentando me convencer que era isso e eu tinha começado a acreditar nele.
Eu nunca tinha considerado a realidade do que Nessie estava me entregando agora, de cara limpa e olhos tristes. Como ele me idealizar sempre tinha sido claro, mas e se isso fosse tudo? E se ele tivesse me amado apenas porque ele era impaciente? Porque ele tinha o seu ideal e eu de alguma forma me encaixava? Porque ele era teimoso e leal e irremediavelmente e dolorosamente romântico?
Quando eu me casei com ele, suas razões não importavam para mim.
Agora parecia que elas eram as únicas coisas que importavam em todo o mundo.
E se o nosso casamento tivesse sido apenas a prova do que ele sentia, não por mim, mas por si mesmo?
E o que isso significa agora? Agora, quando ele queria o divórcio?
Isto não tinha que ser o fim.
Eu poderia realmente acreditar nisso?
Eu poderia realmente ganhar o seu amor?
Seu verdadeiro amor?
Eu era exatamente como Jacob, casando com alguém para não ser um clichê.
Eu era exatamente como Nessie, agarrando-me a um ideal de amor com tanta força que eu nunca aprendi o que realmente ele poderia ser.
Eu era exatamente como Edward, quebrada e lutando e ansiando por algo fora do meu alcance.
Isso tinha algum dia existido?
Eu tinha algum dia amado Jacob?
Edward tinha algum dia me amado?
"Está tudo bem se você não amá-lo também." Nessie disse suavemente, sua voz tremendo ligeiramente com o meu silêncio.
Voltei minha atenção para ela lentamente.
Minha mente pesava em cada implicação do que isso significaria para ela, se eu já não amasse Jacob.
Se eu nunca o tivesse amado.
O que isso significaria para mim.
Para toda a minha vida.
Então, tudo que eu já tinha feito, tudo que eu já tinha acreditado sobre o amor, tudo pelo que eu tinha lutado e cada vida destruída, foi tudo por nada. Nessie e seus filhos, o filho dele, feitos para sofrer sem razão. Sem a consolação de um amor nobre ou do destino para mantê-los juntos.
E se eu quisesse Jacob? Isso era pior?
Então tudo que Edward e eu tínhamos passado, cada mudança e momento de clareza no Colorado, não teria significado nada.
O silêncio desceu sobre nós por um longo momento enquanto ficávamos sentadas, lado a lado e ensopadas, na varanda da minha casa de infância. Nós ficamos em silêncio, no abrigo, quase perto o suficiente para que nossos braços se tocassem enquanto observávamos a tempestade rugir ao nosso redor.
A chuva era forte em ondas e raios claros iluminavam nossos rostos por breves segundos. Ficamos sentadas, sem palavras, e compreendemos lentamente o que tinha acontecido neste momento em que tínhamos conversado. Nós tínhamos enfrentado a culpa e a inocência, nossa e dos outros, e encontrado um lugar de paz.
Passaram-se quatro anos e este foi o momento em que eu pude finalmente deixar Renesmee Black ir.
Ainda havia quilômetros a caminhar, ainda havia muito por resolver. Jacob continuando nessa cidade, meu pai esperando em uma cama de hospital, minha mãe se aproximando ao longe. E aquele homem protetor, estúpido e lindo escondido da tempestade, dentro da minha casa.
Lentamente, eu me empurrei para os meus pés.
Minhas roupas estavam agarradas a cada centímetro do meu corpo, eu me senti nua quando sorri tão gentilmente para a mulher que estava olhando para mim com os olhos arregalados. Ela parecia mais desamparada naquele momento do que em todos os momentos que eu a encontrei.
Ela nunca tinha sido um dragão.
Nunca um inimigo.
Apenas uma tola, o mesmo que eu.
Estendi minha mão para ela, observando sua reação quando ela entendeu o gesto.
Ela parecia surpresa, até mesmo chocada, mas não com medo.
Depois de apenas um momento, ela colocou sua mão fria e delicada na minha e me permitiu puxá-la para os seus pés.
"Obrigada por ter vindo aqui." Eu sussurrei, finalmente quebrando o silêncio.
Nessie engoliu em seco e assentiu levemente, fracamente. "Você não tem que me agradecer".
Eu apertei sua mão brevemente, antes de soltá-la.
Observei como sua mão caiu de volta ao seu lado, dedos flexionando contra sua coxa ligeiramente.
"Cuide-se, Bella." Ela disse, entendendo que este era o fim.
Seus olhos olharam brevemente para a porta da frente da casa e eu tive uma súbita sensação de que ela queria dizer outra coisa. Quando olhei para o seu rosto, em seus dentes mordendo seu lábio inferior, eu me perguntei se ela queria dizer adeus a Edward. Ou, dizer outras coisas para Edward.
Eu ainda não a queria ali.
Eu não sentia mais nenhuma raiva ou ódio ou ressentimento. Eu já não tinha medo dela, da sua influência. Eu sabia agora que nós éramos iguais. Tudo o que eu estava acostumada a sentir, cada emoção trazida à mente pelo seu nome, toda a escuridão e desamparo dentro de mim, tinha desaparecido.
Mas eu ainda não a queria perto dele.
"Adeus, Nessie".
Ela pareceu como se entendesse. "Adeus".
E enquanto eu a observava descer as escadas da varanda e para a chuva caindo, eu sabia que nunca veria essa mulher de novo.
