CAPITULO 4. CAFÉ DA MANHÃ COM DIAMANTES

Michiru colocou uma chaleira com agua no fogo. Um bom chá e torradas seriam o melhor para começar o dia com energia depois de uma noite... Exaustiva.

Se ruborizou ligeiramente ao evocar os acontecimentos da noite passada. Havia estado com um homem... Parecia incrível. Pensou, divertida, que sua mãe se sentiria feliz ao saber, já que quando lhe comunicou que estava apaixonada por Haruka e que esta era uma garota, a colocou pra fora sem meias palavras.

Riu a seu pesar. Se não tivesse dito a sua mãe que Haruka era uma garota talvez nunca teria se convertido na ovelha negra da família. Mas... Haruka era uma mulher, disso não havia NENHUMA duvida. E Michiru adorava a Haruka tal e como era. Não podia negar que ver a Haruka transformada em um homem era um de seus sonhos secretos, mas se sentia aliviada de que o cambio não fosse pra sempre.

Afinal de contas, ela estava apaixonada de Haruka, não de seu gênero. A amava tal e como era e jamais se importou de que fosse uma mulher.

Sentiu fortes braços rodeando sua cintura e uma familiar respiração em seu pescoço. Sentiu o peito de Haruka contra suas costa e sorriu. Fechou os olhos e suspirou feliz.

"Desulpe senhorita, mas se meu namorado descobre de que está me abraçando dessa forma, ficará muito irritado", murmurou.

Haruka se separou dela, rindo.

"Gostaria de conhecer seu namorado, sabe?", disse, seguindo o jogo de Michiru.

A jovem de cabelo esverdeado se deu meia volta e lhe ofereceu uma xicara de chá quente.

"Estou segura que você iria gostar dele."

Haruka deixou a xicara de chá que Michiru havia lhe dado sobre a mesa e, rodeando suas cadeiras com os braços, a beijou profundamente, deixando Michiru sem ar.

"Seu namorado é capaz de fazer isso também?", sussurrou com brilhos nos olhos.

Michiru começou a rir, mordendo sua orelha.

"Te surpreenderia ao saber das coisas das quais ele é capaz", ronronou em seu ouvido.

Haruka se ruborizou e, pegando sua xicara de chá, se sentou à mesa. Untou uma torrada com geléia de frutas e deu uma mordida. Michiru permaneceu olhando-a fixamente por um momento.

"Você se sentiu muito diferente à noite?" perguntou, dando um gole em seu chá.

Haruka deu de ombros.

"Diferente? Mhm... Sim... Não... Mhm... Não sei, na verdade", respondeu. "E você?"

Michiru se sentou a seu lado, mexendo seu chá com uma colher.

"Eu pensava que ia ser diferente, mas... Não foi. Bom, claro, mentira se dissesse que tudo foi igual, mas... É que... No fim... Era você comigo todo o tempo. Senti o mesmo que sinto cada vez que te tenho perto", sorriu, ruborizada.

Haruka levantou a vista e segurou sua mão carinhosamente.

"Pois é um alivio saber, porque a ideia de me transformar em alguém como Seiya, que muda de sexo quando mais o convem, não me atraia", começou a rir.

Michiru lhe dedicou um sorriso ladeado e moveu as pálpebras de forma sensual.

"A mim tampouco", sussurrou, dando-lhe um beijo no rosto.

A jovem loira levantou seu rosto e se inclinou ligeiramente à seus lábios, aquela fruta que estava esperando para ser beijada.

De repente, a porta da cozinha se abriu. Setsuna entrou na cozinha e quedou-se paralisada ao perceber a cena que tinha diante dos seus olhos. Haruka olhou à porta e ao ver Setsuna de pé diante delas girou, tossiu discretamente tapando a boca com o punho e, segurando sua xicara de chá, começou a beber com parcimônia. Michiru começou a rir e levantou a mão, cumprimentando Setsuna.

"Não te esperávamos tão cedo, Setsuna", disse Michiru, untando suas torradas com geleia.

"Já me dei conta... Err.. Pra dizer a verdade, ocorreu algo que há precipitado minha chegada", contestou a mulher de cabelos compridos e escuros, servindo-se de chá.

"O que aconteceu?", perguntou Haruka, levantando levemente a vista de sua xicara.

"Pois que o futuro está mudando porque uma certa pessoa teve a ideia de brincar de papai e mamãe", contestou Setsuna com sarcasmo, olhando significantemente a Haruka.

A loira se ruborizou fortemente e se pôs a olhar intensamente sua torrada, como se, ver a geleia sobre a torrada fosse uma descoberta surpreendente.

"Nossas ações estão prejudicando o futuro?", perguntou Michiru com rosto sombrio.

Setsuna se deteve a meditar sobre a pergunta. Franziu ligeiramente a testa e logo em seguida sorriu a Michiru.

"Não, a verdade é que o futuro que está se formando agora era uma opção dentre muitas que circulam pelas correntes temporais", se deteve ligeiramente. "O que passa e me surpreende é que eu não acreditava que Haruka fosse capaz de pensar em algo assim".

Haruka se colocou de pé e, dando-lhes as costas, deixou sua xicara na pia.

"Haruka é uma caixa de surpresas, Setsuna", sussurrou Michiru em tom confidencial, mas o suficientemente alto para que Haruka escutasse.

"Michiru", murmurou Setsuna em voz alta. "Não vai me dar detalhes do que aconteceu? As visões do futuro não me deram uma imagem de Haruka...", se lamentou.

Michiru começou a rir e Haruka tossiu levemente.

"Agora entendo por que se sente tão bem no posto nas Portas do Tempo, Setsuna", exclamou Michiru. "Em fim, já que você quer detalhes, devo confessar que Har..."

Haruka tossiu em voz alta fazendo com que as duas mulheres se girassem à ela, olhando-a com curiosidade. Haruka estava vermelha como um tomate.

"Creio que atrapalho. seramelhorquemevaagoramesmo", murmurou de forma quase incompreensível e desapareceu da cozinha na velocidade da luz.

Michiru e Setsuna se olharam e estalaram em gargalhadas.