Meus olhos seguiram sua forma enquanto ela se afastava, até que tudo era cinza e ela tinha desaparecido na tarde de tempestade.
Eu não me perguntei para onde ela estava indo.
No momento em que eu estava sozinha, eu me virei para abrir a porta da frente da casa, minha mão deslizando e escorregando na maçaneta. Eu estava toda molhada, pingando sobre a madeira e carpete quando entrei, mas eu não me importava. Eu não procurei por nada para me secar. Em vez disso, fui direto para a cozinha, onde havia uma luz acesa.
Meus olhos se depararam com a visão de Edward, andando de um lado a outro com as mãos enfiadas em bolsos molhados, deixando um rastro de água no chão de azulejos, cabelo gotejando e em encantadora desordem. Seu corpo inteiro estava tenso de preocupação, seu rosto desfigurado com uma carranca. Eu hesitei por um momento enquanto eu o observava, sentindo tudo dentro de mim suavizar.
Ele deve ter me ouvido, ou me visto pelo canto do seu olho, porque ele de repente parou.
Seu olhar levantou para encontrar o meu.
Eu não conseguia ler seu rosto, tão branco e imóvel como o resto do seu corpo. A tensão, a carranca, o ritmo agitado de um leão enjaulado, tudo desapareceu quando ele se virou para olhar para mim.
Ofereci a ele um pequeno sorriso.
"Ela foi embora." Eu disse a ele baixinho então.
Minha mão esquerda levantou para esfregar meu antebraço direito nervosamente, inconscientemente.
Ele deu um passo em minha direção, sua expressão ainda cuidadosamente controlada. Era quase como se ele não tivesse certeza de qual emoção ele estava destinado a sentir: preocupação ou raiva. Ele precisaria me confortar? Pegar algumas das peças quebradas que Nessie tinha deixado para trás? Ou ele mesmo teria que sair para a tempestade e gritar com ela? Persegui-la pela chuva?
Ele parecia que estava esperando por alguma dica minha.
"Você está bem?" Ele perguntou finalmente, sua voz neutra.
Engoli em seco e dei a ele um aceno de cabeça firme. "Sim".
Eu o vi expirar lentamente, um pouco da tensão saindo do seu corpo, e ele deu mais um passo em minha direção. Sua testa estava franzida agora. "O que ela queria?"
"A mesma coisa que eu queria." Eu dei de ombros.
Eu observei, surpresa, quando o rosto de Edward ficou sem cor.
Pálido e lábios cerrados, eu vi sua testa suavizar e suas mãos apertarem aos seus lados.
Eu percebi quase imediatamente o que estava errado.
Ele acha que eu estava falando sobre querer Jacob.
Dei três passos para frente, de modo que Edward e eu estivéssemos parados a apenas alguns centímetros de distância. Lentamente, para que ele pudesse ver o que eu estava fazendo, dando a ele a chance de se mover, eu coloquei minha mão levemente em sua bochecha.
Ele recuou levemente, mas não se afastou.
Ele não estava respirando.
"Ela queria fazer as pazes comigo. E eu com ela." Eu disse a ele, minha voz pouco mais que um sussurro. Meu polegar pressionou e acariciou sua mandíbula, incitando-o a acreditar em mim através da expressão de incredulidade que eu vi cruzar suas feições.
"Você a perdoou." Ele respirou, seus olhos arregalados.
Eu assenti. "E pedi perdão a ela".
Edward ficou em silêncio, olhando para mim como se nunca tivesse me visto antes.
"Este lugar, Edward. Estar aqui em Forks, estar aqui agora... é estranho." Eu disse a ele, tentando explicar. "Faz-me sentir como uma pessoa completamente diferente, e a mesma pessoa que sempre fui. Como se talvez eu não tenha que perder tudo o que eu era para começar de novo." Fiz uma pausa. Então, calmamente, e com significado, "Toda segunda chance que me for dada aqui, eu vou pegar".
Edward ainda não disse nada, mas eu vi seus lábios separarem infinitesimalmente.
Um olhar em seus olhos que me deixou tão quente, eu não conseguia mais sentir minhas roupas molhadas e congelantes.
"Vamos." Eu disse finalmente, minha mão caindo do seu rosto e descendo pelo seu braço para segurar sua mão. "Eu quero ver o meu pai".
Nota da Irene:
Eu sinceramente amo essa autora. Ela simplesmente faz as pessoas serem humanas... errarem feio e depois reconstrói essa pessoa e nos faz ama-la.
É bem difícil ler sobre o passado da Bella, pois eu sou um ser completamente ciumento, e me sinto como se fosse o Edward nessas horas... mas depois eu vejo tudo o que ela passou e tudo o que aconteceu e no que ela se transformou e eu só quero que eles saiam daí e sejam felizes... E que o Jacob desapareça.
Eu sempre gostava dos Jacob's... mas eu odeio o dessa história... Ele abandonou a Bella por alguém que mal tinha conhecido... deixou as duas grávidas e depois tentou trair a Nessie com a Bella... e quando a Bella tenta ficar com ele pra valer... o cara corre... Enfim... Típico homem safado. =/
Nunca mais tinha deixado uma nota tão grande... mas essa fic me inspira.
Agora é esperar. Essa autora leva de 6 meses a um ano para postar... Mas assim que ela posta eu tento traduzir. Eu não tinha visto essa atualização, que já tinha sido postada desde Novembro do ano passado =O. Me desculpem e obrigado Dani por me avisar =*
